Argentina – Salta – Cafayate

Argentina – Salta – Cafayate

Hoje é dia 22 de outubro de 2018 e continuamos na excursão até Cafayate, ao sul de Salta. Estivemos na Quebrada do Rio das Conchas ou Quebrada de Cafayate e agora rumamos ao município com a segunda maior produção de vinhos do país. São vinhos de altitude, uma vez que as uvas são cultivadas em terras a 1.660m acima do nível do mar, concedendo-lhe um sabor especial.

São duas maneiras de chegar à localidade: pela Ruta 68 (toda asfaltada e mais curta – 189 km) ou pela Ruta 40 (percurso maior com 320 km). É comum ir por uma via e voltar pela outra. As paisagens de formações rochosas e montanhas embelezam ambos os percursos.

Cafayate na língua quichua significa “grande lago ou lago do cacique”. De acordo com o http://www.welcomeargentina, “a cidade foi fundada em 1840 por Dom Manuel Fernando de Aramburu, cumprindo a vontade de sua mãe e encarregou a Dom Rosendo Frías a demarcação do povoado. Da união dos vales Santa Maria e Calchaquí e na Quebrada do Rio das Conchas, entre bonitas paisagens das montanhas Três Cruzes e Morales, ao pé de San Isidro se levanta Cafayate”.

O festival de folclore mais importante do norte argentino ocorre uma vez por ano e se chama “Serenata Cafayate”. No ano de 2019, realizou-se nos dias 21, 22 e 23 de fevereiro no Payo Solá na Bodega Encantada no centro da cidade. Grandes cantores e grupos de folclore, como Abel Pintos, La Cantada e Paola Arias estiveram na festividade.

Vi muitos cactos pelo caminho, planícies pluviais e montanhas. Eis o Valle de Calchaquí. A areia parece de praia do leito de rio seco.

Chegamos a Cafayate (fala-se “Cafajate”). A Ruta Nacional 40 passa por onze províncias e em Cafayate só tem uma mão. Segundo centro turístico do norte da Argentina após Salta, lugar de bodegas, lojas de artesanato e de degustação de produtos regionais e vinhos. Há vinhas à direita e à esquerda, usam o método italiano, exclusivo para o vinho torrontés.

A terra é do sol e do vinho torrontés. Hoje são 120 bodegas, quatro anos atrás eram 40. Os trabalhadores vêm de Mendoza e San Juan.

Fizemos compras na loja Alfajores Calchaquitos (Av. Güemes, 124) com uma gama imensa de produtos. Como passas, postais, roupas de lã etc. O almoço foi no restaurante El Criollo, onde conversamos bastante com um casal bastante agradável e simpático de Buenos Aires: Marta Ferreira e Martin Gauna. Saudaciones! De almoço eu fiquei na massa e o Carlos pediu de prato principal matambre, tão comum no Rio Grande do Sul e a cara da minha avó Dinah. Conforme a Wikipédia: “é um pedaço de carne que se extrai dentre a pele e a costela do gado bovino. A maneira mais conhecida de preparação é o matambre enrolado, preparado típico da Argentina, Paraguai e Uruguai, que se consome principalmente na época natalina”. No restaurante, tudo tinha carne, afinal é a boa e velha Argentina.

Muito original a cidade. Parece de velho oeste. As construções são mais altas e as ruas mais largas do que em Salta. A Catedral, da patrona do município, Nossa Senhora do Rosário, de 1895, foi construída pelo padre Julian Toscano e é a sede da prelatura (prelazia) de Cafayate desde 1969.

A mais importante via é a Av. Güemes que corta a cidade de norte a sul, passando pela praça principal, onde está o comércio com suas lojas coloridas de artesanato, restaurantes diversos, galeria de arte e os hotéis. Esta via no sentido norte, após passar a ponte do rio Chusca, direciona os motoristas para a Ruta 40 no sentido de Cachi ou Ruta 68 diretamente a Salta.

Estava muito quente: 42˚C. Abafado, querendo chover. Pena não ter provado os sorvetes de vinho torrontés (branco) e cabernet (tinto), com teor alcoólico, na sorveteria Helados Miranda (Av. Güemes Norte, 170), iguaria original da cidade, criada pelo dono do estabelecimento.

Após o almoço era hora de visitar uma bodega familiar e a mais antiga: Vasija Secreta, situada na saída norte da estrada, em direção à Ruta 40.  A guia Susana nos ensinou muito. Vamos lá. Existem três setores na bodega. Tudo é manual, a água de gelo é usada. O vinhedo é orgânico, não utiliza pesticida. A construção foi em 1807 e aberta ao público em 1857.

Fotos históricas dos donos saltenhos estavam expostas na parede. A primeira máquina-prensadora-vinda da Itália em 1900; os primeiros filtros; e os tonéis construídos a mão em exposição. Para cada vinho, uma temperatura ideal, mas os 40˚C do verão não fazem bem à produção. Para os brancos de 5˚C a 10˚C, sendo melhor consumir de 5 meses a 3 anos.

O Museu das Bodegas com suas primeiras máquinas vinícolas, com tanques de fermentação e outros controlados por um rapaz no laboratório. Nos tanques brancos há a separação do vinho da casca da uva. Qualquer um coleta a uva, mas para podar é específico. De fevereiro a maio, três turmas de trabalhadores são necessárias. O vinho Gata Flores tinto cabernet da bodega ganhou o “Prêmio Internacional de Reconhecimento de Eficiência”. Depois da visita, a degustação. Provamos um torrontés semidoce (colhido em fev. de 2018) e um malbec tinto. Gostei do primeiro, pois o paladar frutado caiu bem.

Interessante dizer que o dique Cobra Corral, de 13 mil hectares, se localiza em Cel. Moldes (no caminho de Salta a Cafayate). Passa-se pela represa ao sul de Salta pela Ruta 68. Foi construído na década de 70 e ajudou a acabar com as inundações da área. Praticam-se esportes náuticos ali.

A viagem de volta a Salta foi de uma hora e meia. Foi um dia bem completo, fomos de um lugar exótico indígena (Quebrada do Rio das Conchas) até a cidade das bodegas do norte (Cafayate). Valeu o passeio. Para os amantes do bom vinho argentino, Cafayate e Mendoza são obrigatórias. Viva o vinho! Néctar dos deuses…

4 comentários em “Argentina – Salta – Cafayate

  1. Dear Mônica,
    Que viagem deliciosa, apesar
    dos “42˚C, abafado, querendo chover”. Pena mesmo vocês não terem provado os sorvetes de vinho torrontés. Com teor alcoólico?!! Wow! Chocada! 🙂 Keith gostou dessa novidade pois ama sorvetes e o Torrontés. Agora, não pode mais, entretanto adorou a ideia!
    Um abraço grande para você e o Carlos.
    Que novas aventuras e histórias aconteçam!

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