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Jornada no Rio Grande do Norte – Chegada a Galinhos

Jornada no Rio Grande do Norte – Chegada a Galinhos

Hoje é dia 19 de outubro de 2021. Às 8h40 da manhã o Carlos e eu partimos de São José de Touros com saudades da pousada Enseada dos Mares e de São Miguel do Gostoso, cidade alegre e vibrante. Voltaremos!

Na estrada, de carro laranja novamente. Lá vamos nós rumo a Galinhos, lugar da moda atualmente no litoral norte do estado. Em direção a João Câmara à procura da BR-406, mas antes pegamos uma estadual sem número, só lembrando que são mal sinalizadas as RNs do estado vizinho, além de não terem acostamento. Tudo verde pelo caminho, plantações de macaxeira, coqueiros, fazendas de gado, mangueiras e frutas como melancia na terra fértil.

Chegamos a Boa Cica no calçamento ondulado. Graciosa. Passamos por Cana Brava, com suas vendas de frutas e macaxeiras em frente as casas, um barato. A natureza começa a ficar mais árida logo adiante, parece a vegetação do cerrado. Quando se inicia a caatinga, o calor do “bafo de dragão” nos incomoda. Mais 52 km e chegaremos a João Câmara.

Enfim, pegamos a BR-406. Ao longo da BR vimos o parque eólico Brisa Potiguar. A águia pequena, mas valente dita carcará faz parte da paisagem. São família, cuidam dos filhotes. Outro parque eólico, Santa Helena, mais a frente. Estamos nos dirigindo à cidade de Jandaíra, porém antes existe Aroeira Direita, com suas vendas de frutas, mel, manteiga da terra, melancia e biscoitos pelo caminho.

Entramos em Jandaíra, cidade pacata, com menos árvores, mais quente, com a BR a cruzando. Ao lado da prefeitura, uma feira funcionando. Pelo caminho, árvores “algarobas”, resistentes ao calor. Cidades interioranas são uma delícia, mostram um outro Brasil, mais acolhedor e amigável.

Mais 25 km e chegaremos ao portal de entrada de Galinhos. 5 km antes já nos deparamos com cheiro de mangue e sal, há salinas na região. Contornamos um lago salgado, um braço de mar. Agora vem o barato do local. Deixamos o carro gratuitamente em um estacionamento (Pratagil), com uma pequena infraestrutura de restaurantes e lanchonetes, e ficamos esperando pela balsa que cruza o rio Aratuá de meia em meia hora.

As pessoas sempre solícitas. Entramos no primeiro barco que chegou àquela hora. Era um barco de transporte da prefeitura. Nós e os outros passageiros acompanhados de nossas “tralhas”, além de bananas e águas. Uma graça. Pagamos R$10,00 os dois. Caso não haja 8 pessoas, a cobrança é de R$30,00 por pessoa. Somente se chega no local de balsa ou de carro tracionado sobre as dunas, pois Galinhos é uma península, parece uma ilha.

No terminal ou cais, encontramos charretes esperando pelos turistas para levá-los às pousadas, exótico demais. Não entra carro, vimos bugres. Andar a pé ou fazer passeios de charretes, eis a pedida.

Escolhemos a pousada Oásis, fomos a pé. Original, bem decorada, repleta de cores, flores, plantas, pássaros artesanais, com chalés Vênus, Sol e outros planetas, cheia de gatos, com porta decorada com bonecas de pano. Amei! Depois o Carlos descobriu que fazia mais calor e tinha mais moscas por ser ao lado do rio. Já as outras pousadas para o lado do mar eram mais frescas, embora mais longe do terminal de balsas. Sem arrependimentos.

Eu nunca vi nada igual a esta pousada. O chalé é aromatizado, o banho de água fria é mineral, temos direito a um garrafão de água, lembrando que a água é salobra, fica destinado ao corpo, e a água mineral para o cabelo e para escovar os dentes. Há espelhos, ganchos, lugares para as roupas, ar-condicionado, TV, em suma, com tudo isso me senti realmente no espaço sideral. O calor estava intenso, úmido.

Aviso que Galinhos não é barato, a não ser lugares mais simples e dos nativos. Detalhe: é aconselhável ter dinheiro em mãos, pois nem todo estabelecimento aceita cartão.

A pousada tem restaurante para almoço e jantar: Porto Bistrô. Maravilha! Almoço: peixe, arroz, feijão, farofa, simples e nutritivo, com pouco sal e açúcar.

Após descansar, à tarde com menos calor, combinamos com o Hiago um passeio de “burro táxi” pela cidade e praias por R$20,00 por pessoa. O jovem Hiago (84-992281433) é gente boa, eis uma boa dica. Está sempre pelo terminal de balsas, todos o conhecem e o empreendimento de transporte com charretes passa de pai para filho, muito diferente para quem vive em cidade grande.

Importante dizer que a região é composta de Galinhos, Galos e um assentamento, contabilizando uns 3.300 habitantes, segundo o Hiago. O passeio de burro táxi (na verdade, é um cavalo chamado de Parafuso) pela areia da praia trepida e emociona, uma hora de uma aventura equestre. Conheceremos o Farol das Almas na praia do Farol. Há uma enseada gostosa para banho e haja vento àquela hora.

O farol é automático à noite, funciona das 18 h às 5 h. Existem 12 plataformas de petróleo no mar na área. O pôr do sol é especial, em um local tão cativante. Os nativos costumam caminhar ou correr pela areia até lá.

O Hiago nos mostrou a cidade: posto de saúde funcionando, delegacia, prefeitura, Câmara Municipal (dos vereadores), escola municipal e estadual, centro com praça bem cuidada, a catedral Matriz sendo construída. Também nos deu sugestões de lanchonete de gente da terra (dona Reinilda). As ruas têm canteiros centrais coloridos com árvores e bancos. Há calçamento ou areia, depende da via. Posso dizer que isso apaixona. Galinhos é um sucesso.

Jantar: foi na casa da dona Reinilda, nas mesas instaladas do lado de fora na rua de areia. Preço justo por tapioca, cuscuz e café com leite. Lanche bem nordestino.

Dia muito produtivo e com gosto de quero mais no dia seguinte.

Jornada no Rio Grande do Norte – São Miguel do Gostoso – um pouco mais sobre a cidade

Jornada no Rio Grande do Norte – São Miguel do Gostoso – um pouco mais sobre a cidade

Hoje é dia 18 de outubro de 2021. Já quase no fim da visita à região. Manhã – ter só a gente no café da manhã foi bom demais. Depois, banho nas piscinas naturais em frente à pousada Enseada dos Mares em São José.

Tarde – Almoço no restaurante afamado Trapiche, original, colorido, uma maravilha para fotos. Decorado com um caramanchão florido, e chapéus e quadros de dizeres na parede. O calor estava intenso, logo nos refrescamos com uma cervejinha. A comida é fenomenal: peixe badejo na cama de queijo de coalho, com acompanhamento de molho especial de castanha, passas e banana caramelizada. Pagamos R$49,00 por pessoa. Vale a pena conhecer lugar tão aprazível.

Ali perto há uma geladeira “biblioteca” na calçada. É interessante acrescentar que São Miguel é pacata, interiorana. Muito do comércio e restaurantes são fechados às segundas, abertos são os mercadinhos 24 horas na avenida principal (Avenida dos Arrecifes).

Noite – Realmente não tínhamos opções variadas, então ficamos no velho sanduíche. Gostamos do Pittsburg na Av. dos Arrecifes. Pedimos um pitts chicken (de frango) com um suco de mangaba, que amamos. Pena tal fruta não existir no Ceará, embora exista na Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte. O dono ter vindo saber se havíamos apreciado o sanduíche foi elogiável. Já estávamos em clima de despedida e saudosos.

Enfim, São Miguel é uma cidade habitável, com qualidade de vida, onde as pessoas se conhecem e interagem. Mil pontos. Amor total.

Agora curiosidades sobre a cidade. Segundo o folder Gostoso de Bolso (2021), o sugestivo nome do lugar remete a um antigo morador, Sr. Manoel. Bem humorado, acolhia os visitantes e contava histórias engraçadas, das quais ele mesmo morria de rir. Sua risada marcante acabou o batizando de Sr. Gostoso. A cidade foi fundada pelo missionário frei João do Amor Divino em 29 de setembro de 1884, dia de São Miguel Arcanjo. O folder adiciona que São Miguel é posicionada bem na curva do continente, tendo sido uma base estratégica de militares durante a II Guerra Mundial (1939-1945).

Sem dúvida, basta o nome da cidade para atrair visitantes. Voltaremos, São Miguel do Gostoso!

Em breve, Galinhos…

Jornada no Rio Grande do Norte – Touros – Farol do Calcanhar

Jornada no Rio Grande do Norte – Touros – Farol do Calcanhar

Hoje é domingo, dia 17 de outubro de 2021. Manhã. No café da manhã, chamo a atenção do bolo “moça”, tipo o “mole” do estado do Ceará, uma delícia, doce e mais seco que o nosso. Vamos aproveitar o banho das piscinas naturais na praia de São José em frente à pousada Enseada dos Mares.

Tarde. Decidimos ficar para o almoço em São José mesmo. Ao lado da pousada, há o restaurante Bar do Júnior à beira mar. O risoto de camarão, regado por um espumante italiano lambrusco branco Decord que levamos, foi especial. Aqui fica um alô para o menino Leandro, Gisele, Dedé, Júnior e Juli. Ali todo mundo se conhece, são simpáticos e acolhedores. Obrigada!

Mais à tardinha, fomos conhecer de carro tracionado o Farol do Calcanhar na praia do Calcanhar em Touros. No caminho, vimos coqueiros mil, casas simpáticas, observei que não se vê um pedinte na rua, as pessoas vivem com dignidade. Existem verdadeiros sítios, com muito verde, tudo bucólico. De São José, entramos à direita em direção a Natal na BR-101, e chegamos à praia do Calcanhar.

Segundo o Guia Quatro Rodas Brasil (2013), Touros é apelidada de Cotovelo do Brasil, a cidade fica no ponto em que o litoral do país começa a correr de leste a oeste. Como a vizinha Maracajaú, Touros também tem mergulho livre nos parrachos (formações de recifes). Ondas fortes quebram nas praias mais bacanas da cidade. Touros, boa para surfe e Calcanhar, com coqueiros e dunas, onde fica o farol do Calcanhar, o mais alto do país: são 298 degraus até o topo.

O farol em preto e branco, tem 62 m e é controlado pela Marinha do Brasil. Não pudemos chegar perto. Detalhe: é o segundo maior das Américas. No local encontramos uma família de Chapecó (Santa Catarina), moradores de Touros. Como existem catarinenses na área. Fiquei impressionada.

Depois de tirar nossas fotos costumeiras, pegamos a BR-101 novamente e conhecemos o monumento do Marco Zero da BR-101, obra do arquiteto renomado Oscar Niemeyer, que liga Touros à cidade de São José do Norte ao sul do Brasil. Diz na placa de outubro de 2020: “O Município de Touros, situado na costa leste brasileira, encontra-se em uma área em que o litoral faz a curva conferindo a este o apelido de “Esquina do Brasil”. Seu território, rico em belezas e histórias, comporta grandes monumentos da cultura material e imaterial do país.” Foi realizada por Francisco de Assis Pinheiro de Andrade (prefeito de Touros) e Fernando Antônio Melo Rocha (Secretário de Turismo).

Passamos pela Lagoa do Sal, distrito com fazendas de gado, e rumamos ao centro de São Miguel do Gostoso. Aproveitamos para visualizar o famoso restaurante Trapiche e ver o cardápio. O lugar é uma lindeza. Fica pra o próximo dia.

Noite. Descemos a pé até a rua da Xêpa, já estava na hora de fazer um lanche. Escolhemos o restaurante Gênesis, um dos atrativos da rua. Bem decorado com plantas, cadeiras diversas e coloridas nas mesas, alegre, com pendentes diferentes e várias samambaias no teto, uma lindeza! Só não tinham sucos naturais, pode? Eu pedi hamburguer vegetariano: pão de fermentação natural, hamburguer de grão de bico com beterraba, creme de girassol, tomate confit e folhas. O Carlos quis o do Sertão: pão de fermentação natural, hamburguer artesanal, bacon, picles de maxixe, queijo coalho e chutney de cebola. Excelentes ambos. Recomendo. Refeição acompanhada por música francesa leve e servida em uma cerâmica preta, um sonho. De lá ainda tomamos sorvete na Gostoseria. Que rua da Xêpa mais graciosa! Amei!!! Outros restaurantes dignos de nota: Borogodó, Palmira, Abelhuda, Tomaladacá (creperia) etc.

Continuaremos com São Miguel do Gostoso em breve…

Jornada no Rio Grande do Norte-São Miguel do Gostoso-Marco de Touros

Jornada no Rio Grande do Norte – São Miguel do Gostoso – Marco de Touros

Hoje é sábado, 16 de outubro de 2021. O banho de mar foi em frente à pousada de novo, nas piscinas naturais da praia de São José. Entre as rochas se formam as piscinas. Banho dos melhores. A pousada Enseada dos Mares se situa na RN-221-7 em São José, Touros. Sua posição é privilegiada.

Curiosidades do local: dizem “km”(ka/eme), ao invés de kilômetros. No centrinho de São Miguel há vendas em frente às casas: de frutas, batata doce, macaxeira (aipim), produtos da terra etc. Torna a cidade mais colorida, tropical e alegre.

Para quem vai a São Miguel do Gostoso sem um carro potente (de tração), a dica é pegar uma jardineira própria para turistas. Lembrando que os passeios nos arredores são para lugares, cujas estradas são de carrossal. No caminho se encontram muitos coqueiros e mandacarus. Algumas localidades têm bloquete e um pouco de asfalto nas suas ruas.

Manhã. Vamos conhecer o Marco do Descobrimento hoje. 15 km de São Miguel do Gostoso. Seguiremos rumo à praia de Tourinhos com estrada de carrossal ou costela de boi, como dizem. Entre Tourinhos e Marco, as dunas estão em muitos pontos engolindo a estrada. Descobrimos praias sem uma viva alma. A placa indicando a praia de Marco mostra 2 km. Detalhe: a estrada é péssima, o Carlos e eu nos sentimos aventureiros, estilo Indiana Jones. A região tem um tipo de carneiro adaptável a esse calor imenso. Antes de chegar a Marco, vimos barcos de pesca e a praia Morro dos Martins. O local tem posto de saúde, quadra de esportes, boa sinalização, maior do que imaginávamos. A aridez é acentuada, a claridade chama a atenção.

Enfim, chegamos a Marco. Existem barracas/restaurantes à beira mar. O monumento é pequeno e se trata de uma réplica, pois as pessoas raspavam e faziam chá, uma pessoa me contou. Atrás dele, existe a diminuta Capela de Nossa Senhora dos Navegantes. Estamos perto do meio dia, logo a luz e o calor são intensos!

Eis a história do Marco do Descobrimento. No ano de 1501, a expedição saída de Portugal, comandada pelo navegador Gaspar de Lemos, fez sua primeira parada na praia de Touros, onde foi fixado o Marco de Posse Colonial, o Marco de Touros, moldado em pedra de mármore… (esta explicação está escrita em uma placa no km 02 da BR 101 (sentido Natal) em Touros). De acordo com o Guia Quatro Rodas Brasil (2013), é o monumento mais antigo do país. O original se encontra no Forte dos Reis Magos em Natal (capital do RN).

A praia estava quase deserta e as casas sem movimento. Voltamos pela praia até Tourinhos, muita gente faz isso, pois diminui a jornada. Subimos em dunas de areia, vimos praias com enseadas e rochas, foram 20 minutos com a tração reduzida do Jimny (Suzuki). Emocionante.

Tarde. Voltamos à praia do Cardeiro em São Miguel. Novamente ao Bar do Tico para um almoço de peixe vermelho, com macaxeira frita e salada, e para refrescar, uma cerveja. Simples e bom, recomendo. Interessante que nessa praia, o mar fica muito longe, a caminhada para um banho de mar no sol inclemente não nos tentou.

Após o almoço, passeio pela praia. Conhecemos a bucólica praia do Santo Cristo na Ponta do Santo Cristo. Considerada a mais badalada da cidade, por causa do movimento de kite e windsurfistas, uma das melhores do mundo para a prática desses esportes, segundo o Guia Quatro Rodas Brasil (2013). Bom dizer que vi policiamento e lixeiras na praia.

Mais banho nas piscinas de São José à tardinha.

Noite. Jantar/lanche no Bodega Café (da catarinense Virna) no centrinho de São Miguel (Av. dos Arrecifes, 1333), e mais caminhada pela rua da Xêpa, a qual gamei, com seus restaurantes transados e variados. Dia completo e feliz.

Prosseguiremos em breve com novas aventuras…

Conto de Pós-Natal por Ana Tavares

Conto de Pós-Natal por Ana Tavares

Medo. Pós-Natal…

Dia 24 nos reunimos como pudemos. Cinco filhos e proles, tudo parcelado. Uns viriam um dia, outros em outro e assim seria nosso Natal com mamãe, de 102 anos.

Éramos vinte e um vacinados contra a tristeza, a ruindade do mundo “cão” e contra a COVID. Duas crianças inocentes em campo aberto sem vacinas.

Teve comida farta, leitura de passagens da Bíblia, abraços, distribuição de presentes, várias lembranças dos outros Natais parcos ou fartos, mamãe meio adormecida e nós, contentes, por estarmos num espaço sagrado, ideal para este dia.

Na manhã seguinte, noblesse oblige¹, a metade voltou, ávida para retornar à festa e, evidentemente, para comer as excelentes iguarias que sobreviveram.

Entre os muitos telefonemas de confraternização, recebemos um que abalaria qualquer sobrevivente na Terra hoje: “acabei de receber meu exame positivo da COVID”. Silêncio sepulcral. Quem vai pegar também?

Um infectologista nos aconselha exame após cinco dias. Assim foi feito. Todos pensamentos concentrados no querido infectado e nas crianças… Era um tal de telefonemas e mensagens de “Coméquitatú”? Dois dias depois, o comunicado da esposa do infectado. Estava com COVID.

Cinco dias depois nunca entregamos nossas narinas para um cotonete gigante com tanto gosto… (nunca pensei que dois ou três dias para os resultados custasse tanto a passar). Até agora, negativados. Susto grande…

¹ “Noblesse oblige” significa, à letra, “nobreza obriga”. Esta expressão é utilizada quando se pretende dizer que o facto de pertencer a uma família de prestígio ou ter uma certa posição social ou ter um nome honrado ou famoso obriga a proceder de uma forma adequada, à altura do nome que se tem.’ In Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/noblesse-oblige/13583 [consultado em 03-01-2022]

A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará, e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Coleção de Contos de Natal por Ana Tavares

Coleção: “Meus Natais que Ficaram” por Ana Tavares

Momentos inesquecíveis

Anos 50, Natal se anunciando. Dinheiro raro, casa pequena, encerada com escovão, móveis cheirando a óleo de peroba, toalha bordada a mão.

Meus pais e nós, seus cinco filhos, todos reunidos para fazer a árvore de Natal. Sim, fazer! Cabo de vassoura, papel-celofane verde, algodão. Cada um tinha uma função.

Meu pai, seu Façanha, tratava de armar a árvore. Fran, com muita seriedade, no alto de seus 8 anos, sentia o peso de sua responsabilidade ao ajudá-lo. Mamãe, dona Maria Augusta, fazia o grude para que, Regina, delicadamente, colocasse os papéis-celofanes verdes cortados em franja por mim.

O momento mágico era quando minha mãe chegava com as caixas de bolas, enroladas em papel de seda amarelado pelo tempo. Cuidadosamente, ela as colocava uma a uma na árvore. Esta hora era muito especial, pois as bolas eram quebráveis, além do mais, a Teresa, nossa ajudante, tinha que ficar atenta ao Carlos e Maria de Fátima, para que eles controlassem o fascínio pelas bolas, pois queriam amassá-las com as mãos. Todos nós cuidávamos de nossas obrigações e da deles, sentíamos que papai e mamãe queriam que os dois menores ficassem perto de nós, naquele momento tão mágico.

Tudo era feito com muita ternura, união e sobretudo com muito amor. Sei que papai tirava um tempo do seu precioso descanso de final de semana para fazer isso. Sei também que nós, sua querida família, era tudo para ele. Trabalhava muito, ganhava pouco com a venda de tecidos. Nesta época natalina, as vendas eram muitas, porque contava-se nos dedos as lojas que vendiam roupas feitas, além do mais, eram caras. Tempos bons…

Das Necessidades à Prosperidade

A vida é feita de lutas, de pobreza à prosperidade, de alegrias, e tristezas, de altos e baixos, de decepções e de sucessos… É preciso viver tudo para depois contar este tudo entre a paz e a serenidade!

Meus Natais que ficaram são retratos da vida. Cresci entre mesas parcas e fartas. Habituei-me aos dias econômicos de alegrias à alternância de dinheiro no bolso, à fartura vinda em abundância na hora certa.

Em nossas inúmeras viagens, observo a paciência e respeito de minha Carol Tavares, quando entro em qualquer igreja pela primeira vez, seja suntuosa ou simples, e digo: pera aí que vou entrar aqui e agradecer…

Entro nos dias de rituais natalinos da minha irmã Regina Stela Façanha. Cronograma severo entre os dias 21 e 24 de dezembro. Depois da árvore, lapinha, decoração da janela dos quartos, cantinho do Menino Jesus, decoração da mesa, começamos o ritual dos biscoitos confeitados (confesso que não temos alemães em nossa linhagem, mas os biscoitos… são tão gostosos). Bons tempos…

A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará, e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Coleção: Contos de Natal por Ana Tavares

Coleção: Contos de Natal por Ana Tavares

Minha Árvore de Natal

Ser grato, agradecer, será fácil? Quando a gente agradece, a alma liberta.

Nas mínimas coisas, podemos agradecer, quer ver? Se despedir de um par de sapato velho querido, aquele que se moldou nos teus pés, que te acompanhou para tantos lugares? Pois bem, é chegada a hora de doá-lo para alguém, hora de agradecer aos céus por ter te permitido as belas caminhadas com ele.

Esta semana, resolvi desembalar minhas coisas de Natal. Disse adeus para muitas delas, agradecida por tantos belos natais que passamos juntas… Surpreendida, observo que os três últimos “andares” de minha querida árvore de Natal, que me acompanha há mais de 12 anos, se quebraram. Não resistiram à maresia… No primeiro instante, senti que a tristeza bateu. No segundo, eu disse: hora de agradecer tantos natais passados juntos, você me embalava até com bilhetinhos de agradecimentos, não era, Ana? Era…

Então, obrigada, muito obrigada. Este ano, coração apertado, nos despediremos. No próximo ano, você irá para um asilo de velhinhos, encantá-los. Aqui em casa, sentirei sua falta, viu?

Te agradeço pelos belíssimos momentos em que você esteve junto a mim. Merci.

O Natal que Papai Noel adormeceu

Árvore de Natal sem graça, vela esmaecida, presente de/para, anjo pálido, festão desbotado… foi tudo isso em um Natal longínquo. Com o diagnóstico de câncer na mão, esperando começar o longo calvário de cirurgia, quimioterapia e suas consequências logo após o período das festas…

Atordoada (será que Papai Noel adormeceu?) olhava para as lâmpadas que piscavam em minha árvore de Natal e para minha linda filha Carol que mal começava a dizer mamãe…

Foi neste Natal que prometi a mim mesma que ia lutar para viver! Fiz este relato para mostrar que a vida é assim! Tem horas que nos sentimos reis e rainhas do mundo, horas em que somos humildes servos.

A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará, e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Jornada no Rio Grande do Norte – São José e São Miguel do Gostoso

Jornada no Rio Grande do Norte- São José e São Miguel do Gostoso

Dia 15 de outubro de 2021. Estamos o Carlos e eu na Rota do Gostoso, na praia de São José. O café da manhã na pousada Enseada dos Mares foi substancial, porém observei não respeitarem os protocolos da COVID (a não exigência de máscaras e o café ser servido como buffet e não em separado). A refeição tem o que sempre se encontra no Nordeste, de diferente: batata doce, banana frita, suco de mangaba (que saudades!) e bolos caseiros com calda de chocolate, tentação. Aprovado! Ainda mais em um local com um visual tão arrebatador do mar.

Tomamos banho nas piscinas naturais da praia de São José em frente à pousada, praticamente só tinha a gente, uns meninos e um pescador lá adiante. Pedras na praia, coqueiros mil e a pousada. Belo o lugar. Achei parecido com o coqueiral de Icapuí no Ceará.

Para o almoço, rumamos a São Miguel do Gostoso. Na praia do Cardeiro, na região central, há dois cantinhos famosos: o Sheik´s e o Bar do Tico (o dono Dedé). O mar é bem afastado. A garçonete Nininha do Bar do Tico nos atendeu e pedimos lagosta grelhada, macaxeira frita, salada, arroz e farofa. Fazia tempo que não apreciávamos uma lagosta, tudo delicioso regado a uma cervejinha para espantar o calor. Os dois restaurantes são uma espécie de oásis na praia. O calor é imenso.

Um passeio de carro pela cidade, as casas coloridas chamam a atenção. Lembrei muito de Pontal de Maceió no Ceará.

À tarde, passeio a Tourinhos, 8 km de chão batido (de terra vermelha ou carrossal ou costela de boi), saindo de São Miguel. Para ir, se vai de jipe ou bugre. Vamos conhecer a praia e o afamado pôr do sol. Passamos pela praia do Reduto e depois Tourinhos. Vimos um assentamento popular e dois empreendimentos de casas a serem construídas.

Em Reduto, há venda de labirinto com casas, lojinhas, igreja. Em Tourinhos, existem barracas de praia com movimento intenso, são elas: a do Luiz Pescador, do Carlinhos, da Dedé etc. O pôr do sol é imperdível, vale a pena. O mar em forma de enseada é calmo. Surfistas, famílias, turistas fazem a festa nas barracas, na praia e sobre a falésia. O ambiente é de paz. Amei o “point”. Interessante dizer que os arrecifes são impregnados de crustáceos. Não se pode tocar, porque cortam.

À noite, em São Miguel do Gostoso novamente. Descemos no centro em frente ao Mango´s (creperia e sanduicheria). Pedimos De los Roques (crepe estilo Marguerita) com suco de maracujá e abacaxi com hortelã. Na avenida principal “dos Arrecifes”, o burburinho é grande. Os restaurantes, cafés, creperias são estilosos, com luzes, cores, bem decorados. O ritmo da cidade é interiorano, ou seja, mais lento. Ninguém tem pressa. Para finalizar o dia, paramos no Bodega Café e lá veio mais um salgado e uma torta de limão caseira. A proprietária Virna é instrutora de windsurfe, veio de Santa Catarina e é um bom papo.

Saímos de lá e descobrimos uma rua fantástica: a rua da Xêpa, que deságua na pracinha e na praia do mesmo nome na área do centro. São vários restaurantes, um mais magnífico do que o outro, doceria, sorveteria, lojinhas, churrascaria, pizzarias, drinkerias, enfim, um evento. Gente bonita, interessante. Enfim, o local é vibrante. Lembrei-me de ruas assim pelos cantos do mundo: a Broadway, em Canoa Quebrada no Ceará; a Rue des Bouches, em Bruxelas na Bélgica; a Rue de Saint Jacques, em Paris na França; e por aí vai. Delirei!

Para completar, encontrei uma caixa (um box) com livros para a população, onde estava escrito: “Ler é Bom”, Casa dos Livros. Já estava apaixonada por São Miguel, aí fiquei mais ainda. E a lixeira é em forma de coco com canudo, ufa, delírio total.

Prosseguiremos com mais de São Miguel ou Gostoso, como alguns nativos dizem.

Jornada ao Rio Grande do Norte – de Mossoró a Touros

Jornada ao Rio Grande do Norte – de Mossoró a Touros

Hoje é dia 14 de outubro de 2021. Saímos do Thermas Hotel em Mossoró, pegamos a rotatória direção a Natal e rumamos a Assú, são 75 km na BR-304. Muito calor e terra árida na jornada.

Entramos em Assú, passamos pela Av. Sen. João Severian da Câmara (RN-016). A cidade é graciosa, como todas as do interior. Entramos na rua Ulisses Caldas, no semáforo principal à esquerda rumo à Justiça do Trabalho. Não posso deixar de lembrar da amiga Cynthia Moreno que trabalhou aqui. Em Assú vimos mais verde, mangueiras, coqueiros etc.

Pegamos uma RN sentido Alto dos Rodrigues. Essa viagem foi uma aventura e tanto, pois as RNs são mal sinalizadas e cheias de buracos. Ainda bem que o nosso carro era um jipe “bom de luta”. Não ultrapassamos 80 km e não há acostamento. Sinceramente, um horror! Fiquei satisfeita em ver os cavalos mecânicos retirando petróleo da terra. Como se explica ter tanto ouro negro na região e as estradas estaduais estarem tão mal preservadas? Milagre ter uma indicação que a RN é a 408, ainda faltam 22 km até Alto dos Rodrigues. Depois dessa cidade, Pendências (RN-118), sentido João Câmara para pegar a BR-406. Detalhe: nos perdemos pelo caminho, tivemos que retornar, perguntamos e tiramos dúvidas. Enfim, a BR! Mais decente. Passamos por Baixa do Meio, perto de Jandaíra se encontra a entrada de Galinhos. Jandaíra a 5 km, a BR passa por dentro da cidade. João Câmara ainda a 45 km.

Os parques eólicos são monumentais no percurso. Fiquei impressionada. Aliás, o estado do Rio Grande do Norte é o primeiro lugar da Região Nordeste, o segundo: Bahia, e o terceiro: Ceará, em quantidade.

Em Aroeira Direita, um distrito, na BR-406 não encontramos um ponto de apoio, não apresenta infraestrutura nem para um almoço. Já João Câmara (também na BR) tem um tamanho razoável e boa infraestrutura. Na Antônio Proença, rua de calçamento depois asfalto, pegamos a RN-023 que corre para o mar. Quando se chega perto do litoral, a paisagem muda radicalmente, fica mais verdejante e o clima mais agradável.

Passamos por Canabrava, cujo verde parece o de uma serra. Boa Cica, da igreja azul, outra localidade verdejante. Detalhe: onde se vai há quebra-molas, não marcados. Touros, enfim. Nem precisava entrar, pois a pousada fica mais cerca de São Miguel do Gostoso, embora pertença a Touros. Saímos de Touros, pegamos a BR-101 em direção à praia de São José. As pessoas são muito queridas, diga-se de passagem, dão informações com boa vontade sempre que perguntadas, nada de GPS com a gente.

Lá vai: Praia do Cajueiro, Lagoa do Sal e finalmente, São José de Touros, nosso refúgio. Ufa, enfim. Foram 322 km de Mossoró até São José. A entrada da pousada Enseada dos Mares com buganvílias e árvores formando um túnel nos acolhe com encantamento.

Fomos almoçar em São Miguel do Gostoso, a 7 km de São José. Mortos de fome, eram 15 h e sem muitas opções a essa hora. Quem nos salvou foi a Neide do Ponto do Bolo (self-service) na Av. dos Arrecifes. A comida simples nunca foi tao saborosa. E ela uma simpatia. Decididamente, o potiguar se deleita com uma conversa.

A Avenida dos Arrecifes é longa com pousadas mil, restaurantes diversos e casas coloridas, uma sensação. De início, já achei uma gostosura, apesar do calorão. A cidade ajeitada, pacata, interiorana, repleta de cores e flores, fiquei maravilhada. São Miguel está na Rota do Gostoso e tem muito a oferecer.

De volta à pousada, fomos conhecê-la melhor. São chalés amarelos, separados por trilhas, plantas e flores; os quartos são enormes, bem confortáveis, a redinha na varanda completa o relaxamento. Pena a piscina tipo Jacuzzi não funcionar… A Enseada dos Mares se situa em um lugar especial, em frente às piscinas da praia de São José. Amo as piscinas do mar e nem sabia quando escolhi o hotel. Novamente pelo sistema de hospedagem Bancorbrás. Pensei que faríamos as refeições lá, mas me enganei, só oferecem petiscos e depende da hora. Então, o jeito foi ir a São Miguel do Gostoso para as refeições. Grande achado, na verdade. Mas nessa noite, resolvemos comer a velha pizza Marguerita com coca cola, nosso costume. Descobrimos o Misturama, restaurante e pizzaria na av. Monte Alegre, 290, Touros. O Almir, cara trabalhador, é bom de papo. E assim fomos conhecendo tantas pessoas solícitas, que nos deram boas dicas.

Prosseguiremos no paraíso…

Jornada pelo Rio Grande do Norte – Mossoró – Thermas Hotel

Jornada no Rio Grande do Norte – Mossoró -Thermas Hotel

Hoje é dia 12 de outubro de 2021, nossa primeira viagem, minha e do Carlos, um pouco mais longa ainda na época da pandemia, embora esteja melhor o momento como resultado da vacinação. Vamos pelo Bancorbrás (sistema de hospedagem).

Saímos de Fortaleza-Ceará pela Rota do Sol Nascente até a BR-304 de carro (jipe laranja Jimny-Suzuki). Estamos no litoral leste. Pegamos muito calor na estrada, a região é árida rumo a Mossoró, cidade mais quente do RN, segundo dizem. São 230 km de distância, chegamos às 12 h no hotel Thermas (av. Lauro Monte, 2001 – Santo Antônio, sob nova administração) e fomos almoçar. Nem chegamos a entrar na cidade, na verdade, a localização do hotel é ao lado da rodovia federal BR-304 (no entroncamento). A área é considerada a periferia de Mossoró.

O quarto standard é bom, o ar-condicionado obrigatório. O restaurante do hotel serve todas as refeições, temos direito ao café da manhã. Falemos no almoço: peixe tilápia à milanesa com castanha e arroz ao molho de queijo. Muito bom.

Fazemos um passeio de reconhecimento de área mais tarde. Impossível sair depois do almoço, a quentura não permite. Penso que deveríamos seguir o horário da sesta no nordeste, como fazem na Espanha. Só retornam ao trabalho às 17 h e vão até a noite. A propriedade tem 20 hectares, é um resort com academia, quadras de tênis, espaço de recreação, um lago artificial com pontes, cavalos etc.

Estou curiosa sobre as piscinas térmicas. O Parque das Águas tem várias piscinas com temperaturas que variam aproximadamente de 33º C a 40º C. Lá se pode jogar vôlei. Como era Dia das Crianças, havia muitas famílias da cidade aproveitando o dia e as piscinas, afinal tem restaurante com bar molhado e pequenos quiosques, e toboáguas para os pequenos.

Quem é hóspede do hotel, não paga para entrar no Planeta Água, nos dão uma pulseira quando fazemos o check in no hotel. O Thermas é conhecido por isso, as piscinas são curativas e receitadas por médicos em Mossoró aos pacientes.

O parque e o hotel são rodeados pela natureza: mangueiras, árvores, passarinhos. Lembrei do Balneário do Caldas no Cariri cearense, em Caldas, Barbalha. O nosso banho inaugural foi às 17 h. Um calor daqueles e nós em uma piscina a 39º C, ufa! Tudo pela saúde.

À noite, canja no restaurante. Muito movimento no hotel. Por lá passam muitas excursões.

Dia 13 de outubro de 2021. Confesso que estava com saudades de um hotel desse porte. O café da manhã modelo buffet é fabuloso: frutas diversas, bolos, tapiocas, omeletes, macaxeira (mandioca) frita, pães etc, tudo com pouco açúcar. Gostei. Admirei seguirem o protocolo da COVID: distanciamento de mesas e máscaras. Encontramos um grupo grande de descendentes de japoneses vindos de Belém, estavam viajando pelo nordeste de ônibus. Quanta disposição.

Logo de manhã cedo fomos para as piscinas novamente. Banho a 40º C. Pouca gente, um alívio. O bom das viagens é conhecer pessoas legais. Conhecemos um casal de lá, o banho era terapêutico para o marido, pois havia tomado um choque, e as águas o estavam ajudando a se recuperar. Saudações, Joaniza e Luís Carlos. Detalhe: ao longo do dia estava 36º C, mas a sensação térmica na cidade era de 38º C.

O almoço foi frango grelhado, molho vinagrete, arroz, batata frita e farofa. Simples e gostoso. A novidade foi uma cerveja Corona com uma banda de limão dentro, um costume local. Deixou mais refrescante. De sobremesa, picolé de limão siciliano, marca Italatto de Mossoró. Delícia.

Mais banho às 16h30 e mais canja à noite. E mais sorvete: leite Ninho com chocolate belga. Uau!

Dia 14 de outubro de 2021. Café da manhã com tanta fartura, excelente. Chamo a atenção do saboroso bolo de macaxeira. Um detalhe sobre o quarto: poderiam colocar ganchos nos quartos para objetos e roupas molhadas, né? Todo dono de hotel deveria se hospedar e sentir o clima. De qualquer modo, só tenho elogios.

Ficou faltando conhecer o Memorial da Resistência e o Museu do Petróleo. Segundo a Wikipédia, o primeiro destaca o tema do cangaço e a resistência da cidade ao bando de Lampião, o notório Virgulino Ferreira da Silva, que tentou invadir Mossoró em 1927. Trata-se da única cidade do nordeste a expulsar o cangaceiro e o seu bando sem a ajuda das forças militares e unicamente com a participação do povo mossoroense que se armou e abateu um dos mais importantes membros do bando, um cangaceiro chamado de Jararaca. Desde então, Mossoró ficou conhecida como a terra da resistência.

Já o Museu do Petróleo, de acordo com o Globo.com (Rota Inter TV), é o único museu sobre petróleo no Brasil. É contada a história do campo de Santo Amaro, a maior bacia desta riqueza natural em campo terrestre brasileiro. O “ouro negro” é um grande impulsionador para o desenvolvimento da cidade. Nesse espaço localizado no anexo da Estação das Artes, há também o passo a passo da linha de produção de combustível, que leva o turista a entrar nas camadas da terra onde é encontrado o petróleo, chegando até o seu refinamento.

Partimos de Mossoró, o principal ponto de extração de petróleo em terra no Brasil, rumo a Touros, RN, satisfeitos. E lá vamos nós para mais aventuras por via terrestre no simpático estado vizinho.