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Diários do Canadá: Quebec 2

Diários do Canadá: Quebec 2

Hoje é dia 20 de outubro de 2017. Decidimos fazer um passeio pelos arredores de Quebec em dois lugares que já havia visitado no passado: a queda d´água Montmorency Falls e a cidadezinha de St. Anne de Beaupré.

Fomos a pé (tudo dentro da muralha é perto) ao Centro de Informações da Velha Quebec e compramos um combo: Country Tour e Hop on-Hop off, ou seja, um passeio pelo interior e o ônibus turístico double-decker por Quebec no dia seguinte.

O ônibus que nos buscou na praça em frente ao Centro de Informações chegou 20 minutos atrasado, pois já vinha de fora da muralha da Velha Quebec com muitos turistas a bordo, pra variar, americanos da terceira idade. O motorista passou de hotel em hotel antes. Para quem estava gripada, ficar ao relento não foi fácil…

Nesse passeio, o motorista é também guia e dá muitas explicações ao longo do percurso, por exemplo: 25% dos habitantes de Quebec trabalham para o governo e em 1893 já se produzia eletricidade na região.

Chegamos ao Montmorency Falls, é vizinho de Quebec. Hoje tem uma estrutura digna de turismo internacional, com passarela, teleférico e centro de apoio com café, loja, banheiros etc. Mudou bastante em comparação há 30 anos, era bem mais rústico. O guia nos deu uma hora no local, logo nos aproximamos da queda d´água espetacular, mais alta que o Niagara, tiramos muitas fotos e, por fim, tomamos o tradicional espresso no centro de apoio. Não pegamos o teleférico, nem subimos as escadas na rocha, porque seria muito corrido.

Próximo de Montmorency Falls se encontra a ilha de Orléans, basta atravessar uma ponte sobre o rio São Lourenço. Bucólica, com a sua atmosfera rural do séc. XIX enfeitiça! Realmente dá vontade de virar ilhéu e fazer como os moradores: tornar-se fazendeiro, criar gado e cultivar morangos, batatas e maçãs. Aliás, a ilha foi descoberta por Jacques Cartier em 1535. Não tem sistema de abastecimento de água; somente se estuda o ensino fundamental e tem 7.000 habitantes. A neve se acumula em março. As casas de madeira avarandadas são alegres, vivas, de cores diferentes e espaçadas umas das outras. Amei! Naquela paragem existe uma fábrica de chocolate muito movimentada. Infelizmente, estava lotada e não pude me deliciar. Aproveitei, então, para mais fotos de casas, minha paixão.

As árvores com suas cores de outono dão um brilho especial ao lugar. Parece que ficam mais belas na ilha. Entre as casas há florestas e florestas, uma maravilha. Também existem casas de pedras e de tijolo aparente. De lá vemos as Montanhas Apalaches. 65% da produção do “maple” (o mel tirado da árvore maple tree, ou seja, plátano) do país vêm da ilha.

O Canadá é o oitavo produtor mundial de cobre (o Chile é o primeiro), por isso não poderiam deixar de nos levar a uma loja/fábrica/museu bem interessante. Chama-se Albert Gilles Museum em homenagem ao fundador já falecido. A fábrica está há 90 anos com a família e é muito bonito vê-las trabalhando, apresentando o museu e vendendo o seu material. São cinco mulheres da família Gilles e dois homens empregados. As peças de cobre são feitas a mão e a máquina. O instrumento de lapidação ainda é o mesmo do pai, nunca se conseguiu um substituto. Pode-se dizer que no Canadá o que tiver de cobre em igrejas católicas é feito pela família. O museu é fantástico. Valeu ver os pratos coloridos pela mãe da guia (viúva do fundador) e a parte sacra com episódios da vida de Cristo em quadros de cobre. Vendem bijuterias finas de cobre, marcadores de livros, pratos diversos e castiçais. Imperdível!

Continuaremos nossa excursão em breve…

Diários do Canadá: Quebec 1

Diários do Canadá: Quebec 1

Hoje é dia 18 de outubro e partiremos de Montreal de ônibus pela companhia Orléans. Não vimos o Greyhound indo para Quebec. Estamos na estação de ônibus Gare d´Autocars na rua Berry, 1717. Fica perto da rua Sherbrooke e Saint Denis.

Os ônibus são bons com lixinho ao lado do assento e mesinha para bebidas e comidas. No Greyhound não tem a mesinha. Lembrando que a reciclagem de lixo e a limpeza para o canadense é algo costumeiro. Ponto para eles. Detalhe: não podemos nem ver mais sanduíches, mas não tem jeito, é a opção para uma viagem.

 

Chegamos a Quebec às 14 h na estação Gare Du Palais, localizada à Rue de La Gare du Palais, 450, perto da rua Abraham Martin e do Palais de Justice de Quebec.

 

Trinta anos atrás já me apaixonei por esta adorável cidade. Continuo encantada, para mim é a cereja do bolo da nossa viagem. Por outro lado, o Carlos “gamou” em Ottawa, disse que moraria lá.

 

Bem, vamos iniciar nossa aventura “francesa”. Fomos para o hotel de táxi. Foi um achado no Booking.com: La Maison Du General, situado à rua St. Louis, 72 dentro da muralha histórica, na parte antiga da cidade. Foi o hotel mais caro e foi o único a cobrar uma diária com antecipação no cartão de crédito. Nunca fazem isso no Booking.com. Pagamos ainda no Brasil. Achei estranho, mas imaginei que tenha sido porque o local é muito procurado. Outra dica: não oferece café da manhã, mas dá um desconto de 10% para tomarmos no restaurante L´Omelette, quase ao lado. Nunca fomos lá, pois o achamos caro.

 

Estamos na única cidade murada da América do Norte. Quebec é linda em todos os lugares. Na Velha Quebec, então, é deslumbrante com suas casas antigas de pedras onde os habitantes cultivam as cores e as flores. No primeiro dia, fizemos um reconhecimento de área, andamos, tiramos fotos boquiabertos, conhecemos a agradável Prefeitura e o famoso hotel Fairmont Le Château (castelo) Frontenac. Inaugurado em 1893, tem seu nome em homenagem a um importante governador da Nova França. A torre central foi construída em 1924. Sua fama se deve também pelo fato de ter havido duas históricas conferências durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943 e 1944 lá, com as presenças do Presidente americano Franklin Roosevelt, do Primeiro – Ministro inglês Winston Churchill e do Primeiro – Ministro canadense William Lyon Mackenzie King. Na última reunião, o assunto foi a preparação do Dia D. Que emoção ver a foto histórica no Château.

Jantamos sopa de verdura picante (amam pimenta!) e crepe de cogumelo e queijo (mushroom and fromage) no restaurante Petit Château, localizado à rua St. Louis, 5. Realmente pensamos que iríamos nos alimentar muito bem, uma vez que estávamos em um pedacinho da França. Mas não. Nada como a velha Europa e o nosso lindo país para garantir boas refeições regadas a vinho. O Canadá não tem tradição dessa bebida dos deuses.

Quinta-feira, dia 19 de outubro. Como íamos passar uma semana nesta maravilha de cidade, resolvemos aproveitar o tempo com tranquilidade. Caminhamos bastante a fim de conhecer os cantinhos da parte histórica. O Carlos descobriu um mercadinho ali perto do hotel: o Richard. Tenho que dizer que nem todo mundo é tão simpático assim, achei o povo de Toronto e Ottawa mais acessíveis. Mesmo assim, sempre nos deparamos com pessoas incríveis, uma delas foi a sra. Shirley do hotel. Super atenciosa e amigável. Meus agradecimentos a ela. Falando no mercadinho, nos salvou: comprávamos o café da manhã e o jantar lá.

Uma grata surpresa para o almoço foi a churrascaria Le Feu Sacré (O Fogo Sagrado) pertinho do hotel. No cardápio havia comida italiana. O ravióli de queijo com molho de espinafre e presunto Parma, além da salada e de sobremesa: salada de frutas com café valeu cada tostão. Lembrando que pagamos a refeição mais duas taxas (para o governo e prefeitura) e 15% para o garçom. Pagamos 40 CAD com gosto. Aconselho!

 

Fizemos o passeio a pé até a fortaleza “The Citadelle of Quebec”. Fica em cima do penhasco Cap Diamant e é conhecida como a “Gibraltar das Américas”.  O cenário que se descortina no horizonte da cidade e rio São Lourenço é espetacular. O local tem mais de 300 anos de história. Trata-se de uma guarnição militar. Tivemos que ir pela rua St. Louis, subimos e demos a volta para entrar na Cidadela. A visita guiada foi 16 CAD e em inglês ou francês. O grupo era grande, principalmente, de americanos. Vimos o antigo hospital e a prisão. Da mesma forma, o 22º Regimento Real com sua história de participação em guerras. Bonito testemunhar o quanto o canadense prestigia seus heróis de guerra com estátuas e, sobretudo, por falar com orgulho do seu passado. Fascinante a visita ao Museu Real do 22º Regimento ao final do passeio (www.lacitadelle.qc.ca). A guia Maude deu um show. Aliás, Quebec significa na língua indígena algonquin “where the river narrows”, ou seja, “onde o rio se estreita”.

 

Voltamos ao hotel, tomamos sopa em uma lanchonete ao lado, fizemos compras no Richard e fomos dormir. O muffin, aquele bolinho pequeno que lá é grande, é perfeito. O de mirtilo (blueberry), uau!

Ainda tem muito mais…

 

 

 

 

 

Diários do Canadá: Montreal 4

Diários do Canadá: Montreal 4

Hoje é terça 17 de outubro de 2017. Vamos visitar o Museu de Belas Artes, o Fine Arts Museum, na rua Sherbrooke, uma das paradas do ônibus turístico double-decker.

São cinco prédios, o museu é e-nor-me! Preferimos conhecer somente a exposição permanente pelo qual pagamos 15 CAD (dólares canadenses). No teto há projeções de árvores com pássaros cantando. Bem interessante. Pinturas e esculturas não faltam. Para mim, foi um aprendizado, vários desconhecidos se tornaram conhecidos, como o inglês Ernest Crofs (1847-1911); o suíço Ferdinand Hodler (1853-1918); o francês Jean-Joseph Benjamin Constant (1845-1902) etc.

Vale mencionar a escultura do surrealista Salvador Dalí: um tabuleiro de xadrez com dedos, só a torre é a torre. Magnífico! Também digno de nota as esculturas do francês César Baldaccini, dit César (1921-1998), por serem semelhantes ao do nosso cearense Zé Pinto.

Vimos hordas de americanos da terceira idade. A quantidade chama a atenção. Embaixo do museu há arte contemporânea. A galeria de arte canadense nos convida. São nomes importantes: Paul-Émile Borduas (1905-1960), Alfred Pellan (1906-1988), Jean Paul Riopelle (1923-2002), dentre outros. As obras são impactantes, mostram através das cores a força da natureza canadense e dos cenários do interior. O Grupo do Beaver Hall de Montreal é diferente do Grupo dos Sete de Toronto. A arte indígena Inuit é muito valorizada. Considerei o Museu de Belas Artes um passeio e tanto.

Fomos para o hotel almoçar no café Imagination. Gostei do frango supremo (vegetais, frango e quinoa com ervilha) mais salada verde. Tudo era gostoso e tinha opções saudáveis, algo raro.

Entramos no double-decker de novo.  Vamos a mais informações. A praça da rua Peel se chama Dorchester Square e já foi um cemitério. Lá é repleto de esquilos, são tão fofos! Passamos pela Olympique House, ou seja, o prédio QG do Comitê Olímpico Canadense em Montreal, também centro de valorização do esporte, inaugurado em 2015; pela Basílica de St. Patrick, o santo dos irlandeses. 30 % dos habitantes têm descendência irlandesa. Vieram para o país no séc. XIX para se livrarem da grande fome que assolava a Irlanda. Assim como os americanos, os canadenses gostam de pimenta na comida. Vi algumas pessoas limpando o para- brisa dos carros nos semáforos.

São sete milhões de turistas em Montreal anualmente; o gigantesco transatlântico Aida estava no porto. Outono é época de cruzeiros ao longo de Montreal e Quebec. Muitos filmes são gravados na Montreal Antiga, fazendo de conta que é a França. A parte histórica da cidade é mostrada pelas placas de rua vermelhas. O bairro gay fica entre as ruas Amherst e St. Catherine e é conhecido como “Village”. A população de Montreal é de 1.8 milhão de habitantes e na ilha toda é de quatro milhões. Na biblioteca francesa são dois milhões de visitantes por ano. São 68 estações de metrô; e quatro universidades: duas inglesas e duas francesas, responsáveis por muita pesquisa de ponta.

O hotel Ritz Carlton tem 100 anos de existência; a arquitetura da cidade mescla estilo antigo e novo, muitas casas de tijolo a vista ou de pedras. 30% são imigrantes em Montreal, logo há muita variedade de restaurantes com culinárias diferentes. O pedestre é prioridade no trânsito. Atrás do Centro de Informações na rua Peel no centro, há um prédio escrito “Cinema”. Para conhecer a parte subterrânea da cidade: “Underground City”, entra-se nesse prédio, desce-se um andar pela escada rolante e ficamos surpresos com a vida intensa ali.  Com muito frio lá em cima, e embaixo tudo quentinho e com muitas opções. São 500 mil pessoas a circularem todos os dias, umas duas mil lojas e restaurantes, hotéis, teatros e universidades. Um céu! Maravilhoso! Pena ter ficado pouco tempo, pois é um mundo vasto.

Montreal é viva! Aqui encerro os artigos a respeito dessa vibrante cidade. Em breve, Quebec! Lá vamos nós…

 

 

Diários do Canadá: Montreal 3

Diários do Canadá: Montreal 3

foto Carlos interior Notre Dame
Interior da Basílica Notre Dame na Montreal Antiga-foto tirada por Carlos Alencar

Estamos em 16 de outubro de 2017. Continuemos nossa jornada do dia no double-decker, ônibus turístico.

A maior biblioteca francesa da América do Norte (a segunda do mundo) se localiza em Montreal. No ônibus há avisos para termos cuidado com malas abandonadas e ladrões de carteiras, os pickpockets. Há três mil restaurantes em Montreal e é comum aceitarem a bebida trazida de fora sem pagar nada.

Os mais humildes da cidade vivem no Quartier Latin; o Jazz Festival, que acontece anualmente em final de junho, tem 75% dos shows grátis e são três mil músicos. Tem um local na cidade para isso: o Quartier des Spectacles.

O metrô tem quatro linhas, a verde leva para o segundo maior Jardim Botânico do mundo. Há dois esportes nacionais na cidade: hóckei e compras. E como falam nisso… Amam muito o Halloween também, as lojas e cafés são decoradas de acordo; a maior avenida repleta de bandeiras de muitos países é a Sherbrooke – a Quinta Avenida deles, por causa das lojas estilizadas e caras: Hermès, Chanel, Cartier etc. A nossa está lá. O mais caro hotel é o Ritz Carlton. Um museu imperdível é o de Belas Artes, como era segunda estava fechado.

Estamos no ônibus e iniciamos a subida da montanha. Sete línguas são faladas na parte alta da cidade, afinal são muitos os imigrantes de diversas nacionalidades. No caminho vemos casas lindas de pedras: estilo Tudor e a casa normanda mais antiga de 1754. Passamos pelo maior cemitério católico da América do Norte: Notre-Dame-des-Neiges, com um milhão de covas. Lá perto há o Beaver Lake, isto é, o lago Castor, onde os habitantes da cidade se dirigem para andar de pedalinhos no verão e patins de gelo e trenós no inverno.

Chegamos à segunda igreja católica maior do mundo: a Basílica/Oratório St. Joseph. São 283 degraus, é muito alto! Falta um funicular para ajudar na subida. É um centro de peregrinação com albergue. A igreja era menor, foi construída por um monge Irmão André que tinha a fama de curar as pessoas, aí os milagres ocorreram e a basílica foi edificada a fim de receber tantos peregrinos que começaram a chegar. Ali perto tem o maravilhoso Parque Mount Royal, enorme, onde os moradores e turistas se dirigem para andar de bicicleta, fazer piquenique e aproveitar para longas caminhadas. O criador do parque Frederick Law Olmsted é o mesmo designer do Central Park em Nova York. Também paramos no mirante Kondiaronk para fotos. Ali próximo se situa o Chalet du Mont-Royal, propriedade de pedra que abriga concertos de bandas famosas no verão. As montanhas Lawrentians, cerca de Montreal, são as mais antigas do mundo, tem um milhão de anos.

O castor é o animal símbolo do Canadá. 45 anos atrás um rapaz comprou um convento, conservou a fachada (pois há uma lei sobre a preservação das fachadas) e fez um condomínio atrás. Bem interessante isso. O guia falou em dois conventos que viraram condomínios, parecem lugares religiosos vistos de fora. O hospital mais antigo da cidade é de 1685. Os prédios com escadas do lado de fora são comuns em Montreal e Quebec, uma vez que não têm escadas dentro. São antigos e charmosos. Fomos ver policiais montados em seus cavalos só em Montreal. O rio São Lourenço é responsável 20 % da água fresca de Montreal.

Para finalizar, falarei no orgulho que eles têm da Universidade McGill. Eles têm motivo, uma vez que tem entre seus ex-alunos dois primeiros-ministros canadenses e seis prêmios Nobel. Hoje são 30 mil alunos que continuam com a tradição. Demos uma passada por ela e sentimos a energia positiva da estudantada no bairro Place Du Parc.

Pela primeira vez, o guia pediu gorjeta. Disse que iria dividir com o motorista e que era parte do pagamento do ramo turístico. Coisas de Canadá e Estados Unidos.

Estava 6º C, logo acabado o passeio fomos ao supermercado Provigo Le Marché para comprar nosso almoço e jantar e voltar ao hotel. Foi um dia e tanto. Mas ainda iríamos andar pelo centro tão atraente.

Continuarei em breve com o Museu de Belas Artes.

 

 

Diários do Canadá: Montreal 2

Diários do Canadá: Montreal 2

Estamos em 16 de outubro de 2017. Hoje é dia de passeio de ônibus turístico double-decker. O valor é 55 CAD (dólares canadenses) com taxas incluídas. Compramos na Agência de Turismo da rua Peel, perto do Hotel Y. A gente vê muitos esquilos pelas praças, parques e terrenos no país. Faz muito frio hoje, por isso ficamos embaixo no ônibus, não dá pra aguentar lá em cima. Demos a volta completa em duas horas.

Comecemos a aventura do dia.  O guia é bem falante, como todos os outros. Fala em inglês e francês, não há audioguias para outras línguas. Montreal tem quatro basílicas, uma delas é a Catedral Marie-Reine-du-Monde, réplica da Basílica de São Pedro em Roma. O sistema de saúde do Canadá é pago pelas taxas que pagamos em tudo, acho justo para eles. Não é que até sobre isso se fala em um double-decker? 90% dos habitantes de Montreal são católicos.

Vamos a mais aprendizados. Todo guia fala no pub (bar estilo inglês) Sir Winston Churchill na rua Crescent, 1459. Deve ser bem movimentado à noite, pois dá desconto para estudantes. Chinatown no centro é bom para comer. Chegamos à Montreal Antiga. Foram 25 anos usados para construir a parte interna da Basílica de Notre Dame, o qual foi por 50 anos a maior de Montreal. Ainda é a mais bonita. Vimos o Velho Porto; o guia fala até nas 65 mil pessoas/ano que estiveram na emergência do hospital por onde passamos; o lindo Hôtel de Ville, ou seja, a Prefeitura construída entre 1872 e 1878; o Museu Château Ramezay de 1705, a casa do primeiro governador de Montreal Claude Ramezay; a Praça Jacques Cartier, parecida com Montmartre em Paris, na qual pessoas vendem quadros, pinturas e desenhos, além de haver muitos restaurantes; no Canadá usam o Código Napoleônico; a boulevard St-Laurent divide Montreal entre o oeste (inglês) e o leste (francês).

Repetimos de certa forma o que já havíamos feito em “Montreal 1”, mas com outras dicas. A cidade tem 373 anos. Passamos pela atraente rua St. Paul e por um prédio de 1967, construído experimentalmente para a Exposição Universal à beira do rio St. Lawrence, com 374 módulos de concreto. Há 150 famílias morando lá. Vimos as costas do prédio, o que é bem estranho mesmo, mas de frente para o rio é espetacular (consultei na internet). Lugar procurado e caro. O arquiteto foi Moshe Safdie, israelense/canadense que chamou o prédio de Habitat 67.  Faz parte da paisagem. No elegante hotel St. Paul se hospedam os Rolling Stones. No restaurante Brit & Chips, o fish & chips (comida inglesa de peixe a milanês com batatas fritas) sai em conta. O canadense gosta e muito. É o seu lado inglês. Por sinal, trata-se de um prato delicioso, mas não para ser comido sempre, pois o nosso colesterol vai para as alturas…

O prédio da Bolsa de Montreal é todo preto. O Palais de Congrés (Centro de Convenções) é internacional e muito bem utilizado diariamente, por cobrarem mais barato que em outros países e o prédio é colorido e vivo. 70% da população da cidade são bilíngues. Montreal é uma ilha, são 18 pontes fazendo a ligação. Existem 14 outras cidades na ilha. Em 1785 a família Molson criou a primeira cervejaria, já estão na oitava geração.

Em 2005 ocorreu na Prefeitura o primeiro casamento gay em Montreal. O guia sabe disso, porque estava casando pela segunda vez no mesmo dia. Quanto ao clima, não vale a pena ir lá em abril e maio: muita chuva; em setembro: o calor é grande; e em outubro: os dias são mais frios, mas há a troca de cores nas árvores. Só isso já é um espetáculo da natureza.

Continuarei em breve…

Diários do Canadá: Montreal 1

Diários do Canadá: Montreal 1

Hoje é sábado, dia 14 de outubro de 2017. Chegamos à estação de ônibus Gare d´Autocars de Montreal 2 horas e meia depois de termos saído de Ottawa. O ônibus da Greyhound tinha mesinha e lixinho ao lado do banco. O canadense gosta de limpeza e recicla tudo.

Pegamos o táxi e fomos para o hotel, também escolhido pela Booking.com. O Hotel Y foi uma excelente escolha, apesar de não servir café da manhã. O taxista se enrolou com esse nome, mas depois entendemos que na verdade faz parte da cadeia YWCA (Young Women´s Christian Association), ou seja, Associação das Moças Cristãs. Para nossa grata surpresa, a recepcionista  Sabrina era gaúcha e foi bem atenciosa conosco.

Aos poucos, fomos captando quão bem localizado era o hotel, perto de ruas importantes como a Santa Catarina e esquina com a Crescent. Digamos que estávamos perto dos “points”: bares, restaurantes e atrações. Montreal é uma cidade dinâmica, jovial, repletas de atrações e eventos. Fenomenal!

Vamos começar o passeio. Com fome, decidimos encontrar um local para comer e nos deparamos com a 3 Brasseurs, um restaurante/choperia para lá de animado. Pedimos truta e house salad, uma saladinha básica. Tiramos a barriga da miséria com o peixe e a salada, embora o arroz estivesse empapado (arroz não é comum por aquelas paragens…). Mas valeu! Tenho que avisar que na Província de Quebec, pagam-se duas taxas em cima do pedido no restaurante, uma é do governo e a outra da prefeitura, além dos 15 % do garçom. Pensem como fica cara uma refeição e leva tempo para se acostumar com isso.

Falemos no hotel. O endereço é 1355, Boulevard René-Lévesque Ouest (“oeste” em francês). O quarto é enorme com cafeteira (como o de Ottawa) no 7º andar. No 6º tem cozinha, lavanderia e máquina de lanches (snacks). A máquina de lavar e secar nos salvou! As nossas roupas já estavam precisando de água, pois só lembrando que o peso da mala agora é de no máximo 23 k. Por 3 CAD (dólares canadenses) usamos as máquinas e por 2.30 CAD compramos o sabão em pó na recepção com o simpático atendente indiano. No térreo junto à recepção, há um café bem lindo e completo para tomarmos o café da manhã pagando. É um prédio de sete andares, hotel somente no 6 º e 7 º, nos outros são oferecidos cursos para mulheres, além de ter creche e aula de yoga. Trata-se de um hotel socialmente engajado. Tem três estações de metrô nas cercanias: Peel, Guy-Concordia e Lucien L´Allier.

Como a temperatura era muito gelada à noite, a gente se recolhia às 18 h. Logo, não posso falar sobre a noite de Montreal. Mas sobre o dia, posso.

Domingo, dia 15 de outubro de 2017. Tivemos um bom desjejum no café mencionado. Pegamos o metrô ali perto (estação Lucien-L´Allier) até a Place d´Arms, onde fica a Montreal Antiga. Descemos e caminhamos até a famosa Basílica de Notre Dame. É lindíssima. Quantas vezes formos lá, toda vez iremos visitá-la. Construída em 1829, tem seu interior de madeira entalhada, pinturas, esculturas de talha dourada e janelas de vitral. É única.

Depois fomos almoçar no restaurante Le Fripon na Praça Jacques Cartier. O almoço foi pizza vegetariana e o café no Canadá é “chafé”, sendo servido o tempo todo com creme ou não. Outro detalhe: a água se toma da torneira, é considerada saudável por ter acréscimo de cálcio. Após comermos, fomos caminhando com calma a fim de valorizar cada minuto na parte antiga. Conhecemos o Hôtel de Ville, isto é, a Prefeitura. Diria que é um prédio que chama a atenção e convida a sentar em um dos bancos para admirá-lo.

O prédio histórico impressionante British Empire Building (Edifício do Império Britânico) é um café e estava lotado, só olhamos fascinados. Na Montreal Antiga estamos em Paris. Andamos pela La Promenade Fleuve-Montagne (um passeio público de 3.8 km para pedestres), vimos o Porto Velho de Montreal (Vieux Port), o Pier Jacques Cartier (há outros) e o rio São Lourenço. De lá rumamos ao Marché Bonsecours, um mercado imperdível com lojas embaixo e restaurantes em cima. São lojas de bijuterias finas, roupas, meias, artesanato etc. Lá nos solidarizamos com uma venezuelana, dona de uma das lojas de “endoidar turista”, com preços em conta, sobre a situação política instável e difícil no país vizinho.

Voltamos cedo ao hotel de metrô, muito fácil. O Carlos saiu para comprar nosso jantar no supermercado Provigo Le Marché, excelente, que foi descoberto nos arredores de onde estávamos. Ficamos frequentadores assíduos desses estabelecimentos no Canadá.

Continuaremos em breve…

 

 

 

 

Diários do Canadá: Ottawa 5

Diários do Canadá: Ottawa 5

Hoje ainda é sexta, 13 de outubro de 2017. Saímos do Museu Canadense de História e fomos caminhando até o Parque Jacques-Cartier em Gatineau na Província de Quebec. No hotel, já nos avisaram que não poderíamos perder a exposição Mosai Canada 150 Gatineau 2017. Entramos e fomos bem recebidos por funcionárias simpáticas. Achei que eram voluntárias pela idade e disposição de agradar. Pegamos o folder, escrito em inglês e francês, e fomos de obra em obra, ou seja, estrutura de planta em estrutura de planta.

A exibição mostra símbolos caros ao Canadá, como o Canadá 150: um símbolo forte; a Polícia Montada e seu cavalo; o urso polar; o cavalo canadense, o piano de Glenn Gould etc. Os jardins são de extasiar. A principal atração é a Mãe Terra. Emocionante.

De lá voltamos ao Museu de História a fim de pegar transporte fluvial para Ottawa (atrás do museu é a parada). Muito interessante o Acqua Taxi por 6 CAD (dólares canadenses). É bem rapidinho e há um fone na parada com o intuito de comunicação com o responsável. Chegamos e subimos pelo Canal Rideau ao lado do hotel Fairmont. Andamos até o Byward Market e comemos no mesmo restaurante italiano, cuja dona é de El Salvador, ao som de música hispânica. Amei o mercado. Lá passamos bem e por um preço justo.

No dia seguinte (14 de outubro), ao partirmos do hotel EconoLodge, recebemos os 200 CAD de volta. Se eu tivesse dado o número do cartão de crédito, não teria dado o dinheiro. Paguei 30 centavos que faltavam e fomos embora de Ottawa. A explicação do caução é pra rir e chorar. Cobram esse dinheiro na hora da hospedagem, porque uma família de hóspedes certa vez roubou a televisão do quarto. Pode?

Tomamos o táxi e lá na estação de ônibus Central Station, administrada pela companhia Greyhound e outras, houve revista de mala de mão e da gente (só vi isso lá). Será porque é a capital do país?

As pessoas são calorosas, sempre informam e ajudam. O Carlos e eu saímos encantados. Falando no clima: durante o dia era um frio aguentável, mas à noite já estava 7˚C ou menos. Nada mais diferente para quem mora em Fortaleza-Ceará.

Outra informação digna de nota: Ottawa não tem edifícios altos, porque não se pode construir mais alto que as torres do Parlamento. Portanto, terão uma cidade sempre agradável com prédios de poucos andares e muitas casas. Nada melhor!

2 h e meia de viagem depois, chegamos a Montreal. Em breve, mais aventuras…

 

Diários do Canadá: Ottawa 4

Diários do Canadá: Ottawa 4

Estamos em 13 de outubro de 2017. Como ainda tínhamos uma hora de crédito com o ônibus turístico double-decker da Grayline, acordamos com a intenção de aproveitar a carona até o Museu de História (Museum of History). Pegamos o ônibus na parada 1: rua Elgin com Sparks e lá fomos nós.

Para começar, as companhias de double-decker Grayline e Lady Dive estavam trabalhando juntas, talvez por ser outono. Passamos pelo rio Ottawa o qual divide Ottawa (lado inglês) e Gatineau (lado francês), onde fica o museu a ser visitado.

Desenhado pelo arquiteto Métis (povo aborígene do Canadá) Douglas Cardinal, o Museu Canadense de História é o mais visitado no país. Eu diria que é imperdível! O exterior do prédio, feito de pedra, foi esculpido em ondas, como uma delicada marola, para honrar a crença indígena de que o mal vive nos cantos angulares.

Mostra o Canadá em toda a sua existência, iniciando com a fase pré-histórica: dos indígenas. Os sítios arqueológicos, os chefes indígenas, as cerimônias, os guerreiros, as peças encontradas, os barcos, as roupas etc. São impressionantes. Mais: a pesca, a tecelagem, a colheita, as máscaras de animais usadas, muitas vezes, assustadoras, totens aos montões. No séc. 19, as comunidades indígenas começaram a se desintegrar com a colonização do país, mas as comunidades da Costa Noroeste ainda hoje preservam a sua cultura na Columbia Britânica.

Detalhe: tudo escrito no museu é em inglês e francês. Há o setor de coleção de selos: The Canadian Stamp Collection; a exposição de carruagens nos idos de 1800 para transporte, neve, brincadeiras, dentre outros. Interessante que a cada uma, escuta-se o som dos cavalos. Tem a parte exclusiva para crianças e exposições, eventos e filmes em Imax o ano todo.

Das origens do Canadá até 1763, a Galeria 1 apresenta interatividade, além do museu em si. Mostram aborígenes; animais empalhados enormes como bisões, um caribu; peixes; os povos indígenas Algonquin e Inuit; vilas com iglus, dentre tantas outras maravilhas.

Aprende-se muito. 7500 anos atrás já plantavam milho na América Central. 500 anos atrás os europeus espalhavam o milho pelo mundo. Trata-se da plantação mais valiosa do país hoje. De Toronto para Ottawa são várias. Da tortilha à pasta de dente, o milho é fundamental.

Os europeus chegaram ao Canadá 1000 anos atrás, os vikings também estiveram lá, mas não ficaram pelo fato de serem violentos. Há explicações faladas em várias partes das galerias e são dadas por “mestres”, indígenas ou não.

Entre 1600 e 1700 os franceses chegaram e se adaptaram. Viraram “Canadenses” e “Acadianos”. O Rei Sol (Luís XIV) foi o rei francês que mais deu apoio e encorajou a Nova França (a província do que é hoje Quebec). Em 1663, se transformou em uma Colônia Real. Em 1763, os britânicos dominaram a Nova França. A Acadia virou a Nova Scotia. Até 1714, 2.500 franceses chamavam-na de casa, até que chegaram os britânicos entre 1600 e 1700. Com a Guerra dos Sete Anos, os britânicos venceram e deportaram 10.000 Acadianos para a França, além de queimarem as casas deles.

A Galeria 2 mostra o Canadá Colonial de 1763 a 1914. O país se torna uma nação dentro do Império Britânico. Até 1840, os católicos não podiam votar nas assembleias de New Brunswick, Nova Scotia e Ilha Prince Edward. O governo britânico não respeitou tratados feitos com os índios e os deixaram passando fome. Pobres índios! Morreram de fome e doenças trazidas pelos brancos. A Estrada de Ferro é de 1885, funciona muito bem desde sempre.

Almocei na cafeteria salada e vanillha pudding (cremogema). Não havia muitas opções tentadoras. Após, continuamos a caminhada. Aliás, como se exercita em um museu.

Fomos para a Galeria 3: o Canadá Moderno de 1914 até hoje. Passamos pelas Duas Guerras Mundiais, pelos heróis nacionais, a mudança no pós-guerra, a crise de 29 etc. Aí temos o herói nacional Terry Fox de novo (ver Toronto 1) e a aliança e amizade com o vizinho: EUA.

O Canadá cometeu genocídio cultural contra as populações indígenas por meio de políticas, como escolas residenciais, que foram criadas para apagar a linguagem e cultura das nações pré-existentes. Quem disse isso foi Beverley McLachlin, Chefe de Justiça da Suprema Corte do Canadá em 2015.

Hoje em 2017 são celebrados os 150 anos do Canadá como nação. Para finalizar o museu, falarei dos dois referendos para saber se o povo da Província de Quebec queria a separação do país. Aconteceram em 1968 e 1995. Este último teve como apoiadores os políticos: do SIM o ex – Primeiro – Ministro René Levesque e do NÃO Pierre Trudeau (então Primeiro – Ministro). Deu como resultado 49% SIM e 51% NÃO.

Bom saber que a nossa música de qualidade viaja pelo mundo. Em alguns museus, escutei Bossa Nova e fiquei radiante.

Ottawa está quase no fim.   Em breve, o último. Continuaremos com Montreal.

Diários do Canadá: Ottawa 3

Diários do Canadá: Ottawa 3

Estamos ainda no dia 12 de outubro de 2017. Chegamos ao museu escolhido para ser o primeiro: Galeria Nacional do Canadá (National Gallery of Canada), um dos sete museus nacionais do país. O arquiteto israelense-canadense responsável foi Moshe Safdie.

Como adentramos na hora do almoço, decidimos ir logo para a cafeteria e lá nos surpreendemos: era um restaurante com opções saudáveis de comida. Escolhi uma salada de espinafre e morango, e iogurte com granola. Detalhe: para quem gosta de se alimentar bem, o Canadá não oferece tantas variedades de comida do jeito que gosto.

Vamos ao museu. Começamos com a estátua gigante de uma aranha na frente. Representa a maternidade. Para quem observar melhor, verá uma parte dela carregando ovinhos. Chamada Maman (1999), é de autoria de Louise Bourgeois. O museu é fabuloso com sua apresentação de arte canadense, clássica e contemporânea, incluindo arte Inuit (um dos três povos aborígenes do Canadá).

No primeiro andar: arte indígena e canadense; no segundo andar: europeia e americana. Quanto à arte canadense, aprendi sobre o Grupo dos Sete cuja primeira exibição foi em maio de 1920 com quatro canadenses e três britânicos. Um dos líderes do grupo foi Lawren S. Harris (1885-1970). Este pintor mostrava o lado espiritual nos seus quadros. O grupo citado pintava quadros fortes, vivos, com cores expressivas. Eu amei! Mostraram o Canadá para o mundo, sua natureza, temas sociais, políticos e espirituais. Outros pintores foram F.H. Farley, James Wilson Morrice, Alfred Howell etc. Um quadro marcante foi “The Drive” de Lawren S. Harris sobre uma paisagem com neve. Simplesmente belo!

O primeiro impressionista canadense foi W. Blair Bruce (1859-1906); no segundo andar nos deparamos com Jan Weenik e Jacob van Ruisdael da Escola Holandesa do séc. 17; com Canaletto, Francesco Guardi e Bernardo Belloto da Escola Italiana do séc. 18; Camille Pissarro e Claude Monet do séc. 20 da Escola Francesa, além de Picasso e Chagall, dentre muitos outros.

Ter aulas de cultura não tem preço. Considerei o museu espetacular. E ainda oferece uma loja tentadora e uma capela construída em 1888. A Capela Rideau é estilo Tudor com música ambiente: canto gregoriano. É um oásis de paz. Interessante acrescentar que a Rideau Street Convent Chapel foi salva da demolição e restaurada, peça por peça, dentro do prédio principal da Galeria Nacional. O canadense valoriza sua história.

Em frente à Galeria Nacional está a Basílica-Catedral de Notre Dame, que com suas torres de latão, é a mais antiga de Ottawa e sede do arcebispado católico da cidade. 1841 foi ano da construção da catedral como está hoje. Lindo demais o seu interior.

Acabamos o passeio às 16 h e voltamos ao double-decker para a finalização do percurso. Vimos novamente o Byward Market; o Centro de Convenções; a Universidade de Ottawa, a mais antiga bilíngue (inglês e francês) do país; o Canal Rideau, considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO, o mais antigo da América sem o qual não existiria a Capital do Canadá; o Parque Lansdowne de exposições e festivais, como o de tulipas, que ocorre anualmente em maio, além de ter casas e prédios lindos ao redor; o lago artificial Dows Lake; a Fazenda Experimental com o Jardim Botânico, a Pequena Itália (Little Italy); Chinatown, e finalmente descemos na parada 1: Elgin Street & Sparks.  Deu para se encantar mais ainda com a cidade.

A respeito do Canal Rideau, gostaria de mencionar ser a atração externa mais famosa da capital e também o rinque de patinação maior do mundo: são 7.8 km de gelo cortado, ou seja, o equivalente a aproximadamente noventa rinques de hóqueis olímpicos. Isso no inverno, nem vimos tal espetáculo no outono.

Descobrimos na rua Albert a Olly´s Fresco, loja maravilhosa de opções saudáveis. Que bom! Sempre falo em comida, porque a culinária de um lugar também é cultura. Lá se come muito fast food engordativo. Para se alimentar bem, só cozinhando em casa ou procurando muito. Frequentamos muitos supermercados e feiras. Pela primeira vez em uma viagem, emagreci. Comi muita salada com folhas, iogurtes, kebabs (sanduíches turcos) e frutas da estação, como uvas, morangos, bananas, framboesas, mirtilos, amoras, maçãs etc. Todas de sabor inigualável. A comida italiana sempre salva a gente. E caminhávamos de 2 a 6 km por dia. Foi um “spa” e tanto…  Restaurante é caro, porque se paga o valor da alimentação, além da taxa para o governo e 15% para o garçom. Lá ainda não descobriram o nosso self-service brasileiro do dia a dia…

Umas curiosidades para contar: Ottawa foi escolhida como capital pela Rainha Vitória; seu nome na linguagem indígena Algonquin significa “to trade” ou “business”, ou seja, “negociar” ou “negócio”. Os indígenas canadenses eram bons nisso. A casa do Primeiro – Ministro foi escolhida como oficial em 1950, antes cada um morava na sua própria residência. Nela foram plantadas muitas árvores por Pierre Trudeau (pai do atual Primeiro – Ministro) a fim de ter mais privacidade. Fica ao lado da Embaixada da França.

O país todo é repleto de esquilos nos parques, uma lindeza. Em Ottawa, também se veem gansos.

A novidade épica de Ottawa, como diz a minha ex-aluna da Casa de Cultura Britânica da Universidade Federal do Ceará Karinny (de muitos anos atrás), casada com outro ex-aluno meu, Vladimir Cezar, foi tê-los encontrado no restaurante transado, alegre e jovem chamado Milestone´s (ao lado do hotel Fairmont Château Laurier, o mais chique da cidade), também na rua Rideau, a mesma do nosso hotel. Marcaram para nos ver e trouxeram o filho Victor, nascido canadense. Já vivem como cidadãos do país há 15 anos. Foi um prazer inenarrável encontrá-los, bater um bom papo brasileiro e comer um sanduíche gostoso de frango, queijo, salada e bacon.

Nós com Vladimir e Karinny em Ottawa
O Carlos e eu no nosso encontro épico com a Karinny e o Vladimir no Milestone´s.

Continuarei com Ottawa em breve…

 

 

 

Diários do Canadá: Ottawa 2

Diários do Canadá: Ottawa 2

 

Hoje é dia 12 de outubro de 2017. Será nosso primeiro dia completo em Ottawa, a capital do Canadá. A cidade é linda! Bem menor que Toronto, ainda sem grandes problemas de tráfego, com muitos prédios baixos e casas. Ottawa aconchega e aí nos apaixonamos. 30 anos atrás, quando fui ao país pela primeira vez, já havia ficado encantada. E olha que naquela época ficava em albergue da juventude com outras condições financeiras, mas sempre me divertia e passeava muito.

 

Vamos à vida de turistas. Êta coisa boa! Bem, chegamos à parada 1 do ônibus vermelho de dois andares, o nosso conhecido double-decker: ruas Sparks & Elgin com Wellington & Elgin (a rua Wellington é continuação da Rideau). Ali está o quiosque principal e a bilheteria. Pedimos um combo, ou seja, um dia de passeio com o museu: National Gallery of Canada (Galeria Nacional do Canadá). Foram 50 CAD (dólares canadenses) com a taxa.

Entramos no ônibus da Grayline para um hop-on-hop-off City Tour, isto é, desce em qualquer parada turística e sobe em outro ônibus, mas onde desceu, isso das 10 h às 16 h, pois é outono. Penso ser este percurso obrigatório, é a melhor maneira de ter uma ideia geral da cidade. Depois se escolhe onde quer parar e ficar. Como pegamos o ônibus às 11 h da manhã, ficamos com uma hora extra para o dia seguinte.

Na primeira parada, já vemos a praça com estátuas dos soldados que lutaram na Primeira Grande Guerra. Lá há trocas de guardas a cada hora, uma solenidade oficial bonita com a marcha de três oficiais e na frente um escocês tocando a gaita de fole. Achei tocante o quanto o canadense homenageia os seus soldados de todas as guerras pelo país todo.

Falemos no double-decker. Somente duas línguas são pronunciadas: inglês e francês. Quem não sabe nenhuma, só olha a paisagem. Há um motorista e um guia que fala rápido demais e muito. Ufa!  Ele dá muitas informações até sobre o sistema de saúde e política. Foi um esforço entender e percebi que não gostam de ser interrompidos, logo todos os turistas devem ficar calados entre si. Não é difícil isso?

 

Vou mencionar o aprendido. Passamos pelos prédios do Parlamento (Parliament Hill), de uma beleza notável (eu incluiria o de Budapeste na Hungria aí), só no verão se visita o gabinete do Primeiro – Ministro; o Banco do Canadá cujo museu foi aberto em julho deste ano; a Suprema Corte do Canadá (Supreme Court of Canada), quando a bandeira do país está hasteada, os ministros estão em sessão; a Biblioteca e o Arquivo Nacional (Library and Archives Canada), sendo a memória coletiva do país em termos de documentos escritos, fotografias, gravações de músicas etc; o Museu Canadense da Guerra (Canadian War Museum), no qual mostra o aparato militar de guerra e foi desenhado como se fosse um bunker e o novo monumento em homenagem aos que pereceram no Holocausto: o National Holocaust Monument.

 

Ottawa tem avenidas largas, é bem cuidada e suas pontes sobre o rio Ottawa mostram muito do seu charme. Continuando com as observações… Passamos pelo Museu Canadense de História (Canadian Museum of History), o mais visitado dos museus com um milhão de visitantes por ano, além de famoso pela sua arquitetura; o parque Jacques-Cartier, onde acontecem eventos importantes para milhares de pessoas, como o Dia do Canadá em julho, localizado em outro município no estado vizinho (Gatineau-Quebec); a  Embaixada da Arábia Saudita, a segunda mais cara de Ottawa; o Conselho Nacional de Investigação (National Research Council); a Prefeitura  de Ottawa; a Embaixada da França e da África do Sul; o parque Rideau Hall, com casas fofas de tijolos a vista perto; a casa do Primeiro – Ministro, que está sendo reformada, logo o Justin Trudeau está com a família em outro endereço atualmente; e a alameda Sir George-Étienne Cartier Parkway, onde estão situadas as casas dos embaixadores.  Que lindeza de cidade com seus inúmeros parques!

Também vimos a sede do “FBI” canadense, isto é, os afamados policiais montados: the Royal Canadian Mounted Police, museu e estábulos (detalhe importante: os cavalos são belos e lustrosos. Não se deve tocar neles, pois são considerados oficiais da lei); e o Museu Canadense de Aviação (Canadian Aviation Museum) , onde oferecem passeios de helicóptero e biplano. Voltamos a ver a casa do Primeiro Ministro, construída em 1891 e até a do cozinheiro dele. Que tal? Além de visualizarmos o rio Ottawa com suas barragens. Aí chegamos à Galeria Nacional do Canadá (National Gallery of Canada), museu escolhido para ser a nossa primeira visita.

Falarei sobre este museu fenomenal no próximo artigo. Aguardem…