França – Provins

França – Provins

Hoje é sábado, dia 2 de novembro de 2019 e vamos conhecer a joia Provins, aproximadamente uma hora de Paris, 80 km a sudeste da capital. É uma comuna do departamento de Sena e Marne na região da ilha da França.

Um pouco de história. Segundo o folder turístico recebido no Provins Tourisme, estamos falando de uma das cidades medievais mais bem preservadas da França. Cada rua evoca o grande esplendor da velha capital dos Condes de Champagne. Nos séculos XII e XIII, estes lordes feudais importantes ofenderam os reis da França, os desafiando de dentro das muralhas.

Foram os primeiros a introduzir o uso de passaporte, assegurando passagem segura através do território dos mercadores. Graças a essa garantia, as feiras de Provins se tornaram as mais visitadas da Europa. Mercadores de tecidos de Flandres (a região norte da Bélgica), agentes de câmbios da Lombardia, mercadores de especiarias do Oriente, poetas e intelectuais, como Chrétien de Troyens podiam ser encontrados lá.

No início do séc. XIV começou o declínio da sua prosperidade, por conta da mudança de rotas comerciais, guerras, pragas, o desaparecimento lento das feiras, assim como a reunião das terras de Brie e Champagne pelo reinado da França. Por um longo tempo, Provins retornou a ser uma cidade pequena com vida rural, ignorada pelos grandes eventos da história. Foi isso que a deixou conservada, na verdade. São 58 monumentos incluídos no Inventário Nacional de Monumentos Históricos na França. Praticamente todos dos séculos XII e XIII. Logo, esta riqueza faz parte da lista da UNESCO como Patrimônio da Humanidade desde 13 de dezembro de 2001.

Descobri esta cidade única pesquisando na internet ainda em Fortaleza. No dia do bate e volta, estando hospedados perto da igreja Madeleine em Paris, andamos até a estação de metrô Ópera e de lá em direção à Gare de l` Est, onde pegamos o trem SNCF Transilien às 10.46 da manhã na plataforma 16. Compramos a ida e a volta, mas o horário de retorno ficou em aberto. Lembrando que temos que ficar olhando o grande painel para saber a plataforma, porque só se visualiza uns 10 minutos antes. Como pode haver fiscalização, conservamos o tíquete até o fim da viagem.

Lá vamos nós mirando os arredores de Paris. Primeira parada: Verneuil L´ Etang; segunda parada: Mormant; terras para serem cultivadas são vistas, além de florestas e pequenas cidades, casas lindas de pedra e outras, vida pacata, zona rural, refinaria de pequeno porte; terceira parada: Longueville (Seine-et-Marne); quinta parada: Ste-Colombe-Septveilles; sexta parada: Champbenoist-Poigny; e enfim, Provins.

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Rio Voulzie passando entre as casas em Provins-França-foto tirada por Mônica D. Furtado

Da saída do trem, já nos direcionamos ao Centro de Informações Provins Tourisme. O rapaz nos atende com muita simpatia em inglês. Recebemos um mapa, folders e explicações. Achei bem profissional. O material é de primeira, com as atrações explícitas.

Fomos caminhando para conhecer o centro e aí nos deparamos com uma cidade medieval de conto de fadas. As casas de pedra, os rios que passam pela cidade: o Durteint e o Voulzie, a beleza de sua natureza em um dia de inverno e chuvoso. Uma lindeza!

Como era hora de almoço, descobrimos em uma ruela lateral à principal (Rue Duval, a Rua Saint-Thibault muda de nome de tempos em tempos) um restaurante de gente da terra: L´Osteria (6 Place Honoré de Balzac). A dica foi pedir pizza vegetariana para mim e Provençal para o Carlos. Era tanta em cada prato que ainda dividimos. O vinho foi rose da região, bem refrescante, uma delícia.

Depois, passeamos pela cidade, não teríamos tempo de ver muitos monumentos. A cidade tem altos e baixos. Entramos na Torre César (era chamada de Grande Torre ou Torre do Conde, mas no séc. XVII mudaram para o nome atual), construída na ponta de uma colina rochosa no começo do séc. XII a fim de proteger o palácio do Conde e dominar o vale. A torre era um potente símbolo do poder dos condes de Champagne, usada como proteção, prisão, torre sineira e lugar de retirada militar. A gente olha todos os compartimentos e em cima tem um visual extraordinário do vale. No fim da visita, há um filme sobre o reino de Henry, o Liberal à época.  Interessante dizer que a sala conhecida como Gabinete do Governador era a única a ter lareira.

Continuamos o percurso. As muralhas fortificadas protegiam a cidade toda e alcançavam até 5 km. Adentramos a igreja colegiada de Santo Quiriace, que tem uma placa do lado de fora em homenagem à heroína francesa e santa Joana D´Arc. Em 3 de outubro de 1429 ela assistiu a uma missa ali ao lado do rei Charles VII. Em 1929 foram comemorados os 500 anos desse fato histórico, por isso a placa. A basílica foi erigida por Henrique I, comandante das regiões de Champagne e Brie (de lá vem a original bebida espumante champanhe e o queijo cremoso Brie). Outra placa na entrada informa que em 1662 um incêndio a destruiu parcialmente, tendo sido reconstruída ao longo dos anos lentamente.

Durante o ano há festas diversas, por exemplo: o Festival da Colheita, a Feira de Outono e, principalmente, o Festival Medieval, com acrobatas, cavaleiros, pessoas vestidas com roupas da época, músicas, danças, rememorando a atmosfera alegre das feiras de Champagne. Em 2019 foi em 15 e 16 de junho. Deve ser espetacular. E o Natal será em 14 e 15 de dezembro, com mercado medieval e tradicional e muitas atividades relativas ao período. O calendário está disponível em www.provins.net. Fazem três shows medievais ao longo do ano: A Lenda dos Cavaleiros (luta de cavaleiros medievais), A Idade das Muralhas (apresentam lutas e jogos equestres) e As Águias das Muralhas (mostram a arte da falcoaria).

Tomamos um café no Le Gout´ The na 49, Rue du Val. A dona tão simpática com a gente,  indicou-nos um hotel que é um apartamento, de fato. Está no Booking.com e se chama Le Royal Hubert, localizado no número 1, Rue Christophe Opoix. Não chegamos a conhecer, pois não vimos a placa. Ela disse ser ao lado do café. Olhei na internet e promete. A região é cara, mas vale.

O dia foi perfeito. Provins é apaixonante e desconhecida para muitos. As lojinhas são adoráveis com seus ambientes medievais. Uma com venda de todo tipo de decoração para jardins, então, foi de se beliscar. Queria ter explorado mais, fica para outra.

A volta a Paris foi o mesmo trajeto de ida ao contrário. Tem que passar o tíquete para confirmar na máquina da estação, todavia ela não estava funcionando. Partimos com ele na mão, de qualquer jeito. A França vale muito por esses recantos escondidos. São os melhores!

4 comentários em “França – Provins

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