Turquia – Troia

Turquia – Troia

Hoje é dia 25 de outubro de 2019 e de Pérgamo seguimos viagem de ônibus até Troia (uma hora aproximadamente). Mas antes almoçamos em Bergama (Pérgamo em turco) em um restaurante de festas para grandes grupos com comida em quantidade. Uma hora e meia depois fizemos uma parada técnica para banheiros e lanches no Özgün Molan. Lá estava o indefectível suco de romã (bom para o coração, dizem), além de café turco. Comprei enfim um picolé de iogurte e amora delicioso e um perfume de limão tradicional.

Estamos ao longo do mar Egeu com sol e calor. Vamos subindo a serra ainda repleta de florestas, estamos no monte Ida onde viveu um dos protagonistas da Guerra de Troia: Páris, de acordo com a mitologia grega.

A porta de entrada para a cidade de Troia é Çanakkale no Estreito de Dardanelos. A cidade antiga tem 3000 anos e em 1998 se tornou Patrimônio Mundial da UNESCO, conforme a Wikipédia.

Pela dificuldade de relacionamento da Turquia com a Grécia desde a Primeira Guerra Mundial, o nosso guia Ali diz não ter lição da guerra em escolas no país. Quem escreveu sobre a guerra de Troia foi o poeta Homero em VII, VIII a. C. em sua obra épica Ilíada, mas somente sobre o último mês da guerra, que durou 10 anos, pelo motivo de não saber como havia sido. Lembrando que Esparta se situa na Grécia do outro lado do mar Egeu e Troia na Turquia. Pelo visto, as relações difíceis são bem antigas…

No site superabril.com.br, sabe-se que no poema Ilíada, escrito provavelmente em VIII a. C., Homero narrou uma grande guerra entre gregos e troianos, em um ponto estratégico que separa o Mediterrâneo do mar Negro.

Nosso guia Ali esclarece que a estratégia de guerra foi genial, já que Troia era circundada por muralhas, então dão de presente um cavalo de madeira enorme. De lá à noite saem os soldados que matam todos e queimam a cidade. Por isso se diz na Turquia: “Nem grego nem presente de grego”.

A Wikipédia nos conta que segundo a mitologia grega houve um casamento forçado entre os deuses no Olimpo: Peleu e Tétis (futuros pais de Aquiles), porém a deusa da discórdia Éris não foi convidada. Era filha dos deuses Zeus e Hera, contudo fora desprezada pela mãe por não ter beleza. Mandou um presente de uma maçã de ouro onde escreveu “a mais linda do mundo”. A inteligente Atena, a mulher de Zeus Hera e a deusa da beleza Afrodite estavam na disputa. O rei de Troia Príamo foi escolhido por Zeus para resolver a contenda, mas por estar velho, passou a responsabilidade ao seu filho Páris. Ele decide por Afrodite que havia prometido dar-lhe Helena, a mulher mais bonita do mundo. Páris, já comentado anteriormente, era um cuidador de ovelhas e príncipe. Está selada a discórdia, assim ele atraiu a ira de Hera e Atena e condenou sua cidade Troia.

Na lenda ou história real, Páris conhece Helena (esposa de Menelau, rei lendário da Lacedemônia em Esparta) e ambos se apaixonam, ele a rapta e a leva para Troia. Eis o motivo da guerra. Os espartanos que chegam escondidos no cavalo guerreiam com Troia. Os heróis são Aquiles, Agamenon e Heitor. Páris lança uma flecha no calcanhar de Aquiles e o mata, porque ali era o ponto fraco dele, ele fora batizado pelo calcanhar. Lembrando que ele era semideus, quase imortal, não fosse seu calcanhar, era um guerreiro grego lendário o qual comandava seu próprio exército, considerado o mais belo, forte e corajoso. No cinema este personagem foi encenado por Brad Pitt. O filme Troia de 2004 também tem Eric Bana como Heitor, Orlando Bloom como Páris e Diane Kruger como Helena.

Na sinopse do filme, acrescentam que o irmão do rei de Esparta (Menelau, da Grécia), o rei Agamenon já havia derrotado todos os exércitos na Grécia, logo encontra o pretexto que faltava para declarar guerra à Troia (Turquia), o único reino que o impede de controlar o mar Egeu. Estamos em 1193 a. C.. A Wikipédia adiciona que a esperança do rei Príamo de Troia em vencer a guerra está nas mãos de seus filhos Heitor, que é um grande guerreiro e comanda o exército, e de Páris, o mais jovem. Da mesma forma contam com a forma estratégica como a cidade-estado foi construída, tendo suas muralhas quase intransponíveis para os adversários.

Falando na histórica Troya (em turco), o livro da agência PortoSul (2009) de Porto Alegre-RS nos conta que suas origens remontam à Idade do Bronze. A cidade ficava na colina de Hissarlik  e parecia uma imensa cebola, que era preciso desfolhar camada por camada. Cada era uma Troya diferente, com sucessivas civilizações, povos e cidades. Depois de averiguações sucessivas por Carl W. Blegen ficou confirmada a existência de nove níveis de urbanização de Troya. A cidade foi descoberta pelo alemão Heinrich Schliemann, motivado desde a infância pelas histórias de Homero. Ele foi caixeiro, náufrago, comerciante, aprendeu 14 idiomas e graças ao seu trabalho e sorte tornou-se muito rico e pode seguir seu sonho. Em 1868 iniciou sua busca e em 1871 encontrou a cidade, que infelizmente, por sua inexperiência em arqueologia, destruiu muitos vestígios. O sítio é coberto por escombros e restos de muralhas. No local foi construída uma réplica do que teria sido o cavalo de madeira que o astuto Ulisses, rei de Ítaca (na Grécia), mandara construir como esconderijo para seus soldados. Bom enfatizar que os reis de Esparta se uniram para guerrear Troia.

O cavalo do mito grego tinha em torno de 4 m de altura e 7 m de comprimento. Dentro dele cabiam sete soldados. Está localizado no sítio arqueológico de Troia em Çanakkale, na planície dos Dardanelos na costa noroeste da Turquia (Wikipédia).

Nosso guia Ali nos reporta que a riqueza descoberta em Troia está no museu Hermitage em St. Petersburgo na Rússia e em Atenas na Grécia, dizem que Heinrich “roubou” tudo. Só pelos idos de 1870 e 1880 foi que os turcos souberam o que era arqueologia. No passado o Império Otomano não conservava o que tinha. Que pena! Quanta riqueza! Em 1910 fizeram uma lei proibindo remover objetos (arqueológicos, históricos) do país e em 1999 saiu a lei em que obriga a devolução.

Andar pela passarela de madeira no sítio arqueológico é uma aula de história preciosa. Vemos os vestígios da cidade pequena, todavia importante, e das muralhas, tudo bem conservado. As placas explicativas em inglês ajudam muito. Havia templo e teatro para pequenos concertos, vemos as flechas da época no pequeno museu, além da réplica do cavalo de madeira, por sinal usado no filme Troia do diretor Wolfgang Peterson. Ter visto esquilos no local foi um prazer. Fiquei fascinada, vale a pena. Pensem em uma cidade que foi destruída nove vezes e reconstruída também nove vezes.

O site superabril.com.br nos conta que até o séc. XIX se achava que a cidade era ficção. Troia I, II e III, IV e V parecem ter abrigado prósperos comerciantes que se aproveitavam da ótima localização (de 2900 a. C. a 1870 a. C.). Troia VI, de 1870 a. C. a 1600 a. C., teria sido destruída por um terremoto. Troia VII, de 1250 a. C. a 1020 a. C., aparenta ser a da Ilíada, pois foram achados sinais de conflitos militares. Nas escavações encontraram rastros que batem com a suposta guerra com os gregos que teriam queimado a cidade após invadi-la. Construções com marcas de incêndio e ossadas humanas com pistas de morte violenta e vestígios de flechas estavam lá. Troia VIII, de 700 a. C. a 400 a. C., foi reocupada por colonos gregos, e Troia IX, de 85 a. C. a 400 d. C., era uma cidade romana cujos habitantes já vendiam suvenires do cavalo de Troia.

Nossa continuação será no Estreito de Dardanelos em Çanakkale. Enfim, nosso último artigo sobre a fenomenal e histórica Turquia.

 

 

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