Itália – Como e Brunate

Itália – Como e Brunate

Hoje é dia 13 de fevereiro de 2019. Estamos em Milão. O passeio bate e volta do momento é para Como, o funicular e o Lago di Como ou Lario. Chegamos às 9 h na agência de turismo Zani Viaggi no Largo Cairoli na Via Cusani. Entramos no ônibus e recebemos audioguias, mapas e dispositivo para o pescoço para a escuta individual. Muito profissional. O retorno será às 18h30. A motorista Rosa e a guia Valeria nos recebem.

O dia está perfeito para fotos, pois está ensolarado. No caminho a guia Valeria dá dicas da cidade de Milão. Aliás, ela é italiana e fala inglês, espanhol e português. Excelente. O moderno bairro City Life, com seus prédios luxuosos de escritórios e de moradia, chama a atenção, além de shopping malls, restaurantes, cafés, bares e cinemas. No distrito existe um parque com um conceito contemporâneo. O apartamento mais barato na área é na base de um milhão de euros.

Nós nos dirigimos à autopista para Como com controle de velocidade e pedágio. É impecável com muitos paredões ao longo da via com o intuito de proteção contra acidentes. As velocidades são diferentes nas pistas, vão de 40 a 90 km/h. Estamos na região mais industrializada da Itália.

Acrescentando algo sobre Milão, é interessante dizer que muitos carros não podem entrar no centro, por causa da lei existente há cinco anos proibindo isso. Resultou na diminuição da circulação de automóveis.

Até Como, só vi indústrias. Lindeza mesmo, somente perto da entrada. Em 45 minutos adentramos na cidade. Estamos perto da fronteira da Suíça.

Como era inverno, ainda enxerguei neve nas calçadas. Nesta temporada, houve poucas nevadas na região de Milão. Detalhe: tive uma crise de rinite alérgica no ônibus, coçava tudo. Felizmente, passou.

Falemos na bela Como. O lago tem um microclima próprio, não neva muito. A cidade é fofa, os moradores cuidam melhor de seus jardins do que de suas casas. O lugar com suas vilas, prédios baixos, limpeza e calçadão circundando o lago com barcos significa puro deleite. Aliás, leitores, precisam de jardineiros lá. Deve ser um vidão!

Estamos a pé no pequeno centro histórico. As torres e a fortaleza de pedra de 1000 anos foram erigidas pelos longobardos ou bárbaros. No coração da cidade está a Catedral com seus tetos vermelhos e o Teatro Sociale. O município é perfeito para férias e para o tratamento de tuberculose, por conta do ar fresco.

Pegamos o funicular, construído em 1894, com estilos art-noveau e modernista na Piazza de Gasperi para subir a Brunate, pequena cidade de montanha a 800 m acima do nível do mar.

Achei uma mistura da portuguesa Ilha da Madeira e da chilena Viña del Mar com suas casas adoráveis. Na localidade há um sanatório. Trata-se de uma vila tranquila no topo da serra com vistas magníficas.

A temperatura está agradável: 6ﹾ C. A subida do bondinho leva sete minutos. Nosso horário de encontro para descer é ao meio dia.

De volta ao centro histórico, muito aprendi com a guia Valeria. O forte de Como é a produção de seda, considerada a melhor da Europa. As vilas ricas são de famílias produtoras desde 1450, ou seja, uma longa tradição. Os costureiros famosos de alta costura compram a seda para as suas criações lá.  Estamos falando de Valentino, Prada, Gucci, Dolce & Gabanna etc.

A construção da Catedral ou Duomo iniciou-se no séc. XIV (1396-1740). A sua torre tem 1000 anos. O Mercado foi feito pelos bárbaros na época medieval; a cidade quadrada e a praça principal foram edificadas pelos romanos. Na história da cidade, primeiro vieram os bárbaros do norte da Europa (longobardos): da Rússia, Alemanha e Escandinávia. Ficaram por oito séculos (mais do que em Milão). Em Como se depararam com os Mestres Comacinos (haviam fugido para Comacina, ilha fortificada no lago de Como, a fim de escapar dos bárbaros), que trabalhavam o mármore e a madeira. A arte era perfeita e se espalhou pelo continente na época medieval. Depois de 20 anos sendo assediados pelos longobardos ou lombardos, esses os subjugaram, mas os tomaram como arquitetos e assessores da reconstrução. Vale ler http://www.glada.org.br/A-Maconaria/Origens-da-Maconaria.

A Catedral é toda em mármore de uma pedra da região e tem uma alta cúpula octogonal. Existem dois senhores sentados na frente dela protegidos por um vidro, são dois filósofos: o Plínio jovem e seu tio. Escreveram sobre a destruição de Pompeia na Itália pelo vulcão Vesúvio, pois eram repórteres e viram tudo de um barco. A entrada da Catedral é pelo lado esquerdo. Está situada na Piazza del Duomo. Seu estilo predominante é gótico, com elementos românicos, renascentistas e barrocos.

A Basílica di San Fedele é mais antiga que a Catedral, originou-se no século VI. Sua rosácea do século XVI e preciosos afrescos dos séculos XVI e XVII reforçam o charme. Localiza-se na Piazza San Fedele. Também passamos pela Porta Torre de 1192. De lá fomos almoçar pedaços de pizza em uma padaria. Como na Espanha, o comércio fecha para a sesta. Imperdível Como com suas ruelas. Foi uma grata surpresa.

Daí, rumamos para uma hora de passeio de barco pelo lago, o pegamos no porto na Piazza Cavour com a Tour Bacino di Como. A companhia é a Navigazione Lago di Como. O barco parece um vaporetto de Veneza e para nos portos de Tavernola, Cernobbio, Moltrasio, Urio e Torno. Existem povoados ao redor do lago e gente praticando esportes aquáticos. O percurso é repleto de belezas. O casal sensação: ator George Clooney e advogada Amal Alamuddin tem uma vila escondida. Não dá para ver, pois é bem guardada e dura um dia para chegar ao local. Há uma escultura no meio do lago que representa “a onda de eletricidade da bateria de Alessandro Volta”. Esse físico italiano (1745-1827) criou a primeira pilha elétrica em 1800.

Depois do passeio, ganhamos 20 minutos para fazer qualquer coisa. Resolvemos continuar pela cidade. Tomamos gelato na sorveteria Guidi por 2,50 euros. Lembramo-nos dos amigos Guidis de Vinhedo-São Paulo.

No final do passeio, a guia nos entregou uma folha com notas e opiniões sobre o dia, o trabalho dela, enfim, tudo profissional. Parabéns.

De volta a Milão, paramos em uma loja de bebidas “Signorvino” perto do Duomo para provar o afamado drinque Aperol Spritz: Aperol, vinho branco e água com gás. O Carlos gostou mais do que eu. Aproveitamos para comprar limoncello (drinque italiano de limão) por 16,90 euros e um vinho Brunello di Montalcino por 30 euros. Um achado. Considerado o melhor vinho da Itália.  No Brasil, nem pensar de tão caro.

Que dia mais completo! Viva a Itália!

 

2 comentários em “Itália – Como e Brunate

  1. Que perfeito!!! Quanta delicadeza e sensibilidade nas suas palavras…. Seus relatos me fez reviver momentos inesquecíveis que passei nessa cidadezinha encantadora. Parabéns querida! Amei!!!!

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    1. Querida Raquel,
      Menina, que legal ter você aqui. Pois é, a Itália dos meus antepassados, que você conhece tanto é inigualável: suas belezas, simpatia do povo e lugares encantadores são um desfrute para os olhos e paladar. Viva a boa pasta com um vinho tinto para acompanhar. Nada melhor! Beijos e obrigada.

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