Turquia – um caravançarai em Aksaray
Hoje é dia 23 de outubro de 2019. Acordamos às 5h da manhã e sairemos do hotel Suhan Capadócia em Avanos às 6h30 de ônibus. Do hotel poderiam melhorar a segurança: a banheira era muito alta e sem suporte para idosos, bem perigoso, na verdade. Detalhe: dureza acordar tão cedo, no dia anterior foi às 4h. Ufa! Excursão é prático, mas muito corrido.
Em uma hora e meia, a 80 km de Avanos, chegaremos a Aksaray e depois Konya. Mas antes falarei sobre as cidades de Avanos e Nevşehir. Avanos possui uns 15 mil habitantes e pertence à Nevşehir. Somente conta com uma prefeitura; já Nevşehir é maior, tem governador escolhido pelo governo da Turquia e prefeitura eleita pelo povo.
As cidades em geral são limpas e ajeitadas com flores nos canteiros centrais. Não faltam mesquitas, prédios e edifícios. Interessante que os prédios têm espaço entre si. As localidades são espraiadas e agradáveis. Falando em mesquitas, no mundo sunita se reza cinco vezes ao dia, enquanto os xiitas rezam três vezes ao dia, depende muito da interpretação de cada um, segundo o nosso guia Ali. Nem vemos pobreza nem ostentação, dá gosto não ver um papel no chão. No campo testemunhamos casinhas com pomares e grandes descampados.
No caminho até Aksaray vimos duas grandes usinas de energia solar. Entre cidades grandes há ferrovias, porém no restante das cidades só ônibus e carros para transporte.

Em Aksaray há fábrica de açúcar. Continuamos na Anatólia Central. Vamos visitar um hotel do séc. XII, XIII e XIV, um caravançarai pertencente ao Sultanato turco para a hospedagem aos mercadores da Rota da Seda. Lembrando que os turcos tomaram Constantinopla/Istambul em 1453, logo essa espécie de estalagem é histórica e turística.
Lá conhecemos o caravançarai Sultanhani, fortificação imponente utilizada para proteção e abrigo dos comerciantes e viajantes. No local os muçulmanos rezavam sem o imã (guia espiritual). O lugar é enorme, tem quartos para os passageiros, banheiros a lá turca, e abrigos para os animais. Depois do pôr do sol não se entrava mais; no verão as pessoas dormiam somente de um lado, por conta do calor; não havia sistema de aquecimento, logo as pessoas dormiam no inverno em cima dos animais para se aquecer. Os quartos tinham caixas para guardar dinheiro a fim de evitar os roubos, todavia os ladrões eram punidos.
Está escrito em uma placa no local: situado na rodovia Konya-Aksaray, Sultanhani é o maior e melhor caravançarai dos seljuks. Foi construído por Allattin Keykubat 1 em 1229. Depois de um incêndio, foi restaurado e aumentado em 1278 pelo governador Siracettin El Hasan durante o reinado de Giyasettin Keyhüsrev. Após o acréscimo, se transformou no maior caravançarai da Turquia. Outro detalhe: existe uma pequena mesquita erigida como um kiosk mescit (uma pequena mesquita cúbica) sobre quatro arcos no meio do pátio aberto. O arquiteto foi Muhammed Bin Havlan El Dimaski. Ao redor do pátio aberto há salas e quartos, como cozinha sala de jantar, WC e banheiros, sala de estar e quartos de dormir utilizados pelos hóspedes.
De acordo com a Wikipédia, caravançarai significa “palácio ou edifício com pátios internos” e designava um tipo de estabelecimento do tipo hoteleiro (pousada ou estalagem) que se encontrava, sobretudo, no Oriente Médio, Ásia Central e norte da África, mas também um pouco por todo o Mediterrâneo ou China, que se dedicava a mercadores viajantes. Geralmente também tinha função de armazém ou entreposto comercial e situava-se à beira de estradas, embora existisse em áreas comerciais das cidades, sendo usual que nestes locais fossem mercados.
Quanto à arquitetura, a mesma fonte diz que era um edifício ou recinto de planta quadrada ou retangular, com muros em toda a volta, com um único portão de acesso, suficientemente longo para permitir a passagem de animais muito carregados como camelos. O pátio central era quase a céu aberto e era rodeado de divisões idênticas que tinham aposentos para acomodar os mercadores e os seus servos, animais e mercadorias.
Na região há plantações de trigo, açúcar, beterraba e trevo. Há sistema de irrigação na planície.
Aproveito este artigo para saudar os companheiros de viagem Nelcelina e Régis, e Sônia e Maurício. Agradeço à dra. Marli Palhano, que muito ajudou a todos nós da excursão. Também saúdo as filhas dela Fernanda e Renata, muito queridas. A mudança de clima e alimentos sempre provocam uns problemas de saúde e a dra. Marli foi sensacional com todos. Afinal, foram onze dias de viagem. Obrigada!
Prosseguiremos com Konya, a cidade mais muçulmana da Turquia.

Mônica, muito obrigada pelos seus comentários, mas simplesmente tinha remédios que algumas pessoas precisavam e pude ajudá-las. É muito bom rever a nossa viagem, gosto bastante do seu blog. Bjs
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Querida Marli,
Sua ajuda foi confortadora. Nossa viagem foi tão rica em termos de história e cultura que ainda estou escrevendo… Lugar inigualável. Obrigada pelo seu comentário. Continuamos juntas na jornada. Beijos em você e nas filhas.
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Voltarei a Turquia muito rica, e conhecerei Troia. A Capadocia é imperdível.
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Estimado Fernando,
A Turquia é toda rica de cultura e história. Vale voltar muitas vezes. Eu fiquei impressionada. Grande abraço e obrigada pela sua participação.
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Olá, muito legal seu relato.
Vc disse que havia banheiros.. poderia contar como eram os banheiros do caravancarai?
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Lavínia, olá,
Grande prazer ter você aqui no blog. Os banheiros existentes no caravançarai são do jeito turco, ou seja, com buracos no chão, sem o vaso sanitário. Isso é muito comum por lá. Grande abraço e obrigada pela sua participação.
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