Turquia – Pérgamo e centro de medicina Esculápio
Hoje é dia 25 de outubro de 2019. Saímos de Izmir de ônibus e fomos a Pérgamo, cidade rival de Éfeso no plano comercial e de Alexandria e Antioquia, no plano cultural, segundo o livro da agência PortoSul (2009) de Porto Alegre-RS. A Wikipédia nos conta que fica a 26 km da costa do mar Egeu em um promontório no lado norte do rio Caicos e a noroeste da moderna cidade de Bergama (Pérgamo). Era a antiga cidade grega rica e poderosa na Eólia. Desde 2014 é inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO.
O mesmo livro adiciona que lá foi inventado o pergaminho a partir do couro de carneiro, quando o Egito lhes interditou a venda do papiro. A história menciona Pérgamo desde o séc. IV a. C., mas existem achados arqueológicos que datam da Idade da Pedra. A biblioteca da cidade continha cerca de 200 mil rolos de pergaminho, que Marco Aurélio, apaixonado, presenteou à Cleópatra. Esses pergaminhos se perderam no grande incêndio da Biblioteca de Alexandria.
O nosso guia Ali esclarece que os homens de ciência em Pérgamo começam a escrever sobre pele de animais, eis o pergaminho e depois veio o papel. Primeiro se escreve com maiúsculas nos mosteiros e para pequenas escritas com as letras minúsculas. Interessante que o imperador Constantino pediu 50 bíblias sobre o pergaminho.
A cidade é ancestral. Era a Pergamon helenística de 2, 3 a. C. Fez parte do império macedônico de Alexandre Magno em 1 d. C. Com a morte dele, os generais ficaram com a direção da terra.
Uma lindeza a igreja de Pérgamo (Bergama em turco), uma das sete igrejas do Apocalipse. A Wikipédia nos informa que eram sete as igrejas primitivas do cristianismo: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sárdis, Filadélfia, e Laodiceia. São as Sete Congregações da Revelação, também conhecidas como as Sete Congregações da Ásia Menor, as congregações das cidades mais importantes da região do início do cristianismo mencionadas no livro do Apocalipse no Novo Testamento. Atualmente todas as ruínas destas antigas cidades se encontram na Turquia.
O blog old.aproximaviagem.pt nos descreve que os monumentos arquiteturais mais importantes do distrito onde foi inventado o pergaminho encontram-se na Acrópole. No local está situada a biblioteca, famosa pelos seus 200 mil manuscritos; os templos Atena e Trajano; o teatro mais vertical do mundo e a base do altar de Zeus, classificado entre as maravilhas artísticas do mundo. Digno de nota mencionar que as acrópoles gregas sempre se situam em uma montanha, isto é, na parte mais alta do terreno.
Visitamos o primeiro santuário da medicina mental chamado Esculápio. Na mitologia grega e romana, o deus da medicina e da cura. Trata-se de um complexo constituído por biblioteca, anfiteatro e escolas de medicina. Os vestígios gregos do centro do deus Esculapium encontrados são dos séc. 4 a. C. até 4 d. C. O cristianismo chega à região e fecha o culto a ele, mas não o centro de medicina. A Wikipédia relata que Hipócrates, considerado o pai da medicina ocidental, se formou no santuário de Esculápio em Cós (ilha grega do Dodecaneso, a 4 km da costa de Bodrum na Turquia). Foi um dos deuses pagãos de maior sobrevida no cristianismo, em virtude de sua fama de bondade e compaixão.
De acordo com a Wikipédia, as versões mais correntes apontam Esculápio como filho do deus Apolo e da mortal Corônis. Teve dois filhos: Podalírio e Macaão. Seus templos e santuários atuavam como hospitais em uma vasta região da Europa, norte da África e Oriente Próximo. Foi um dos primeiros deuses gregos a serem assimilados pelos romanos.
O médico Galeno ali exerceu sua atividade até a morte e 210 d. C., foi o fundador da ciência farmacêutica. A Wikipédia adiciona que era o médico mais famoso do antigo Império Romano e era médico pessoal do imperador Marco Aurélio e trabalhou no local por muitos anos.
Diz-se em turco Asklepion; na mitologia romana: Esculápio. O livro da agência PortoSul (2009) de Porto Alegre-RS acrescenta que não admitiam velhos nem mulheres grávidas no centro. Foi o primeiro hospital psicoterápico que se tem notícias na História. O tratamento consistia em leituras, meditações, exercícios físicos, teatralizações, orações, jejuns, além de aplicações de unguentos e do emprego de ervas medicinais.
A Wikipédia nos informa que a cura era um processo que envolvia a transformação do corpo e do espírito. Instruções eram dadas em sonhos dos enfermos e era pré-requisito para a cura. O sonho era então relatado aos sacerdotes que interpretavam ou complementavam as instruções. Houve relatos em que o deus Esculápio aparecia em sonhos contrariando a falta de fé do paciente.
Na localidade impressionante, andamos pela Via Tecta ou Caminho Sagrado que era uma rua colunada que leva ao santuário, era coberta no passado remoto e se vê escrito: “O Morto não entre neste lugar”. Os doentes chegavam de cavalo ou burro. Os “doutores” curavam problemas mentais, psicológicos. Havia o templo de Esculápio com uma biblioteca rica em livros de medicina, e teatro para enfermos com 3, 4 mil lugares. Diz uma lenda que a origem do antídoto foi descoberta no centro. Uma pessoa quase morta bebeu o antídoto das cobras, feita do vômito delas, se curou, logo a partir daí foram estudar e descobriram o antídoto.
Vimos colunas jônicas com sulcos profundos. Que sítio arqueológico incrível. Como era uma cidade helenística havia um teatro. E não podia faltar a homenagem ao deus grego Dionísio ou ao romano Baco, fundador do teatro e do espetáculo para festas. Escavaram a costa da colina e colocaram as pedras. Criaram um lugar circular: a orquestra, ou seja, o teatro primitivo dos gregos. O romano acrescenta a parte de trás, um muro para a acústica, por isso o nome teatro greco-romano. Cabiam de 40 a 50 mil pessoas no anfiteatro circular.

Depois do espetáculo no teatro, os doentes tomavam banho de lama (perto das piscinas), depois de água normal nas piscinas, tomavam água e após isso, se dirigiam ao túnel. O túnel escuro com água dentro tinha doze aberturas com assistentes de Esculápio dizendo “Você vai se curar” onde os doentes caminhavam sem sapato. Saíam do túnel e passavam pelo lugar circular no meio onde se localizavam os dormitórios ou celas. Os assistentes faziam os remédios enquanto os enfermos dormiam. Somente saíam do centro, depois da “revelação”, ou seja, de como seria o tratamento. Os pacientes levavam os medicamentos ao partirem. Quantos dias ficavam, não se sabe.
Importante mencionar que devemos o conhecimento do Esculápio ao grego Aristides, pois o visitou e escreveu um livro.
Entramos no ônibus e em mais uma hora chegamos a Troia.

Parabéns Mônica, pelo texto e pelas fotos.
Em 2002-09-11, no 46º Jantar de Amizade UNICEPE, tivemos “O búzio de Cós” (Poemas de Sophia de Melo Breyner Andresen musicados e cantados pelo nosso Associado Ivo Machado).
Beijinhos,
Rui
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Querido amigo Rui,
Que comentário pertinente. Obrigada. Nunca esqueci a participação minha e da minha mãe em um dos encontros da UNICEPE, foi engrandecedor e ainda com vinho do Porto, magnífico. Continuemos no passeio pela Turquia… Grande abraço a você e à Xana.
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