Argentina – Salta – Los Cerrillos – Quebrada del Rio de las Conchas

Argentina – Salta – Los Cerrillos –  Quebrada del Rio de las Conchas

Hoje é sexta, dia 22 de outubro de 2018. Pegamos a excursão que vai até a cidade dos vinhos: Cafayate, porém não vamos direto, passaremos por lugares bem interessantes antes. Vamos pela agência de turismo Tintikay e, juntamente com o city tour, pagamos 1290 pesos argentinos, só para lembrar. No grupo: argentinos, chilenos e nós. Achei ótimo, assim hablamos mucho.

O horário de busca foi pelas 7.30h, sem dúvida, um dia longo. O guia foi o Ramiro e o motorista o Leonardo. Iniciamos pelo município Los Cerrillos (diz-se “Cerijos”), considerado a capital do carnaval, onde ocorre a festa mais afamada da província de Salta. Em todos os domingos de fevereiro, a população se encontra na praça principal para brincar de “mela-mela”, ou seja, jogar farinha e água uns nos outros. As jovens solteiras colocam flores na orelha e os rapazes também. Segundo o guia, a taxa de natalidade é grande em novembro e nem sabem quem é o pai… Por isso, os bebês são chamados de filhos do diabo. Los Cerrillos tem igreja, praça e é tão bem apresentada.

 

A estrada (Ruta Nacional 68: sem buracos, muito boa) que vai de Salta a Cafayate tem 192 km. A região produz quantidade de tabaco (a matéria prima), alfafa (tipo de capim para o gado), milho e muito vinho. Em La Merced se planta flores. A cidade é graciosa, com flores na praça principal. Vislumbramos El Carril. Em Cel. Moldes (outro importante saltenho que lutou pela independência, cidade a 62 km de Salta), houve uma parada técnica para banheiros e café, uma vez que na zona de montanhas não há sanitários. Lá comemos amoras silvestres do pé. Uma delícia! Pertence ao departamento de La Viña.

Nesta parte de Salta chove muito, o que é positivo para as uvas. Molinos, cidade da província de Salta, tem 180 anos e lá está a família pioneira na produção de vinhos. No município de La Viña (a 88 km de Salta) se produz uvas comestíveis. A colheita de tabaco é manual. Em Cafayate, o vinho mais famoso é o Torrontés, o qual representa 80% das plantações.

Os povoados estão ao pé da montanha, quando chove, a água entra nas casas, então são construídas sobre uma plataforma. Cafayate tem arquitetura colonial e é de 1840. Já a melhor arquitetura do país está perto: em Cachi sobre as margens do rio Calchaquí.

Continuamos na estrada e passamos por Alemania. Um local no qual os primeiros habitantes eram alemães chegados ali depois da Segunda Guerra Mundial. O trem vinha de Salta, sendo a última parada lá. Usavam cavalos para o seu trabalho de comércio. Nos anos 60, a ferrovia estava em grande parte da Argentina, todavia um dia parou de funcionar, logo os alemães se mudaram para Rosário e a cidade de Alemania ficou abandonada. Quem chegou e ocupou as casas foram os hippies. Trabalham com artesanato. São 50/60 habitantes, mas na temporada de inverno cresce para 200, com os jovens que vêm para trabalhar.

Como há uma planta alucinógena na área chamada “brea”, diz o guia que os hippies escutam o som do trem e de muita gente. Afinal, a estação era bastante movimentada. E é considerada única, com arquitetura inglesa. Falando na tal planta, em Cachi existe uma curandeira na praça principal que vende a raiz de brea e ervas medicinais. Elas têm aroma forte e são boas para muitos males, aliás a brea é usada para depressão, é seca, sem folhas e tem cor verde-amarelada, por causa da clorofila.

Dado histórico: os incas e os espanhóis entraram na Argentina pela Quebrada de Humauaca em Jujuy (perto de Salta), a mais importante do país. “Quebrada” significa caminhos naturais. Também um passo estreito entre montanhas que forma uma espécie de lago, equivalente a um desfiladeiro. Estamos na Cordilheira dos Andes, formada pela Placa Tectônica Sul Americana. Por estar sempre em movimento, há tremores de terra e terremotos, como em Mendoza e San Luís. Nas montanhas são encontradas fossilizadas conchas marinhas, demonstrando que havia mar no longínquo passado.

 

As casas da região são de barro e areia para o isolamento térmico: no verão, fresco; no inverno, quente. Chove de janeiro a março. No verão o rio está cheio, mas é uma estação perigosa de vir por estas plagas, pois os arroios cruzam a estrada e quem tenta passar, pode ser arrastado e morrer. Eis o motivo de vermos muitas cruzes pelo caminho, conforme o guia.

Vê-se montanha em forma de empanada. Falando em empanada, o Ramiro nos convida a comer a típica empanada saltenha (com ovo, batata, carne, pimentão etc). Da mesma forma, montanha em formato de sapo, dita “sapo cancioneiro”, de obelisco e de janelas. Tudo é aproveitado para o turismo.

 

A região é montanhosa, contudo seca, tem arbustos que sobrevivem à pouca água. Estamos na Quebrada do Rio das Conchas, na Ruta Nacional 68.  Visitamos as duas principais atrações.

 

A Garganta do Diabo era uma cascata no passado, hoje é seca. Trata-se de uma abertura gigantesca na pedra. O local é impressionante. É proibido escalar.

 

Também vimos o Anfiteatro. Segundo o Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul (de Zizo Anis e Os Viajantes, quarta edição): “uma concha acústica natural, quase uma caverna sem teto, onde a atração é brincar com os ecos. Eventualmente, em julho, há espetáculos musicais no local”. Considerado Patrimônio Cultural da Comunidade Indígena Suri Daguita para observação e estudo da cosmovisão. Estupendo! Na rocha gigante se está a 1800 m acima do nível do mar. Há um limite para chegar perto.

 

Ali vemos alguns vendedores de artesanato e instrumentos musicais, como a ocarina. Segundo a Wikipédia: “instrumento de sopro globular feito, geralmente, de porcelana, madeira ou pedra. Pertence à família das flautas”.

 

Cerca do Anfiteatro, está o mirador com um cenário espetacular do vale lá embaixo e o cerro Tres Cruces, ou seja, em cima do monte está o monumento das Três Cruzes: Pai, Filho e Espírito Santo. O lugar é uma mistura de São Raimundo Nonato (PI) com o deserto do Atacama no Chile. Salta sempre surpreendente, nunca imaginei que fosse tão rica e exótica.

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Visual do vale abaixo da placa Tres Cruces na Quebrada de las Conchas-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

Iniciamos o dia com clima chuvoso e agradável, porém foi esquentando até os 40˚C.

As rochas pelo percurso são coloridas de diferentes nuances. Os passarinhos que moram em buracos nas rochas na Quebrada, vão pela manhã a Cafayate comer uvas. Logo, as bodegas têm maneiras de evitar isso, geralmente com sons.

Na região do deserto da Quebrada de las Conchas existem muitos tatus. O casco no passado era utilizado para fazer instrumento musical. Atualmente é de madeira. Há lhamas, iguanas, lagartixas, víboras, cobra coral e cascavel. A cobra com cabeça triangular tem veneno. O leão da montanha nomeado “puma” marca seu lugar com urina a qual tem um aroma muito forte. Há superpopulação e há de se ter cuidado, pois todos os anos pessoas morrem pelo ataque delas. O país mandou 76 para os Estados Unidos de modo a diminuir os problemas.

A erosão e água formam uma paisagem única na Terra. A gente se sente em tempos pré-hispânicos. Valeu demais ter conhecido.

Saindo da área da Quebrada, começam os vinhedos. Em breve, Cafayate.

 

 

 

Argentina – Salta – Cerro San Bernardo e Estância de Veraneio San Lorenzo

Argentina – Salta – Cerro San Bernardo e Estância de Veraneio San Lorenzo

Hoje é dia 21 de outubro de 2018 e continuamos no passeio do city tour à tarde. O guia Davi nos dá dicas sobre os locais por onde passamos. San Bernardo é 3 km e meio de Salta, tem 600 mil habitantes e se pode subir a montanha de carro, ônibus ou por funicular (estação na praça San Martin). Estamos a 300 km do Chile a oeste e a 400 km da Bolívia ao norte.

As montanhas são as mais jovens da Terra, tremem todos os dias e a cada dois anos acontece um movimento importante.

Em San Bernardo estamos a 1454 m acima do nível do mar. A água é reciclada, há mirante com plataformas, lojas de artesanato, confeitaria, dentre outros. A folha de coca se compra nos quiosques e servem para o mal estar causado pela altitude. Lembrando que tem um gosto forte e se coloca no canto da boca e não se mastiga.

O solo é hostil por aqui. As árvores perdem as folhas que adubam a terra. Vê-se o autódromo Güemes de cima. Antigamente se tirava a madeira e a terra do cerro, hoje isso é proibido. A Reserva Provincial foi criada há 70 anos para proteger a área. 300 mil anos atrás a região era um lago, segundo geólogos.

O dique Cobra Corral ao sul produz energia hídrica e lá se pratica a pesca e o rafting. Bonito ver as pedras em três níveis colocadas para proteger a rocha: gabiões, ou seja, segundo a pt.wikipédia.org, trata-se de estrutura flexível armada, drenante de grande durabilidade e resistência, são feitos com malha de fios de aço galvanizado, em dupla torção, amarrados nas extremidades e vértices por fios de diâmetro maior e preenchidos com pedras.  Encontramos pelo caminho do cerro para evitar deslizamento.

Na zona de montanha, a variação térmica vai de 38˚C de dia para 20˚C à noite nessa época. É grande amplitude térmica. Não há umidade e nem neva. Em geral a temperatura é de 16˚C.

Interessante dizer que nesta área de Salta se homenageiam com estátuas até grupos de músicos locais. Aliás, há grande produção literária e de folclore, são muitos os músicos e poetas. Os locais de música noturnos típicos para nativos e turistas são as peñas: restaurantes com música regional para dançar à noite, muitas existentes perto da antiga estação de trem e nas seções mais turísticas da cidade. Infelizmente, não fomos, estávamos sempre exaustos à noite, mas deve ser bem divertido.

Passamos por bairros diversos de Salta: o Güemes é o mais caro e o Gran Burgo, o centro cívico (administrativo). Parece a Europa com suas praças e monumentos. Vimos o Monumento da Vitória que diz respeito à segunda batalha de Salta pela independência, a primeira foi a de Tucumán.

Há jacarandás na cidade vindos da Bahia. O serviço militar não é obrigatório no país. Cruzamos  o hospital militar o qual atende o público civil também. O Batalhão de Engenharia de Montanha com sua vila militar foi novidade. A área militar é bem extensa. Mais ao norte percorremos duas universidades e tribunais. O deserto do Atacama do Chile está a oeste.

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Castelo de San Lorenzo-Salta-foto tirada de dentro da van por Mônica D. Furtado

Vamos ao município de casas de finais de semana agora. Estamos em San Lorenzo. A sede administrativa é independente de Salta. O rio com o mesmo nome está seco no momento, depende das chuvas. Tudo é muito verde e úmido. Por conta da altitude é mais frio uns 4˚C. Localiza-se a uns 15 km de Salta e tem casas grandes e bonitas, restaurantes e hotéis. O centro é tranquilo. A cidade é arborizada, linda, com moradores que vivem na paz. Digno de nota o castelo de San Lorenzo, construído por um italiano, destinado a ser restaurante na atualidade.

Os saltenhos andam a cavalo e fazem piquenique na Reserva Natural Quebrada de San Lorenzo. Lá se compra produtos da terra e artesanatos coloridos.

O guia nos informa que dia 17 de junho é feriado nacional em honra ao General Güemes, herói fundamental à independência. Era de família rica, mas mais próximo aos pobres ditos gaúchos. Os ricos ficavam enraivecidos. Na excursão os guias sempre falam da importância do General San Martin para a Argentina e Chile e mencionam Simon Bolívar para os outros países da América do Sul hispânica.

Pera, maçã, cítricos, banana e tabaco são produtos da região. Carne de lhama (livre de gordura), de gado e o couro são fundamentais para a economia. Não podemos esquecer a energia produzida. Vimos muitas residências com energia solar. A indústria não é forte.

O nome Salta significa “lindo lugar para crescer” na tribo indígena de los Saltas.

Para finalizar a tarde, visualizamos o Mercado de Artesanato que está sendo renovado há um ano. As lojas se situam do outro lado, porém ninguém quis descer, estávamos cansados. Detalhe: fora do centro as casas e lojas têm grades, isso quer dizer que o centro histórico é mais protegido.

Vale a pena fazer o city tour. O guia Davi ajudou muito pelo seu conhecimento.

Em breve iremos a Cafayate, a cidade dos vinhos.

Argentina – Salta – City Tour 1

Argentina – Salta – City Tour 1

Hoje é dia 21 de outubro de 2018. Chegamos a Salta e decidimos fazer um city tour à tarde. Custou 390 pesos por pessoa, mas como compramos com o passeio de Cafayate (região dos vinhos), pagamos 1.290 pesos individualmente. A agência foi a Tintikay do diligente Guillermo (Calle Caseros, 404). A excursão durou 4 horas e o guia Davi nos pegou no hotel Solar de La Plaza às 16 h. Éramos o Carlos, um casal inglês e eu.

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Eu no centro histórico de Salta la linda-foto tirada por carlos Alencar

Vamos começar. A cidade é repleta de casas coloniais, uma mistura da brasileira Paraty com a colombiana Cartagena. Simplesmente apaixonante. Ao leste estão a montanha San Bernardo e a oeste o lugar de veraneio San Lorenzo.

A praça 9 de Julho, a principal, está na parte mais antiga de Salta. Era uma cidade quadriculada e a dita praça era a Plaza de Armas, local de encontros religiosos, cívicos e militares. Tal espaço foi destinado por Hernando de Lerma ao fundar a cidade em 16 de abril de 1582. Hoje há coreto, engraxates (ainda existem!), o Panteão dos heróis argentinos, sendo o mais importante o General Güemes, o que lutou pela independência da região contra os espanhóis e ao seu redor 14 mulheres, representando as províncias existentes na época. Trata-se de uma praça movimentada e querida dos habitantes e turistas.

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O Bispado de Salta ao lado da Catedral com a estátua do papa viajante-foto tirada por Mônica D. Furtado

Ao redor encontra-se o Teatro Provincial; a Sinfônica (melhor da região noroeste do país); o Museu de Arte Moderna; o Banco Makro (edifício mais moderno); a Catedral rosada (reconstruída entre 1800 e 1802); o Bispado de Salta ao lado da Catedral com a estátua de João Paulo II: o Papa Viajero (viajante), o Cabildo, dentre outros. A celebração religiosa mais conhecida é do Senhor e da Virgem do Milagre.

Os incas dominaram esta região e faziam sacrifícios humanos. Foram encontradas três crianças na montanha: eram múmias do frio. Estão no Museu de Arqueologia da Alta Montanha, também localizado ao redor da praça 9 de Julho.

A segunda catedral da cidade á de São Francisco, cuja torre mede 53 m e é considerada a segunda mais alta da América do Sul. Dos anos de 1800, tem estilo barroco e um museu.  O artesanato do local lembra muito o de Cartagena: colorido, alegre e diverso. Há muitas opções para lembrancinhas. Eu endoidei! Infelizmente, meu pai ficou sem o boné característico do local. Não encontrei.

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Café del Convento em frente ao Convento San Bernardo-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

O Convento San Bernardo, do final de 1800, possui 20 carmelitas em clausura. Para comprar uma medalhinha lá, tem que falar por uma portinhola. Ali está a porta mais bonita de Salta com a madeira trabalhada.

Há um sistema de canais pela cidade a fim de não ser inundada e um aqueduto o qual leva a água para o rio. Salta tem teleférico e o acesso se encontra na praça San Martin.

San Martin, general herói, venerado no país todo, tem um monumento em sua homenagem. Olha em direção ao Chile, pois o libertou dos espanhóis. Lembrando que a independência da Argentina foi em 9 de julho de 1816. Da mesma forma existe um monumento ao Gaúcho – ao grupo que acompanhava o Gal. Güemes na luta pela independência (dos espanhóis) da região na saída de Salta.

Antes da criação da Cordilheira dos Andes, uns 500 mil anos atrás, a água do Oceano Pacífico chegava até lá. A prova foram os fósseis achados, por isso a região é um grande sítio arqueológico. Seus arqueólogos e escritores viajam o mundo compartilhando suas histórias e conhecimentos.

Contando um pouco mais sobre sua fundação, recorro ao Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul de Zizo Anis & Os Viajantes (quarta edição). Hernando de Lerma, o fundador, era um dos conquistadores espanhóis que vinham de Lima no Peru para conquistar terras e tesouros e expandir as conquistas ibéricas. Salta passou a ser um importante assentamento que supria alimentos e animais de transporte necessários nas minas da Bolívia.

Seguiremos com o cerro San Bernardo e a estância de veraneio San Lorenzo.

Zona Azul, lixo e outras coisitas mais em Fortaleza – Ceará – Brasil

Zona Azul, lixo e outras coisitas mais em Fortaleza-Ceará-Brasil

ZONA AZUL

Muita gente leu o meu primeiro artigo sobre a Zona Azul em Fortaleza. Percebi o incômodo de todos. Continuo achando que a prefeitura de Fortaleza se considera dona das ruas. Há Zona Azul em frente de padaria na rua Pereira Filgueiras – Aldeota só para dar um exemplo. Fala sério, Prefeito! O comércio está tentando sobreviver e a prefeitura pensa em cobrar dos  clientes? Isso não ajuda. Somos Davi contra Golias, já que não sai matéria no jornal ou TV ou rádio. Ninguém está chateado? Quem estiver, então, faça como eu: onde tem as tais zonas azuis não estaciono. Não dou um tostão desses para uma prefeitura que tem dinheiro para a propaganda cara na TV (com o nosso dinheiro do contribuinte), mas não tem para hospitais, limpeza de bocas de lobo e etc.

LIXO

Meu Deus do céu! Os bandidos andaram ateando fogo em carros de lixo agora em janeiro de 2019, mas e nós? Isso do lixo não é novidade. Fortaleza deve ser a capital mais suja do país. Monturos já existem aos montes. A prefeitura responsabiliza a população e vice versa. Fala sério, prefeito! Campanhas de educação como a do “sujismundo” no passado surtiram efeito. Nem educação, nem punição? As praias também deveriam contar para serem limpas. Os moradores da nossa cidade estão doentes com a virose da mosca em consequência das chuvas e sujeira. Há gente sendo picada por escorpiões que vão atrás de baratas, tudo fruto da falta de limpeza. 

PRÉ-CARNAVAL NA MOCINHA

Não tenho nada contra, desde que não entre dinheiro público e não se feche a via na rua João Cordeiro – Meireles. Ninguém consegue passar lá dia de sábado e domingo à tardinha e noite. E aí questiono: por que na Mocinha, só para exemplificar, fazem isso e não há limpeza da sujeirada pós-festa e nem fiscalização? Fala sério, prefeito!

TURISMO

Continuo a indagar: como se quer turista de qualidade se aqui em Fortaleza tem esgoto transbordando em pleno Meireles. E olha que estamos falando do bairro nobre. Imagine na periferia? O turista que vai praticar kite-surfe nas praias, não quer nem papo com a capital. E fazem bem, melhor curtir praias como Uruaú, Cumbuco, Icaraizinho de Amontada. As fotos mostradas da Ponte Metálica de Fortaleza são para enganar turista. Fala sério, governador!

ÁRVORES

Onde estão as árvores que seriam plantadas após a derrubada de várias nas avenidas Dom Luís e Santos Dumont? A cidade a cada dia perde mais sua cobertura vegetal.

MOTOS

Motoqueiros andam nas suas motos de pés descalços, não respeitam faixa de pedestre nem sinal de trânsito. Colocam a vida dos pedestres em perigo e nada é feito. Fala sério, prefeitura (AMC).

CONCLUSÃO

Escrevo para desabafar. Certa vez escrevi que o mínimo que queria de uma prefeitura seria ter uma cidade limpa. Quero obras simples por parte da gestão. Quem concordar comigo, divulgue, por favor. A Fortaleza, loira desposada pelo Sol, clama por ser amada e merece muito mais. Não tenho orgulho, só tristeza!

 

 

 

Argentina – Salta la Linda – Chegada

Argentina – Salta la Linda – Chegada

Hoje é dia 20 de outubro de 2018, sábado. Enfim, Salta! Chegamos de avião, vindos de Córdoba, pela empresa aérea Aerolíneas Argentinas. Depois de 1 h. e 20 min. aterrissamos em Salta, no noroeste da Argentina, a 1.605 km ao norte de Buenos Aires, próxima da fronteira do Chile, na altura do Deserto do Atacama a oeste e da Bolívia ao norte. Conhecida como “A Linda”, significado de seu nome “sagta” na língua indígena Aimara (:a mais linda), já começa encantando. O turismo é levado a sério, ganhamos mapas no centro de turismo do Aeroporto Internacional Martín Miguel de Güemes a 10 km do centro.

Como era tardinha, fomos ao hotel encontrado no booking.com: Solar de La Plaza. Endereço: Leguizamón, 669 – www.solardelaplaza.com.ar. Antigo e charmoso com estilo espanhol, aberto por dentro com um fosso que dá para os quartos. Um luxo! Detalhe: pagando com cartão de crédito, nos livramos do IVA de 21%. Explicando: IVA é o imposto sobre o valor agregado, ou seja, incide sobre a despesa ou consumo e tributa o valor acrescentado das transações efetuadas (Wikipédia). Muito simpático o Solar presentear-nos com balas da ARCOR ou mini-alfajores todos os dias. Sachês do café La Virginia fazem parte do pacote.

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Plaza Güemes-Salta-Província de Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

O hotel se situa em frente à praça Güemes, onde há uma feira de artesanato nos finais de semana à tardinha. Estava na hora do jantar, então ficamos ao lado. Comemos empanadas bem temperadas e suco de morango e pêssego no restaurante Pettineo. Com mais tempo, percebi que gostam de uma pimenta lá. Parece com a nossa Bahia.

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Catedral Basílica del Señor y la Virgen del Milagro com suas bandeiras em frente-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

Domingo, 21 de outubro de 2018. Depois do café da manhã robusto (eles oferecem leite desnatado!!!), decidimos explorar a área pela manhã e ficamos maravilhados em notar como o hotel era perto do centro histórico. O passeio a pé valeu, demos uma olhada na bela Catedral Basílica del Señor y la Virgen del Milagro. Em 25 de agosto de 1948, Salta voltou a ser sacudida por um forte terremoto e outra vez foi salva pela proteção do Senhor e da Virgem do Milagre. Há uma placa lá com o reconhecimento do Governo e do Povo de Salta. Também o papa João Paulo II é muito venerado, esteve na catedral em 1987.

A catedral fica em frente à praça mais central 9 de Julho. Uma delícia se sentar em um banco e admirar a boa vida dos moradores. Ao redor dela existem restaurantes, cafés, lojas de doces tentadoras, agências de turismo (muitas abertas no domingo) e lojas de artesanato. Logo de início eu gamei na cidade. Senti como se estivesse em uma cidade do interior. Salta é plana, boa para andar e desbravar suas peculiaridades. Não há nenhuma cidade como ela. As pessoas são confiantes e ainda têm a ingenuidade de um lugar não “poluído”, os cambistas trocam e contam dinheiro na calçada na frente de todo mundo. Amei. Tocou meu coração.

O Cabildo antigo, prédio onde abrigava o centro do governo da província de Salta, abriga o Museu Histórico do Norte, já o Museu MAM (Museu de Alta Arqueologia de Alta Montanha) da mesma forma jaz na praça. O centro de informações se situa na Buenos Aires. Aliás, hoje é o Dia das Mães na Argentina.

Outra igreja primorosa é a Basílica Menor de São Francisco. O Menino Jesus de Aracoeli, cuja imagem foi bendita por João Paulo II em 1996 em Roma, está lá. A cruz do teto é estilo bizantino do séc. XII de Jesus da Cruz. A basílica é simplesmente deslumbrante por dentro e por fora.

Vejo muitos visitantes europeus, a cidade é turística pela beleza colonial e pela religiosidade. São grupos e grupos de católicos da argentina toda e países vizinhos. Os brasileiros perdem bastante em não vir por estas plagas.

O clima estava nublado e chuviscando, depois passou a ser ensolarado às 11. 25 da manhã.

Descobrimos um café The Coffee Store (em grãos) com cafés do Brasil, Indonésia, Tanzânia, Quênia, Colômbia e Peru. Achei original.

Prosseguimos na caminhada e chegamos ao Convento São Bernardo desde 1941, considerado Monumento Histórico Nacional. Trata-se da mais antiga construção de Salta, do séc. XVI. No passado foi Hospital de San Andrés e Ordem do Carmelo.

Ali perto descobrimos uma agência de turismo com alguém muito solícito e agradável: Guillermo. Saudações, Guillermo! Agencia Empresa de Viajes y Turismo Tintikay na rua Caseros, 404 com Dean Funes.

A altitude é de 1.187 m, ou seja, leva um tempinho para se acostumar com a altura. A gente sente a cabeça pesada, a respiração mais difícil e uma moleza no corpo, como em Bogotá-Colômbia. Por isso, se toma chá de coca (muito bom) ou se põe folha de coca na boca e se chupa. Garanto que alivia o mal estar. Uma semana passamos lá e uma semana chupamos a folha. Experiência diferente.

Após o passeio, almoço executivo por 220 pesos no restaurante Salta Cerveza, cerca da praça 9 de Julho. Cardápio: tortinha de milho, salada verde, com merluza, cebola e tomate. Comida leve e boa.

Continuaremos com o city tour em Salta…

 

 

 

 

 

Argentina – Córdoba – Museos Emílio Caraffa e Superior de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra

Argentina – Córdoba – Museos Emílio Caraffa e Superior de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra

Hoje é dia 20 de outubro de 2018, enfim o último em Córdoba. Resolvemos aproveitar a manhã para visitar uns museus famosos na região. Portanto, pegamos um táxi no hotel Caseros 248 a fim de se dirigir ao Museu de Belas Artes. O taxista nos deixou no teatro da Cidade das Artes da Universidade Provincial por 75 pesos. Ou ele não sabia onde era o museu citado ou nos enganou. Deveríamos ter saído com tudo escrito… Era mais longe, ainda bem que o guardinha do teatro foi gentil conosco e nos indicou a localização certa. Fomos caminhando e voltando para mais perto do hotel, afinal não era distante. Passamos pela Plaza (praça) España, Plaza do Bicentenario e Plazoleta (pracinha) Ana Frank.

encarte do museu emílio caraffa
Encarte do museu Emílio Caraffa em Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Chegamos ao museu Emílio Caraffa de arte moderna. A entrada foi 50 pesos. O endereço é Av. Poeta Lugones, 411 (de terça a domingo e feriados das 10 às 20 h). Lá tem centro educativo com diversas propostas inclusivas para a escola pública, lojinha, biblioteca Deodoro Roca, e cinema gratuito às quartas às 19.30 h. com exibição de filmes de arte. Com nove salas, o museu oferecia à época exposições dos cordobeses Pablo Canedo, Carlos Crespo, Deodoro Roca, Rubén Ramonda, Juan Canavesi e Tato Carlo. Importante salientar que Deodoro Roca (Córdoba, 1890-1942) é um nome histórico, já que foi diretor do museu entre 1916 e 1919 e também foi líder do movimento reformista (conflito estudantil). Embora eu não goste muito de arte moderna, considero sempre instrutivo visitar esses centros de cultura.

folder do museu de bellas artes
Folder do museu de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra de Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Depois rumamos ao Museu Superior de Bellas Artes Evita – Palácio Ferreyra. A entrada também 50 pesos. As obras expostas são coleções do Governo da Província de Córdoba desde 1911: originam-se de artistas locais, de uma parte significativa de pintores nascidos em Córdoba e radicados na Europa nas décadas de 1920 e 1940, e da mesma forma de doações de artistas argentinos vinculados à construção da cena artística nacional. Há exposições permanentes e temporárias. A série Mãos Anônimas de Carlos Alonso; os primeiros prêmios das Bienais desde 1940; e As Quatro Estações de José Malanca são dignos de nota.

museu de bellas artes
Museu de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra-Córdoba-foto tirada por Carlos Alencar

A casa do museu é um capítulo à parte. Começou a ser erigida em 1911 por ordem de Martin Ferreyra, um médico da aristocracia crescente da cidade e também dono de pedreiras de cal na localidade de Malagueña. Sua intenção era fazer uma réplica do Hotel Kessler de Paris, uma construção típica dos séculos XVII ao XIX. O arquiteto foi o francês Ernst-Paul Sanson, da mesma nacionalidade era o paisagista do jardim estilo europeu Charles Thays. A partir de 2007, por iniciativa do governo da província, as habitações se converteram em um espaço aberto à comunidade com o nome atual do museu. Parabéns, Córdoba.

Saindo do local, era hora do almoço e encontramos ao lado do nosso hotel uma porta pequena com um restaurante bem em conta. Por 100 pesos, comi frango ao forno com batatas fritas (papas).

Era o momento de ir ao aeroporto rumo a Salta no norte, mas antes tomamos um suco de maçã delicioso com café no hotel. Pena não ter tido tempo para provar as iguarias do Caseros 248. Hotel muito bom, localização ótima e staff gentil e amigo. Zaida, Rodrigo e Joshua, o nosso agradecimento carinhoso!

Conseguimos um táxi por 370 pesos, cobram uns 500. Aeroporto sem casas de câmbio, pequeno, com poucas opções de comida, mas tem a indefectível Havana com seus alfajores e cafés (amo!). Achávamos que tínhamos direito a 23 kilos pelas Aerolíneas Argentinas, mas não, somente a 15 k. A moça atendente foi tão solícita com a gente que nos deu ideia de tirar 2 k da mala média com excesso (do Carlos) e colocar nas malas de mão. Se não, pagaríamos 650 pesos. Fomos pegos de surpresa, porém deu tudo certo no final. Por isso, amo os argentinos: sempre nos ajudam.

Surpreendente Córdoba, foi espetacular ter estado aí. Voltarei, porque me encantei. E como escrevi…

Após um voo de 1 hora e 20 minutos, aterrissamos na linda Salta. Muito a dizer sobre esta cidade desconhecida dos brasileiros. Em breve…

 

Argentina – Córdoba – Segunda Parte – Triângulo Jesuítico: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Argentina – Córdoba – Segunda Parte -Triângulo Jesuítico: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Hoje é dia 18 de outubro de 2018 e prosseguimos nas visitas às estâncias jesuíticas ao norte da província de Córdoba. São testemunhos da identidade do país, segundo os argentinos. Considero bela a forma como eles reverenciam a sua história.

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Estancia Jesuítica Colonia Caroya-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Adentramos a Estancia Jesuítica Colonia Caroya de 1616. Estamos em um museu provincial chamado de Museu do Imigrante. As paredes têm cal branca para evitar insetos e são revestidas de gesso. A capela e quatro salas são da Companhia de Jesus, as últimas pertencem aos descendentes de imigrantes italianos do norte. Vamos às salas. A primeira tem o mobiliário da época do jesuíta Inácio Duarte y Quirós. Era maior no passado. Em 1687 doou seus bens para a criação do Colégio Real Seminário Convictório de Nossa Senhora de Montserrat para o ensino dos religiosos da Cia. de Jesus. Lembrando que “convictório”, segundo o dicionário online educalinguo.com, significa o departamento no qual os estudantes moram nas escolas jesuítas. À época 250 a 300 nativos eram controlados por dois jesuítas. A estância servia de residência de descanso dos estudantes do colégio durante suas férias. Interessante dizer que anteriormente em 1671, a Cia. vendeu a estância a Inácio Duarte y Quirós. Poucos anos depois, volta às mãos da Companhia como doação.

Em 1878 foi a fundação da Colonia Caroya com a chegada das famílias italianas para ter casa e trabalhar na agricultura. Vieram de Friuli, convidados pelo presidente Nicolas Avellaneda. Em 1987 foi celebrado o tricentenário do Colegio Nacional de Monserrat a la Casa de Caroya.

Vejamos outras salas. A sala da farmácia com dicas de como provocar vômito, sobre sangrias, receitas etc.; a capela; a primeira fábrica de armas brancas que funcionou de 1814 a 1816, quando Gervasio A. Posadas, Diretor Supremo das Províncias Unidas, decidiu instalá-la.

Um dado histórico: o General San Martin se hospedou no local em 1814, a fim de ter uma entrevista com o Gal. Juan Martin de Pueyrredon no regresso da direção do Exército do Norte. Só rememorando que San Martin proclamou a independência da Argentina em 1816, logo as estâncias eram lugares estratégicos para o Caminho Real. Conforme a Wikipédia, Camino Real era a rota que começava na Avenida Rivadavia em Buenos Aires, passava pelo Alto Peru (hoje Bolívia) até alcançar a cidade de Lima durante o Vice-Reinado do Peru e o Vice-Reinado do Rio da Prata. Curioso acrescentar que a Missão Jesuítica Caroya estava situada nesse trajeto.

O lugar também foi usado por presidentes para descanso. Estivemos na sala dos nativos (estilo gaúchos) com objetos do seu cotidiano na lida com cavalos: esporas, selas e outros; a sala dos imigrantes com móveis, utensílios de casa e para a agricultura que trouxeram da Itália, máquina de costura, aparelho de música (gramofone) etc. O sítio histórico é bem organizado com placas explicando tudo em espanhol.

Depois rumamos à Estancia Jesuítica Jesús (fala-se “Resus” em espanhol) María de 1618. São quatro hectares, possui uma bodega de vinho e restaurante. A cidade é tão ajeitada com casas baixas lindas. O rio existente na região se chama Guanusacate em língua indígena quíchua e o fundador da estância foi o jesuíta Pedro de Oñate (nasceu em Valladolid-Espanha em 1567 e faleceu em Lima-Peru em 1646). Ele a adquiriu em 15 de janeiro de 1618 e a ela deu o nome.

Visitamos o Museu Jesuítico Nacional de graça com muitas salas. Na primeira habitação visualizamos pinturas americanas e livros. Na sala 7 há mobiliário e imagens sacras. Na parte do forno encontramos jarros coloniais para decantar o vinho que procedia de Cafayate na província de Salta no séc. XVIII. No primeiro andar estavam a pia, cozinha, corredor dos aposentos e a sala de arte sacra colonial. No corredor um lavador de pedra sabão e um lugar para as toalhas. A sala de arte sacra completa do séc. XVIII. Na estância houve negros escravizados. Ademais, a sala dos paramentos religiosos; a sala da coleção de moedas, Numismática e Medalhística do mesmo século mencionado; a sala de arte religiosa e história dos jesuítas: Francisco de Borja, Claudio Acquaviva (quem substituiu o fundador Inácio de Loyola na direção da Companhia de Jesus) e Juan Pablo Oliva, responsáveis pela Companhia; a sala de lugares comuns: banheiros, sanitários de água corrente que desde 1721 existia na parte alta uma parede dupla de pedra e ladrilho onde corria uma acéquia que desembocava no rio; a sala com instrumentos dos indígenas da terra; a sala da tribuna que dava para a igreja a fim de se sentarem as pessoas importantes ou sacerdotes enfermos; a igreja com estátuas barrocas, sendo uma a imagem de San Isidro Labrador; e a sala de porcelanas e cerâmicas da família González Warcalde. A região de Córdoba tem 10 mil anos de existência. É muita riqueza cultural a ponto de ficarmos boquiabertos.

Um adendo: a cidade é sede do renomado Festival Nacional e Internacional de La Doma y el Folklore e a localidade é o centro financeiro e agrícola mais importante da província de Córdoba. Quanto ao festival, ocorre de 11 a 21 de janeiro deste ano e há mais de 20 anos. No anfiteatro José Hernandéz, acontece corrida de burros, rodeios, shows musicais, desfiles folclóricos, danças, dentre outras atrações. Vi no site hoje que o evento foi anulado na sétima noite (dia 18/01/2019), por conta de tormentas que virão. As entradas seriam devolvidas. “Doma” significa adestramento. No Brasil temos algo parecido: a Festa do Peão de Barretos-São Paulo.

Estava na hora do almoço, logo voltamos à Colonia Caroya, não à estância. Paramos na loja Provin Il Salami para compras de vinho, salame, azeitona e alfajores. Ao lado estava o restaurante Panchos. Era muita gente e ficamos todos (era um grupo de bom tamanho) juntos em uma mesa retangular. Foi um evento linguístico rico com espanhol, português e inglês ao mesmo tempo. Amei! Pedi verdura, frango e uma coca. Detalhe: o calor estava demais.

Na Estancia Jesuítica Santa Catalina, tivemos um contato maior com um casal brasileiro: Marcelo de Minas e Mara de Roraima, habitantes de Brasília. Saudações a vocês! Vamos à estância. É Monumento Histórico Nacional desde 1941. Fica a 20 km a oeste de Jesús María e a 70 km ao norte de Córdoba. O guia muito agradável se chamava Marcelo Etcheberry. Pagamos 15 pesos pela visita guiada. Lá fazem casamentos e vive de agropecuária. Só um comentário: a seca estava braba na província de Córdoba, já haviam perdido 10 mil hectares sob os efeitos nefastos da falta de chuvas.

Para se chegar à estância, a estrada é de terra, de chão batido. Da cidade de Ascochinga, no departamento (comarca) de Colón, a 7 ou 8 km de distância de lá, pega-se um desvio à direita que leva à estância. Uma dica: perto existe um bar, restaurante e hotel nomeado La Rancheria de Santa Catalina.

Falemos mais em história: a igreja levou 141 anos para ser construída. Começou em 1622 e acabou em 1763. Iniciou sendo erigida pelos indígenas e no fim por 400 escravos africanos de Angola. Lembrando que os jesuítas foram expulsos da Argentina em 1767. O retábulo da igreja veio do Paraguai e é original, feito de cedro paraguaio e com pintura central de Rafael da Itália. A Wikipédia ajuda novamente: “retábulo” é a estrutura de madeira, mármore ou de outro material que fica para trás ou acima do altar e que, normalmente, encerra um ou mais painéis pintados ou em relevo.

Em Santa Catalina há missas, em Caroya e Jesús María, não. Cinco padres jesuítas viveram no lugar, juntamente com 400 escravos e cinco padres. Antes eram 167.500 hectares, hoje somente dois. Trata-se de uma casa de campo com 15 refeitórios e 60 quartos. Há um conselho administrativo de três pessoas que respondem pelo sítio. Em janeiro e fevereiro somente a igreja é aberta e aos sábados e domingos não há passeios pela estância (são os dias da família proprietária aproveitá-la, já que é privada).

Na igreja há uma porta que dá a um túnel de 15 km que vai até a Estancia Jesuítica de Jesús María. Obra de 1841, cujo intuito era a comunicação entre as estâncias e para fugir dos colonizadores espanhóis.

Conhecemos padarias, a despensa, a cozinha, além do pátio com árvores diversas e o outro pátio com um hospital para tuberculosos com sala para enfermos.

Ufa! Que passeio mais impressionante. Vale muita a pena, imperdível!

Argentina – Córdoba – Primeira Parte -Estâncias Jesuíticas: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Argentina – Córdoba – Primeira Parte-Estâncias Jesuíticas: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Córdoba sempre surpreendente. Eu não tinha ideia da riqueza cultural que são essas estâncias. Só conhecendo pessoalmente para saber o quão fascinantes são. Hoje é dia 18 de outubro de 2018 e saímos a passear pelo dia todo novamente com a guia Carla e o motorista Tomás. A agência foi a Nativo Viajes (Independencia, 174-Centro). A Carla foi nossa guia às serras de La Cumbrecita e Villa General Belgrano. Desta vez ela deu um show em espanhol e inglês, uma vez que na excursão havia uma holandesa, uma inglesa e uma francesa. Todas muito simpáticas. Lógico que aproveitei e gastei meu inglês… Saudações, Carla, obrigada por tanta informação boa. Um olá carinhoso também à Zaida, recepcionista linda e solícita do hotel Caseros 248, nossa acompanhante na viagem.

Comecemos a jornada. A guia nos conta que há muitos estudantes chilenos em Córdoba, já que a universidade do estado é gratuita. A Igreja da Cia. de Jesus e o Colégio Monserrat em Córdoba foram fundados em 1671 pela Cia. de Jesus. A igreja é a única com suas características preservadas, o teto é um barco ao contrário (o arquiteto naval era francês) e o colégio hoje é misto. Até 1783 na lateral do colégio funcionavam igreja e imprensa religiosa.

Os espanhóis colonizadores não tinham uma boa relação com a Companhia de Jesus, aliás, as palavras corretas são Sociedade de Jesus. Inácio de Loyola (1491-1556), o fundador, era basco de Azpeitia. A sociedade nasceu em Roma e por 16 anos o teve na direção. Lembrando que em Córdoba havia franciscanos e dominicanos já no séc. XVI. Quem substituiu Inácio de Loyola como Superior Geral da Sociedade de Jesus foi Claudio Acquaviva (1543-1615), italiano de Atri, Abruzzo.

Rumamos ao norte da província de Córdoba hoje. São três monastérios respeitáveis: Colonia Caroya (diz-se Caroja) de 1616, Jesús María de 1618 e Santa Catalina de 1622 (Patrimônio Cultural da Humanidade-UNESCO).  São estâncias com fábricas, antes tinham escravos. Como os colonizadores espanhóis escravizavam os índios, entravam em conflito com a Cia. de Jesus. Isso causou muitas batalhas. Os jesuítas protegiam os indígenas e os educavam, embora tivessem escravos para o trabalho pesado. Os encomenderos espanhóis caçavam nativos e os vendiam para a escravidão. Trabalhando 24 horas por dia, ou os tratavam como animais ou os mandavam para o serviço privado. Muitos nativos morriam de enfermidades, como o sarampo. Segundo o Educalinguo.com/pt/dic-es, “o encomendero era chefe da parte de uma instituição colonial denominada encomienda, tinha índios confiados a ele em qualquer uma das colônias espanholas da América e das Filipinas”.

As missões guaranis estiveram na região sob a proteção da Cia. de Jesus. Pagavam um tributo ao rei da Espanha, então se tornaram vassalos do rei Carlos III. Quando decidiram parar de pagar o tributo, aí os problemas apareceram. O fato de questionarem o poder também causou discórdia. Por isso, a Ordem foi expulsa de Córdoba. Foi na época do papa Pio VII. Os jesuítas foram embora para a Itália, Rússia, Hungria etc. Depois voltaram, mas nesse meio tempo as propriedades foram saqueadas e abandonadas.

Trata-se da parte mais antiga da região, vive da atividade agropecuária, é rural, sente-se o cheiro das vaquinhas. O turismo não é tão impactante e os festivais são em solidariedade às escolas. Há transporte de cereais por caminhões e a fábrica ARCOR funciona por aqui. Interessante mencionar que os rios aumentam muito com as chuvas, logo acontece comumente enchentes na localidade de Caroya.

O motorista pega a Ruta Nacional 9 na ida e volta pelas Sierras Chicas. A primeira estância adquirida pela Ordem dos Jesuítas foi a Colonia Caroya. A entrada é 50 pesos e não se tira fotos dentro. Em Jesús María só se começou a tirar fotos nas últimas semanas, antes nem com bolsa entrava. Já Santa Catalina, privada, pertencente a 160 membros da família de um ex-governador cobra 25 pesos e somente permite uma foto, a do retábulo da igreja.

Na Estância Jesuítica de Caroya há produção e venda de queijos, salames e quatro bodegas (de vinho) reconhecidas. As estâncias foram inauguradas por imigrantes italianos no séc. XIX e antigamente se usava o trem Buenos Aires-Córdoba.

Conforme o Guia Criativo para o Viajante na América do Sul, quarta edição, “as antigas estâncias jesuíticas de criação de gado, plantação de cereais e fabricação de vinho valem a visita. Foram atividades dos padres jesuítas durante sua permanência na região. A 50 km ao norte, a Estância de Jesús María abriga o Museu Jesuítico Nacional e conserva peças de alto valor arqueológico, histórico e religioso. A Estância de Santa Catalina, considerada a mais importante da província, conserva um templo de fachada barroca, vivenda de índios e escravos, além de pinturas e objetos de decoração”.

Prosseguiremos em breve com as estâncias jesuíticas.

Argentina – Córdoba – Igreja dos Capuchinhos e Paseo del Buen Pastor

Argentina – Córdoba – Igreja dos Capuchinhos e Paseo del Buen Pastor

Hoje é dia 17 de outubro de 2018. Continuamos os passeios por Córdoba. Estamos agora na bela igreja Sagrado Coração de Jesus dos Padres Capuchinhos. Como é perto do hotel Caseros 248, fomos a pé. Está situada à rua Obispo Trejo, 242, cerca do shopping center Patio Olmos. A visita guiada à torre com mirante por 150 pesos vale a pena para quem possui boas pernas e joelhos. O Carlos foi com o guia Alejandro, são 148 degraus e as escadas são em forma de espirais até em cima.

Chama a atenção a estátua do padre Pio de Pietrelcina com muitas plaquinhas de graças. A igreja teve como arquiteto Augusto César Ferrari, tem estilo neogótico e em 1926 teve as obras iniciadas até os anos 80 com inúmeras interrupções. Destaca-se a estrutura de concreto armado, construído pelos engenheiros Giralt, Nores e Olmedo e as esculturas do artista italiano-argentino Luís Ramacciotti.

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Bairro Nova Córdoba em Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Sobre o seu valor simbólico muito pode ser dito. Nas primeiras décadas do séc. XX, produziu-se no bairro Nova Córdoba o auge da arquitetura europeia, onde o Palácio Ferreyra (Museu Superior de Belas Artes Evita) e os Capuchinhos foram um emblema especial. Passados mais de 100 anos este templo monumental é um ícone da cidade pela história, desenho e fé.

Os Capuchinhos exemplificam técnicas e desenhos próprios, época de revivamentos, aparição de neos e ecletismo de desenhos. Conjugam elementos próprios de gótico como arquivoltas, rosetones, arcos ogivais (referente ao estilo gótico, formada pelo cruzamento de duas curvas) com uma decoração barroca recarregada, imprópria do estilo puro. Cada um dos elementos que integram a fachada tem um sentido para o artista.

De lá fomos ao Patio Olmos para pegar um fresquinho e jantar. O calor está grande: mais de 31˚C, o sol está de rachar em plena primavera. Escolhemos licuado de frutilla (vitamina de morango) com misto quente de novo, mas em outro restaurante. A cada dia há promos, ou seja, promoções. Pagamos 100 pesos, muito em conta. Detalhe: hoje é dia de descontos bons no comércio, geralmente, 30 % pelo Dia das Mães. Também é o dia da “Lealdade a Perón”, promovido por sindicatos peronistas. O ex-presidente Perón ainda é idolatrado por muita gente.

Estava na hora de assistir a algo original. Em frente à igreja dos Capuchinhos, tem o Paseo del Buen Pastor (centro cultural, um local também com galeria, chafarizes, lojas e lanchonetes) com o “Espetáculo das Águas” dançantes, coloridas e musicais às 20.30h. Foi emocionante escutar “We are the Champions” da banda inglesa Queen, dentre outras músicas. Foi breve o momento, mas bonito.

Seguiremos com as Estâncias Jesuíticas ao norte de Córdoba em breve.

Argentina -Córdoba – Museus San Alberto, MUCI (Museu da Cidade de Córdoba) e Juan de Tejeda

Argentina – Córdoba – Museus San Alberto, MUCI (Museu da Cidade de Córdoba) e Juan de Tejeda

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Estátua do bispo San Alberto-Museu San Alberto-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é quarta-feira, dia 17 de outubro de 2018. Estamos aproveitando a cidade de Córdoba. Pela manhã o Carlos e eu visitamos o museu San Alberto perto da praça San Martin (Calle Caseros, 124). Nosso guia foi o Julio (estudante de turismo) e a acompanhante foi a Eliana. Ambos nos deram uma aula memorável de história.

 

A casa do museu tem estilo colonial com arcos de meio ponto. Passou por vários donos. Era a residência de Antonio Soler que a vendeu a um comerciante português Simão Duarte. Ignacio Duarte, um dos filhos, ficou com ela. Os territórios à época eram habitados por nativos. Os espanhóis vieram para colonizar a terra, mas a tarefa evangelizadora e civilizatória era dos jesuítas. Em 1693 esse mesmo Ignacio Duarte y Quirós, presbítero (sacerdote, padre), doa a casa para a Companhia de Jesus com a condição de ali funcionar uma residência para alunos universitários. Vinham de toda a América. Ali foi criado El Real Convictorio de Nuestra Señora de Monserrat. Eram três pátios, hoje são dois. Formam a Manzana Jesuítica de Córdoba. Para esclarecer, de acordo com o educalingo virtual, “convictorio” é “o departamento onde os estudantes moram em escolas jesuítas”.

Falemos no bispo San Alberto (frei José Antonio de San Alberto). Em 1782 inaugurou a Real Casa de Niñas (meninas) Educandas, administrada por beatas que deram origem às Irmãs Terciárias Carmelitas de Santa Teresa de Jesus. San Alberto era espanhol e se preocupava com as crianças desamparadas e pobres, pois à época só os homens estudavam, mulher tinha que ser do lar. Ele se preocupava com as crianças sem família, sendo que as meninas não teriam nada se não tivessem maridos. Logo, criou um lugar para cuidar das meninas. Era inovador, dava livros para as crianças mestiças; as meninas usavam hábitos; e dava educação para as diferentes raças. A ordem era carmelita e seu projeto era dar educação sem distinção de raça e classe social.  Segundo o bispo, não era orfanato e sim um lar. As meninas estudavam pintura, música, aprendiam os afazeres de casa, oravam etc. Em 1980 virou museu.

San Alberto faleceu com 78 anos e quem o nomeou bispo foi o Papa Pio VI. O museu funciona pela manhã, porque à tarde a casa é usada pelas carmelitas. A manzana (quadra) compreende o Colégio Santa Teresa (secundário) e o Convento das Carmelitas terciárias com função educadora, ou seja, não são do claustro. Também faz parte a igreja da Companhia de Jesus, a Capela Doméstica, o Colégio Nacional de Montserrat e a Universidade Nacional de Córdoba.

Conhecemos a sala de reunião onde no passado funcionava como um conselho para decisões. Era a maior da casa. Há pratos decorados que eram dotes das meninas. Lá estava uma caixa de música de 1860 com oito melodias, sendo uma, o hino nacional argentino. Visitamos também o subterrâneo: a cripta e o cemitério privado das educadoras e alunas. Eram enterradas em urnas com terra, cal e areia. Lá estavam placas de meninas mortas de 1878, 1801, 1802 e 1804. Posteriormente, tiravam os ossos e colocavam em um ossário. Os ossos não se misturavam se fosse de uma superior. A ventilação dava para a casa. Com a lei dos cemitérios públicos de 1900, os privados deixaram de existir. Atualmente, as pessoas influentes são enterradas no Cemitério São Jerônimo.

Na Capela Rosada estão os restos mortais de San Alberto. Da mesma forma há imagens de Santa Teresa de Jesus- de Ávila-Espanha; de Santa Teresinha de Jesus (das rosas)- da França e da Virgen del Carmen (carmelo).

A igreja Companhia de Jesus que faz parte da Manzana  Jesuítica de Córdoba é espetacular. Está escrito na parede: “Para desfrutar, para cuidar, para aprender…” do séc. XVI. Trata-se do templo mais antigo do país, construído na pedra entre 1640 e 1671. É Monumento Histórico Nacional e Patrimônio da Humanidade. Segundo o Livro Viajante Independente na América do Sul, 4ͣa. edição, a igreja possui duas capelas: a primeira, a Capilla Doméstica, de 1644, decorada com ouro e detalhes rococó, feita para os espanhóis e jesuítas, e  a outra, a capela dos índios, porque as damas da sociedade não admitiam que seus filhos frequentassem a missa junto com os “selvagens”.

 

De lá nos direcionamos ao Cabildo, desta vez para ver a parte subterrânea e o 1˚andar onde se encontra o MUCI (Museu da Cidade de Córdoba), também centro cultural. Foi criado em 1980 por decreto municipal e em 2017 teve sua renovação na imagem e no perfil. O Cabildo é Monumento Nacional desde 1941. Foi lugar de processos sociais, culturais e políticos da cidade, contém parte do patrimônio material e imaterial de Córdoba.

O museu conta a história da região desde a sua fundação. Os povos nativos eram os comechingones que viviam da caça e produção agrícola, assim como de atividades relacionadas com a natureza e estações do ano. Córdoba era centro administrativo, religioso e educativo. Assim que foi fundada, ordens religiosas se instalaram na cidade, dentre elas, a Companhia de Jesus. Tal ordem fundou o Colégio Maximo e em 1613 a primeira universidade da Argentina e a segunda da América do Sul. A primeira do continente foi no Peru.

Fotos, objetos, cadeira do governador, vídeos, Córdoba imigrante, séculos 19, 20, 21, arquivos fotográficos, roupas, música, barbearia, móveis antigos, arqueologia etc. O museu é respeitável e melhor, gratuito. As visitas guiadas são pagas.

 

A saga dos museus continua. Nas quartas são grátis. Chegamos ao Museu de Arte Religioso Juan de Tejeda (Frei Luís Jorge de Tejeda), localizado no centro na Independencia, 122. Funciona desde 1970, em uma casa estilo colonial espanhol. Era um monastério para as monjas trabalharem bordados e ornamentos litúrgicos. Vimos os quartos austeros delas. Eram da ordem das carmelitas descalças cuja fundadora foi Santa Teresa. O museu apresenta obras de arte religiosa do séc. XVI e XVII. Representam o martírio, o êxtase e a morte. As personagens aparecem em atitude de extrema sensibilidade, tanto na contemplação como nas manifestações de dor ou sacrifício.

Córdoba é surpreendente, há tanta cultura e história que ficamos enfeitiçados.