Vinho de Talha – Alentejo – Portugal

Vinho de Talha – Alentejo – Portugal

Ricardo Dourado Furtado

No Alentejo, para quem vai de Beja para Alvito passa por Vidigueira. No primeiro trecho (Beja – Vidigueira), viaje pela rodovia N18, no segundo (Vidigueira – Beja) escolha a N258, que é uma estrada do interior e terá a oportunidade de passar por diversas vilas tradicionais alentejanas.

Quando passar pela Vila dos Frades, que está a 3 (três) quilômetros do centro de Vidigueira, sugiro que desacelere o carro, estacione e busque um hotel ou pousada para se  hospedar. Terá a oportunidade de ter uma experiência enogastronômica marcante, considerada por mim como inesquecível, para não usar o superlativo – memorável.

Após estar devidamente hospedado na Vila dos Frades, sugiro ir direto para o endereço: rua General Humberto Delgado, 19. Nele está localizado o restaurante/tasca/bar/adega, bem, chame como quiser, mas o nome comercial é Adega Nacional – País das Uvas que eu apelidei de Casa das Almas Felizes, e prepare-se calmamente para um almoço longo e tranquilo.

Encontrará, além do aroma da deliciosa cozinha portuguesa, um local cheio de imensos potes de barro. Fiquei intrigado, pois pensei que seria de azeite, mas logo que me sentei, os sentidos me disseram que estavam era cheio de vinho. Algo novo para mim, um pouco intrigante, um vinho chamado: “Vinho de Talha”. Não preciso dizer que o almoço se alongou por todo a tarde e a quantidade de vinho ingerida me obrigou a dirigir somente no dia seguinte. Por isso, é importante se hospedar no local.

Mas, afinal o que Vinho de Talha? Aliás, primeiro, o que é talha? Talha é uma grande ânfora de barro, cujo nome vem do latim “tinalia”, ou seja, vaso de grandes dimensões, que em geral, deve ter um pequeno orifício na parte inferior para que o vinho seja retirado.

Foto: Talha, Ânfora especial para produção de vinho.

Sua origem remonta à colonização romana ocorrida há 2000 anos que introduziram no Alentejo a vinha e o processo de produção do vinho em grandes ânforas. Portanto, o “Vinho de Talha” é produzido em Portugal desde que o Império Romano ocupou a Península Ibérica, sendo, portanto, um produto ancestral.

Como é um vinho produzido de forma tradicional e artesanal, consequentemente, sua produtividade é baixa, e com o estabelecimento de grandes empresas vinícolas a partir de metade do séc. XX no Alentejo, sua produção foi definhando, ficando quase que restrita à produção caseira ou com pequenos produtores, que ficaram responsáveis pela deposição e manutenção desta tradição enológica.

Não existe uma receita única da produção de Vinho de Talha, é quase que receita familiar, cada casa tem a sua. Mesmo as talhas, dependendo da localidade, têm formas e volumes diferenciados, não existe uma padronização, mas em geral tem um volume de 2000 litros. Isso faz com que cada produtor tenha sua própria receita que é transmitida pela experiência e pelo trabalho árduo nos campos de vinhas, para as gerações seguintes, tecnologia única, que reflete diretamente no seu “terroir” aromas e sabores únicos, aliás bem diferentes dos nossos vinhos industrializados.

Em 1876, o agrônomo Antônio Augusto de Aguiar descreveu a maneira de fazer o “Vinho de Talha”, tradicional vinho português, típico do sul de Portugal, especialmente nas regiões do entorno do Tejo.

O processo, em geral é simples: as uvas são levemente esmagadas, ou por pisamento ou por prensagem, os engaços são retirados e o produto (bagas e suco) é colocado nas talhas. O processo de fermentação se inicia naturalmente com as próprias leveduras presentes nas uvas, leveduras autóctones, nada de leveduras exógenas.

Durante o processo de fermentação, faz-se o mínimo de intervenção, porém com a formação de gás carbônico durante o processo fermentativo, as partes sólidas vão formando uma “nata” que deve ser misturada três vezes ao dia, sempre de forma manual, para que não endureçam, e venham a evitar a liberação do gás carbônico gerado no processo fermentativo, que ao se expandir podem causar a quebra da talha.

Quando as partes sólidas se depositam no fundo da talha, considera-se que o processo fermentativo está encerrado, ou seja, os açúcares presentes nas uvas se transformaram em álcool, então é comum se colocar uma tampa na talha (tecido limpo ou madeira) e uma camada de azeite de oliva para evitar o contato do vinho com o ar, minimizando o processo de oxidação e o conservando por mais tempo de vida.

Mesmo com a finalização da fermentação, o vinho ainda não está pronto para ser consumido, ainda estará turvo e deve ser filtrado pelas próprias partes sólidas que se depositaram no fundo da talha, pela introdução de caules e folhas de capim (tipo papiro) e a colocação de uma torneira no orifício da parte inferior da talha, funcionando como filtro, retirando os sedimentos e clarificando o vinho.

Lembro que é um processo ancestral milenar sem introdução de substâncias químicas. Este é um processo tão natural e único, que deu direito ao “Vinho de Talha do Alentejo” possuir uma Denominação de Origem Específica, famosas DOC.

Em geral, o “Vinho de Talha” é guardado dentro da própria talha, mas pode ser drenado e estocado em outra talha, já filtrado e clarificado, podendo ser engarrafado. E, como é um produto com nenhum aditivo químico deverá ser consumido rapidamente, não há como “envelhecê-lo”. Por isso, não se preocupem com os processos oxidativos, deverá sempre ser consumido jovem, no próprio ano da produção

A produção do “Vinho de Talha” está cercada por tradição, até mesmo a abertura das talhas deve ser realizada em uma data certa: dia 11 de novembro, dia de São Martinho. Questiono, será que São Martinho era um grande apreciador de vinho?

Atualmente, com o aumento do número de turistas em Portugal, com o maior desejo das pessoas consumirem produtos típicos ou artesanais, com o crescimento do consumo de vinhos com ”terroir” diferenciados, a produção de “Vinho de Talha” vem renascendo em todo o Alentejo.

São vinhos deliciosos, minerais e frescos, com presença marcante de fruta. E a harmonização com a rica cozinha alentejana é fácil, dependerá do gosto de cada um.

Bebi tintos, brancos e rosés, com bochechas de porco, bacalhau, alheiras, caldo verde etc, nossa, Viva Portugal!

Não preciso dizer que voltei caminhando devagar para o hotel. Fim.

P.S. O Alentejo é a região centro-sul de Portugal.

Sobre o autor: Ricardo Dourado Furtado é auditor fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura em Porto Alegre no Rio Grande do Sul. Graduou-se como engenheiro agrônomo pela UFC (Universidade Federal do Ceará) e economista pela UNIFOR (Universidade de Fortaleza). Fez mestrado em Ecologia pelo Instituto de Biociências da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e doutorado em Recursos Hídricos e Saneamento de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS. Ama vinhos e azeites de oliva. Nasceu em Alegrete – RS e é meu irmão.

Paracuru – Ceará – segunda parte

Paracuru – Ceará- segunda parte

Hoje é sábado, dia 21 de novembro de 2020, e o Carlos e eu continuamos no município de Paracuru. O café da manhã do hotel Vento Brasil é bem farto e seguem os protocolos de tempos de coronavírus. Frutas deliciosas, bolos, tortas salgadas, crepioca (tapioca com ovo), tapioca, cuscuz, iogurtes, sucos, enfim, tudo ótimo.

Sábado de manhã, dia de banho de mar. Aliás, excelente. O mar azul e verde, a praia limpa, há arrecifes, barracas de praia e surfistas, afinal estamos na praia Ronco do Mar. Os pescadores trazem peixes, dentre eles, o camurupim ou pirapema.

O almoço foi no restaurante Fórmula 1 do francês Michel na praia da Munguba. Desde 1989 se come bem com um chef que atende os clientes e cozinha. Pedimos o peixe beijupirá com legumes, uma delícia. Estávamos com o casal Iracema e Marcos (cunhada e irmão do Carlos). Saudações! Estar em um local à beira mar com a enseada embaixo dá gosto. Também nos deleitamos com as mangueiras e bananeiras no litoral. Paracuru surpreende.

À tarde fomos passear, acompanhados do Marcos e da Iracema. As dicas deles foram fundamentais. Descendo a av. João Lopes Meireles, chega-se à praia da Boca do Poço. Na Domingos Paulino, nos encantamos com um food truck, ou seja, um caminhão de churrasco, cujo dono é paraibano. Passamos na praia do kite (surf) na barraca Quebra Mar. Pela praia na maré baixa vamos à Pedra Rachada. Existem currais de peixes na praia, algo comum em Paracuru. Os donos cuidam e tem muito trabalho. A estrada de areia da subida é estreita e depois se encontra a barraca Rasga Rede, o restaurante Pedra Rachada e o do João Sapuril, dito como oferecendo a melhor peixada de arabaiana da cidade. O próprio sr. João tem seu curral de peixes.

Um lugar imperdível em Paracuru são as dunas conhecidas como Lençóis Paracuruenses. No caminho a pé, nos deparamos com árvores das frutas silvestres guajiru e murici que brotam em zonas de praia e morros. As dunas são fabulosas, e olhem que só ficamos no início, são 5 km de dunas, lagos e parque eólico. Quem conhece diz que a beleza é estonteante. Confesso que nem tinha ideia, afinal os famosos são os do Maranhão e os de Parnaíba-Piauí. O pôr do sol magnetiza.

Segundo a geógrafa Iracema, a duna cobriu o vilarejo de Parazinho que foi a primeira cidade de Paracuru. Também acrescentou que Paracuru significa “lagarto do mar”.

À noite fomos ao centrinho a pé do hotel. A praça arborizada e a igreja Matriz me lembraram do Crato no Cariri cearense (sul do estado). Uma lindeza. Sábado à noite é o dia da feirinha de artesanato, logo o movimento é maior. Tão bom estar lá, vendo os habitantes e os turistas… Enquanto isso a missa ocorre na igreja e o fuzuê ao lado.

Após o passeio no centrinho, fomos degustar o caldo de abóbora, e o suco de abacaxi com hortelã no Mosaico Bistrô (rua Profa. Maria Luiza Saboia, 65), da Conceição e de seu marido Otto. Estivemos no dia anterior. Quem gosta, torna. O tratamento é de primeira. A decoração de mesas, cadeiras e quadros feitos de mosaico pela proprietária oferecem um espaço aconchegante e bonito.

No domingo, dia 22 de novembro de 2020, na praia da Munguba tomamos um banho inesquecível em frente ao restaurante Fórmula 1, do tipo piscina com ondas. Maravilhoso. Depois o almoço no próprio hotel Vento Brasil, no restaurante Temperos da Lala: filé de peixe robalo grelhado com arroz de alho e purê de abóbora. Apreciei o cardápio.

Saudações à amiga Joana Anália Albuquerque, e ao casal Iracema e Marcos Alencar. Tanto a Joana como a Iracema são paracuruenses apaixonadas. Os atendentes do hotel Leudo e Hudson foram muito atenciosos, obrigada.

Finalizo este artigo com o refrão do hino do município em http://www.letras.mus.br: Paracuru, oh terra querida/Tuas belezas queremos cantar/Seja Tua praia, abrigo e guarida/Para as gerações que Deus te confiar.

Amei Paracuru. Fiquei maravilhada com tanto a ver e aproveitar. Aconselho.

Paracuru – Ceará – primeira parte

Paracuru – Ceará – primeira parte

Hoje é sexta-feira, dia 20 de novembro de 2020, e o destino deste final de semana é o município de Paracuru. O Carlos e eu saímos de Fortaleza pela av. Leste Oeste rumo à CE-085 ou Sol Poente, caminho Jericoacoara, litoral oeste, às 13h30. Paracuru se situa aproximadamente a 96 km da capital do Ceará. Seguimos a Sol Poente e prestamos atenção à entrada da cidade. Na Polícia Rodoviária Estadual se vira à direita, a via está em restauração, por sinal.  

Chegamos ao hotel Vento Brasil (rua Ormezinda Sampaio, 240) e pediram logo para pagarmos a segunda diária. A primeira foi paga antes. O hotel é bem localizado, perto do centrinho e da praia Ronco do Mar. A diária de R$195,00 para um quarto standard achei cara, uma vez que é um quarto simples, meio escondido e sem poder abrir as janelas, pelo bem da privacidade. A salvação é o ar-condicionado, uma vez que estava bem quente: 31°C. Percebo tudo bem mais caro em termos de hospedagem no litoral. Gostei do hotel de qualquer modo. Na próxima vez, ficaremos em um quarto melhor. A dica foi do irmão e cunhada do Carlos, Marcos e Iracema. Obrigada!

Assim que chegamos, já saímos para passear pelos arredores. Em frente ao estacionamento do hotel existe um sítio/fazenda chamado Teto da Praia, com coqueiros, galinhas, vacas, tudo tão interiorano. O aroma é outro. Há um calçadão com cerâmica imitando o de Copacabana no Rio de Janeiro na praia Ronco do Mar. A praia é uma delícia: barracas na praia, bares no calçadão, jangadas, pescadores, pousadas etc.

Vemos muitos olhos d´água no Ronco do Mar, além de cajueiros, mangueiras, castanholas e redes para deitar. As pessoas vão lá pegar mangas para se refestelar, passamos por um pai e filho estrangeiros demonstrando uma felicidade única ao carregar as frutas. Muito peculiar. Tudo ajeitado, com casas lindas pelo caminho, estamos na av. Beira Mar. A areia da praia oferece abrigo a famílias e casais de namorados.

Ainda existe prospecção de petróleo. Vimos uma draga e o terminal. Na praia à tardinha há moradores jogando bola; uma enseada verdejante que parece a da praia da Taíba, mas em menor escala. No local existe um restaurante chamado Fórmula 1 ao lado da Colônia de Pescadores de Paracuru. O entardecer é gostoso e o mar verde e azul imenso. Ali é a praia da Munguba.

Gostei de ter mirado uma pessoa coletando lixo na praia que, aliás, é relativamente limpa. Detalhe: aonde vou estou sempre fazendo o mesmo. Não consigo imaginar um peixe comendo garrafa de plástico. Tenho alma ecológica.

O Carlos relembrou o famoso carnaval de Paracuru nos anos 1970/80. A cidade lotada de foliões, uma bagunça efusiva, um carnaval com mela-mela à tardinha e à noite a presença no clube no centrinho em frente à Praça da Matriz. Esse clube não existe mais, foi desapropriado para dar lugar a uma praça com descida para a praia. O farol branco e laranja de hoje é só enfeite. No local há um bar/restaurante Hot Grill.

Nossa caminhada está boa para os joelhos, pois como choveu a areia está compacta e plana. Escutamos reggae na barraca de locação de pranchas e aulas de surfe. A praia Ronco do Mar é o lugar dos surfistas.

Paracuru é uma novidade bastante agradável. Sinto-me tocada pelo seu charme.  

À noite “vamos” na velha e boa pizza marguerita com Coca-Cola. Cerca do hotel se encontra a pizzaria Paiol, a mais antiga do município. Depois mais passeio a pé. O centrinho me lembrou do Crato no Cariri, a Igreja Matriz, as praças e ao redor casas antigas, bistrôs, lanchonetes, restaurantes etc. Lá está a pizzaria Moral, o Burguer & Pizza, o Cactus Paracuru e a Casa Curu (restaurante transado).

No centrinho se situa a Praça Francisco Batista Azevedo onde existe a Biblioteca Pública Municipal com o busto do mesmo em homenagem ao seu centenário 1908-2008.  Na frente está a igreja N. Sra. dos Remédios (a Igreja Matriz), com a imagem da Nossa Senhora fora da igreja na Praça da Matriz.

Ali perto na rua Profa. Maria Luiza Saboia se localiza um bistrô especial de tão fofo, com mesas, cadeiras, quadros feitos de mosaicos. A proprietária é também a artista plástica: Conceição. Ela prepara as comidas e quem serve é seu marido Otto (alemão). Eis o Mosaico Bistrô. Seu cardápio vai de caldos a hambúrgueres de soja, beterraba e carne de caju, bem natureba. Gostei.

Continuaremos em breve…

Lagoinha – Paraipaba – Ceará

Lagoinha – Paraipaba – Ceará – Brasil

Hoje é sábado, dia 19 de setembro de 2020.  O Carlos e eu resolvemos passar o final de semana na praia da Lagoinha, afinal fazia anos luz que não íamos lá. De Fortaleza para a Lagoinha são aproximadamente 110 km.

Saímos de Fortaleza pela av. Leste Oeste rumo à CE-085 ou Sol Poente, caminho Pecém-sentido Jericoacoara. A Lagoinha se situa perto de Paracuru.

Entramos no movimentado município de Paraipaba, passamos pelo rio Curu e seguimos em direção à Lagoinha. Paraipaba é bastante agradável, com pracinha, igreja, agências bancárias, restaurantes e lojas, além de limpa e aconchegante. As cidades interioranas do Ceará são pitorescas, “inspiram sossego, tranquilidade, prazer”, segundo o http://www.dicionarioinformal.com.br.

Chegamos à 11h, porém o check-out era às 13 h, logo o jeito foi esperar. A dica do hotel Vivamar foi dos amigos Sílvia e Jáder, colegas de trabalho. Localizado à beira mar, facilita muito o banho de mar a qualquer hora. O restaurante Lagero é independente do hotel e aconselho. Durante a espera pelo quarto, nada melhor do que se alimentar bem. Pedimos peixe sirigado com camarão, legumes salteados, arroz com brócolis, alcaparras e champignon. Uma delícia. Com a jarra de água de coco, saiu na base de R$105,00 para duas pessoas.

Tenho que dizer que por conta da pandemia, os preços estão bem mais caros. Sentimos isso na comida e diárias.

Falemos no local, de início já não reconheci, está tão cidade, incrível. É praia “point”, bastante concorrida. Ajeitada, arrumada, dá gosto. Não faltam hotéis, pousadas, restaurantes, cafés, pizzarias, enfim há o que se ver e passear. Parece a praia de Flecheiras.

Em frente ao hotel existe um calçadão, uma passarela de concreto, e à direita na areia da praia uma barraca de praia. Existem algumas, como a Praieira e a Dudé. Pena não curtirem músicas que combinem com o ambiente. A música estava alta e com um ritmo que poderia ser outro, mais relaxante. As pessoas em geral não amam o som do mar. Para mim, não há igual.

À tardinha caminhamos pela praia à direita, vimos fontes de água pura pelo caminho, subimos a escada colorida e chegamos à pracinha no centrinho. Exploramos casa por casa, a Lagoinha tem a parte alta e a baixa. Descobrimos a pizzaria Lagero, do mesmo dono do restaurante, logo a pizza marguerita de mais tarde está garantida. Casas agradáveis, mercadinhos, igrejinha em reforma, os moradores conversando nas calçadas, tudo bem interiorano. Uma gostosura. As praias do Sol Poente são mais habitáveis. Descemos a escada colorida e entramos na duna do pôr do sol. Muitos jovens no lugar, pena que sem as máscaras do novo cotidiano de 2020.

A famosa duna, cartão postal da Lagoinha, está com coqueiros plantados, que bom. Muitos antigos sumiram. Aviso aos navegantes: as pernas trabalham muito nesse sobe e desce, trata-se de um bom esforço para os músculos. O local é encantador, há muito verde nas dunas seguintes, lindo o visual.

Voltamos ao hotel depois do passeio. Encontramos uma tartaruga morta na praia, uma lástima.

Para jantar, a pizza mencionada anteriormente. Como cobram a rolha de vinho na pizzaria Lagero, nossa decisão foi comer a pizza na varanda do quarto, pois o vinho branco português Terra Boa Regional de Beiras 2004 Aliança nos tentava. Obrigada ao nosso amigo português Joaquim, de Juazeiro do Norte. Refeição das boas!

No domingo, o café da manhã do hotel foi substancioso e variado: frutas, sucos, cuscuz, bolos diversos, pães, ovos etc, seguindo o protocolo com hora marcada e usando luvas para se servir. Detalhe: a água do chuveiro deixou o cabelo uma beleza de sedoso. Parece a água de Guaramiranga, na serra de Baturité.

Após o banho de mar, tivemos o mesmo almoço do dia anterior no restaurante Lagero, a diferença foi o peixe: arabaiana. Excelente. Achei menos gorduroso que o sirigado.

A hora da saída do hotel é 13h. Se em uma pousada a saída seria lá pelas 16h, mas fazer o quê? Em um domingo com o sol a pique e muito calor é de arrasar. Seguimos pela cidadezinha, vimos feirinha de roupas de praia, bolsas etc na estreita av. Beira Mar onde os carros ocupam o seu espaço. Na av. Francisco Henrique de Azevedo há o mirante com o Centro de Apoio ao Turista, com cafés e quiosques de lanches ao redor. Prosseguindo na avenida se chega à pracinha principal. Fomos embora radiantes.

Enfim, um final de semana de novidades. Lagoinha, voltaremos!

Foz do Iguaçu – Parque das Aves

Foz do Iguaçu – Parque das Aves

Hoje é quarta-feira, dia 11 de março de 2020. Vamos partir de Foz do Iguaçu à tarde rumo a Fortaleza, mas antes há um passeio imperdível: o Parque das Aves, o segundo atrativo mais visitado da cidade. A Wikipédia nos conta que se trata de um parque temático, situado próximo às Cataratas do Iguaçu com 16 hectares de mata nativa, com 1500 animais entre aves, répteis e mamíferos de 140 espécies diferentes.

O ônibus da CVC nos paga no hotel Mirante com as malas para ir ao parque. O guia se chama Israel e o motorista Nelson. O combinado de tempo é das 8h15 até às 11h30. Dá para aproveitar bastante, embora o Parque das Aves seja convidativo para ficar muito mais. O nosso grupo é muito agradável, ressalto a Adriana Polli do interior de São Paulo: Jundiaí, nossa acompanhante. Saudações, Adriana.

O transporte foi R$ 40,00; o ingresso: R$60,00, sendo que para idosos, crianças e professores: R$30,00. Vamos iniciar a jornada: a trilha do parque tem 1100 m, considerada de baixo risco. Muitas trilhas são abertas e outras fechadas com proteção. Alguns pássaros têm contato direto com a gente, como as perdizes, os tucanos e as araras.

Fantástico ver uma floresta dentro da trilha com o som da natureza. Louvável o trabalho que fazem de salvar espécies em extinção. Recebem animais traficados em situação deplorável e os socorrem. São tantos os pássaros: o mutum-de-alagoas, o savacu, o arapapá, o tucano parece de pelúcia. Também há a cobra sucuri, o jacaré-de-papo-amarelo etc.

O restaurante Tropicana está no caminho. Gostei dos sorvetes e picolés Sabores do Iguaçú. A marca dos sorvetes é PANCS – Plantas Alimentícias Não Convencionais – O Sorvete na Trilha da Natureza. Os sabores são diferenciados: vinagreira com trufas, açafrão com geleia de hibisco; capim santo com limão rosa, detox de abacaxi com leitinho com ora-pronóbis (erva que se usa como condimento), enfim bem originais.

Conhecemos a harpia ou gavião real, a maior ave de rapina do Brasil, quase extinta. O urubu-rei, o periquito-rei, a maracanã etc. O parque é limpo, bem organizado, nota 10. Deve ser bom passar tardes no local, estresse zero, nada como o contato com a natureza. As bromélias embelezam.

No percurso vemos filmes sobre os pássaros e temos contato com o Projeto Papagaio Verdadeiro de 2007. Infelizmente, é o mais traficado do Brasil. 85% dos ninhos são roubados por traficantes em locais da Mata Atlântica. O Projeto Periquito-cara-suja precisa de apoio para sobreviver.

O papagaio-de-peito-roxo come sementes da arvore araucária (pinhão). No viveiro das araras azuis e vermelhas ou amarelas e azuis, temos um espetáculo de cores. Também vimos o papagaio-moleiro e o do mangue, a coruja suindara grande, a buraqueira pequena e o murucututu grande. O borboletário é colorido, sensorial. Começa com o ovo, depois a lagarta, a crisálida e a borboleta. São tantas plantas, flores, árvores, tudo sensacional. O beija-flor-de-banda-branca, o preto e o de-fronte-violeta são uns fofos.

Parabéns ao Parque das Aves e a quem trabalha lá! A criação foi ideia do casal: Anna-Sophie Helene (veterinária) e Dennis Croukamp. De acordo com o site do parque, a alemã Anna se mudou para a Namíbia na África onde conheceu o futuro marido. Tiveram duas filhas: Anna Luise e Carmel. Na década de 80 ganharam um filhote de papagaio-do-congo, Pamucki, que se tornou membro da família. No início da década de 90 se mudaram para a Ilha de Man não Reino Unido. Um amigo sugeriu que abrissem um parque de crocodilos em Foz do Iguaçu, mas gostavam mesmo era de aves. Assim, compraram uma propriedade em Foz do Iguaçu e construíram o parque, tendo sido inaugurado em 7 de outubro de 1994. Dennis Croukamp faleceu dois anos depois da inauguração na Ilha de Man aos 70 anos, felizmente Anna continuou com o trabalho. Existe um memorial dedicado ao fundador em seu lugar favorito do Parque das Aves: o Viveiro Aves de Rios e Mangues. Desde 2010, a filha Carmel é a diretora do parque e decidiu focar as ações na conservação de espécies da Mata Atlântica. Lugar magnífico, recomendo.

Interessante mencionar que à época da construção, o mesmo site prossegue, o casal se revezava entre a Ilha de Man e Foz do Iguaçu, cuidando das filhas e das obras do parque, planejadas para que nenhuma árvore nativa fosse derrubada. Gastaram todas as suas economias na construção e graças aos esforços de diversas pessoas que se uniram à causa, o Parque das Aves ganhou forma.

Aqui termina nossa jornada em Foz do Iguaçu. Confesso ter ficado maravilhada com a seriedade e infraestrutura dos atrativos, onde o turismo é levado a sério, profissional. Agradecimentos ao nosso agente Dennis da CVC do shopping Del Paseo de Fortaleza-Ceará. Foi uma viagem que deu muito gosto.

Turquia – um caravançarai em Aksaray

Turquia – um caravançarai em Aksaray

Hoje é dia 23 de outubro de 2019. Acordamos às 5h da manhã e sairemos do hotel Suhan Capadócia em Avanos às 6h30 de ônibus. Do hotel poderiam melhorar a segurança: a banheira era muito alta e sem suporte para idosos, bem perigoso, na verdade. Detalhe: dureza acordar tão cedo, no dia anterior foi às 4h. Ufa! Excursão é prático, mas muito corrido.

Em uma hora e meia, a 80 km de Avanos, chegaremos a Aksaray e depois Konya. Mas antes falarei sobre as cidades de Avanos e Nevşehir. Avanos possui uns 15 mil habitantes e pertence à Nevşehir. Somente conta com uma prefeitura; já Nevşehir é maior, tem governador escolhido pelo governo da Turquia e prefeitura eleita pelo povo.

As cidades em geral são limpas e ajeitadas com flores nos canteiros centrais. Não faltam mesquitas, prédios e edifícios. Interessante que os prédios têm espaço entre si. As localidades são espraiadas e agradáveis. Falando em mesquitas, no mundo sunita se reza cinco vezes ao dia, enquanto os xiitas rezam três vezes ao dia, depende muito da interpretação de cada um, segundo o nosso guia Ali. Nem vemos pobreza nem ostentação, dá gosto não ver um papel no chão. No campo testemunhamos casinhas com pomares e grandes descampados.

No caminho até Aksaray vimos duas grandes usinas de energia solar. Entre cidades grandes há ferrovias, porém no restante das cidades só ônibus e carros para transporte.

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Tíquete de entrada do caravançarai Sultanhani-foto tirada por Mônica D. Furtado

Em Aksaray há fábrica de açúcar. Continuamos na Anatólia Central. Vamos visitar um hotel do séc. XII, XIII e XIV, um caravançarai pertencente ao Sultanato turco para a hospedagem aos mercadores da Rota da Seda. Lembrando que os turcos tomaram Constantinopla/Istambul em 1453, logo essa espécie de estalagem é histórica e turística.

Lá conhecemos o caravançarai Sultanhani, fortificação imponente utilizada para proteção e abrigo dos comerciantes e viajantes. No local os muçulmanos rezavam sem o imã (guia espiritual). O lugar é enorme, tem quartos para os passageiros, banheiros a lá turca, e abrigos para os animais. Depois do pôr do sol não se entrava mais; no verão as pessoas dormiam somente de um lado, por conta do calor; não havia sistema de aquecimento, logo as pessoas dormiam no inverno em cima dos animais para se aquecer. Os quartos tinham caixas para guardar dinheiro a fim de evitar os roubos, todavia os ladrões eram punidos.

Está escrito em uma placa no local: situado na rodovia Konya-Aksaray, Sultanhani é o maior e melhor caravançarai dos seljuks. Foi construído por Allattin Keykubat 1 em 1229. Depois de um incêndio, foi restaurado e aumentado em 1278 pelo governador Siracettin El Hasan durante o reinado de Giyasettin Keyhüsrev. Após o acréscimo, se transformou no maior caravançarai da Turquia. Outro detalhe: existe uma pequena mesquita erigida como um kiosk mescit (uma pequena mesquita cúbica) sobre quatro arcos no meio do pátio aberto. O arquiteto foi Muhammed Bin Havlan El Dimaski. Ao redor do pátio aberto há salas e quartos, como cozinha sala de jantar, WC e banheiros, sala de estar e quartos de dormir utilizados pelos hóspedes.

De acordo com a Wikipédia, caravançarai significa “palácio ou edifício com pátios internos” e designava um tipo de estabelecimento do tipo hoteleiro (pousada ou estalagem) que se encontrava, sobretudo, no Oriente Médio, Ásia Central e norte da África, mas também um pouco por todo o Mediterrâneo ou China, que se dedicava a mercadores viajantes. Geralmente também tinha função de armazém ou entreposto comercial e situava-se à beira de estradas, embora existisse em áreas comerciais das cidades, sendo usual que nestes locais fossem mercados.

Quanto à arquitetura, a mesma fonte diz que era um edifício ou recinto de planta quadrada ou retangular, com muros em toda a volta, com um único portão de acesso, suficientemente longo para permitir a passagem de animais muito carregados como camelos. O pátio central era quase a céu aberto e era rodeado de divisões idênticas que tinham aposentos para acomodar os mercadores e os seus servos, animais e mercadorias.

Na região há plantações de trigo, açúcar, beterraba e trevo. Há sistema de irrigação na planície.

Aproveito este artigo para saudar os companheiros de viagem Nelcelina e Régis, e Sônia e Maurício. Agradeço à dra. Marli Palhano, que muito ajudou a todos nós da excursão. Também saúdo as filhas dela Fernanda e Renata, muito queridas. A mudança de clima e alimentos sempre provocam uns problemas de saúde e a dra. Marli foi sensacional com todos. Afinal, foram onze dias de viagem. Obrigada!

Prosseguiremos com Konya, a cidade mais muçulmana da Turquia.