Fortaleza e os idosos

Fortaleza e seus idosos – será amigável a relação?

Eu também sou pedestre, logo observo as calçadas, ruas, cobertura vegetal e por aí vai.

Vamos lá. Árvores? Fortaleza já foi tão arborizada até os anos 70/80 do século passado… Não tem jeito, não consigo deixar de ser nostálgica. Andar pela cidade se torna difícil por conta do sol intenso e falta da proteção das árvores. Isso de dia, logicamente.

Conclusão: se queremos um lugar agradável para viver e caminhar, o mundo verde é fundamental. Por que não exigir dos edifícios sendo construídos, via lei municipal, que as árvores abatidas sejam replantadas no condomínio? Digo isso, porque testemunhei em Santiago do Chile verdadeiras florestas dentro dos limites dos prédios no bairro Providencia. E em Recife-PE, pelo menos, no passado era obrigado a ter esculturas de artistas locais nos condomínios de Boa Viagem. Então, nada é impossível, é uma decisão política.

Continuemos com calçadas… Socorro! Polícia! Novamente, retornemos às décadas de 70/80, quando eram homogêneas e o proprietário cuidava da sua. Sei de muita gente (idosos ou jovens) que já caiu e se machucou no centro, no calçadão da Beira Mar, no bairro Meireles. A prefeitura não cobra do morador e não faz a sua parte como deveria. Apareceu o buraco, conserte, simples assim. Se cada morador que caísse, colocasse na justiça e essa fosse célere, dando ganho de causa ao “machucado”, a situação seria outra. Exemplificando, no Canadá ou nos EUA, ninguém ousa não retirar a neve da sua calçada, porque sabe que virá uma multa daquelas ou terá que pagar o hospital de alguém que escorregou. Sonho com a responsabilização, isto é cidadania.

Agora ruas… O idoso e qualquer pessoa, na verdade, sempre corre o risco de ser atropelado por motoqueiros, preferencialmente. Sei que não é a maioria responsável, mas tem uma minoria, para quem não existe leis de trânsito. Prefeitura? Não vejo agirem. AMC (Autarquia Municipal de Trânsito)? Dentro de carros, multando quem não paga a Zona Azul. Vejo outdoors da prefeitura para o motociclista usar capacete por exemplo, mas isso muda a realidade? Multas, aulas compulsórias e apreensão das motos, sim! Um amigo querido alemão certa vez me disse que seus conterrâneos eram educados no trânsito, muito por conta de multas. Escutei o mesmo em Portugal.

Por último, a nova Beira Mar. Caminho lá e gosto, mas percebo não haver bancos para os idosos sentarem. Será que os realizadores não sabem que também vão envelhecer? Como ser uma cidade amigável sem um detalhe importante desse? E há mais: plantaram carnaúbas ao longo da calçada onde fica a feirinha de artesanato provisoriamente. E dão sombra? Não mesmo. E os coqueiros, cajueiros, juazeiros? Sinceramente… com tanta riqueza de árvores frutíferas, preferiram as de lugares áridos.

Desejo aos idosos autonomia no caminhar, no resolver suas atividades, em respirar sua cidade. Contarei uma historinha. Minha mãe se achava “velha” aos 50 anos aproximadamente, ainda bem que nossa cultura se transformou para melhor. Aí a levei para assistir a uma palestra do padre Lauro Trevisan no ginásio Paulo Sarasate e logo depois viajei com ela a Miami-EUA (e com a amiga Sandra Ximenes). Foi o santo remédio, retornou outra. O idoso americano é independente e mesmo com dificuldade de locomoção, se vira. Foi impactante nossa jornada americana no ano de 1994.

Enfim, como cidadã me sinto na obrigação de escrever sobre os mesmos assuntos que incomodam. Desistir jamais, embora os ouvidos sejam “moucos”. Não canso de almejar uma Fortaleza mais estilo passado, com mais qualidade de vida, clima mais arejado por ter mais árvores e menos asfalto. Afinal, estamos também envelhecendo e o nosso idoso merece RESPEITO.

E aí? Na sua opinião, nossa cidade é amigável ao idoso?

P.S. A pedido dos meus pais, escrevo para relatar que as árvores e plantas da praça das Flores, antes praça do Hospital Militar, na Aldeota está com a cobertura vegetal passando sede e morrendo. Quem cuida da praça? A prefeitura ou o grupo Beto Studart que a reformou e mudou o nome da praça? Gostaria de saber.

4 comentários em “Fortaleza e os idosos

  1. Muito pertinente suas falas aqui escritas. Todos, um dia, envelhecemos e, independente da idade, ter qualidade de vida é fundamental. Muito boa e reflexiva suas colocações.

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  2. Dear Mônica,
    Tema sempre relevante! Necessário mesmo.
    Verifiquei que você escreveu e postou nesse blog, em fevereiro de 2017, texto com o título ‘Fortaleza sem árvores’. Nada mudou em Fortal City, a não ser a realidade ainda pior do que dantes.
    Que lástima!
    Que mais vozes se juntem à sua nesse movimento de conscientização e demanda ao poder público para mudança.

    Viva o verde! Cuidado e carinho para com as senhoras e senhores da terceira idade!

    Abraço grande, dear friend.
    With love,

    Josi

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    1. Querida Josi,
      Pois é, em termos de árvores, nada mudou; já escrevi sobre os motoqueiros não respeitarem leis, mas nada mudou; e por aí vai… Triste isso. Não desisto mesmo, continuo a acreditar em mudanças. Obrigada, dear friend. Grande abraço.

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