Chile – Santiago – Terceira Parte
Hoje é dia 24 de abril de 2019 e seguimos no passeio do ônibus turístico Turistik pela cidade de Santiago. O passeio é de duas horas e meia. Estamos agora na av. Isidora Goyenechea, o mesmo nome da parada. Isidora administrava com seu marido um império econômico de minas de cobre e carvão. Seu sogro era milionário e ela continuou a aumentar o patrimônio. O curioso foi que ela deixou como herança uma parte da fortuna para escolas, igrejas e criou um asilo para mineiros doentes.
Estamos na zona alta de El Golf, com algumas características arquitetônicas das décadas de 1940 e 1950 que recordam o tempo em que esta região residencial, com várias mansões, era uma das mais exclusivas de Santiago, combinada com edifícios de escritórios. O nome El Golf recebeu esse nome devido ao clube de Golfe Los Leones. O campo tinha 18 buracos em 1943. A municipalidade é Las Condes. Por estas plagas, moram pessoas de poder aquisitivo alto. Passamos pela avenida El Golf e pela av. Apoquindo, homenagem à denominação do cacique e ao lugar onde ele vivia.
A próxima parada, também na municipalidade de Las Condes, se chama Escuela Militar. A construção histórica data da década de 1840 e trata-se do local onde se formam os oficiais do Exército do Chile. Com quatro anos de estudo, eles saem como alferes. Em outubro de 1943 surgiu um novo prédio da Escola Militar. À época existiam chácaras e o lugar era periferia de Santiago. Este prédio/museu, considerado um ícone, apresenta obras de esculturas e pinturas de artistas nacionais e internacionais. O arquiteto, Juan Martinez Gutiérrez, foi ganhador do primeiro prêmio nacional de arquitetura. A partir daí, houve o desenvolvimento desta parte da cidade. No pátio da escola, se encontra o monumento equestre do libertador Capitão General Bernardo O´Higgins. Já na época da luta pela independência do Chile, ele sentia a necessidade de uma escola militar. Sua fundação vem de 1812.
Fazendo o passeio, percebemos como Santiago é enorme e bem estruturada. A economia do Chile depende do cobre, pesca, agricultura, indústria florestal e prestação de serviços.
Continuemos com a jornada. O primeiro shopping center de Santiago foi inaugurado em 1981: o Apumanque. Ainda existe e é popular.
Em Nueva las Condes há outra parada. Era a antiga fazenda San Luís e atualmente um polo de negócios, hotéis e de demanda imobiliária mais recente de Santiago, onde se veem exemplos da arquitetura mais vanguardista da cidade. Também é a porta de entrada para o parque Araucano, que com 22 hectares, se converte em uma das principais áreas verdes da região oriente da capital. Conta com um roseiral sedutor, com lugar para esportes, jogos infantis, eventos culturais, gastronômicos e infraestrutura para piqueniques.
Ao lado do parque se localiza o shopping mais querido por mim e pelo Carlos: o Parque Arauco, com as melhores marcas e gastronomia. Eis a parada nº 1. Fora do local há um ponto Turistik para quem vai conhecer os arredores de Santiago. Decidimos passear no Arauco no dia seguinte.
Passamos pela av. Los Conquistadores, em honra aos espanhóis colonizadores do Chile Hernando de Magalhães, Pedro de Valdivia, Diego de Almagro, García Hurtado de Mendoza, dentre outros. Interessante dizer que a Guerra de Arauco, dos índios mapuches contra os espanhóis durou 300 anos e eles surpreenderam os colonizadores pela sua ferocidade. Os indígenas lutaram com táticas de guerra, aprendidas com os incas. O mapuches (em idioma mapuche significa “gente da terra”) ou araucanos dominavam a região que ia do Vale do Aconcágua até a ilha de Chiloé. Foi o Gal. Cornelio Saavedra (argentino, 1759-1829) que conseguiu a pacificação entre as comunidades indígenas e os chilenos muitos anos depois.
No Chile à época da colonização espanhola, os habitantes eram classificados assim: espanhóis (com privilégios); crioulos (filhos de espanhóis nascidos na América); mestiços (mistura de espanhóis com índios) e os de sangue indígena.
O país recebeu imigrantes do mundo todo: gente da Croácia, Alemanha, Itália etc no passado. Hoje notadamente da Venezuela, Haiti e Peru.
Depois chegamos à parada do Hotel Sheraton, no qual quem vai ao teleférico e funicular do Cerro San Cristóbal desce. Há uma pessoa da Turistik esperando a fim de se pegar uma van. De lá seguimos pela av. Bellavista. No século XX intelectuais como Pablo Neruda transformaram este bairro em boêmio. Diz respeito a um lugar repleto de bares, pubs e restaurantes. Os jovens amam curtir a noite nos seus pontos de encontro.

A parada Patio Bellavista promete. Sempre gosto de adentrar o pátio com seus restaurantes pitorescos, lojas e atmosfera aconchegante. Ali perto está situada a entrada do maior parque urbano de Santiago com seus 737 hectares. Eis o parque Metropolitano onde se encontra o Cerro San Cristóbal com seus 860 m acima do nível do mar. No cume do morro ou cerro está a imagem da Virgem em tributo ao dogma a Ela. O pedestal tem 8 metros. O funicular, que leva os turistas ao cerro, data de 1925. O teleférico é mais recente. Funciona das 10 h às 19 h menos às segundas.

A próxima parada é a Plaza de Armas de fins do séc. XVIII, com construções espanholas tendo linhas neoclássicas italianas e francesas. Descemos aqui. Tirei uma foto da estátua do ex-presidente Salvador Allende (1908-1973) e achei bonitas suas palavras: “Tenho fé no Chile e seu destino”.
Fomos tomar um café no Starbucks acompanhado de um muffin (bolinho) de chocolate amargo e pedaços de chocolate. Delícia. Amo muffins.
Para finalizar o passeio, rumamos ao Centro Cultural la Moneda. Suas lojas, exposições, cinema e atividades convidam. Na Sala Pacífico acontecia a exposição: “Obra Viva” do uruguaio Joaquim Torres Garcia desde 12 de abril. E na loja Mundo Rural vi maravilhas de chás, ervas, doces e até mel de abelha da ilha de Chiloé. Mel que de tão saboroso nunca esqueci desde 2015.
Que dia mais bem aproveitado!

Que lindo Mônica !!Tenho muita vontade de conhecer O Chile
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Querida Valéria,
Salve! Creio que você amará país tão repleto de cidades encantadoras, natureza bela e povo mais do que amável. Realmente indico. Grande abraço.
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