Argentina – Córdoba – Primeira Parte-Estâncias Jesuíticas: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina
Córdoba sempre surpreendente. Eu não tinha ideia da riqueza cultural que são essas estâncias. Só conhecendo pessoalmente para saber o quão fascinantes são. Hoje é dia 18 de outubro de 2018 e saímos a passear pelo dia todo novamente com a guia Carla e o motorista Tomás. A agência foi a Nativo Viajes (Independencia, 174-Centro). A Carla foi nossa guia às serras de La Cumbrecita e Villa General Belgrano. Desta vez ela deu um show em espanhol e inglês, uma vez que na excursão havia uma holandesa, uma inglesa e uma francesa. Todas muito simpáticas. Lógico que aproveitei e gastei meu inglês… Saudações, Carla, obrigada por tanta informação boa. Um olá carinhoso também à Zaida, recepcionista linda e solícita do hotel Caseros 248, nossa acompanhante na viagem.
Comecemos a jornada. A guia nos conta que há muitos estudantes chilenos em Córdoba, já que a universidade do estado é gratuita. A Igreja da Cia. de Jesus e o Colégio Monserrat em Córdoba foram fundados em 1671 pela Cia. de Jesus. A igreja é a única com suas características preservadas, o teto é um barco ao contrário (o arquiteto naval era francês) e o colégio hoje é misto. Até 1783 na lateral do colégio funcionavam igreja e imprensa religiosa.
Os espanhóis colonizadores não tinham uma boa relação com a Companhia de Jesus, aliás, as palavras corretas são Sociedade de Jesus. Inácio de Loyola (1491-1556), o fundador, era basco de Azpeitia. A sociedade nasceu em Roma e por 16 anos o teve na direção. Lembrando que em Córdoba havia franciscanos e dominicanos já no séc. XVI. Quem substituiu Inácio de Loyola como Superior Geral da Sociedade de Jesus foi Claudio Acquaviva (1543-1615), italiano de Atri, Abruzzo.
Rumamos ao norte da província de Córdoba hoje. São três monastérios respeitáveis: Colonia Caroya (diz-se Caroja) de 1616, Jesús María de 1618 e Santa Catalina de 1622 (Patrimônio Cultural da Humanidade-UNESCO). São estâncias com fábricas, antes tinham escravos. Como os colonizadores espanhóis escravizavam os índios, entravam em conflito com a Cia. de Jesus. Isso causou muitas batalhas. Os jesuítas protegiam os indígenas e os educavam, embora tivessem escravos para o trabalho pesado. Os encomenderos espanhóis caçavam nativos e os vendiam para a escravidão. Trabalhando 24 horas por dia, ou os tratavam como animais ou os mandavam para o serviço privado. Muitos nativos morriam de enfermidades, como o sarampo. Segundo o Educalinguo.com/pt/dic-es, “o encomendero era chefe da parte de uma instituição colonial denominada encomienda, tinha índios confiados a ele em qualquer uma das colônias espanholas da América e das Filipinas”.
As missões guaranis estiveram na região sob a proteção da Cia. de Jesus. Pagavam um tributo ao rei da Espanha, então se tornaram vassalos do rei Carlos III. Quando decidiram parar de pagar o tributo, aí os problemas apareceram. O fato de questionarem o poder também causou discórdia. Por isso, a Ordem foi expulsa de Córdoba. Foi na época do papa Pio VII. Os jesuítas foram embora para a Itália, Rússia, Hungria etc. Depois voltaram, mas nesse meio tempo as propriedades foram saqueadas e abandonadas.
Trata-se da parte mais antiga da região, vive da atividade agropecuária, é rural, sente-se o cheiro das vaquinhas. O turismo não é tão impactante e os festivais são em solidariedade às escolas. Há transporte de cereais por caminhões e a fábrica ARCOR funciona por aqui. Interessante mencionar que os rios aumentam muito com as chuvas, logo acontece comumente enchentes na localidade de Caroya.
O motorista pega a Ruta Nacional 9 na ida e volta pelas Sierras Chicas. A primeira estância adquirida pela Ordem dos Jesuítas foi a Colonia Caroya. A entrada é 50 pesos e não se tira fotos dentro. Em Jesús María só se começou a tirar fotos nas últimas semanas, antes nem com bolsa entrava. Já Santa Catalina, privada, pertencente a 160 membros da família de um ex-governador cobra 25 pesos e somente permite uma foto, a do retábulo da igreja.
Na Estância Jesuítica de Caroya há produção e venda de queijos, salames e quatro bodegas (de vinho) reconhecidas. As estâncias foram inauguradas por imigrantes italianos no séc. XIX e antigamente se usava o trem Buenos Aires-Córdoba.
Conforme o Guia Criativo para o Viajante na América do Sul, quarta edição, “as antigas estâncias jesuíticas de criação de gado, plantação de cereais e fabricação de vinho valem a visita. Foram atividades dos padres jesuítas durante sua permanência na região. A 50 km ao norte, a Estância de Jesús María abriga o Museu Jesuítico Nacional e conserva peças de alto valor arqueológico, histórico e religioso. A Estância de Santa Catalina, considerada a mais importante da província, conserva um templo de fachada barroca, vivenda de índios e escravos, além de pinturas e objetos de decoração”.
Prosseguiremos em breve com as estâncias jesuíticas.







