Mendoza – Argentina – a fábrica de azeite Pasrai e a bodega Cavas de Don Arturo
Estamos em 17 de maio de 2018. Da bodega Vistandes, rumamos à fábrica de azeites. Gostei muito da visita, por ser diferente e pela degustação soberba. Chegaremos lá. Também houve apresentações do processo em duas línguas. A guia deu uma aula e tanto sobre azeitonas. Todas são verdes, outras cores como violeta e preta dependem da maturação. A Argentina é responsável por 5 % da colheita do mundo.
A empresa visitada foi criada em 1920 e tem ainda a parte antiga, juntamente com a atual. Hoje é uma empresa moderna, mas da mesma família fundadora: Muravnik. Também produzem tomates secos e passas de uva. Chama-se Pasrai (pasas e raisins, ou seja, passas de uva em espanhol e inglês) e se situa em Ozamis Sur, 2731, Russell, Maipú. Os empregados trabalham por temporada, por exemplo: de maio a julho extraem o azeite e em outros momentos plantam e colhem a azeitona. São de confiança.
O tipo de azeite depende da acidez das azeitonas. Extravirgem, virgem e regular de oliva (o mais barato, bom para cozinhar); azeite dividido em não filtrado (natural, com a primeira prensa com a polpa) e filtrado. São mais de 80 qualidades de oliva, com diferentes cores e maturação, sabor e aroma. Tanto faz em plástico, vidro ou lata. Aberto dura menos e tem que ficar em lugar fresco sem calor.
Vamos à degustação. Saborosa! Várias mesas com pães e azeites e a linha spa de cosméticos. Provamos dos mais suaves aos mais intensos. Oliva tradicional, azeite sem filtrar, azeite com sabor de laranja, azeite com alho e pão com grão de bico, azeite com orégano, azeite com manjericão e pão com tomate seco e pão com pasta de feijão vermelho e pimenta, além de passas de uva e as cobertas com chocolate e azeitonas diversas. Ufa! Que delícia! Amamos! Depois de tal festa, como não consumir? Comprei uvas passas cobertas de chocolate, azeite extravirgem com sabor de laranja: Quinta Generacion (incrível!) e um creme hidratante de azeite de oliva. Lugarzinho imperdível esse.
No caminho para a outra bodega, vimos o rio Mendoza seco e o Canal San Martin com seus 74 km, sendo um dos principais sistemas de irrigação da região. Lembrando que 18 % do petróleo do país vêm de Mendoza. É válido mencionar que a Argentina é a maior exportadora de limão do mundo e suas plantações estão no norte do país: em Tucumán.
Chegamos às Cavas de Don Arturo, uma bodega mais antiga, de 1826. Localiza-se no Vale de Lunlunta, reconhecido como a primeira região vinícola. O endereço é Villanueva, 2233 em Maipú. O prédio é acolhedor. Novamente, guias nos recebem em duas línguas. Nesta vinícola, o método de produzir o vinho é o tradicional, sendo as plantas mais expostas ao sol e as parreiras situadas como trepadeiras, com 1.60 m de altura e menor quantidade de uvas, mas com mais qualidade. São produzidos oito mil kilos por hectare. A colheita é manual e começa em 1˚ de março. Tira-se a uva e leva-se à bodega. Na sala de colheita, onde recebe a fruta, existem máquinas que separam a pasta líquida da sólida. O caminho é mais lento pelo fato de ser mais natural, não usam produtos químicos para acelerar o processo, que dura nove meses. Cada variedade de uva tem seu sabor e aroma natural.
Foi nos dito que o Instituto Nacional de Vinicultura controla a qualidade do vinho. A cave é escura e úmida. Exportam minimamente para os EUA e não vendem para restaurantes. Interessante dizer que a oxigenação dá o aroma e sabor ao vinho. As barricas, que amadurecem o vinho, tem vida útil de quatro anos. A linha superior de vinho (reserva e gran-reserva) fica 12 meses na barrica. Mais: o Malbec natural é suave. Se não tiver lágrimas, não é um bom vinho. O Cabernet Savignon significa mais tanino, mais cor e mais corpo. O vinho mais seco tem mais tanino, é mais estruturado e tem mais polifenóis. Aprendemos bastante nesta visita. Na degustação, bebemos os oferecidos, mas confesso que gostei mais dos da Vistandes, embora isso seja gosto pessoal. Dessa bodega, amei o doce mendocino, vendido bem baratinho por 20 pesos. É uma bolacha com doce de leite dentro, típico de Mendoza.

Na saída já era mais tarde, porém ainda passamos na casa antiga com a igreja de La Virgen de Carrodilla, isto é, a Nossa Senhora protetora dos vinhedos. Nas paredes do lado de fora, há mosaicos de argila com a história de Mendoza e dentro do prédio há um pátio estilo espanhol muito bucólico. Trata-se de um monumento histórico que em 2013 completou 100 anos e em 1992 tornou-se Patrimônio Histórico de Mendoza. A casa pertenceu à família Solanilla Estrella. Lugar que merece mais tempo.
O próximo passeio será nas Termas de Cacheuta.

Amo seu blog! Aprendo sobre turismo, geografia e gastronomia! Um grande beijo!
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Querida Isabel,
Grande prazer revê-la aqui. Estava com saudades. Folgo em saber que transmito algum conhecimento por meio do meu blog. Afinal, professora sempre professora. Beijo.
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