Ceará-Piauí-Camocim

Ceará-Piauí-Camocim

Hoje é dia 13 de março de 2022, estamos na agradável Camocim, cidade ventilada, toda voltada para o litoral.

O café da manhã foi básico no Dunas Praia Hotel (av. Beira Mar, 1449). Localização muito boa, à beira mar, como o nome da avenida já esclarece. O clima estava abafado com prenúncio de chuva, estamos no inverno no Nordeste do Brasil. Isso significa estação chuvosa.

Vamos passear? O hotel Sun City chama atenção, chique que só. Queremos ir à praia do Maceió, distante 12 km de Camocim. Passamos pela barraca Dona Mazé, pelo restaurante El Mirador e dobramos à esquerda na logomarca do DAER (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem). Vemos condomínios de casas, casas em forma de cubos, bem interessantes. A cidade cresce para essas bandas.

Passamos pelo Lago Seco, que é grande, por campos com gado e pastagem rala. Rodovia asfaltada até lá. Praias, dunas, muitas dunas, mar aberto, um descampado imenso. Área de desova de tartarugas.

Chegamos à zona urbana da Praia do Maceió, um vilarejo com pousadas e mais casas. As pousadas Vila Zen e Casa Grande são atraentes. O local é turístico com muitos ônibus de turismo, passeios em jardineiras, cavalos para se andar na praia, enfim, lugar próprio para hospedagem.

Pegamos uma trilha na duna para a Barra dos Remédios, lembrando que estamos em um carro tracionado. Falamos com um guarda municipal que nos deu a devida informação. Só vemos dunas e areia pela frente, eis um passeio Indiana Jones. Há poças de águas pelo caminho, gaviões, jumentos e vacas. Vemos comunidades de pescadores. Infelizmente, em um lugar tão ermo existe a falta de consciência das pessoas em jogar garrafas e copos plásticos ali. Não combinam com o paraíso.

Continuamos o percurso. Parque eólico da Praia Formosa, ao lado, choupanas de apoio aos pescadores e seus barcos, turistas fazendo passeio de bugre, cavalos, porcas comendo mato e tomando água doce, praias desertas. Praia da Barrinha, depois Xavier, com casas de pescadores de alvenaria coloridas, algo inédito. Não vimos uma viva alma. Há cultivo de algas e se catam mariscos. Também confeccionam artesanatos com escamas do peixe camurupim e conchas marinhas. Diga-se de passagem, já vi lustres belíssimos para vender na praia de Flexeiras.

Finalmente, a Barra dos Remédios, o encontro do mar com o Rio dos Remédios, o mangue denso completa a paisagem. A praia da Barra dos Remédios possui muitas rochas na areia. Completamente sem ninguém, vale a aventura. Considerada uma das cinco praias desertas mais bonitas do mundo.

Na volta à Praia do Maceió, chuva forte. Seguimos um bugre e nos deparamos com um pequeno santuário de Nossa Senhora de Fátima, santos e Padre Cícero (figura religiosa venerada no Ceará e no Nordeste brasileiro, principalmente, considerado santo pelo povo).

Ao chegarmos, fomos pedir o almoço no restaurante O Osmar à beira mar e tomar banho naquele marzão. O restaurante é aberto nas laterais, dois andares, todo na madeira. O prato de peixe pargo grelhado, baião de dois, salada, farofa e vinagrete foi apetitoso e em conta: R$90,00, e o papo com o garçom Arnaldo (já morou em Fortaleza, logo tínhamos conhecidos em comum) e o dono sr. Osmar nos deu alegria. Gente acolhedora.

O Arnaldo nos deu muitas informações sobre Camocim. Já foi mais completa em termos de instituições, hoje para resolver algo no judiciário, por exemplo, tem que ir a cidades como Chaval ou Jijoca.

Após o retorno a Camocim, à tarde, fomos passear no calçadão enorme da Beira Mar. Que delícia! Os barcos marcam a paisagem com cores que ficam na memória. O rio Coreaú e sua amurada nos presenteiam com fotos incríveis. Passamos pelo armazém e as docas que recebiam mercadoria de fora no passado. Exportavam sal, cera de carnaúba, peles de animais etc. Tempos áureos da cidade. Segundo o Carlos, frequentador na sua juventude, tudo já foi bem mais cuidado, era uma pérola, além de ser importante entreposto comercial. Se eu fiquei maravilhada hoje, imagine naquela época.

Jantamos no restaurante Budega Nordestina na Beira Mar. Temático com símbolos do Nordeste brasileiro e peculiar com nomes da terra para cada tapioca, pastel, prato. Pedimos catrevagem, ou seja, panqueca de frango desfiado com milho, requeijão e queijo mussarela, coberta de molho de tomate da casa. Já contei que saboreamos no dia anterior panquecas também. Sentamos na calçada na farra. De acordo com eles, a comida mais regional do litoral oeste. Há uns dizeres provocativos no local: “Deixe de onda, a gente é moderno!” e mais reza para quebrante e mau olhado: “Quebrante e mau olhado: olho excomungado que te botaram com os olhos na cruz do Senhor. -Vai-te quebrante pras ondas do mar sagrado sem fim, amém”. Assinado Dona Mirtes Rocha. Os nomes das comidas são engraçados: cumade, cumpade, madrinha, arroxado, fuleragem, fuxico, aperreada, apressado, apombaiado etc. Só diversão.

Antes das panquecas saborosas, tomamos um Aperol Spritz, nada mais refrescante! Aperol, espumante, água com gás e rodelas de laranja para celebrar a bela paisagem de Camocim. Viva!

Voltamos a pé para o hotel, tudo calmo. Ver pessoas sentadas na rua e pescadores conversando em grupo enquanto ainda trabalham em suas redes é um bálsamo. Muito salutar caminhar na paz. Gosto de cidades assim, pois oferecem qualidade de vida aos seus habitantes e mais tranquilidade no seu cotidiano.

Prosseguiremos com um pouco mais de Camocim…

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