Albergues da Juventude

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Livro dos albergues da juventude 1992-1993

Albergues da Juventude

Este artigo é antigo, mas como gosto muito dele, resolvi repaginá-lo e divulgá-lo mais uma vez. Foi publicado no Caderno de Turismo do Jornal O Povo nos idos dos anos 80. Tal caderno, cuja editora era a jornalista Lúcia Helena Galvão, não existe mais como era.

Comecemos o artigo… Aconselho albergues da juventude. São lugares interessantíssimos, onde conhecemos pessoas do mundo todo, vemos gente exótica e escutamos idiomas para lá de diferentes do nosso. É bom para quem aprecia o inusitado, sente-se jovem: de alma e de coração, “topa” pagar pouco e se divertir muito em troca do conforto.

Para viajar ficando em albergues, pelo menos no exterior, era necessário ter a carteira de alberguista internacional e se comunicar com antecedência com os locais escolhidos, requerendo hospedagem (hoje com a internet tudo é mais fácil). Como são opções baratas, são sempre muito procurados. Antigamente, havia livros para vender com os endereços dos albergues no mundo inteiro. Aqui em Fortaleza há vários. Mencionarei o da praia de Iracema, localizado à Av. Almirante Barroso, 998, fone: 32193267.

Vamos ao que importa, ou seja, às experiências. Em alguns albergues fora do Brasil, havia obrigações. Por exemplo, para manter o valor baixo, os hóspedes tinham que fazer algum tipo de trabalho doméstico. Imaginem a minha “cara” varrendo a entrada do albergue de Boston-EUA ou passando aspirador no quarto gigante do de Washington D.C.-EUA (detalhe: havia pelo menos doze beliches no quarto). Em 1988, eu era muito preguiçosa (ainda bem que deixei de ser, defeito do signo de Libra jovem, com certeza!), confesso, só queria “sombra e água fresca” nas viagens, mas mesmo assim foi muito divertido. À época eu era professora de inglês do município de Fortaleza e o dinheiro era contado. Fiz milagre viajando aos EUA e Canadá aos 23 anos com uma companheira recém – conhecida chamada Irene. Uma aventura e tanto! Tenho que dizer ter economizado durante três anos no antigo banco BEC (Banco do Estado do Ceará, já não existe mais), pois queria ir por conta própria e fui bem sucedida.

Falando nessa viagem, conseguimos visitar nove cidades dos Estados Unidos e Canadá e gastar pouco, somente nos hospedando em albergues ou youth hostels. Em Quebec- Canadá, a Irene e eu tivemos muita sorte, pois era julho, mês de verão e de férias, e estava havendo shows e concertos de graça em lugares públicos, e conseguimos um quarto para nós duas (o último disponível), mesmo sem ter reservado antes. Loucura! Em Ottawa – Canadá, o albergue era a antiga cadeia pública, logo, não havia portas, mas grades. Bastante original! Em Nova York – EUA, tivemos que dividir o banheiro com o casal do quarto ao lado, ou seja, era bem embaraçoso pedir aos “vizinhos simpáticos ao contrário” abrir a porta que, por sinal, estava sempre fechada para o nosso lado.

Na maioria deles, havia horário para sair e retornar durante o dia a fim de evitar roubos e outros problemas. Para esclarecer, saíamos às 11 h e só voltávamos às 17 h. À noite não era permitido chegar muito tarde para não perturbar o sono dos companheiros de quarto. Pelo preço em conta, tudo valia a pena. Em alguns, os lençóis, toalhas e cobertores eram alugados e em todos o café da manhã não era servido, porque não havia serviço de copa e restaurante. No de Miami Beach – EUA havia um restaurante/bar ao lado do albergue e quando estávamos lá em outra viagem (minha mãe, a amiga Sandra Ximenes e eu), vimos empresários de Hollywood escolhendo tal lugar para cenas de um filme do ator americano Sylvester Stallone.

Os quartos eram de tamanhos diversos e para números de pessoas também variados. Em Miami Beach e Quebec, por exemplo, se conseguia quartos para duas pessoas, em São Francisco – EUA para quatro.

Outro detalhe importante é a excelente localização deles. Para vocês terem uma ideia, em Gramado – RS, o albergue fica perto do Lago Negro, localizado à Rua Vinte e Cinco de Julho, 83 – Planalto, lugar privilegiado de tão belo. Coitadinhos… me pego a imaginar poder estar ao redor de uma natureza bucólica e relaxante dessas…

Em geral, as pessoas pensam que albergues são específicos para jovens, não necessariamente. Famílias são bem aceitas e gente de qualquer idade, mas com o tal “espírito esportivo” irão se deslumbrar perante tanta variedade de seres humanos. Na mesma viagem mencionada, testemunhei a Irene certa vez morrendo de rir com uma inglesa. Aí me espantei, pois a minha cara companheira de jornada não sabia falar a língua do Príncipe Charles. Perguntei sobre o quê conversavam e a resposta foi: “Não tenho a mínima ideia”. Pode? Coisas e papos de alberguistas, curtidores da vida. Enfim, viajar é bom demais.

6 comentários em “Albergues da Juventude

  1. Engraçada essa nossa cultura de não abrirmos mão do conforto e querermos só pousadas e hotéis. Se considerarmos que a hospedagem consome boa parte da verba destinada à viagem, seria de se esperar que os albergues fossem bem mais comuns entre nós… Além do mais, parece mesmo ser bem mais divertido!!! Adorei o artigo.

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