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Coleção de Contos de Natal por Ana Tavares

Coleção: “Meus Natais que Ficaram” por Ana Tavares

Momentos inesquecíveis

Anos 50, Natal se anunciando. Dinheiro raro, casa pequena, encerada com escovão, móveis cheirando a óleo de peroba, toalha bordada a mão.

Meus pais e nós, seus cinco filhos, todos reunidos para fazer a árvore de Natal. Sim, fazer! Cabo de vassoura, papel-celofane verde, algodão. Cada um tinha uma função.

Meu pai, seu Façanha, tratava de armar a árvore. Fran, com muita seriedade, no alto de seus 8 anos, sentia o peso de sua responsabilidade ao ajudá-lo. Mamãe, dona Maria Augusta, fazia o grude para que, Regina, delicadamente, colocasse os papéis-celofanes verdes cortados em franja por mim.

O momento mágico era quando minha mãe chegava com as caixas de bolas, enroladas em papel de seda amarelado pelo tempo. Cuidadosamente, ela as colocava uma a uma na árvore. Esta hora era muito especial, pois as bolas eram quebráveis, além do mais, a Teresa, nossa ajudante, tinha que ficar atenta ao Carlos e Maria de Fátima, para que eles controlassem o fascínio pelas bolas, pois queriam amassá-las com as mãos. Todos nós cuidávamos de nossas obrigações e da deles, sentíamos que papai e mamãe queriam que os dois menores ficassem perto de nós, naquele momento tão mágico.

Tudo era feito com muita ternura, união e sobretudo com muito amor. Sei que papai tirava um tempo do seu precioso descanso de final de semana para fazer isso. Sei também que nós, sua querida família, era tudo para ele. Trabalhava muito, ganhava pouco com a venda de tecidos. Nesta época natalina, as vendas eram muitas, porque contava-se nos dedos as lojas que vendiam roupas feitas, além do mais, eram caras. Tempos bons…

Das Necessidades à Prosperidade

A vida é feita de lutas, de pobreza à prosperidade, de alegrias, e tristezas, de altos e baixos, de decepções e de sucessos… É preciso viver tudo para depois contar este tudo entre a paz e a serenidade!

Meus Natais que ficaram são retratos da vida. Cresci entre mesas parcas e fartas. Habituei-me aos dias econômicos de alegrias à alternância de dinheiro no bolso, à fartura vinda em abundância na hora certa.

Em nossas inúmeras viagens, observo a paciência e respeito de minha Carol Tavares, quando entro em qualquer igreja pela primeira vez, seja suntuosa ou simples, e digo: pera aí que vou entrar aqui e agradecer…

Entro nos dias de rituais natalinos da minha irmã Regina Stela Façanha. Cronograma severo entre os dias 21 e 24 de dezembro. Depois da árvore, lapinha, decoração da janela dos quartos, cantinho do Menino Jesus, decoração da mesa, começamos o ritual dos biscoitos confeitados (confesso que não temos alemães em nossa linhagem, mas os biscoitos… são tão gostosos). Bons tempos…

A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará, e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Coleção: Contos de Natal por Ana Tavares

Coleção: Contos de Natal por Ana Tavares

Minha Árvore de Natal

Ser grato, agradecer, será fácil? Quando a gente agradece, a alma liberta.

Nas mínimas coisas, podemos agradecer, quer ver? Se despedir de um par de sapato velho querido, aquele que se moldou nos teus pés, que te acompanhou para tantos lugares? Pois bem, é chegada a hora de doá-lo para alguém, hora de agradecer aos céus por ter te permitido as belas caminhadas com ele.

Esta semana, resolvi desembalar minhas coisas de Natal. Disse adeus para muitas delas, agradecida por tantos belos natais que passamos juntas… Surpreendida, observo que os três últimos “andares” de minha querida árvore de Natal, que me acompanha há mais de 12 anos, se quebraram. Não resistiram à maresia… No primeiro instante, senti que a tristeza bateu. No segundo, eu disse: hora de agradecer tantos natais passados juntos, você me embalava até com bilhetinhos de agradecimentos, não era, Ana? Era…

Então, obrigada, muito obrigada. Este ano, coração apertado, nos despediremos. No próximo ano, você irá para um asilo de velhinhos, encantá-los. Aqui em casa, sentirei sua falta, viu?

Te agradeço pelos belíssimos momentos em que você esteve junto a mim. Merci.

O Natal que Papai Noel adormeceu

Árvore de Natal sem graça, vela esmaecida, presente de/para, anjo pálido, festão desbotado… foi tudo isso em um Natal longínquo. Com o diagnóstico de câncer na mão, esperando começar o longo calvário de cirurgia, quimioterapia e suas consequências logo após o período das festas…

Atordoada (será que Papai Noel adormeceu?) olhava para as lâmpadas que piscavam em minha árvore de Natal e para minha linda filha Carol que mal começava a dizer mamãe…

Foi neste Natal que prometi a mim mesma que ia lutar para viver! Fiz este relato para mostrar que a vida é assim! Tem horas que nos sentimos reis e rainhas do mundo, horas em que somos humildes servos.

A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará, e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Jornada no Rio Grande do Norte – São José e São Miguel do Gostoso

Jornada no Rio Grande do Norte- São José e São Miguel do Gostoso

Dia 15 de outubro de 2021. Estamos o Carlos e eu na Rota do Gostoso, na praia de São José. O café da manhã na pousada Enseada dos Mares foi substancial, porém observei não respeitarem os protocolos da COVID (a não exigência de máscaras e o café ser servido como buffet e não em separado). A refeição tem o que sempre se encontra no Nordeste, de diferente: batata doce, banana frita, suco de mangaba (que saudades!) e bolos caseiros com calda de chocolate, tentação. Aprovado! Ainda mais em um local com um visual tão arrebatador do mar.

Tomamos banho nas piscinas naturais da praia de São José em frente à pousada, praticamente só tinha a gente, uns meninos e um pescador lá adiante. Pedras na praia, coqueiros mil e a pousada. Belo o lugar. Achei parecido com o coqueiral de Icapuí no Ceará.

Para o almoço, rumamos a São Miguel do Gostoso. Na praia do Cardeiro, na região central, há dois cantinhos famosos: o Sheik´s e o Bar do Tico (o dono Dedé). O mar é bem afastado. A garçonete Nininha do Bar do Tico nos atendeu e pedimos lagosta grelhada, macaxeira frita, salada, arroz e farofa. Fazia tempo que não apreciávamos uma lagosta, tudo delicioso regado a uma cervejinha para espantar o calor. Os dois restaurantes são uma espécie de oásis na praia. O calor é imenso.

Um passeio de carro pela cidade, as casas coloridas chamam a atenção. Lembrei muito de Pontal de Maceió no Ceará.

À tarde, passeio a Tourinhos, 8 km de chão batido (de terra vermelha ou carrossal ou costela de boi), saindo de São Miguel. Para ir, se vai de jipe ou bugre. Vamos conhecer a praia e o afamado pôr do sol. Passamos pela praia do Reduto e depois Tourinhos. Vimos um assentamento popular e dois empreendimentos de casas a serem construídas.

Em Reduto, há venda de labirinto com casas, lojinhas, igreja. Em Tourinhos, existem barracas de praia com movimento intenso, são elas: a do Luiz Pescador, do Carlinhos, da Dedé etc. O pôr do sol é imperdível, vale a pena. O mar em forma de enseada é calmo. Surfistas, famílias, turistas fazem a festa nas barracas, na praia e sobre a falésia. O ambiente é de paz. Amei o “point”. Interessante dizer que os arrecifes são impregnados de crustáceos. Não se pode tocar, porque cortam.

À noite, em São Miguel do Gostoso novamente. Descemos no centro em frente ao Mango´s (creperia e sanduicheria). Pedimos De los Roques (crepe estilo Marguerita) com suco de maracujá e abacaxi com hortelã. Na avenida principal “dos Arrecifes”, o burburinho é grande. Os restaurantes, cafés, creperias são estilosos, com luzes, cores, bem decorados. O ritmo da cidade é interiorano, ou seja, mais lento. Ninguém tem pressa. Para finalizar o dia, paramos no Bodega Café e lá veio mais um salgado e uma torta de limão caseira. A proprietária Virna é instrutora de windsurfe, veio de Santa Catarina e é um bom papo.

Saímos de lá e descobrimos uma rua fantástica: a rua da Xêpa, que deságua na pracinha e na praia do mesmo nome na área do centro. São vários restaurantes, um mais magnífico do que o outro, doceria, sorveteria, lojinhas, churrascaria, pizzarias, drinkerias, enfim, um evento. Gente bonita, interessante. Enfim, o local é vibrante. Lembrei-me de ruas assim pelos cantos do mundo: a Broadway, em Canoa Quebrada no Ceará; a Rue des Bouches, em Bruxelas na Bélgica; a Rue de Saint Jacques, em Paris na França; e por aí vai. Delirei!

Para completar, encontrei uma caixa (um box) com livros para a população, onde estava escrito: “Ler é Bom”, Casa dos Livros. Já estava apaixonada por São Miguel, aí fiquei mais ainda. E a lixeira é em forma de coco com canudo, ufa, delírio total.

Prosseguiremos com mais de São Miguel ou Gostoso, como alguns nativos dizem.

Jornada ao Rio Grande do Norte – de Mossoró a Touros

Jornada ao Rio Grande do Norte – de Mossoró a Touros

Hoje é dia 14 de outubro de 2021. Saímos do Thermas Hotel em Mossoró, pegamos a rotatória direção a Natal e rumamos a Assú, são 75 km na BR-304. Muito calor e terra árida na jornada.

Entramos em Assú, passamos pela Av. Sen. João Severian da Câmara (RN-016). A cidade é graciosa, como todas as do interior. Entramos na rua Ulisses Caldas, no semáforo principal à esquerda rumo à Justiça do Trabalho. Não posso deixar de lembrar da amiga Cynthia Moreno que trabalhou aqui. Em Assú vimos mais verde, mangueiras, coqueiros etc.

Pegamos uma RN sentido Alto dos Rodrigues. Essa viagem foi uma aventura e tanto, pois as RNs são mal sinalizadas e cheias de buracos. Ainda bem que o nosso carro era um jipe “bom de luta”. Não ultrapassamos 80 km e não há acostamento. Sinceramente, um horror! Fiquei satisfeita em ver os cavalos mecânicos retirando petróleo da terra. Como se explica ter tanto ouro negro na região e as estradas estaduais estarem tão mal preservadas? Milagre ter uma indicação que a RN é a 408, ainda faltam 22 km até Alto dos Rodrigues. Depois dessa cidade, Pendências (RN-118), sentido João Câmara para pegar a BR-406. Detalhe: nos perdemos pelo caminho, tivemos que retornar, perguntamos e tiramos dúvidas. Enfim, a BR! Mais decente. Passamos por Baixa do Meio, perto de Jandaíra se encontra a entrada de Galinhos. Jandaíra a 5 km, a BR passa por dentro da cidade. João Câmara ainda a 45 km.

Os parques eólicos são monumentais no percurso. Fiquei impressionada. Aliás, o estado do Rio Grande do Norte é o primeiro lugar da Região Nordeste, o segundo: Bahia, e o terceiro: Ceará, em quantidade.

Em Aroeira Direita, um distrito, na BR-406 não encontramos um ponto de apoio, não apresenta infraestrutura nem para um almoço. Já João Câmara (também na BR) tem um tamanho razoável e boa infraestrutura. Na Antônio Proença, rua de calçamento depois asfalto, pegamos a RN-023 que corre para o mar. Quando se chega perto do litoral, a paisagem muda radicalmente, fica mais verdejante e o clima mais agradável.

Passamos por Canabrava, cujo verde parece o de uma serra. Boa Cica, da igreja azul, outra localidade verdejante. Detalhe: onde se vai há quebra-molas, não marcados. Touros, enfim. Nem precisava entrar, pois a pousada fica mais cerca de São Miguel do Gostoso, embora pertença a Touros. Saímos de Touros, pegamos a BR-101 em direção à praia de São José. As pessoas são muito queridas, diga-se de passagem, dão informações com boa vontade sempre que perguntadas, nada de GPS com a gente.

Lá vai: Praia do Cajueiro, Lagoa do Sal e finalmente, São José de Touros, nosso refúgio. Ufa, enfim. Foram 322 km de Mossoró até São José. A entrada da pousada Enseada dos Mares com buganvílias e árvores formando um túnel nos acolhe com encantamento.

Fomos almoçar em São Miguel do Gostoso, a 7 km de São José. Mortos de fome, eram 15 h e sem muitas opções a essa hora. Quem nos salvou foi a Neide do Ponto do Bolo (self-service) na Av. dos Arrecifes. A comida simples nunca foi tao saborosa. E ela uma simpatia. Decididamente, o potiguar se deleita com uma conversa.

A Avenida dos Arrecifes é longa com pousadas mil, restaurantes diversos e casas coloridas, uma sensação. De início, já achei uma gostosura, apesar do calorão. A cidade ajeitada, pacata, interiorana, repleta de cores e flores, fiquei maravilhada. São Miguel está na Rota do Gostoso e tem muito a oferecer.

De volta à pousada, fomos conhecê-la melhor. São chalés amarelos, separados por trilhas, plantas e flores; os quartos são enormes, bem confortáveis, a redinha na varanda completa o relaxamento. Pena a piscina tipo Jacuzzi não funcionar… A Enseada dos Mares se situa em um lugar especial, em frente às piscinas da praia de São José. Amo as piscinas do mar e nem sabia quando escolhi o hotel. Novamente pelo sistema de hospedagem Bancorbrás. Pensei que faríamos as refeições lá, mas me enganei, só oferecem petiscos e depende da hora. Então, o jeito foi ir a São Miguel do Gostoso para as refeições. Grande achado, na verdade. Mas nessa noite, resolvemos comer a velha pizza Marguerita com coca cola, nosso costume. Descobrimos o Misturama, restaurante e pizzaria na av. Monte Alegre, 290, Touros. O Almir, cara trabalhador, é bom de papo. E assim fomos conhecendo tantas pessoas solícitas, que nos deram boas dicas.

Prosseguiremos no paraíso…

Jornada pelo Rio Grande do Norte – Mossoró – Thermas Hotel

Jornada no Rio Grande do Norte – Mossoró -Thermas Hotel

Hoje é dia 12 de outubro de 2021, nossa primeira viagem, minha e do Carlos, um pouco mais longa ainda na época da pandemia, embora esteja melhor o momento como resultado da vacinação. Vamos pelo Bancorbrás (sistema de hospedagem).

Saímos de Fortaleza-Ceará pela Rota do Sol Nascente até a BR-304 de carro (jipe laranja Jimny-Suzuki). Estamos no litoral leste. Pegamos muito calor na estrada, a região é árida rumo a Mossoró, cidade mais quente do RN, segundo dizem. São 230 km de distância, chegamos às 12 h no hotel Thermas (av. Lauro Monte, 2001 – Santo Antônio, sob nova administração) e fomos almoçar. Nem chegamos a entrar na cidade, na verdade, a localização do hotel é ao lado da rodovia federal BR-304 (no entroncamento). A área é considerada a periferia de Mossoró.

O quarto standard é bom, o ar-condicionado obrigatório. O restaurante do hotel serve todas as refeições, temos direito ao café da manhã. Falemos no almoço: peixe tilápia à milanesa com castanha e arroz ao molho de queijo. Muito bom.

Fazemos um passeio de reconhecimento de área mais tarde. Impossível sair depois do almoço, a quentura não permite. Penso que deveríamos seguir o horário da sesta no nordeste, como fazem na Espanha. Só retornam ao trabalho às 17 h e vão até a noite. A propriedade tem 20 hectares, é um resort com academia, quadras de tênis, espaço de recreação, um lago artificial com pontes, cavalos etc.

Estou curiosa sobre as piscinas térmicas. O Parque das Águas tem várias piscinas com temperaturas que variam aproximadamente de 33º C a 40º C. Lá se pode jogar vôlei. Como era Dia das Crianças, havia muitas famílias da cidade aproveitando o dia e as piscinas, afinal tem restaurante com bar molhado e pequenos quiosques, e toboáguas para os pequenos.

Quem é hóspede do hotel, não paga para entrar no Planeta Água, nos dão uma pulseira quando fazemos o check in no hotel. O Thermas é conhecido por isso, as piscinas são curativas e receitadas por médicos em Mossoró aos pacientes.

O parque e o hotel são rodeados pela natureza: mangueiras, árvores, passarinhos. Lembrei do Balneário do Caldas no Cariri cearense, em Caldas, Barbalha. O nosso banho inaugural foi às 17 h. Um calor daqueles e nós em uma piscina a 39º C, ufa! Tudo pela saúde.

À noite, canja no restaurante. Muito movimento no hotel. Por lá passam muitas excursões.

Dia 13 de outubro de 2021. Confesso que estava com saudades de um hotel desse porte. O café da manhã modelo buffet é fabuloso: frutas diversas, bolos, tapiocas, omeletes, macaxeira (mandioca) frita, pães etc, tudo com pouco açúcar. Gostei. Admirei seguirem o protocolo da COVID: distanciamento de mesas e máscaras. Encontramos um grupo grande de descendentes de japoneses vindos de Belém, estavam viajando pelo nordeste de ônibus. Quanta disposição.

Logo de manhã cedo fomos para as piscinas novamente. Banho a 40º C. Pouca gente, um alívio. O bom das viagens é conhecer pessoas legais. Conhecemos um casal de lá, o banho era terapêutico para o marido, pois havia tomado um choque, e as águas o estavam ajudando a se recuperar. Saudações, Joaniza e Luís Carlos. Detalhe: ao longo do dia estava 36º C, mas a sensação térmica na cidade era de 38º C.

O almoço foi frango grelhado, molho vinagrete, arroz, batata frita e farofa. Simples e gostoso. A novidade foi uma cerveja Corona com uma banda de limão dentro, um costume local. Deixou mais refrescante. De sobremesa, picolé de limão siciliano, marca Italatto de Mossoró. Delícia.

Mais banho às 16h30 e mais canja à noite. E mais sorvete: leite Ninho com chocolate belga. Uau!

Dia 14 de outubro de 2021. Café da manhã com tanta fartura, excelente. Chamo a atenção do saboroso bolo de macaxeira. Um detalhe sobre o quarto: poderiam colocar ganchos nos quartos para objetos e roupas molhadas, né? Todo dono de hotel deveria se hospedar e sentir o clima. De qualquer modo, só tenho elogios.

Ficou faltando conhecer o Memorial da Resistência e o Museu do Petróleo. Segundo a Wikipédia, o primeiro destaca o tema do cangaço e a resistência da cidade ao bando de Lampião, o notório Virgulino Ferreira da Silva, que tentou invadir Mossoró em 1927. Trata-se da única cidade do nordeste a expulsar o cangaceiro e o seu bando sem a ajuda das forças militares e unicamente com a participação do povo mossoroense que se armou e abateu um dos mais importantes membros do bando, um cangaceiro chamado de Jararaca. Desde então, Mossoró ficou conhecida como a terra da resistência.

Já o Museu do Petróleo, de acordo com o Globo.com (Rota Inter TV), é o único museu sobre petróleo no Brasil. É contada a história do campo de Santo Amaro, a maior bacia desta riqueza natural em campo terrestre brasileiro. O “ouro negro” é um grande impulsionador para o desenvolvimento da cidade. Nesse espaço localizado no anexo da Estação das Artes, há também o passo a passo da linha de produção de combustível, que leva o turista a entrar nas camadas da terra onde é encontrado o petróleo, chegando até o seu refinamento.

Partimos de Mossoró, o principal ponto de extração de petróleo em terra no Brasil, rumo a Touros, RN, satisfeitos. E lá vamos nós para mais aventuras por via terrestre no simpático estado vizinho.

Sensação de Déjà vu

Sensação de déjà vu em Praga

Ana Tavares

Em viagens acontecem coincidências, fatos bizarros, inexplicáveis. Você já sentiu algo semelhante?

Praga! Sensação de déjà vu… do já visto…

Foi aqui a estranha sensação. Jovem, viajei com duas amigas de Besançon na França para Praga. Jovens com pouco dinheiro no bolso, cabeças a mil, estômagos vazios, nos deparamos com esta rua.

Procurávamos a casa em que Kafka morou. Olho esta casinha azul e digo para minha amiga Tokiko: “já estive aqui”. Ela sorri e me diz que devia ser meu estômago delirando. A outra amiga la peruana loca Cristina me desafia: “O que tem lá dentro, minha Anita?”

Eu digo: “Um grande armário preto, um chão de barro encerado”. Entramos.

Era uma vendinha de suvenires. Uma senhora vendedora me sorria insistentemente, me olhava docemente… A casa tinha o chão vermelho encerado. O grande armário preto estava lá.

A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará, e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Fortaleza e os idosos

Fortaleza e seus idosos – será amigável a relação?

Eu também sou pedestre, logo observo as calçadas, ruas, cobertura vegetal e por aí vai.

Vamos lá. Árvores? Fortaleza já foi tão arborizada até os anos 70/80 do século passado… Não tem jeito, não consigo deixar de ser nostálgica. Andar pela cidade se torna difícil por conta do sol intenso e falta da proteção das árvores. Isso de dia, logicamente.

Conclusão: se queremos um lugar agradável para viver e caminhar, o mundo verde é fundamental. Por que não exigir dos edifícios sendo construídos, via lei municipal, que as árvores abatidas sejam replantadas no condomínio? Digo isso, porque testemunhei em Santiago do Chile verdadeiras florestas dentro dos limites dos prédios no bairro Providencia. E em Recife-PE, pelo menos, no passado era obrigado a ter esculturas de artistas locais nos condomínios de Boa Viagem. Então, nada é impossível, é uma decisão política.

Continuemos com calçadas… Socorro! Polícia! Novamente, retornemos às décadas de 70/80, quando eram homogêneas e o proprietário cuidava da sua. Sei de muita gente (idosos ou jovens) que já caiu e se machucou no centro, no calçadão da Beira Mar, no bairro Meireles. A prefeitura não cobra do morador e não faz a sua parte como deveria. Apareceu o buraco, conserte, simples assim. Se cada morador que caísse, colocasse na justiça e essa fosse célere, dando ganho de causa ao “machucado”, a situação seria outra. Exemplificando, no Canadá ou nos EUA, ninguém ousa não retirar a neve da sua calçada, porque sabe que virá uma multa daquelas ou terá que pagar o hospital de alguém que escorregou. Sonho com a responsabilização, isto é cidadania.

Agora ruas… O idoso e qualquer pessoa, na verdade, sempre corre o risco de ser atropelado por motoqueiros, preferencialmente. Sei que não é a maioria responsável, mas tem uma minoria, para quem não existe leis de trânsito. Prefeitura? Não vejo agirem. AMC (Autarquia Municipal de Trânsito)? Dentro de carros, multando quem não paga a Zona Azul. Vejo outdoors da prefeitura para o motociclista usar capacete por exemplo, mas isso muda a realidade? Multas, aulas compulsórias e apreensão das motos, sim! Um amigo querido alemão certa vez me disse que seus conterrâneos eram educados no trânsito, muito por conta de multas. Escutei o mesmo em Portugal.

Por último, a nova Beira Mar. Caminho lá e gosto, mas percebo não haver bancos para os idosos sentarem. Será que os realizadores não sabem que também vão envelhecer? Como ser uma cidade amigável sem um detalhe importante desse? E há mais: plantaram carnaúbas ao longo da calçada onde fica a feirinha de artesanato provisoriamente. E dão sombra? Não mesmo. E os coqueiros, cajueiros, juazeiros? Sinceramente… com tanta riqueza de árvores frutíferas, preferiram as de lugares áridos.

Desejo aos idosos autonomia no caminhar, no resolver suas atividades, em respirar sua cidade. Contarei uma historinha. Minha mãe se achava “velha” aos 50 anos aproximadamente, ainda bem que nossa cultura se transformou para melhor. Aí a levei para assistir a uma palestra do padre Lauro Trevisan no ginásio Paulo Sarasate e logo depois viajei com ela a Miami-EUA (e com a amiga Sandra Ximenes). Foi o santo remédio, retornou outra. O idoso americano é independente e mesmo com dificuldade de locomoção, se vira. Foi impactante nossa jornada americana no ano de 1994.

Enfim, como cidadã me sinto na obrigação de escrever sobre os mesmos assuntos que incomodam. Desistir jamais, embora os ouvidos sejam “moucos”. Não canso de almejar uma Fortaleza mais estilo passado, com mais qualidade de vida, clima mais arejado por ter mais árvores e menos asfalto. Afinal, estamos também envelhecendo e o nosso idoso merece RESPEITO.

E aí? Na sua opinião, nossa cidade é amigável ao idoso?

P.S. A pedido dos meus pais, escrevo para relatar que as árvores e plantas da praça das Flores, antes praça do Hospital Militar, na Aldeota está com a cobertura vegetal passando sede e morrendo. Quem cuida da praça? A prefeitura ou o grupo Beto Studart que a reformou e mudou o nome da praça? Gostaria de saber.

Águas Belas – Cascavel – Ceará – Brasil

Águas Belas – Cascavel – Ceará – Brasil

Primeiro dia. Mais uma aventura de final de semana, desta vez o Carlos e eu fomos ao distrito de Cascavel visitar Águas Belas de 12 a 15 de agosto de 2021, de sexta a domingo. Vamos ao litoral leste pela CE-040 e entramos no retorno para Cascavel. A cidade é bem ajeitada, a avenida é larga: Chanceler Edson Queiroz. Na esquina da rua Cel. Horácio Bessa, continuamos rumo às praias da Caponga, Águas Belas e Balbino. Basta seguir as placas. Passamos pelo sítio Sabiá no caminho, uma lindeza.

Adentramos a praia da Caponga, outro distrito de Cascavel. Acho que poderiam plantar mais árvores, a aridez é grande. A continuação já é Águas Belas. Ficamos no hotel Águas Belas Hotel Praia, local privilegiado por estar entre o rio Malcozinhado e o mar. A beleza chegou ali e ficou. O hotel oferece chalés e apartamentos rodeados de piscinas repletas de brinquedos para crianças. Em uma próxima vez, nos hospedaremos em um chalé olhando para o rio, mais afastado das piscinas, uma vez que pessoas de fora podem usá-las, assim como o restaurante, logo o barulho é grande. Para quem não se incomoda, tudo bem, o Carlos e eu, entretanto, preferimos descansar e ouvir o som do mar. Tenho que avisar que cobram multa caso o hóspede leve bebida ou comida de fora para lá. Achei pra lá de diferente (R$100,00 a multa).

No hotel está escrito “Onde o sol beija a lua e o rio abraça o mar”, autor: Iranildo Pereira. O rio bate na beirada do hotel, por isso a contenção é feita por rochas. Visual belo.

Há bares modelo palhoças na beira rio, com redinhas para os visitantes deitarem. Parece uma lagoa, o banho é refrescante.

Vemos famílias jogando cartas à noite na maior tranquilidade no hotel. Vale mencionar que o restaurante nos propiciou as refeições. Achei melhor o almoço do segundo dia: peixe pargo com fritas, salada, batata-doce e baião de dois (prato de arroz e feijão com queijo, típico do Ceará).

Segundo dia. Dia de passear de barco pelo rio Malcozinhado. Por R$20,00 cada um, tivemos um casal de companhia Carla e Betão, ela de Manaus/Fortaleza/Itália e ele, de Santa Catarina. Pegamos o barco na saída do hotel, no rio. Trata-se de uma chalana denominada Canobella II, cujo piloto é o Boto, figura empreendedora da região (ali perto possui um bar/restaurante). No passeio ecológico, o Boto mostra os manguezais e descreve o rio que tem água salgada e doce. É um criatório de camarões, siris, ostras, peixes, uma fartura. Como ele diz, ninguém passa fome por lá. A trilha do mangue é rica. Tem um momento do passeio que ele para a fim de tomarmos banho. Uma maravilha!

Na volta, felizes e molhados, somos apresentados ao mangue sapateiro e ao mangue branco. Os peixes e caranguejos se alimentam deles. Precisam do iodo da água do rio. Segundo o Boto, bom para quem tem lupus. Voltamos pela mesma trilha do mangue, de acordo com o piloto, passamos na maré baixa e só o barco dele consegue. O passeio está no fim, uma pena, pois encanta. O casal ficou no restaurante do Boto à beira rio e nós descemos no portão do hotel. Aí resolvemos tomar mais banho. A água é verde e transparente.

À tardinha, caminhada pelo delta do rio e praia. Muita gente curtindo o momento. Descobrimos um hotel transado, bem tropical na praia: Varandas Beach.

Terceiro dia e último dia. Mais banho de rio. Fomos embora de tarde. Entramos na Caponga, mais movimentada que Águas Belas com casas, pousadas, muito graciosa. Pegamos uma estrada nova Caponga-Pindoretama, dica do pessoal do hotel. Aproveitamos e conhecemos a praia do Balbino, simpática, com casas de pescadores, mais verde com mangues e algumas barracas à beira mar. Não encontramos pousadas. Antes de chegar em Pindoretama, a terra das rapaduras, passamos por Pratius, uma cidadezinha longa. Sempre conhecendo um pouquinho mais do Ceará.

Para concluir, vale a pena, pois é perto de Fortaleza e o lugar oferece uma paisagem única.

Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Roma – última parte

Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Roma – última parte

Dia 02 de janeiro de 2011: Partida para Roma de Florença. O trem é rapidíssimo. Esperamos pela informação da plataforma no binário (painel) da estação.

O Carlos e eu chegamos a Roma e fomos nos hospedar no mesmo hotel da nossa chegada: Luciani (Via Milazzo, 8), duas estrelas, perto da estação ferroviária Termini. Decidimos fazer um city tour no ônibus Vermelho Linea Rossa, daqueles para turistas. Por 10 EUR, foram duas horas de percurso sem descer. O almoço foi salada e minestrone, e o jantar, sanduíche de atum.

Dia 03 de janeiro de 2011: Dia para ser bem aproveitado, pois era o último. Fomos a pé até o Coliseu ou Anfiteatro Flaviano, cuja construção ocorreu de 68 a 79 a. C. Entramos desta vez. Dizer que é imperdível se torna redundante. Conforme o site www.todamateria.com., é um dos símbolos da cidade italiana. Com três andares, depois foi adicionado outro, possui 45 m de altura e foi erigido com concreto e areia. A Wikipédia acrescenta que poderia abrigar 50 a 80 mil espectadores. O edifício era usado para combates de gladiadores e espetáculos públicos, como simulação de batalhas marítimas e caças de animais selvagens. Aconselho ver o filme Gladiador com o ator Russell Crowe, do ano 2000.

Visitamos a Basílica de Santa Francisca (Francesca em italiano) Romana que guarda as relíquias da santa na cripta, lá também está sepultado o papa Gregório IX. Segundo a Wikipédia, foi fundada no séc. IX e é uma das poucas basílicas românicas de Roma.

Andamos até o Circo Máximo, criado pelos antigos reis etruscos de Roma. Interessante contar que um italiano quis nos passar a perna antes de chegarmos no local. Parou o carro e queria nos vender jaquetas de couro a todo o custo, insistiu muito, mas nos livramos dele. Cheirava à enganação. Pensamos o óbvio: até em Roma!!! Voltemos ao Circus Maximus (latim). O filme Ben Hur, de 1959 com Charlton Heston, mostra como era uma corrida de biga do século II a. C. De acordo com o site www.infoescola.com,, era o lugar utilizado para entretenimento na Roma Antiga, isto é, a arena era palco para jogos, festivais e corridas de bigas (carros de combate).

Detalhe: percebi que os vendedores ao redor das atrações turísticas não gostam de ajudar os turistas, ainda mais em outra língua. Não eram simpáticos, muito pelo contrário. Melhor ficar ligado nas placas e avisos.

Continuamos o passeio, agora pelo Fórum Romano e o Museu Palatino: 4 h de caminhada por 12 EUR. Interessante dizer que o ingresso do Fórum Romano está incluído no ingresso do Coliseu. O Museu Palatino é dedicado à preservação da rica história desta região da cidade.

Primeiro, a localização do Fórum Romano. A Wikipédia informa que se encontra no Monte Palatino, a mais central das sete colinas de Roma e uma das mais antigas da cidade. Tem uma elevação de 40 m acima do Fórum, para o qual tem vista em um dos seus lados. De outro, domina o vale ocupado pelo Circo Máximo. Na antiguidade era o melhor lugar para se viver, muitas pessoas importantes como o poeta Cátulo, o orador Cícero e imperadores romanos como Calígula, Tibério e Nero viveram nele.

O que significa “palatino”? O site www.dicio.com.br comenta que “dizia-se de um nobre encarregado de qualquer serviço no palácio de um soberano” (adjetivo).

O Fórum Romano, conforme a Wikipédia, foi durante séculos o centro da vida pública romana, o local de cerimônias triunfais e de eleições. Discursos públicos, processos criminais, confrontos com gladiadores e assuntos comerciais ocorriam no lugar. A mais conhecida estrada era a chamada Via Sacra que seguia desde o Capitólio até o Arco de Tito.

Fascinante a exposição dos Guerreiros de terracota ou Exército de terracota ou Guerreiros de Xian, que estava exposta nesse sítio histórico. Trata-se de uma coleção de esculturas de terracota representando os exércitos de Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China. São 800 estátuas de soldados e generais de barro que foram encontrados em 1974 acidentalmente. Estavam a menos de 1 km da tumba do imperador mencionado anteriormente, conforme a Wikipédia. Essa mesma exposição eu visitei no parque Ibirapuera em São Paulo em 2003.

O almoço às 17h foi de pizza perto do hotel. Já o jantar foi uma lasanha vegetariana com abobrinha e um macarrão a carbonara para se despedir da bela Itália, país de antepassados nossos. Comida que ficou na memória e o lugar também, agradável e bonito. O restaurante? Sugiro o Mangrovia (Via Milazzo, 6a-6b). O garçom Giuseppe ficou encantado quando soube que éramos de Fortaleza-Ceará. E não é que ele visitava Fortaleza todos os anos? Por conta disso, o Carlos ganhou uma grappa (aguardente) após o jantar e eu um lemoncello (licor de limão) de brinde. Aliás, amo tomar essa bebida, é a cara da Itália. O garçom foi muito simpático. Temos sorte para essas coisas, o motivo deve ser porque gostamos de conversar com o povo. Para fazer a digestão, rumamos à Estação Termini para caminhar, lugar especial.

Dia 04 de janeiro de 2011: A taxa cobrada ao turista de 2 EUR por diária havia começado a partir de 01 de janeiro. A saída do ônibus até o aeroporto Fiumicino foi uma dica preciosa do hotel. Pega-se em frente à Estação Termini com horários certos. Eram 8 EUR por pessoa, uma maravilha.

Fim de viagem. Gratidão às pessoas maravilhosas que nos receberam de braços abertos a fim de termos um Natal e Ano Novo únicos nas nossas vidas.

Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Verona e Florença – parte 4

Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Verona e Florença – parte 4

Dia 29 de dezembro de 2010: Chegamos a Verona de carro, vindos de Veneza. Somos o Max, a Elis, o Carlos e eu. Cidade encantadora, parece uma cidade portuguesa com peatonal (área de pedestres). O carro foi estacionado e saímos passeando a pé. Conhecemos um pouco do centro histórico, havia uma feira por lá. Pagamos 2,50 EUR para entrar no Duomo ou catedral de Verona, e visitamos a casa (e também museu) mais famosa: a da Julieta (Via Cappello, 23), em estilo gótico do século XIV. Personagem do renomado Romeu e Julieta (Romeu Montecchio e Julieta Capuleto) de William Shakespeare (1564-1616): poeta, dramaturgo, tido como o maior escritor do idioma inglês e mais influente dramaturgo do mundo, segundo a Wikipédia.

As paredes da entrada da casa estão repletas de bilhetes de amor com os pedidos dos turistas que lá estiveram, havia lojas e uma árvore de Natal com mais desejos de amor. Interessante a existência da estátua da Julieta no pátio e diz a lenda que ao tocar no seio da estátua, se tem sorte no casamento. Na casa mesmo não entramos por falta de tempo, mas testemunhamos a presença da famosa sacada de pedra na casa onde Julieta em uma das cenas mais conhecidas do livro, declamava seu amor por Romeu. A Wikipédia nos esclarece que a dita tragédia foi escrita entre 1591 e 1595 sobre dois adolescentes cuja morte acaba unindo suas famílias, outrora em pé de guerra.

Partimos em clima leve, rumo a Florença.

Dia 30 de dezembro de 2010: Visita ao Palazzo ou Palácio Pitti. A Wikipédia esclarece que é um grande palácio renascentista, no passado residência urbana de Luca Pitti, um banqueiro florentino. Foi comprado em 1539 pela Família Médici para servir de residência oficial dos Grandes Duques da Toscânia. Trata-se de um museu público, uma das maiores galerias de arte de Florença.

Vimos a amostra de Caravaggio (Michelangelo Merisi, 1571-1610), pintor italiano, o mais revolucionário artista do barroco. Também a exposição de Caravageschi ou Caravagismo, ou seja, uma corrente seguidora do barroco que ocorreu principalmente no séc. XVI, artistas que se inspiraram em Caravaggio, de acordo com a mesma fonte anterior. No palácio, da mesma forma, vimos salas de apartamentos repletos de obras, com tetos pintados da mitologia romana.

Também visitamos a Basilica Santa Croce ou Santa Cruz, onde estão enterrados Galileo Galilei, Maquiavel, Michelangelo, Rossini e outros. Fenomenal a principal igreja franciscana em Florença. Localiza-se na Piazza di Santa Croce. Andança pelo centro histórico, incluindo a Ponte Vecchio ou Ponte Velha, com suas joalherias espetaculares. Me arrependi de não ter comprado um anel, as joias são delicadas, únicas. No site www.tudosobreflorenca.com, aprendemos que se trata da ponte mais antiga da Europa, de 1345. É o símbolo do romantismo que inunda toda a cidade. Nos séculos XV e XVI, suas casas foram ocupadas por açougueiros, mas quando a corte se mudou para o Palácio Pitti, Fernando I mandou fechar os comércios pelo cheiro desagradável. Desde então, as lojas foram ocupadas por joalheiros e ourives. Ali perto, descobrimos um mercado de couros e artesanatos finos, bolsas incríveis, tudo requintado.

Dia 31 de dezembro de 2010: Palazzo Vecchio ou Palácio Velho, situado na Praça Senhoria (Piazza della Signoria). Atualmente é a sede da prefeitura e no seu interior existe um museu que expõe obras de Michelangelo Buonarroti, Giorgio Vasari e outros.

Almoço de minestrone, uma delicia. A Wikipédia afirma que a sopa italiana é composta por uma variedade de legumes cortados, quase sempre, arroz ou macarrão. Os ingredientes mais usados são tomate, feijão, cebola, cenoura, aipo e batata. Não existe uma receita específica, pode ser feita com quaisquer legumes que estejam em época. O site www.panelinha.com.br diz que a receita leva “os legumes que você tem na geladeira.”

Compras pelas ruas. Sorvetes maravilhosos de chocolate Ferrero Rocher. À noite banquete no apartamento dos pais do Max, juntamente com a Elis, Max e tios Luigi e Monica. Tomamos um vinho Brunello di Montalcino, safra especial (nos beliscamos, pois é caríssimo no Brasil). Mais uma noite inesquecível, nem quisemos sair na noite de Ano Novo, afinal estava muito frio e o ambiente caseiro era tudo de bom. Viva o sr. Gianni Fattoli e a sra. Grazia, pais do Max, que nos acolheram tão bem, assim como os tios e Max e Elis.

Dia 01 de janeiro de 2011: Passeio pelo centro histórico, o Duomo estava fechado. Na Piazza della Repubblica havia uma exposição de carros antigos, pequenos e até uma Ferrari. A praça tem formato retangular e um arco imponente. O carrossel mais famoso da cidade se encontra lá e ao seu redor existem vários cafés e restaurantes, conforme o site Guia de Destinos.

O almoço foi novamente no Babbo (pai) e na Mamma (mãe). Sempre passamos bem. Conhecemos depois a Basilica della Santissima Anunziata ou Basílica da Santíssima Anunciada com missa, bela. Localizada no centro histórico, foi fundada em 1250. O site travel.sygic.com coloca que esta igreja do séc. XIII possui um interior deslumbrante e um teto dourado que remonta ao séc. XVII. Também exibe afrescos do sec. XVI e uma pintura de N. Sra. conhecida como “Anunciação da Virgem Maria”, situado perto da entrada. Repare no altar-mor decorado com uma tela de Giorgio Vasari.

Conhecemos o mirante da Piazzale Michelangelo, com uma vista panorâmica esplêndida da cidade e do rio Arno. Estamos no bairro Oltrarno, a parte mais alta de Florença, nas suas colinas. Não poderia faltar a árvore de Natal tradicional. O cenário dá um toque mágico ao novo ano. Lá na praça grande (piazzale) havia uma venda de artesanatos e bolsas. O site florence-museum.com acrescenta que no centro da praça está uma das três cópias de Davi de Michelangelo existentes na cidade, cópia tal feita em bronze em 1873. A respeito da praça, foi construída por Giuseppe Poggi, arquiteto florentino nos fins do séc. XIX. É dedicada ao grande artista renascentista Michelangelo e ao lado da cópia de Davi estão quatro alegorias das Capelas dos Médici de San Lorenzo.

Impossível não sair encantada com a elegância de Florença. Continuaremos com Roma nos nossos últimos dias na Itália.