Valores Agregados

Valores Agregados

Ana Tavares

Para quê tanta coisa? Assustei-me pela quantidade de coisas acumuladas. Roupas. Sapatos. Livros. Louças. Objetos de decoração, quadros e quadrinhos…

Quantos valores agregados à minha vida? Em que momentos comprei tudo isso, por quê? Em cada objeto uma lembrança, em cada roupa a evocação de um momento, alguns bons, outros nem tanto.

Na pandemia, revisei um por um, coisa por coisa, cada momento, perguntei-me: preciso disso, posso me desfazer?

E assim comecei uma longa viagem dentro de mim mesma. Quantas viagens incalculáveis fazemos dentro de nós, né? Quantas fazemos fora de nós, quantas fazemos para desvendar o mundo, ver o diferente, nos divertimos e nos construímos? Em cada uma delas, trazemos um pedacinho do país que conhecemos, gostamos e queremos trazer conosco… Mas por qual motivo os 8 casacos de frio, as 22 echarpes, botas e as roupas de inverno pesado se moro em Fortaleza sob sol forte de 30 graus?

Colocando estas questões, iniciei meu desapego das coisas que me aprisionavam, para no lugar delas colocar sentimentos edificantes, projetos promessas… Confesso a grande dificuldade que tive para escolher a quem doar roupas de frio numa cidade onde o sol intenso, céu azul limpíssimo prometem não ceder lugar à chuva, ao frio, nos proporcionando no máximo 26° C de temperatura amena…

O resultado foi prazeroso. Primeiro o ato de doar, depois o de desocupar, criar espaços para projetos novos, espaços livres, sensação de não ter agregado valor sentimental a esses objetos.

Continuei o segundo descarte. Fiz o mesmo com bolsas, sapatos, sandálias, vestidos, blusas, saias, calças… Coisas que quase nunca usava. Aí o prazer foi intenso ao ver que em minha cidade tinha tanta gente à espera de uma doação.

O interessante é que acompanhado a este gesto de doação veio o compromisso de não mais preencher os espaços vazios dos armários e também não ceder ao apelo de fazer compras desnecessárias.

Como uma onda que me pegou e revirou, a necessidade do descarte se estendeu para tudo: dos livros às louças, das panelas às formas de tortas, talheres, copos, para quê tanta coisa, meu Deus??? Se for receber mais de vinte pessoas em casa, alugo todos os utensílios! Impagável foi ver que nada se abarrota aqui em casa!!!

Espaços vazios e vida minimalista abrirão espaços para novas ressignificações, para coisas importantes, como por exemplo: dedicação moderada para jardinagem, fazer um novo curso e aprender a escrever, visitar e ajudar amigos a ingressar na vida minimalista e abrir os olhos para o mundo.

P.S. A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Viaje Slow

VIAJE SLOW

Ana Carolina Tavares

Você já parou para pensar que cada lugar visitado é como uma página escrita no seu diário da vida?

Já parou para refletir que o seu ritmo influencia diretamente nas suas vivências e lembranças?

Se você optar por quantidade, ou seja, o maior número de cidades/países possíveis por viagem, pode ser que veja muita coisa sim, é uma forma de viajar que preza pela economia de tempo. A questão é que quando fazemos isso, corremos o risco de não SENTIR. As memórias afetivas dificilmente poderão ser descritas nas páginas do seu diário da vida. Mas, tenho uma boa notícia. Existe uma outra forma de viajar.

Essa maneira de flanar pelo mundo nos permite utilizar nossa presença por inteiro. Nos permite usar os nossos 5 sentidos. Nos faz, mesmo depois de muitos anos da viagem, recordar intensamente tudo aquilo que vivemos ali. Uma música que faz arrepiar, um cheiro que invade nossa memória, uma foto que nos deixa emocionados..

Viajar é estar presente no aqui-e-agora, é a porçãozinha mágica. Viajar fazendo coisas que têm a ver com a sua singularidade. Levar seus hobbies e sua subjetividade na mala. Sim, é permitido e você não pagará multa por excesso, eu garanto. Permitir-se não ser cópia de ninguém, indo para determinadas atrações que não te interessam, só porque todo mundo vai. Livre-se disso, você vai tirar um peso enorme das suas costas. Vou explicar: Se você ama salsa ou tango e não se interessa por ver todas as estátuas da cidade, sinta-se livre para fazer uma aula de dança na beira do Rio Sena (por exemplo). Será uma experiência única ser VOCÊ. É um verdadeiro ato revolucionário não fazer o que todos fazem se você não tem vontade.

Viaje slow, viva esse momento com a sua singularidade e ele será divertido, desestressante e inesquecível. 💓

P.S. A autora Ana Carolina Tavares é psicóloga, viajante e escritora. Colabora no meu blog com sua escrita leve e refrescante. A você, Carol, o meu agradecimento.

Psicóloga CRP11/ 08796

Instagram: autoamor_feminino