Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Florença – parte 2

Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Florença – parte 2

Dia 24 de dezembro de 2010: O Carlos e eu partimos do hotel e pegamos o trem Frecciarrossa (nº 9516) da Trenitalia em direção a Florença na Estação Termini. Muito bom o percurso de 232 km, distância conforme o site http://www.eurail.com. Estamos na véspera de Natal de 2010. Vale dizer que os horários e o número do trem só saem no binário (um grande telão na estação) um tempinho antes da saída do trem. Tem que ficar ligado.

Chegamos a Firenze: linda, encantadora, estilosa. Estava muito frio e chovia torrencialmente, ainda bem que o casal Max e Elis estavam à nossa espera na estação ferroviária de Santa Maria Novella (de 1848, reconstrução em 1934). Ele se arrependeu de ter deixado o carro um pouco longe, uma vez que havia nevado e o chão estava escorregadio. Carregar malas pelas ruas na chuva e tentar não cair foi um feito.

O tratamento na cidade foi de primeira. A nossa hospedagem foi no apartamento do Max na parte histórica na Via Dei Velluti, ruela que desembocava no Palácio Pitti. Tal ruela era apertada e só dava para passar um carro. O prédio antigo e histórico, construído com pedras, continha as habitações dos serviçais da família Médici nos séculos XV e XVI, imaginem. É de se beliscar.

Descreverei o local tão original. Um apartamento pequeno, tipo loft, com um quarto que também era escritório do Max. A cama em cima e embaixo uma mesa para trabalhar. Tinha aquecimento a gás. O Max acrescentou um banheiro para banho e sanitário, com uma porta que dava acesso a um jardim interior. Dava para sentar na varanda. O outro apartamento ao lado: sala de estar, cozinha e uma janela que dava para a ruela. Também com aquecedor. Sem elevador, subíamos a escadaria até o 2º andar. Super diferente, amei! No meio, o corredor sem aquecimento, lógico. Então a gente perambulava de um apartamento ao outro o tempo todo e haja frio pelo caminho. Somos muito agradecidos à gentileza da família hospedeira. Detalhe: conto com a memória do Carlos para muito do que escrito aqui.

Segundo a Wikipédia, o reinado da poderosa família Médici foi em Florença na região da Toscana. Da Casa dos Médici provieram 4 papas e a partir de 1531, eles se tornaram os líderes hereditários do Ducado de Florença. A linhagem direta se extinguiu em 1737.

O jantar de Natal foi no apartamento dos pais do Max (o casal amigo se hospedou lá) em uma região mais moderna de Florença. Os pais dele: Gianni e Grazia Fattoli, ou seja, o “babbo” e a “mamma” (“pai e mãe” em italiano) nos receberam de braços abertos com muito carinho. Nossa eterna gratidão! Sentamos à mesa pelas 18 h e só saímos umas 5 horas depois. Detalhe: o francês leva a fama, mas tudo começou com os italianos, na verdade. Eles apreciam a alta gastronomia, um bom papo e excelentes vinhos e espumantes. Estavam lá também o tio do Max, Luigi, e a esposa Monica. A mamma de avental cozinhando e servindo, uma tradição. E nós passando muito bem. Foram vários pratos, cada prato com um vinho ou espumante e, pra finalizar, um panetone feito em casa, com um creme divino, daquele que amacia o paladar, ufa! Inesquecível. Acho que engordei muito! Quando chegamos ao apartamento histórico, levados pela Elis e Max, antes de dormir tive que tomar um sonrisal, estava estufada, mas feliz!

Dia 25 de dezembro, Natal. Voltamos ao lar dos pais do Max para almoçar. Os tios Luigi e Monica estavam lá. Houve troca de presentes e tivemos um almoço farto com vinho e frisante (espumante), e sobremesa de panetone (tradição). Um manjar dos deuses. Estava tão frio lá fora que nem quisemos sair. Dessa vez, não precisei de digestivo… As refeições ficaram na nossa memória gustativa. Ainda sinto a cremosidade e a leveza do panetone da mamma.

Dia 26 de dezembro. Feriado em Firenze, dia para passear. O museu famoso Galleria degli Uffizi estava aberto e somente entravam 58 pessoas de cada vez, logo a fila de espera ia de 1 a 2 horas. Pode reservar com antecedência, pagando um pouco mais, pelo menos a hora está marcada e não tem que ficar na fila cansativa. Na realidade, as atrações turísticas são sempre cheias. O bom foi conversar com uns ingleses simpáticos. Foram tão gente boa que nos deram um tíquete do vaporetto (barco táxi) de Veneza, já que iam embora e havia sobrado crédito. Somos afortunados.

Falemos na Galeria Uffizi, do séc. XVI, uma das mais antigas e afamadas coleções de arte do mundo. Ma-ra-vi-lho-sa. Fiquei encantada com os quadros “O Nascimento de Vênus” e “A Primavera” de Botticelli, e com as obras de Alessandro Filipepi, Tiziano Vecellio, Michelangelo e Tintoretto, por exemplo. Grandes mestres renascentistas. Como aprendemos! De acordo com o site www.educamaisbrasil.com.br, as características do Renascimento na Itália do séc. XV foram o humanismo, o antropocentrismo, o individualismo, o universalismo, o racionalismo, o cientificismo e a valorização da Antiguidade Clássica.

De lá, passeamos pelo centro antigo. O jantar foi caseiro feito pelo Max: sopa desidratada pronta, pão de alho a lá italiana e queijo com mel de acácia (delicioso). Interessante mencionar que não passa carro sem ser de moradores do centro histórico, só é liberado aos domingos. Se não respeitar as regras, leva multa.

Florença é tão organizada que fiquei impressionada. À noite há limpeza das ruas naquele frio por um tipo de tratorzinho. Até os gatos abandonados em terrenos baldios são cuidados. O sr. Gianni era responsável oficialmente por alguns gatos no terreno atrás do seu prédio. Eles eram identificados e controlados por um órgão da prefeitura. Considerei sensacional e eficiente!

Em breve, Veneza.

4 comentários em “Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Florença – parte 2

    1. Querida Karinny,
      É verdade, faltou a foto da mesa de Natal. À época eu não tinha blog, por isso não há foto. Hoje não perco nenhum detalhe importante. kkkkk Obrigada pela sua participação. Grande abraço pra vocês aí em Ottawa.

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  1. Maravilhoso e saboroso texto.Detalhes que enriquecem,Emoção que transparece. Um mundo que aumenta o conhecimento de quem lê o texto.PARABÉNS!Que venham outros,de suas maravilhosas viagens!

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