Turquia – Hierápolis e Pamukkale

Turquia – Hierápolis e Pamukkale

Continuamos no dia 24 de outubro de 2019. Nós passeamos pela manhã por Pamukkale e Hierápolis, uma ao lado da outra. Ambas pertencem à cidade de Denizli.

De acordo com o blog qualviagem.com.br, o complexo Pamukkale reúne as famosas piscinas naturais petrificadas do chamado “Castelo de Algodão” e um outro conjunto de piscinas de águas termais que descem em cascatas em Hierápolis. O blog flickr.com menciona a existência da antiga piscina romana, a mais famosa, tendo sido mandada construir por Cleópatra (69 a. C. a 30 a. C.) em Hierápolis, onde supostamente se banhava. Eis a piscina da Cleópatra. Dentro da água estão colunas das ruínas romanas do Templo de Apollo que caiu durante um terremoto no ano de 7 d. C. A temperatura da água é de 36 ° C.

“Polis” significa “cidade” em grego. O nosso guia Ali comentou ter sido a cidade greco-romana erigida em 3 a. C. (a Wikipédia cita a data de 2 a. C.), na região clássica da Frígia. Os frígios viviam naquela região e eram aliados dos troianos.

A Wikipédia esclarece que viveu nesta localidade Papias, discípulo de São João, e Epíteto, filósofo estoico. Entre outros monumentos encontrados está o túmulo de São Felipe, construído no séc. V, segundo um complexo plano da época bizantina (quarto octogonal, formando uma cruz dupla, rodeado por uma praça), o Teatro Romano e as fontes termais que atraem milhares de doentes. A cidade foi, em conjunto com Pamukkale, declarada Patrimônio Mundial da UNESCO.

O cemitério do mundo grego se situava neste local e se chamava Necrópolis, ou seja, a cidade dos mortos. Acrópolis era a cidade dos vivos. O período era o helenístico. A cidade antiga era cercada por muralhas que não existem mais, somente as pedras. O teatro era na avenida principal e cabiam 25 mil pessoas. Só 10% foram escavados até hoje. À época tinha 60, 70 mil habitantes. Havia banhos romanos, basílica bizantina, ginásio, latrinas, portão frontinus da avenida principal dita Frontinus, ágora (onde faziam as eleições políticas) e travertinos (tipo de rocha) de Pamukkale onde se localizavam as montanhas de calcário.

Os romanos, macedônios, turcos da mesma forma estiveram em Hierápolis. Os gregos que habitavam no local até 1923 foram embora para Denizli, por causa dos terremotos.

A Fortaleza de Hierápolis era da Idade Média, conforme o guia Ali. Embaixo, o vale e em cima, Pamukkale. O local é um sítio arqueológico e museu esplendoroso com passarelas de madeira e pedra, rodeado de árvores, plantas e muita água. Debaixo da passarela de madeira veem-se canaletas por onde a água passa. São inúmeras ruínas. Tudo muito bem cuidado e organizado. Gostei de ver banheiros (de madeira combinando com as passarelas) pelo caminho. Andamos muito.

Visitamos o museu dentro da estação arqueológica com suas seções de sarcófagos e estátuas, pequenos achados e achados do teatro.

Hierápolis, conforme o livro PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), conhecida como “Cidade das Águas” ou “Cidade dos Deuses” era muito grande e importante, devido ao poder curativo de suas águas. Reza a tradição que a cidade foi fundada pelo rei de Pérgamo: Eumene II. A partir do séc. II a. C. teria passado aos romanos em virtude de um testamento deixado por Atalo III (170 a. C a 133 a. C.; filho de Eumene II e último rei da dinastia Atálida). No ano 17 d. C. um terremoto a destruiu, mas foi reconstruída. São Felipe cristianizou a região, mas foi martirizado em 80 d. C. Da cidade restou o Teatro Romano que podia abrigar 25 mil espectadores, parabolicamente escavado na montanha; ruínas de um Templo de Apolo e ruínas da Necrópole.

A Wikipédia nos conta que a cidade desmoronou após um terremoto durante o reinado de Tibério (imperador romano) no ano 17. A cidade foi reconstruída e teve transformações significativas nos séculos II e III d. C. que a fizeram perder todo o seu antigo caráter helenístico para se tornar uma típica cidade romana. Nesse período, tornou-se um importante centro de descanso de verão para os nobres de todo o império que iam à cidade, atraídos pelas águas termais. Mais tarde sob o domínio bizantino, caiu nas mãos dos seljúcidas em 1210. Foi completamente destruída por um terremoto em 1354.

Turquia rica, repleta de lugares impressionantes. Uma manhã foi muito pouco para tantas atrações nos dois lugares imensos. Vi umas fotos bem lindas em viajandodenovo.blogspot.com. Vale a pena conferir.

Em breve Éfeso para conhecer a casa da Virgem Maria e as ruínas históricas da cidade.

 

 

 

Turquia – Pamukkale e Hierápolis

Turquia – Pamukkale e Hierápolis

Hoje é dia 23 de outubro de 2019 e chegamos a Denizli para jantar. Estamos no hotel Doga Thermal Health & Spa, o melhor até aqui. Pena que só dormiremos uma noite. O hotel é bonito, confortável e com piscinas termais no primeiro andar para o uso dos hóspedes dentro do espaço interno. Incrível. As do exterior não podiam ser utilizadas no momento. Muitos companheiros de viagem colocaram suas roupas de banho, pegaram seus roupões depois da ceia e foram se deleitar nas águas de diferentes temperaturas, o Carlos, inclusive. Eu mesma tive preguiça, fiquei só na vontade, pois o cansaço de tantas horas no ônibus venceu.

Acrescentando algo sobre o hotel. O jantar buffet foi excelente e o quarto enorme tinha quarto suíte, antessala, sauna e muita beleza. Uau! Não queria sair do paraíso.

Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), a cidade onde nos hospedamos, chamada Denizli, está aninhada na encosta de montanhas perto do rio Büyük Menderes (nome turco) de um lado e um vale verdejante de outro. Sobre sua planície fértil passaram diversas civilizações: hititas, persas, macedônios, romanos, bizantinos e otomanos. Denizli hoje é uma moderna cidade, a maior da província com o mesmo nome.

O rio citado acima é chamado também de Menderes ou Meandro em português. Pamukkale pertence a Denizli, cidade fundada pelos turcos no séc. XII. A Wikipédia acrescenta ser sua localização a sudoeste do país e fazer parte da região do Egeu. Tem uns 600 mil habitantes. No vale do Meandro, onde se situa a cidade, são cultivadas figueiras, uvas, romãs, algodão e oliveiras.

Dia 24 de outubro de 2019. Acordamos bem cedo às 5h30, às 7h15 já estávamos na saída do hotel. Vamos conhecer Hierápolis, a cidade santa, e Pamukkale que em turco significa “Castelo de Algodão”, uma ao lado da outra. Interessante mencionar que nesse local também ocorrem passeios de balão concorridos. É o segundo lugar de balonismo na Turquia, além de parapente.

DSCN3316
Balonismo em Pamukkale-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Pamukkale é uma obra da natureza constituída por várias nascentes de águas quentes e calcárias cujos sedimentos formaram piscinas naturais. Eram usadas para curar reumatismo e outras doenças.

Como a Turquia se situa em cima de duas falhas sísmicas, já houve terremoto na cidade romana de Hierápolis. Destruiu muito e a cidade foi reconstruída. O site flickr.com nos conta que em XVII d. C., no reinado de Tibério (imperador romano), a cidade foi destruída por terremotos e arruinada novamente na época de Nero em 60 d. C. Só lembrando que o último episódio do país foi em 26 de setembro de 2019, com epicentro no mar de Mármara, a 70 km a oeste de Istambul (5.7 na escala Richter).

A respeito de Pamukkale, o livro da agência Porto Sul (2009) diz que as águas termais ricas em minerais, principalmente óxido de cálcio criaram uma série de terraços que se precipitam em cascatas, formando maravilhosas minerações que assumem o aspecto de estalactites. Seriam dezessete, as fontes subterrâneas que chegam à superfície entre 60°C e 100°C, e suas águas estão indicadas para tratamento de doenças nervosas e cardíacas. Devido ao crescente e indiscriminado uso da água pelos hotéis, o governo estabeleceu normas para o seu aproveitamento. O local, com suas águas termais, era usado como centro terapêutico, repouso e banhos termais pelos romanos.

Pamukkale é impressionante de tão belo. O azul das piscinas é de uma cor inigualável. E as piscinas naturais em que só molhamos os pés são um cartão postal. É proibido pisar perto. O clima estava quente: 24°C. Os ditos “vestígios da civilização” são Patrimônio Cultural da UNESCO. Não pode ter mais hotéis dentro dos vestígios. A água sai da nascente a 32°, 37°, 39°C. O óxido de carbono vaporiza e molha o calcário, assim formando as piscinas. Como algodão em turco é pamuk, as formas lembram as flores de algodão. Os balões vistos no horizonte formam uma paisagem bela. Senti não ter tempo para andar de balão de novo.

Pessoas molhando os pés em Pamukkale
Pessoas molhando os pés em Pamukkale-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

De acordo com o blog qualviagem.com.br, há gente por todo o lado, segurando os sapatos e molhando os pés em piscinas naturais que descem em cascata numa colina de 160 m. As manchas brancas (na paisagem) que vemos parecem montanhas de neve. No topo das piscinas, encontra-se Hierápolis. Em breve visitaremos as suas ruínas.

Turquia – Konya

Turquia – Konya

Hoje é dia 23 de outubro de 2019. De Avanos até Pamukkale são 670 km de estrada. Chegamos a Konya, capital do Sultanato turco no passado, dita cidade devota e a mais praticante do islã hoje em dia. Antes dos turcos conquistarem a região, era cristã e se nomeava Iconium (do latim). Santa Tecla e São Nicolau são originários da Turquia. Nos séculos IV e V d. C. os cristãos saíram das catacumbas e fizeram imagens nas inúmeras igrejas da localidade.

A Wikipédia esclarece que Santa Tecla é a padroeira dos agonizantes. Foi uma virgem proveniente de família rica e influente de Icônio que não quis casar e, sim, seguir o apóstolo Paulo. É considerada “protomártir” entre as mulheres, ou seja, a primeira mártir do país, e também “igual aos apóstolos”. Já o site pt.aleteia.org nos informa que São Nicolau inspirou o surgimento do bom velhinho Papai Noel. Nasceu em Patara (atual Turquia) em 270 d. C., era de família abastada, recebeu uma grande herança que distribuiu com os necessitados. É o mesmo São Nicolau de Bari ou Mira e é padroeiro da Rússia, Grécia e Turquia natal.

Dervixes rodopiantes2
Derviches giróvagos na Capadócia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Um dervixe místico, filósofo e religioso, islâmico fundador da Ordem Mevlevi, chamado Mevlana, chegou a Konya no séc. XIII. Conhece o Islã e prega o amor de maneira diferente. Não precisa buscar Alá na mesquita, pode-se dançar e tocar instrumento para chegar ao Nirvana. Aí as almas desaparecem no amor de Alá. Tratam-se dos dervixes rodopiantes ou giróvagos que não seguem as regras dos sunitas nem dos xiitas. As mulheres não participam das orações em forma de danças.

A cidade, muçulmana por excelência, com muitas mesquitas, hospeda o túmulo/mausoléu de Jalal ad-Din Muhammed Rumi, isto é, Mevlana, o fundador da ordem dos dervixes rodopiantes, além de sua família. Data do séc. XIII. Ele nasceu em 30 de setembro de 1207 na cidade de Baji na Ásia Central (atual Afeganistão) e faleceu em Konya em 1273.  O local usado por ele vira um convento. Em 1927 o monastério dervixe se transforma em museu dos Dervixes, onde foi erguida uma pequena mesquita pelo sultão e califa do islã Suleyman, o Magnífico (Solimão I que reinou de 1520 a 1566 quando morreu). Lembrando que as mulheres rezam separadas dos homens. Para o turista entrar, tiramos os sapatos e utilizamos sacos plásticos como galochas. As mulheres não precisam de véus. A cor dos muçulmanos é verde.

O museu com objetos do líder dos dervixes é bonito e possui uma caixa sagrada “com um fio de barba de Maomé”. Havia dois imãs (guias espirituais do islamismo) em visita ao museu, muito fotografados e reverenciados. Estivemos na sala dos dervixes, salas com rosários (99 vezes dizendo Alá) e salas com instrumentos sufi para fazer os seres humanos conscientes da sua dependência de Deus (Alá). Digno de nota mencionar que o lugar é importantíssimo para os muçulmanos. Guarda o Mathnawi, seis livros que ensinam a filosofia da união espiritual e do amor universal do poeta Rumi ou Mevlana. Estamos no museu mais visitado da Turquia, segundo o blog TRT Português. Duas universitárias turcas vieram conversar comigo e com o Carlos. Queriam saber de onde éramos, e se comunicaram em inglês bem. Umas gracinhas.

Ainda estamos na Anatólia Central. A cidade é graciosa, plana, limpa, linda, aberta, com flores nos postes de iluminação. O país é um brinco. A construção civil está em efervescência. E mais: as calçadas são bem cuidadas, com canteiros centrais com rosas e canaletas de irrigação. Fiquei encantada. Tem comércio, shopping center, o catador de reciclável anda de moto com o reciclado atrás. Vi o transporte: tram (tipo de trem urbano moderno), casas de muros baixos e prédios baixos.

Era capital do Império Romano em 1230 antes dos otomanos. Hoje tem uma única igreja católica: São Paulo.  Atualmente é a sexta ou sétima cidade da Turquia.

Em Cônia (em português) há fábrica de sapatos de pele de ovelha e confecção de casacos. O couro da Turquia tem como concorrente a Itália. O país tem as fábricas Lacoste e Burberry. Da região se exporta mármore para o mundo todo; cerejas para a Grã-Bretanha e papoulas para produzir morfina sob controle do estado, além de rosas que viram perfumes e sabonetes.

Saímos na estrada onde o nosso guia comprou simit: um caldo de uva com gergelim e massa de pão, um tipo de rosca grande a fim de enganar o estômago. Vendem na estrada com chá turco. Os carros ficam parados esperando.

Em Akşehir paramos no restaurante Özkan, espaçoso o suficiente para muita gente. Comemos salada ou canja de entrada, almoço principal de churrasco a lá turca, sobremesa de maçã ou bolinho de nozes ou pudim de arroz.

DSCN3307
Romã- fruta nacional da Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Outra parada técnica em Dinar, onde havia uma cafeteria e loja, aliás, fantástica. Inaugurada recentemente. Vi maravilhas de sabonetes, sapatos, lenços, almofadas e cremes, paraíso das mulheres. Comprei um creme hidratante de azeite de oliva por 48 liras. Em toda parada há venda de sucos de romã, fruta nacional. Delícia!

Estamos rumo a Pamukkhale por uma estrada vicinal, o interior encanta. São plantações e tratores no campo e montanhas de mármore do lado esquerdo. Enfim, saímos da Anatólia Central rumo ao mar Egeu. A terra é mais fértil e rica. Estamos na região do algodão, já que pamuk significa algodão e khale castelo.

Em breve visitaremos o Castelo de Algodão, outra preciosidade da Turquia.

 

 

 

 

Turquia – um caravançarai em Aksaray

Turquia – um caravançarai em Aksaray

Hoje é dia 23 de outubro de 2019. Acordamos às 5h da manhã e sairemos do hotel Suhan Capadócia em Avanos às 6h30 de ônibus. Do hotel poderiam melhorar a segurança: a banheira era muito alta e sem suporte para idosos, bem perigoso, na verdade. Detalhe: dureza acordar tão cedo, no dia anterior foi às 4h. Ufa! Excursão é prático, mas muito corrido.

Em uma hora e meia, a 80 km de Avanos, chegaremos a Aksaray e depois Konya. Mas antes falarei sobre as cidades de Avanos e Nevşehir. Avanos possui uns 15 mil habitantes e pertence à Nevşehir. Somente conta com uma prefeitura; já Nevşehir é maior, tem governador escolhido pelo governo da Turquia e prefeitura eleita pelo povo.

As cidades em geral são limpas e ajeitadas com flores nos canteiros centrais. Não faltam mesquitas, prédios e edifícios. Interessante que os prédios têm espaço entre si. As localidades são espraiadas e agradáveis. Falando em mesquitas, no mundo sunita se reza cinco vezes ao dia, enquanto os xiitas rezam três vezes ao dia, depende muito da interpretação de cada um, segundo o nosso guia Ali. Nem vemos pobreza nem ostentação, dá gosto não ver um papel no chão. No campo testemunhamos casinhas com pomares e grandes descampados.

No caminho até Aksaray vimos duas grandes usinas de energia solar. Entre cidades grandes há ferrovias, porém no restante das cidades só ônibus e carros para transporte.

20200420_203452
Tíquete de entrada do caravançarai Sultanhani-foto tirada por Mônica D. Furtado

Em Aksaray há fábrica de açúcar. Continuamos na Anatólia Central. Vamos visitar um hotel do séc. XII, XIII e XIV, um caravançarai pertencente ao Sultanato turco para a hospedagem aos mercadores da Rota da Seda. Lembrando que os turcos tomaram Constantinopla/Istambul em 1453, logo essa espécie de estalagem é histórica e turística.

Lá conhecemos o caravançarai Sultanhani, fortificação imponente utilizada para proteção e abrigo dos comerciantes e viajantes. No local os muçulmanos rezavam sem o imã (guia espiritual). O lugar é enorme, tem quartos para os passageiros, banheiros a lá turca, e abrigos para os animais. Depois do pôr do sol não se entrava mais; no verão as pessoas dormiam somente de um lado, por conta do calor; não havia sistema de aquecimento, logo as pessoas dormiam no inverno em cima dos animais para se aquecer. Os quartos tinham caixas para guardar dinheiro a fim de evitar os roubos, todavia os ladrões eram punidos.

Está escrito em uma placa no local: situado na rodovia Konya-Aksaray, Sultanhani é o maior e melhor caravançarai dos seljuks. Foi construído por Allattin Keykubat 1 em 1229. Depois de um incêndio, foi restaurado e aumentado em 1278 pelo governador Siracettin El Hasan durante o reinado de Giyasettin Keyhüsrev. Após o acréscimo, se transformou no maior caravançarai da Turquia. Outro detalhe: existe uma pequena mesquita erigida como um kiosk mescit (uma pequena mesquita cúbica) sobre quatro arcos no meio do pátio aberto. O arquiteto foi Muhammed Bin Havlan El Dimaski. Ao redor do pátio aberto há salas e quartos, como cozinha sala de jantar, WC e banheiros, sala de estar e quartos de dormir utilizados pelos hóspedes.

De acordo com a Wikipédia, caravançarai significa “palácio ou edifício com pátios internos” e designava um tipo de estabelecimento do tipo hoteleiro (pousada ou estalagem) que se encontrava, sobretudo, no Oriente Médio, Ásia Central e norte da África, mas também um pouco por todo o Mediterrâneo ou China, que se dedicava a mercadores viajantes. Geralmente também tinha função de armazém ou entreposto comercial e situava-se à beira de estradas, embora existisse em áreas comerciais das cidades, sendo usual que nestes locais fossem mercados.

Quanto à arquitetura, a mesma fonte diz que era um edifício ou recinto de planta quadrada ou retangular, com muros em toda a volta, com um único portão de acesso, suficientemente longo para permitir a passagem de animais muito carregados como camelos. O pátio central era quase a céu aberto e era rodeado de divisões idênticas que tinham aposentos para acomodar os mercadores e os seus servos, animais e mercadorias.

Na região há plantações de trigo, açúcar, beterraba e trevo. Há sistema de irrigação na planície.

Aproveito este artigo para saudar os companheiros de viagem Nelcelina e Régis, e Sônia e Maurício. Agradeço à dra. Marli Palhano, que muito ajudou a todos nós da excursão. Também saúdo as filhas dela Fernanda e Renata, muito queridas. A mudança de clima e alimentos sempre provocam uns problemas de saúde e a dra. Marli foi sensacional com todos. Afinal, foram onze dias de viagem. Obrigada!

Prosseguiremos com Konya, a cidade mais muçulmana da Turquia.

Turquia – Capadócia – Cidade Subterrânea e os Dervixes Rodopiantes

Turquia – Capadócia – Cidade Subterrânea

Hoje é dia 22 de outubro de 2019. Saímos da loja de tapetes e fomos almoçar. O restaurante se chama Hanedan, localizado em Avanos/Nevşehir. São treze salas diferentes, cada uma decorada individualmente com o ambiente de um caravançarai e com a tradição da cozinha turca. Cabem 800 pessoas e serve almoço e jantar.

Caravançarai significa “palácio das caravanas”. O lugar é fabuloso, histórico e hoje pelo país estão sendo restaurados, afinal pertenciam ao Sultanato turco (século XII, XIII e XIV). São utilizados também como locais para as danças dos Dervixes (ou derviches) Rodopiantes ou Giróvagos (seguidores do islamismo sufista: uma seita místico-religiosa).

Tais palácios estavam ligados à rota da seda do passado longínquo que ia da Turquia até Viena. Os comerciantes da época andavam de cavalos e camelos e o percurso era de 100 km por dia. A cada 35 km paravam para descansar em um caravançarai. Lá tinham hospedagem e trocavam mercadorias. Os animais que iam junto aos homens eram um burro e 30 camelos. O inteligente burro sabia a localização de pântanos e onde encontrar água. Os homens ficavam no local por três dias de graça, no quarto pagavam. Simplicidade, eis o que tinham.

Após o almoço muito bom, rumamos à Cidade Subterrânea dos séculos IV ou VI d. C. Trata-se de um museu que mostra uma cidade troglodita, ou seja, escavada na rocha. Servia de abrigo às populações, por exemplo, os cristãos, quando de ataques de inimigos. As casas de cima tinham buraco para as de baixo. A gruta escavada na montanha descia 40, 50, 60 m abaixo da terra. À época era fácil escavar, não havia planejamento.

Tinham refeitórios, igrejas, estábulos, casas, lugar para fazer vinho (pisando uvas, guardadas no tonel de pedra), com portas de rochas ou saídas pelo teto com diferentes níveis. Passamos pelas passagens subterrâneas baixas e estreitas, ainda bem que curtas. Muito interessante. Nesses passeios já fazem fotos e cobram por elas, estilo EUA. Digno de nota mencionar que para os turcos de então, a casa da joalheria era como se nomeava a “prisão das mulheres”. São mais de 200 cidades subterrâneas na região.

De lá fomos ao Vale Vermelho onde os tufos vulcânicos mudam de cor e formam imagens. As lojas para turistas estão em todas. Ainda fomos a uma joalheria onde conhecemos o afamado “anel do sultão”. Os vendedores eram solícitos, mas tudo muito caro. Estávamos exaustos. Isso que é chato em excursão, queríamos voltar ao hotel Suhan Capadócia, mas tivemos que esperar. Quando nos liberaram da visita, estava 15°C e chovia.

Tínhamos uma atividade noturna aguardada com expectativa pela gente. Às 18h20 passaram no hotel para nos pegar a fim de vermos o espetáculo dos dervixes rodopiantes no Saruhan (em Aktepe/Avanos/Nevşehir). A exibição da cultura da Capadócia na parede ao final do show foi fenomenal. Os dervixes dançantes rodeiam em transe por uma hora e meia. A música e a dança são hipnóticas. Eles oram rezando. Espetacular, imperdível. Desde a novela Salve Jorge da TV Globo, tinha muita vontade de vê-los pessoalmente. Amei. Detalhe: Saruhan é um caravançarai construído em 1249, com a arquitetura Seljuk. O evento é todo mágico, pena que rápido.

Dervixes na Capadócia
Dervixes rodopiantes na Capadócia-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Falando nos dervixes. As mulheres não participam. Os rodopiantes fazem danças na Capadócia, Istambul e Konya. Vestem preto e por cima branco, significa que o mundo vai descolorindo, isto é, vai tendo conhecimento. Usam turbante que é a sua pedra tumular (inscrição tumular, remete a cemitério). A mão direita aberta olha para o céu e a esquerda virada para o chão. Tudo que recebem, distribuem aos outros. Aceitam todos os religiosos, isso incomoda os sunitas e xiitas.

O fundador da República turca, general Ataturk, proibiu cultos islãs e a prática dos dervixes em 1927. Há 20 anos voltaram a praticar, embora de forma diferente.

Prosseguiremos com o caminho até Konya, a cidade mais muçulmana da Turquia.

 

 

Pensamentos meus sobre o coronavírus

Pensamentos meus sobre o coronavírus

20200406_104003
Meu jardim encantado para tranquilizar a alma-foto tirada por Mônica D. Furtado

Muito já foi dito e vou repetir o óbvio: o nosso planeta Terra andava gemendo há muito tempo por meio de incêndios florestais, tsunamis, ressacas violentas etc. até que resolveu tomar uma atitude radical e fez-se a pandemia.

Pegou-nos de surpresa e mostrou ser global, pois somos conectados no mundo. Um vírus minúsculo vindo da China se espalha na totalidade da Mãe Terra e fez-se a globalização.

A cada crise, surge uma oportunidade, diz o ditado oriental. Cada um se posiciona quanto ao isolamento social de uma forma única. Se esse momento nos atinge como depressão ou novas ideias sendo postas em prática, aí se faz a escolha. Infelizmente, não somos fortes o tempo todo. Em momentos meus de opressão, respiro e decido chegar à solução: sair desse sentimento negativo me ocupando com trabalho manual ou criativo. Nunca a ida a um supermercado ou farmácia foi tão apreciada. E ganhei meu dia.

Vamos sair dessa, sabemos e não vemos a hora. Retornar à vida boa de antes, porém não seremos mais os mesmos. Quem sai igual de uma doença grave ou de uma crise como esta? Será possível que ainda continuaremos a ferir o nosso planeta? Sujando as praias, matando os nossos “irmãos” animais aquáticos com sacos plásticos? Descartando móveis em rios? Colocando lixo na rua? Importando-nos zero com o nosso semelhante? Se nada mudar, virão novos vírus e crises. E será o nosso futuro.

A vida atual precisa de muita solidariedade, respeito, compaixão e ética, palavras necessárias para uma vida decente. Aprendi em casa com meus queridos pais. E aí está o exemplo de vida.

Aí eu pergunto: o que você fará quando tudo isso terminar? Eu? Comerei um bolo de chocolate com uma calda bem saborosa. Pense nisso. Todo dia é uma vitória se estamos nos cuidando e olhando para o próximo com amor. Rezar, orar, meditar, ficar em silêncio, se interiorizar, tudo vale.

20200406_150120
Flores para embelezar a vida-foto tirada por Mônica D. Furtado

Os mares e os rios mais limpos, o ar menos poluído, a vida mais equilibrada e simples. E se faz a Vontade de Deus: recuperar a simplicidade, a saudade do contato pessoal, a fala por um telefone, se importar com o outro. Quem sabe voltaremos a hábitos hoje antigos como escrever cartas e mandar postais, teremos mais tempo para os mais velhos e vizinhos, visitaremos os tios, agradeceremos a qualquer agrado recebido e teremos gratidão ao Divino?

E você? Como está? Espero que bem.

Dedico este artigo a quem está consciente da importância do momento presente. E a quem está na linha de frente na tarefa árdua de salvar vidas. E lutar pela sobrevivência diária. E a ser um herói anônimo, fazendo algo pelo semelhante.

 

 

 

Turquia – Capadócia – Museu e loja de tapetes em Avanos

Turquia – Capadócia – Museu e loja de tapetes em Avanos

Artesã na loja de tapetes em Avanos
Artesã no tear no museu/loja de tapetes em Avanos na Capadócia-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é dia 22 de outubro de 2019. Saímos do Vale do Göreme bastante cansados e rumamos a um museu e loja de tapetes, o Centro de Artesanato em Avanos. A manhã rendeu.

Na casa de tapetes turcos que tanto é loja como museu se aprende muito sobre a obra de arte de fabricar um tapete artesanalmente, passado de geração em geração. Explicam como se faz e negociam, também entregam em domicílio para outros países. Lembrando que o turco é tão bom comerciante como o judeu e fala português em centros de comércio. Infelizmente, ninguém da excursão comprou, por ser muito caro, embora existissem em várias opções de tamanhos, padrões, cores e preços. A tentação foi grande, posso assegurar. São belíssimos.

O tapete chamado hereke é considerado especial.  Era usado nos palácios dos sultões e hoje embelezam o Palácio de Versalhes na França, a Casa Branca nos EUA e o Vaticano. Só em ver já é um deslumbre.

O guia Kahn deu aula de conhecimento e com um português excelente. Começamos com uma artesã fabricando um tapete no tear. São quatro tipos: de lã pura; lã sobre algodão; seda (orgulho do país); e algodão puro. O tapete tem trama e nós (com dois pontos fechados). O tapete pisado tem mais valor, porque os nós são mais apertados quando pisados. A artesã turca faz com dois nós, baixa e corta com uma tesoura especial.

Segundo a Wikipédia, a área de produção de tapetes pode ser comparada com os territórios historicamente dominados pelo Império Otomano. Possui um tecido atado com fios e é produzido para uso doméstico, colocação em pisos ou paredes, venda local e também exportação. Faz parte da cultura da Turquia, os exemplos mais antigos datam do séc. XIII. O material mais tradicional é a lã natural tingida a mão. A chegada do Islã e o desenvolvimento da arte islâmica influenciaram profundamente o design dos tapetes da Anatólia.

DSCN3303
Centro de Artesanato em Avanos-Capadócia-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

O desenho é realizado em papel milimétrico: 1 m² para fazer em lã pura leva duas semanas; já o de seda leva um ano. O valor do tapete depende da mão de obra. A cor e o brilho do tapete de seda se conseguem no máximo em duas horas.

O local é uma cooperativa, são 2.500 meninas que aprendem a arte e trabalham em casa. Elas têm direito à aposentadoria e recebem 250 dólares por mês mais o bônus pela venda. Os tapetes prontos vão para a Câmara do Comércio com certificado de autenticidade.

Sobre a seda… a brasileira utilizada na localidade vem do Paraná e São Paulo. Para o nosso orgulho, é dita como a melhor do mundo. Também usam a da China e da própria Turquia, da região de Bursa (dependem das amoreiras).

O processo nos é mostrado. A larva vira lagarta, aí uma parte é morta. Cada casulo tem 1.200 a 1.400 metros de fio. Molham-se os casulos com água quente e se acham as pontas: os fios principais são molhados em água fria, esses passam por uma máquina que move os fios. As lagartas que sobram são dadas para os animais na Turquia. Porém, na China e Coreia as comem.

Ao fim do percurso, na hora da amostragem dos tipos diferentes de tapetes, oferecem chás de maçã e o turco (preto), além de vinho branco. O guia nos conta que o vinho no país não tem gosto de madeira, pois é guardado em um buraco na rocha.

Interessante mencionar que o tapete de seda não pega fogo. Diversos tipos como o de lã e algodão com bambu são vintage (desgastados), têm uns 8 anos; o de seda com bambu é elegante e lindo; e os da Capadócia têm cores fortes por conta do solo vulcânico e seco. Em muitos outros sítios do país há lojas com tapetes diferentes e de cores variadas, nem sempre artesanais. Eis um produto muito apreciado. Conforme a Wikipédia, vintage é uma corrente da moda que busca recuperar modos de vestir de períodos passados, o tapete também faz parte.

Gostei do passeio e de ter visto tapetes únicos em beleza. Somente na Turquia visitaria um museu assim.

Seguiremos nossa jornada em uma cidade subterrânea em breve.

 

Turquia – Capadócia – Vale do Göreme

Turquia – Capadócia – Vale do Göreme

Hoje é terça-feira, dia 22 de outubro de 2019. Depois do inesquecível passeio de balão, o lugar a conhecer é o histórico Vale do Göreme, conhecido como o “Vaticano da Capadócia”, que teve iniciada a sua ocupação a partir dos séc. III e IV. Foi nomeado Patrimônio Mundial da UNESCO em 1984. Há proibição de escavações, porém para tristeza dos turcos, o presidente Erdogan permitiu construir na região recentemente. Tomara que isso não ocorra.

Foto do grupo no Vale do Goreme
Foto do nosso grupo da agência Abreu na Turquia em outubro de 2019 com o guia Ali-foto comprada depois do passeio no Vale do Göreme.

Estamos no Parque Nacional Vale do Göreme e aviso aos turistas ir com roupa e sapatos apropriados para muitas andanças. O clima é bom e ensolarado no momento. Subimos e descemos tantas escadas que fiquei com pernas e joelhos doloridos. Também existem subidas íngremes no paralelepípedo. Uma boa ginástica.

O primeiro cristão a chegar à região foi São Basílio. O local é um museu ao ar livre, em inglês: Open Air Museum. São 365 igrejas pequenas com muitas imagens. Até o século VIII eram 843 imagens religiosas. Entre 725 e 842 d. C. ocorreu o período iconoclasta no qual a decoração dos santuários era mínima. A oficialização dos cristãos ocorreu em 380 d. C., isto é, o Cristianismo Niceno (relativo à cidade de Niceia na Antiguidade, hoje Iznik na Turquia) foi dito como Igreja estatal do Império Romano pelo imperador Teodósio I.

Encontram-se na localidade mosteiros, igrejas e túneis subterrâneos entre vales distantes entre si uns 400 m, utilizados por homens e mulheres da época em que os cristãos se escondiam para rezar e se manter unidos perante as perseguições. Eram as catacumbas. Com o Tratado de Lausanne (ao final da Primeira Grande Guerra), e consequente transferência populacional entre Grécia e Turquia: os gregos e cristãos foram embora para a Grécia e os muçulmanos e turcos rumaram à Turquia, logo a região da Capadócia dos gregos e cristãos ficou abandonada até 1965. Com os turistas, esta formidável terra virou museu a céu aberto.

Um detalhe histórico: 5.000, 10.000 a. C. os mortos eram enterrados nas habitações. Segundo o livro da agência Porto Sul de Porto Alegre – RS (2009), a região do Göreme foi habitada desde os tempos mais antigos, mas após o séc. II foi habitada por cristãos que aproveitaram as particularidades do terreno para se esconder. As rochas se prestam para escavações e já foram usadas como depósitos, abrigos, esconderijos, igrejas e até moradias. No séc. IV a Capadócia ficou conhecida como a região de três santos: São Basílio, seu irmão São Gregório e São Gregório Nazianzeno. Devido à reforma feita por São Basílio, estabelecendo a tradição de rezar em comunidade, foram escavadas nas rochas da Capadócia mais de 600 igrejas.

A Wikipédia diz que São Basílio foi bispo de Cesareia na Capadócia e um dos mais influentes teólogos a apoiar o Credo de Niceia. Considerado Doutor da Igreja na tradição oriental e ocidental. Ele, o Santo Gregório de Nissa e o Santo Gregório de Nazianzo são os Padres Capadócios.  A mesma fonte esclarece ser o credo niceno-constantinopolitano uma declaração de fé cristã aceita pela Igreja Católica, Ortodoxa, ortodoxas orientais, Anglicana, Luterana e as demais protestantes históricas.

Em cima das rochas ficavam os dormitórios e os refeitórios dos religiosos. Os buracos escavados nos rochedos (cavernas) serviam de lares. Eram verdadeiras casas com mesas esculpidas na rocha para 40 pessoas, cozinhas com fornos ainda usados em casas de vila locais, uma adega cavada no chão, empregada para esmagar as uvas, enfim algo impressionante.  Adentrar esses recintos tão antigos e históricos é uma bênção, uma aula de cultura.

As igrejas foram escavadas em tufo vulcânico, pedra da região. As igrejas são várias, todas com imagens nas paredes: São Basílio, Santa Bárbara, da Maçã, da Serpente, das Sandálias, (Cristo) Pantocrator (de origem grega, essa palavra significa: “Todo Poderoso”, é o mais antigo ícone conhecido de Cristo; a igreja é protegida por grades e com uma boa subida) e Karanlik (a igreja Escura). Essa cobram 18 liras turcas para entrar e é a mais bonita. Recebe pouca luz da janela no nártex (átrio ou vestíbulo que precedia as basílicas cristãs em http://www.infopedia.pt). A entrada é pelo norte através de um túnel de enrolamento que abre para um nártex abobadado. As imagens estão bem visíveis e ainda intactas: Cristo, Natividade, Batismo, Traição de Judas etc. Apareceu na novela Salve Jorge da Rede Globo. Bela! Emocionante. Vale demais. Como era árduo chegar lá, pessoas da excursão não foram. Uma pena. Data do fim do séc. XI.

De acordo com o blog viajoteca.com, quase todas as pinturas estão com os seus rostos destruídos. Isto porque no séc. VIII o imperador bizantino Leão III aderiu à iconoclastia, corrente religiosa que proíbe o culto a imagens, e mandou vandalizar tudo. Outros dizem que quase todos os olhos das figuras pintadas foram removidos por moradores supersticiosos com medo de mau olhado.

Nesta região neva por três meses. E há muitas árvores de damascos.

Continuamos o dia com uma visita a uma fábrica de tapetes turcos.

 

 

Turquia – Passeio de balão inesquecível

Turquia – Capadócia – Passeio de balão inesquecível

Hoje é dia 22 de outubro de 2019. Grande dia nos aguarda, pois passearemos de balão de ar quente na Capadócia. Estamos em Avanos no hotel Suhan Capadócia. Acordamos às 5 h da madrugada, um frio de rachar. Grande parte do grupo da excursão da Abreu se interessou. Fiquei surpresa, pois havia gente de todas as idades. O pessoal muito participativo e interessado nas aventuras. Todos se divertiram. O que mais fizemos foi rir, se emocionar e tirar fotografias. Buscaram a gente no hotel em caminhonetes e fomos ao local dos voos.

Dicas: estar bem agasalhado de luvas, cachecol e vestir calças confortáveis, porque subir no balão não é fácil, é alto, precisa de escadas. Jeans, não aconselho. Entramos em um cesto de vime enorme no qual cabem umas 30 pessoas. O baloeiro nos instrui para tomar cuidado com tudo fora do cesto, não se assustar com o barulho do fogo que sai acima das nossas cabeças e não se mexer bruscamente na hora do pouso. E acrescenta que quando mandar, devemos se agachar com os joelhos dobrados e com as mãos na cabeça na descida. Detalhe: eles falam em inglês.

Estamos sem café da manhã por conta do adiantado da hora, então a empresa de balões nos espera com sucos e sanduíches. Na volta, com sidra. Pedem gorjeta e oferecem o pendrive com a filmagem por 150 liras turcas. Nós não quisemos. Porém ficamos com a foto.

A estrutura de inúmeros balões (contei uns 150), transportes e de muitos funcionários (cinco por balão na terra) é incrível. São 200 euros por pessoa, mas vale cada minuto. Aceitam-se dólares e euros por aqui. O nosso guia Ali recolheu o dinheiro antes. Disse que está sempre encarecendo. Tem bastante gente envolvida com a atividade. De cair o queixo. Importante mencionar que o passeio depende do clima. Tivemos sorte. Segundo o blog mapadesonhos.com, se tem muito vento ou pouquíssimo, ou está muito frio, o voo é cancelado. Há um órgão regulamentador que autoriza as saídas diariamente.

Foto dos balões
Foto dos balões na Capadócia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Inflam-se os balões com ventiladores super potentes e depois lufadas de ar quente com fogo para agilizar o processo, de acordo com o blog acima mencionado. O passeio é fenomenal, subimos e descemos no balão perante as formações rochosas peculiares da região. Um sentimento forte toma conta de nós em estar em tão espetacular sítio histórico turco. Imperdível. Assistimos ao nascer do sol, algo inspirador. Chegamos a 6 mil pés ou 1.829 km de altura. O horizonte fica repleto de pequenos pontos coloridos, são os outros balões a embelezar a paisagem árida, mas espetacular.

São várias as empresas que voam. A nossa escolhida pela Abreu se chama Balloon Turca. O passeio dura uma hora e meia e fizemos sem medo algum. O baloeiro é muito experiente. Aliás, o curso para controlador de balão profissional dura um ano.

De cima vemos casas típicas da Capadócia e muitas com placas solares, também observamos muitas vinhas de uvas da região. Passamos por montanhas singulares somente existentes nesta localidade. A natureza encanta.  Fica-se deslumbrado. Quando acaba o passeio, estamos em êxtase.

Recebemos o certificado de voo e a foto. Foi uma aventura de uma vida.

Interessante dizer que na região de Pamukkale (650 km da Capadócia) também se anda de balão. Na nossa excursão não teremos tempo.

Ao retornar ao hotel, tomamos café com poucas frutas e já vamos ao Vale do Göreme, que dista 750 km de Istambul. Continuaremos em breve com o “Vaticano da Capadócia”. Que Turquia mais rica de história, geografia, cultura!

 

 

Turquia – Capadócia – Vale dos Pombos e Castelo Uçhisar

Turquia – Capadócia – Vale dos Pombos e Castelo Uçhisar

Hoje é dia 21 de outubro de 2019. Viajamos de ônibus, com grandes distâncias pela Turquia. A viagem é puxada e há pouco espaço entre as cadeiras. Saímos de Ancara, passamos pelo lago Salgado e rumamos à Capadócia, região única no mundo.

DSCN3259
Capadócia e sua beleza única no mundo-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

A natureza esculpiu uma fantástica e quase sobrenatural paisagem, conhecidas como Chaminés das Fadas. Apresentam formas cônicas, pontiagudas, de sombrinhas, de setas ou de colunas. A Wikipédia as apresenta como cones de rocha vulcânica e calcária, frequentemente, coroados com um grande “chapéu”.

A terra dos vulcões possui o tufo vulcânico, pedra porosa da região. Segundo o blog viator.com/pt-BR, este tufo foi esculpido pelo vento da Capadócia e criou uma impressionante série de vales, pontilhada de imponentes chaminés de fadas e formações rochosas dramáticas.

É região antiga demais, sua fundação vem de 10.000 a. C., período do Neolítico.  São 80.000 km². Os cumes na Anatólia Central com 3 mil, 4 mil m formaram a Capadócia quando estavam em erupção. A terra é árida, a região é dita como semiárida.

A história da região tem a ver com as cidades subterrâneas construídas nas montanhas contra perseguições dos árabes, mongóis, romanos e outros. Interessante dizer que todas as igrejas na área têm a imagem de São Jorge, os primeiros cristãos estavam nesta localidade, era o cristianismo “Gálata”. Escavavam abaixo da terra para se esconder, eram grutas escavadas.

Capadócia significa “terra dos cavalos” em persa. O Vaticano da Ásia Menor era encontrado nas rochas escavadas. Em 1200 d. C. os turcos viviam bem com os cristãos até o fim da Primeira Guerra Mundial. Devido ao Tratado de Lausanne em 1923, houve a mudança da população: os cristãos deveriam sair do país e ir para a Grécia; e os turcos de lá muçulmanos vir para a Turquia. Com essa transferência populacional, a terra dos cristãos e gregos vai ser abandonada (até 1965, depois viraram museus). Hoje em dia não existem mais cristãos. Digno de nota que a população local não queria a mudança.

Falemos no amado São Jorge da Capadócia ou Jorge de Lida (hoje, Lod em Israel, onde estão suas relíquias). De acordo com a Wikipédia, Jorge nasceu em 270 ou 280 d. C. nesta região, era soldado do exército do Império Romano da época de Diocleciano. Morreu como mártir em 303 d. C. em Nicomédia (atual Ismide turca). O nosso guia Ali acrescenta que ele aceita o cristianismo e recusa-se a orar no Templo de Tibele, por isso foi exilado do exército. Conhece Teodoro que também vira santo. Andavam a cavalo na região, Jorge no seu animal branco e Teodoro no vermelho. No caminho, encontram um protesto, pois havia um dragão em uma caverna em Kayseri e por essa razão iriam sacrificar a filha do rei da Capadócia: Sabra. Jorge mata o dragão, aí o rei aceita o cristianismo. Ressalto que são várias as histórias contadas, consideradas lendas. Lembrei demais da novela global “Salve Jorge”. Este santo é venerado em muitos lugares do mundo. No Brasil é padroeiro extraoficial do Rio de Janeiro e no sincretismo religioso brasileiro e cubano é Ogum.

A Capadócia era cristã. Após a saída dos cristãos, os turcos destruíram as imagens de Nossa Senhora, mas não as de Jorge, porque acreditavam nele.

Estamos no centro da Capadócia, na Anatólia Central. Aqui se planta trigo, cevada, lentilha (vermelha e amarela), grão de bico, batatas, abóbora para os animais e sementes de girassol se tiver água.

Antes de chegar ao hotel Suhan Capadócia e ficar na cidade de Avanos, fomos conhecer o Vale dos Pombos, perto do castelo Uçhisar. Lugar inigualável.

Eu no Vale dos Pombos-Capadócia
Eu com o Vale dos Pombos atrás-Capadócia-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado

O blog siamoarrivati.wordpress.com esclarece que o nome do vale deve-se à enorme quantidade de pombais esculpidos ao longo do vale. Os pombos eram utilizados como fonte de alimento. Ainda usam as fezes deles para fertilizar a terra. Vemos buracos de moradas nas rochas ao longe. Como há lojas de sementes, incrível.

O blog brasileirosporai.com adiciona que o Vale dos Pombos é repleto de pequenas casinhas escavadas nos paredões de rocha e ainda é frequentado por estas aves que hoje existem em menor número na região. O pombo foi o animal mais importante para os antigos habitantes da Capadócia. O excremento da ave também era usado como selante nos afrescos encontrados nas igrejas rupestres. À beira do vale está a mais bela árvore de olhos turcos da Capadócia.

A Wikipédia menciona que Uçhisar significa “três fortalezas” em turco. Fica no vilarejo de Uçhisar, pertencente ao distrito de Nevşehir. O castelo serviu de fortaleza e refúgio no passado e que, com seus 1.300 m de altitude, é o ponto mais alto da Capadócia. Foi usado como abrigo na época hitita (cerca de 1.500 a. C.) e posteriormente pelos primeiros cristãos durante o período romano e pelos bizantinos durante as incursões árabes dos sécs. VII e VIII e durante as primeiras invasões turcas. A fortaleza é um autêntico labirinto que inclui capelas, mosteiros, habitações, refeitórios, armazéns e salas comuns, ligados entre si por uma rede de galerias empilhadas em vinte andares. O castelo Uçhisar se situa em uma aldeia troglodita, ou seja, primitiva.

No hotel o jantar foi em estilo buffet: um mundo de comidas com uma multidão de chineses.

Continuaremos com a Capadócia em breve.