Aventuras e Desventuras em Paris – Terceiro Artigo

Aventuras e Desventuras em Paris – Terceiro Artigo

Hoje é dia 1° de novembro de 2019 e decidimos conhecer Provins, cidade medieval nos arredores de Paris. Mas antes eu tinha que ir a alguma farmácia. Encontramos uma bem perto da entrada do metrô Opéra. Detalhe: quem quiser comprar um medicamento, tem que ficar na fila e se explicar à farmacêutica que também é caixa. Aviso aos navegantes: quem não falar pelo menos o inglês, só se for mímica…

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Cadeados, rio Sena e Torre Eiffel-Paris-foto tirada por Mônica D. Furtado

Bem, estávamos o Carlos e eu na farmácia, com a mochila pra trás. Atravessamos a rua. Assim que chegamos à entrada do dito metrô, disse para o Carlos: “Vamos colocar as mochilas para frente” e aí descobri o ocorrido misterioso. Minha mochila estava aberta sem a carteira, mas com tudo mais dentro. Ai. Que nervoso. Fui me lembrar da besteira que tinha feito de ter deixado o cartão de crédito nela. Mais 50 euros e uns reais. Ai. Tinham duas figuras suspeitas na entrada do metrô, mas eles nem chegaram perto de mim. Até hoje não sabemos quem foi ou onde. Bem, só se foi dentro da farmácia. Será? Não preciso dizer que estragaram nosso dia.

Voltamos ao hotel correndo e aí fui procurar o contato do cartão. Só que estávamos a 4 horas a mais do Brasil, então tive que me acalmar um pouco. Nosso compadre em Fortaleza e nosso agente de viagens da Casablanca Turismo nos ajudaram muito. Nossos agradecimentos ao Maurinício e Jozias. O pessoal do hotel foi super, me cedendo o telefone para usar à vontade. Resolvido o bloqueio do cartão com a Central de Atendimento, e sabendo que não haviam utilizado, fiquei mais tranquila.

O Jozias me incentivou a fazer um Boletim de Ocorrência caso fosse necessário aqui no Brasil. Procurar uma Delegacia de Polícia em Paris? Ai, ai. Perguntamos no hotel, nos deram o endereço: 45 Place du Marché Saint-Honoré e lá fomos nós a pé. Contudo, quando chegamos não era lá. Que frustração. A policial com boa vontade nos deu a localização certa: 3 rue Aux Ours, e como era mais longe, pegamos um táxi. O taxista era português. Maravilha, nos sentimos em casa! Nos deixou na porta. Dentro policiais mulheres nos atenderam solicitamente. Esperei um pouco, pois tinha gente na fila (mais gente furtada!). Escrevi as informações em um I PAD em inglês (não tinha a língua portuguesa e vá não falar uma língua estrangeira, hein?). Recebi no meu e-mail, conforme prometeram. Achei muito organizado.

Moral da história: mesmo tendo sido avisada tantas vezes, caí nessa.  Há gangues de mulheres ladras e homens jovens, geralmente, segundo dizem: refugiados e imigrantes. São chamados de pickpockets (palavra originária do inglês). Há que se ter muito cuidado. O Carlos indagou no hotel onde estavam as câmeras e o atendente nos explicou que a polícia só vai atrás se houver violência. No mais, nem olham. Vimos tipos “malandros” no metrô, na estação de trem ou gare e por aí vai. Um entrou na catraca junto com o Carlos na Gare de L´Est (estação de trem), quando enfim fomos a Provins. É de ficar revoltado. Diga-se de passagem: os parisienses ficam envergonhados e indignados da cidade estar assim tão insegura. No dia seguinte ao furto, presenciamos um fiscal do metrô na entrada, o que significa que meu relatório na polícia foi lido e tomaram alguma providência.

Passado o susto, fomos almoçar cerca do hotel. Agora era relaxar. A lasanha bolonhesa com legumes da Charcuterie, Épicerie e Fromaderie estava deliciosa e o refrigerante Schweppes de cítricos refrescante. A gerente deve ter “sentido” o nosso desapontamento com Paris e não cobrou o café. Muita gentileza.

Continuamos o dia no Quartier Latin que amamos, perto da Notre Dame. Passeamos e depois o Carlos comeu kebab de carne (7,50 euros) e eu de frango (9,50 euros). Na rua dos restaurantes os garçons se postam em frente aos estabelecimentos e cativam os fregueses a entrar. Local bem atraente, bonito, com gente interessante. São as ruas Saint-Jacques, St. Severin, Dante, Huchette, dentre outras. Existem também livrarias, sebos, lojas diversas etc.

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Procissão religiosa perto da Catedral de Notre Dame-Paris-foto tirada por Mônica D. Furtado

Dia 2 de novembro de 2019. Fomos conhecer Provins. https://monicaalmadeviajante.com/2019/11/08/franca-provins/

Dia 3 de novembro de 2019. Dia de ir embora. Oba! Confesso que não via a hora. Estava cansada e abatida. Contratamos uma van que passaria em alguns hotéis pegando viajantes para levar ao aeroporto Charles de Gaulle por 18 euros. Pagamos no dia anterior no próprio hotel Amarante Beau Manoir. O motorista foi mais do que pontual, passou antes das 6 h, como estipulado.

Chegamos às 7 h no aeroporto e caminhamos até o Terminal 2E, pois a van não pode se aproximar àquela hora. Tudo bem. O voo era às 10h20. Deixamos para fazer o check-in e marcar os assentos no local. Bem, não estava dando certo nem com a atendente da Air France. Conclusão: deu overbooking (lotação) no voo Paris-Fortaleza e umas 10 pessoas ficaram de fora (nós!). Imaginem o estresse. Aí pensamos: não é possível, de novo, nós com problemas em Paris?! Ainda bem que existiam os funcionários Pierre e Jéssica (portuguesa). Sempre os portugueses ajudando os brasileiros. Muito obrigada aos dois. Foram pacientes e ajeitaram tudo para nós. Não sairíamos sem ter conforto. Despachamos as malas para o dia seguinte. Ganhamos transporte para o hotel no ônibus (shuttle) da linha preta (Black bus), saindo do aeroporto e de graça para todos, almoço no aeroporto (15 euros), um valor de 600 euros para cada como indenização (uau!), hospedagem no Ibis Style em Roissy-en-France (a cidade do aeroporto) com jantar buffet espetacular por 25 euros e café da manhã excelente. Acreditem… foram nossas melhores refeições.

O hotel muito bom em uma cidade tão francesa que deu vontade de se refestelar por muitos dias em local tão encantador. As casas têm cortinas rendadas, há restaurantes diversos com caramanchões na frente, a prefeitura se situa em um parque agradável com uma exposição de painéis com fotos de natureza. O mais incrível foi ter visto um painel grande explicativo dos gastos da prefeitura e o chamamento com datas para as decisões da comunidade. Estávamos enfeitiçados, dando voltinhas pela vila pacata no frio à noite. Morar em Roissy é caro, dá para entender, tão perto de Paris e tão acolhedor. Que tal? Isso valeu e muito.

Detalhe: as linhas de ônibus que levam os passageiros para os terminais têm cores diferentes dependendo do hotel. O público é na maioria de profissionais de negócios, deu para perceber. Parabéns, Charles de Gaulle pela efetividade e preparação. A infraestrutura de hotéis em torno do aeroporto é de primeira. O movimento de carros é intenso, há de se ter cuidado com a hora. Devemos chegar 3 horas antes.

No dia seguinte, fizemos o trajeto de Roissy para o aeroporto, bem mais perto, então deu para dormir um pouquinho mais. Como a Jéssica havia nos colocado no privilegiado Sky Priority da Air France a fim de entrar no embarque de forma mais rápida, tudo foi facilitado. Viva a Jéssica, que pessoa mais empática.

A gente estava tão cansada da cabeça que o portão era K37, escrito por um funcionário da Air France, mas li no painel grande K47, logo estávamos bem belos fazendo compras de última hora e tomando café. Quando o Carlos se deu conta, ai, ai, que disparada. Chegamos esbaforidos e fomos os últimos a entrar no avião. Não para Paris-Fortaleza, que não tinha nesse dia, mas para São Paulo (11 horas), depois 3 horas em Guarulhos e mais 3 h e meia para Fortaleza. Estávamos 4 horas a mais de fuso horário. Ufa! Enfim, chegamos à terrinha ensolarada, mas só o bagaço. Bom ser turista, mas que cansa, cansa.

Toda viagem se torna um grande aprendizado. Acontecem percalços, sim, mas encontramos ajuda e pessoas simpáticas, aptas a nos apoiar. Obrigada. Quero voltar à França, mas ao interior. Fim de viagem.

Em breve, o país onde começou o nosso itinerário: Turquia “espetacular”.

8 comentários em “Aventuras e Desventuras em Paris – Terceiro Artigo

  1. Dear Mônica,
    Ai, ai! Que delícia de relato! Obrigada por compartilhar as aventuras e desventuras vividas, sem perder o bom humor! Ai, Ai!
    Que novas viagens aconteçam brevemente. Sem tantos percalços!
    Abraços para você e o Carlos.

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    1. Josi querida,
      Obrigada por nos desejar novas aventuras sem percalços, assim desejamos. Viajo para relaxar, apurar meu espírito e conhecer culturas diferentes, nunca para me estressar. Seus comentários são agradáveis de se ler. Grande abraço.

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  2. Excelente relato.Maupassant diz que Paris atrai ,e repudia,oferece e recusa,é mãe e madrasta…Cidade luminosa que nos puxa como imã…Aí tudo tem preço…e paga -se caro pelas emoções de estar lá.Tenho todas minhas reservas contra Paris.Desguio,desvio,e ela me puxa como imã.Você soube avaliar muito bem os transtornos.A tua avaliação final é a minha.Viva as cidades francesas pequenas…

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  3. Cara Mônica,
    Que sufoco essa viagem a Paris.
    Fiquei imaginando o desgaste psicológico e físico de vocês.
    Parabéns pelos relatos.
    Na viagem que fiz a Paris em 2012, deixei de visitar a Ópera, por notar que ela é cercada por meliantes de todas as ” tribos” de refugiados do mundo. Muitos ladrões e descuidistas!
    Forte abraço!

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    1. Querido Robson,
      Obrigada pelo seu comentário. Boa observação. Para quem Paris era um caso de amor, hoje é só magoa. Infelizmente, não acho que mudará, ficaremos com a Paris dos nossos pensamentos de outrora. A França, porém, continuará a ser visitada. Quero conhecer a Normandia e a Provence. Grande abraço.

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