Campos do Jordão para conhecer-Pedra do Baú e Parques Bambuí e Amantikir-dia 4

Campos do Jordão para conhecer-Pedra do Baú e Parques Bambuí e Amantikir-dia 4

Hoje é dia 17 de março de 2026. Continuamos no nosso passeio com o guia Leandro. @leandrocitytour. Já estivemos no Mosteiro de São João e Museu Felícia Leirner. Visitamos as diversas esculturas ao ar livre no museu e na parte de cima do monte, vemos a Pedra do Baú. Localizada em São Bento do Sapucaí, cidade vizinha de Campos do Jordão. É o ponto mais alto da região, a 1950 m, desafio para escaladas, com encostas de rocha que chegam a ter 200 m. Ao seu lado, duas formações rochosas: Bauzinho e Ana Chata. Também vemos dois miradouros de madeira, um com uma árvore frondosa dando sombra. Delícia, pois o calor é grande. Há uma escultura do papagaio-do-peito-roxo, bem colorida e boa para fotos. Trata-se de uma espécie endêmica das Matas de Araucária. Comem pinhões. Muito bonito o visual dos mirantes.

Voltamos ao auditório Claudio Santoro (maestro, compositor e professor, nascido em Manaus em 1919) para tomar um café a fim de aquecer o coração no Café Literário. Lugar pensado para agradar os olhos, com livros, vinhos, bonecas e bichinhos de pelúcia. Gostei do piano de cauda presente.

O passeio até então foi excelente, retornamos ao carro do Leandro para prosseguir nas aventuras. Passamos pelo bairro Santa Cruz. Descemos. Bairro Vila Nova Suíça com casas alpinas. Chegamos ao parque Bambuí. Estamos localizados na rota turística Alto Lajeado. Na descida, um caminho de pedrinhas e barro. Um trem Maria-fumaça em exposição, lago e árvore de gaiolas. A entrada já impacta pela beleza. Na sede, pagamos R$50,00 a meia entrada.

Adentramos o parque privado. Árvores com seus nomes: rododendro, por exemplo. Floresta de retratos, com eles nas árvores. Caminho do trem com os trilhos que a gente acompanha, pena não funcionar. Lago com água corrente. Tudo verde, lembra Pacoti no Ceará, cidade do maciço do Baturité. Que lindeza! Alimenta a alma um parque desses. Sorveteria pelo percurso. Restaurante com chão de flores. Área para sentar nas mesas. Casa Bambuí. Flores, hortênsias, cedros, um paraíso com outro lago à frente tendo vitórias-régias. Árvore pinus patula (pinheiro mexicano). Obras artísticas coloridas o ar livre. “Elefante Bambuí” de Rafael Brancotello. Obra: “Carro Perdido” de Aref Farkouh, dentro do carro plantas e árvores que cresceram dentro. Lago Bambuí. Outras obras: Jardim das Memórias, Lili, Orquídeas do Lago etc.

Trilha das Quedas. 1 hora até lá. Árvores como o pinho bravo e o pinheiro-do-brejo. Nascentes, lugar vicejante. Trilha das Centenárias. Árvore Cryptomeria Japônica (cedro japonês), trilhas e mais trilhas. Campos do Jordão fenomenal. Parque Bambuí ficará na minha memória. Trilha ao redor do lago, descemos até a cascata e seguimos por pontes. O nível é difícil. Aí resolvemos voltar pelo mesmo caminho da vinda, não quis seguir adiante, achei íngreme e perigoso. Sem muita estrutura a trilha, muito barro e passagens estreitas. Uau! Que caminhada com bastante esforço. Fiquei maravilhada.

Na sede, a loja Manacá da Mantiqueira, um empório com alfajores, doces, perfumes, bolsas, enfim produtos da região. Tudo bonito e bem decorado com o motivo da Páscoa. Dizem que o trem Maria-fumaça está em manutenção. Tomara. Na saída, mais nascentes que brotam do chão. Perto do parque, o chique hotel Toriba, que conforme o guia, é do mesmo dono do parque.

Segundo o folder/mapa do Bambuí, a área que abriga o parque fazia parte da antiga Fazenda Toriba, fundada em 1936 pelo casal Ernesto e Maria Elisa Diedericksen. Com mais de 100 alqueires, era um refúgio de natureza cuidadosamente cultivada, com árvores centenárias, a construção de represas-entre as mais altas do Brasil-e a criação de cavalos árabes. Aberto ao público em 2023. Também oferece de gastronomia o Ybá Bruno Alves Chocolatier e o Boteco Gård.

O guia Leandro nos conta que o Parque da Lagoinha é público, por isso grátis. Diz ser lindo. Aberto de quarta a segunda-feira, das 9 h às 18 h. Outros parques: o Horto Florestal e o da Cerveja.

De lá rumo ao parque Amantikir, também privado e da rota turística Alto Lajeado. Segundo o guia, a cereja do bolo. Valor: R$50, 00 no PIX, dinheiro ou cartão de débito. São 26 jardins inspirados em diferentes países. Os atendentes nos sugerem começar com o Jardim Japonês. No café, um lanche para matar a fome.

De acordo com o informativo/mapa do parque, há setores de jardins divididos em cores: bronze, lilás, laranja, verde, vermelho, amarelo, azul e cinza. Os jardins Japonês e o Chinês estão no setor bronze. O Romântico no setor lilás. A loja de presentes, restaurante e café estão no setor amarelo. Lugar para conhecer.

Casa de madeira na árvore. Jardins mil. Descemos pelo caminho das Três Nascentes e vemos um mirante natural para a serra da Mantiqueira. As nascentes saem das rochas, que natureza pródiga.

O folder nos conta a lenda de Amantikir. Tem sua origem numa tradição oral, segundo o qual uma princesa Tupi se apaixonou pelo Sol e ele por ela, causando a ira da Lua. Enciumada, a Lua se queixou ao deus Tupã, que decidiu erguer uma enorme montanha e prender dentro dela a indiazinha. De tanta tristeza, o Sol sangrou o poente. A Lua arrependida, chorou as constelações ao ver a dor de seu amado. Conforme a lenda, desde então, todos os dias quando o Sol nasce, a princesa chora de saudades, parando apenas quando o Sol se põe. Suas lágrimas formam as nascentes, córregos e rios da serra. Daí Amantikir-“a montanha que chora” (que tornou-se Mantiqueira na pronúncia dos lusitanos).

Saímos cansados, mas encantados, e pedimos ao Leandro nos levar ao banco no bairro central: Abernéssia. Depois, nos deixou no centrinho de Capivari. Antes tiramos fotos no Portal da cidade. Valeu demais o passeio, cada tostão foi bem aproveitado. Confesso a vocês que foi o Bambuí a preencher meu coração de felicidade.

Almoçamos no Esquina do Djalma: truta com legumes e batata souté de novo. Truta, como não aproveitar? O garçom Flávio. Endereço: rua Djalma Forjaz, 149. Dia muito produtivo.

Na pousada La Toscana (rua Eurico Sodré, 270) chegamos na hora do lanche da tarde: bolo de coco e de banana, esplêndido. Molhado com casquinha, tendo característica de pudim. Um sonho. À noite não quisemos enfrentar o frio da noite e nem a subida íngreme do centrinho para a pousada, logo ficamos na pousada mesmo tomando leite quente com canela e achocolatado, e bolo de banana de novo e biscoitos Bauducco (do Carlos). Viva a pousada.

Dia 18 de março de 2026, dia de partida. A Cibele e Daniele na recepção. Almoço no Truta e Cia. no centrinho de Capivari, um self-service muito bom, com pessoas da terra. Repetimos a dose, porque gostamos. Provei o guaraná do sul de Minas, Guaranila, e gostei. Endereço: rua Engenheiro Diogo de Carvalho, 47.

O Ramon, do transfer, nos pegou no carro dele e fomos juntos a um casal de Fortaleza-Ce. Uma animação a viagem de 2 h até o aeroporto de Guarulhos. Papo bom. Retornamos de GOL e tudo deu certo. Agradeço também à Patrícia da CVC-Del Paseo pelo apoio. Fim de uma viagem mágica.

Campos do Jordão para conhecer-Mosteiro de São João e Museu Felícia Leirner-dia 4

Campos do Jordão para conhecer-Mosteiro de São João e Museu Felícia Leirner-dia 4

Hoje é terça-feira, dia 17 de março de 2026. O dia será intenso com vários passeios, estamos com o Leandro, nosso guia, conforme combinado no dia anterior, @leandrocitytour.

Começamos o dia com o café da manhã na pousada La Toscana só pra nós. O Leandro nos pega às 9 h e vai nos contando como é a cidade de Campos do Jordão no seu dia a dia. Há bombeiros, polícia militar e civil, hospital, mas sem UTI, somente em Taubaté, cidade a 55 km de distância. Condomínios por lei só de 4 andares. Bistrô/café em estilo francês Sans Souci, cafeteria mineira: Empório Recanto de Minas. Passamos pelo centro da cidade: Abernéssia. Bem ajeitado. Os nativos moram no local. A cidade tem 48 mil habitantes.

O Carlos e eu no Mosteiro de São João-Campos do Jordão-São Paulo-foto tirada pelo guia Leandro

Chegamos ao Mosteiro de São João, de freiras beneditinas. A entrada é uma floresta, tem um lago com carpas coloridas, o lugar transmite paz. A natureza é bem cuidada, com jardins, árvores, tranquilidade. Gruta Nossa Senhora de Lourdes com a sua imagem. Igreja com acústica diferenciada. As freiras estavam rezando com os cânticos: Preces Orações. Cantos gregorianos são ouvidos de manhã e de tarde. Santa Escolástica e são Benedito na parede.

A estrutura do mosteiro é de tijolo à vista e na madeira, possui café, bazar e lojinha com produtos da terra: castanhas, pães, doces, Geleia das Monjas Beneditinas, além de santinhos, almofadas de santos e muito mais. Está lá escrito: “Ora et labora”. Vale a pena conhecer. É um lugar turístico da cidade.

De lá rumamos ao museu Felícia Leirner. No mesmo espaço também se encontra o auditório Claudio Santoro, onde ocorre a apresentação principal do famoso Festival de Inverno todo ano em julho. Concertos de música clássica e também de outros espetáculos e eventos. Outra atração que se vê do local é o Mirante do Baú.

Vamos subindo a serra e conhecendo a Vila Santo Antônio, uma comunidade. O guia nos explica que é seguro cruzar. Acrescenta que “ninguém mexe com ninguém”. Viajar no Brasil requer saber sobre segurança. Ele comenta a respeito da casa de Paulo Maluf, ex-político. Palácio Boa Vista, do governador, com heliporto. Monumento de visitação pública (parte dele é um museu). Alto da Boa Vista. Com condomínios na área. Em Campos do Jordão, tudo que é alto, é nobre: Alto Capivari, Alto da Vila Inglesa, Alto da Boa Vista.

Chegamos. De graça para professores. Um espaço aberto gigantesco com árvores e esculturas. As araucárias dão o toque de beleza. O Leandro ficou nos esperando e nos deixando à vontade. No Centro de Pesquisa e Referência, com biblioteca e obras de escultura, há totens explicativos sobre a artista Felícia Leirner, sua história e a de algumas obras. Confesso que não a conhecia, que pessoa fenomenal. Vemos a obra “Cabeça de Alfredo Landau”, de bronze. As esculturas expostas ao ar livre estão no que era o quintal da casa dela. Viajar é aprender muito.

Ali se situa o auditório Claudio Santoro e um café literário. “Claudio” sem acento mesmo. No auditório se escuta Johann Sebastian Bach, um dos meus preferidos compositores clássicos. Falando um pouco sobre quem foi Claudio Santoro. De acordo com o folder, nasceu em Manaus em 1919, tendo sido um dos mais inquietos e polivalentes músicos do nosso tempo. Recebeu inúmeras premiações e condecorações, foi regente convidado das mais importantes orquestras do Brasil e do mundo. Após sua morte, o governo de São Paulo mudou o nome do auditório Campos do Jordão para Claudio Santoro.

Um pouco sobre este auditório tão impactante. Considerado majestoso, de acordo com o mesmo informativo, foi inaugurado em 1979. Tem capacidade para receber até 820 espectadores, sendo 814 assentos e 6 espaços para cadeirantes. Sua arquitetura moderna mistura elementos rústicos com grandes paredes de vidro que valorizam a luz natural e a paisagem do entorno, sem deixar de cuidar do conforto do público. No palco há fosso para orquestra. Nos bastidores, amplos camarins, salas de ensaio e áreas técnicas. Ou seja, é um auditório moderno que também pensa em acessibilidade para necessidades específicas.

Um pouco sobre o festival de inverno. Segundo o site www.festivalcamposdojordao.org.br, o festival terá mais de 80 apresentações gratuitas. Ocorre este ano de 2026 de 4 de julho a 2 de agosto. A abertura acontece no parque Capivari com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) e montagem de “A Flauta Mágica”, de Mozart, no auditório Claudio Santoro.

Saímos do auditório e fomos ao espaço aberto. Estávamos com um mapa/folder. Há três tipos de trajeto: o verde (fácil de locomoção/438 m), o amarelo (intermediário/813 m) e o vermelho (difícil/278 m), uma vez que há subidas e descidas íngremes, e trechos com obstáculos e escadas. A gente caminha muito, tem que ter joelho bom. Por conta do tempo, queríamos ter uma boa ideia, mas não fizemos o percurso completo. Ainda muito a passear pelos afamados parques de Campos do Jordão.

Obras e obras de Felícia Leirner. Divididas por fases: Figurativa, A Caminho da Abstração, Orgânica e Recortes na paisagem. É imperdível. Esculturas de bronze, cimento branco armado com ferro, granito e gesso. Achei tudo um trabalho a ser admirado. Na fase Orgânica/“Um caminho no meio da floresta”, nos deparamos com as obras Habitáculo II, de 1966/67. Parecem casas de gesso. Habitáculo V. Lembra a Casapueblo, em Punta Ballena, Piriápolis, Uruguai. Do artista Carlos Páez Vilaró. Como explicar? A sensação de algo que vemos e nos remete no momento a um local conhecido. Tenho muito esses insights em viagens.

A última fase Recortes na Paisagem. De 1980/82, arte semiótica, tem a obra Composição, em cima do monte e O Pássaro, de 1970. Gostei de O Anjo, da fase Orgânica, de 1969, e de O Segredo, da mesma fase, de 1969. Na fase figurativa, “Mulher Reclinada” e Moça Sentada II, esculturas de bronze, de 1950/1955. Em suma, fiquei maravilhada.

Ufa! Requer esforço subir o morro no sol, nas sombras, o clima é bem mais agradável. Não posso deixar de dizer quem foi Felícia Leirner. Nasceu em Varsóvia, na Polônia em 1904, veio para o Brasil em 1927. O informe nos conta que adotou o país como sua pátria. A paixão por animais e pela natureza era uma característica marcante da personalidade e da obra da artista. Em 1962, mudou-se para Campos do Jordão para viver junto à natureza. Conquistou diversos prêmios nacionais e internacionais ao longo de sua vida. A partir de 1979, quando o museu foi inaugurado, ainda aumentou sua coleção que pode ser vista atualmente. Faleceu em 1996, aos 92 anos de idade.

A área onde estão o museu e o auditório é um importante remanescente da Mata Atlântica. Apresenta uma rica diversidade biológica. São pelo menos 110 espécies de plantas, algumas árvores medem 25 m de altura, 92 espécies de aves e 10 espécies de mamíferos.

São administrados pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari).

O folder completa que o museu Felícia Leirner tem ao todo 88 esculturas, sendo 44 produzidas em bronze, 41 em cimento branco, 2 em granito e 1 em gesso. É uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e tornou-se uma das maiores atrações culturais de Campos do Jordão.

Prosseguiremos em breve com o Mirante do Baú e mais lugares para conhecer.

Campos do Jordão para conhecer-Centro de Memória Ferroviária e teleférico-dia 2

Campos do Jordão para conhecer-Centro de Memória Ferroviária e teleférico-dia 2

Hoje é dia 15 de março de 2026. Fizemos o passeio de trenzinho turístico e agora estamos no parque Capivari, onde há uma roda gigante, um lago com pedalinhos e o Centro de Memória Ferroviária. É um museu com a exposição do bonde que ia até o Portal de entrada da cidade. Vemos o relógio de ponto e o famoso trenzinho que ia até outras cidades. Está parado desde 2017 e, segundo nos disseram no museu, vai à leilão para uma futura concessão.

Vemos fotos de trens e muito da história ferroviária da cidade e arredores. A construção do sanatório em Campos do Jordão foi em 1900, sugestão do médico Clemente Ferreira que exerceu importante papel no controle da tuberculose em São Paulo e pensou em uma estrada de ferro para ligar a estação de cura a um ponto no Vale do Paraíba. Havia muito a imprensa difundia a ótima qualidade do clima e as belezas naturais da região da serra da Mantiqueira, igualando-a às das melhores estações de descanso e cura europeias.

Telefones da época expostos. Emílio Ribas, patrono da saúde do estado de São Paulo. Acompanhado de Victor Godinho, fundou a Estrada de Ferro Campos do Jordão, inaugurada em 15 de novembro de 1914.

Maquetes do trem e bonde, informes sobre a história e personagens importantes relativos à cidade e sua ferrovia, fotos. Em um painel está escrito: “Estações, paradas e estribos”. São as estações: Pindamonhangaba (sede), Expedicionária, Piracuama, Eugênio Lèfevre, Abernéssia e Emílio Ribas, com muitas paradas. Primeiro carro de passageiro de 1917, ferramentas e peças da Estrada de Ferro Campos do Jordão que funcionou de 1914 a 2014. Vale a visita.

Saímos do museu e nos dirigimos à estação ferroviária que está fechada por tempo indeterminado, na espera pelo trem que virá. Fotos de Emílio Marcondes Ribas e Victor Godinho. Dá para entrar, embora não tenha nada. Tudo é bonito nos arredores.

Estamos no parque Capivari, um lugar repleto de entretenimento. Espaço Aventura com arvorismo e escalada. Agora, teleférico rumo ao Morro dos Macacos (de 2022). Compramos os bilhetes nas máquinas, existem ajudantes. De R$49,50 em diante. Subimos e na parte alta, música com DJ e lojas de pedras, quiosques de chocolate, sidra e vinho quentes. Pastelão do Maluf, chope Baden Baden. Mais, crepes e churros, e Gold Cooper (fondue e gelato). Copo com pedaços de morango, sorvete de maracujá, chocolate brownie e creme. Tentação total. Uau! e com calda de chocolate. Haja caminhada depois… Fiquei cheia. O mirante dá para ver toda a cidade e ainda conhecemos um casal de Fortaleza: a Rosa e o marido português. Também turistas encantados como nós. O mundo é pequeno. A estação é TOP, como se diz, muito agradável de se estar. Muita gente se divertindo, batendo papo, ouvindo música. Uma delícia. Depois de tanto deslumbre, descemos de volta no parque Capivari e encontramos um trailer estilizado São Benedito. Compramos um misto quente para o nosso jantar. De pão bola e recheio de queijo e presunto, sem ser prensado. Para mim, novidade. Gostei de um quiosque original Vinho Até Você com espumantes, vinhos, bebidas, muito convidativo.

Retornamos à pousada La Toscana a pé. O bom de Capivari é ser tudo perto. Vemos prédios baixos, lindos com varandas em madeira. E casas amplas, com muros verdes ou daqueles que dá para admirar as residências das pessoas, ruas arborizadas de plátanos. Folhas nas calçadas. Recordei-me de Puerto Varas na Patagônia chilena. Campos do Jordão, uma formosura de cidade.

Passamos pelo prédio conhecido como Vila Holandesa, uma maravilha. Com moinho de vento para os viajantes maravilhados tirarem fotos. Imagine morar em um lugar desses? Paraíso. Na esquina da rua Dr. Plínio Barbosa com rua Eurico Sodré. Caminho da nossa pousada. Fizemos uma ótima escolha de localização. Chegamos à La Toscana às 16h45 direto para o chá da tarde: bolo de aipim (macaxeira) e de maçã sem açúcar, e café com leite. Bom demais.

Um pouco de história sempre nos ensina muito. A Wikipédia nos conta que Mateus da Costa Pinto adquiriu parte das terras do brigadeiro Jordão e se transfere de Pindamonhangaba (SP) para Campos do Jordão, onde em 29 de abril de 1874 deu início a inúmeras construções, fundando o primeiro povoado. Em 1891, o dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho comprou todas as terras de Mateus Pinto e instalou-se na vila de São Mateus, que em sua homenagem foi chamada de Vila Jaguaribe. Já em 29 de outubro de 1915, iniciou-se a construção da Vila Abernéssia onde estavam localizados os sanatórios dos doentes de pulmão. Em 1920 foi iniciada a construção da Vila Emílio Ribas. A emancipação da cidade ocorreu em 19 de junho de 1934. A partir da década de 1950, o avanço da medicina fez com que a tuberculose deixasse de ser uma doença tão perigosa e com isso, a cidade passou a desenvolver o turismo.

Um detalhe sobre o clima em março: à noite esfria, de dia se estiver ensolarado esquenta.

Continuaremos em breve.

Peru surpreendente-Cusco-Machu Picchu 2-dia 8

Peru surpreendente-Cusco-Machu Picchu 2-dia 8

Machu Picchu-Cusco-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é dia 12 de maio de 2024, continuamos na nossa excursão por Machu Picchu. Estamos no meio da cidade perdida dos incas. Segundo o blog www.historiadomundo.com.br, foi construída no século XV, possivelmente durante o reinado de Pachacuti (de 1438 a 1471), e abandonada no séc. XVI. Os historiadores acreditam que era um local sagrado relacionado com o deus Inti (o deus Sol), além de ser refúgio do imperador inca.

Em 1981, Machu Picchu foi considerada um patrimônio histórico peruano, e desde 1983, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Desde 2007, uma das sete Maravilhas do Mundo Moderno. O site www.machupicchuterra.com adiciona que se localiza no Vale do Rio Urubamba, no Vale Sagrado dos Incas.

O santuário natural da cidadela inca tem 32.592 hectares. A flora e fauna são riquíssimas. De acordo com o Google.com, são 400 espécies de orquídeas, bromélias, samambaias. Árvores: o loureiro, a intimpa (conífera endêmica da região andina), o cipreste português etc. Animais: o urso-de-óculos (urso andino), raposas andinas, viscachas (parecem coelhos, pequenos roedores da América do Sul), macacos bugios, veados-da-cauda-branca etc. Aves: condor andino (com as asas abertas mede 3,3 metros), beija-flores, papagaios, e a ave nacional do país: o galo-da-serra andino, além de mais de 300 tipos de borboletas. O santuário é Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade pela UNESCO.

Estamos com o grupo e com o guia Marcial no meio de Machu Picchu. Dia quente, sol a pino, o chapéu é obrigatório e os óculos escuros também. Estamos na praça Sagrada. No templo do deus Wiracocha, nas janelas se colecionava estátuas de ouro. Eram formadas como o jogo Lego. As três janelas significavam os três mundos andinos: em cima, no meio e embaixo. A Cruz Andina embaixo da terra representava a sombra, a outra metade, a luz. Sempre a dualidade: sol/lua; branco/preto. Movimento circular, acreditavam na reencarnação. O site www.ingressomachupicchu.com nos conta que a adoração ao deus Wiracocha é muito anterior aos Incas, na cultura Caral (3.000 a.C. a 1.800 a.C.) e também que para a maioria das culturas andinas, é creditado por criar o mundo, o sol, a lua, as estrelas, e todo o universo.

Vemos um pequeno anfiteatro com eco. Imaginem tambores, cantores e danças no local, era assim. Na Montanha Jovem ou Huayna Picchu, as pessoas podem escalar, porém é íngreme. O Templo do Sol foi feito sem argamassa, a água só foi usada para esse fim tempos depois. Pedra e argila. Calhas d´água, construções em forma de trapézio, retangular contra sismos. O que está acabado foi pelo tempo. Templo do Sol, calendário inca, relógio. Tahuantisuyo era o nome do império inca, foram 14 governantes. O site www.bing.com acrescenta que é um recinto sagrado erigido pelos incas para render homenagem e dar oferendas ao Sol, a máxima deidade para eles. Esse templo localizado no setor religioso de Machu Picchu é a única obra da cidade com forma circular e foi erguido com blocos de granito do estilo imperial inca. Era decorado com ornamentos de ouro e prata. O templo era também um observatório astronômico, de onde podiam determinar a chegada dos solstícios e as mudanças sazonais.

O guia Marcial fala sobre a importância do escritor e cronista peruano, nascido em Cusco, Inca Garcilaso de la Vega. Segundo http://www.bing.com, filho de um capitão espanhol e de uma princesa inca. Foi um personagem fundamental na história e literatura do país. Escreveu “Comentarios Reales de los Incas”.

Nosso grupo era composto de amantes de viagens, batemos altos papos sobre o assunto. Grupo pequeno: a maioria brasileiros e uma espanhola (Justi). Acabou o passeio, saímos, foi divino. A fila grande para pegar um ônibus de volta à estação de Águas Calientes na cidade de Machu Picchu Pueblo. Muito calor. E nós segurando os casacos não foi confortável. A gente sai de Cusco de madrugada com frio e voltamos no calor. Ossos do ofício de quem é aventureiro. Os banheiros são na entrada ou saída, 2 soles PEN (R$3,13) para banheiros, 5 soles PEN (R$7,82) para guardar roupas ou objetos. Fila para banheiros, em Machu Picchu não existem. Muita gente, guias mil, caminhos lotados. Sol, calor, ufa! Protetor solar e repelentes obrigatórios. Os mosquitos são uma realidade.

Machu Picchu Pueblo-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Fomos de ônibus à cidade de Machu Picchu Pueblo. Tínhamos umas 5 h para almoçar e aproveitar. Em muitos locais agradam o turista carimbando os passaportes com fotos de Machu Picchu, achei uma simpatia essa atitude. Decidimos almoçar no restaurante Kaymanka (602, Calle Imperio de los Incas) com buffet e sobremesa. Pedi um Ginger Ale (refrigerante de gengibre), amo!! Estavam comigo e com o Carlos, os pernambucanos Alberto Cajueiro, Pedro e Luciana e o mineiro Felipe. Isso de conhecermos gente interessante em viagens não tem preço.

Conforme a Wikipédia, Machu Picchu Pueblo, também é conhecida como Águas Calientes, o motivo é por existirem fontes termais na localidade, ou seja, “águas quentes”, em português.

Rio Urubamba passando por Machu Picchu Pueblo-foto tirada por Mônica D. Furtado

Passeamos pela cidade, com a praça principal, igreja Virgen del Carmen, feira de artesanato, lojas, o rio Urubamba que corta o povoado, hotéis e restaurantes, um charme. No centro mais uma estátua de um governante inca: Pachacutec (o nono governante, de 1438 a 1471), conhecido por ter liderado a defesa de Cusco contra os Chancas e por ter ordenado a edificação de Machu Picchu e de várias outras construções importantes do império (fonte: http://www.bing.com).

Às 18h10 saía o trem panorâmico VISTADOME da Peru Rail, chique que só. Pena ser quase de noite, perdemos muito do visual das amplas janelas. Só um vagão era assim. 1h30 até a estação Ollantaytambo, depois de van para Cusco, o caminho inverso. Vamos chegar tarde em Cusco, ainda bem que tomamos uma vitamina (leite com a fruta) de morango e chocolate. O trem vai de 30 a 45 km/h.

O vagão tem toalhas decorativas nas mesas. Com apresentação de dança e música andina, serviço de bordo com kit de barrinha e biscoito de quinoa, e chá ou café. Fizeram desfile de roupas, os próprios atendentes, com roupas de alpaca, belas, que vontade de comprar todas… Muito divertido, delirei! O guia Marcial explica que a região é de sincretismo religioso: a igreja católica com a filosofia andina. E enfatiza que não eram índios os incas, eram andinos. Seus descendentes, porém, parecem muito com nossos indígenas do Amazonas.

Também faziam parte do grupo a Lurdes e outras pessoas. Trocamos telefones e formamos um grupo no Whatsapp até hoje. Saudações a vocês. Chegamos a Cusco mais de 22 h, cansados, mas felizes.

Dia 13 de maio de 2024. Café da manhã no hotel Tampu. Café com pipoca doce, quinoa, fruta, pão mais duro (saudável), geleia azedinha de saúco (a fruta do sabugueiro). O povo amável do hotel nos deixa ficar um pouquinho mais, sairíamos às 12h40. Obrigada ao Bernard, Neli e Aleli, um estafe querido. Saímos para comer algo antes do aeroporto. Fomos ao Plaza Café (Portal de Comercio, 117) e pedimos vitamina de morango e empanadas de frango por 35 soles PEN (R$54,75).

A impressão do Peru foi magnífica, povo amável e caloroso. O motorista do transfer já trouxe os cartões de embarque prontos, conversa boa. Ele nos disse que no ano anterior houve três sismos de pouca intensidade em Cusco. Algo raro. Detalhe: para quem quer pedir as milhas contabilizadas, o guichê é específico no aeroporto. Tem um caramelo de coca para doença de altitude. Na espera pelo avião a Lima, fiquei conversando com um casal idoso de americanos da Geórgia/Flórida, casal bonito e simpático, ela se sentindo mal, por conta da altitude. O voo atrasou, pra piorar o estado dela. Aí serviram chocolates La Iberica e água. Já em Lima, comemos no aeroporto e bebemos a cerveja deles, Cusqueña Negra. Ótima. A americana estava 100 % melhor ao chegar. Fiquei satisfeita.

Que viagem! Recomendo demais! Cultura inigualável.

Peru surpreendente-Cusco-Machu Picchu 1-dia 8

Peru surpreendente-Cusco-Machu Picchu 1-dia 8

Machu Picchu-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é dia 12 de maio de 2024, data especial, pois vamos finalmente pisar no sítio arqueológico mais famoso do mundo. Saímos do hotel Tampu em Cusco às 5h25, o guia nos colocou na van com outros brasileiros. Estávamos com o kit do café da manhã que havíamos pedido no dia anterior. Gostei da ideia: 2 balas de chicha morada, suco, bolachas e maçã. Fomos pela agência Condor Travel (em conjunto com a CVC brasileira). O guia dá informações e dicas. Detalhe: o passeio já estava pago. Compramos junto com o pacote turístico em Fortaleza-Ceará.

Vamos em direção à estação de trens e temos que procurar o vagão 83 logo. O trem sai pontualmente, não espera. De Cusco rumamos à estação Ollantaytambo, 1h40 min para chegar lá. No caminho passamos por Poroy (distrito de Cusco) e outras localidades. Anta é uma municipalidade maior. Estamos abaixo do nível das montanhas, a estrada é esburacada, as montanhas verdes. Vemos plantações de milho e criações de gado pelo percurso. Depois vem o asfalto e melhora a estrada, vamos circundando a Cordilheira dos Andes, uma beleza! Passamos por mais um sítio arqueológico, o rio Urubamba à esquerda nos acompanha.

Estação de trem de Ollantaytambo-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Pinturas rupestres, muro pré-hispânico. Tomamos o café da manhã no trem. Localidade: Pachar, Ollantaytambo, cidade inca. A montanha Ollantaytambo tem 2792 m. Estrada de pedra. Chegamos à estação. Entramos com informações, o povo é solícito. Fomos para a área de espera tomar café para acordar. Dentro do trem anterior havia um grupo musical com apresentação de dança, vestidos com roupas típicas, quando desembarcaram saíram cantando e dançando na estação. Uma graça. Estação pequena com muita gente. Já chegamos impactados.

Conhecemos um casal da província de Buenos Aires com o mate tradicional. E a boa família de Pernambuco do nosso grupo, Cajueiro e família, que sentaram ao nosso lado no novo trem panorâmico que pegamos. Perurail Expedition, vagão 83, nossos assentos 37 e 38. Cada vagão tem um responsável, se vestem elegantemente. Destino final: Machu Picchu Águas Calientes. Informações em inglês e espanhol. A velocidade é de 30 a 45 km/h por conta das características geográficas. Tem serviço de bordo: de graça só água, o café custa 10 soles PEN (R$15,72).

Montanhas no caminho a Machu Picchu-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

No km 82 da Trilha Inca ou Picacucho Inca, um posto de controle. Antigamente os incas faziam o caminho a pé, eram uns 4 dias de caminhada até Machu Picchu. Estamos em uma altura de 2709 m. Essa trilha original tem 500 anos. Há terraços de agricultura cultivadas: batatas, verduras e milho. Rio Urubamba. Orquídeas perto da trilha do trem, já cerca do sítio arqueológico. A Cordilheira dos Andes é bela. O mês de julho é seco, não neva nas montanhas.

Na estação de Águas Calientes, o guia da Condor Travel, Marcial, estava nos esperando e nos encaminhou para o ônibus. Tudo muito controlado, pois é multidão ao redor. Uns 25 minutos de trajeto, um ônibus atrás do outro. O rio nos acompanha. No meio da floresta, fontes de água, que lindo. Estamos a 2430 m. O lugar intacto, subida difícil, estamos exaustos, enfim Machu Picchu! A trilha feita para turistas foi feita em 1995, sim, há corajosos ou doidos que fazem o caminho a pé. Ufa!

Machu Picchu é um santuário natural. São 32.592 hectares, área que inclui a cidade inca e as montanhas circundantes. É proibido pegar rochas, o lugar todo é protegido. Há flora e fauna variadas. Cuidado que as lhamas cospem.

Há a plataforma baixa, mas os incas se protegiam em locais altos, a natureza os protegia. Machu Picchu, a cidade perdida dos incas, é incrível. Patayata, cidade de escadas. Íngreme, perigoso. A cultura andina englobava Colômbia, Peru, Chile, Argentina, Equador e Venezuela. Kosko era o centro do mundo andino. Longe de Cusco, encontra-se água nas nascentes atrás das montanhas. Os aquedutos traziam água das montanhas. Água potável nas temperaturas de 5° a 15° C.

Montanhas de granito. Terra limpa com pedra. A terra treme com sismos. Local seguro, isolado. Pela trilha original se passa na Porta del Sol Inti Punku, um caminho secreto à época. O site www.ingressomahupicchu.com nos diz que Inti Punku era o portão de entrada e controle de Machu Picchu. Essa construção inca está localizada no ponto mais alto da cidadela, cujo acesso é feito através das estradas incas. Localiza-se a 2 km do sítio arqueológico e tem 2745 m acima do nível do mar. Consiste em paredes de pedra, janelas, nichos e caminhos. De lá, você tem uma bela vista panorâmica do complexo arqueológico e das montanhas ao redor.

O líder inca incorporava outras tribos, matava os governantes. Fugiam dos espanhóis, aliás eles não chegaram aqui, conforme o guia. Na porta de ingresso moravam crianças. Vemos terraços para agricultura, de pedra e argila que também eram para defesa. Boa terra para plantações de batatas, quinoa, folhas de coca etc. Por 400 anos os incas se estabeleceram em Machu Picchu. Lugar de quebrar pedras de hematita (60% ferro). Quebravam pedra com pedra, embaixo calor, em cima água gelada.

De acordo com www.bing.com, quem descobriu Machu Picchu foi Hiram Bingham, um antropólogo norte-americano, em 1911, durante uma expedição. Contribuiu para o reconhecimento de seu valor histórico e arqueológico. Já o guia nos conta que por três anos ele levou caixas e caixas para os Estados Unidos e nunca retornou. Imaginam que ele tenha levado muito ouro.

3 km de granito, feito de mica, quartzo e feldspato. O local mais energético do mundo. O conjunto de culturas andinas faziam o conhecimento juntos. Traziam os melhores cérebros, tinham escola de formação em processo de construção. Não eram índios, eram andinos. Cristóvão Colombo confundiu índios das Índias Ocidentais e chamou a todos de índios. Tinham desenhos, cores, formas de comunicação, não pinturas rupestres.

O guia fala e nosso grupo vai acompanhando. Passeio que exige esforço e joelhos bons. Estamos no meio de Machu Picchu. A Cordilheira dos Andes defende o sítio em 360° C. As montanhas eram deidades, espíritos. O site www.machupicchuterra.com nos informa que a antiga cidadela inca é rodeada pelas montanhas Huayna Picchu (Montanha Jovem, em quéchua), Machu Picchu (Montanha Velha, na mesma língua) e Huchuy Picchu, uma encosta de Huayna Picchu.

Segundo o mesmo blog, Huayna Picchu está situada atrás da cidadela, tem 2693 m, sendo o cartão-postal de Machu Picchu, responsável pelas fotos icônicas do local. Já a Montanha Velha está localizada ao sul da cidade inca. Seu cume chega a 3082 m, está 600 m acima do sítio arqueológico. A cidade inca recebeu o mesmo nome da montanha, após a sua descoberta. A cidadela tem mais de 150 construções.

O blog www.historiadomundo.com.br adiciona que possuía uma infraestrutura muito rica. Tinha construções dedicadas à administração local, religiosas, residenciais, um centro para observação astronômica, fortificações militares e um espaço separado para as valas. Além de um terreno reservado para a produção agrícola que não produzia comida suficiente para alimentar toda a sua população (entre 500 e 750 pessoas). Também dispunha de um sistema de distribuição de água por meio de canais, e a região mais centralizada da cidade tinha fontes. Esses canais garantiam que quantidades suficientes de água abastecessem a cidade e sua população, além de evitar que a cidade fosse inundada e que a água da chuva ficasse represada nos terraços das casas, que poderiam ser usados para o plantio. Todas as construções foram feitas em pedra, sendo utilizado o granito. As pedras foram encaixadas umas nas outras, e os pesquisadores falam que, em certos pontos, o encaixe é tão perfeito que nem uma faca consegue penetrar. A composição foi realizada sem nenhum tipo de argamassa.

Continuaremos nossa jornada nesse local sagrado para os incas em breve.

Peru surpreendente-distrito de Barranco-Lima-dia 4

Peru surpreendente-distrito de Barranco-Lima-dia 4

Hoje é quarta-feira, dia 8 de maio de 2024. Estamos no hotel Ibis Lima Miraflores no café da manhã, sempre com novidades: suflê de quinoa, frango salteado, uma fruta chamada de tuna ou figo-da-índia e muito mais. De sobremesa, um flan de baunilha delicioso.

Vamos conhecer um bairro peculiar por ser artístico, dos mais tradicionais e charmosos da cidade: Barranco. A Norma taxista nos leva por 18 soles PEN (R$27,70). Pedimos no hotel, há um guichê na entrada só pra isso. Como já dei aula de inglês para taxistas, simpatizo muito com eles. São bem informados. O trânsito não é fácil, a gasolina é vendida por galão, 4 soles PEN (R$6,16).

Eu no lindo bairro de Barranco-Lima-Peru-foto tirada por Carlos Alencar

Chegamos ao distrito afamado. Que região mais agradável com a praça Villa Real, florida, com palmeiras reais e outras árvores. Em cada uma, uma placa com seu nome, altamente informativo. Em uma está escrito: Cúidame! Gostei. La Ermita de Barranco, do séc. XVIII, é a igreja amarela, cuja estrutura se danificou em 1974 devido a um terremoto. Permanece fechada desde então. Começou como uma capela de humildes pescadores e viajantes. Acompanhou a história do bairro. Tem enorme população de pássaros negros habitando as torres e o telhado, de acordo com o blog www.fuiserviajante.com. Também acrescenta que há portas e varandas de casarões antigos com pisos de ladrilhos. E um mirante atrás da igreja com uma linda vista do Pacífico, mais um lugar onde impera a beleza decadente do bairro.

Monumento histórico Mensageiro da Paz. Vemos a estátua da cantora folclorista Chabuca Granda e a do homem a cavalo José Antonio Lavalle (diplomata, historiador e literata do séc.XIX). A Ponte dos Suspiros, de 1876, carregada de história e beleza, no meio do parque Húsares de Junín, com casas coloridas, restaurantes, cafés, igreja colapsada, galerias de arte. Delícia de passeio. Tudo gracioso, bucólico. Vemos uma mistura de arte e boemia pelas ruas.

Barranco e sua originalidade-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

O Barranco, no séc. XIX, era conhecido como a Cidade dos Moinhos graças à quantidade de moinhos usados para extrair água do subsolo (fonte: https://fatimarodriguez.blogspot.com). As galerias de arte valem a visita. A peruana Jade Rivera, artista plástica internacional, com seus trabalhos importantes. Belos. Pinta flores e colibris, murais belíssimos e máscaras coloridas. Comprei dois postais por 16 soles PEN. Farei quadros.

Subimos para a parte mais alta pela passagem Chabuca Granda e passamos por quiosque de informação, restaurantes, feira artesanal. O bairro é diferente, original com muros pintados. A sorveteria Speciale, com lustres, cadeiras e mesas bonitas, um lugar atraente.

Casas de cores diversas com balcões coloniais e floridos, lembra um pouco Cartagena das Índias na Colômbia. Bairro calmo. Ótimo para as caminhadas turísticas. Aviso no poste: Proibido beber bebidas alcoólicas na via pública. Multa de 247,50 soles PEN (R$379,94).

Descemos pelo caminho chamado de Bajada de Baños (Descida de Banhos) com escadas mil para a praia. Há um mirante antes da avenida e embaixo uma pracinha. Por uma passarela de madeira se chega à praia Barranco, não atravessamos a avenida. O blog www.fuiserviajante.com nos conta ser um cenário bucólico de uma praia de pedras negras e mar gelado do oceano. O mergulho é proibido no mar com aviso.

Barranco e sua praia-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

O tempo nublado. Vemos o farol branco, a marina com iates, a pracinha da orla bem cuidada, praia de cor azul escura com pedras. Dá gosto de ver tanto zelo. Há píeres no mar. A montanha, ao lado direito, de argila com pedras e uma rede protegendo para evitar que elas caiam lá embaixo e pegue os carros em movimento.

A feira de artesanato Pachamama Cultura e Arte oferece comidas e artesanato andino. Praça da Biblioteca Municipal no Parque Municipal, com bancos, tranquilidade, idosos sentados. Coreto. Calçadão na avenida Pedro de Osma. Do outro lado da praça um Starbucks, bom para um café expresso duplo por 7 soles PEN (R$10,74). Também há outros restaurantes como o Papa John´s, o Coffee e Pizza e o KFC.

Manhã imperdível. O bairro me lembra a calmaria da Urca no Rio de Janeiro. A gente escuta os passarinhos, se deleita com a paisagem, vê a vida passar na paz.

À tarde passeio no Museo de Oro y Armas del Mundo (Museu do Ouro e Armas do Mundo).

Marrocos colorido-Zaida, Midelt, Rich e Errachidia até Erfoud-dia 4

Marrocos colorido-Zaida, Midelt, Rich e Errachidia até Erfoud-dia 4

Hoje é dia 7 de novembro de 2024. Saímos de Fez, já passamos por Ifrane e cruzaremos as cidades de Zaida, Midelt, Rich e Errachidia antes de alcançar Erfoud.

Chegamos a Zaida, cidade de cor amarela, bem desértica, portão do deserto do Saara para os viajantes que vêm de Merzouga e região de Tafilalet. Maçãs por todo o lado. A rua principal com mercados na calçada e restaurantes nos dois lados da rua. Que visual mais diferente de deserto. O guia Abdul comprou maçãs verdes e vermelhas para nós todos, uma atitude simpática. Maçãs deliciosas.

Segundo a Wikipédia, Zaida é uma aldeia berbere na região centro-oeste do Marrocos. Está localizada a 30 km a sudeste da cidade de Midelt e é conhecida pela produção de maçãs. A maioria dos habitantes é de agricultores.

Paramos no Café Restaurant 7 (Ait Ayacherp, 13), endereço: 23 km entre Midelt e Zaida 54375, para café e banhos. Ainda não para almoço. Tomamos um café americano por 20DH (R$11,71) a fim de enganar a fome. Entramos na zona militar, há um presídio à esquerda.

Próxima cidade: Midelt. Vemos o Hotel Taddart, uma fortaleza ou kasbah em árabe, construção do sul. Deserto, calor, a cadeia montanhosa Atlas à vista. Passamos por uma alameda com árvores dos dois lados, controle policial. No Marrocos, as entradas das cidades têm fontes de água com símbolos de frutas, no caso, a maçã. Muito criativo. Vimos um hospital, lojas, prédios, bancos, alamedas, casas quadradas de cor amarela de adobe. Os muros são trabalhados. Fora das casas 40° C e dentro 20° C. As escolas são coloridas, a cidade é grande, toda no adobe. Lembra São Pedro do Atacama no Chile. Há estação de trem e ponte com luminárias e bandeiras. Considero tudo gracioso.

De acordo com a Wikipédia, Midelt é uma cidade no centro do Marrocos, capital da província homônima, que faz parte da região de Meknès-Tafilalet. Situada na junção dos maciços montanhosos do Médio Atlas e do Alto Atlas Oriental, a 1520 m de altitude, tendo por fundo o imponente Jbel Ayachi, um pico que se ergue a 3757 m de altitude, Midelt encontra-se a 190 km a sudeste de Meknès, a 200 km a sul de Fez e a 140 km a norte noroeste de Errachidia. Uma curiosidade: no sul do país está o pico mais alto Jbel Toubkal a 4167 m.

Rumamos ao sul, as montanhas ficam mais avermelhadas. No Atlas, ao norte não neva, ao sul, sim. Sinto falta de placas de trânsito na estrada com distâncias e direções das cidades. Vemos a primeira usina de energia, lá adiante à esquerda energia eólica. Montanhas rochosas, subimos a 1907 m, depois descemos em pista dupla. Que fome! São 12h45 e nós na estrada. Deserto com plantas baixas e o Atlas à frente sem neve.

Montanhas caracoles, ou seja, em forma de caracol. Vimos nômades no rio seco que só tem água quando chove. Essa água não é usada para agricultura, porque tem enxofre. Casas maiores e mais baratas na região. A água pura utilizada pela população é de água vinda da montanha. A eletricidade vem da energia solar, no local, muito frio. De 6 anos para cá, ocorreram mudanças na região com a plantação de oliveiras. Muitas macieiras e outras árvores.

O rio de água quente com enxofre à direita, bom para pessoas com reumatismo e problemas de articulação se banharem. Um oásis ao lado. O governo paga a escavação de muitos poços para a população, afinal estamos no deserto. Cabras, e casas com mais de 2/3 das famílias nelas. País organizado. Compram petróleo do Catar e da Rússia, além de outros países. Testemunhamos mulheres lavando roupas no rio. Zona militar, porque é perto da fronteira com a Argélia. Vemos uma mesquita.

Enfim, almoço em Rich, umas 14 h, estávamos esfomeados! Rich é uma cidade na província de Midelt, região de Drâa-Tafilalet. Anteriormente, pertencia à província de Errachidia, mas desde 2009 faz parte da província de Midelt, diz a Wikipédia. No Café Salama, comida prato executivo: frango assado, legumes, arroz e batata-doce. Levemente apimentado, típico. Na frente do restaurante, uma tenda de um tuareg, feita de pele de dromedário negro. Tuareg, explica a Wikipédia, são do grupo étnico “berberes”, tradicionalmente, pastores nômades, que habitam o deserto do Saara, da Líbia à Nigéria.

Pós-almoço vemos o Grand Canyon do Marrocos. Túnel Zaabal, dentro da montanha do Médio Atlas. Erfoud ou Arfoud a 110 km. Finalmente, vejo uma placa informativa sobre um kasbah na estrada.

São muitos lagos no país, este que vemos não serve para pesca, só para eletricidade e militar, pois possui enxofre. Em pesquisa, vi uns 67. O lago Al-Hassan Addakhil (ou barragem) é enorme, a água vem da montanha e vai se concentrando em buracos no chão, feitos de pedra. Há ruínas de casas ao redor do rio Ziz, porque o governo construiu casas mais adiante. Passamos pelo palácio do rei do Catar em frente da estação de gasolina privada dele.

Mais uma cidade antes de Erfoud, Errachidia. Zona militar, por ser próxima da fronteira com a Argélia. O guia nos informa que se faz serviço militar aos 18 anos por 2 anos. Cada mês, o jovem recebe €200 euros, quem faz geralmente é pobre. Quem tem irmãs somente ou é filho único ou está enfermo não faz. O contrato para quem quer servir por mais tempo é de 10 anos e o governo ajuda a pagar a eletricidade para os militares. Vimos a academia militar que os forma na cidade. O símbolo da monarquia é Alá, País, Rei.

A Wikipédia nos conta que Errachidia ou Er-Rachidia, antigamente chamada Ksar es Souk ou Ighram n Souk em berbere, é uma cidade ao sudeste do Marrocos, capital da província homônima, faz parte da região de Meknès-Tafilalet.

As palmeiras são diferentes na região, menos decorativas, são tamareiras. A fruta tâmara, amada e produzida no Marrocos, é boa para diabéticos, quando o açúcar cai. Há diversos tipos de tâmaras. No período do Ramadã (feriado muçulmano) se come muito.

Perto de Erfoud, visualizamos um oásis gigante (palmeiral de Ziz) com casas quadradas de adobe ao redor, incrível observar o contraste com a terra seca e árida. Eu não tinha ideia do tamanho de um oásis. Conforme o Abdul, já prendeu fogo em um oásis desses de 11 km de palmeiras.

Finalmente, Erfoud. A porta de entrada para o deserto. O hotel com arcadas é “das Arábias”: Kasbah Hotel Chergui (Route/Rota Errachidia km 5.5). Logo pegamos as malas e fomos deixá-las no quarto. O planejamento com o guia era fazer isso rápido, porque o rapaz do carro 4×4 estava nos esperando a fim de irmos às dunas de Erg Chebbi, onde os 3 dromedários nos esperavam. Muito emocionante estar no deserto do Saara em uma jornada dessas, apreciando a paisagem. Escolhi o animal branco, mansinho, e o apelidei de Carmelo, o condutor era o Ibrahim que falava espanhol.

Experiência que amei. Fiz muito cafuné no Carmelo e no do Carlos que estava atrás de mim, estávamos em fila: eu na frente, o Carlos e o Renato (nosso amigo brasileiro) atrás, seguros por uma corda guiada pelo Ibrahim. Os dromedários (ou camelos da Arábia) são calmos, diferente dos camelos do Egito que, na verdade, são de Mali, maiores, mais brabos e com duas corcundas. Os nossos são menores e têm uma corcunda. Descemos para ver o pôr do sol e entardecer em cima da duna menor. Momento mágico. Depois, o Ibrahim nos mostra uns produtos da região e pede que o ajudemos comprando. Comprei um dromedário bem lindinho de pedra por 100DH (R$58,73). Subimos nos nossos animais e rumamos ao carro 4×4 para a volta ao hotel. Nem todos da excursão escolhem fazer esse passeio.

Para acrescentar, o site Visit Morocco menciona que Merzouga é um dos portões do Saara, uma pequena aldeia perdida no meio das areias. É o território de Erg Chebbi, um mundo de dunas, palmeiras, trilhas e caminhadas. Indica que devemos passear pelo deserto e descobrir trechos de areia banhada pelo sol e pelo silêncio. Caminha-se no meio da imensidão árida, quando na curva de uma duna, se distingue o lago Dayet Srij.

Retornamos ao hotel 4 estrelas, enorme, o quarto com cama gigante, tudo muito lindo e decorado em estilo marroquino, deslumbrante. O jantar em forma de buffet, espetacular. Cheio de americanos. Senti-me “no reino das mil e uma noites”.

Continuaremos com mais aventuras no Marrocos encantado.

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Hoje é dia 10 de abril de 2024. O café da manhã do hotel Chiado Borges de novidade compotas de abacaxi e pêssego com pouco açúcar. No mais, o de sempre. Todo hotel é assim, em geral, o café fica repetitivo. Perto poderíamos tomar o pequeno almoço, como chamam, e mais barato, já que no hotel nos cobram, porém dava preguiça de sair e comer menos.

A ideia do dia é conhecer Sesimbra, cidade litorânea, distante 40 km de Lisboa, pertencente ao distrito de Setúbal, antiga província de Estremadura. Ouvi falar pelas amigas portuguesas Luísa e Inês, quando lá foram veranear, vindas do norte do país. Saudações, amigas queridas.

Entramos na estação do metrô Baixa-Chiado e haja escadas, a escada rolante para descer não estava funcionando, a de subida estava. €2,30 (euros) o tíquete no guichê mais o cartão, devemos recarregar depois. São 7 paradas até o Jardim Zoológico/estação de ônibus Sete Rios, onde pegaremos o ônibus para Sesimbra. O assento do metrô imita a cortiça, nas costas também, em vermelho e cortiça. Muito giro, como dizem. Gostei.

Alcançamos o Terminal Sete Rios, achei mal sinalizado. O lugar do ônibus para Sesimbra não era dentro, tivemos que dar mil voltas até encontrar a parada do lado de fora, olhando para o Jardim Zoológico, do outro lado da avenida Gulbekian. Na verdade, é Sete Rios P3-Sesimbra (terminal), companhia Carris n° 3721, estação Campolide. Felizmente, sempre há quem ajude. A passagem é €4,50 em moedas. Está explicado porque Sesimbra não é muito conhecida, porque é uma aventura chegar, só nós mesmos. O ônibus a gás natural partiu às 9h45.

Agora, relaxar e ver a paisagem. Estamos passando pela ponte 25 de Abril, temos um visual bonito de Lisboa. Veremos a estátua do Cristo Rei do outro lado do rio Tejo mais de perto. Setúbal do outro lado. Para um lado da estrada Sesimbra/Seixal, de outro Sesimbra/Azeitão. Nas paradas de ônibus, informações pertinentes, bem organizado. Continuamos Sesimbra/Santana. Tudo verde, que país mais arborizado!

A velocidade na estrada é de 50 km/h e vemos casas, lojas de automóveis, de cerâmicas etc.

Chegamos a Sesimbra, descemos no Terminal Carris em frente à Biblioteca. Estamos na pedonal/calçadão. Vamos logo tomar um café na pastelaria O Caseiro, na Av. da Liberdade, 15, repleto de gente. Peço um doce: farinha torrada, típico do local. Muito bom, pouco doce com gosto de chocolate e limão. Onde vamos há europeus “turistando” e aqui vemos o legítimo português.

A praia nos chama, descemos até ela. Que lindeza! O sol escaldante, a cidade muito clara, tem que usar óculos escuros. Tem cheiro de peixe, clima praiano, mar calmo, uma esplanada para as caminhadas, hotéis à beira mar e restaurantes diversos. Agradável de se estar e sentir o momento. Prédios simpáticos e de poucos andares na orla, do jeito que gosto. Sesimbra tem a maioria das casas e edificações de cor branca e telhados vermelhos.

Entramos no Museu Marítimo de Sesimbra dentro da Fortaleza de Santiago, logo ali. Era a casa do governador. À época, o rei de Portugal era D. Carlos I (1863-1908) e D. Amélia (1865-1951), ele era próximo da comunidade pesqueira e fez expedições oceanográficas. Na placa na frente do museu, está escrito Carlos de Bragança “O Rei Pescador”. Herda de seu pai, D. Luís, o “Rei Marinheiro”, a paixão pelos assuntos do mar, o que irá justamente refletir na sua obra artística e científica. No campo das artes plásticas, tinha dotes de aquarelista (utilizando também o pastel e o óleo) e de desenhista; e obteve êxito na área da ornitologia e oceanografia, dentre outros muitos talentos.

Um pouco de história com a Wikipédia: Carlos I foi aclamado rei em 28/12/1889 e teve a presença de seu tio-avô Pedro II, imperador do Brasil, exilado desde o dia 6 do mesmo mês. Foi casado com a francesa Amélia de Orléans, filha primogênita de Luís Filipe, Conde de Paris (pretendente ao trono da França).

O museu mostra o mobiliário da época, altar de madeira, Chincha ou Arte de Comeiro (Xávega), de 1462, uma técnica de arrastão sobre a arte da pesca de sardinha e carapau. A respeito da indústria conserveira datada de 1896, existiam três fábricas de conservas na cidade. O período mais expressivo foi das fábricas de conserva em azeite na I Guerra Mundial e final da década de 1920 do séc. XX.

Mostra as técnicas de pesca de robalos, pargos, peixe-espada que eram colocados no areal para a venda até os anos 1970. A barca de Sesimbra e aoila (3,30 m de comprimento e 1,52 m de boca): duas embarcações de pesca características até meados do séc. XX. Os barcos de Sesimbra descobriram o mundo. A construção de barcos remete a 7/4/1410, do deão de Coimbra, D. Álvaro Afonso, que menciona os dízimos a pagar pelos calafates e carpinteiros que construíram os barcos.

Em uma sala, a religiosidade dos pescadores. Culto a Santa Maria do Cabo Espichel, do séc. XVII/XVIII. Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Boa Viagem. Sala da Memória, Identidade e Comunidade. Mais escadas em curva se abaixando e saímos na parte de cima da fortaleza, um cenário deslumbrante. Valeu o passeio. Lembrei do Museu do Mar de Parnaíba-Piauí.

Hora do almoço. Descobrimos ali perto o restaurante O Canhão. Robalinho com batatas e legumes salteados para mim, e para o Carlos, bacalhau assado com o refrigerante Ginger Ale, nossa paixão, e vinho verde Azevedo (da região do Minho), perfeito. De entrada nos ofereceram azeitonas e queijo de ovelha cremoso de Azeitão (da região) e pão português. O garçom João Paulo, uma simpatia, conhecedor de Londrina-Paraná. Que refeição deliciosa! Pagamos €50 com a taxa de serviço.

Em breve, prosseguiremos com mais passeios nesta cidade praiana e ensolarada.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Punta del Este

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Punta del Este

Hoje é dia 22 de abril de 2023, viemos de Piriápolis em direção a Punta del Este, balneário e praia desejado por argentinos, brasileiros e uruguaios, conhecida como a Mônaco ou St. Tropez da América do Sul. Continuamos no nosso passeio de um dia com o motorista Carlos e a guia Laura da empresa Dreamtour.

Entramos pela beira-mar. A sua economia é autônoma, o padrão é alto, uns 32 milhões de dólares se encontram neste local. Até os bairros mais simples são fenomenais, Punta é diferente do resto do país em termos de riqueza concentrada. Mais de 9 mil pessoas vivem na cidade ao longo do ano. O padrão arquitetônico é planejado, tudo deve ser perfeito, há lei municipal que assegure isso.

É uma cidade localizada no departamento de Maldonado que atrai milhares de turistas o ano todo. Quantas vezes eu for ao Uruguai, retornarei a Punta. É a nossa terceira visita, lugar apaixonante de estar.

Estamos no ônibus e a guia vai explicitando Punta. Muitos prédios, segundo a guia Laura, foram terminados durante a pandemia de COVID-19. Punta não nasceu como os outros balneários, até 1920 era uma vila de pescadores. Em 1930/35 se andava a cavalo. Até 1948 viviam de pesca e extração de óleo de baleia. Os ingleses trouxeram o ladrilho hidráulico. Em 1945/50 o humorista mexicano Cantinflas morou lá. Em 1997 o famoso hotel Conrad (5 estrelas) foi inaugurado, tendo um cassino privado e centro de espetáculos. Aliás, os cassinos no Uruguai são 50 % do governo e 50 % privados. Carlos Villaró, da Casapueblo, de Punta Ballena, criou a primeira campanha publicitária de Punta del Este e trouxe Sophia Loren, Marlon Brando, Cantinflas, Burt Bachara etc.

Punta é tranquila com praças, prédios variados, são 35 bairros, uns prédios mais chiques, outros mais simples com tijolo à vista, cada prédio diferente. Tudo é bonito. A cidade tem o Punta Shopping, distrito gourmet, o restaurante francês mais caro, design, muitos bosques e parques belos. O museu Ralli tem exposição permanente de Salvador Dalí. Ali se encontram obras de Botero, Amaya, e de outros artistas de renome (endereço: Los Arrayanes, sem número, bairro Beverly Hills). Vale uma visita, infelizmente, não tivemos tempo e a entrada é gratuita. O cantor Roberto Carlos tem casa próxima. As casas têm guarita, não têm numeração, mas nome. Parece a praia Pontal de Maceió-Fortim no Ceará, algo bem original.

Por aqui se faz passeio de casas chiques, de famosos como em Hollywood, Los Angeles nos EUA, uma casa que nos é mostrada é a da família Grendene, dona das marcas Melissa, Rider e outras. Para nós, bastava a casa dos caseiros que já é fenomenal…

Os bosques têm flores silvestres. Seguimos na avenida Las Palmas, parece Jurerê Internacional em Santa Catarina. Tudo é amplo, limpo, cuidado, dá gosto. Em 2016 foi inaugurado o Centro de Convenções com arquitetura inovadora para 4500 pessoas ao mesmo tempo. Para crianças, a dica é o parque temático El Jaguel (jaguar), endereço: av. Aparicio Saraiva Camino- A La Barra.

Interessante que a escola pensa em educação financeira para as crianças. A guia nos conta que a viagem de final de ano de conclusão do fundamental é muito planejada. Os pais não gastam nada, durante um ano, as crianças vendem artesanato e outras coisas, a ideia é ensiná-las a economizar e valorizar o dinheiro depois da escola primária ou fundamental. No último dia choram todos de emoção. O país é pequeno e organizado.

Estamos passeando de ônibus, rumamos à La Barra, ao lado de Punta, mais agreste, natural, deve ser uma delícia de morar. Em 1965 foi inaugurada a ponte sobre o rio Maldonado, única com pé hidráulico no país. Ali ocorre o encontro do rio com o mar.

Entre 2021 e 2023 centenas de radares para controlar a velocidade foram implantados. Motivo: muitos acidentes e mortes de argentinos por conta do consumo de bebidas. Punta vive da economia, construção civil e turismo. Só para se ter ideia em janeiro se aluga um apartamento por 2 mil dólares ao dia.

Passamos pela Casa Rayban onde todas as janelas foram feitas pela empresa, são fotocromáticas. Na Casa Amare viveu o ex-ditador do Chile Stroessner. No edifício Acqua, sem paredes, há uma piscina olímpica por apartamento, cada um vale 4 milhões de dólares. A casa alugada pela Embaixada dos Estados Unidos já hospedou Barack Obama e Bill Clinton, e chamam de chalé… O primeiro investimento de Trump Júnior foi o The Grand Hotel, também existe na cidade o Trump Tower, investimento do Trump.

Estamos na Rambla Lorenzo Battle Pacheco. Nos anos 70 começa a evolução da cidade. De 1980 a 1999 torres foram construídas e Punta explodiu. Já foi paraíso fiscal por muitos anos, dinheiro de corrupção ou narcotráfico, atualmente não se pode mais ter empresa em Punta, só se tiver mais de 5 anos no país. O Uruguai é sério com isso.

A escultura La Mano está sendo restaurada. De acordo com a Wikipédia, La Mano (A Mão), Los Dedos (Os Dedos) ou Hombre emergiendo a la vida (Homem emergindo da vida) é uma escultura de cinco dedos parcialmente enterrados na areia, localizada na parada 1, na Praia Brava. Concluída em fevereiro de 1982, foi feita pelo artista chileno Mario Irarrázabal.

Vimos o Iate Clube, uma beleza, muito caro se hospedar sendo associado, imagine se não for. Vemos lobos e leões marinhos no Iate Clube. O farol é do século XIX no extremo sul da península e possui uma plataforma de observação. Que passeio! O rio da Prata se encontra com o oceano Atlântico.

Em Punta Salinas, vemos a bandeira uruguaia enorme. É o ponto mais austral do país. Pisamos na plazoleta (pracinha) Grã-Bretanha. No meio do século XIX, o alemão Luís Burmester explorou uma salina na península, dando origem ao nome. Uma curiosidade sobre a história da II Guerra Mundial: segundo o blog guia.melhoresdestinos.com.br, ali fica exposta a âncora do Navio Ajax, que participou da histórica batalha do Rio da Prata naquela região em dezembro de 1939, travada entre as Marinhas inglesa e alemã, as duas potências mundiais em mar. Foi a primeira grande batalha naval da II Guerra.

O almoço foi quase 15 h no restaurante Charrúa (Calle 28 Los Meros), com muitas opções de saladas, carnes e peixes. Pedimos uma cerveja Patricia Lager para matar as saudades. A guia combinou de nos encontrar na Rua 30 depois de um passeio ao ar livre. Fomos para a tal rua e descemos rumo ao mar em direção ao Iate Clube. O calçadão é divino com dois mirantes de madeira. Palmeiras, gente curtindo o visual do mar, ufa! Uma sensação gostosa.

Ambiente acolhedor com muita gente conversando, passeando, tomando mate. Lixeiras de concreto na praia, os edifícios e restaurantes se localizam à beira mar. Um show. Na beira da praia tem grama e as árvores (palmeiras) têm um tronco menor, mas a copa é enorme, vieram da França. As sementes são amarelas, que cenário. No caminho, tomamos um sorvete de arándano (mirtilo) com creme de morango na sorveteria Pecas na Rua 30.

O Google nos reporta que Punta del Este é uma cidade turística situada numa península estreita no sudeste do Uruguai. A popular praia Brava é conhecida pelo surf intenso, bem como pela escultura La Mano. Na costa oeste, a praia Mansa tem águas calmas e de pouca profundidade. O artesanato local é vendido na praça Artigas, junto às lojas sofisticadas da avenida Gorlero.

Na volta a Montevidéu, no ônibus, somos presenteados com um pôr do sol espetacular que mais se assemelha a uma bola de fogo laranja com vermelho. Conclusão memorável para um dia incomum.

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-mais um passeio de ônibus turístico e Museu Ferroviário-parte 7

Curitiba-Paraná-Brasil- a cidade mais ecológica do país-mais um passeio de ônibus turístico e Museu Ferroviário-parte 7

Hoje é sábado, dia 25 de novembro de 2023. Fomos a pé, saindo do hotel Bourbon no centro direto ao calçadão da XV de Novembro, onde se localiza o Bonde da Leitura e a roda gigante de Natal (presente da empresa Boticário). Lugar bem frequentado, com gente jogando xadrez e o tabuleiro colocado (ou desenhado) no calçadão, achei brilhante. Há brincadeiras para crianças, comércio pujante, restaurantes, cafés, vendas de ouro e prata, ou seja, movimento intenso, local cativante.

Continuamos no nosso passeio pelos pontos turísticos de Curitiba. Pegamos o ônibus novamente (Linha Turismo) na Rua 24 Horas (parada 1). E seguimos pelas paradas… A atendente Leila é uma figura, bem-humorada e faz a diferença em um dia frio. São 3 h de passeio completo.

Passamos pelo Museu Ferroviário (parada 2) dentro do Shopping Estação. Parada 3: Teatro Paiol, inspiração para Toquinho e Vinícius de Morais quando escreveram a canção “Paiol de Pólvoras”. Símbolo da transformação da cultura da cidade. O áudio no ônibus em cima não é muito bom, logo estou embaixo com meu caderninho anotando tudo. Escuta-se em espanhol, inglês e francês também.

Vi pouca pichação nos muros das casas. Isso é louvável. Parada 4: Jardim Botânico; parada 5: Rodoferroviária/Mercado Municipal/Mercado dos Orgânicos. Tradicional endereço de compras de alimentos e delícias de todo o mundo, primeiro mercado orgânico do Brasil, derivados livres de agrotóxicos e aditivos químicos, símbolo do cuidado do Paraná com a alimentação saudável.

Parada 6: Universidade Federal do Paraná/Teatro Guaíra; parada 7: Paço da Liberdade, onde se desce no domingo para ir à feira do Largo da Ordem (artesanatos, comidas, antiguidades). Parada 8: Passeio Público/Memorial Árabe; parada 9: Centro Cívico; parada 10: Bosque João Paulo II/Memorial Polonês; parada 11: Museu Oscar Niemeyer; parada 12: Bosque Alemão, descemos, há uma renomada confeitaria alemã perto, só visitamos o Oratório de Bach, estava tudo o mais fechado, uma pena.

Parada 13: Bosque Zaninelli, descemos. Imperdível o local. A Escola de Sustentabilidade merece a visita. Ao redor, há nascentes. A trilha no meio do bosque lembra a Serra dos Órgãos na serra fluminense em Teresópolis-Rio de Janeiro. O lago com patos e rochas enormes ao redor existem para contemplação, a trilha de madeira e tudo o mais é muito gracioso. Para quem ama a natureza, eu indico. Subimos pelas rampas de madeira em direção ao miradouro, no caminho se situa o pavilhão Comandante Jacques Cousteau. Tem que ter perna boa para tanta escada. O local vale a pena, é idílico. As salas de aula de cores diversas embelezam, tudo é atrelado ao ambiente: a natureza, as carpas, os patos, as salas de aula e a subida ao mirante. Lá está a placa de inauguração em 15 de junho de 1992, com o nome do prefeito Jaime Lerner e do secretário do Meio Ambiente Municipal Hitoshi Nakum e do representante da Fundação Jacques Cousteau no Brasil Celso Luís Claro de Oliveira.

Ao entrar no ônibus novamente, era outra atendente/cobradora: a Janaína, e o ônibus era elétrico sem ser de dois andares e sem áudio.

O ônibus não parou na parada 14: Parque São Lourenço/Memorial Paranista. Nem sempre param em todas as paradas. Parada 15: Ópera de Arame. Parada 16: Parque Tanguá. Na parada 17: Parque Tingui/Memorial Ucraniano o ônibus também não parou.

Parada 18: Santa Felicidade. Queria muito conhecer. Estava na época do Festival de Imigração Italiana, portanto descemos na av. Manoel Ribas em frente ao restaurante Siciliano. Visitamos barracas com comidas, e havia um concerto com músicos, bem alegre. Um festival pequeno e simples, com poucas opções de gastronomia. Demos uma olhada, sentimos o clima e fomos procurar um restaurante. Escolhemos o restaurante Casa dos Arcos. Casa histórica: edificação de 1895 feita para a residência da família do imigrante Marco Mocelin. Teria sido construída por Brasílio Gichelle. Em 1918 foi comprada pela família Tulio. É o único exemplar do bairro com arcada frontal no térreo fazendo a entrada do comércio. O piso superior foi reservado à moradia, dizeres escritos no totem em frente. No restaurante, pedimos o prato individual: frango grelhado, legumes, talharim ao molho branco, arroz e vinho da casa (jovem, seco e frutado), achei em conta, valor: R$32,90. Muita emoção em estar no bairro italiano de Curitiba, afinal tenho tataravós maternos para lembrar e honrar: Domenicoantonio e Felicia Di Grazia.

Passamos em frente aos restaurantes Madalosso e Portal, aqueles enormes e bem conhecidos dos turistas que vão em excursão. Depois do almoço, uma caminhada para apreciar o bairro tão agradável e alegre.

O folder Curta Curitiba acrescenta ser a primeira colônia de imigrantes italiano da cidade. De seus hábitos e costumes nasceram as características e atrações do bairro, como o casario, restaurantes típicos, vinícolas, lojas de móveis e artesanato. A igreja de torre separada da nave e o cemitério com seu panteon são marcas registradas da religiosidade dos italianos.

Às 15 h pegamos o ônibus de volta. Parada 19: Parque Barigui. O mesmo informativo nos conta que foi criado em 1972 e é refúgio de diversos animais nativos e migratórios. É o parque mais frequentado pelos curitibanos que ali encontram churrasqueiras, quiosques, pistas de bicicross e aeromodelismo, canchas poliesportivas, equipamentos de ginástica, restaurante, lanchonetes, Museu do Automóvel, Centro de Convenções, Casa da Leitura e Teatro Maria Fumaça.

Parada 20: Torre Panorâmica (da OI). Descemos e pagamos: R$5,00 (professores, estudantes e maiores de 60 anos) ou R$10,00. Segundo o Curta Curitiba, a torre foi inaugurada em 1991 e é suporte da telefonia celular. Tem mirante de 109, 5 m de altura para uma visão de 360 graus de Curitiba e dos contornos da Serra do Mar. No piso, um mapa em relevo indica pontos importantes da cidade. Um painel de Poty Lazzarotto mostra o desenvolvimento da capital. Na entrada da torre está o Museu do Telefone.

O guia nos diz que se destina à melhora dos serviços de telecomunicações em todo o sul do país, é também um monumento à cidade de Curitiba. Foi entregue a torre à capital mais ecológica do país à época do prefeito Jaime Lerner e do presidente da TELEPAR era Paulo Roberto Cordeiro. Que homem empreendedor o arquiteto e político Jaime Lerner, sou eterna fã. A torre equivale a um edifício de 40 andares, e nos permitem ficar 10 minutos no mirante. O painel do artista Poty Lazzarotto é a síntese da cidade e do telefone. Mostra os primeiros habitantes, os indígenas e os colonizadores, a invenção do telefone por Graham Bell, a evolução da cidade e da telefonia até nossos dias, com o “ligeirinho”, as estações tubo e os telefones celulares. Digo a vocês, é fenomenal. Parabéns, Curitiba!

De lá, pegamos o ônibus e fomos conhecer o Museu Ferroviário. Descemos na parada 2 no Shopping Estação que estava com decoração de Natal. A exposição imersiva de Van Gogh estava acontecendo no local. O shopping é a antiga estação ferroviária, um grande galpão, bem interessante. Fomos logo para a fila do museu ali dentro. Em forma de vagão, recebe um número limitado de visitantes. Esperamos pela sessão de 17h30. O museu/vagão tem assentos como no trem e assistimos a um filme com Rodolfo, o condutor. As janelas são filmagens de trens, estações, natureza, como se estivéssemos viajando. O percurso é Curitiba-Paranaguá via Serra do Mar cem anos atrás, as crianças deliram. A estação era ponto de encontros e despedidas. A erva mate era um tônico revigorante para aguentar o frio da região. Na tampa do produto, verdadeiras obras de arte, produto de exportação. Araucárias mil pelo caminho. De 1880 a 1885, a construção da ferrovia Paranaguá a Curitiba pelo engenheiro Antônio Rebouças que pediu ao imperador Dom Pedro II que escravos não trabalhassem na obra. Túneis com pólvoras, picaretas, explosões, o Portal da Floresta (Mata Atlântica). 10 mil pessoas trabalharam na Serra do Mar. Ponte São João, estação Marumbi, primeira montanha escalada (1500 m), o ponto mais alto da serra. Uma experiência sensorial incrível. Até de elevador a gente cai, uma graça. Fantástico.

Saindo do vagão, rumamos ao museu com suas salas contíguas. A primeira locomotiva a trafegar no Brasil foi a “Baroneza”, de 1854. A Ferrovia Paranaguá-Curitiba (1835); a primeira universidade do país-a Universidade do Paraná, chamada de Universidade do Mate pelo historiador Ruy Wachowicz; o trajeto entre Morretes e Antonina (ramal) de 1891. A ferrovia, sua importância, início, ciclos econômicos: mate, madeira, café, história, trens, balanças, máquinas de escrever, telégrafo, sala do Chefe da Estação, tudo muito didático. Um museu recomendável.

Outro dia muito produtivo. Pegamos um táxi para o hotel e o papo foi o clima. Hoje assunto recorrente no país. Ao chegarmos ao hotel, hora de lavar o cabelo, tenho que dizer: que água magnífica, um tratamento e tanto para a pele e cabelo.

Falta pouco para acabar a viagem, vou sentir saudades, Curitiba.