Argentina – Salta – Virgem da Montanha e Museu Güemes

Argentina – Salta – Virgen de lo Cerro e Museu Güemes

Começaremos o dia 26 de outubro de 2018 contando sobre a Virgem da Montanha, ou seja, a Virgen de lo Cerro. Muitos grupos religiosos vão a Salta por conta de Maria Lívia. Vamos lá. O rapaz da recepção do hotel me disse que essa senhora, de família de empresários, viu a Virgem há uns 15 anos atrás. Ela recebe milhares de pessoas aos sábados, quase o ano todo, de outros países também, como Uruguai, Chile etc. Fiquei impressionada. No Brasil ninguém sabe. Impõe as mãos e as deixa curadas e em êxtase. A mãe da política sequestrada pelas FARCS da Colômbia lá esteve pedindo a intercessão pela Ingrid Bittencourt e deu certo! Logo depois foi liberada depois de 20 anos de cativeiro.

O dia inicia. Encontrei uma loja bem interessante na Galeria Continental, no local 10, no centro histórico: Ala Par. Os horários são sugestivos: das 10 h às 13 h e das 18 h às 21 h. Que tal? Valeu ter voltado ao lugar para comprar minha bolsinha única da Frida Kahlo por $350 pesos.

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Museu Güemes – Salta – foto tirada por Carlos Alencar

Ao Museu Güemes, na Calle España, 730, rumamos. Estava curiosa, pois fiquei fã de tal personagem heroico. Para aposentados, $60. A casa vermelha se destaca. Obrigada à guia Silvina, tão disposta junto ao grupo. De brasileiros, somente o Carlos e eu.

Gal. Güemes, filho de Gabriel Güemes (espanhol – 29 anos) e Magdalena de Goyechea (da terra – 15 anos). O museu tem música e audiovisual. A família Tejada deixou a casa para a família do pai de Güemes, o filho viveu lá desde os quatro anos de idade. Hoje Monumento Histórico Nacional.

De sala em sala aprendemos muito sobre a história da cidade e da família. Na primeira sala, de 16 de abril de 1582, vimos solares, igrejas, acéquias, isto é, a fundação de Salta. As casas eram amplas com solares e pátios. Ficamos em pé vendo o filme com áudio. Enfatizo relatar que todos da cidade viraram milicianos, gaúchos, na luta pela independência do país, assim como a família de Güemes.

Na segunda sala (ou casa), dita a Casa Tejada, de 1789, que era propriedade de Don Manuel Tejada, funcionou a Tesouraria Real até 1819. Neste local um vídeo de um casal conta a história da família de Güemes com seus nove filhos. Mostra louças, cerâmicas e móveis da época. Muito lindo.

Na terceira sala, visualizamos o baú, o berço, móveis, livros e cavalinho de Güemes. Ele nasceu em 1785, Martin Miguel como o avô. O vídeo sai do baú. Foi o primeiro a nascer em Salta. Nas fincas da família brincava e andava a cavalo. Don Manuel de Castro o ensinava latim, direito e outras disciplinas aos 14 anos. Partiu para Buenos Aires a fim de completar os estudos. Ainda em Salta foi ginete da Infantaria. Era o segundo filho dos pais.

Na quarta sala, aparece ele como jovem cadete, escrevendo como em um museu de cera no momento das Invasões Inglesas.

Na quinta sala, está escrito por ele: “Um povo que quer ser livre, não há força que o sujeite”. Já nasceu destinado. Quanto às Invasões Realistas, em 1810, liderou a guerra contra o Gal. Pio Tristán, ao lado do Gal. Manuel Belgrano. A batalha de Tucumán foi a primeira invasão ao Exército do Noroeste da Argentina. Em 1814, surgiram as Províncias Unidas do Exército do libertador, do líder saltenho, tal exército de gaúchos e milicianos, paisanos que dariam a vida pela defesa de Salta.

Em 1815 foi eleito governador e em 1816 os seus homens já defendiam a região. Bastante moderno dizer que nessa época Juana Azurday, uma mulher, se uniu ao grupo. Em 1817 a maior revolução Realista, as tropas de Güemes acabavam com os inimigos, as chamadas Forças Patriotas de Güemes. Em 1821, a última a Invasão Realista. O general cai em uma emboscada pelos realistas. Foram 11 anos de incessantes esforços dos soldados defendendo a fronteira, a guerra gaúcha e seu líder. A sua irmã Madalena foi sua grande colaboradora.

Na sexta sala, Güemes e a independência. O congresso de Tucumán declarou a Constituição e a independência, quando ele era governador. Foi eleito sem a interferência de Buenos Aires. Neste recinto, aparece a grande história de amor dele com sua amada: Carmen Puch (1797-1822). Apenas dois meses depois de terem se conhecido, casaram em 1815. Ela era a mais bela da cidade: ruiva com olhos azuis e tiveram dois filhos Luís e Martin.  Morreu com 25 anos, após a morte dele. Carmen se encerrou em casa, cortou os belos cabelos famosos e deixou de comer “de tristeza”.

No pátio, testemunhamos as estátuas dos gaúchos de Güemes. Tinham estratégia militar, lutavam como em guerrilhas com o objetivo de desconcertar e desgastar as tropas invasoras. O jinete crioulo era fiel ao cavalo, eram adaptáveis ao terreno. Os gaúchos eram pequenos produtores, juízes rurais, estancieiros, escravos e peões.

Na oitava sala, a traição à meia-noite. Foi emboscado e ferido de morte. A mulher dele teve uma intuição. Os inimigos entraram vigorosamente no Campo da Cruz, eram quatro grupos de fuzileiros, 400 homens para matá-lo. Ele estava na casa da irmã Madalena. Escapou cavalgando até o El Chemical com escoltas, mas os opositores abriram fogo.

A sala 9 apresenta o general ferido em uma pintura. Eis uma lástima! Faleceu. O vídeo mostra os gaúchos ao lado dele ferido na Cañada de La Horqueta. Bastaram dois tiros. Ele dizia: “Nada temo, porque jurei sustentar a independência da América e selá-la com meu sangue”. Por 10 dias sofre até morrer, esteve rodeado pela mulher, filhos e padre Francisco Fernandéz. Tinha 36 anos. O médico foi Antonio Castellano, o primeiro doutor saltenho graduado.  O médico dele mesmo era escocês, porém estava ocupado cuidando do Gal. Belgrano. Está escrito em desenhos de nanquim: “Morreram todos como eu morro, antes de capitular com os tiranos espanhóis”.

Sobre Güemes escreveram Dionisio Puch em 1846, Juana Manuela Gorriti em 1858, Leopoldo Lugones em 1905, e Bernardo Frías em 1911. É uma aula de história fascinante.

A réplica do uniforme está em exposição, da mesma forma a faca e o punhal usados pelos liderados. Sua luta continua. Em 1807, durante a Segunda Invasão Inglesa, Güemes protege Buenos Aires. Em 1806, acoberta a mesma capital e Montevidéu para impedir contrabando. Em 1808, solicita ser destinado a Salta por problemas de saúde e para colaborar com a administração dos bens familiares, uma vez que o pai falecera em 1808. A Batalha de Suipacha de 1810 foi a primeira vitória patriota na Guerra da Independência. A sua atuação foi decisiva. Abriu uma rota para o Alto Peru. Em 1815 foi governador ou El Cabildo por 30 anos de Salta. Pensem em uma vida intensa.

Em 1877 os restos mortais dele foram trasladados para a Catedral de Salta no Panteão dos Heróis. Em 1895 se publica ”Güemes e seus gaúchos” de Filiberto de Oliveira Cézar. Aqui deixa de ser somente mais um personagem para os historiadores argentinos. Em 2017 o museu é inaugurado. Vale a pena divulgar o filme de Leopoldo Torre Nilson de 1971: “La Tierra en Armas” com Alfredo Alcón.

Saímos do museu e fomos almoçar. Novamente no restaurante Solar do Convento no centro histórico na Calle Caseros. Pedimos truta com manteiga negra, champignon e batatas Niçoise. O vinho foi Amalaya, um malbec 2017 de Cafayate. Tudo muito bom por $1080 pesos. Considerei muito simpático o garçom ter nos oferecido um espumante por conta da casa.

Ufa! Maravilha de terra. Para finalizar esta cidade charmosa, não posso de deixar de grifar sobre a empanada saltenha da La Salteñeria na Calle Catamarca, 7. Ao som da nossa bossa nova, com carne, batata, coentro e cebola, e com uma leve pimentinha, o Carlos amou. Minha escolha de jantar foi o Café do Convento perto do Convento São Bernardo. Pedi um roll de vegetais de massa folheada com milho, ervilha, alfafa, cebola etc. Uma delícia por $180 pesos. Mesmo com o frio de noite e a demora no atendimento, compensou.

E, para finalizar, nosso agradecimento ao atendente Marcelo da Azul no aeroporto de Córdoba, que gentilmente nos deixou ficar no Espaço Azul do avião Córdoba – Recife – Fortaleza. Ganhamos mais espaço e comodidade. Ele foi demais.

Agora concluo, enfim, lhes dizendo que amei Salta, o povo, a tranquilidade. Voltarei! Viva a Argentina, viva nuestros hermanos tan queridos. Saudações ao nosso agente Guillermo!

 

 

 

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