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Argentina – Salta – City Tour 1

Argentina – Salta – City Tour 1

Hoje é dia 21 de outubro de 2018. Chegamos a Salta e decidimos fazer um city tour à tarde. Custou 390 pesos por pessoa, mas como compramos com o passeio de Cafayate (região dos vinhos), pagamos 1.290 pesos individualmente. A agência foi a Tintikay do diligente Guillermo (Calle Caseros, 404). A excursão durou 4 horas e o guia Davi nos pegou no hotel Solar de La Plaza às 16 h. Éramos o Carlos, um casal inglês e eu.

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Eu no centro histórico de Salta la linda-foto tirada por carlos Alencar

Vamos começar. A cidade é repleta de casas coloniais, uma mistura da brasileira Paraty com a colombiana Cartagena. Simplesmente apaixonante. Ao leste estão a montanha San Bernardo e a oeste o lugar de veraneio San Lorenzo.

A praça 9 de Julho, a principal, está na parte mais antiga de Salta. Era uma cidade quadriculada e a dita praça era a Plaza de Armas, local de encontros religiosos, cívicos e militares. Tal espaço foi destinado por Hernando de Lerma ao fundar a cidade em 16 de abril de 1582. Hoje há coreto, engraxates (ainda existem!), o Panteão dos heróis argentinos, sendo o mais importante o General Güemes, o que lutou pela independência da região contra os espanhóis e ao seu redor 14 mulheres, representando as províncias existentes na época. Trata-se de uma praça movimentada e querida dos habitantes e turistas.

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O Bispado de Salta ao lado da Catedral com a estátua do papa viajante-foto tirada por Mônica D. Furtado

Ao redor encontra-se o Teatro Provincial; a Sinfônica (melhor da região noroeste do país); o Museu de Arte Moderna; o Banco Makro (edifício mais moderno); a Catedral rosada (reconstruída entre 1800 e 1802); o Bispado de Salta ao lado da Catedral com a estátua de João Paulo II: o Papa Viajero (viajante), o Cabildo, dentre outros. A celebração religiosa mais conhecida é do Senhor e da Virgem do Milagre.

Os incas dominaram esta região e faziam sacrifícios humanos. Foram encontradas três crianças na montanha: eram múmias do frio. Estão no Museu de Arqueologia da Alta Montanha, também localizado ao redor da praça 9 de Julho.

A segunda catedral da cidade á de São Francisco, cuja torre mede 53 m e é considerada a segunda mais alta da América do Sul. Dos anos de 1800, tem estilo barroco e um museu.  O artesanato do local lembra muito o de Cartagena: colorido, alegre e diverso. Há muitas opções para lembrancinhas. Eu endoidei! Infelizmente, meu pai ficou sem o boné característico do local. Não encontrei.

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Café del Convento em frente ao Convento San Bernardo-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

O Convento San Bernardo, do final de 1800, possui 20 carmelitas em clausura. Para comprar uma medalhinha lá, tem que falar por uma portinhola. Ali está a porta mais bonita de Salta com a madeira trabalhada.

Há um sistema de canais pela cidade a fim de não ser inundada e um aqueduto o qual leva a água para o rio. Salta tem teleférico e o acesso se encontra na praça San Martin.

San Martin, general herói, venerado no país todo, tem um monumento em sua homenagem. Olha em direção ao Chile, pois o libertou dos espanhóis. Lembrando que a independência da Argentina foi em 9 de julho de 1816. Da mesma forma existe um monumento ao Gaúcho – ao grupo que acompanhava o Gal. Güemes na luta pela independência (dos espanhóis) da região na saída de Salta.

Antes da criação da Cordilheira dos Andes, uns 500 mil anos atrás, a água do Oceano Pacífico chegava até lá. A prova foram os fósseis achados, por isso a região é um grande sítio arqueológico. Seus arqueólogos e escritores viajam o mundo compartilhando suas histórias e conhecimentos.

Contando um pouco mais sobre sua fundação, recorro ao Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul de Zizo Anis & Os Viajantes (quarta edição). Hernando de Lerma, o fundador, era um dos conquistadores espanhóis que vinham de Lima no Peru para conquistar terras e tesouros e expandir as conquistas ibéricas. Salta passou a ser um importante assentamento que supria alimentos e animais de transporte necessários nas minas da Bolívia.

Seguiremos com o cerro San Bernardo e a estância de veraneio San Lorenzo.

Zona Azul, lixo e outras coisitas mais em Fortaleza – Ceará – Brasil

Zona Azul, lixo e outras coisitas mais em Fortaleza-Ceará-Brasil

ZONA AZUL

Muita gente leu o meu primeiro artigo sobre a Zona Azul em Fortaleza. Percebi o incômodo de todos. Continuo achando que a prefeitura de Fortaleza se considera dona das ruas. Há Zona Azul em frente de padaria na rua Pereira Filgueiras – Aldeota só para dar um exemplo. Fala sério, Prefeito! O comércio está tentando sobreviver e a prefeitura pensa em cobrar dos  clientes? Isso não ajuda. Somos Davi contra Golias, já que não sai matéria no jornal ou TV ou rádio. Ninguém está chateado? Quem estiver, então, faça como eu: onde tem as tais zonas azuis não estaciono. Não dou um tostão desses para uma prefeitura que tem dinheiro para a propaganda cara na TV (com o nosso dinheiro do contribuinte), mas não tem para hospitais, limpeza de bocas de lobo e etc.

LIXO

Meu Deus do céu! Os bandidos andaram ateando fogo em carros de lixo agora em janeiro de 2019, mas e nós? Isso do lixo não é novidade. Fortaleza deve ser a capital mais suja do país. Monturos já existem aos montes. A prefeitura responsabiliza a população e vice versa. Fala sério, prefeito! Campanhas de educação como a do “sujismundo” no passado surtiram efeito. Nem educação, nem punição? As praias também deveriam contar para serem limpas. Os moradores da nossa cidade estão doentes com a virose da mosca em consequência das chuvas e sujeira. Há gente sendo picada por escorpiões que vão atrás de baratas, tudo fruto da falta de limpeza. 

PRÉ-CARNAVAL NA MOCINHA

Não tenho nada contra, desde que não entre dinheiro público e não se feche a via na rua João Cordeiro – Meireles. Ninguém consegue passar lá dia de sábado e domingo à tardinha e noite. E aí questiono: por que na Mocinha, só para exemplificar, fazem isso e não há limpeza da sujeirada pós-festa e nem fiscalização? Fala sério, prefeito!

TURISMO

Continuo a indagar: como se quer turista de qualidade se aqui em Fortaleza tem esgoto transbordando em pleno Meireles. E olha que estamos falando do bairro nobre. Imagine na periferia? O turista que vai praticar kite-surfe nas praias, não quer nem papo com a capital. E fazem bem, melhor curtir praias como Uruaú, Cumbuco, Icaraizinho de Amontada. As fotos mostradas da Ponte Metálica de Fortaleza são para enganar turista. Fala sério, governador!

ÁRVORES

Onde estão as árvores que seriam plantadas após a derrubada de várias nas avenidas Dom Luís e Santos Dumont? A cidade a cada dia perde mais sua cobertura vegetal.

MOTOS

Motoqueiros andam nas suas motos de pés descalços, não respeitam faixa de pedestre nem sinal de trânsito. Colocam a vida dos pedestres em perigo e nada é feito. Fala sério, prefeitura (AMC).

CONCLUSÃO

Escrevo para desabafar. Certa vez escrevi que o mínimo que queria de uma prefeitura seria ter uma cidade limpa. Quero obras simples por parte da gestão. Quem concordar comigo, divulgue, por favor. A Fortaleza, loira desposada pelo Sol, clama por ser amada e merece muito mais. Não tenho orgulho, só tristeza!

 

 

 

Argentina – Salta la Linda – Chegada

Argentina – Salta la Linda – Chegada

Hoje é dia 20 de outubro de 2018, sábado. Enfim, Salta! Chegamos de avião, vindos de Córdoba, pela empresa aérea Aerolíneas Argentinas. Depois de 1 h. e 20 min. aterrissamos em Salta, no noroeste da Argentina, a 1.605 km ao norte de Buenos Aires, próxima da fronteira do Chile, na altura do Deserto do Atacama a oeste e da Bolívia ao norte. Conhecida como “A Linda”, significado de seu nome “sagta” na língua indígena Aimara (:a mais linda), já começa encantando. O turismo é levado a sério, ganhamos mapas no centro de turismo do Aeroporto Internacional Martín Miguel de Güemes a 10 km do centro.

Como era tardinha, fomos ao hotel encontrado no booking.com: Solar de La Plaza. Endereço: Leguizamón, 669 – www.solardelaplaza.com.ar. Antigo e charmoso com estilo espanhol, aberto por dentro com um fosso que dá para os quartos. Um luxo! Detalhe: pagando com cartão de crédito, nos livramos do IVA de 21%. Explicando: IVA é o imposto sobre o valor agregado, ou seja, incide sobre a despesa ou consumo e tributa o valor acrescentado das transações efetuadas (Wikipédia). Muito simpático o Solar presentear-nos com balas da ARCOR ou mini-alfajores todos os dias. Sachês do café La Virginia fazem parte do pacote.

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Plaza Güemes-Salta-Província de Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

O hotel se situa em frente à praça Güemes, onde há uma feira de artesanato nos finais de semana à tardinha. Estava na hora do jantar, então ficamos ao lado. Comemos empanadas bem temperadas e suco de morango e pêssego no restaurante Pettineo. Com mais tempo, percebi que gostam de uma pimenta lá. Parece com a nossa Bahia.

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Catedral Basílica del Señor y la Virgen del Milagro com suas bandeiras em frente-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

Domingo, 21 de outubro de 2018. Depois do café da manhã robusto (eles oferecem leite desnatado!!!), decidimos explorar a área pela manhã e ficamos maravilhados em notar como o hotel era perto do centro histórico. O passeio a pé valeu, demos uma olhada na bela Catedral Basílica del Señor y la Virgen del Milagro. Em 25 de agosto de 1948, Salta voltou a ser sacudida por um forte terremoto e outra vez foi salva pela proteção do Senhor e da Virgem do Milagre. Há uma placa lá com o reconhecimento do Governo e do Povo de Salta. Também o papa João Paulo II é muito venerado, esteve na catedral em 1987.

A catedral fica em frente à praça mais central 9 de Julho. Uma delícia se sentar em um banco e admirar a boa vida dos moradores. Ao redor dela existem restaurantes, cafés, lojas de doces tentadoras, agências de turismo (muitas abertas no domingo) e lojas de artesanato. Logo de início eu gamei na cidade. Senti como se estivesse em uma cidade do interior. Salta é plana, boa para andar e desbravar suas peculiaridades. Não há nenhuma cidade como ela. As pessoas são confiantes e ainda têm a ingenuidade de um lugar não “poluído”, os cambistas trocam e contam dinheiro na calçada na frente de todo mundo. Amei. Tocou meu coração.

O Cabildo antigo, prédio onde abrigava o centro do governo da província de Salta, abriga o Museu Histórico do Norte, já o Museu MAM (Museu de Alta Arqueologia de Alta Montanha) da mesma forma jaz na praça. O centro de informações se situa na Buenos Aires. Aliás, hoje é o Dia das Mães na Argentina.

Outra igreja primorosa é a Basílica Menor de São Francisco. O Menino Jesus de Aracoeli, cuja imagem foi bendita por João Paulo II em 1996 em Roma, está lá. A cruz do teto é estilo bizantino do séc. XII de Jesus da Cruz. A basílica é simplesmente deslumbrante por dentro e por fora.

Vejo muitos visitantes europeus, a cidade é turística pela beleza colonial e pela religiosidade. São grupos e grupos de católicos da argentina toda e países vizinhos. Os brasileiros perdem bastante em não vir por estas plagas.

O clima estava nublado e chuviscando, depois passou a ser ensolarado às 11. 25 da manhã.

Descobrimos um café The Coffee Store (em grãos) com cafés do Brasil, Indonésia, Tanzânia, Quênia, Colômbia e Peru. Achei original.

Prosseguimos na caminhada e chegamos ao Convento São Bernardo desde 1941, considerado Monumento Histórico Nacional. Trata-se da mais antiga construção de Salta, do séc. XVI. No passado foi Hospital de San Andrés e Ordem do Carmelo.

Ali perto descobrimos uma agência de turismo com alguém muito solícito e agradável: Guillermo. Saudações, Guillermo! Agencia Empresa de Viajes y Turismo Tintikay na rua Caseros, 404 com Dean Funes.

A altitude é de 1.187 m, ou seja, leva um tempinho para se acostumar com a altura. A gente sente a cabeça pesada, a respiração mais difícil e uma moleza no corpo, como em Bogotá-Colômbia. Por isso, se toma chá de coca (muito bom) ou se põe folha de coca na boca e se chupa. Garanto que alivia o mal estar. Uma semana passamos lá e uma semana chupamos a folha. Experiência diferente.

Após o passeio, almoço executivo por 220 pesos no restaurante Salta Cerveza, cerca da praça 9 de Julho. Cardápio: tortinha de milho, salada verde, com merluza, cebola e tomate. Comida leve e boa.

Continuaremos com o city tour em Salta…

 

 

 

 

 

Argentina – Córdoba – Museos Emílio Caraffa e Superior de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra

Argentina – Córdoba – Museos Emílio Caraffa e Superior de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra

Hoje é dia 20 de outubro de 2018, enfim o último em Córdoba. Resolvemos aproveitar a manhã para visitar uns museus famosos na região. Portanto, pegamos um táxi no hotel Caseros 248 a fim de se dirigir ao Museu de Belas Artes. O taxista nos deixou no teatro da Cidade das Artes da Universidade Provincial por 75 pesos. Ou ele não sabia onde era o museu citado ou nos enganou. Deveríamos ter saído com tudo escrito… Era mais longe, ainda bem que o guardinha do teatro foi gentil conosco e nos indicou a localização certa. Fomos caminhando e voltando para mais perto do hotel, afinal não era distante. Passamos pela Plaza (praça) España, Plaza do Bicentenario e Plazoleta (pracinha) Ana Frank.

encarte do museu emílio caraffa
Encarte do museu Emílio Caraffa em Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Chegamos ao museu Emílio Caraffa de arte moderna. A entrada foi 50 pesos. O endereço é Av. Poeta Lugones, 411 (de terça a domingo e feriados das 10 às 20 h). Lá tem centro educativo com diversas propostas inclusivas para a escola pública, lojinha, biblioteca Deodoro Roca, e cinema gratuito às quartas às 19.30 h. com exibição de filmes de arte. Com nove salas, o museu oferecia à época exposições dos cordobeses Pablo Canedo, Carlos Crespo, Deodoro Roca, Rubén Ramonda, Juan Canavesi e Tato Carlo. Importante salientar que Deodoro Roca (Córdoba, 1890-1942) é um nome histórico, já que foi diretor do museu entre 1916 e 1919 e também foi líder do movimento reformista (conflito estudantil). Embora eu não goste muito de arte moderna, considero sempre instrutivo visitar esses centros de cultura.

folder do museu de bellas artes
Folder do museu de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra de Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Depois rumamos ao Museu Superior de Bellas Artes Evita – Palácio Ferreyra. A entrada também 50 pesos. As obras expostas são coleções do Governo da Província de Córdoba desde 1911: originam-se de artistas locais, de uma parte significativa de pintores nascidos em Córdoba e radicados na Europa nas décadas de 1920 e 1940, e da mesma forma de doações de artistas argentinos vinculados à construção da cena artística nacional. Há exposições permanentes e temporárias. A série Mãos Anônimas de Carlos Alonso; os primeiros prêmios das Bienais desde 1940; e As Quatro Estações de José Malanca são dignos de nota.

museu de bellas artes
Museu de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra-Córdoba-foto tirada por Carlos Alencar

A casa do museu é um capítulo à parte. Começou a ser erigida em 1911 por ordem de Martin Ferreyra, um médico da aristocracia crescente da cidade e também dono de pedreiras de cal na localidade de Malagueña. Sua intenção era fazer uma réplica do Hotel Kessler de Paris, uma construção típica dos séculos XVII ao XIX. O arquiteto foi o francês Ernst-Paul Sanson, da mesma nacionalidade era o paisagista do jardim estilo europeu Charles Thays. A partir de 2007, por iniciativa do governo da província, as habitações se converteram em um espaço aberto à comunidade com o nome atual do museu. Parabéns, Córdoba.

Saindo do local, era hora do almoço e encontramos ao lado do nosso hotel uma porta pequena com um restaurante bem em conta. Por 100 pesos, comi frango ao forno com batatas fritas (papas).

Era o momento de ir ao aeroporto rumo a Salta no norte, mas antes tomamos um suco de maçã delicioso com café no hotel. Pena não ter tido tempo para provar as iguarias do Caseros 248. Hotel muito bom, localização ótima e staff gentil e amigo. Zaida, Rodrigo e Joshua, o nosso agradecimento carinhoso!

Conseguimos um táxi por 370 pesos, cobram uns 500. Aeroporto sem casas de câmbio, pequeno, com poucas opções de comida, mas tem a indefectível Havana com seus alfajores e cafés (amo!). Achávamos que tínhamos direito a 23 kilos pelas Aerolíneas Argentinas, mas não, somente a 15 k. A moça atendente foi tão solícita com a gente que nos deu ideia de tirar 2 k da mala média com excesso (do Carlos) e colocar nas malas de mão. Se não, pagaríamos 650 pesos. Fomos pegos de surpresa, porém deu tudo certo no final. Por isso, amo os argentinos: sempre nos ajudam.

Surpreendente Córdoba, foi espetacular ter estado aí. Voltarei, porque me encantei. E como escrevi…

Após um voo de 1 hora e 20 minutos, aterrissamos na linda Salta. Muito a dizer sobre esta cidade desconhecida dos brasileiros. Em breve…

 

Argentina – Córdoba – Segunda Parte – Triângulo Jesuítico: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Argentina – Córdoba – Segunda Parte -Triângulo Jesuítico: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Hoje é dia 18 de outubro de 2018 e prosseguimos nas visitas às estâncias jesuíticas ao norte da província de Córdoba. São testemunhos da identidade do país, segundo os argentinos. Considero bela a forma como eles reverenciam a sua história.

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Estancia Jesuítica Colonia Caroya-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Adentramos a Estancia Jesuítica Colonia Caroya de 1616. Estamos em um museu provincial chamado de Museu do Imigrante. As paredes têm cal branca para evitar insetos e são revestidas de gesso. A capela e quatro salas são da Companhia de Jesus, as últimas pertencem aos descendentes de imigrantes italianos do norte. Vamos às salas. A primeira tem o mobiliário da época do jesuíta Inácio Duarte y Quirós. Era maior no passado. Em 1687 doou seus bens para a criação do Colégio Real Seminário Convictório de Nossa Senhora de Montserrat para o ensino dos religiosos da Cia. de Jesus. Lembrando que “convictório”, segundo o dicionário online educalinguo.com, significa o departamento no qual os estudantes moram nas escolas jesuítas. À época 250 a 300 nativos eram controlados por dois jesuítas. A estância servia de residência de descanso dos estudantes do colégio durante suas férias. Interessante dizer que anteriormente em 1671, a Cia. vendeu a estância a Inácio Duarte y Quirós. Poucos anos depois, volta às mãos da Companhia como doação.

Em 1878 foi a fundação da Colonia Caroya com a chegada das famílias italianas para ter casa e trabalhar na agricultura. Vieram de Friuli, convidados pelo presidente Nicolas Avellaneda. Em 1987 foi celebrado o tricentenário do Colegio Nacional de Monserrat a la Casa de Caroya.

Vejamos outras salas. A sala da farmácia com dicas de como provocar vômito, sobre sangrias, receitas etc.; a capela; a primeira fábrica de armas brancas que funcionou de 1814 a 1816, quando Gervasio A. Posadas, Diretor Supremo das Províncias Unidas, decidiu instalá-la.

Um dado histórico: o General San Martin se hospedou no local em 1814, a fim de ter uma entrevista com o Gal. Juan Martin de Pueyrredon no regresso da direção do Exército do Norte. Só rememorando que San Martin proclamou a independência da Argentina em 1816, logo as estâncias eram lugares estratégicos para o Caminho Real. Conforme a Wikipédia, Camino Real era a rota que começava na Avenida Rivadavia em Buenos Aires, passava pelo Alto Peru (hoje Bolívia) até alcançar a cidade de Lima durante o Vice-Reinado do Peru e o Vice-Reinado do Rio da Prata. Curioso acrescentar que a Missão Jesuítica Caroya estava situada nesse trajeto.

O lugar também foi usado por presidentes para descanso. Estivemos na sala dos nativos (estilo gaúchos) com objetos do seu cotidiano na lida com cavalos: esporas, selas e outros; a sala dos imigrantes com móveis, utensílios de casa e para a agricultura que trouxeram da Itália, máquina de costura, aparelho de música (gramofone) etc. O sítio histórico é bem organizado com placas explicando tudo em espanhol.

Depois rumamos à Estancia Jesuítica Jesús (fala-se “Resus” em espanhol) María de 1618. São quatro hectares, possui uma bodega de vinho e restaurante. A cidade é tão ajeitada com casas baixas lindas. O rio existente na região se chama Guanusacate em língua indígena quíchua e o fundador da estância foi o jesuíta Pedro de Oñate (nasceu em Valladolid-Espanha em 1567 e faleceu em Lima-Peru em 1646). Ele a adquiriu em 15 de janeiro de 1618 e a ela deu o nome.

Visitamos o Museu Jesuítico Nacional de graça com muitas salas. Na primeira habitação visualizamos pinturas americanas e livros. Na sala 7 há mobiliário e imagens sacras. Na parte do forno encontramos jarros coloniais para decantar o vinho que procedia de Cafayate na província de Salta no séc. XVIII. No primeiro andar estavam a pia, cozinha, corredor dos aposentos e a sala de arte sacra colonial. No corredor um lavador de pedra sabão e um lugar para as toalhas. A sala de arte sacra completa do séc. XVIII. Na estância houve negros escravizados. Ademais, a sala dos paramentos religiosos; a sala da coleção de moedas, Numismática e Medalhística do mesmo século mencionado; a sala de arte religiosa e história dos jesuítas: Francisco de Borja, Claudio Acquaviva (quem substituiu o fundador Inácio de Loyola na direção da Companhia de Jesus) e Juan Pablo Oliva, responsáveis pela Companhia; a sala de lugares comuns: banheiros, sanitários de água corrente que desde 1721 existia na parte alta uma parede dupla de pedra e ladrilho onde corria uma acéquia que desembocava no rio; a sala com instrumentos dos indígenas da terra; a sala da tribuna que dava para a igreja a fim de se sentarem as pessoas importantes ou sacerdotes enfermos; a igreja com estátuas barrocas, sendo uma a imagem de San Isidro Labrador; e a sala de porcelanas e cerâmicas da família González Warcalde. A região de Córdoba tem 10 mil anos de existência. É muita riqueza cultural a ponto de ficarmos boquiabertos.

Um adendo: a cidade é sede do renomado Festival Nacional e Internacional de La Doma y el Folklore e a localidade é o centro financeiro e agrícola mais importante da província de Córdoba. Quanto ao festival, ocorre de 11 a 21 de janeiro deste ano e há mais de 20 anos. No anfiteatro José Hernandéz, acontece corrida de burros, rodeios, shows musicais, desfiles folclóricos, danças, dentre outras atrações. Vi no site hoje que o evento foi anulado na sétima noite (dia 18/01/2019), por conta de tormentas que virão. As entradas seriam devolvidas. “Doma” significa adestramento. No Brasil temos algo parecido: a Festa do Peão de Barretos-São Paulo.

Estava na hora do almoço, logo voltamos à Colonia Caroya, não à estância. Paramos na loja Provin Il Salami para compras de vinho, salame, azeitona e alfajores. Ao lado estava o restaurante Panchos. Era muita gente e ficamos todos (era um grupo de bom tamanho) juntos em uma mesa retangular. Foi um evento linguístico rico com espanhol, português e inglês ao mesmo tempo. Amei! Pedi verdura, frango e uma coca. Detalhe: o calor estava demais.

Na Estancia Jesuítica Santa Catalina, tivemos um contato maior com um casal brasileiro: Marcelo de Minas e Mara de Roraima, habitantes de Brasília. Saudações a vocês! Vamos à estância. É Monumento Histórico Nacional desde 1941. Fica a 20 km a oeste de Jesús María e a 70 km ao norte de Córdoba. O guia muito agradável se chamava Marcelo Etcheberry. Pagamos 15 pesos pela visita guiada. Lá fazem casamentos e vive de agropecuária. Só um comentário: a seca estava braba na província de Córdoba, já haviam perdido 10 mil hectares sob os efeitos nefastos da falta de chuvas.

Para se chegar à estância, a estrada é de terra, de chão batido. Da cidade de Ascochinga, no departamento (comarca) de Colón, a 7 ou 8 km de distância de lá, pega-se um desvio à direita que leva à estância. Uma dica: perto existe um bar, restaurante e hotel nomeado La Rancheria de Santa Catalina.

Falemos mais em história: a igreja levou 141 anos para ser construída. Começou em 1622 e acabou em 1763. Iniciou sendo erigida pelos indígenas e no fim por 400 escravos africanos de Angola. Lembrando que os jesuítas foram expulsos da Argentina em 1767. O retábulo da igreja veio do Paraguai e é original, feito de cedro paraguaio e com pintura central de Rafael da Itália. A Wikipédia ajuda novamente: “retábulo” é a estrutura de madeira, mármore ou de outro material que fica para trás ou acima do altar e que, normalmente, encerra um ou mais painéis pintados ou em relevo.

Em Santa Catalina há missas, em Caroya e Jesús María, não. Cinco padres jesuítas viveram no lugar, juntamente com 400 escravos e cinco padres. Antes eram 167.500 hectares, hoje somente dois. Trata-se de uma casa de campo com 15 refeitórios e 60 quartos. Há um conselho administrativo de três pessoas que respondem pelo sítio. Em janeiro e fevereiro somente a igreja é aberta e aos sábados e domingos não há passeios pela estância (são os dias da família proprietária aproveitá-la, já que é privada).

Na igreja há uma porta que dá a um túnel de 15 km que vai até a Estancia Jesuítica de Jesús María. Obra de 1841, cujo intuito era a comunicação entre as estâncias e para fugir dos colonizadores espanhóis.

Conhecemos padarias, a despensa, a cozinha, além do pátio com árvores diversas e o outro pátio com um hospital para tuberculosos com sala para enfermos.

Ufa! Que passeio mais impressionante. Vale muita a pena, imperdível!

Argentina – Córdoba – Primeira Parte -Estâncias Jesuíticas: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Argentina – Córdoba – Primeira Parte-Estâncias Jesuíticas: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Córdoba sempre surpreendente. Eu não tinha ideia da riqueza cultural que são essas estâncias. Só conhecendo pessoalmente para saber o quão fascinantes são. Hoje é dia 18 de outubro de 2018 e saímos a passear pelo dia todo novamente com a guia Carla e o motorista Tomás. A agência foi a Nativo Viajes (Independencia, 174-Centro). A Carla foi nossa guia às serras de La Cumbrecita e Villa General Belgrano. Desta vez ela deu um show em espanhol e inglês, uma vez que na excursão havia uma holandesa, uma inglesa e uma francesa. Todas muito simpáticas. Lógico que aproveitei e gastei meu inglês… Saudações, Carla, obrigada por tanta informação boa. Um olá carinhoso também à Zaida, recepcionista linda e solícita do hotel Caseros 248, nossa acompanhante na viagem.

Comecemos a jornada. A guia nos conta que há muitos estudantes chilenos em Córdoba, já que a universidade do estado é gratuita. A Igreja da Cia. de Jesus e o Colégio Monserrat em Córdoba foram fundados em 1671 pela Cia. de Jesus. A igreja é a única com suas características preservadas, o teto é um barco ao contrário (o arquiteto naval era francês) e o colégio hoje é misto. Até 1783 na lateral do colégio funcionavam igreja e imprensa religiosa.

Os espanhóis colonizadores não tinham uma boa relação com a Companhia de Jesus, aliás, as palavras corretas são Sociedade de Jesus. Inácio de Loyola (1491-1556), o fundador, era basco de Azpeitia. A sociedade nasceu em Roma e por 16 anos o teve na direção. Lembrando que em Córdoba havia franciscanos e dominicanos já no séc. XVI. Quem substituiu Inácio de Loyola como Superior Geral da Sociedade de Jesus foi Claudio Acquaviva (1543-1615), italiano de Atri, Abruzzo.

Rumamos ao norte da província de Córdoba hoje. São três monastérios respeitáveis: Colonia Caroya (diz-se Caroja) de 1616, Jesús María de 1618 e Santa Catalina de 1622 (Patrimônio Cultural da Humanidade-UNESCO).  São estâncias com fábricas, antes tinham escravos. Como os colonizadores espanhóis escravizavam os índios, entravam em conflito com a Cia. de Jesus. Isso causou muitas batalhas. Os jesuítas protegiam os indígenas e os educavam, embora tivessem escravos para o trabalho pesado. Os encomenderos espanhóis caçavam nativos e os vendiam para a escravidão. Trabalhando 24 horas por dia, ou os tratavam como animais ou os mandavam para o serviço privado. Muitos nativos morriam de enfermidades, como o sarampo. Segundo o Educalinguo.com/pt/dic-es, “o encomendero era chefe da parte de uma instituição colonial denominada encomienda, tinha índios confiados a ele em qualquer uma das colônias espanholas da América e das Filipinas”.

As missões guaranis estiveram na região sob a proteção da Cia. de Jesus. Pagavam um tributo ao rei da Espanha, então se tornaram vassalos do rei Carlos III. Quando decidiram parar de pagar o tributo, aí os problemas apareceram. O fato de questionarem o poder também causou discórdia. Por isso, a Ordem foi expulsa de Córdoba. Foi na época do papa Pio VII. Os jesuítas foram embora para a Itália, Rússia, Hungria etc. Depois voltaram, mas nesse meio tempo as propriedades foram saqueadas e abandonadas.

Trata-se da parte mais antiga da região, vive da atividade agropecuária, é rural, sente-se o cheiro das vaquinhas. O turismo não é tão impactante e os festivais são em solidariedade às escolas. Há transporte de cereais por caminhões e a fábrica ARCOR funciona por aqui. Interessante mencionar que os rios aumentam muito com as chuvas, logo acontece comumente enchentes na localidade de Caroya.

O motorista pega a Ruta Nacional 9 na ida e volta pelas Sierras Chicas. A primeira estância adquirida pela Ordem dos Jesuítas foi a Colonia Caroya. A entrada é 50 pesos e não se tira fotos dentro. Em Jesús María só se começou a tirar fotos nas últimas semanas, antes nem com bolsa entrava. Já Santa Catalina, privada, pertencente a 160 membros da família de um ex-governador cobra 25 pesos e somente permite uma foto, a do retábulo da igreja.

Na Estância Jesuítica de Caroya há produção e venda de queijos, salames e quatro bodegas (de vinho) reconhecidas. As estâncias foram inauguradas por imigrantes italianos no séc. XIX e antigamente se usava o trem Buenos Aires-Córdoba.

Conforme o Guia Criativo para o Viajante na América do Sul, quarta edição, “as antigas estâncias jesuíticas de criação de gado, plantação de cereais e fabricação de vinho valem a visita. Foram atividades dos padres jesuítas durante sua permanência na região. A 50 km ao norte, a Estância de Jesús María abriga o Museu Jesuítico Nacional e conserva peças de alto valor arqueológico, histórico e religioso. A Estância de Santa Catalina, considerada a mais importante da província, conserva um templo de fachada barroca, vivenda de índios e escravos, além de pinturas e objetos de decoração”.

Prosseguiremos em breve com as estâncias jesuíticas.

Argentina – Córdoba – Igreja dos Capuchinhos e Paseo del Buen Pastor

Argentina – Córdoba – Igreja dos Capuchinhos e Paseo del Buen Pastor

Hoje é dia 17 de outubro de 2018. Continuamos os passeios por Córdoba. Estamos agora na bela igreja Sagrado Coração de Jesus dos Padres Capuchinhos. Como é perto do hotel Caseros 248, fomos a pé. Está situada à rua Obispo Trejo, 242, cerca do shopping center Patio Olmos. A visita guiada à torre com mirante por 150 pesos vale a pena para quem possui boas pernas e joelhos. O Carlos foi com o guia Alejandro, são 148 degraus e as escadas são em forma de espirais até em cima.

Chama a atenção a estátua do padre Pio de Pietrelcina com muitas plaquinhas de graças. A igreja teve como arquiteto Augusto César Ferrari, tem estilo neogótico e em 1926 teve as obras iniciadas até os anos 80 com inúmeras interrupções. Destaca-se a estrutura de concreto armado, construído pelos engenheiros Giralt, Nores e Olmedo e as esculturas do artista italiano-argentino Luís Ramacciotti.

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Bairro Nova Córdoba em Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Sobre o seu valor simbólico muito pode ser dito. Nas primeiras décadas do séc. XX, produziu-se no bairro Nova Córdoba o auge da arquitetura europeia, onde o Palácio Ferreyra (Museu Superior de Belas Artes Evita) e os Capuchinhos foram um emblema especial. Passados mais de 100 anos este templo monumental é um ícone da cidade pela história, desenho e fé.

Os Capuchinhos exemplificam técnicas e desenhos próprios, época de revivamentos, aparição de neos e ecletismo de desenhos. Conjugam elementos próprios de gótico como arquivoltas, rosetones, arcos ogivais (referente ao estilo gótico, formada pelo cruzamento de duas curvas) com uma decoração barroca recarregada, imprópria do estilo puro. Cada um dos elementos que integram a fachada tem um sentido para o artista.

De lá fomos ao Patio Olmos para pegar um fresquinho e jantar. O calor está grande: mais de 31˚C, o sol está de rachar em plena primavera. Escolhemos licuado de frutilla (vitamina de morango) com misto quente de novo, mas em outro restaurante. A cada dia há promos, ou seja, promoções. Pagamos 100 pesos, muito em conta. Detalhe: hoje é dia de descontos bons no comércio, geralmente, 30 % pelo Dia das Mães. Também é o dia da “Lealdade a Perón”, promovido por sindicatos peronistas. O ex-presidente Perón ainda é idolatrado por muita gente.

Estava na hora de assistir a algo original. Em frente à igreja dos Capuchinhos, tem o Paseo del Buen Pastor (centro cultural, um local também com galeria, chafarizes, lojas e lanchonetes) com o “Espetáculo das Águas” dançantes, coloridas e musicais às 20.30h. Foi emocionante escutar “We are the Champions” da banda inglesa Queen, dentre outras músicas. Foi breve o momento, mas bonito.

Seguiremos com as Estâncias Jesuíticas ao norte de Córdoba em breve.

Argentina -Córdoba – Museus San Alberto, MUCI (Museu da Cidade de Córdoba) e Juan de Tejeda

Argentina – Córdoba – Museus San Alberto, MUCI (Museu da Cidade de Córdoba) e Juan de Tejeda

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Estátua do bispo San Alberto-Museu San Alberto-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é quarta-feira, dia 17 de outubro de 2018. Estamos aproveitando a cidade de Córdoba. Pela manhã o Carlos e eu visitamos o museu San Alberto perto da praça San Martin (Calle Caseros, 124). Nosso guia foi o Julio (estudante de turismo) e a acompanhante foi a Eliana. Ambos nos deram uma aula memorável de história.

 

A casa do museu tem estilo colonial com arcos de meio ponto. Passou por vários donos. Era a residência de Antonio Soler que a vendeu a um comerciante português Simão Duarte. Ignacio Duarte, um dos filhos, ficou com ela. Os territórios à época eram habitados por nativos. Os espanhóis vieram para colonizar a terra, mas a tarefa evangelizadora e civilizatória era dos jesuítas. Em 1693 esse mesmo Ignacio Duarte y Quirós, presbítero (sacerdote, padre), doa a casa para a Companhia de Jesus com a condição de ali funcionar uma residência para alunos universitários. Vinham de toda a América. Ali foi criado El Real Convictorio de Nuestra Señora de Monserrat. Eram três pátios, hoje são dois. Formam a Manzana Jesuítica de Córdoba. Para esclarecer, de acordo com o educalingo virtual, “convictorio” é “o departamento onde os estudantes moram em escolas jesuítas”.

Falemos no bispo San Alberto (frei José Antonio de San Alberto). Em 1782 inaugurou a Real Casa de Niñas (meninas) Educandas, administrada por beatas que deram origem às Irmãs Terciárias Carmelitas de Santa Teresa de Jesus. San Alberto era espanhol e se preocupava com as crianças desamparadas e pobres, pois à época só os homens estudavam, mulher tinha que ser do lar. Ele se preocupava com as crianças sem família, sendo que as meninas não teriam nada se não tivessem maridos. Logo, criou um lugar para cuidar das meninas. Era inovador, dava livros para as crianças mestiças; as meninas usavam hábitos; e dava educação para as diferentes raças. A ordem era carmelita e seu projeto era dar educação sem distinção de raça e classe social.  Segundo o bispo, não era orfanato e sim um lar. As meninas estudavam pintura, música, aprendiam os afazeres de casa, oravam etc. Em 1980 virou museu.

San Alberto faleceu com 78 anos e quem o nomeou bispo foi o Papa Pio VI. O museu funciona pela manhã, porque à tarde a casa é usada pelas carmelitas. A manzana (quadra) compreende o Colégio Santa Teresa (secundário) e o Convento das Carmelitas terciárias com função educadora, ou seja, não são do claustro. Também faz parte a igreja da Companhia de Jesus, a Capela Doméstica, o Colégio Nacional de Montserrat e a Universidade Nacional de Córdoba.

Conhecemos a sala de reunião onde no passado funcionava como um conselho para decisões. Era a maior da casa. Há pratos decorados que eram dotes das meninas. Lá estava uma caixa de música de 1860 com oito melodias, sendo uma, o hino nacional argentino. Visitamos também o subterrâneo: a cripta e o cemitério privado das educadoras e alunas. Eram enterradas em urnas com terra, cal e areia. Lá estavam placas de meninas mortas de 1878, 1801, 1802 e 1804. Posteriormente, tiravam os ossos e colocavam em um ossário. Os ossos não se misturavam se fosse de uma superior. A ventilação dava para a casa. Com a lei dos cemitérios públicos de 1900, os privados deixaram de existir. Atualmente, as pessoas influentes são enterradas no Cemitério São Jerônimo.

Na Capela Rosada estão os restos mortais de San Alberto. Da mesma forma há imagens de Santa Teresa de Jesus- de Ávila-Espanha; de Santa Teresinha de Jesus (das rosas)- da França e da Virgen del Carmen (carmelo).

A igreja Companhia de Jesus que faz parte da Manzana  Jesuítica de Córdoba é espetacular. Está escrito na parede: “Para desfrutar, para cuidar, para aprender…” do séc. XVI. Trata-se do templo mais antigo do país, construído na pedra entre 1640 e 1671. É Monumento Histórico Nacional e Patrimônio da Humanidade. Segundo o Livro Viajante Independente na América do Sul, 4ͣa. edição, a igreja possui duas capelas: a primeira, a Capilla Doméstica, de 1644, decorada com ouro e detalhes rococó, feita para os espanhóis e jesuítas, e  a outra, a capela dos índios, porque as damas da sociedade não admitiam que seus filhos frequentassem a missa junto com os “selvagens”.

 

De lá nos direcionamos ao Cabildo, desta vez para ver a parte subterrânea e o 1˚andar onde se encontra o MUCI (Museu da Cidade de Córdoba), também centro cultural. Foi criado em 1980 por decreto municipal e em 2017 teve sua renovação na imagem e no perfil. O Cabildo é Monumento Nacional desde 1941. Foi lugar de processos sociais, culturais e políticos da cidade, contém parte do patrimônio material e imaterial de Córdoba.

O museu conta a história da região desde a sua fundação. Os povos nativos eram os comechingones que viviam da caça e produção agrícola, assim como de atividades relacionadas com a natureza e estações do ano. Córdoba era centro administrativo, religioso e educativo. Assim que foi fundada, ordens religiosas se instalaram na cidade, dentre elas, a Companhia de Jesus. Tal ordem fundou o Colégio Maximo e em 1613 a primeira universidade da Argentina e a segunda da América do Sul. A primeira do continente foi no Peru.

Fotos, objetos, cadeira do governador, vídeos, Córdoba imigrante, séculos 19, 20, 21, arquivos fotográficos, roupas, música, barbearia, móveis antigos, arqueologia etc. O museu é respeitável e melhor, gratuito. As visitas guiadas são pagas.

 

A saga dos museus continua. Nas quartas são grátis. Chegamos ao Museu de Arte Religioso Juan de Tejeda (Frei Luís Jorge de Tejeda), localizado no centro na Independencia, 122. Funciona desde 1970, em uma casa estilo colonial espanhol. Era um monastério para as monjas trabalharem bordados e ornamentos litúrgicos. Vimos os quartos austeros delas. Eram da ordem das carmelitas descalças cuja fundadora foi Santa Teresa. O museu apresenta obras de arte religiosa do séc. XVI e XVII. Representam o martírio, o êxtase e a morte. As personagens aparecem em atitude de extrema sensibilidade, tanto na contemplação como nas manifestações de dor ou sacrifício.

Córdoba é surpreendente, há tanta cultura e história que ficamos enfeitiçados.

O Abuso da Zona Azul em Fortaleza

O Abuso da Zona Azul em Fortaleza

Faz um tempinho que desejo escrever sobre a aparição repentina de estacionamentos Zona Azul em Fortaleza. Antes existiam de forma mais tranquila, mas atualmente tem incomodado muita gente. Quando algo me irrita, escrevo. Infelizmente, não tenho visto na mídia a reportagem de tal abuso.

Vejam só: a prefeitura de Fortaleza neste segundo semestre de 2018 resolveu colocar Zona Azul em quadras onde há hospitais, prédios de clínicas médicas e odontológicas, farmácias, shopping centers e até em estacionamentos recuados de centros comerciais. Pensemos: o comércio já paga taxas e impostos altíssimos para a prefeitura e agora ainda corre o risco de seus clientes procurarem outros pontos onde podem estacionar sem pagar a zona azul. Em hospitais, então, agride a população.

Nós não somos o centro de Londres, meu povo. Lá se paga caríssimo para circular de carro, mas a cidade oferece um transporte público de qualidade. Já aqui… não é o caso.

Ademais, antes se pagava a Zona Azul com tíquetes e pessoalmente para a pessoa apropriada. Hoje é pelo aplicativo somente no celular. Nem todo mundo tem celular ou as pessoas não sabem usar um aplicativo. Complicou geral. Somos uma cidade tecnológica? Se fôssemos, teríamos várias regiões com wifi grátis e uma população letrada. Não é o caso.

Enquanto isso, Fortaleza com seu badalado hub aéreo está feia, suja e pichada, mas isso não perturba a prefeitura. Não coloco fotos neste artigo em protesto. Temos tanto potencial e uma das mais belas orlas brasileiras. Porém não temos o que celebrar. Muito pelo contrário.

Em terrenos baldios e lugares vazios, existem lixões. As pessoas que saem com seu carrinho de reciclagem, recebem dinheiro de outras pessoas para carregar material de construção, podas de árvores etc, aí jogam nesses aterros. A rua Princesa Isabel no centro é uma vergonha, lixo para todo o lado. A rua Antônio Augusto próxima ao SEBRAE no Meireles tem um lixão crescente em uma esquina e a rua José Lourenço perto da Deputado Moreira da Rocha também. As placas de não colocar lixo (da prefeitura) estão lá, mas de nada adiantam. Enquanto não houver uma campanha sistemática pela limpeza da cidade na TV e nas rádios paga pela prefeitura, continuaremos no quinto mundo. Não quero ver o meu dinheiro e do contribuinte pagar propagandas enaltecendo a prefeitura, quero campanhas de saúde, educação, higiene etc. No momento, tenho visto umas do governo do estado, mas considero pouco.

A Fortaleza que quer ser internacional precisa ser real e não uma ilusão para enganar turista. Ter ônibus turístico de dois andares circulando pela cidade? Bom se for para ver uma cidade bonita e bem cuidada.

Em suma, merecemos muito mais, porque conhecemos no passado uma Fortaleza linda, generosa, com árvores frondosas, sombra e casas bonitas. Era um sonho de cidade. Será impossível vê-la sedutora novamente? Fica a pergunta para vocês. Peço que compartilhem este artigo, quem sabe chega a ouvidos menos moucos e conseguimos reverter o abuso da Zona Azul.

Viva São Paulo – Ibirapuera, Shopping Cidade Jardim, MASP e FIESP

Viva São Paulo – Ibirapuera, Shopping Cidade Jardim, MASP e FIESP

Hoje é sábado, dia 31 de outubro de 2018. O Carlos, a Denise, o Vinícius e eu continuamos nossos passeios por Sampa. Andamos a pé pela av. Paulista até o MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Av. Paulista, 1578 – Bela Vista). Embaixo estava o maior agito de esportes diversos com testes de AIDS e sífilis grátis e distribuição de Nescau. A barulheira era grande.

Paramos no Starbucks ali perto para um café básico e seguimos rumo ao parque Trianon de novo em frente ao MASP. A passarela que liga as duas partes do parque se chama Paulo Vanzolini. Não sabia.

De lá fomos ao parque Ibirapuera, afinal é um dos maiores do mundo. Caminhamos, tiramos fotos e sentimos o clima verdejante. Era hora do almoço, logo nos direcionamos ao Shopping Cidade Jardim (av. Magalhães de Castro, 12000-Morumbi) pela sua beleza. Aconselho a Lanchonete da Cidade com seus hambúrgueres e omeletes, enfim, uma refeição original. De loja em loja, desbravamos o local, era hora de partir para o jantar.

Como estávamos cansados, decidimos ir direto de Uber para uma cantina italiana que já conhecíamos: a Osteria Generale, localizada à rua Pamplona, 957. Voltamos, porque o Carlos e eu já conhecíamos. O vinho Varietal Aurora Pinot Noir por R$30,00 foi uma boa sugestão do simpático garçom. Pedimos canelones de massa branca e verde recheados de mussarela de búfala e tomate seco ao molho napolitano: para duas pessoas por R$92,00. Já a Denise e Vinícius escolheram um gnocchi de batata ao sugo com bracciola ou porpetas, traduzindo: nhoque ao molho de tomate com bife a rolê ou almôndegas. Tudo muito delicioso.

Quando chegamos ao Ibis Budget, veio a desagradável surpresa que alguém havia entrado no quarto do 1˚ andar e tentado abrir a mala da Denise, por isso a fechadura estava quebrada. Ainda bem que a pessoa não conseguiu o intento de roubar algo. A Denise reportou o ocorrido para um atendente da noite, tiraram foto e na manhã seguinte veio a decepção. A gerente se mostrou indiferente quanto ao ocorrido. No final, ficou por isso mesmo, embora a outra gerente tenha sido mais ativa. Sempre ficamos lá e nunca acontecera nada, foi uma tristeza ver a apatia de um hotel que tanto faço propaganda. Até hoje nem ligaram para a Denise como prometeram.

No domingo 1˚ de dezembro, começamos o dia indo a pé novamente ao MASP. A av. Paulista estava repleta de gente com feiras ao ar livre e muito movimento. Havia gente discursando política e gente andando de bicicleta, skate, enfim o astral paulistano festivo de domingo. Como era tarde e já hora do almoço, fomos direto ao restaurante no subsolo. Lá há um buffet incrível com opções variadas de comidas e sobremesas pelo preço de R$64,00 por pessoa.  Almoçamos muito bem na companhia do meu irmão Rogério e da cunhada Lindiane, moradores da cidade. Depois subimos ao museu o qual estava com a exposição “Acervo em transformação: Tate no MASP”. Uma espécie de exposição dentro da exposição com obras da Tate Gallery de Londres. Sempre obrigatório visitar esse museu.

De lá rumamos à FIESP, ali pertinho. Meu irmão deu a dica da exposição: “Rafael e a Definição da Beleza da Divina Proporção e Graça” do renascentista Rafael Sanzio no Centro Cultural Ruth Cardoso. Simplesmente espetacular!

Falemos um pouco nele: nos seus quadros as virgens trazem um tipo de beleza feminina suave e protetora, com forte ligação afetiva entre os personagens em fusão com a paisagem. A colaboração entre Rafael e o gravador Marcantonio Raimondi resultaria em algumas das mais influentes estampas da história da gravura. Rafael é da época do Papa Leão X (Giovanni de Médici). Nasceu em Urbino – Itália em 1483 e faleceu em Roma em 1520 aos 37 anos, está sepultado no Pantheon.

Rafael inspirou-se nos modelos de Leonardo da Vinci, Michelangelo (com quem tinha rivalidade) e de outros contemporâneos, inovando-os e transformando-os em linguagem própria. A doutrina estética do Renascimento oferece a síntese entre dois polos: a imitação da natureza e a imitação do modelo. A exposição mostra o processo de elaboração dos seus desenhos e estudos. Quando jovem foi responsável pela decoração da STANZA DELLA SEGNATURA (provável escritório pessoal do papa), o primeiro dos aposentos papais no Palácio Apostólico Vaticano.

Rafael Sanzio era louvado pela variedade, elegância e harmonia de suas composições, como também por sua capacidade de não deixar transparecer na vida ou em suas imagens o tormento e as angústias da criação, uma poética oposta de Michelangelo. Rafael tinha a inigualável habilidade de fazer suas imagens parecerem vivas, figuras cuja “carne treme”, de tão naturais e das quais se “vê o espírito”, segundo Giorgio Vasari (biógrafo). Dono de singular consciência artística e de grande ambição, ele percebeu a importância da gravura para a difusão do seu nome e arte entre artistas, colecionadores e grandes mecenas.

Outras obras: Madonna com Bambino (1510-1520) –R.S Ateliê; Testa di Madonna (La Perla) (1518-1519) e o afresco O Triunfo de Galateia (1511) com movimento contínuo, fluido e espaçoso.

Rafael convivia com discípulos talentosos, bem organizados nas tarefas do ateliê; capazes de arcar simultaneamente com a encomenda de quadros, extensas decorações e obras de arquitetura, exemplificando com o genial Giulio Romano (1499-1546) e o preciso Giovan Francesco Penni (1496-1528).

A idade de Ouro do Renascimento foi de 1531 a 1521 durante o papado de Leão X. A genialidade de Rafael veio em formas de mosaicos, desenhos para esculturas, objetos de ourivesaria, tapeçaria, quadros, pinturas de afrescos e obras de arquitetura.  O livro “Vida de Rafael” cujo autor é Vasari é de 1568. Vale a pena dar um pulo na FIESP só para contemplar tão magnífica exposição.

Interessante dizer que a av. Paulista não está decorada para o Natal, mas os ônibus da Prefeitura estão.

Para jantar, nada como uma boa pizza paulistana. Recomendo a pizzaria Margherita na Alameda Tietê com Haddock Lobo. Lotada, como sempre. Pedimos a pizza Godfather (tipo portuguesa sem cebola), country (com frango) e a paulistana (com bacon). Delícia.

Enfim, fim de viagem. Deu para sentir a minha admiração total pela megalópole? AMO São Paulo. Eis um lugarzinho para ir todos os anos. Saio já com saudades.