A Fortaleza da minha juventude

A Fortaleza da minha juventude

Estou cá relembrando os anos 1980/1990 em Fortaleza, Ceará novamente. Sou nostálgica mesmo, tudo mudou tanto. Algumas mudanças foram positivas e sobre essas escreverei em um futuro breve.

Vamos às recordações. Nossas manhãs no Círculo Militar (no bairro Meireles) para banho de piscina, e no caminho a pé de volta para casa, um grupo de vizinhos e eu parávamos em uma das casas imensas e aconchegantes da av. Dom Luís, e “roubávamos” pitangas da árvore. Que delícia. Ainda havia muitas casas e todas elas com árvores frutíferas, Fortaleza era verde, bucólica e tinha um clima mais agradável. Hoje é uma cidade vertical, a maioria das casas deu lugar a prédios e edifícios, infelizmente.

A turminha de amigos e irmão reunida na Volta da Jurema à noite, nome pela qual a avenida Beira Mar era conhecida. Eram domingos à noite bastante aguardados por nós. A gente (mulherada) conversava e caminhava tanto que me lembro dos amigos “gozando” da cara da gente, e contando quantas voltas a gente dava. Era uma festa.

Dia de sexta à noite era o encontro na Praça Portugal na Aldeota. Eu comprava comida das barraquinhas, revia os amigos, paquerava, conversava, era tudo tão saudável. A vida era para sempre e os amigos também. Tinha também a feirinha da pracinha do bairro de Fátima aos sábados à tardinha. Tudo tão legal. Aonde íamos tinha um amigo ou amiga para papear.

Quando inauguraram o shopping center Iguatemi, uma amiga, nossos irmãos caçulas e eu pegávamos o ônibus e íamos bem felizes comer bolo xadrez nos sábados à tarde. Saudades da Fortaleza da minha juventude, era tão segura. A gente andava muito pela cidade sem medo. Quando eu penso que entrávamos em um ônibus à noite, íamos para outro bairro, voltávamos e nunca nos sentíamos temerosas.

Eu só queria ser bronzeada, achava um charme ver a marca do biquíni. Muita praia e muito óleo Johnson com urucum, a vida era o mar aos domingos na Praia do Futuro pela manhã.

As amigas… tomar café com pão na casa de uma, sair para um cinema com outras, ou com irmãos; ir para a antiga Praia de Iracema como era, um point: o Cais Bar e a sua música MPB, alegria, o mural pintado dos artistas famosos na parede de fora; o restaurante italiano La Trattoria com aquela sangria e lasanha verde; as circuladas pelo calçadão; o mar ali ao lado. Que nostalgia. Viva as companheiras de noitadas maravilhosas.

Recordei-me agora: o Mirante! Como se chama mesmo? Ah, o morro Santa Terezinha no bairro Vicente Pinzón. O visual lá de cima esplendoroso, um mirador com um cenário do mar arrasador. Eu e todo mundo costumávamos levar os turistas para conhecer e jantar em um dos restaurantes localizados em lugar tão idílico. O do peixe na telha era conhecido. As amigas portuguesas do Porto ficaram encantadas. Quem não ia lá aproveitar o esplendor do mirante? Os momentos eram poéticos. E o bar Ponto de Luz, um charme na parte alta da cidade, perto da Praia do Futuro no bairro Dunas? Uau, quanta emoção. E a Ponte Metálica ou Ponte dos Ingleses? Um pôr-do-sol inesquecível visto do píer, com gente tocando música, passeando e se deliciando com o mar. As amigas de Porto Alegre-RS lembram muito bem.

Minha geração, com certeza, não esquece os bons momentos que vivemos. A cada geração, uma cidade diferente. Mas digo para vocês: fui muito feliz como jovem. Aqui deixo o meu abraço carinhoso a cada amiga e amigo daquela época. Tivemos uma juventude livre, leve e solta.

Para concluir, muitos locais mencionados já não existem mais ou ficaram abandonados, uma tristeza. Agora um pouco sobre a Fortaleza atual. Há lugares que gosto imensamente: o Mercado das Flores na praça Joaquim Távora na av. Pontes Vieira, alguns shopping centers, a nova Beira Mar, ótima para as caminhadas e para um banho de mar, dentre outros. Enfim, a cada época uma cidade singular.

8 comentários em “A Fortaleza da minha juventude

  1. Minha família chegou em Fortaleza em 91, então, ainda tive o prazer de frequentar o Lá Trattoria (maravilhoso mesmo, gostava também da cestinha de entrada…); o Morro Santa Terezinha?! Ah, que lugar formidável, uma pena mesmo não ser mais o “point” que era… Fiquei saudosa também!

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    1. Querida comadre,
      Que cidade deliciosa de passear, curtir, andar a pé, né? Impossível não amar os “points” e ainda tem mais. Havia o London London da “noite” ali ao lado da Praça Portugal, dentre outros. Obrigada pelo seu comentário, muito contribui. Bom relembrar… Beijo.

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    1. Querida Karinny,
      Nem a gente reconhece mais, isso eu garanto. A casa estava lá, no outro dia foi demolida. Ocorreu agora recentemente como o bar Boteco, esquina da av. Beira Mar com av. Rui Barbosa. E lá se foi um restaurante/bar agradável e bem movimentado, em breve mais um espigão ou dois. Difícil se acostumar. Obrigada pelo comentário. Grande abraço.

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  2. Eu também lembro muito desses lugares apesar de ter chegado em 97 pela primeira vez, aliás no Brasil. Ainda íamos nesses lugares mas já éramos um pouco “exóticos”, já não era tão seguro… E as casas…ia caminhando até a praia do Meireles ao longo de mansões que foram sendo uma por uma substituídas por prédios com muros altos e duas fileiras de cercas…

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