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Argentina – Córdoba – Primeira Parte -Estâncias Jesuíticas: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Argentina – Córdoba – Primeira Parte-Estâncias Jesuíticas: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Córdoba sempre surpreendente. Eu não tinha ideia da riqueza cultural que são essas estâncias. Só conhecendo pessoalmente para saber o quão fascinantes são. Hoje é dia 18 de outubro de 2018 e saímos a passear pelo dia todo novamente com a guia Carla e o motorista Tomás. A agência foi a Nativo Viajes (Independencia, 174-Centro). A Carla foi nossa guia às serras de La Cumbrecita e Villa General Belgrano. Desta vez ela deu um show em espanhol e inglês, uma vez que na excursão havia uma holandesa, uma inglesa e uma francesa. Todas muito simpáticas. Lógico que aproveitei e gastei meu inglês… Saudações, Carla, obrigada por tanta informação boa. Um olá carinhoso também à Zaida, recepcionista linda e solícita do hotel Caseros 248, nossa acompanhante na viagem.

Comecemos a jornada. A guia nos conta que há muitos estudantes chilenos em Córdoba, já que a universidade do estado é gratuita. A Igreja da Cia. de Jesus e o Colégio Monserrat em Córdoba foram fundados em 1671 pela Cia. de Jesus. A igreja é a única com suas características preservadas, o teto é um barco ao contrário (o arquiteto naval era francês) e o colégio hoje é misto. Até 1783 na lateral do colégio funcionavam igreja e imprensa religiosa.

Os espanhóis colonizadores não tinham uma boa relação com a Companhia de Jesus, aliás, as palavras corretas são Sociedade de Jesus. Inácio de Loyola (1491-1556), o fundador, era basco de Azpeitia. A sociedade nasceu em Roma e por 16 anos o teve na direção. Lembrando que em Córdoba havia franciscanos e dominicanos já no séc. XVI. Quem substituiu Inácio de Loyola como Superior Geral da Sociedade de Jesus foi Claudio Acquaviva (1543-1615), italiano de Atri, Abruzzo.

Rumamos ao norte da província de Córdoba hoje. São três monastérios respeitáveis: Colonia Caroya (diz-se Caroja) de 1616, Jesús María de 1618 e Santa Catalina de 1622 (Patrimônio Cultural da Humanidade-UNESCO).  São estâncias com fábricas, antes tinham escravos. Como os colonizadores espanhóis escravizavam os índios, entravam em conflito com a Cia. de Jesus. Isso causou muitas batalhas. Os jesuítas protegiam os indígenas e os educavam, embora tivessem escravos para o trabalho pesado. Os encomenderos espanhóis caçavam nativos e os vendiam para a escravidão. Trabalhando 24 horas por dia, ou os tratavam como animais ou os mandavam para o serviço privado. Muitos nativos morriam de enfermidades, como o sarampo. Segundo o Educalinguo.com/pt/dic-es, “o encomendero era chefe da parte de uma instituição colonial denominada encomienda, tinha índios confiados a ele em qualquer uma das colônias espanholas da América e das Filipinas”.

As missões guaranis estiveram na região sob a proteção da Cia. de Jesus. Pagavam um tributo ao rei da Espanha, então se tornaram vassalos do rei Carlos III. Quando decidiram parar de pagar o tributo, aí os problemas apareceram. O fato de questionarem o poder também causou discórdia. Por isso, a Ordem foi expulsa de Córdoba. Foi na época do papa Pio VII. Os jesuítas foram embora para a Itália, Rússia, Hungria etc. Depois voltaram, mas nesse meio tempo as propriedades foram saqueadas e abandonadas.

Trata-se da parte mais antiga da região, vive da atividade agropecuária, é rural, sente-se o cheiro das vaquinhas. O turismo não é tão impactante e os festivais são em solidariedade às escolas. Há transporte de cereais por caminhões e a fábrica ARCOR funciona por aqui. Interessante mencionar que os rios aumentam muito com as chuvas, logo acontece comumente enchentes na localidade de Caroya.

O motorista pega a Ruta Nacional 9 na ida e volta pelas Sierras Chicas. A primeira estância adquirida pela Ordem dos Jesuítas foi a Colonia Caroya. A entrada é 50 pesos e não se tira fotos dentro. Em Jesús María só se começou a tirar fotos nas últimas semanas, antes nem com bolsa entrava. Já Santa Catalina, privada, pertencente a 160 membros da família de um ex-governador cobra 25 pesos e somente permite uma foto, a do retábulo da igreja.

Na Estância Jesuítica de Caroya há produção e venda de queijos, salames e quatro bodegas (de vinho) reconhecidas. As estâncias foram inauguradas por imigrantes italianos no séc. XIX e antigamente se usava o trem Buenos Aires-Córdoba.

Conforme o Guia Criativo para o Viajante na América do Sul, quarta edição, “as antigas estâncias jesuíticas de criação de gado, plantação de cereais e fabricação de vinho valem a visita. Foram atividades dos padres jesuítas durante sua permanência na região. A 50 km ao norte, a Estância de Jesús María abriga o Museu Jesuítico Nacional e conserva peças de alto valor arqueológico, histórico e religioso. A Estância de Santa Catalina, considerada a mais importante da província, conserva um templo de fachada barroca, vivenda de índios e escravos, além de pinturas e objetos de decoração”.

Prosseguiremos em breve com as estâncias jesuíticas.

Argentina – Córdoba – Igreja dos Capuchinhos e Paseo del Buen Pastor

Argentina – Córdoba – Igreja dos Capuchinhos e Paseo del Buen Pastor

Hoje é dia 17 de outubro de 2018. Continuamos os passeios por Córdoba. Estamos agora na bela igreja Sagrado Coração de Jesus dos Padres Capuchinhos. Como é perto do hotel Caseros 248, fomos a pé. Está situada à rua Obispo Trejo, 242, cerca do shopping center Patio Olmos. A visita guiada à torre com mirante por 150 pesos vale a pena para quem possui boas pernas e joelhos. O Carlos foi com o guia Alejandro, são 148 degraus e as escadas são em forma de espirais até em cima.

Chama a atenção a estátua do padre Pio de Pietrelcina com muitas plaquinhas de graças. A igreja teve como arquiteto Augusto César Ferrari, tem estilo neogótico e em 1926 teve as obras iniciadas até os anos 80 com inúmeras interrupções. Destaca-se a estrutura de concreto armado, construído pelos engenheiros Giralt, Nores e Olmedo e as esculturas do artista italiano-argentino Luís Ramacciotti.

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Bairro Nova Córdoba em Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Sobre o seu valor simbólico muito pode ser dito. Nas primeiras décadas do séc. XX, produziu-se no bairro Nova Córdoba o auge da arquitetura europeia, onde o Palácio Ferreyra (Museu Superior de Belas Artes Evita) e os Capuchinhos foram um emblema especial. Passados mais de 100 anos este templo monumental é um ícone da cidade pela história, desenho e fé.

Os Capuchinhos exemplificam técnicas e desenhos próprios, época de revivamentos, aparição de neos e ecletismo de desenhos. Conjugam elementos próprios de gótico como arquivoltas, rosetones, arcos ogivais (referente ao estilo gótico, formada pelo cruzamento de duas curvas) com uma decoração barroca recarregada, imprópria do estilo puro. Cada um dos elementos que integram a fachada tem um sentido para o artista.

De lá fomos ao Patio Olmos para pegar um fresquinho e jantar. O calor está grande: mais de 31˚C, o sol está de rachar em plena primavera. Escolhemos licuado de frutilla (vitamina de morango) com misto quente de novo, mas em outro restaurante. A cada dia há promos, ou seja, promoções. Pagamos 100 pesos, muito em conta. Detalhe: hoje é dia de descontos bons no comércio, geralmente, 30 % pelo Dia das Mães. Também é o dia da “Lealdade a Perón”, promovido por sindicatos peronistas. O ex-presidente Perón ainda é idolatrado por muita gente.

Estava na hora de assistir a algo original. Em frente à igreja dos Capuchinhos, tem o Paseo del Buen Pastor (centro cultural, um local também com galeria, chafarizes, lojas e lanchonetes) com o “Espetáculo das Águas” dançantes, coloridas e musicais às 20.30h. Foi emocionante escutar “We are the Champions” da banda inglesa Queen, dentre outras músicas. Foi breve o momento, mas bonito.

Seguiremos com as Estâncias Jesuíticas ao norte de Córdoba em breve.

Argentina -Córdoba – Museus San Alberto, MUCI (Museu da Cidade de Córdoba) e Juan de Tejeda

Argentina – Córdoba – Museus San Alberto, MUCI (Museu da Cidade de Córdoba) e Juan de Tejeda

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Estátua do bispo San Alberto-Museu San Alberto-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é quarta-feira, dia 17 de outubro de 2018. Estamos aproveitando a cidade de Córdoba. Pela manhã o Carlos e eu visitamos o museu San Alberto perto da praça San Martin (Calle Caseros, 124). Nosso guia foi o Julio (estudante de turismo) e a acompanhante foi a Eliana. Ambos nos deram uma aula memorável de história.

 

A casa do museu tem estilo colonial com arcos de meio ponto. Passou por vários donos. Era a residência de Antonio Soler que a vendeu a um comerciante português Simão Duarte. Ignacio Duarte, um dos filhos, ficou com ela. Os territórios à época eram habitados por nativos. Os espanhóis vieram para colonizar a terra, mas a tarefa evangelizadora e civilizatória era dos jesuítas. Em 1693 esse mesmo Ignacio Duarte y Quirós, presbítero (sacerdote, padre), doa a casa para a Companhia de Jesus com a condição de ali funcionar uma residência para alunos universitários. Vinham de toda a América. Ali foi criado El Real Convictorio de Nuestra Señora de Monserrat. Eram três pátios, hoje são dois. Formam a Manzana Jesuítica de Córdoba. Para esclarecer, de acordo com o educalingo virtual, “convictorio” é “o departamento onde os estudantes moram em escolas jesuítas”.

Falemos no bispo San Alberto (frei José Antonio de San Alberto). Em 1782 inaugurou a Real Casa de Niñas (meninas) Educandas, administrada por beatas que deram origem às Irmãs Terciárias Carmelitas de Santa Teresa de Jesus. San Alberto era espanhol e se preocupava com as crianças desamparadas e pobres, pois à época só os homens estudavam, mulher tinha que ser do lar. Ele se preocupava com as crianças sem família, sendo que as meninas não teriam nada se não tivessem maridos. Logo, criou um lugar para cuidar das meninas. Era inovador, dava livros para as crianças mestiças; as meninas usavam hábitos; e dava educação para as diferentes raças. A ordem era carmelita e seu projeto era dar educação sem distinção de raça e classe social.  Segundo o bispo, não era orfanato e sim um lar. As meninas estudavam pintura, música, aprendiam os afazeres de casa, oravam etc. Em 1980 virou museu.

San Alberto faleceu com 78 anos e quem o nomeou bispo foi o Papa Pio VI. O museu funciona pela manhã, porque à tarde a casa é usada pelas carmelitas. A manzana (quadra) compreende o Colégio Santa Teresa (secundário) e o Convento das Carmelitas terciárias com função educadora, ou seja, não são do claustro. Também faz parte a igreja da Companhia de Jesus, a Capela Doméstica, o Colégio Nacional de Montserrat e a Universidade Nacional de Córdoba.

Conhecemos a sala de reunião onde no passado funcionava como um conselho para decisões. Era a maior da casa. Há pratos decorados que eram dotes das meninas. Lá estava uma caixa de música de 1860 com oito melodias, sendo uma, o hino nacional argentino. Visitamos também o subterrâneo: a cripta e o cemitério privado das educadoras e alunas. Eram enterradas em urnas com terra, cal e areia. Lá estavam placas de meninas mortas de 1878, 1801, 1802 e 1804. Posteriormente, tiravam os ossos e colocavam em um ossário. Os ossos não se misturavam se fosse de uma superior. A ventilação dava para a casa. Com a lei dos cemitérios públicos de 1900, os privados deixaram de existir. Atualmente, as pessoas influentes são enterradas no Cemitério São Jerônimo.

Na Capela Rosada estão os restos mortais de San Alberto. Da mesma forma há imagens de Santa Teresa de Jesus- de Ávila-Espanha; de Santa Teresinha de Jesus (das rosas)- da França e da Virgen del Carmen (carmelo).

A igreja Companhia de Jesus que faz parte da Manzana  Jesuítica de Córdoba é espetacular. Está escrito na parede: “Para desfrutar, para cuidar, para aprender…” do séc. XVI. Trata-se do templo mais antigo do país, construído na pedra entre 1640 e 1671. É Monumento Histórico Nacional e Patrimônio da Humanidade. Segundo o Livro Viajante Independente na América do Sul, 4ͣa. edição, a igreja possui duas capelas: a primeira, a Capilla Doméstica, de 1644, decorada com ouro e detalhes rococó, feita para os espanhóis e jesuítas, e  a outra, a capela dos índios, porque as damas da sociedade não admitiam que seus filhos frequentassem a missa junto com os “selvagens”.

 

De lá nos direcionamos ao Cabildo, desta vez para ver a parte subterrânea e o 1˚andar onde se encontra o MUCI (Museu da Cidade de Córdoba), também centro cultural. Foi criado em 1980 por decreto municipal e em 2017 teve sua renovação na imagem e no perfil. O Cabildo é Monumento Nacional desde 1941. Foi lugar de processos sociais, culturais e políticos da cidade, contém parte do patrimônio material e imaterial de Córdoba.

O museu conta a história da região desde a sua fundação. Os povos nativos eram os comechingones que viviam da caça e produção agrícola, assim como de atividades relacionadas com a natureza e estações do ano. Córdoba era centro administrativo, religioso e educativo. Assim que foi fundada, ordens religiosas se instalaram na cidade, dentre elas, a Companhia de Jesus. Tal ordem fundou o Colégio Maximo e em 1613 a primeira universidade da Argentina e a segunda da América do Sul. A primeira do continente foi no Peru.

Fotos, objetos, cadeira do governador, vídeos, Córdoba imigrante, séculos 19, 20, 21, arquivos fotográficos, roupas, música, barbearia, móveis antigos, arqueologia etc. O museu é respeitável e melhor, gratuito. As visitas guiadas são pagas.

 

A saga dos museus continua. Nas quartas são grátis. Chegamos ao Museu de Arte Religioso Juan de Tejeda (Frei Luís Jorge de Tejeda), localizado no centro na Independencia, 122. Funciona desde 1970, em uma casa estilo colonial espanhol. Era um monastério para as monjas trabalharem bordados e ornamentos litúrgicos. Vimos os quartos austeros delas. Eram da ordem das carmelitas descalças cuja fundadora foi Santa Teresa. O museu apresenta obras de arte religiosa do séc. XVI e XVII. Representam o martírio, o êxtase e a morte. As personagens aparecem em atitude de extrema sensibilidade, tanto na contemplação como nas manifestações de dor ou sacrifício.

Córdoba é surpreendente, há tanta cultura e história que ficamos enfeitiçados.

O Abuso da Zona Azul em Fortaleza

O Abuso da Zona Azul em Fortaleza

Faz um tempinho que desejo escrever sobre a aparição repentina de estacionamentos Zona Azul em Fortaleza. Antes existiam de forma mais tranquila, mas atualmente tem incomodado muita gente. Quando algo me irrita, escrevo. Infelizmente, não tenho visto na mídia a reportagem de tal abuso.

Vejam só: a prefeitura de Fortaleza neste segundo semestre de 2018 resolveu colocar Zona Azul em quadras onde há hospitais, prédios de clínicas médicas e odontológicas, farmácias, shopping centers e até em estacionamentos recuados de centros comerciais. Pensemos: o comércio já paga taxas e impostos altíssimos para a prefeitura e agora ainda corre o risco de seus clientes procurarem outros pontos onde podem estacionar sem pagar a zona azul. Em hospitais, então, agride a população.

Nós não somos o centro de Londres, meu povo. Lá se paga caríssimo para circular de carro, mas a cidade oferece um transporte público de qualidade. Já aqui… não é o caso.

Ademais, antes se pagava a Zona Azul com tíquetes e pessoalmente para a pessoa apropriada. Hoje é pelo aplicativo somente no celular. Nem todo mundo tem celular ou as pessoas não sabem usar um aplicativo. Complicou geral. Somos uma cidade tecnológica? Se fôssemos, teríamos várias regiões com wifi grátis e uma população letrada. Não é o caso.

Enquanto isso, Fortaleza com seu badalado hub aéreo está feia, suja e pichada, mas isso não perturba a prefeitura. Não coloco fotos neste artigo em protesto. Temos tanto potencial e uma das mais belas orlas brasileiras. Porém não temos o que celebrar. Muito pelo contrário.

Em terrenos baldios e lugares vazios, existem lixões. As pessoas que saem com seu carrinho de reciclagem, recebem dinheiro de outras pessoas para carregar material de construção, podas de árvores etc, aí jogam nesses aterros. A rua Princesa Isabel no centro é uma vergonha, lixo para todo o lado. A rua Antônio Augusto próxima ao SEBRAE no Meireles tem um lixão crescente em uma esquina e a rua José Lourenço perto da Deputado Moreira da Rocha também. As placas de não colocar lixo (da prefeitura) estão lá, mas de nada adiantam. Enquanto não houver uma campanha sistemática pela limpeza da cidade na TV e nas rádios paga pela prefeitura, continuaremos no quinto mundo. Não quero ver o meu dinheiro e do contribuinte pagar propagandas enaltecendo a prefeitura, quero campanhas de saúde, educação, higiene etc. No momento, tenho visto umas do governo do estado, mas considero pouco.

A Fortaleza que quer ser internacional precisa ser real e não uma ilusão para enganar turista. Ter ônibus turístico de dois andares circulando pela cidade? Bom se for para ver uma cidade bonita e bem cuidada.

Em suma, merecemos muito mais, porque conhecemos no passado uma Fortaleza linda, generosa, com árvores frondosas, sombra e casas bonitas. Era um sonho de cidade. Será impossível vê-la sedutora novamente? Fica a pergunta para vocês. Peço que compartilhem este artigo, quem sabe chega a ouvidos menos moucos e conseguimos reverter o abuso da Zona Azul.

Viva São Paulo – Ibirapuera, Shopping Cidade Jardim, MASP e FIESP

Viva São Paulo – Ibirapuera, Shopping Cidade Jardim, MASP e FIESP

Hoje é sábado, dia 31 de outubro de 2018. O Carlos, a Denise, o Vinícius e eu continuamos nossos passeios por Sampa. Andamos a pé pela av. Paulista até o MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Av. Paulista, 1578 – Bela Vista). Embaixo estava o maior agito de esportes diversos com testes de AIDS e sífilis grátis e distribuição de Nescau. A barulheira era grande.

Paramos no Starbucks ali perto para um café básico e seguimos rumo ao parque Trianon de novo em frente ao MASP. A passarela que liga as duas partes do parque se chama Paulo Vanzolini. Não sabia.

De lá fomos ao parque Ibirapuera, afinal é um dos maiores do mundo. Caminhamos, tiramos fotos e sentimos o clima verdejante. Era hora do almoço, logo nos direcionamos ao Shopping Cidade Jardim (av. Magalhães de Castro, 12000-Morumbi) pela sua beleza. Aconselho a Lanchonete da Cidade com seus hambúrgueres e omeletes, enfim, uma refeição original. De loja em loja, desbravamos o local, era hora de partir para o jantar.

Como estávamos cansados, decidimos ir direto de Uber para uma cantina italiana que já conhecíamos: a Osteria Generale, localizada à rua Pamplona, 957. Voltamos, porque o Carlos e eu já conhecíamos. O vinho Varietal Aurora Pinot Noir por R$30,00 foi uma boa sugestão do simpático garçom. Pedimos canelones de massa branca e verde recheados de mussarela de búfala e tomate seco ao molho napolitano: para duas pessoas por R$92,00. Já a Denise e Vinícius escolheram um gnocchi de batata ao sugo com bracciola ou porpetas, traduzindo: nhoque ao molho de tomate com bife a rolê ou almôndegas. Tudo muito delicioso.

Quando chegamos ao Ibis Budget, veio a desagradável surpresa que alguém havia entrado no quarto do 1˚ andar e tentado abrir a mala da Denise, por isso a fechadura estava quebrada. Ainda bem que a pessoa não conseguiu o intento de roubar algo. A Denise reportou o ocorrido para um atendente da noite, tiraram foto e na manhã seguinte veio a decepção. A gerente se mostrou indiferente quanto ao ocorrido. No final, ficou por isso mesmo, embora a outra gerente tenha sido mais ativa. Sempre ficamos lá e nunca acontecera nada, foi uma tristeza ver a apatia de um hotel que tanto faço propaganda. Até hoje nem ligaram para a Denise como prometeram.

No domingo 1˚ de dezembro, começamos o dia indo a pé novamente ao MASP. A av. Paulista estava repleta de gente com feiras ao ar livre e muito movimento. Havia gente discursando política e gente andando de bicicleta, skate, enfim o astral paulistano festivo de domingo. Como era tarde e já hora do almoço, fomos direto ao restaurante no subsolo. Lá há um buffet incrível com opções variadas de comidas e sobremesas pelo preço de R$64,00 por pessoa.  Almoçamos muito bem na companhia do meu irmão Rogério e da cunhada Lindiane, moradores da cidade. Depois subimos ao museu o qual estava com a exposição “Acervo em transformação: Tate no MASP”. Uma espécie de exposição dentro da exposição com obras da Tate Gallery de Londres. Sempre obrigatório visitar esse museu.

De lá rumamos à FIESP, ali pertinho. Meu irmão deu a dica da exposição: “Rafael e a Definição da Beleza da Divina Proporção e Graça” do renascentista Rafael Sanzio no Centro Cultural Ruth Cardoso. Simplesmente espetacular!

Falemos um pouco nele: nos seus quadros as virgens trazem um tipo de beleza feminina suave e protetora, com forte ligação afetiva entre os personagens em fusão com a paisagem. A colaboração entre Rafael e o gravador Marcantonio Raimondi resultaria em algumas das mais influentes estampas da história da gravura. Rafael é da época do Papa Leão X (Giovanni de Médici). Nasceu em Urbino – Itália em 1483 e faleceu em Roma em 1520 aos 37 anos, está sepultado no Pantheon.

Rafael inspirou-se nos modelos de Leonardo da Vinci, Michelangelo (com quem tinha rivalidade) e de outros contemporâneos, inovando-os e transformando-os em linguagem própria. A doutrina estética do Renascimento oferece a síntese entre dois polos: a imitação da natureza e a imitação do modelo. A exposição mostra o processo de elaboração dos seus desenhos e estudos. Quando jovem foi responsável pela decoração da STANZA DELLA SEGNATURA (provável escritório pessoal do papa), o primeiro dos aposentos papais no Palácio Apostólico Vaticano.

Rafael Sanzio era louvado pela variedade, elegância e harmonia de suas composições, como também por sua capacidade de não deixar transparecer na vida ou em suas imagens o tormento e as angústias da criação, uma poética oposta de Michelangelo. Rafael tinha a inigualável habilidade de fazer suas imagens parecerem vivas, figuras cuja “carne treme”, de tão naturais e das quais se “vê o espírito”, segundo Giorgio Vasari (biógrafo). Dono de singular consciência artística e de grande ambição, ele percebeu a importância da gravura para a difusão do seu nome e arte entre artistas, colecionadores e grandes mecenas.

Outras obras: Madonna com Bambino (1510-1520) –R.S Ateliê; Testa di Madonna (La Perla) (1518-1519) e o afresco O Triunfo de Galateia (1511) com movimento contínuo, fluido e espaçoso.

Rafael convivia com discípulos talentosos, bem organizados nas tarefas do ateliê; capazes de arcar simultaneamente com a encomenda de quadros, extensas decorações e obras de arquitetura, exemplificando com o genial Giulio Romano (1499-1546) e o preciso Giovan Francesco Penni (1496-1528).

A idade de Ouro do Renascimento foi de 1531 a 1521 durante o papado de Leão X. A genialidade de Rafael veio em formas de mosaicos, desenhos para esculturas, objetos de ourivesaria, tapeçaria, quadros, pinturas de afrescos e obras de arquitetura.  O livro “Vida de Rafael” cujo autor é Vasari é de 1568. Vale a pena dar um pulo na FIESP só para contemplar tão magnífica exposição.

Interessante dizer que a av. Paulista não está decorada para o Natal, mas os ônibus da Prefeitura estão.

Para jantar, nada como uma boa pizza paulistana. Recomendo a pizzaria Margherita na Alameda Tietê com Haddock Lobo. Lotada, como sempre. Pedimos a pizza Godfather (tipo portuguesa sem cebola), country (com frango) e a paulistana (com bacon). Delícia.

Enfim, fim de viagem. Deu para sentir a minha admiração total pela megalópole? AMO São Paulo. Eis um lugarzinho para ir todos os anos. Saio já com saudades.

Viva São Paulo: Bella Paulista, Mercadão e o Musical O Fantasma da Ópera

Viva São Paulo: Bella Paulista, Mercadão e o Musical O Fantasma da Ópera

Nada como passar um final de semana diferente. De 29 de novembro a 3 de dezembro de 2018 viajamos a São Paulo. Ir a Sampa é sempre uma promessa de comer bem, fazer bons passeios e viver a cultura. Lá fomos nós: o Carlos e eu de Fortaleza, e a Denise (filha caçula dele) e o namorado Vinícius de Juazeiro do Norte. Gosto da Avianca, o serviço é bom e os funcionários amáveis.

Chegamos e nos dirigimos ao nosso xodó: a fantástica padaria, confeitaria e lanchonete Bella Paulista na Haddock Lobo, 354 (bairro Cerqueira César) perto da av. Paulista. Mesmo com fila para tudo, ficamos nos deliciando naquela meca. Pedi vitamina de goiaba e um croissant ao requeijão na chapa. Detalhe: não achei os preços de bolos e pães caros. Gostamos tanto do lugar que voltamos para o café da manhã do dia 30 de novembro de 2018: bauruzinho com presunto, queijo e tomate mais salada de frutas com uma média, como o paulistano diz, ou seja, o nosso indefectível café com leite. Detalhe: o bauruzinho é enorme e só R$7,00! Como passamos bem naquela terra.

A gente sempre se hospeda no Ibis Budget da Consolação, cerca da onipresente av. Paulista. Vale a pena pelo custo/benefício, além de ter um farto café da manhã por R$18,00. Há uma novidade: o Trampolim Startup Café onde servem o café, almoço e jantar.

Pela manhã fomos ao parque Trianon a pé e depois ao Mercadão de Uber por R$18,00, dividido por nós quatro. Bem em conta.

Falemos no Mercado Municipal Paulistano, obrigatório para um turista. Foi fundado em 1933 e oferece frutas naturais e cristalizadas, peixes, doces portugueses etc. Recomendo o quiosque Empório Chiappetta (desde 1908) para um bom pastel de natas.

Para o almoço? O pastel de bacalhau ou o sanduíche de mortadela com queijo com um chope escuro. Que delícia! Aumentamos as nossas gordurinhas com prazer. O Elídio Bar no primeiro andar é o nosso preferido. Recomendo o garçom Giba, uma graça. Existe uma loja de lembrancinhas no térreo do mercado que gostei (Mercapoint, rua M, box 42/44). Eu sou a mulher de canetas, caderninhos, chaveiros e muito mais.

De lá mais Uber e rumamos ao teatro Renault na Brigadeiro Luís Antônio, 411. Compramos as entradas do musical O Fantasma da Ópera para as 21 h, afinal Sampa é culturalmente um espetáculo constante. Por R$200,00 ficamos na Plateia Silver. Pode ser caro, mas merecido. No sábado e domingo estava lotado. Quanta excitação de assistir ao musical mais belo e romântico que conheço. Tenho o filme, o CD, estudamos o livro na Casa de Cultura Britânica-Universidade Federal do Ceará e já havia visto em Londres – Inglaterra, em suma, sou fã de carteirinha.

Na Paulista tem o shopping Center 66, entramos e fomos jantar. Aconselho o Abbraccio-cucina italiana. O prato Pollo di Famiglia (frango) é especial.

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Musical O Fantasma da Ópera no teatro Renault em São Paulo-foto tirada por Mônica D. Furtado

Enfim, chega a hora do musical O Fantasma da Ópera de Andrew Lloyd Webber, dirigido por Harold Prince. Sem palavras. Os efeitos especiais e sonoros, além da magia da estória provoca derramamento de lágrimas. Ainda compro o espumante no intervalo e no final o ator Fred Silveira (Raoul, o Visconde de Chagny) nos dá uma cancha e fala com o público no salão de entrada. Eu estava lá, tirei foto com ele e a Denise. Ainda disse que viemos do Ceará só para assistir ao musical. Encontro registrado para a posteridade.

Continuarei com os passeios em breve. Viva Sampa!

 

Argentina – Córdoba e Villa Carlos Paz

Argentina – Córdoba e Villa Carlos Paz

Hoje é dia 16 de outubro de 2018. De manhã aproveitamos para conhecer melhor a Catedral de Córdoba. Localiza-se na Plaza San Martin. Eleita uma das sete maravilhas construídas pelo homem na província de Córdoba, teve sua construção iniciada em 1574 e foram mais 200 anos para finalizá-la, com diversos arquitetos envolvidos. Percebe-se uma mistura de estilos. Destacam-se os artistas das torres, os músicos anjos e a abóbada da nave central com a pintura de Emílio Caraffa.

No átrio há duas urnas funerárias: em um extremo a de Déan Funes – reitor da Universidade Nacional de Córdoba em homenagem ao seu bicentenário de 1749 a 1949; e no outro extremo os restos mortais do General Paz (1791-1854), considerado herói nacional, pois defendeu Montevidéu (1842-1844), atuou em batalhas em Tucumán (1812) e Salta (1813), foi General em Chefe em San Roque, dentre outros feitos. Também há estátuas do Beato José Gabriel Brochero e sua obra humanitária no presídio San Martin (1898-1902) e da Beata Catalina de Maria Rodriguez da Villa Cura Brochero e das Irmãs Escravas do Coração de Jesus. Achei bem curioso ter música ambiente suave nas igrejas e a bandeira do país. Digno de nota dizer que em 1987, quando da visita do papa João Paulo II à Argentina, foi na catedral que os enfermos receberam as bênçãos dele em uma cerimônia que reuniu católicos do país todo.

Demos uma olhada na igreja das Carmelitas Descalças de São José na Independência, 22. Segundo o Guia Criativo para o Viajante na América do Sul, quarta edição: “Fundada em 1628, abriga o monastério das religiosas conhecidas como Las Teresas, que vivem enclausuradas e evitam ser vistas até durante a missa. A igreja abriga o Museu de Arte Religioso Juan de Tejeda”, sobre o qual escreverei em outro artigo.

Caminhando pelo centro descobrimos a loja de lembranças imperdível: Turistólogo (Independência, 180). Transada e bonita, encanta o turista.

Para almoçar, paramos na Amerita Menúes & Café na Independência, 299-199. O menu vale a pena por 170 pesos: refrigerante, prato principal e sobremesa. Comida boa e saudável. Aliás, como se gosta de “supremo” (a milanesa) em Córdoba. Acabei degustando muito frango supremo. O educativo dos restaurantes é ter sempre à disposição dos clientes pelo menos três jornais diferentes, diga-se que o Clarín é obrigatório. Fantástico!

Enfim, cedo da tarde passa a van da Nativo Viajes e rumamos à Villa Carlos Paz. Por 750 pesos por pessoa, temos o Javier de guia e o motorista se chama Tomás (natural de Paso de los Libres. Do outro lado da fronteira situa-se Uruguaiana – RS).

Como sempre, o guia nos dá aula. Javier é um profissional que aceita trocar ideias, gostei. Córdoba é uma cidade automotriz com fábricas da Renault, Volkswagen, Fiat etc. Tem a Arcor, fábrica cordobesa de alimentos, além da fabricação de sapatos, satélites e aviões de combate. O papa Francisco foi professor da Universidade Católica aqui. A cidade é segura com muito policiamento. A estação seca vai de abril a outubro e a chuvosa de novembro a abril. No inverno o clima vai de -7˚C a 33˚C.

Muito interessante mencionar que hoje em dia acontecem tormentas elétricas na região com raios de cores variadas (azul, rosa, branco e verde), algo impressionante. Estão sendo estudadas na NASA – Estados Unidos e na Argentina. Depois de cinco dias de 50˚C, vem uma tormenta daquelas. Também há tornados no verão por conta da umidade. O clima está muito instável.

No caminho passamos por uma zona militar do Exército (Infantaria e Paraquedismo) com vila militar, centro de treinamento e quartéis (Base de Apoio Logístico). Mais tarde visualizamos a Usina Hidrelétrica e o paredão do dique/lago San Roque, artificial e o mais antigo da província. Logo tomamos o caminho das Cem Curvas, que contorna a esplanada do lago para chegar à Villa Carlos Paz, distante 36 km a oeste de Córdoba. Importante citar que a partir desta cidade, a estrada sobe em direção às Sierras Chicas que chegam a 1.900 m de altitude.

Enfim, entramos na Villa Carlos Paz, complexo de turismo e lazer. Vemos casas de veraneio, mas muita gente mora aqui e se desloca todos os dias até Córdoba pela autopista. Vive de turismo e tem 200 mil habitantes. No lago San Roque, pratica-se pesca, ski e windsurfe e se veleja. Existem garças e marrecos. E não se toma banho, pois é fundo. O município é ensolarado por 300 dias ao ano. No inverno o frio é grande. Falta de energia elétrica devido à construção de prédios. Achei a Villa Carlos Paz um pouco parecida com Punta del Este no Uruguai. Ambas são tão ajeitadas e bonitas.

Há camping, estádio de rugby, cassino da província e um parque público enorme onde os moradores se confraternizam com um bom chimarrão/mate. Muitos restaurantes, creperias e sorveterias, sendo a Grido uma heladeria obrigatória.

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Relógio Cuco em Villa Carlos Paz-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Gostei do lugar por ser bucólico. Há um avião Mirage em exposição, porque os dois pilotos falecidos na Guerra das Malvinas eram da terra. Há uma ponte que passa sobre o rio San Antonio e separa a parte antiga da nova. No centro, um ponto turístico é o relógio Cuco, presente de um alemão para a cidade. Perto está a fábrica de alfajores na qual comprei geleias de framboesa por 200 pesos. Vale a compra!

O calor está grande, ufa! E olha que não é verão ainda… Nessa estação os visitantes, muitos estudantes do norte da Argentina, lotam a cidade. Onde cabem umas 700 mil pessoas nesta localidade?

O passeio imperdível é o Complexo Aerosilla (teleférico). Esse lembra Camboriú em Santa Catarina. Por um teleférico com dois assentos, subimos até o café e mirante a 900 m. de altitude. Por 300 pesos por pessoa, visualizamos um parque lá em cima com tirolesa, arco e flecha e outras atrações. Ir à Villa e não conhecer o complexo não dá. O cafezinho tem um sabor especial com um cenário daqueles. Na excursão havia um casal chileno com o filho e nós.

Este passeio é menos cansativo, só meio dia. Na volta pegamos uma rota mais rápida e ainda vimos a Academia da Força Aérea e uma fábrica de aviões. Chegamos a Córdoba e nos dirigimos ao Patio Olmos para o nosso jantar, desta vez no restaurante “Que Lomo!” com opções de pizzas, tortas e sanduíches.

Continuaremos com Córdoba em breve.

 

Argentina – Serras de Córdoba – Villa General Belgrano

Argentina – Serras de Córdoba – Villa General Belgrano

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Eu mostrando o brasão de Villa General Belgrano-Córdoba-foto tirada por Carlos Alencar

Hoje é dia 15 de outubro de 2018 e ainda estamos no passeio às serras de Córdoba. Conhecemos o pueblo peatonal de La Cumbrecita a 1.450 m acima do nível do mar e de lá com a mesma agência de viagens Nativo Viajes descemos à Villa General Belgrano a 720 m. É uma pequena cidade com arquitetura típica da Baviera. Fica no Valle de Calamuchita, rodeada de montanhas, as Sierras Chicas ao leste e as Sierras Grandes ao oeste. O clima é mediterrâneo com sol 300 dias ao ano. Os imigrantes chegaram à região no final da década de 1920 e no início de 1930. Em 1953 a mencionada vila torna-se município.

O nome da cidade é em honra ao general criador da bandeira argentina em 27 de fevereiro de 1812, mas apenas em 25 de julho de 1816, com a independência do país, virou lei pelo Congresso de Tucumán. General Belgrano ou Manuel José Joaquín del Sagrado Corazón de Jesús Belgrano nasceu em Buenos Aires em 1770 e faleceu na mesma cidade em 1820. Foi economista, político, advogado e militar.

A guia Carla e o motorista Federico nos acompanham à cidade. A Villa General Belgrano tem dez ruas e quinze mil habitantes. Limpa e conservada, oferece festas importantes no calendário da província de Córdoba. Desde 1963 há a Oktoberfest no primeiro e segundo finais de semana de outubro (são mais de 200 mil visitantes); em abril a festa austríaca; a Páscoa (festa de la Masa em março ou abril); em julho a festa do Chocolate Alpino; e em dezembro a festa de Natal. São 150 marcas de cervejas artesanais e chocolates. Detalhe: fico sempre impressionada com o conhecimento dos guias de turismo. Acrescentando algo sobre a Festa da Cerveja ou Oktoberfest: desde 1972 foi declarada Festa Nacional, são mais de 450 horas de música e mais de 30 bandas regionais.

Assim como La Cumbrecita, a Villa General Belgrano foi fundada por alemães, mas também recebeu famílias suíças, italianas e austríacas.  Foram 127 famílias da Alemanha que chegaram nesta região de Córdoba com o apoio do governo argentino que lhes deu casa própria.

Perto dali existiu a sexta estância jesuítica que foi destruída, atualmente são somente ruínas. A guia Carla nos dá noções de história e ecologia. Os serviços hoteleiros são muito importantes. A Villa General Belgrano parece muito com Gramado (RS), Blumenau (SC) e Villa Angostura cerca de Bariloche (Argentina), é mais cidade do que La Cumbrecita. Eu amei! Trata-se de uma cidade viva, jovem e com um movimento intenso. Há muito a ver e fazer.

Visitamos a fábrica de chocolate Capilla Vieja na 190, Julio A. Roca 176 (uma loucura de tantas opções e gente) e o Café Rissen na Júlio A. Roça, 36. As lojas são fofas e bem decoradas, daquelas que o pobre turista endoida. Vale demais vir nesta paragem. Achei a Villa General Belgrano mais interessante para as refeições do que La Cumbrecita, preferiria ter passado mais tempo aqui.

A guia de hoje (como a do percurso do city tour) não nos deu muitas chances de fazer perguntas e olha que sempre tenho questionamentos… Sabe muito, porém não gostava de repetir nenhuma informação e era bem incisiva quanto a horários.  Agradeço, de qualquer forma, por ter aprendido muito. Imagine o que é escutar, escrever, ver a paisagem e aproveitar o momento, tudo ao mesmo tempo e… em espanhol… No final das contas, aconselho muito este passeio.

O retorno a Córdoba começou por outra rota a fim de visualizarmos outros povoados e depois voltamos à estrada inicial: Ruta Provincial 5. Foi 1h e 20 min. até Córdoba.

Ao chegarmos, nos dirigimos ao shopping center Patio Olmos, onde descobrimos o restaurante ViaVerde: com tortas salgadas de verduras, saladas e outros alimentos saudáveis. Um shopping perto do hotel é uma mão na roda, como se diz.

Em breve novas aventuras na Villa Carlos Paz…

Argentina – Serras de Córdoba – La Cumbrecita

Argentina – Serras de Córdoba – La Cumbrecita

Hoje é dia 15 de outubro de 2018. Visitamos as serras de Córdoba: La Cumbrecita e Villa General Belgrano com a agência Nativo Viajes. Estamos na região turística mais significativa de Córdoba. A guia Carla nos ensina muito e nos direciona ao Centro de Turismo com o objetivo de pegarmos mapas e informações. De lá cada visitante toma seu rumo. Gostei de ter ficado livre com o Carlos.

Falemos em La Cumbrecita. Trata-se de uma comuna de dois mil habitantes, uma cidade pequena estilo alpino que tem a singularidade de ser um dos poucos pueblitos peatonais (povoados com calçadões para pedestres) do mundo. É uma reserva natural protegida com topografia de montanha, flora e fauna. Há cascatas e vertentes na Alta Montanha, da mesma forma existe um parque temático na qual se praticam esportes de aventura, como rapel, tirolesa, passeios pelo rio del Medio, trekking (caminhada) etc.  O Parque Temático Peñon del Águila funciona o ano todo e é um empreendimento de Sergio Roggio. A serra tem o clima ideal para a prática de atividades de montanha.

Em um pueblo peatonal não se anda de carro. O município é peculiar com características únicas.

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Escultura feita das árvores que caíram por conta do temporal de 2012 em La Cumbrecita-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Por conta de um temporal em outubro de 2012, muitas árvores pereceram, aí o trade turístico com o Centro Cívico de La Cumbrecita decidiu transformá-las em esculturas de madeira espalhadas pela cidade. Achei original. Parabéns ao artista Luis Carlos Perez. Adicionando mais: se remover uma árvore, tem que plantar duas. Amei!

A parte comercial é pequena e após a ponte que dá para o centrinho, há wifi para todos (a senha se pega no Centro de Turismo). Existem bairros privados, ou seja, condomínios fechados que eles chamam de countries.

Estamos a 1.450 m. As chuvas que enchem os rios só acontecem em fevereiro. Agora estão baixos e a primavera está quente demais. Infelizmente, aqui também há exploração na montanha, responsável pelo desaparecimento de animais e da flora. Uma lástima! Nos bosques, há cobras tipo jararaca e coral, o condor andino, o gato montês e pássaros diversos.

Um pouco de história: o cavalo foi introduzido pelos espanhóis no passado remoto. Mulas e cavalos eram trocados comercialmente nesta região. Estamos nos referindo ao Caminho Real. Os incas nunca alcançaram esta montanha. Os jesuítas foram importantes, porque protegiam os indígenas da região dos conquistadores espanhóis que os usavam para trabalho escravo. Os caminhos para a serra eram de terra, hoje são estradas asfaltadas modernas. Ainda hoje os cavalos são fundamentais para o transporte da população, as crianças os utilizam para irem à escola, até os idosos montam os seus.  Para se deslocar à parte alta da montanha, há a opção de pequenos ônibus para os moradores.

O início de La Cumbrecita foi em 1934, quando a Família alemã Cabjolsky vem a cavalo comprar 500 hectares de terra e começa a construção do que é hoje a cidade, a partir de uma casa de verão. Queriam construir a casa em um ano e, para tanto, usaram material da região, como mármore, rochas e cal. A cidade base era Alta Gracia. Ele, engenheiro de Berlim, veio para o país a fim de trabalhar como gerente da empresa SIEMENS. Eram amigos do afamado General Belgrano. Em 1935 inauguraram a propriedade e logo depois começaram a chegar novas famílias de origem crioula (descendentes de europeus nascidos em países originários da colonização europeia) e centro-europeia.

La Cumbrecita está situada no Vale de Calamuchita nas Serras Grandes de Córdoba. A cadeia montanhosa tem 300 km de extensão. Interessante mencionar o clima: nos últimos sete anos, a umidade tem aumentado muito e a temperatura mudado: um dia está -5˚C e no outro 34˚C.

Não existe prefeitura, banco ou posto de gasolina. Vi um banco móvel. A Secretaria de Turismo, onde os descendentes do fundador da cidade trabalham, controla tudo.

Na hora do almoço, rumamos ao restaurante indicado pela guia: El Puente, na entrada da cidade. Pedi a truta com limão e guarnição (salada: alface, tomate e cenoura da região) por 310 pesos; o Carlos ficou com a truta ao queijo roquefort com salada por 350 pesos, além da gaseosa (água tônica). Recomendo.

La Cumbrecita é espalhada, suas lojinhas são tentadoras com artesanato próprio. São muitas cervejarias originais, hotéis diversos, camping, restaurantes, cafés, sanduicherias etc. Tudo é de muito bom gosto e transado. A pé dá para fazer muito. Há fincas (propriedades) com restaurantes, alojamentos, bodega e agropecuária. A cidade é ecológica: trata os resíduos sólidos e não incentiva o cigarro, uma vez que a possibilidade de incêndios nas serras é real.

O próximo artigo será sobre a Villa General Belgrano.

 

 

Argentina – Serras de Córdoba – La Cumbrecita e Villa General Belgrano – primeira parte

Argentina – Serras de Córdoba – La Cumbrecita e Villa General Belgrano – primeira parte

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Mapa das serras de Córdoba da Nativo Viajes-foto de Mônica D. Furtado

Estamos no dia 15 de outubro de 2018, feriado em homenagem à diversidade cultural em Córdoba, logo o trânsito está tranquilo. A van da Nativo Viajes nos pegou no hotel Caseros 248 entre 9 h e 9.30 h. da manhã. Pagamos o valor de 1.350 pesos na hora para a guia. O nome dela é Carla e o motorista Federico. Nosso primeiro destino é a serra de La Cumbrecita.

Já no começo do percurso, a Carla nos dá muitas informações. Em Córdoba cada monumento histórico tem placas azuis grandes com a sua respectiva história. Uma boa ideia. Muitos prédios são de tijolo a vista. Lembra Bogotá na Colômbia. O clima de primavera está esquentando bastante.

Passamos pela Ciudad Universitaria. São 120 carreiras, 400 hectares, cursos gratuitos, sendo o de medicina o mais importante. A Universidade Nacional de Córdoba depende do estado e teve sua fundação em 1613 pela Companhia de Jesus.

Interessante dizer que a natureza é pobre e a cidade de mais de dois milhões de habitantes e possuidora de inúmeros bairros é a segunda do país, juntamente com Rosário. Não vive do turismo, é uma cidade universitária por excelência. A Universidade Católica (privada) se localiza fora da capital e o único curso de veterinária da cidade funciona nela.

O turismo em Córdoba está em quinto lugar por importância. As fábricas de materiais de construção, de automóveis, de alimentos e as universidades são mais fundamentais.

No verão a temperatura atinge os 50˚C, mas a sensação térmica é de 65˚C. Ninguém merece! O clima está se modificando: de seco está ficando úmido.

Estamos na estrada Ruta Provincial n˚5, perto da localidade chamada de Alta Gracia. Era no passado ideal para enfermidades respiratórias, fica a 30 km de Córdoba e lá viveu Che Guevara, pois sofria de asma. A partir de 2001 a casa onde habitou se transformou em museu. Também morou em Carlos Paz e Córdoba. Alta Gracia é tão histórica quanto a capital da província, foi fundada em 1588, enquanto Córdoba em 1573. A patrona é a Virgen de La Merced e a residência de Alta Gracia teve inúmeros donos, sendo que o último foi Juan Manoel Solares. A partir daí se tornou Estância Jesuítica. Há uma praça em honra a ele. No caminho há fazendas agropecuárias. 30% de sua economia dependem do turismo. Mais fábricas de bebidas, supermercados da terra, comércios etc.

Algo mostrado no passeio é o Mausoléu Myriam Stefford de 82 m, fechado para o público. A guia nos contou uma história bem dramática, mas preferi consultar a Wikipédia. Diga-se de passagem que ambas têm desenrolar totalmente diferente. Vamos lá. Trata-se de Rosa Margarida Rossi Hoffman, atriz suíça, com o pseudônimo de Myriam Stefford. Nasceu em 1905 e faleceu em 1931. Viajando por Veneza na Itália, conhece um empresário e escritor argentino, dito Raúl Barón Biza, apaixonam-se, casam e ela vem viver na Argentina. O casal amava a aviação e fizeram o primeiro percurso Buenos Aires – Rio de Janeiro. Após essa maratona, voaram por 14 capitais argentinas.  Em uma das viagens aéreas, saindo de Buenos Aires com seu marido no avião Chingollo e depois de duas aterrissagens de emergências em Santiago del Estero e Jujuy, ela seguiu a aventura com seu co-piloto Luís Fuchs a San Luís em outro avião – o Chingollo II. Em Marayes tiveram um novo acidente, aí morreria Myriam. O viúvo Raúl contrata o engenheiro Fausto Newton para construir um mausoléu gigante para que ele nunca a esquecesse. Foi inaugurado em 1935. Sua tumba a 6 m. de profundidade tem os restos mortais dela e dizem que ali também estão suas joias, incluindo o famoso diamante Cruz del Sur de 45 quilates. O maior monumento do país não é exposto ao público, a família assim o deseja, mas o governo quer administrá-lo, porque está abandonado e o descendente responsável mora na França. Fica encostado na Ruta Provincial 5 na Paraje Los Cerrillos entre as localidades de Alta Gracia e Córdoba.

Falemos nas serras. Ambas têm menos de 100 anos e foram fundadas por alemães. Estão no Valle de Calamuchita com 1.450m. Os homens de montanha do passado eram conhecidos por comechingones (segundo a Wikipédia: são indígenas originários das regiões de Córdoba e San Luis. Foram completamente deslocados ou exterminados pelos conquistadores espanhóis do final do séc. XVII). As cidades vivem do turismo interno, uma vez que os cordobeses passam o final de semana lá. Na época baixa são os estudantes e os aposentados os visitantes.

Os rios nascem das montanhas, há 24 diques na província de Córdoba que tem quatro milhões de habitantes. O caminho lembra a serra fluminense com curvas e mais curvas, mas a cidade de Villa General Belgrano me recordou uma mistura de Gramado (RS) e Blumenau (SC). De Córdoba para a Villa Gal. Belgrano a distância é de 86 km, mais 40 km chega-se a La Cumbrecita.

Antes de se aproximar de La Cumbrecita, vemos o Lago Molinos. Trata-se do segundo maior com três mil hectares. Na verdade, é um dique. Lá foram introduzidas trutas, bagres, carpas etc, além da flora e fauna.

O dique abastece de água as cidades próximas à Córdoba. O lago de 57 m de profundidade oferece passeios turísticos. Importante mencionar que a flora e fauna são divididas com San Luis, cidade próxima.

Paramos para degustação e compras na La Ponderosa Fiambreria. Valeu ter conhecido, uma vez que provamos salames diversos (de porco e cabra) com queijo no pão e vinho tipo moscatel. O local é lindo com varandas de madeira que dão para o lago Molinos. E sempre há a loja de artesanato. Comprei doce de leite de cabra que é mais suave. Tudo ofertado é feito pela família e é dada uma aula sobre a produção. Sempre aprendo muito.

Continuaremos nossa expedição às serras em breve.