Sete Dias em Cartagena by L. Amaral 2

Sete dias em Cartagena by L. Amaral 2

Convido vocês a lerem o primeiro artigo antes: “Sete Dias em Cartagena”, também escrito por minha colaboradora e amiga Letícia Amaral. Jornalista na Universidade Federal do Ceará, realiza o Programa UFCTV e é mestre em Comunicação Social pela UFC. Serei eternamente grata por ela ter me ajudado a fazer este blog. 

 

Continuando nosso passeio por Cartagena no Caribe colombiano.

Na Colômbia são poucos os taxistas que falam inglês. Virei-me com meu portunhol, e o motorista, que obviamente entendeu muito pouco, deixou-me num lugar que não tinha nada a ver com o lugar para onde eu pedira para ir. Fui levada para um local mil vezes melhor. Ele me deixou no bairro Getsemaní, o bairro mais animado de Cartagena: boêmio, cheio de bares, restaurantes e baladas descoladas.

Ceviche de Cartagena
Prato de ceviche em Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral

Entrei num restaurante lindo porque vi logo na entrada que ele servia sushis e ceviches, o Kokoa Sushi Wok Bar e Delivery (http://www.kokoasushiwok.com). Aqui pedi meu primeiro ceviche em Cartagena: simplesmente perfeito, servido com patacones e chips de banana.

Os patacones são muito típicos da Colômbia: feitos com banana da terra, frita duas vezes. Em Cartagena a banana da terra é chamada de plátano. Os patacones acompanham muitos pratos.

 

Digamos que é mais comum comer com acompanhamento de patacones do que com arroz. E quando tem arroz, é um arroz de coco, uma delícia indescritível que eu ainda não consegui imitar depois que cheguei a Fortaleza, embora já tenha me esforçado.

Já o ceviche é um prato muito típico da Colômbia: trata-se de peixe branco ou camarão crus, marinados em suco de limão, cebola e pimenta. Em muitas esquinas há cevicherias: de todos os tamanhos. Há cevicherias que são grandes restaurantes ou pequenos quiosques e até mesmo minicevicherias ambulantes acopladas a bicicletas!!!!

Na mesma noite eu segui pela Calle San Andrés e entrei no Épocas Delícias Restaurante (www.facebook.com/fernando.cabarcas.902),  onde pedi um drink mojito. Foi feito pela Estéfane Alvarado, uma colombiana muito simpática e bonita, que logo ficou minha amiga. Foi um dos melhores mojitos (rum+coca-cola+hortelã+gelo) que já provei na minha vida!!! E no Épocas também tem ceviche, dos bons!

Outro point de ceviche que eu fui algumas vezes e indico é o El Grano Cevicheria Express (Calle Media Luna,1066, Getsemaní). Tem ceviche bem feito e com preço justo.

 

Nos dias seguintes pedalei e caminhei muito pelas ruas do Centro Histórico. Me chamaram atenção as muitas livrarias, sebos e o amor do cartagenense pelo escritor colombiano nascido em Aracataca, Gabriel Garcia Marques. Fiquei apaixonada pela livraria Ábaco Libros y Café (www.abacolibros.com), tradicional, com livros lindamente dispostos do chão ao teto, sofás que convidam a leituras sem fim e um café maravilhoso.

Me entreguei sem pressa à leitura de uma biografia de Gabriel Garcia Marques em quadrinhos: “Gabo – memórias de uma vida mágica”, da editora Rey Naranjo Editores (foto acima). Uma bela edição com uma história pra lá de incrível. A vida de Gabriel Garcia Marques realmente foi digna de ser contada e recontada: cheia de sacrifícios em nome da literatura e muita emoção.  Enquanto eu lia pedi um café com leite e depois uma limonada de coco.

Café de Cartagena
Café colombiano mundialmente famoso-foto tirada por Letícia Amaral

O CAFÉ da Colômbia é mundialmente famoso: e muito justamente! Há cafés maravilhosos por todos os lados.

E a Limonada com Coco é uma das bebidas mais maravilhosas de Cartagena, refrescante e ao mesmo tempo quase cremosa por causa do leite de coco. Também tentei aprender a receita da limonada de coco, mas meu portunhol se misturava ao espanhol do povo cartagenense, e, no final das contas, eu não sabia como realmente era feita!!! Vai ser o jeito voltar lá!!

Pelas ruas do Centro Histórico de Cartagena, tomei muito suco de limão a 2 mil pesos colombianos (2 reais), muitas frutas e outras guloseimas que a gente só se permite nas férias. Cartagena é terra de fartura.

Uma dessas delícias foi um pão com doce de leite que me conquistou primeiro pelo cheiro. Eu ia passando pela Calle de San Andrés, em Getsemaní, quando aquele perfume doce me chamou. Parei e olhei ao redor, investigando de onde viria aquela arma arrebatadora… Logo mirei! Era uma pequeníssima padaria de esquina. Ao entrar, me deparei com os pães que tanto cheiravam bem. Comprei o meu e fui me deliciando pelas ruas.

A colonização espanhola fez da Colômbia e de seu povo um lugar muito culto. Os cartagenenses amam artes plásticas, livros e tudo que é manifestação artística. Pelas calçadas há muitas obras de arte de cores quase sempre vibrantes e muitos vendedores de pérolas. Meu conselho? Olhe e babe nas pérolas todas as vezes que estiverem lhe sendo oferecidas. Por quê? Você, com certeza, irá sentir muitas saudades desses momentos: jamais esquecerei as primeiras vezes que segurei entre as minhas mãos aquelas belíssimas pérolas verdadeiras, pesadas, ligeiramente assimétricas e de cores desiguais. Não são caras. Comprei colar, pulseiras e brincos. Sei que elas sempre vão guardar o perfume do mar dentro delas e me trarão a memória daqueles dias inesquecíveis no Caribe Colombiano. Serei sempre uma apaixonada pelas pérolas de Cartagena!!!

Nos dias seguintes fui às praias da cidade e sempre escolhia um lugar especial para almoçar. Entre os restaurantes mais legais que me serviram na velha Cartagena, indico o “La Cocina de Pepina” (Calle 25 # 10 b, Getsemaní), o “Café Lunático”, as lojas do “Crepes & Waffles”, todos com o super café colombiano,  crepes, quiches e comida típica de Cartagena e preços acessíveis.

Sempre que eu pude, pedi pescado e camarão em Cartagena, com patacones e arroz de coco, e, se tivesse ceviche, eu pedia, porque há muitos anos eu já era apaixonada por este prato e sempre faço em casa.

Em Cartagena come-se muito fartamente peixes e crustáceos com preços módicos. Fui muito mais bem alimentada em Cartagena do que em qualquer país da Europa ou da própria América do Sul. E isso conquistou meu coração guloso.

Há um pôr-do-sol famoso em Cartagena: no Café Del Mar. Eu fui. A vista é realmente bela: um poente de frente para o mar, sobre as muralhas. Porém nada consumi neste local, por causa dos altos preços para turistas. Lembro que o drink mais barato custava 27 mil pesos, ou, 27 reais. Me poupe! Nem de álcool eu sou fã.

Já há ônibus estilo Hop On Hop Off em Cartagena. A gente toma num dia por cerca de 35 mil pesos, e tem o direito de circular neles, subindo e descendo em qualquer uma das paradas, durante as 48 horas a partir do momento da compra. Adorei. Foi assim que conheci um pouco da cidade além das muralhas, apelidada de “Pequena Miami” por ter centenas de arranha-céus de arquitetura visivelmente milionária e moderna. O Hotel Hilton de Cartagena fica nesta parte da cidade.

Ouvi dizer que, para quem gosta de balada, Cartagena é sensacional. Há festas animadas nos hostels do bairro Getsemaní e em bares como o famoso Café Havana (cafehavanacartagena.com), na Calle San Andrés.

Desta vez eu fui uma turista do dia, não conheci as baladas. Mas para quem quer, eu sei que tem festa.

Também fiz um passeio de barco até Islas del Rosário. A gente sai cedinho do hotel e paga por uma ilha com “day-use”. Por uns 250 mil pesos tem direito ao transfer de lancha (que eu achei emocionante e sensacional) até Isla Bella (cerca de uma hora e meia de viagem), com direito também a um drink na chegada à ilha, almoço maravilhoso, escolhi peixe frito com patacones (sim! de novo! Delícia demais), arroz de coco e uma jarra de mate gelado. No dia na ilha ficamos em enormes espreguiçadeiras à beira daquele mar azul turquesa: um paraíso caribenho de mar calmo e morno, que delícia! Ao final da tarde, por volta de 16 horas, o barco-lancha nos leva de volta à Cartagena. Super amei esse passeio.

Entre os outros passeios que fiz, incluí uma visita ao Castelo de San Felipe de Barajas (http://fortificacionescartagena.com), uma belíssima fortificação, de onde se vê toda a cidade. O Castelo tem um guia em papel bem explicativo e a entrada custou 25 mil pesos colombianos. Lá dentro dá para visitar as antigas celas da prisão do castelo e algumas catacumbas. Não sendo adepta desse tipo de “atração” macabra, eu passei direto e fui logo para o topo do castelo. Era um dia de chuva e, mesmo assim, minhas fotos ficaram lindas com a vista panorâmica do Castelo de San Felipe de Barajas.

Outro passeio sensacional que fiz foi ao Museu de Arte Moderna de Cartagena, no Centro Histórico. Muitas obras incríveis repousam naquele museu: amei conhecer os trabalhos do artista plástico Henrique Grau.

Se fiz compras? Sejamos honestos: toda mulher normal as faz!  Me apaixonei perdidamente por alguns ateliês de alta costura de Cartagena, e quero muito ter a sorte de um dia poder voltar lá e comprar na “Etóile La Boutique” (etoilelaboutique.com), no “Mariano” ou na simples e descolada “Tennis” (www.tennis.com.co).

Na “Etóile” encontrei vestidos de seda desses que se provar só sai se for com ele, não quer mais nem tirar (rsrsrs). E cá entre nós: toda mulher merece um lindo vestido de seda, pelo menos unzinho! Agora já tenho o meu.

Quero voltar a Cartagena quantas vezes o tempo me permitir: serei sempre uma apaixonada pela arquitetura encantadora daquela cidade histórica. Seus sobrados multicoloridos com suas sacadas de madeira entremeadas de flores ganharam meu coração e minha memória. Seu povo negro, belo, de sorriso e coração abertos para nós, irmãos da América Latina, me deixaram aos suspiros… Nunca eu havia sido tão bem recebida por um povo, e olha que também amei a hospitalidade de lugares como Amsterdã e Londres, mas não há gente como aqueles alegres cartagenenses.

Amei, amo e amarei Cartagena. Acho que nós, latinos, não devemos perder tempo e temos a obrigação de ir conhecer aquela terra caliente que também foi de Gabriel Garcia Marques (nosso primeiro Prêmio Nobel de Literatura da América do Sul, 1982, por “Cem Anos de Solidão”). Mas se formos falar de Gabriel Garcia Marques, ou simplesmente Gabo, aí, já teremos texto, fala e emoção para um outro conto, ou um outro post. I love Gabo with all my heart, and, now, Cartagena too. Thank you God!

Letícia e eu
Minha amiga Letícia Amaral e eu em novembro de 2017 em Fortaleza-Ce-foto tirada pela sua mãe na celebração do aniversário dela

 

 

 

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