Paracuru – Ceará – segunda parte

Paracuru – Ceará- segunda parte

Hoje é sábado, dia 21 de novembro de 2020, e o Carlos e eu continuamos no município de Paracuru. O café da manhã do hotel Vento Brasil é bem farto e seguem os protocolos de tempos de coronavírus. Frutas deliciosas, bolos, tortas salgadas, crepioca (tapioca com ovo), tapioca, cuscuz, iogurtes, sucos, enfim, tudo ótimo.

Sábado de manhã, dia de banho de mar. Aliás, excelente. O mar azul e verde, a praia limpa, há arrecifes, barracas de praia e surfistas, afinal estamos na praia Ronco do Mar. Os pescadores trazem peixes, dentre eles, o camurupim ou pirapema.

O almoço foi no restaurante Fórmula 1 do francês Michel na praia da Munguba. Desde 1989 se come bem com um chef que atende os clientes e cozinha. Pedimos o peixe beijupirá com legumes, uma delícia. Estávamos com o casal Iracema e Marcos (cunhada e irmão do Carlos). Saudações! Estar em um local à beira mar com a enseada embaixo dá gosto. Também nos deleitamos com as mangueiras e bananeiras no litoral. Paracuru surpreende.

À tarde fomos passear, acompanhados do Marcos e da Iracema. As dicas deles foram fundamentais. Descendo a av. João Lopes Meireles, chega-se à praia da Boca do Poço. Na Domingos Paulino, nos encantamos com um food truck, ou seja, um caminhão de churrasco, cujo dono é paraibano. Passamos na praia do kite (surf) na barraca Quebra Mar. Pela praia na maré baixa vamos à Pedra Rachada. Existem currais de peixes na praia, algo comum em Paracuru. Os donos cuidam e tem muito trabalho. A estrada de areia da subida é estreita e depois se encontra a barraca Rasga Rede, o restaurante Pedra Rachada e o do João Sapuril, dito como oferecendo a melhor peixada de arabaiana da cidade. O próprio sr. João tem seu curral de peixes.

Um lugar imperdível em Paracuru são as dunas conhecidas como Lençóis Paracuruenses. No caminho a pé, nos deparamos com árvores das frutas silvestres guajiru e murici que brotam em zonas de praia e morros. As dunas são fabulosas, e olhem que só ficamos no início, são 5 km de dunas, lagos e parque eólico. Quem conhece diz que a beleza é estonteante. Confesso que nem tinha ideia, afinal os famosos são os do Maranhão e os de Parnaíba-Piauí. O pôr do sol magnetiza.

Segundo a geógrafa Iracema, a duna cobriu o vilarejo de Parazinho que foi a primeira cidade de Paracuru. Também acrescentou que Paracuru significa “lagarto do mar”.

À noite fomos ao centrinho a pé do hotel. A praça arborizada e a igreja Matriz me lembraram do Crato no Cariri cearense (sul do estado). Uma lindeza. Sábado à noite é o dia da feirinha de artesanato, logo o movimento é maior. Tão bom estar lá, vendo os habitantes e os turistas… Enquanto isso a missa ocorre na igreja e o fuzuê ao lado.

Após o passeio no centrinho, fomos degustar o caldo de abóbora, e o suco de abacaxi com hortelã no Mosaico Bistrô (rua Profa. Maria Luiza Saboia, 65), da Conceição e de seu marido Otto. Estivemos no dia anterior. Quem gosta, torna. O tratamento é de primeira. A decoração de mesas, cadeiras e quadros feitos de mosaico pela proprietária oferecem um espaço aconchegante e bonito.

No domingo, dia 22 de novembro de 2020, na praia da Munguba tomamos um banho inesquecível em frente ao restaurante Fórmula 1, do tipo piscina com ondas. Maravilhoso. Depois o almoço no próprio hotel Vento Brasil, no restaurante Temperos da Lala: filé de peixe robalo grelhado com arroz de alho e purê de abóbora. Apreciei o cardápio.

Saudações à amiga Joana Anália Albuquerque, e ao casal Iracema e Marcos Alencar. Tanto a Joana como a Iracema são paracuruenses apaixonadas. Os atendentes do hotel Leudo e Hudson foram muito atenciosos, obrigada.

Finalizo este artigo com o refrão do hino do município em http://www.letras.mus.br: Paracuru, oh terra querida/Tuas belezas queremos cantar/Seja Tua praia, abrigo e guarida/Para as gerações que Deus te confiar.

Amei Paracuru. Fiquei maravilhada com tanto a ver e aproveitar. Aconselho.

Paracuru – Ceará – primeira parte

Paracuru – Ceará – primeira parte

Hoje é sexta-feira, dia 20 de novembro de 2020, e o destino deste final de semana é o município de Paracuru. O Carlos e eu saímos de Fortaleza pela av. Leste Oeste rumo à CE-085 ou Sol Poente, caminho Jericoacoara, litoral oeste, às 13h30. Paracuru se situa aproximadamente a 96 km da capital do Ceará. Seguimos a Sol Poente e prestamos atenção à entrada da cidade. Na Polícia Rodoviária Estadual se vira à direita, a via está em restauração, por sinal.  

Chegamos ao hotel Vento Brasil (rua Ormezinda Sampaio, 240) e pediram logo para pagarmos a segunda diária. A primeira foi paga antes. O hotel é bem localizado, perto do centrinho e da praia Ronco do Mar. A diária de R$195,00 para um quarto standard achei cara, uma vez que é um quarto simples, meio escondido e sem poder abrir as janelas, pelo bem da privacidade. A salvação é o ar-condicionado, uma vez que estava bem quente: 31°C. Percebo tudo bem mais caro em termos de hospedagem no litoral. Gostei do hotel de qualquer modo. Na próxima vez, ficaremos em um quarto melhor. A dica foi do irmão e cunhada do Carlos, Marcos e Iracema. Obrigada!

Assim que chegamos, já saímos para passear pelos arredores. Em frente ao estacionamento do hotel existe um sítio/fazenda chamado Teto da Praia, com coqueiros, galinhas, vacas, tudo tão interiorano. O aroma é outro. Há um calçadão com cerâmica imitando o de Copacabana no Rio de Janeiro na praia Ronco do Mar. A praia é uma delícia: barracas na praia, bares no calçadão, jangadas, pescadores, pousadas etc.

Vemos muitos olhos d´água no Ronco do Mar, além de cajueiros, mangueiras, castanholas e redes para deitar. As pessoas vão lá pegar mangas para se refestelar, passamos por um pai e filho estrangeiros demonstrando uma felicidade única ao carregar as frutas. Muito peculiar. Tudo ajeitado, com casas lindas pelo caminho, estamos na av. Beira Mar. A areia da praia oferece abrigo a famílias e casais de namorados.

Ainda existe prospecção de petróleo. Vimos uma draga e o terminal. Na praia à tardinha há moradores jogando bola; uma enseada verdejante que parece a da praia da Taíba, mas em menor escala. No local existe um restaurante chamado Fórmula 1 ao lado da Colônia de Pescadores de Paracuru. O entardecer é gostoso e o mar verde e azul imenso. Ali é a praia da Munguba.

Gostei de ter mirado uma pessoa coletando lixo na praia que, aliás, é relativamente limpa. Detalhe: aonde vou estou sempre fazendo o mesmo. Não consigo imaginar um peixe comendo garrafa de plástico. Tenho alma ecológica.

O Carlos relembrou o famoso carnaval de Paracuru nos anos 1970/80. A cidade lotada de foliões, uma bagunça efusiva, um carnaval com mela-mela à tardinha e à noite a presença no clube no centrinho em frente à Praça da Matriz. Esse clube não existe mais, foi desapropriado para dar lugar a uma praça com descida para a praia. O farol branco e laranja de hoje é só enfeite. No local há um bar/restaurante Hot Grill.

Nossa caminhada está boa para os joelhos, pois como choveu a areia está compacta e plana. Escutamos reggae na barraca de locação de pranchas e aulas de surfe. A praia Ronco do Mar é o lugar dos surfistas.

Paracuru é uma novidade bastante agradável. Sinto-me tocada pelo seu charme.  

À noite “vamos” na velha e boa pizza marguerita com Coca-Cola. Cerca do hotel se encontra a pizzaria Paiol, a mais antiga do município. Depois mais passeio a pé. O centrinho me lembrou do Crato no Cariri, a Igreja Matriz, as praças e ao redor casas antigas, bistrôs, lanchonetes, restaurantes etc. Lá está a pizzaria Moral, o Burguer & Pizza, o Cactus Paracuru e a Casa Curu (restaurante transado).

No centrinho se situa a Praça Francisco Batista Azevedo onde existe a Biblioteca Pública Municipal com o busto do mesmo em homenagem ao seu centenário 1908-2008.  Na frente está a igreja N. Sra. dos Remédios (a Igreja Matriz), com a imagem da Nossa Senhora fora da igreja na Praça da Matriz.

Ali perto na rua Profa. Maria Luiza Saboia se localiza um bistrô especial de tão fofo, com mesas, cadeiras, quadros feitos de mosaicos. A proprietária é também a artista plástica: Conceição. Ela prepara as comidas e quem serve é seu marido Otto (alemão). Eis o Mosaico Bistrô. Seu cardápio vai de caldos a hambúrgueres de soja, beterraba e carne de caju, bem natureba. Gostei.

Continuaremos em breve…

A Fortaleza como queremos

A Fortaleza como queremos

Sou uma boa observadora do cotidiano. Escrevo para espalhar ideias, talvez chegue a quem muda a nossa realidade. Como cidadã, espero melhorias em Fortaleza-Ceará.

CALÇADAS

Antigamente as calçadas eram bem cuidadas na cidade. Hoje é uma de cada jeito e ninguém é cobrado a torná-las mais seguras, nem a prefeitura nem o cidadão. O pobre do idoso vive caindo e gente mais jovem também. Se colocassem na justiça, a história era outra. Exemplos positivos no Brasil: o bairro Copacabana no Rio de Janeiro e Balneário Camboriú em Santa Catarina, lugares com o maior número de idosos no Brasil. Moram e se socializam com mais facilidade, porque podem sair na rua. Infelizmente, para nós aqui a pessoa tem que caminhar com muito cuidado e olhando para baixo.

MOTOQUEIROS

Os motoqueiros… Indago se em outras cidades eles se sentem tão livres para não respeitarem a lei de trânsito e de civilidade como aqui. Na ainda existente pandemia de 2020, inventaram agora de andar na contramão em avenidas, porque nas calçadas já assim o fazem. Pobre do pedestre. Onde estão os fiscais da AMC (Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania), tão bons em multar quem estaciona na Zona Azul, mas tão ineficientes em coibir tal ato? Só os vejo dentro dos carros da autarquia.

ZONA AZUL

Já escrevi contra a Zona Azul, mas nós cidadãos não podemos fazer nada, então me rebelo. Não uso, simples assim. Fico indignada, pois colocaram as famigeradas placas em ruas onde há hospitais, farmácias, clínicas  etc e dentro de estacionamentos recuados, próprios de farmácias e padarias. Pode?

SOCIALIZAÇÃO

Triste dizer que Fortaleza não é mais convidativa aos moradores se visitarem. Antes se morava em casas, de um bom tempo para cá, Fortaleza se transformou em cidade de edifícios, logo onde estacionar? Falo em carros, porque acaba sendo o transporte mais disponível à noite. Primeiro, os moradores evitam sair a essa hora, por conta de violência e assaltos; segundo durante o dia, não tem onde deixar o carro, devido à Zona Azul e falta de espaços nas ruas. Lógico que estamos em um ano difícil, este de 2020, porém a situação é essa. Pobre dos idosos com a sua solidão.

PREFEITOS DE ANTIGAMENTE

Ressalto o prefeito Vicente Cavalcante Fialho, a quem não conheci, mas que segundo Carlos Alencar, saía para ver as obras na cidade. O Anuário do Ceará 2020-2021 nos conta que sua gestão ocorreu entre 1971 e 1975, tendo sido um “tocador de obras”. Abriu avenidas fundamentais como a Aguanambi e a Leste Oeste, por exemplo. Não era gestor de gabinete. Outro a ser mencionado é Juraci Magalhães, cuja primeira gestão foi de 1990 a 1993, tendo substituído Ciro Gomes, quando ele saiu para ser governador do estado. Era seu vice na prefeitura. Visitava os empreendimentos na cidade (viadutos, terminais, hospitais) a qualquer hora do dia na sua primeira administração, a qual Carlos Alencar considera a melhor. Ainda teve duas outras gestões, sempre checando o que ocorria na cidade. Lúcio Alcântara fez urbanizações e era muito presente em checar as obras. Sua gestão foi de 1979 a 1982. Criou o parque Adahil Barreto, defendeu o meio ambiente e a limpeza urbana da cidade. E existiu o prefeito Antônio Cambraia, a quem eu gostava muito. Gestão: 1993 a 1996. De acordo com o mesmo anuário citado acima, cuidou de obras de infraestrutura, ampliação do sistema de esgoto, fez obras de calçamento e conservação de vias públicas.

Prefeito tem que andar de ônibus, caminhar pelo centro, falar com a população. Checar se as vias estão “limpas”, se os habitantes estão satisfeitos com o “ônibus lotado em plena pandemia”, se são bem atendidos no hospital público. Deveria perguntar às pessoas o quão “felizes” estão com a conclusão das obras serem tão demoradas. Trabalhar com os catadores de lixo que colocam lixo em terrenos abandonados, e com os bares e restaurantes do Meireles que depositam garrafas e sobras de alimentos nas esquinas da rua Antônio Augusto, para exemplificar.

CAMPANHAS

Sou por campanhas contra o descarte de lixo nas praias e na cidade (faltam lixeiras em Fortaleza), pela educação no trânsito, pelo uso da máscara a fim de proteção contra a COVID. Quem for pela Praia de Iracema ou Beira Mar à tardinha, verá um bocado de gente sem elas e não estão preocupados. Até os turistas. Os hotéis e pousadas não falam que é obrigado? Essa obrigação é uma piada, cabe somente à consciência de cada um.

Em suma, algumas críticas e sugestões foram feitas. Não desisto de almejar uma Fortaleza mais agradável, arborizada, civilizada, segura, justa, decente e boa de viver para seus habitantes.

P.S. Este artigo teve como inspiração Carlos Rodrigues Alencar Lima e sua longa trajetória na cidade como educador e diretor de escola pública.

Lagoinha – Paraipaba – Ceará

Lagoinha – Paraipaba – Ceará – Brasil

Hoje é sábado, dia 19 de setembro de 2020.  O Carlos e eu resolvemos passar o final de semana na praia da Lagoinha, afinal fazia anos luz que não íamos lá. De Fortaleza para a Lagoinha são aproximadamente 110 km.

Saímos de Fortaleza pela av. Leste Oeste rumo à CE-085 ou Sol Poente, caminho Pecém-sentido Jericoacoara. A Lagoinha se situa perto de Paracuru.

Entramos no movimentado município de Paraipaba, passamos pelo rio Curu e seguimos em direção à Lagoinha. Paraipaba é bastante agradável, com pracinha, igreja, agências bancárias, restaurantes e lojas, além de limpa e aconchegante. As cidades interioranas do Ceará são pitorescas, “inspiram sossego, tranquilidade, prazer”, segundo o http://www.dicionarioinformal.com.br.

Chegamos à 11h, porém o check-out era às 13 h, logo o jeito foi esperar. A dica do hotel Vivamar foi dos amigos Sílvia e Jáder, colegas de trabalho. Localizado à beira mar, facilita muito o banho de mar a qualquer hora. O restaurante Lagero é independente do hotel e aconselho. Durante a espera pelo quarto, nada melhor do que se alimentar bem. Pedimos peixe sirigado com camarão, legumes salteados, arroz com brócolis, alcaparras e champignon. Uma delícia. Com a jarra de água de coco, saiu na base de R$105,00 para duas pessoas.

Tenho que dizer que por conta da pandemia, os preços estão bem mais caros. Sentimos isso na comida e diárias.

Falemos no local, de início já não reconheci, está tão cidade, incrível. É praia “point”, bastante concorrida. Ajeitada, arrumada, dá gosto. Não faltam hotéis, pousadas, restaurantes, cafés, pizzarias, enfim há o que se ver e passear. Parece a praia de Flecheiras.

Em frente ao hotel existe um calçadão, uma passarela de concreto, e à direita na areia da praia uma barraca de praia. Existem algumas, como a Praieira e a Dudé. Pena não curtirem músicas que combinem com o ambiente. A música estava alta e com um ritmo que poderia ser outro, mais relaxante. As pessoas em geral não amam o som do mar. Para mim, não há igual.

À tardinha caminhamos pela praia à direita, vimos fontes de água pura pelo caminho, subimos a escada colorida e chegamos à pracinha no centrinho. Exploramos casa por casa, a Lagoinha tem a parte alta e a baixa. Descobrimos a pizzaria Lagero, do mesmo dono do restaurante, logo a pizza marguerita de mais tarde está garantida. Casas agradáveis, mercadinhos, igrejinha em reforma, os moradores conversando nas calçadas, tudo bem interiorano. Uma gostosura. As praias do Sol Poente são mais habitáveis. Descemos a escada colorida e entramos na duna do pôr do sol. Muitos jovens no lugar, pena que sem as máscaras do novo cotidiano de 2020.

A famosa duna, cartão postal da Lagoinha, está com coqueiros plantados, que bom. Muitos antigos sumiram. Aviso aos navegantes: as pernas trabalham muito nesse sobe e desce, trata-se de um bom esforço para os músculos. O local é encantador, há muito verde nas dunas seguintes, lindo o visual.

Voltamos ao hotel depois do passeio. Encontramos uma tartaruga morta na praia, uma lástima.

Para jantar, a pizza mencionada anteriormente. Como cobram a rolha de vinho na pizzaria Lagero, nossa decisão foi comer a pizza na varanda do quarto, pois o vinho branco português Terra Boa Regional de Beiras 2004 Aliança nos tentava. Obrigada ao nosso amigo português Joaquim, de Juazeiro do Norte. Refeição das boas!

No domingo, o café da manhã do hotel foi substancioso e variado: frutas, sucos, cuscuz, bolos diversos, pães, ovos etc, seguindo o protocolo com hora marcada e usando luvas para se servir. Detalhe: a água do chuveiro deixou o cabelo uma beleza de sedoso. Parece a água de Guaramiranga, na serra de Baturité.

Após o banho de mar, tivemos o mesmo almoço do dia anterior no restaurante Lagero, a diferença foi o peixe: arabaiana. Excelente. Achei menos gorduroso que o sirigado.

A hora da saída do hotel é 13h. Se em uma pousada a saída seria lá pelas 16h, mas fazer o quê? Em um domingo com o sol a pique e muito calor é de arrasar. Seguimos pela cidadezinha, vimos feirinha de roupas de praia, bolsas etc na estreita av. Beira Mar onde os carros ocupam o seu espaço. Na av. Francisco Henrique de Azevedo há o mirante com o Centro de Apoio ao Turista, com cafés e quiosques de lanches ao redor. Prosseguindo na avenida se chega à pracinha principal. Fomos embora radiantes.

Enfim, um final de semana de novidades. Lagoinha, voltaremos!

A Fortaleza que eu conheci

A Fortaleza que eu conheci…

Estamos na década de 80 do século passado. Eu, adolescente em Fortaleza, aproveitava muito.

O clima era bom, com brisas do mar contínuas, o calor não era tão abrasador como hoje. 0s 27°C eram constantes.

Brincávamos na rua, andávamos sem medo, soltos e felizes.

As casas eram tantas, espaçosas, com árvores frutíferas e jardins floridos. Pegávamos pitangas nessas casas. O fortalezense era conhecido pelo seu amor à natureza, todo mundo morava em casa e cuidava do seu quintal. A cidade tinha muitas árvores, notadamente oitizeiros centenários na av. Barão de Studart no bairro Aldeota.

Eu me lembro de perambular de ônibus pela feirinha do bairro de Fátima com a amiga Maria Luiza, companheira inseparável de passeadas. Do bairro de Fátima seguíamos para alguma pizzaria com amigos, isso em um sábado à noite. Meus pais ficavam preocupados e nós satisfeitas com a nossa aventura. Programas inocentes e simples que nos deixavam muito contentes.

Com a mesma Maria Luiza, o irmão caçula dela, André, e o meu irmão Rogério nos deliciávamos com o bolo xadrez à época da inauguração do shopping center Iguatemi. Sempre de ônibus, íamos aos sábados à tarde e aquilo era uma jornada sonhada.

Ainda jovem adulta na década de 90, eu me encontrava com amigas, como a Jocely, na Praia de Iracema para comer a lasanha a bolonhesa ou verde, carros chefe do La Trattoria, e tomar sangria. As mesas quadriculadas em vermelho e branco formavam uma pintura agradável. O chef Alfio oferecia a culinária tipicamente italiana. Também curtir uma música no Cais Bar era obrigatório. E como a gente se divertia. Encontrávamos amigos e batíamos tanto papo. Quantas saudades da boemia daquela geração. A Praia de Iracema era o point da moçada, incrível o movimento. Era uma delícia!

E o Mirante do Morro Santa Teresinha? Nos restaurantes de lá, eu levava os turistas amigos que ficavam maravilhados com a comida (o peixe na telha), o local e o visual abaixo. Frequentei bastante o lugar. E o Ponto de Luz nas Dunas, aquele charme de bar, com música bacana e comidinhas.

O cine Gazeta, cinema do Center Um, contou história aos amantes da Sétima Arte. Às noites de sextas ofereciam sessões de cinema de arte, sempre disputados. As amigas Cynthia e Sandra, Lúcia, as primas gêmeas Flávia e Cinthya, a prima Leyla, companheiras de filmes bons e outras saídas.

E o Pirata Bar com seu forró dia de segunda à noite? Né, prima Rebeca? A noitada do sábado com a prima Vera na Volta da Jurema (Beira Mar). Tudo saudável e jovial, com bons amigos ao lado.

As voltas dadas às sextas-feiras pela tardinha e noite na Praça Portugal para comer alguma coisa, dar umas paqueradas e encontrar as amigas Eveline, Márcia, Maria Luiza, Rosângela. Os domingos eram reservados para o banho no mar na Praia do Futuro e à noite eu nunca faltava à Volta da Jurema. E como a gente ia para lá e para cá… Meu irmão Ricardo e os amigos Roberto e Mário ficavam contando nossas voltas e se divertindo as nossas custas. Tudo era uma grande folia.

Meus irmãos Ricardo e Rogério com seus amigos também amigos meus, tudo tão bom, quanta nostalgia. Saudações aos amigos Robson e Martinha, Ferrer, Rogério, Sérgio e Lilian e tantos outros.

Fortaleza era assim, uma cidade na qual era uma gostosura ser jovem adulto e curtir cada cantinho seu.

Dedico este artigo à Fortaleza da minha juventude, paixão total. Muitos dos locais mencionados não existem mais ou se modificaram para a modernidade. Muito do charme se perdeu, em minha opinião. Aos amigos queridos, alguns ficaram pelo caminho, outros continuam até hoje, esses são valiosos. Queria que os jovens de hoje tivessem a mesma adolescência que tive, com tranquilidade, sem temor de caminhar nas ruas e com tanta leveza.

Dedico este artigo às amigas Carmen (companheira do pilates) e Roberta (proprietária do pilates Roberta Lousada) e agradeço pelo incentivo a escrever sobre a Fortaleza que conheci.

Foz do Iguaçu – Parque das Aves

Foz do Iguaçu – Parque das Aves

Hoje é quarta-feira, dia 11 de março de 2020. Vamos partir de Foz do Iguaçu à tarde rumo a Fortaleza, mas antes há um passeio imperdível: o Parque das Aves, o segundo atrativo mais visitado da cidade. A Wikipédia nos conta que se trata de um parque temático, situado próximo às Cataratas do Iguaçu com 16 hectares de mata nativa, com 1500 animais entre aves, répteis e mamíferos de 140 espécies diferentes.

O ônibus da CVC nos paga no hotel Mirante com as malas para ir ao parque. O guia se chama Israel e o motorista Nelson. O combinado de tempo é das 8h15 até às 11h30. Dá para aproveitar bastante, embora o Parque das Aves seja convidativo para ficar muito mais. O nosso grupo é muito agradável, ressalto a Adriana Polli do interior de São Paulo: Jundiaí, nossa acompanhante. Saudações, Adriana.

O transporte foi R$ 40,00; o ingresso: R$60,00, sendo que para idosos, crianças e professores: R$30,00. Vamos iniciar a jornada: a trilha do parque tem 1100 m, considerada de baixo risco. Muitas trilhas são abertas e outras fechadas com proteção. Alguns pássaros têm contato direto com a gente, como as perdizes, os tucanos e as araras.

Fantástico ver uma floresta dentro da trilha com o som da natureza. Louvável o trabalho que fazem de salvar espécies em extinção. Recebem animais traficados em situação deplorável e os socorrem. São tantos os pássaros: o mutum-de-alagoas, o savacu, o arapapá, o tucano parece de pelúcia. Também há a cobra sucuri, o jacaré-de-papo-amarelo etc.

O restaurante Tropicana está no caminho. Gostei dos sorvetes e picolés Sabores do Iguaçú. A marca dos sorvetes é PANCS – Plantas Alimentícias Não Convencionais – O Sorvete na Trilha da Natureza. Os sabores são diferenciados: vinagreira com trufas, açafrão com geleia de hibisco; capim santo com limão rosa, detox de abacaxi com leitinho com ora-pronóbis (erva que se usa como condimento), enfim bem originais.

Conhecemos a harpia ou gavião real, a maior ave de rapina do Brasil, quase extinta. O urubu-rei, o periquito-rei, a maracanã etc. O parque é limpo, bem organizado, nota 10. Deve ser bom passar tardes no local, estresse zero, nada como o contato com a natureza. As bromélias embelezam.

No percurso vemos filmes sobre os pássaros e temos contato com o Projeto Papagaio Verdadeiro de 2007. Infelizmente, é o mais traficado do Brasil. 85% dos ninhos são roubados por traficantes em locais da Mata Atlântica. O Projeto Periquito-cara-suja precisa de apoio para sobreviver.

O papagaio-de-peito-roxo come sementes da arvore araucária (pinhão). No viveiro das araras azuis e vermelhas ou amarelas e azuis, temos um espetáculo de cores. Também vimos o papagaio-moleiro e o do mangue, a coruja suindara grande, a buraqueira pequena e o murucututu grande. O borboletário é colorido, sensorial. Começa com o ovo, depois a lagarta, a crisálida e a borboleta. São tantas plantas, flores, árvores, tudo sensacional. O beija-flor-de-banda-branca, o preto e o de-fronte-violeta são uns fofos.

Parabéns ao Parque das Aves e a quem trabalha lá! A criação foi ideia do casal: Anna-Sophie Helene (veterinária) e Dennis Croukamp. De acordo com o site do parque, a alemã Anna se mudou para a Namíbia na África onde conheceu o futuro marido. Tiveram duas filhas: Anna Luise e Carmel. Na década de 80 ganharam um filhote de papagaio-do-congo, Pamucki, que se tornou membro da família. No início da década de 90 se mudaram para a Ilha de Man não Reino Unido. Um amigo sugeriu que abrissem um parque de crocodilos em Foz do Iguaçu, mas gostavam mesmo era de aves. Assim, compraram uma propriedade em Foz do Iguaçu e construíram o parque, tendo sido inaugurado em 7 de outubro de 1994. Dennis Croukamp faleceu dois anos depois da inauguração na Ilha de Man aos 70 anos, felizmente Anna continuou com o trabalho. Existe um memorial dedicado ao fundador em seu lugar favorito do Parque das Aves: o Viveiro Aves de Rios e Mangues. Desde 2010, a filha Carmel é a diretora do parque e decidiu focar as ações na conservação de espécies da Mata Atlântica. Lugar magnífico, recomendo.

Interessante mencionar que à época da construção, o mesmo site prossegue, o casal se revezava entre a Ilha de Man e Foz do Iguaçu, cuidando das filhas e das obras do parque, planejadas para que nenhuma árvore nativa fosse derrubada. Gastaram todas as suas economias na construção e graças aos esforços de diversas pessoas que se uniram à causa, o Parque das Aves ganhou forma.

Aqui termina nossa jornada em Foz do Iguaçu. Confesso ter ficado maravilhada com a seriedade e infraestrutura dos atrativos, onde o turismo é levado a sério, profissional. Agradecimentos ao nosso agente Dennis da CVC do shopping Del Paseo de Fortaleza-Ceará. Foi uma viagem que deu muito gosto.

Foz do Iguaçu – Cataratas del Iguazú na Argentina

Foz do Iguaçu – Cataratas del Iguazú na Argentina

Hoje é dia 10 de março de 2020 e iremos conhecer o lado argentino das Cataratas do Iguaçu. São 7h40m e estamos no hotel Mirante em Foz. Somos um grupo grande (34 pessoas) e o papo é bom. Muita gente de fora mora na cidade, a dona da loja de lembrancinhas do hotel, por exemplo, é de Frederico Westfallen no RS. Aconselho a loja e a boa conversa.

O passeio será puxado e mais complexo, vai até às 16 h, com caminhadas longas, trilhas, trenzinhos, pontos de parada e muita emoção. Tem que ter boas pernas e muita disposição. Lembrar a roupa e sapatos confortáveis para um calor intenso, mais repelente e chapéu. Chegaremos bem perto da Garganta do Diabo. O guia é o Rodrigo e o motorista o sr. Walter ( o mesmo do passeio a Puerto Iguazú by night da noite anterior).

Segundo o informativo da CVC, as cataratas são admiradas de ângulos diferentes na margem argentina do rio Iguaçu, onde fica o Parque Nacional Iguazú. A arrebatadora Garganta do Diabo é observada do alto sobre o trecho mais turbulento do rio.

O ingresso é R$70,00 e como é Argentina não há descontos para brasileiros. Enfim, entramos no Parque Nacional Iguazú ( Água Grande” em guarani). Segundo os guias, no lado vizinho tudo é mais complicado. A vegetação é a mesma dos dois lados, a terra vermelha é rica, fértil, viçosa, me recordo do Cariri no sul do estado do Ceará (Brasil). No portão há um guarda florestal armado.

Começamos o passeio. O parque é muito bem estruturado. O Sendero Verde (Trilha Verde): 650 m, 15 minutos, acessível 100%. Vamos até a estação Cataratas para pegar o trem ecológico. O próximo trem virá somente às 10h55, há muita gente e lota logo. Em todo o caminho existem lixeiras e paradas estratégicas. Aviso que o passeio é demorado e há filas para o banheiro e para o trenzinho. No trem vi uma marina para um passeio ecológico no rio. A selva é encantada, bela Mata Atlântica. O rio Iguaçu nos enfeitiça, trem vai e trem vem. As borboletas e a natureza nos despertam e saciam a nossa fome de vida pura.

Descemos na Estação Garganta do Diabo, aí iniciamos a trilha de 2200m ida e volta até a inigualável Garganta do Diabo passando por uma passarela de ferro. Temos uma vista panorâmica do Salto Unión. São 120 minutos e acessível 100%. Estamos dentro da reserva. Diferente do nosso parque nacional brasileiro, o da Argentina é mais dentro, mais no coração das Cataratas. Achei fabuloso caminhar sobre o rio Iguaçu e ter pequenos nichos de descanso. O visual das Cataratas del Iguazú é ESPETACULAR e INCOMPARÁVEL. O lugar é privilegiado. O sol está a pique: 35 °C, um calor infernal!

Saindo de lá, vamos ao ponto de apoio para banheiros e lanchonetes. O grupo se divide neste momento: uns vão para a praça de alimentação e outros para a trilha com 80% na sombra, são 2800m ida e volta. Decidimos pela trilha, não dá para perder. Estamos no Circuito Inferior que vai até o Salto Cabeça de Vaca. São 1700 m, 90 minutos e acessível 70%. O percurso é fabuloso com escadas, mirantes e cascatas. A Cascata Bossetti é mais uma do local. Temos uma vista panorâmica dos saltos vistos da parte de baixo e dá acesso à ilha San Martin. Aviso aos navegantes: o percurso exige muita disposição, andar uns bons quilômetros a 35°C não é fácil. Tem que passar protetor solar e fugir dos quatis. Vale a pena demais apesar do calorão.

Também há informações no folder recebido a respeito do Circuito Superior: 1750 m, 120 minutos e 100% acessível, vista panorâmica dos saltos vistos da parte de cima. A ilha San Martin: 700 m, 120 minutos e não acessível, localizada no centro das cataratas, possui trilhas e mirantes, mas a visita fica condicionada à altura do rio.  A Trilha Macuco: 7000 m, 180 minutos e não acessível, ideal para observar as aves e conhecer a selva. É uma trilha agreste, exclusivamente pedestre, interpretativa e autoguia. Solicita-se o folheto no Centro de Interpretação (de imagens da selva e história do parque) ou Centro de Visitantes “Yvirá Reta”, que significa “o país das árvores” em guarani. A viagem guiada nesse local leva 20 minutos. Bom para conhecer as culturas que habitaram a selva ao longo do tempo, seu problema de conservação e os esforços realizados para a sua proteção. A Selva Paranaense tem um alto grau de ameaça, por isso a importância do parque.

Considero o Parque Nacional Iguazú colossal em termos de cenários e infraestrutura. Na praça de alimentação existem muitas opções de comidas e há espaços com telas para os comensais a fim de protegê-los dos danadinhos dos quatis que roubam alimentos. Preferimos as empanadas com salada, combinam com o clima. Deliciosas por 70 pesos argentinos cada, ainda bem que aceitam real, dólar e euro. Isso é ser internacional, no Brasil não se tem o hábito de aceitar moedas estrangeiras, infelizmente.

No Centro de Visitantes Velho Hotel Cataratas encontra-se um museu com um pouco da história do Parque das Cataratas e do local. Ali era o antigo Hotel Cataratas do lado argentino. Também se encontra um posto de informações e o escritório da Administração do PNI. Lá existem locais comerciais com variedades de produtos. A venda de artesanato, ou seja, dos produtos dos artesãos guaranis beneficia as comunidades aborígenes locais.

Um pouco da história dos parques de acordo com o folder entregue, realizando uma travessia entre a costa do Atlântico e Assunção do Paraguai, o espanhol Alvar Nuñez Cabeza  encontrou as cataratas no ano de 1542 e as batizou com o nome de Saltos de Santa Maria. Ao final do séc. XIX, do lado brasileiro e argentino homens ilustres começam a frequentar esta maravilha da natureza e propõem protegê-las e torná-las conhecidas. No início do séc. XX foram criados os dois parques nacionais em torno delas: o Parque Nacional Iguazú em 1934 (Argentina) e o Parque Nacional do Iguaçu em 1939 (Brasil). O primeiro foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade em 1984 e o segundo em 1986.

O folder complementa que ambos os parques protegem a riquíssima biodiversidade. Algumas espécies de sua flora e fauna estão ameaçadas de extinção, como a onça pintada, o puma, o jacaré de papo amarelo, o papagaio de peito roxo, o gavião real, o madeira rosa e o ariticum (parente da fruta do conde ou ata).

Depois do almoço, entramos no ônibus às 15h15 para a volta rumo ao hotel Mirante em Foz do Iguaçu. Dia bastante produtivo e feliz. Parabéns aos parques nacionais pelo seu trabalho de conscientização e proteção da Natureza.

Foz do Iguaçu – Puerto Iguazú na Argentina

Foz do Iguaçu – Puerto Iguazú na Argentina

Após a visita à Hidrelétrica de Itaipu, voltamos ao hotel Mirante e rumamos à cidade vizinha chamada Puerto Iguazú. Hoje é dia 9 de março de 2020.  Em frente ao Doce Pão (confeitaria, restaurante e lanchonete), localizada à rua Tarobá, 992, descobrimos haver uma parada de ônibus em direção à Argentina.

Tarde

A companhia de ônibus Easy Bus nos leva às 12h40 e nos deixa no centro de Porto Iguaçu. Muitos estrangeiros também vão, mas descem na Aduana brasileira, ficam e pegam o próximo ônibus. Nós brasileiros descemos na Aduana argentina, o motorista pacientemente espera por todos carimbarem seus passaportes ou mostrarem suas identidades. Bom dizer que a CNH vale por um dia e a identidade tem que ter menos de 10 anos. Que motorista simpático, nome: Fabrício. Entra fiscalização no ônibus na fronteira a fim de evitar contrabando, por isso ele não deixou que duas pessoas viajassem com seus produtos, no caso, sapatos para vender do outro lado.

Fronteiras me atraem, seja de países seja de estados. Graças ao Fabrício, fizemos um city tour de graça dentro do Easy Bus. Como toda cidade argentina, é limpa e ajeitada. Estamos a 18 km da área das Cataratas do Iguaçu. A população é de aproximadamente 70 mil habitantes.

No centro, gostamos de um restaurante e entramos, estávamos mortos de fome. Eis o Kokue Green Bar, situado à av. Brasil, 17. Escolhemos o menu turístico: entrada, prato principal e sobremesa ou café. Eu paguei 450 pesos e o Carlos 590. O meu foi abacaxi com queijo e presunto, e frango (pollo) grelhado com molho de mostarda e batatas fritas, já o Carlos ficou com a empanada de carne e o famoso bife de chorizo.

O tratamento dado pelo gerente Sérgio foi de primeira, já havia morado em São Paulo. Percebe-se que o argentino em geral ama os brasileiros e haja papo. Interessante dizer que falam castelhano como os espanhóis, bem diferente da capital federal. A conversa rendeu tanto que ganhamos sorvete de doce de leite de cortesia. Temos sorte! Obrigada, Sérgio!

As lojas estavam fechadas por conta da sesta, tradição bem típica do país hermano (cuja origem vem da Espanha). O sol estava intenso e não tivemos muitas opções de lojas, logo entramos em uma vizinha do restaurante: La Vinoteca de Don Jorge (av. Brasil, 21). Surpreendente com uma ótima coleção de vinhos. Saímos do local com umas boas botellas de vino. Detalhe: o brasileiro pode comprar 12 litros de vinho ou azeite, aproximadamente umas três caixas e não pode caracterizar como revenda.

A Wikipédia nos conta que o clima na região é quente e úmido, algo comum na selva. O calor é sufocante entre dezembro e março.

Pegamos o ônibus de volta às 15h na mesma parada, descemos na rodoviária em Foz do Iguaçu e fomos para o hotel, uma vez que voltaríamos às 18h para o passeio By Night Internacional – Argentina em Puerto Iguazú de novo. Ai é gostar de uma aventura…

Noite

Pela CVC vamos com o guia Anderson ao mesmo lugar, só que desta vez com o grupo. Pagamos R$55,00 por pessoa. O passeio noturno tem duração de três horas. Demos os passaportes para ele fazer o trâmite aduaneiro, mais fácil, porém mais demorado. A fiscalização argentina é mais rígida que a brasileira. Ainda bem que só demoraram 15 minutos os trâmites.

A ponte que liga o Brasil à Argentina se chama da Fraternidade (ou Ponte Internacional Tancredo Neves) e une as rodovias RN 12 e a nossa BR-469. O rio Iguaçu passa debaixo dela. Mais 10 km e se vê o rio Paraná cruzando. Perto há uma Gendarmeria, ou seja, Polícia Nacional argentina.

Chegamos a Puerto Iguazú no distrito de Misionese o guia nos leva a uma loja para degustação de queijos, azeitonas, molhos e doces de leite, tudo muito gostoso. Saímos e fomos conhecer a afamada feirinha artesanal. Assim como a cidade, é simples, mas oferece quantidade de queijos, azeitonas, embutidos, salames, azeites, vinhos, alfajores, doces de leite, comidas, enfim, produtos típicos da Argentina. Vimos muitas lojas convidativas também perto da feira. Na cidade há um cassino no hotel Grand Casino Resort Spa & Casino e museus que não tivemos tempo de explorar.

Para jantar: empanadas, como sempre, com suco de pêssego natural no restaurante Balcão. Não saímos ali do centrinho.  Outros turistas fazem esse percurso para jantar, existem muitas opções de restaurantes. Vale lembrar que as iguarias como o cordeiro patagônico e o bife de chorizo são carros chefes. Voltamos às 10h20 bem satisfeitos. Eu amo a atmosfera de uma cidade argentina. Valeu a pena.

Em breve as Catataras del Iguazú…

Foz do Iguaçu – Hidrelétrica de Itaipu – Segunda Parte

Foz do Iguaçu – Hidrelétrica do Iguaçu – Segunda Parte

Hoje é dia 9 de março de 2020 e continuamos no passeio da Usina de Itaipu com o guia Adilson da CVC/Natural Travel.

A escolha deste local para a hidrelétrica se baseou na parte geográfica ideal e também no volume do rio Paraná ser menor nesta localidade. O motivo foi a demanda do sudeste do nosso país.

Há fábricas de gelo em escama nos dois países, porque o gelo colocado junto com o concreto evita rachá-lo. 

Depois de muito aprender, há uma parada no famoso mirante com banheiros e bebedouros. Ali tiramos fotos da usina e escutamos um funcionário indicado para o grupo: o sr. Antônio, de Santa Catarina. Deu-nos muitas informações relevantes. Ele se aposentou em 2010, começou a trabalhar no começo da construção em 1975 e atualmente participa do projeto Resgate da Memória Viva. Juntamente com mais sete aposentados, dentre eles, um cearense, falam sobre a construção com os turistas e mostram sua experiência. Comentou que havia muitos nordestinos funcionários à época, eram uns 80%.

De acordo com o sr. Antônio, no local do mirante havia um cânion do rio Paraná entre os dois países com 60 m de profundidade. Foram três anos para transferir o rio e escavar 156 m de profundidade e 2 km de extensão. A rocha era dinamitada três vezes ao dia. A água tinha 90 m de profundidade. A barragem de entroncamento teve rochas dinamitadas de 60 m de profundidade. O leito original foi seco para a construção da barragem. Para isso, foi necessária a construção de um desvio para o rio Paraná, finalizado em 20 de outubro de 1978. A barragem tem 196 m de altura e em 1982 ocorreu o término da sua construção. Logo, houve o represamento do rio Paraná, interessante que o meio do rio está no Brasil e a outra metade no Paraguai.

O rio Paraná nasce na confluência dos rios Paranaíba e Grande na região de divisa entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, segundo o site www.suapesquisa.com; e o rio Iguaçu no limite de Curitiba com São José dos Pinhais, liga a Serra do Mar ao extremo oeste do estado do Paraná em Foz do Iguaçu, de acordo com http://www.extraguarapuava.com.br.

O turismo é muito importante na região e um dos pilares da missão da Itaipu Binacional. A usina é um atrativo a mais. Digno de nota mencionar que, conforme o site itaipu.com.br, a empresa atua na promoção da atividade turística como forma de estimular o desenvolvimento da região de fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Trabalha com ações socioambientais, espaços educativos, protege a flora e a fauna e cuida da água. Vale a pena citar o Ecomuseu e o Refúgio Biológico Bela Vista.

O Ecomuseu engloba vestígios arqueológicos de mais de 200 sítios, entre pré-cerâmicos e cerâmicos, acervo botânico de mais de 900 espécies, acervo zoológico, coleção etnográfica e geológica etc. Já o Refúgio Biológico Bela Vista é referência em conservação de fauna e flora especialmente para outras empresas do setor elétrico. Ocupa uma área de 1780 hectares. Faz parte o Zoológico Roberto Ribas com 172 animais de 50 espécies. Conta com o mais bem sucedido programa de reprodução de harpias e também tem sucesso na reprodução de onças pintadas. Em 27 de junho de 2020 completou 35 anos de história. Detalhe: a Wikipédia ressalta que a harpia se chama também “gavião-real” e se trata da mais pesada e uma das maiores aves de rapina do mundo, com envergadura de 2,5 m e peso de até 12 k.

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Muro colorido do lado de fora da Usina de Itaipu-foto tirada por Mônica D. Furtado

Achei fascinante o passeio, tanta riqueza me surpreendeu. Tudo muito organizado e eficiente. O grupo então se separa, de lá uns vão fazer compras no Paraguai e outros, como nós, vão para o hotel.

Em breve um pulinho em Puerto Iguazú na Argentina.

 

Foz do Iguaçu – Hidrelétrica de Itaipu – Primeira Parte

Foz do Iguaçu – Hidrelétrica de Itaipu – Primeira Parte

Hoje é segunda-feira, dia 9 de março de 2020. A manhã está destinada à Itaipu, a maior usina do mundo em geração de energia limpa e renovável do planeta, sem poluentes. O guia se chama Adilson. O valor cobrado foi R$42,00 integral e meia R$21,00. Professores e estudantes da ativa pagam meia se apresentarem comprovação (para os mestres: contracheque). Na entrada há caixas rápidos de bancos.

Na entrada vemos um filme sobre a fundação da hidrelétrica. Temos 15 minutos para comprar os tíquetes, ver a lojinha e ir ao banheiro. Recebemos os tíquetes de volta do guia e nos dirigimos ao ônibus. Faremos um tour externo dentro da usina com parada no mirante.

Do ônibus admiramos um lago logo na entrada com capivaras. O Canal da Piracema estava com pouca água, lembrando que a seca na região estava longa. O canal com leito do rio Paraná tem corredeiras com peixes, monitorados por Itaipu. O Projeto Piracema ganhou um prêmio pelo maior peixe.

Segundo o site www.itaipu.gov.br, o Canal da Piracema foi inaugurado em dezembro de 2002. O sistema de 10,3 km de extensão funciona como um corredor ecológico, permitindo que os peixes migradores superem os 120 km de desnível médio da barragem de Itaipu e alcancem as áreas de reprodução na planície do Alto Rio Paraná e Parque Nacional de Ilha Grande.

40 mil funcionários construíram a hidrelétrica. Itaipu fez a infraestrutura para as pessoas que vieram trabalhar na usina de dois países: Brasil e Paraguai. Eram vinte e sete toneladas de alimentos servidos nos refeitórios com a construção acontecendo 24 horas por dia.

O vertedouro da hidrelétrica escoa o excesso de água. Estão reformando no momento. Este local é o cartão postal da usina. Pena estar tão seco no momento. Os números impressionam: 62 milhões de água por segundo; 14 comportas de 300 toneladas cada. Detalhe: a Usina Hidrelétrica de Baixo Iguaçu, construída no trecho final do rio Iguaçu, está diminuindo o volume das Cataratas do Iguaçu.

As árvores do local foram plantadas pelos funcionários aposentados e pelos políticos presidentes. A rocha escavada, de basalto e rocha ferro, para criar o canal de desvio foi feita em três anos (1975 a 1978) 24 h por dia: 3 mil quilos por m³. Usaram 80% na contenção do rio Paraná; 20% trituraram e utilizaram no concreto. Tudo é dividido entre Brasil e Paraguai (50% cada). Estamos no lado brasileiro.

Passando por uma linha imaginária chegamos ao lado paraguaio. Interessante dizer que se trata de um país dentro de outro país, parece com o Vaticano e seu aparato de segurança. Em caso de guerra, Itaipu fecha. A avenida em que estamos está a 144 m acima do nível do mar, já a barragem está a 196 m.

O Brasil utiliza 50% da energia e o Paraguai somente 10%, o restante o país vizinho vende ao Brasil. Como sobra, a energia é barata lá. No Brasil a ELETROFURNAS faz a distribuição, no Paraguai a empresa ANDE (Administración Nacional de Electricidad). De acordo com o site itaipu.com.br, são 20 unidades geradoras (de 700 MW-megawatt cada) e 14.000 MW de potência instalada. Itaipu fornece cerca de 11,3% de energia consumida no Brasil e 88,1% do consumo paraguaio. A palavra “energia” vem do grego “enérgeia” que significa “força em ação”.

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Maquetes da Usina de Itaipu em exposição na entrada do complexo-foto tirada por Mônica D. Furtado

O mesmo site diz que a construção foi resultado de intensas negociações entre o Brasil e Paraguai iniciadas na década de 1960. Algumas datas ficaram na história: a assinatura do Tratado de Itaipu pelos presidentes Emílio Garrastazu Médici (Brasil) e Alfredo Stroessner (Paraguai) datou de 26 de abril de 1973, instrumento legal para o aproveitamento do potencial hidráulico do rio Paraná; em 17 de maio de 1974 foi constituída a empresa Itaipu Binacional, para construir e gerenciar a usina, as primeiras máquinas chegaram ao canteiro de obras ainda nesse ano; em 21 de maio de 2007 foram inauguradas as duas últimas unidades geradoras (U9A e U18A); e em 31 de dezembro de 2016 Itaipu atingiu o recorde mundial de geração anual de energia com 103,1 milhões de MWh. O site infoescola.com adiciona que a usina foi inaugurada oficialmente em 5 de novembro de 1982 pelos presidentes João Figueiredo (Brasil) e Alfredo Stroessner (Paraguai) ao abrir as 14 comportas do vertedouro.

Fizeram financiamento de 20 bilhões de dólares à época para a construção de Itaipu. Há sempre um diretor brasileiro e um paraguaio na condução da usina. Em 2023 se encerra o boleto bancário. Quem sabe nossa energia fique mais barata?

A barragem tem três divisões: terra, rocha e concreto. A água de infiltração foi imaginada pelos engenheiros. Eram vários, por sinal, mas o principal era indiano. Eram 100 mil funcionários no início, hoje três mil (brasileiros e paraguaios). O reservatório, que se situa do lado esquerdo, produz energia e é fixado com entroncamento. Vai até Guaíra no Brasil, onde existiam as Sete Quedas de Guaíra que hoje estão no fundo do reservatório. A extensão é de 4 mil km no nosso país. O site itaipu.com.br nos conta que o lago de Itaipu começou a ser formado em 13 de outubro de 1982. Em 14 dias estava cheio, tendo uma área inundada de 1350 km². Em maio de 1984 começou a gerar energia. Já a venda de energia iniciou em 1° de março de 1985 (infoescola.com).

O site infoescola.com nos reporta que houve uma operação (Mymba Kuera, “pega-bicho” em tupi-guarani) com o objetivo de salvar os animais que viviam na área inundada. Mais de 36 mil foram salvos. Os moradores da área receberam indenização e deixaram suas propriedades. Com a inundação, as Sete Quedas (ou Salto Guaíra), até então, a maior cachoeira do mundo em volume de água desapareceu. A cidade é uma das que recebe royalties de Itaipu. Aliás, “itaipu” significa “a pedra que canta” em tupi-guarani.

O site itaipu.com.br esclarece que Itaipu paga royalties pelo aproveitamento dos recursos hídricos pertencentes aos dois países. No Brasil, beneficia 16 municípios: 15 no Paraná e um em Mato Grosso do Sul.

Prosseguiremos em breve com mais Hidrelétrica de Iguaçu.