Argentina – Salta – Los Cerrillos – Quebrada del Rio de las Conchas

Argentina – Salta – Los Cerrillos –  Quebrada del Rio de las Conchas

Hoje é sexta, dia 22 de outubro de 2018. Pegamos a excursão que vai até a cidade dos vinhos: Cafayate, porém não vamos direto, passaremos por lugares bem interessantes antes. Vamos pela agência de turismo Tintikay e, juntamente com o city tour, pagamos 1290 pesos argentinos, só para lembrar. No grupo: argentinos, chilenos e nós. Achei ótimo, assim hablamos mucho.

O horário de busca foi pelas 7.30h, sem dúvida, um dia longo. O guia foi o Ramiro e o motorista o Leonardo. Iniciamos pelo município Los Cerrillos (diz-se “Cerijos”), considerado a capital do carnaval, onde ocorre a festa mais afamada da província de Salta. Em todos os domingos de fevereiro, a população se encontra na praça principal para brincar de “mela-mela”, ou seja, jogar farinha e água uns nos outros. As jovens solteiras colocam flores na orelha e os rapazes também. Segundo o guia, a taxa de natalidade é grande em novembro e nem sabem quem é o pai… Por isso, os bebês são chamados de filhos do diabo. Los Cerrillos tem igreja, praça e é tão bem apresentada.

 

A estrada (Ruta Nacional 68: sem buracos, muito boa) que vai de Salta a Cafayate tem 192 km. A região produz quantidade de tabaco (a matéria prima), alfafa (tipo de capim para o gado), milho e muito vinho. Em La Merced se planta flores. A cidade é graciosa, com flores na praça principal. Vislumbramos El Carril. Em Cel. Moldes (outro importante saltenho que lutou pela independência, cidade a 62 km de Salta), houve uma parada técnica para banheiros e café, uma vez que na zona de montanhas não há sanitários. Lá comemos amoras silvestres do pé. Uma delícia! Pertence ao departamento de La Viña.

Nesta parte de Salta chove muito, o que é positivo para as uvas. Molinos, cidade da província de Salta, tem 180 anos e lá está a família pioneira na produção de vinhos. No município de La Viña (a 88 km de Salta) se produz uvas comestíveis. A colheita de tabaco é manual. Em Cafayate, o vinho mais famoso é o Torrontés, o qual representa 80% das plantações.

Os povoados estão ao pé da montanha, quando chove, a água entra nas casas, então são construídas sobre uma plataforma. Cafayate tem arquitetura colonial e é de 1840. Já a melhor arquitetura do país está perto: em Cachi sobre as margens do rio Calchaquí.

Continuamos na estrada e passamos por Alemania. Um local no qual os primeiros habitantes eram alemães chegados ali depois da Segunda Guerra Mundial. O trem vinha de Salta, sendo a última parada lá. Usavam cavalos para o seu trabalho de comércio. Nos anos 60, a ferrovia estava em grande parte da Argentina, todavia um dia parou de funcionar, logo os alemães se mudaram para Rosário e a cidade de Alemania ficou abandonada. Quem chegou e ocupou as casas foram os hippies. Trabalham com artesanato. São 50/60 habitantes, mas na temporada de inverno cresce para 200, com os jovens que vêm para trabalhar.

Como há uma planta alucinógena na área chamada “brea”, diz o guia que os hippies escutam o som do trem e de muita gente. Afinal, a estação era bastante movimentada. E é considerada única, com arquitetura inglesa. Falando na tal planta, em Cachi existe uma curandeira na praça principal que vende a raiz de brea e ervas medicinais. Elas têm aroma forte e são boas para muitos males, aliás a brea é usada para depressão, é seca, sem folhas e tem cor verde-amarelada, por causa da clorofila.

Dado histórico: os incas e os espanhóis entraram na Argentina pela Quebrada de Humauaca em Jujuy (perto de Salta), a mais importante do país. “Quebrada” significa caminhos naturais. Também um passo estreito entre montanhas que forma uma espécie de lago, equivalente a um desfiladeiro. Estamos na Cordilheira dos Andes, formada pela Placa Tectônica Sul Americana. Por estar sempre em movimento, há tremores de terra e terremotos, como em Mendoza e San Luís. Nas montanhas são encontradas fossilizadas conchas marinhas, demonstrando que havia mar no longínquo passado.

 

As casas da região são de barro e areia para o isolamento térmico: no verão, fresco; no inverno, quente. Chove de janeiro a março. No verão o rio está cheio, mas é uma estação perigosa de vir por estas plagas, pois os arroios cruzam a estrada e quem tenta passar, pode ser arrastado e morrer. Eis o motivo de vermos muitas cruzes pelo caminho, conforme o guia.

Vê-se montanha em forma de empanada. Falando em empanada, o Ramiro nos convida a comer a típica empanada saltenha (com ovo, batata, carne, pimentão etc). Da mesma forma, montanha em formato de sapo, dita “sapo cancioneiro”, de obelisco e de janelas. Tudo é aproveitado para o turismo.

 

A região é montanhosa, contudo seca, tem arbustos que sobrevivem à pouca água. Estamos na Quebrada do Rio das Conchas, na Ruta Nacional 68.  Visitamos as duas principais atrações.

 

A Garganta do Diabo era uma cascata no passado, hoje é seca. Trata-se de uma abertura gigantesca na pedra. O local é impressionante. É proibido escalar.

 

Também vimos o Anfiteatro. Segundo o Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul (de Zizo Anis e Os Viajantes, quarta edição): “uma concha acústica natural, quase uma caverna sem teto, onde a atração é brincar com os ecos. Eventualmente, em julho, há espetáculos musicais no local”. Considerado Patrimônio Cultural da Comunidade Indígena Suri Daguita para observação e estudo da cosmovisão. Estupendo! Na rocha gigante se está a 1800 m acima do nível do mar. Há um limite para chegar perto.

 

Ali vemos alguns vendedores de artesanato e instrumentos musicais, como a ocarina. Segundo a Wikipédia: “instrumento de sopro globular feito, geralmente, de porcelana, madeira ou pedra. Pertence à família das flautas”.

 

Cerca do Anfiteatro, está o mirador com um cenário espetacular do vale lá embaixo e o cerro Tres Cruces, ou seja, em cima do monte está o monumento das Três Cruzes: Pai, Filho e Espírito Santo. O lugar é uma mistura de São Raimundo Nonato (PI) com o deserto do Atacama no Chile. Salta sempre surpreendente, nunca imaginei que fosse tão rica e exótica.

DSCN2491
Visual do vale abaixo da placa Tres Cruces na Quebrada de las Conchas-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

Iniciamos o dia com clima chuvoso e agradável, porém foi esquentando até os 40˚C.

As rochas pelo percurso são coloridas de diferentes nuances. Os passarinhos que moram em buracos nas rochas na Quebrada, vão pela manhã a Cafayate comer uvas. Logo, as bodegas têm maneiras de evitar isso, geralmente com sons.

Na região do deserto da Quebrada de las Conchas existem muitos tatus. O casco no passado era utilizado para fazer instrumento musical. Atualmente é de madeira. Há lhamas, iguanas, lagartixas, víboras, cobra coral e cascavel. A cobra com cabeça triangular tem veneno. O leão da montanha nomeado “puma” marca seu lugar com urina a qual tem um aroma muito forte. Há superpopulação e há de se ter cuidado, pois todos os anos pessoas morrem pelo ataque delas. O país mandou 76 para os Estados Unidos de modo a diminuir os problemas.

A erosão e água formam uma paisagem única na Terra. A gente se sente em tempos pré-hispânicos. Valeu demais ter conhecido.

Saindo da área da Quebrada, começam os vinhedos. Em breve, Cafayate.

 

 

 

2 comentários em “Argentina – Salta – Los Cerrillos – Quebrada del Rio de las Conchas

Deixar mensagem para monicaalmadeviajante Cancelar resposta