Argentina -Córdoba – Museus San Alberto, MUCI (Museu da Cidade de Córdoba) e Juan de Tejeda

Argentina – Córdoba – Museus San Alberto, MUCI (Museu da Cidade de Córdoba) e Juan de Tejeda

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Estátua do bispo San Alberto-Museu San Alberto-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é quarta-feira, dia 17 de outubro de 2018. Estamos aproveitando a cidade de Córdoba. Pela manhã o Carlos e eu visitamos o museu San Alberto perto da praça San Martin (Calle Caseros, 124). Nosso guia foi o Julio (estudante de turismo) e a acompanhante foi a Eliana. Ambos nos deram uma aula memorável de história.

 

A casa do museu tem estilo colonial com arcos de meio ponto. Passou por vários donos. Era a residência de Antonio Soler que a vendeu a um comerciante português Simão Duarte. Ignacio Duarte, um dos filhos, ficou com ela. Os territórios à época eram habitados por nativos. Os espanhóis vieram para colonizar a terra, mas a tarefa evangelizadora e civilizatória era dos jesuítas. Em 1693 esse mesmo Ignacio Duarte y Quirós, presbítero (sacerdote, padre), doa a casa para a Companhia de Jesus com a condição de ali funcionar uma residência para alunos universitários. Vinham de toda a América. Ali foi criado El Real Convictorio de Nuestra Señora de Monserrat. Eram três pátios, hoje são dois. Formam a Manzana Jesuítica de Córdoba. Para esclarecer, de acordo com o educalingo virtual, “convictorio” é “o departamento onde os estudantes moram em escolas jesuítas”.

Falemos no bispo San Alberto (frei José Antonio de San Alberto). Em 1782 inaugurou a Real Casa de Niñas (meninas) Educandas, administrada por beatas que deram origem às Irmãs Terciárias Carmelitas de Santa Teresa de Jesus. San Alberto era espanhol e se preocupava com as crianças desamparadas e pobres, pois à época só os homens estudavam, mulher tinha que ser do lar. Ele se preocupava com as crianças sem família, sendo que as meninas não teriam nada se não tivessem maridos. Logo, criou um lugar para cuidar das meninas. Era inovador, dava livros para as crianças mestiças; as meninas usavam hábitos; e dava educação para as diferentes raças. A ordem era carmelita e seu projeto era dar educação sem distinção de raça e classe social.  Segundo o bispo, não era orfanato e sim um lar. As meninas estudavam pintura, música, aprendiam os afazeres de casa, oravam etc. Em 1980 virou museu.

San Alberto faleceu com 78 anos e quem o nomeou bispo foi o Papa Pio VI. O museu funciona pela manhã, porque à tarde a casa é usada pelas carmelitas. A manzana (quadra) compreende o Colégio Santa Teresa (secundário) e o Convento das Carmelitas terciárias com função educadora, ou seja, não são do claustro. Também faz parte a igreja da Companhia de Jesus, a Capela Doméstica, o Colégio Nacional de Montserrat e a Universidade Nacional de Córdoba.

Conhecemos a sala de reunião onde no passado funcionava como um conselho para decisões. Era a maior da casa. Há pratos decorados que eram dotes das meninas. Lá estava uma caixa de música de 1860 com oito melodias, sendo uma, o hino nacional argentino. Visitamos também o subterrâneo: a cripta e o cemitério privado das educadoras e alunas. Eram enterradas em urnas com terra, cal e areia. Lá estavam placas de meninas mortas de 1878, 1801, 1802 e 1804. Posteriormente, tiravam os ossos e colocavam em um ossário. Os ossos não se misturavam se fosse de uma superior. A ventilação dava para a casa. Com a lei dos cemitérios públicos de 1900, os privados deixaram de existir. Atualmente, as pessoas influentes são enterradas no Cemitério São Jerônimo.

Na Capela Rosada estão os restos mortais de San Alberto. Da mesma forma há imagens de Santa Teresa de Jesus- de Ávila-Espanha; de Santa Teresinha de Jesus (das rosas)- da França e da Virgen del Carmen (carmelo).

A igreja Companhia de Jesus que faz parte da Manzana  Jesuítica de Córdoba é espetacular. Está escrito na parede: “Para desfrutar, para cuidar, para aprender…” do séc. XVI. Trata-se do templo mais antigo do país, construído na pedra entre 1640 e 1671. É Monumento Histórico Nacional e Patrimônio da Humanidade. Segundo o Livro Viajante Independente na América do Sul, 4ͣa. edição, a igreja possui duas capelas: a primeira, a Capilla Doméstica, de 1644, decorada com ouro e detalhes rococó, feita para os espanhóis e jesuítas, e  a outra, a capela dos índios, porque as damas da sociedade não admitiam que seus filhos frequentassem a missa junto com os “selvagens”.

 

De lá nos direcionamos ao Cabildo, desta vez para ver a parte subterrânea e o 1˚andar onde se encontra o MUCI (Museu da Cidade de Córdoba), também centro cultural. Foi criado em 1980 por decreto municipal e em 2017 teve sua renovação na imagem e no perfil. O Cabildo é Monumento Nacional desde 1941. Foi lugar de processos sociais, culturais e políticos da cidade, contém parte do patrimônio material e imaterial de Córdoba.

O museu conta a história da região desde a sua fundação. Os povos nativos eram os comechingones que viviam da caça e produção agrícola, assim como de atividades relacionadas com a natureza e estações do ano. Córdoba era centro administrativo, religioso e educativo. Assim que foi fundada, ordens religiosas se instalaram na cidade, dentre elas, a Companhia de Jesus. Tal ordem fundou o Colégio Maximo e em 1613 a primeira universidade da Argentina e a segunda da América do Sul. A primeira do continente foi no Peru.

Fotos, objetos, cadeira do governador, vídeos, Córdoba imigrante, séculos 19, 20, 21, arquivos fotográficos, roupas, música, barbearia, móveis antigos, arqueologia etc. O museu é respeitável e melhor, gratuito. As visitas guiadas são pagas.

 

A saga dos museus continua. Nas quartas são grátis. Chegamos ao Museu de Arte Religioso Juan de Tejeda (Frei Luís Jorge de Tejeda), localizado no centro na Independencia, 122. Funciona desde 1970, em uma casa estilo colonial espanhol. Era um monastério para as monjas trabalharem bordados e ornamentos litúrgicos. Vimos os quartos austeros delas. Eram da ordem das carmelitas descalças cuja fundadora foi Santa Teresa. O museu apresenta obras de arte religiosa do séc. XVI e XVII. Representam o martírio, o êxtase e a morte. As personagens aparecem em atitude de extrema sensibilidade, tanto na contemplação como nas manifestações de dor ou sacrifício.

Córdoba é surpreendente, há tanta cultura e história que ficamos enfeitiçados.

2 comentários em “Argentina -Córdoba – Museus San Alberto, MUCI (Museu da Cidade de Córdoba) e Juan de Tejeda

  1. Me encanta a riqueza de detalhes dos textos de @monicaalmadeviajante ! Fico me perguntando se ela anda com um bloquinho de anotações em suas viagens, ou se apenas decora tudo isso!
    Adorei este aqui… Córdoba da Argentina já era um sonho meu… agora então!
    Obrigada Mônica! Beijos da Le

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    1. Querida Letícia,
      Bom ter você aqui novamente. Estava com saudades. É verdade a sua primeira suposição: eu ando com um bloquinho e minha máquina fotográfica. Amo isso. Me sinto jornalista como você. Ainda tenho mais passeios a contar em Córdoba. Lindo lugar. Você ficará encantada. Beijos.

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