Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Lagunas Baltinache
Hoje é segunda-feira, dia 9 de outubro de 2023. Vemos o vulcão Licancabur, o majestoso, estamos no centro da cidade. Na hostal Terracota, antes de sairmos, nos deparamos com as queridas funcionárias Paulina e Yobi, a quem amamos e elas a nós. Tiramos fotos mil e a Yobi nos convidou para conhecer a terra natal dela: Santa Cruz de la Sierra na Bolívia, nos oferecendo hospedagem. Um doce! Também conhecemos em outro momento as suas duas filhas gêmeas.
Estava na hora do almoço e comemos o prato do dia no restaurante de sempre: Delícias de Cañaveral: batatas, salada e peixe reineta por 4 mil pesos chilenos (R$22,39). Ali encontramos um casal de argentinos que estavam excursionando de motorhome, o sonho do Carlos. Estamos em um tipo de jornada que amo: gente diversa, línguas múltiplas, turistas amantes de natureza e muitos papos.
Combinamos com o Ronaldo da Sol Andino Expediciones o passeio às Lagunas Escondidas de Baltinache (na base de 39 mil pesos-R$218,33 e entrada 10 mil pesos-R$56,01). A agência sempre dá desconto quanto mais se compra pacotes com ela e para aqueles de “maior idade”. A entrada para o Carlos foi de 3 mil pesos.
O passeio de hoje será Lagunas Baltinache, Llano de la Paciencia (Planície da Paciência) e Mirador Cordillera de la Sal (mirante Cordilheira do Sal). O transporte virá nos buscar das 13h30 às 14h10 no hostal. O guia se chama Pablo Quesada e o motorista Edwin. São 56 km até lá, a primeira parte da estrada está boa, mas a segunda sofrível. Detalhe: os guias mandam mensagem pelo Whatsapp, ou seja, celular é obrigatório atualmente. E levar água se faz necessário. Não esquecer de se besuntar de protetor solar no corpo.
Meus tênis estão irreconhecíveis de tanto pó. O solado da minha bota descolou, lembram? Sem sapateiro na cidade, fiquei somente com os tênis. Outra informação: gostam muito de colocar bandeiras do Chile em restaurantes, hotéis e casas.
O guia nos informa que há lugares para trocar de roupas, mas não água para tirar o sal. Tomaremos banho em uma lagoa de água cristalina, muito mais salgada que o Mar Morto no Oriente Médio (com água marrom), são 600 g de sal por litro de água, não vivem animais e molhar os olhos na laguna nem pensar. No final há um lanche.
O Pablo nos mostra a Cordilheira da Morte ou Marte, contém sulfato de cálcio, calcário e sal de comer misturados com lítio, magnésio e arsênico. composta de sedimentos, está fechada desde a pandemia de coronavírus. Fica perto dos telescópios gigantes (projeto ALMA), a região com maior radiação solar do mundo. Vemos o vulcão Lascar (5.592 m), ativo, aberto para subir com fumaça de enxofre. São 4 a 6 horas de visita. Também observamos a Cordilheira do Sal, de origem vulcânica, de cor escura.
Entramos em Peine. A estrada é irregular, deve-se ter cuidado com as cabeças para quem estiver sentado ao lado das janelas. A estrada é de piçarra. Estamos a 2.420 m de altitude. O Vale da Lua não tem vida e a laguna Cejar ainda tem plânctons e um pouco de vida.

Há lítio na região. Chegamos ao local. 1 km de caminhada depois da base para banheiros e vestiários para troca de roupa, afinal vamos nos molhar na laguna. Caminhamos pela passarela de pedras, a terra ao lado é de sal branco (sal mais arsênico). A caminhada é feita no sol muito quente. Fui com protetor solar 50, já colocado, chapéus e canga nas costas. Um calor de rachar.
Temos uns 20 minutos para banho na laguna salgadíssima, o máximo permitido. Que experiência única! Não conseguia ficar de pé, o Carlos tinha que me puxar, a gente flutua facilmente, ninguém afunda. A água fria tornou o banho uma delícia. De lá andamos por outro sendero até as vans. O motorista nos molha para tirar o sal na mangueira improvisada. Não se molha o cabelo na laguna, a gente fica branco de tanto sal. Não há propriedades medicinais e nem vida. Após tirar o sal, entramos na van e voltamos à base para vestiários e banheiros. De roupa trocada, seguimos para São Pedro do Atacama, mas antes vimos o Mirante da Cordilheira do Sal e o Llano de la Paciencia.

O contraste da laguna Baltinache com as pedras escuras e sal ao redor e água cristalina é espetacular. Na verdade, são sete lagos salinos de um azul-turquesa, unidos subterraneamente em pleno deserto. O lanche (snack, como chamam) é no mirador/mirante. A paisagem das rochas com as montanhas de pedras, embaixo um rio seco de areia forma um cenário exótico, lindo. O lanche muito bom com variedade de chips, azeitona (picles), bolo, biscoitos, as bebidas pisco sour (amo!), piña colada e suco de pêssego. Maravilhada de estar em natureza tão colossal.
Detalhes da vida cotidiana de São Pedro: na rua principal Caracoles, colocam recipientes com água para os cachorros de rua, que são muitos. E mais: o chileno vive em um país seguro, por isso é confiante. Em uma loja, a vendedora nos deixou sozinhos cuidando do espaço e foi cambiar dinheiro. Algo a invejar do país vizinho.
São Pedro do Atacama, apaixonante. Nosso passeio está quase no fim.
