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Turquia – Konya

Turquia – Konya

Hoje é dia 23 de outubro de 2019. De Avanos até Pamukkale são 670 km de estrada. Chegamos a Konya, capital do Sultanato turco no passado, dita cidade devota e a mais praticante do islã hoje em dia. Antes dos turcos conquistarem a região, era cristã e se nomeava Iconium (do latim). Santa Tecla e São Nicolau são originários da Turquia. Nos séculos IV e V d. C. os cristãos saíram das catacumbas e fizeram imagens nas inúmeras igrejas da localidade.

A Wikipédia esclarece que Santa Tecla é a padroeira dos agonizantes. Foi uma virgem proveniente de família rica e influente de Icônio que não quis casar e, sim, seguir o apóstolo Paulo. É considerada “protomártir” entre as mulheres, ou seja, a primeira mártir do país, e também “igual aos apóstolos”. Já o site pt.aleteia.org nos informa que São Nicolau inspirou o surgimento do bom velhinho Papai Noel. Nasceu em Patara (atual Turquia) em 270 d. C., era de família abastada, recebeu uma grande herança que distribuiu com os necessitados. É o mesmo São Nicolau de Bari ou Mira e é padroeiro da Rússia, Grécia e Turquia natal.

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Derviches giróvagos na Capadócia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Um dervixe místico, filósofo e religioso, islâmico fundador da Ordem Mevlevi, chamado Mevlana, chegou a Konya no séc. XIII. Conhece o Islã e prega o amor de maneira diferente. Não precisa buscar Alá na mesquita, pode-se dançar e tocar instrumento para chegar ao Nirvana. Aí as almas desaparecem no amor de Alá. Tratam-se dos dervixes rodopiantes ou giróvagos que não seguem as regras dos sunitas nem dos xiitas. As mulheres não participam das orações em forma de danças.

A cidade, muçulmana por excelência, com muitas mesquitas, hospeda o túmulo/mausoléu de Jalal ad-Din Muhammed Rumi, isto é, Mevlana, o fundador da ordem dos dervixes rodopiantes, além de sua família. Data do séc. XIII. Ele nasceu em 30 de setembro de 1207 na cidade de Baji na Ásia Central (atual Afeganistão) e faleceu em Konya em 1273.  O local usado por ele vira um convento. Em 1927 o monastério dervixe se transforma em museu dos Dervixes, onde foi erguida uma pequena mesquita pelo sultão e califa do islã Suleyman, o Magnífico (Solimão I que reinou de 1520 a 1566 quando morreu). Lembrando que as mulheres rezam separadas dos homens. Para o turista entrar, tiramos os sapatos e utilizamos sacos plásticos como galochas. As mulheres não precisam de véus. A cor dos muçulmanos é verde.

O museu com objetos do líder dos dervixes é bonito e possui uma caixa sagrada “com um fio de barba de Maomé”. Havia dois imãs (guias espirituais do islamismo) em visita ao museu, muito fotografados e reverenciados. Estivemos na sala dos dervixes, salas com rosários (99 vezes dizendo Alá) e salas com instrumentos sufi para fazer os seres humanos conscientes da sua dependência de Deus (Alá). Digno de nota mencionar que o lugar é importantíssimo para os muçulmanos. Guarda o Mathnawi, seis livros que ensinam a filosofia da união espiritual e do amor universal do poeta Rumi ou Mevlana. Estamos no museu mais visitado da Turquia, segundo o blog TRT Português. Duas universitárias turcas vieram conversar comigo e com o Carlos. Queriam saber de onde éramos, e se comunicaram em inglês bem. Umas gracinhas.

Ainda estamos na Anatólia Central. A cidade é graciosa, plana, limpa, linda, aberta, com flores nos postes de iluminação. O país é um brinco. A construção civil está em efervescência. E mais: as calçadas são bem cuidadas, com canteiros centrais com rosas e canaletas de irrigação. Fiquei encantada. Tem comércio, shopping center, o catador de reciclável anda de moto com o reciclado atrás. Vi o transporte: tram (tipo de trem urbano moderno), casas de muros baixos e prédios baixos.

Era capital do Império Romano em 1230 antes dos otomanos. Hoje tem uma única igreja católica: São Paulo.  Atualmente é a sexta ou sétima cidade da Turquia.

Em Cônia (em português) há fábrica de sapatos de pele de ovelha e confecção de casacos. O couro da Turquia tem como concorrente a Itália. O país tem as fábricas Lacoste e Burberry. Da região se exporta mármore para o mundo todo; cerejas para a Grã-Bretanha e papoulas para produzir morfina sob controle do estado, além de rosas que viram perfumes e sabonetes.

Saímos na estrada onde o nosso guia comprou simit: um caldo de uva com gergelim e massa de pão, um tipo de rosca grande a fim de enganar o estômago. Vendem na estrada com chá turco. Os carros ficam parados esperando.

Em Akşehir paramos no restaurante Özkan, espaçoso o suficiente para muita gente. Comemos salada ou canja de entrada, almoço principal de churrasco a lá turca, sobremesa de maçã ou bolinho de nozes ou pudim de arroz.

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Romã- fruta nacional da Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Outra parada técnica em Dinar, onde havia uma cafeteria e loja, aliás, fantástica. Inaugurada recentemente. Vi maravilhas de sabonetes, sapatos, lenços, almofadas e cremes, paraíso das mulheres. Comprei um creme hidratante de azeite de oliva por 48 liras. Em toda parada há venda de sucos de romã, fruta nacional. Delícia!

Estamos rumo a Pamukkhale por uma estrada vicinal, o interior encanta. São plantações e tratores no campo e montanhas de mármore do lado esquerdo. Enfim, saímos da Anatólia Central rumo ao mar Egeu. A terra é mais fértil e rica. Estamos na região do algodão, já que pamuk significa algodão e khale castelo.

Em breve visitaremos o Castelo de Algodão, outra preciosidade da Turquia.

 

 

 

 

Turquia – um caravançarai em Aksaray

Turquia – um caravançarai em Aksaray

Hoje é dia 23 de outubro de 2019. Acordamos às 5h da manhã e sairemos do hotel Suhan Capadócia em Avanos às 6h30 de ônibus. Do hotel poderiam melhorar a segurança: a banheira era muito alta e sem suporte para idosos, bem perigoso, na verdade. Detalhe: dureza acordar tão cedo, no dia anterior foi às 4h. Ufa! Excursão é prático, mas muito corrido.

Em uma hora e meia, a 80 km de Avanos, chegaremos a Aksaray e depois Konya. Mas antes falarei sobre as cidades de Avanos e Nevşehir. Avanos possui uns 15 mil habitantes e pertence à Nevşehir. Somente conta com uma prefeitura; já Nevşehir é maior, tem governador escolhido pelo governo da Turquia e prefeitura eleita pelo povo.

As cidades em geral são limpas e ajeitadas com flores nos canteiros centrais. Não faltam mesquitas, prédios e edifícios. Interessante que os prédios têm espaço entre si. As localidades são espraiadas e agradáveis. Falando em mesquitas, no mundo sunita se reza cinco vezes ao dia, enquanto os xiitas rezam três vezes ao dia, depende muito da interpretação de cada um, segundo o nosso guia Ali. Nem vemos pobreza nem ostentação, dá gosto não ver um papel no chão. No campo testemunhamos casinhas com pomares e grandes descampados.

No caminho até Aksaray vimos duas grandes usinas de energia solar. Entre cidades grandes há ferrovias, porém no restante das cidades só ônibus e carros para transporte.

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Tíquete de entrada do caravançarai Sultanhani-foto tirada por Mônica D. Furtado

Em Aksaray há fábrica de açúcar. Continuamos na Anatólia Central. Vamos visitar um hotel do séc. XII, XIII e XIV, um caravançarai pertencente ao Sultanato turco para a hospedagem aos mercadores da Rota da Seda. Lembrando que os turcos tomaram Constantinopla/Istambul em 1453, logo essa espécie de estalagem é histórica e turística.

Lá conhecemos o caravançarai Sultanhani, fortificação imponente utilizada para proteção e abrigo dos comerciantes e viajantes. No local os muçulmanos rezavam sem o imã (guia espiritual). O lugar é enorme, tem quartos para os passageiros, banheiros a lá turca, e abrigos para os animais. Depois do pôr do sol não se entrava mais; no verão as pessoas dormiam somente de um lado, por conta do calor; não havia sistema de aquecimento, logo as pessoas dormiam no inverno em cima dos animais para se aquecer. Os quartos tinham caixas para guardar dinheiro a fim de evitar os roubos, todavia os ladrões eram punidos.

Está escrito em uma placa no local: situado na rodovia Konya-Aksaray, Sultanhani é o maior e melhor caravançarai dos seljuks. Foi construído por Allattin Keykubat 1 em 1229. Depois de um incêndio, foi restaurado e aumentado em 1278 pelo governador Siracettin El Hasan durante o reinado de Giyasettin Keyhüsrev. Após o acréscimo, se transformou no maior caravançarai da Turquia. Outro detalhe: existe uma pequena mesquita erigida como um kiosk mescit (uma pequena mesquita cúbica) sobre quatro arcos no meio do pátio aberto. O arquiteto foi Muhammed Bin Havlan El Dimaski. Ao redor do pátio aberto há salas e quartos, como cozinha sala de jantar, WC e banheiros, sala de estar e quartos de dormir utilizados pelos hóspedes.

De acordo com a Wikipédia, caravançarai significa “palácio ou edifício com pátios internos” e designava um tipo de estabelecimento do tipo hoteleiro (pousada ou estalagem) que se encontrava, sobretudo, no Oriente Médio, Ásia Central e norte da África, mas também um pouco por todo o Mediterrâneo ou China, que se dedicava a mercadores viajantes. Geralmente também tinha função de armazém ou entreposto comercial e situava-se à beira de estradas, embora existisse em áreas comerciais das cidades, sendo usual que nestes locais fossem mercados.

Quanto à arquitetura, a mesma fonte diz que era um edifício ou recinto de planta quadrada ou retangular, com muros em toda a volta, com um único portão de acesso, suficientemente longo para permitir a passagem de animais muito carregados como camelos. O pátio central era quase a céu aberto e era rodeado de divisões idênticas que tinham aposentos para acomodar os mercadores e os seus servos, animais e mercadorias.

Na região há plantações de trigo, açúcar, beterraba e trevo. Há sistema de irrigação na planície.

Aproveito este artigo para saudar os companheiros de viagem Nelcelina e Régis, e Sônia e Maurício. Agradeço à dra. Marli Palhano, que muito ajudou a todos nós da excursão. Também saúdo as filhas dela Fernanda e Renata, muito queridas. A mudança de clima e alimentos sempre provocam uns problemas de saúde e a dra. Marli foi sensacional com todos. Afinal, foram onze dias de viagem. Obrigada!

Prosseguiremos com Konya, a cidade mais muçulmana da Turquia.

Turquia – Capadócia – Cidade Subterrânea e os Dervixes Rodopiantes

Turquia – Capadócia – Cidade Subterrânea

Hoje é dia 22 de outubro de 2019. Saímos da loja de tapetes e fomos almoçar. O restaurante se chama Hanedan, localizado em Avanos/Nevşehir. São treze salas diferentes, cada uma decorada individualmente com o ambiente de um caravançarai e com a tradição da cozinha turca. Cabem 800 pessoas e serve almoço e jantar.

Caravançarai significa “palácio das caravanas”. O lugar é fabuloso, histórico e hoje pelo país estão sendo restaurados, afinal pertenciam ao Sultanato turco (século XII, XIII e XIV). São utilizados também como locais para as danças dos Dervixes (ou derviches) Rodopiantes ou Giróvagos (seguidores do islamismo sufista: uma seita místico-religiosa).

Tais palácios estavam ligados à rota da seda do passado longínquo que ia da Turquia até Viena. Os comerciantes da época andavam de cavalos e camelos e o percurso era de 100 km por dia. A cada 35 km paravam para descansar em um caravançarai. Lá tinham hospedagem e trocavam mercadorias. Os animais que iam junto aos homens eram um burro e 30 camelos. O inteligente burro sabia a localização de pântanos e onde encontrar água. Os homens ficavam no local por três dias de graça, no quarto pagavam. Simplicidade, eis o que tinham.

Após o almoço muito bom, rumamos à Cidade Subterrânea dos séculos IV ou VI d. C. Trata-se de um museu que mostra uma cidade troglodita, ou seja, escavada na rocha. Servia de abrigo às populações, por exemplo, os cristãos, quando de ataques de inimigos. As casas de cima tinham buraco para as de baixo. A gruta escavada na montanha descia 40, 50, 60 m abaixo da terra. À época era fácil escavar, não havia planejamento.

Tinham refeitórios, igrejas, estábulos, casas, lugar para fazer vinho (pisando uvas, guardadas no tonel de pedra), com portas de rochas ou saídas pelo teto com diferentes níveis. Passamos pelas passagens subterrâneas baixas e estreitas, ainda bem que curtas. Muito interessante. Nesses passeios já fazem fotos e cobram por elas, estilo EUA. Digno de nota mencionar que para os turcos de então, a casa da joalheria era como se nomeava a “prisão das mulheres”. São mais de 200 cidades subterrâneas na região.

De lá fomos ao Vale Vermelho onde os tufos vulcânicos mudam de cor e formam imagens. As lojas para turistas estão em todas. Ainda fomos a uma joalheria onde conhecemos o afamado “anel do sultão”. Os vendedores eram solícitos, mas tudo muito caro. Estávamos exaustos. Isso que é chato em excursão, queríamos voltar ao hotel Suhan Capadócia, mas tivemos que esperar. Quando nos liberaram da visita, estava 15°C e chovia.

Tínhamos uma atividade noturna aguardada com expectativa pela gente. Às 18h20 passaram no hotel para nos pegar a fim de vermos o espetáculo dos dervixes rodopiantes no Saruhan (em Aktepe/Avanos/Nevşehir). A exibição da cultura da Capadócia na parede ao final do show foi fenomenal. Os dervixes dançantes rodeiam em transe por uma hora e meia. A música e a dança são hipnóticas. Eles oram rezando. Espetacular, imperdível. Desde a novela Salve Jorge da TV Globo, tinha muita vontade de vê-los pessoalmente. Amei. Detalhe: Saruhan é um caravançarai construído em 1249, com a arquitetura Seljuk. O evento é todo mágico, pena que rápido.

Dervixes na Capadócia
Dervixes rodopiantes na Capadócia-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Falando nos dervixes. As mulheres não participam. Os rodopiantes fazem danças na Capadócia, Istambul e Konya. Vestem preto e por cima branco, significa que o mundo vai descolorindo, isto é, vai tendo conhecimento. Usam turbante que é a sua pedra tumular (inscrição tumular, remete a cemitério). A mão direita aberta olha para o céu e a esquerda virada para o chão. Tudo que recebem, distribuem aos outros. Aceitam todos os religiosos, isso incomoda os sunitas e xiitas.

O fundador da República turca, general Ataturk, proibiu cultos islãs e a prática dos dervixes em 1927. Há 20 anos voltaram a praticar, embora de forma diferente.

Prosseguiremos com o caminho até Konya, a cidade mais muçulmana da Turquia.

 

 

Pensamentos meus sobre o coronavírus

Pensamentos meus sobre o coronavírus

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Meu jardim encantado para tranquilizar a alma-foto tirada por Mônica D. Furtado

Muito já foi dito e vou repetir o óbvio: o nosso planeta Terra andava gemendo há muito tempo por meio de incêndios florestais, tsunamis, ressacas violentas etc. até que resolveu tomar uma atitude radical e fez-se a pandemia.

Pegou-nos de surpresa e mostrou ser global, pois somos conectados no mundo. Um vírus minúsculo vindo da China se espalha na totalidade da Mãe Terra e fez-se a globalização.

A cada crise, surge uma oportunidade, diz o ditado oriental. Cada um se posiciona quanto ao isolamento social de uma forma única. Se esse momento nos atinge como depressão ou novas ideias sendo postas em prática, aí se faz a escolha. Infelizmente, não somos fortes o tempo todo. Em momentos meus de opressão, respiro e decido chegar à solução: sair desse sentimento negativo me ocupando com trabalho manual ou criativo. Nunca a ida a um supermercado ou farmácia foi tão apreciada. E ganhei meu dia.

Vamos sair dessa, sabemos e não vemos a hora. Retornar à vida boa de antes, porém não seremos mais os mesmos. Quem sai igual de uma doença grave ou de uma crise como esta? Será possível que ainda continuaremos a ferir o nosso planeta? Sujando as praias, matando os nossos “irmãos” animais aquáticos com sacos plásticos? Descartando móveis em rios? Colocando lixo na rua? Importando-nos zero com o nosso semelhante? Se nada mudar, virão novos vírus e crises. E será o nosso futuro.

A vida atual precisa de muita solidariedade, respeito, compaixão e ética, palavras necessárias para uma vida decente. Aprendi em casa com meus queridos pais. E aí está o exemplo de vida.

Aí eu pergunto: o que você fará quando tudo isso terminar? Eu? Comerei um bolo de chocolate com uma calda bem saborosa. Pense nisso. Todo dia é uma vitória se estamos nos cuidando e olhando para o próximo com amor. Rezar, orar, meditar, ficar em silêncio, se interiorizar, tudo vale.

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Flores para embelezar a vida-foto tirada por Mônica D. Furtado

Os mares e os rios mais limpos, o ar menos poluído, a vida mais equilibrada e simples. E se faz a Vontade de Deus: recuperar a simplicidade, a saudade do contato pessoal, a fala por um telefone, se importar com o outro. Quem sabe voltaremos a hábitos hoje antigos como escrever cartas e mandar postais, teremos mais tempo para os mais velhos e vizinhos, visitaremos os tios, agradeceremos a qualquer agrado recebido e teremos gratidão ao Divino?

E você? Como está? Espero que bem.

Dedico este artigo a quem está consciente da importância do momento presente. E a quem está na linha de frente na tarefa árdua de salvar vidas. E lutar pela sobrevivência diária. E a ser um herói anônimo, fazendo algo pelo semelhante.

 

 

 

Turquia – Capadócia – Museu e loja de tapetes em Avanos

Turquia – Capadócia – Museu e loja de tapetes em Avanos

Artesã na loja de tapetes em Avanos
Artesã no tear no museu/loja de tapetes em Avanos na Capadócia-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é dia 22 de outubro de 2019. Saímos do Vale do Göreme bastante cansados e rumamos a um museu e loja de tapetes, o Centro de Artesanato em Avanos. A manhã rendeu.

Na casa de tapetes turcos que tanto é loja como museu se aprende muito sobre a obra de arte de fabricar um tapete artesanalmente, passado de geração em geração. Explicam como se faz e negociam, também entregam em domicílio para outros países. Lembrando que o turco é tão bom comerciante como o judeu e fala português em centros de comércio. Infelizmente, ninguém da excursão comprou, por ser muito caro, embora existissem em várias opções de tamanhos, padrões, cores e preços. A tentação foi grande, posso assegurar. São belíssimos.

O tapete chamado hereke é considerado especial.  Era usado nos palácios dos sultões e hoje embelezam o Palácio de Versalhes na França, a Casa Branca nos EUA e o Vaticano. Só em ver já é um deslumbre.

O guia Kahn deu aula de conhecimento e com um português excelente. Começamos com uma artesã fabricando um tapete no tear. São quatro tipos: de lã pura; lã sobre algodão; seda (orgulho do país); e algodão puro. O tapete tem trama e nós (com dois pontos fechados). O tapete pisado tem mais valor, porque os nós são mais apertados quando pisados. A artesã turca faz com dois nós, baixa e corta com uma tesoura especial.

Segundo a Wikipédia, a área de produção de tapetes pode ser comparada com os territórios historicamente dominados pelo Império Otomano. Possui um tecido atado com fios e é produzido para uso doméstico, colocação em pisos ou paredes, venda local e também exportação. Faz parte da cultura da Turquia, os exemplos mais antigos datam do séc. XIII. O material mais tradicional é a lã natural tingida a mão. A chegada do Islã e o desenvolvimento da arte islâmica influenciaram profundamente o design dos tapetes da Anatólia.

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Centro de Artesanato em Avanos-Capadócia-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

O desenho é realizado em papel milimétrico: 1 m² para fazer em lã pura leva duas semanas; já o de seda leva um ano. O valor do tapete depende da mão de obra. A cor e o brilho do tapete de seda se conseguem no máximo em duas horas.

O local é uma cooperativa, são 2.500 meninas que aprendem a arte e trabalham em casa. Elas têm direito à aposentadoria e recebem 250 dólares por mês mais o bônus pela venda. Os tapetes prontos vão para a Câmara do Comércio com certificado de autenticidade.

Sobre a seda… a brasileira utilizada na localidade vem do Paraná e São Paulo. Para o nosso orgulho, é dita como a melhor do mundo. Também usam a da China e da própria Turquia, da região de Bursa (dependem das amoreiras).

O processo nos é mostrado. A larva vira lagarta, aí uma parte é morta. Cada casulo tem 1.200 a 1.400 metros de fio. Molham-se os casulos com água quente e se acham as pontas: os fios principais são molhados em água fria, esses passam por uma máquina que move os fios. As lagartas que sobram são dadas para os animais na Turquia. Porém, na China e Coreia as comem.

Ao fim do percurso, na hora da amostragem dos tipos diferentes de tapetes, oferecem chás de maçã e o turco (preto), além de vinho branco. O guia nos conta que o vinho no país não tem gosto de madeira, pois é guardado em um buraco na rocha.

Interessante mencionar que o tapete de seda não pega fogo. Diversos tipos como o de lã e algodão com bambu são vintage (desgastados), têm uns 8 anos; o de seda com bambu é elegante e lindo; e os da Capadócia têm cores fortes por conta do solo vulcânico e seco. Em muitos outros sítios do país há lojas com tapetes diferentes e de cores variadas, nem sempre artesanais. Eis um produto muito apreciado. Conforme a Wikipédia, vintage é uma corrente da moda que busca recuperar modos de vestir de períodos passados, o tapete também faz parte.

Gostei do passeio e de ter visto tapetes únicos em beleza. Somente na Turquia visitaria um museu assim.

Seguiremos nossa jornada em uma cidade subterrânea em breve.

 

Turquia – Capadócia – Vale do Göreme

Turquia – Capadócia – Vale do Göreme

Hoje é terça-feira, dia 22 de outubro de 2019. Depois do inesquecível passeio de balão, o lugar a conhecer é o histórico Vale do Göreme, conhecido como o “Vaticano da Capadócia”, que teve iniciada a sua ocupação a partir dos séc. III e IV. Foi nomeado Patrimônio Mundial da UNESCO em 1984. Há proibição de escavações, porém para tristeza dos turcos, o presidente Erdogan permitiu construir na região recentemente. Tomara que isso não ocorra.

Foto do grupo no Vale do Goreme
Foto do nosso grupo da agência Abreu na Turquia em outubro de 2019 com o guia Ali-foto comprada depois do passeio no Vale do Göreme.

Estamos no Parque Nacional Vale do Göreme e aviso aos turistas ir com roupa e sapatos apropriados para muitas andanças. O clima é bom e ensolarado no momento. Subimos e descemos tantas escadas que fiquei com pernas e joelhos doloridos. Também existem subidas íngremes no paralelepípedo. Uma boa ginástica.

O primeiro cristão a chegar à região foi São Basílio. O local é um museu ao ar livre, em inglês: Open Air Museum. São 365 igrejas pequenas com muitas imagens. Até o século VIII eram 843 imagens religiosas. Entre 725 e 842 d. C. ocorreu o período iconoclasta no qual a decoração dos santuários era mínima. A oficialização dos cristãos ocorreu em 380 d. C., isto é, o Cristianismo Niceno (relativo à cidade de Niceia na Antiguidade, hoje Iznik na Turquia) foi dito como Igreja estatal do Império Romano pelo imperador Teodósio I.

Encontram-se na localidade mosteiros, igrejas e túneis subterrâneos entre vales distantes entre si uns 400 m, utilizados por homens e mulheres da época em que os cristãos se escondiam para rezar e se manter unidos perante as perseguições. Eram as catacumbas. Com o Tratado de Lausanne (ao final da Primeira Grande Guerra), e consequente transferência populacional entre Grécia e Turquia: os gregos e cristãos foram embora para a Grécia e os muçulmanos e turcos rumaram à Turquia, logo a região da Capadócia dos gregos e cristãos ficou abandonada até 1965. Com os turistas, esta formidável terra virou museu a céu aberto.

Um detalhe histórico: 5.000, 10.000 a. C. os mortos eram enterrados nas habitações. Segundo o livro da agência Porto Sul de Porto Alegre – RS (2009), a região do Göreme foi habitada desde os tempos mais antigos, mas após o séc. II foi habitada por cristãos que aproveitaram as particularidades do terreno para se esconder. As rochas se prestam para escavações e já foram usadas como depósitos, abrigos, esconderijos, igrejas e até moradias. No séc. IV a Capadócia ficou conhecida como a região de três santos: São Basílio, seu irmão São Gregório e São Gregório Nazianzeno. Devido à reforma feita por São Basílio, estabelecendo a tradição de rezar em comunidade, foram escavadas nas rochas da Capadócia mais de 600 igrejas.

A Wikipédia diz que São Basílio foi bispo de Cesareia na Capadócia e um dos mais influentes teólogos a apoiar o Credo de Niceia. Considerado Doutor da Igreja na tradição oriental e ocidental. Ele, o Santo Gregório de Nissa e o Santo Gregório de Nazianzo são os Padres Capadócios.  A mesma fonte esclarece ser o credo niceno-constantinopolitano uma declaração de fé cristã aceita pela Igreja Católica, Ortodoxa, ortodoxas orientais, Anglicana, Luterana e as demais protestantes históricas.

Em cima das rochas ficavam os dormitórios e os refeitórios dos religiosos. Os buracos escavados nos rochedos (cavernas) serviam de lares. Eram verdadeiras casas com mesas esculpidas na rocha para 40 pessoas, cozinhas com fornos ainda usados em casas de vila locais, uma adega cavada no chão, empregada para esmagar as uvas, enfim algo impressionante.  Adentrar esses recintos tão antigos e históricos é uma bênção, uma aula de cultura.

As igrejas foram escavadas em tufo vulcânico, pedra da região. As igrejas são várias, todas com imagens nas paredes: São Basílio, Santa Bárbara, da Maçã, da Serpente, das Sandálias, (Cristo) Pantocrator (de origem grega, essa palavra significa: “Todo Poderoso”, é o mais antigo ícone conhecido de Cristo; a igreja é protegida por grades e com uma boa subida) e Karanlik (a igreja Escura). Essa cobram 18 liras turcas para entrar e é a mais bonita. Recebe pouca luz da janela no nártex (átrio ou vestíbulo que precedia as basílicas cristãs em http://www.infopedia.pt). A entrada é pelo norte através de um túnel de enrolamento que abre para um nártex abobadado. As imagens estão bem visíveis e ainda intactas: Cristo, Natividade, Batismo, Traição de Judas etc. Apareceu na novela Salve Jorge da Rede Globo. Bela! Emocionante. Vale demais. Como era árduo chegar lá, pessoas da excursão não foram. Uma pena. Data do fim do séc. XI.

De acordo com o blog viajoteca.com, quase todas as pinturas estão com os seus rostos destruídos. Isto porque no séc. VIII o imperador bizantino Leão III aderiu à iconoclastia, corrente religiosa que proíbe o culto a imagens, e mandou vandalizar tudo. Outros dizem que quase todos os olhos das figuras pintadas foram removidos por moradores supersticiosos com medo de mau olhado.

Nesta região neva por três meses. E há muitas árvores de damascos.

Continuamos o dia com uma visita a uma fábrica de tapetes turcos.

 

 

Turquia – Passeio de balão inesquecível

Turquia – Capadócia – Passeio de balão inesquecível

Hoje é dia 22 de outubro de 2019. Grande dia nos aguarda, pois passearemos de balão de ar quente na Capadócia. Estamos em Avanos no hotel Suhan Capadócia. Acordamos às 5 h da madrugada, um frio de rachar. Grande parte do grupo da excursão da Abreu se interessou. Fiquei surpresa, pois havia gente de todas as idades. O pessoal muito participativo e interessado nas aventuras. Todos se divertiram. O que mais fizemos foi rir, se emocionar e tirar fotografias. Buscaram a gente no hotel em caminhonetes e fomos ao local dos voos.

Dicas: estar bem agasalhado de luvas, cachecol e vestir calças confortáveis, porque subir no balão não é fácil, é alto, precisa de escadas. Jeans, não aconselho. Entramos em um cesto de vime enorme no qual cabem umas 30 pessoas. O baloeiro nos instrui para tomar cuidado com tudo fora do cesto, não se assustar com o barulho do fogo que sai acima das nossas cabeças e não se mexer bruscamente na hora do pouso. E acrescenta que quando mandar, devemos se agachar com os joelhos dobrados e com as mãos na cabeça na descida. Detalhe: eles falam em inglês.

Estamos sem café da manhã por conta do adiantado da hora, então a empresa de balões nos espera com sucos e sanduíches. Na volta, com sidra. Pedem gorjeta e oferecem o pendrive com a filmagem por 150 liras turcas. Nós não quisemos. Porém ficamos com a foto.

A estrutura de inúmeros balões (contei uns 150), transportes e de muitos funcionários (cinco por balão na terra) é incrível. São 200 euros por pessoa, mas vale cada minuto. Aceitam-se dólares e euros por aqui. O nosso guia Ali recolheu o dinheiro antes. Disse que está sempre encarecendo. Tem bastante gente envolvida com a atividade. De cair o queixo. Importante mencionar que o passeio depende do clima. Tivemos sorte. Segundo o blog mapadesonhos.com, se tem muito vento ou pouquíssimo, ou está muito frio, o voo é cancelado. Há um órgão regulamentador que autoriza as saídas diariamente.

Foto dos balões
Foto dos balões na Capadócia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Inflam-se os balões com ventiladores super potentes e depois lufadas de ar quente com fogo para agilizar o processo, de acordo com o blog acima mencionado. O passeio é fenomenal, subimos e descemos no balão perante as formações rochosas peculiares da região. Um sentimento forte toma conta de nós em estar em tão espetacular sítio histórico turco. Imperdível. Assistimos ao nascer do sol, algo inspirador. Chegamos a 6 mil pés ou 1.829 km de altura. O horizonte fica repleto de pequenos pontos coloridos, são os outros balões a embelezar a paisagem árida, mas espetacular.

São várias as empresas que voam. A nossa escolhida pela Abreu se chama Balloon Turca. O passeio dura uma hora e meia e fizemos sem medo algum. O baloeiro é muito experiente. Aliás, o curso para controlador de balão profissional dura um ano.

De cima vemos casas típicas da Capadócia e muitas com placas solares, também observamos muitas vinhas de uvas da região. Passamos por montanhas singulares somente existentes nesta localidade. A natureza encanta.  Fica-se deslumbrado. Quando acaba o passeio, estamos em êxtase.

Recebemos o certificado de voo e a foto. Foi uma aventura de uma vida.

Interessante dizer que na região de Pamukkale (650 km da Capadócia) também se anda de balão. Na nossa excursão não teremos tempo.

Ao retornar ao hotel, tomamos café com poucas frutas e já vamos ao Vale do Göreme, que dista 750 km de Istambul. Continuaremos em breve com o “Vaticano da Capadócia”. Que Turquia mais rica de história, geografia, cultura!

 

 

Turquia – Capadócia – Vale dos Pombos e Castelo Uçhisar

Turquia – Capadócia – Vale dos Pombos e Castelo Uçhisar

Hoje é dia 21 de outubro de 2019. Viajamos de ônibus, com grandes distâncias pela Turquia. A viagem é puxada e há pouco espaço entre as cadeiras. Saímos de Ancara, passamos pelo lago Salgado e rumamos à Capadócia, região única no mundo.

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Capadócia e sua beleza única no mundo-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

A natureza esculpiu uma fantástica e quase sobrenatural paisagem, conhecidas como Chaminés das Fadas. Apresentam formas cônicas, pontiagudas, de sombrinhas, de setas ou de colunas. A Wikipédia as apresenta como cones de rocha vulcânica e calcária, frequentemente, coroados com um grande “chapéu”.

A terra dos vulcões possui o tufo vulcânico, pedra porosa da região. Segundo o blog viator.com/pt-BR, este tufo foi esculpido pelo vento da Capadócia e criou uma impressionante série de vales, pontilhada de imponentes chaminés de fadas e formações rochosas dramáticas.

É região antiga demais, sua fundação vem de 10.000 a. C., período do Neolítico.  São 80.000 km². Os cumes na Anatólia Central com 3 mil, 4 mil m formaram a Capadócia quando estavam em erupção. A terra é árida, a região é dita como semiárida.

A história da região tem a ver com as cidades subterrâneas construídas nas montanhas contra perseguições dos árabes, mongóis, romanos e outros. Interessante dizer que todas as igrejas na área têm a imagem de São Jorge, os primeiros cristãos estavam nesta localidade, era o cristianismo “Gálata”. Escavavam abaixo da terra para se esconder, eram grutas escavadas.

Capadócia significa “terra dos cavalos” em persa. O Vaticano da Ásia Menor era encontrado nas rochas escavadas. Em 1200 d. C. os turcos viviam bem com os cristãos até o fim da Primeira Guerra Mundial. Devido ao Tratado de Lausanne em 1923, houve a mudança da população: os cristãos deveriam sair do país e ir para a Grécia; e os turcos de lá muçulmanos vir para a Turquia. Com essa transferência populacional, a terra dos cristãos e gregos vai ser abandonada (até 1965, depois viraram museus). Hoje em dia não existem mais cristãos. Digno de nota que a população local não queria a mudança.

Falemos no amado São Jorge da Capadócia ou Jorge de Lida (hoje, Lod em Israel, onde estão suas relíquias). De acordo com a Wikipédia, Jorge nasceu em 270 ou 280 d. C. nesta região, era soldado do exército do Império Romano da época de Diocleciano. Morreu como mártir em 303 d. C. em Nicomédia (atual Ismide turca). O nosso guia Ali acrescenta que ele aceita o cristianismo e recusa-se a orar no Templo de Tibele, por isso foi exilado do exército. Conhece Teodoro que também vira santo. Andavam a cavalo na região, Jorge no seu animal branco e Teodoro no vermelho. No caminho, encontram um protesto, pois havia um dragão em uma caverna em Kayseri e por essa razão iriam sacrificar a filha do rei da Capadócia: Sabra. Jorge mata o dragão, aí o rei aceita o cristianismo. Ressalto que são várias as histórias contadas, consideradas lendas. Lembrei demais da novela global “Salve Jorge”. Este santo é venerado em muitos lugares do mundo. No Brasil é padroeiro extraoficial do Rio de Janeiro e no sincretismo religioso brasileiro e cubano é Ogum.

A Capadócia era cristã. Após a saída dos cristãos, os turcos destruíram as imagens de Nossa Senhora, mas não as de Jorge, porque acreditavam nele.

Estamos no centro da Capadócia, na Anatólia Central. Aqui se planta trigo, cevada, lentilha (vermelha e amarela), grão de bico, batatas, abóbora para os animais e sementes de girassol se tiver água.

Antes de chegar ao hotel Suhan Capadócia e ficar na cidade de Avanos, fomos conhecer o Vale dos Pombos, perto do castelo Uçhisar. Lugar inigualável.

Eu no Vale dos Pombos-Capadócia
Eu com o Vale dos Pombos atrás-Capadócia-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado

O blog siamoarrivati.wordpress.com esclarece que o nome do vale deve-se à enorme quantidade de pombais esculpidos ao longo do vale. Os pombos eram utilizados como fonte de alimento. Ainda usam as fezes deles para fertilizar a terra. Vemos buracos de moradas nas rochas ao longe. Como há lojas de sementes, incrível.

O blog brasileirosporai.com adiciona que o Vale dos Pombos é repleto de pequenas casinhas escavadas nos paredões de rocha e ainda é frequentado por estas aves que hoje existem em menor número na região. O pombo foi o animal mais importante para os antigos habitantes da Capadócia. O excremento da ave também era usado como selante nos afrescos encontrados nas igrejas rupestres. À beira do vale está a mais bela árvore de olhos turcos da Capadócia.

A Wikipédia menciona que Uçhisar significa “três fortalezas” em turco. Fica no vilarejo de Uçhisar, pertencente ao distrito de Nevşehir. O castelo serviu de fortaleza e refúgio no passado e que, com seus 1.300 m de altitude, é o ponto mais alto da Capadócia. Foi usado como abrigo na época hitita (cerca de 1.500 a. C.) e posteriormente pelos primeiros cristãos durante o período romano e pelos bizantinos durante as incursões árabes dos sécs. VII e VIII e durante as primeiras invasões turcas. A fortaleza é um autêntico labirinto que inclui capelas, mosteiros, habitações, refeitórios, armazéns e salas comuns, ligados entre si por uma rede de galerias empilhadas em vinte andares. O castelo Uçhisar se situa em uma aldeia troglodita, ou seja, primitiva.

No hotel o jantar foi em estilo buffet: um mundo de comidas com uma multidão de chineses.

Continuaremos com a Capadócia em breve.

 

Turquia – Lago Salgado e Outros Detalhes

Turquia – Lago Salgado e Outros Detalhes

Hoje é dia 20 de outubro de 2019 e continuamos no percurso de Ancara até a Capadócia de ônibus. As estradas são perfeitas no país surpreendente.

Nossa primeira parada será para conhecer o segundo maior lago da Turquia: Salgado ou Tuz Gölü em turco que significa “lago de sal”. Conforme explica a Wikipédia, a área é de 1500 km² e engloba as províncias de Ancara, Cônia e Aksaray. Estamos a 150 km a sudeste de Ancara, a 105 km a nordeste de Cônia e em plena Anatólia Central, ou seja, no centro do país. O lago tem normalmente 80 km de comprimento e 50 km de largura, a uma altitude de 905 m. Trata-se de um lago endorreico, ou seja, sem saída. O nosso guia Ali esclarece que 70% do sal consumido na Turquia vêm dele.

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A companheira de viagem Liliana Moreira e eu no lago Tuz na Turquia-foto tirada por Carlos Alencar

Chegamos, descemos e fomos conhecê-lo. Muito interessante pisar só em sal. No ponto de apoio enorme, os banheiros são pagos e lá fomos nós pobres mulheres enfrentá-los. Como sempre, os banheiros com vasos sanitários (a lá franga) e os no chão, sem vaso (a lá turca). Ainda bem que no ponto de apoio havia cafés, sucos e uma loja com as tentadoras bolsas e sacolas coloridas e lindas, além das maravilhas para os turistas. Tudo é tão repleto de cores.

Nós no lago Salgado-Turquia
Nós no lago Salgado ou Tuz na Turquia-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado

Na região, vemos pradarias com montanhas. Eis o planalto da Anatólia Central, seco no verão e com neve e chuva no inverno.

Uma pergunta que não quis calar: o motivo de algumas mulheres usarem burcas pretas fechadas e outras, apenas hijabs (véus), lenços ou nada cobrindo a cabeça. Lembrando que estamos na Turquia, considerada laica na Constituição. A resposta é que depende da interpretação de cada um, vai da família ou do marido. Se casadas, seguem os preceitos religiosos do marido.  Em Istambul, por exemplo, há muitas mulheres europeias. Em Cônia, a cidade mais muçulmana da Turquia, somente burcas. Algo digno de nota: as turistas iranianas cobrem a cabeça também, isto é obrigatório, porém muitas quando chegam à Turquia, tiram a coberta. Em 1934 a mulher já votava na Turquia e tinha Primeira-Ministra. Hoje os que seguem o Islã, não aceitam a mulher ter liberdade assim.

Um pouco sobre geografia: a montanha mais alta do país tem 5.165 m e se chama Monte Aratate. Segundo a lenda, a Arca de Noé atracou lá e está enterrada no seu cume. Também há o Pequeno Ararate, ambos no Planalto Armênio, vizinhos da Armênia e do Irã.

Falemos em economia: o forte no país é construção, bancos, petroquímica (sem petróleo), cinco refinarias, agricultura (legumes), avelã (70% da produção mundial), e a cidade de Izmir sendo responsável por 35% da produção mundial de uvas passas. Compram gás natural da Rússia. Até 1946 os produtores de ovelhas eram nômades, hoje são seminômades e produzem queijo, tapetes e couro. Tapetes usados como camas e para cobrir a areia nas tendas, são feitos por mulheres e por prisioneiras que estão no sistema semiaberto.

Não podemos esquecer a produção de cevada, figos, damascos e oliveiras. Atualmente, importam lentilha e trigo. O turco come pepino, azeitona e queijo no café da manhã. Isso é cultura de um povo.

O turismo é muito importante. São 45 milhões de turistas por ano. A guerra com os curdos atrapalha os europeus, mas não os latinos. Detalhe: na Alemanha são quatro milhões de imigrantes turcos (aliás, foi em Berlim que eu comi kebab pela primeira vez e amei!).

Com a queda do Império Otomano, os curdos queriam seu estado, porém não conseguiram até hoje. Estão divididos entre Irã (12 milhões de pessoas), Iraque (10 milhões), Síria (5 milhões) e Turquia (20 milhões). Desde 1923 estão proclamando e querendo sua identidade cultural.

O Mercado Comum Europeu (MCE), desde o final da década de 90 do século passado, pediu que a Turquia resolvesse a situação com os curdos e com a ilha de Chipre, já que o país estava pleiteando ser um membro desde 1987, mas agora os extremistas turcos não querem mais entrar no MCE. Logo, nada foi resolvido.

Para finalizar, um pouquinho de política. Nos tempos modernos até 2016 o sistema de governo era parlamentarista. Foi feito um referendo popular em abril de 2017, sendo decidido pela República Unitária Presidencialista. Presidencialismo este, que não é entendido pelo povo. Na verdade, o presidente Erdogan controla os três poderes, além de governadores, reitores, presidentes de Tribunais etc. O “sultão Erdogan”, como dizem os turcos, está no poder desde 2003.

Em 1924, as mesquitas, isto é, o poder religioso estava sob o controle do estado com a Constituição do mesmo ano, quando o primeiro presidente da república: Ataturk aboliu o sultanato. Atualmente, é o contrário, o estado laico é regido pelos religiosos.

Continuaremos com uma região espetacular e única no mundo: a Capadócia em breve.

 

 

Turquia – Ancara – Mausoléu do Ataturk

Turquia – Ancara – Mausoléu do Ataturk

Hoje é dia 20 de outubro de 2019. Estamos na capital da Turquia: a ajeitada e agradável Ancara. Do Museu das Civilizações da Anatólia rumamos a pé para o Mausoléu do Ataturk. O clima é bem mais frio do que Istambul: 14°C.

Este mausoléu é tão importante para o país, basta dizer que se a autoridade de um país estrangeiro em viagem oficial não visitá-lo, é sinal que não aceita a república. Os extremistas religiosos turcos não gostam do Ataturk. Sem dúvida, a Turquia é o que é hoje graças a ele. Quem segue o pensamento do Mustafá Kemal até hoje é considerado kemalista, quem é por esses religiosos é islamista.

Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), o Mausoléu de Mustafá Kemal, conhecido como Ataturk (pai dos turcos), foi construído em mármore travertino entre 1940 e 1950. Ele nasceu em Tessalônica (Macedônia grega), terminou com o regime de sultanato e com a monarquia e proclamou a república em 20 de outubro de 1923.

O nosso guia Ali da agência Abreu acrescentou que o Ataturk casou uma vez, mas não teve filhos e depois se divorciou. Não queria um mausoléu tão esplendoroso: são 700 mil m² com árvores de várias regiões. Pelas fotos, era branco, bem ocidental, bonito e de olhos claros. Era militar do Exército do Império Otomano. Faleceu em Istambul em 1938 aos 57 anos de cirrose, pois bebia muito raki (licor derivado da uva com sabor de anis-bebida nacional da Turquia).

O mausoléu foi inaugurado em 1953 no bairro de Çankaya. É enorme e imponente, muitos alunos de escolas o frequentam. Vários eventos políticos ocorrem no local, é simbólico. Na entrada novamente há controle de bolsas em todos os lugares, é muito bem policiado. No museu visitamos várias salas, vimos um carro Lincoln de 1973 do segundo presidente do país, objetos particulares de Mustafá Kemal, dentre eles: armas e medalhas e o seu sarcófago etc.

De acordo com o livro mencionado anteriormente, Ataturk foi o artífice do estado moderno turco e num gesto de coragem iniciou a ocidentalização da Turquia, aproximando-a da Europa. Entre as grandes reformas estão: 1-a separação da religião do estado; 2- a troca dos códigos religiosos pelos civis, copiando-os da Suíça e Itália (o código civil do suíço e o código penal do italiano); 3-a instituição do divórcio; 4-o casamento monogâmico; 5-a mudança no sistema de medidas; 6- a adoção do calendário gregoriano; 7-a mudança dos caracteres Magrebis (alfabeto árabe) pelos latinos; 8- a troca do modo de vestir árabe pelo europeu; 9- a adoção do domingo como feriado civil.

Algo digno de nota a ser contado: a palavra “mausoléu” vem de “Mausolo”. A Wikipédia explica que o Mausoléu de Halicarnasso ou de Mausolo foi uma tumba construída entre 353 e 350 a. C. em Halicarnasso para Mausolo (o governante de Cária no sudoeste da Ásia Menor) pela sua esposa e irmã Artemísia II. Com 45 m de altura, chama-se também de Túmulo de Mausolo e é umas das sete maravilhas do mundo antigo. Halicarnasso se tornou Bodrum na Turquia. A Encyclopaedia Britannica adiciona que o edifício foi desenhado pelos arquitetos gregos Pythius e Satyros; e as esculturas pelos artistas gregos: Scopas, Bryaxis, Leochares e Timotheus – cada um responsável por um lado do túmulo.

Saindo do local tão fundamental para o país, seguimos para o almoço no restaurante Emin Koçak Kebab. Minha refeição foi arroz com vegetariano (legumes) e sobremesa: pudim de arroz. O kebab também pode ser servido como pedaços de pizza magrinhos. Tem loja ao lado do restaurante que vende chaveiros, produtos de azeite, bolsas, doces, chocolates etc. Muitas lindezas tentadoras.

Mais um pouco de história: 1. Os romanos fundaram Ancara e chamaram-na de Ankre.  Chegaram de galés, ou seja, antigos navios de guerra, movidos a remo e geralmente movimentados por condenados ou escravos. 2. Os primeiros habitantes da região datam de 10.000 anos a. C.. Trata-se de uma terra muito antiga. Os hititas estavam lá em 2000 a. C.. Na cidade foram encontrados sítios arqueológicos hititas, frígios, helenísticos, romanos, bizantinos e otomanos.

A Wikipédia diz: “o centro histórico da cidade é um monte rochoso que sobe a 150 metros sobre a margem esquerda do Ankara Çayı, um afluente do rio Sakarya. A colina permanece coroada pelas ruínas da antiga cidadela. Ainda há exemplos bem preservados da arquitetura otomana e romana em toda a cidade, sendo o mais notável sendo o Monumento de Ancira, construído entre os anos 34 a. C. e 20 d. C..”

Na capital, em cima da montanha, havia favelas até o ano 2000. Algo bom feito pelo atual presidente Erdogan foi tê-las destruído e erigido prédios funcionais e bons para habitar de 60, 100 e 120 m² para venda para os trabalhadores pagar em 20 anos. São elogiados.

A aposentadoria na Turquia segue o modelo europeu: homens com 65 anos e mulheres com 62. 70 % da população têm menos de 35 anos. Com o salário mínimo de 2.200 liras turcas não dá para viver na cidade, porque os aluguéis são muito caros, vão de 2 mil a 20 mil liras mensais no centro, por exemplo. Um médico ganha umas 15 mil liras por mês; o professor universitário, de 10 a 15 mil; o professor de escola pública, umas 4 mil; e o policial, umas 7 mil liras turcas. As rodovias nacionais não são pagas, mas as autoestradas são por meio de pedágios.

Continuaremos com o lago Salgado em direção à Capadócia.