Angélica Ellery Barreira Furtado
O nome “angélica” se origina de uma flor singela, o significado do nome é harmonia, paz e união, e na Bíblia, o nome diz respeito à angelical, que se assemelha aos anjos. Tudo isso combina com a vó “Jeca”, como era chamada por algumas netas. Para a família, era Lequinha, Teté ou Letinha.
Filha de Ignácio Barreira e Cora Ellery. Ao casar com Antônio Furtado, aos 19 anos, em 1928, manteve o nome da família Ellery Barreira. Sem dúvida, algo moderno para a época.
Teve 10 irmãos e irmãs: Eduardo, Naci, Eduíno, Adalberto, Juarez, Margarida, Violeta, Iridéa, Zé Lito e Cora. Minha avó se dava bem com a irmandade (como diz meu pai Jair). Eram unidos.
Ainda jovem foi interna no colégio Imaculada Conceição. Lá estudava francês com as freiras oriundas da França. Mesmo quando saiu do internato, continuou com aulas particulares de francês e português. A razão de ter saído foi porque sua mãe falecera, então foi morar com sua tia Noca, irmã da mãe Cora e futura madrasta.
A vó “lembrada” era uma artista, sua alma era sensível. Pintava quadros, porcelana, louça; costurava roupas na máquina cantando; tocava piano e tinha aulas no instrumento. Dava conta da casa, cozinhava, reunia a família para a sopa dos domingos à noite, as noras e filhas levavam algo para o jantar, segundo minha mãe Sirley. A porta de entrada da casa estava sempre aberta com a mesa posta para um cafezinho com biscoitos.
Ela e meu avô Antônio casaram em Fortaleza-Ceará e logo se mudaram para Baturité-Ceará. Moraram depois em Fortaleza novamente, em Caicó-Rio Grande do Norte e em Fortaleza de novo. Com o vô já aposentado, rumaram ao Rio de Janeiro para que o filho Eudes fizesse um tratamento. Dois anos e pouco depois retornaram a Fortaleza, sendo que a filha Thaïs ficou no Rio cursando psicologia na universidade.
Tiveram 13 filhos: Sara, Ruth, Ciro, Jair, Mauro, Jorge, José, Dimas, Thaïs, Eudes, Auta, Celso e Gildo. Da lista, a Thaïs, o Eudes e o Celso já faleceram. São muitas histórias de sacrifício, dificuldades, amor e companheirismo.
A vó era conhecida por ter um lar acolhedor, ser hospitaleira, discreta, humana e calma. Ela e o vô recebiam bem as pessoas, exalavam calor humano. Ela serena e plácida, o vô preocupado e afobado, um casal que se complementava. Ambos católicos e piedosos. A vó aplicava injeções em pessoas doentes. Transmitiram valores aos descendentes como ética, honestidade, generosidade e gentileza.
Eis a vó Angélica, querida e amiga de familiares, amigos (as) e vizinhos (as). Vaidosa, faceira, gostava de estar em casa arrumada e na cozinha sempre cheirosa. O batom na boca era sua marca registrada. Era uma Ellery Barreira legítima com as feições do seu rosto, cabelos loiros e olhos azuis. Um ser humano admirável.
Nota da autora: este artigo foi escrito por mim com a colaboração de várias mãos, obrigada a quem contribuiu. Foi lido no segundo almoço da família Ellery Barreira no Clube Ideal em Fortaleza-Ceará no dia 07 de janeiro de 2023.

Bonita homenagem.
Sr. Eduíno era pai do nosso amigo Ignácio Barreira – que também teve muitos filhos e a casa sempre aberta para os amigos. – Albert e Ignacio até hoje perpetuam uma grande amizade de infância!
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Querida Márcia,
Notícia mais empolgante essa da amizade de vocês. Pois é primo do meu pai, mundo pequeno, né? Aliás, onde vamos há parentes do meu pai. Isso dá um sentido de pertencimento fantástico. Obrigada pelo seu relato, minha amiga. Grande abraço!
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