Bela Itália-Sicília-Marsala e Erice-dia 6

Bela Itália-Sicília-Marsala e Erice-dia 6

Hoje é dia 10 de outubro de 2025. De Agrigento, vamos a Marsala, cidade do vinho, e a Erice, localizada no alto de uma colina e defendida por muralhas. Em 2 horas e meia chegaremos a Marsala. Estamos no ônibus com o grupo da Europamundo, guia Sabrina e motorista Alberto.

A guia nos informa com detalhes sobre a região. Porto de Marsala. Vemos praias com praga de algas, tudo marrom a princípio. Ilha de Lampedusa, de onde chegam os imigrantes do norte da África e de conflitos, procurando uma vida melhor. Segundo a Wikipédia, é uma ilha do arquipélago das ilhas Pelágias no mar Mediterrâneo. Passou de paraíso turístico a foco de crise humanitária. Porto de Empedocle. O site Direct Ferries diz que liga a Sicília às ilhas Pelágias. Na província de Agrigento, eis uma pequena e adorável aldeia imersa no mar (fonte: ForBookinglovers.com). Já Youontour.it nos conta que Porto Empedocle e sua Via Roma, o porto e os locais fazem parte de muitos dos livros do escritor Camilleri e têm inspirado seu principal personagem, o Comissário Montalbano, um investigador sempre trabalhando em um novo caso em Vigata (Porto Empedocle) e Montelusa (Agrigento). Sou leitora dele, por sinal.

Siculiana, povoado parecido com Caltagirone, tem um presépio famoso de Natal. E sorvetes também. O site https://descobrindoasicilia.com adiciona que é uma cidade antiga fundada por árabes no séc. X a. C. No centro histórico, há museus, castelos e arte ao ar livre. Ao redor, praias, reservas naturais e a famosa Scala dei Turchi. Ou seja, a Montanha dos Turcos (ou Escada dos Turcos). Trata-se de uma formação rochosa impressionante localizada na costa sul da Sicília, entre Realmonte e Porto Empedocle. Fica a 13 km de Agrigento. Ficará fechada por um período indeterminado, devido a desmoronamentos, uma vez que são falésias formadas por uma rocha chamada marga, composta de calcário e argila, e parece feita de gesso. Em www.dicasetricas.com, descobrimos que a luz do sol reflete as rochas durante o dia, criando uma variedade de tons que vão do branco brilhante ao azul profundo do mar, proporcionando um espetáculo visual inigualável.

Praias à esquerda maravilhosas. Terra seca, a água Sabrinella vendida pelo motorista do ônibus a €1 (euro). Nós viajantes, agradecemos. 25º C, dia ensolarado.

Marsala, terra do vinho fortificado. O site DiVinho esclarece que é apreciado como um aperitivo, ou acompanhando sobremesas. Uva especial em uma franja de terra, mais alcoólica, pela região ter muito sol. Paisagem adiante muda com os pinhos, fica mais verde.

Um pouco de história, conforme a guia Sabrina. Em 1816 foi fundado o Reino das Duas Sicílias, no sul da Itália, compreendia os antigos reinos de Nápoles e Sicília debaixo da Casa Bourbon, por Fernando I. Decisão tomada depois das guerras napoleônicas. Fernando II, rei das Duas Sicílias de 1830 até sua morte em 1859. Mais extenso reino antes da unificação em 1860. Pós-unificação foi feita a abolição do feudalismo, desenvolvimento da infraestrutura, tentaram modernizar com reformas a Sicília. Foi o primeiro estado com uma constituição. Giuseppe Garibaldi chegou ao porto de Marsala com 1000 voluntários em 11 de maio de 1860, conhecidos como Camisas Vermelhas. Expedição dos Mil. Ajudou com o processo de unificação do país. A guia nos dando aula e nós vendo um mar de parreiras. Continuando. Francisco II, último rei de Nápoles, pediu ajuda de estrangeiros, mas não recebeu, logo o reino das Duas Sicílias foi anexado. A Wikipédia menciona que se trata de um célebre episódio do Risorgimento italiano. Antes, eram pequenos Estados submetidos a potências estrangeiras. Na luta sobre a futura estrutura da Itália, a monarquia constitucional, encabeçada pelo rei Vittorio Emanuele II, do Reino da Sardenha, apoiada pelos conservadores liberais, teve sucesso quando em 1859-1861 se formou o Estado-nação. Detalhe: a parte sul do país foi abandonada pós a unificação, era mais rica, porém com a unificação em 1860, empobreceu.

Porta Garibaldi-Marsala-Sicília-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

A Sabrina fala sobre a cidade. Porta Garibaldi, majestosa. Povoado de pescadores. Estilo árabe, casas pequenas. Vive da pesca e do turismo. A lagoa de Stagnone, a maior da Sicília, e a salina. Produção de sal conhecido. Pessoas extraem o sal gema (marinho). De acordo com o site https://descobrindoascilia.com, pouco antes de Marsala, há essa grande lagoa que dá continuidade à paisagem de salinas com suas quatro ilhotas: Isola Grande, La Scuola, Santa Maria e San Pantaleo. “Stagnone” significa grande pântano. A lagoa é bastante rasa e seu grau de salinidade é alto.

Teremos uma parada para comer no mercado de peixes. São camarões, atuns vermelhos, ostras, dentre muitos outros. Rua principal, Garibaldi, com restaurantes. Experiência divertida com música e vitrine de peixes. Banheiros podem ser usados em bares e restaurantes, de jeito nenhum no mercado.

Não é uma boa ideia beber muito vinho em Marsala, pois a subida montanhosa para Erice tem curvas. Distância: 30 km.

Vemos o mar de Marsala. A guia nos explica sobre a origem do vinho. Nasceu nos idos de 1773, quando um inglês John Woodhouse ao levá-lo para a Inglaterra, adicionou álcool, já que a jornada era longa. Devido às guerras napoleônicas, estava difícil conseguir os vinhos portugueses e espanhóis, então o rico comerciante de Liverpool, pensou em uma nova rota. Fez sucesso.

Vemos usinas eólicas pelo caminho. Na década de 1940, o site https://desocbrindoasicilia.com cita que Vincenzo Florio, já renomado na região pelo comércio de atum, deu origem à vinícola da família Florio, tornando-se um dos produtores mais afamados de Marsala. Com sua frota de inúmeros navios, eles exportam até a América do Sul.

Entramos em Marsala. Prédios baixos e casas, de cor bege. Calor, sol, cidade plana. Feira de frutas e verduras. Simples, interiorana. Seguimos o caminho do mar. Percebemos ser uma cidade mais pobre, muitas casas fechadas. Marsa-allah, ou seja, porto de Allah, antes se chamava Lyllibaeum (“a que olha para a Líbia”), fica em frente a esse país, no norte da África. A ilha de Mozia em frente. Era colônia fenícia, invasões de piratas depois das melhorias feitas. Fenícios, gregos, sarracenos. Vemos algas na beira da praia. Ilha Favignana. Erice em cima, se vê da costa.

Moinhos de vento eram usados para moer o sal. Hoje, decoração. Temos 1 h e meia para o almoço. A guia sugere o atum vermelho, a Cantina Florio e o sorvete com brioche de sobremesa.

A cidade muda para melhor quando a conhecemos mais. Estamos a pé. Decidimos não comer no mercado. Seguimos adiante. E encontramos o restaurante Da-Totò Risto Bar na rua Al Marsala. O centro histórico é atraente com seu calçadão e muitas opções de lugares para comer. O garçom que nos atende é sozinho para tudo, logo não foi simpático. Estávamos em mesas fora do restaurante, no calçadão, do outro lado. Pedimos água tônica e almoço de salada de alface e peixe-espada com passa de uva ao molho de soja e nozes. Uma delícia! Encontramos companheiras da nossa excursão lá.

Para a sobremesa, rumamos à sorveteria Millegusti, na Via Delle Sirene, 3, esquina com Scipione L´Africano. Nosso pedido foi um sorvete de limão e macarena, o brioche com sorvete ficou na vontade, era muito doce. Aliás, o gelato italiano é demais: €3 (euros). O grupo todo estava no local com a guia. Voltamos ao ônibus.

Monumento de Garibaldi, um mastro e uma bandeira. Outra porta de Marsala. Ilha Mozia. Em https://descobrindoasicilia.com, aprendemos que na verdade, a ilha se chama de Pantaleo que era a cidade fenícia de Mozia. Marina, salinas, salina Gella. A água do mar entra nas piscinas e o sal fica. Salina Ettore. Montes de sal. Sal de Marsala.

Erice-Sicília-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

Subimos a montanha onde se situa Erice, no topo do monte Erice. Tem um povo bonito de origem fenícia, segundo o informativo da Europamundo. Ruas com pedras. Pré-história, Idade Média. Muito vento, umas várias igrejas. Montanha habitada desde a idade do bronze. Povo Elimiano ou elímio, fundador. Santuário dedicado à beleza/amor/fecundidade (Vênus/Afrodite). As sacerdotisas se entregavam sexualmente por meio de rituais e práticas religiosas. Santuário rico. Ruas de inclinação acentuada. Porta Trapani, medieval. A torre sineira separada do campanário.

De acordo com o site, https://descobrindoasicilia.com, foi fundada pelos elímios no séc. VII a. C. A mitologia conta que Erice deriva de Éryx, filho da deusa Afrodite e do rei Butes. Elímios, fenícios, gregos, romanos adoraram deuses pagãos. No período romano, todos os anos milhares de peregrinos visitavam o santuário de Vênus para participar de rituais que incluíam a criação de pombos e a prostituição “sagrada” das hierodulas (meretrizes compradas para serem oferecidas a Vênus). Enfim, na era cristã, Erice continuou importante do ponto de vista religioso, pois ali, moraram normandos, suábios e espanhóis que construíram mais de 60 igrejas. As muralhas da cidade são muito antigas, da época elímio-púnica (séc. VIII a. C.). Erice é um dos lugares que ainda mantém o fascínio medieval.

O mesmo site acrescenta que o cartão-postal da cidade é o Castelo de Erice ou de Vênus, uma fortaleza construída pelos normandos, bem onde surgia o templo de Afrodite, entre os séculos XII e XIII. A igreja Matriz foi feita em estilo gótico, sob ordem do rei Frederico II de Aragão, em 1312, utilizando material proveniente do templo de Vênus. Já a torre remonta aos séc. IV ou III a. C., o período em que Roma combatia Cartago pelo domínio da área do mar Mediterrâneo, mas teria sido reconstruída no final do séc. XIII, também sob ordem de Frederico II, tornando-se posteriormente, o campanário da igreja.

Os pastéis genovesi são uma instituição siciliana. Cerâmicas, castelo em cima. A guia nos conta sobre os afamados pastéis. Maria Grammatico criou. De família pobre, a mãe a colocou em um convento por pobreza. Ela deixou o monastério e abriu uma pequena confeitaria que cresceu, se tornou ilustre e uma marca de Erice.

Que visual lindo! Mar lá embaixo, montanhas, cidades. A Sabrina coloca músicas que elevam o espírito. Subida íngreme. Para o ônibus passar, os carros que descem param. 800 m. de altitude. O visual de baixo parece o Rio de Janeiro, com a baía de Guanabara e o Pão de Açúcar nas devidas proporções. Diferente e parecido ao mesmo tempo. Com ilhas, uma fábula. Subiam a cavalo anos e anos atrás. Lugar precioso. Os napolitanos visitam no verão (45º C). Bosque na entrada.

Pastéis genovesi-Erice-Sicília-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

Erice, um sonho, toda pavimentada na pedra. Prefeitura no alto na praça principal, Piazza Umberto. Há restaurante, tabacaria, lojas, ruelas. Paramos em grupo depois de uma subida com muito esforço na imperdível confeitaria, da criadora do pastel genovesi: Pasticceria Maria Grammatico. Pedi um docinho de pistache e esse pastel. Que maravilhas! De babar… Na entrada da confeitaria (sempre lotada) está escrito: “Por 40 anos os mesmos ingredientes e o mesmo pastel de amêndoa do antigo monastério de Erice. Degustações: geleias, marsala, pastéis de amêndoa e torrone. Genovesi: farinha, açúcar, margarina, ovo, creme de leite, limão”.

A Igreja do Santíssimo Salvador tem ao lado um complexo beneditino em ruínas, pode visitar pagando. Na via Giuseppe Coppola, lembrancinhas mil. Um deleite. Entre as duas portas da cidade, surge a Catedral com campanário, €2,50 (euros), a Real Duomo di Erice. Eis a Igreja Mariz de Erice com a Torre do Rei Frederico. Não dá tempo de entrar na catedral, mal dá para comprar lembrancinhas. Só 1 hora para tudo. A subida é braba. Só existe um banheiro público. €1 (euro).

A Tunísia pode ser vista do local. Pelo interior da Itália não falam inglês ou espanhol. A guia ajuda quando pode. As cidades são limpas, as lixeiras com lugares separados para tipos diferentes de lixo. Cajitos ou carrinhos decorados com desenhos de tradições sicilianas. Nos anos 60, carros e motos surgiram, então os cajitos desapareceram, viraram símbolo da cidade. Eram utilizados para entregar mercadorias e transportar pessoas no passado. Hoje é decoração.

No caminho a Palermo, outro templo: o de Segesta, além de um aqueduto. Em www.viajandoparaitalia.com.br, ficamos sabendo que é uma cidade siciliana que abriga um dos templos mais bem conservados do mundo, o Templo de Segesta, a 400 m acima do nível do mar, além das próprias belezas das construções. É a antiga capital dos elimianos (um povo de cultura e tradição peninsular, que segundo dizem, vieram de Troia). A cidade fica localizada a noroeste da Sicília, era conhecida como Egesta pelos gregos. O parque é dividido, basicamente, em duas partes: o Monte Bárbaro e o Templo. No monte se encontram o antigo anfiteatro, o Castelo e as ruínas de uma igreja.

Estamos no ônibus, cansados, mas encantados. Ufa! Quanta riqueza cultural tem a bela Itália.

Bela Itália-Sicília-Villa Romana del Casale-dia 5

Bela Itália-Sicília-Villa Romana del Casale-dia 5

Hoje é dia 9 de outubro de 2025. São 14h30 e estamos para entrar na Vila Romana de Casale. Dia longo, com muito movimento. Segundo o informativo da excursão da Europamundo, visita para conhecer esta aldeia Patrimônio da Humanidade. As vilas no Império Romano eram o símbolo da exploração agrícola. Em Casale, não só foi preservada a configuração arquitetônica do séc. IV, mas devido à sua abundância e qualidade, os mosaicos que adornam quase todos os quartos são os mais bonitos do mundo romano.

A Wikipédia nos conta que é Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO desde 1997. É uma vila tardo-romana, cujas ruínas estão situadas nos arredores de Piazza Armerina (província de Enna). A descoberta da vila deve-se a Gino Vinicio Gentili, que em 1950 empreendeu a exploração, seguindo as indicações de habitantes do lugar. Ele atribuiu a vila à era da Primeira Tetrarquia (285-305 d. C.). A Tetrarquia foi introduzida pelo imperador romano Diocleciano de 293 a 313 d. C. Curiosidade: a Wikipédia nos ensina que tetrarquia designa qualquer sistema de governo em que o poder seja dividido por quatro indivíduos.

O site descobrindoasicilia.com adiciona mais detalhes. Trata-se de um sítio arqueológico onde se encontram ruínas de um suntuoso palácio, formado por 48 dependências com mosaicos que retratavam cenas do dia a dia. Foi construída por volta do séc. IV d. C. Em uma área que já era ocupada desde o séc. II, no centro de um vilarejo rural. Provavelmente pertencia a uma figura muito importante da aristocracia romana, por causa do luxo com o qual o palácio foi erigido. Acrescenta que o percurso na parte interna do palácio é composto por passarelas. Dessa forma, não há risco de as pessoas pisarem nos mosaicos. Além disso, para proteger os mesmos da ação das chuvas, foi também construída uma cobertura de acrílico em todos o edifício.

Vamos à nossa visita. Estamos fora do palácio, acompanhados de uma guia local. A vila foi encontrada oficialmente em 1950, são 3500 m². Vemos fornos usados pelos escravos. Estamos na entrada que não é a principal. Reconstruíram da forma e material da época. Escultura do “Cavalo da Discórdia”, de Gustavo Aceves, pintor e escultor mexicano, hoje mora na Itália. Mosaicos: forma de ostentar dentro dos comedores. Usado como palácio de verão. A parte central da vila é rodeada de colunas, cujo tema central são animais e a apresentação de animais que traficavam para usar no Coliseu. Eram tigres, leões, gazelas, cervos e outros capturados na África e trazidos para a Europa. 60 salas enormes, salas geométricas com mosaicos de animais. Salas de serviços: escravos com figuras e convidados. Vemos quartos para bacanais, festas, orgias. Mosaicos de aves e filhos do dono da casa. Segundo a guia, poderia ser um imperador.

Sala geométrica para escravos. Mosaicos, todos diferentes. Capturavam animais em jaulas, depois os transportavam de barcos para Roma. Corredor da caça: os mosaicos mostram animais sendo caçados no norte da África, sala gigante. Um rinoceronte sendo caçado e cachorros ajudando a ação. Em outra sala: a Face de Orfeu.

A sala com mulheres de biquínis em práticas esportivas, jogando pelotas na praia. Cortaram esse e encontraram o mosaico geométrico da sala de serviço. Parte pública, mosaico por dentro, que representa a vida real e a mitologia. Fora: a basílica e o apartamento patronal. Curioso dizer que as pessoas à época viviam até os 40 anos. Parte privada. Salas de mosaicos com carros, crianças em barcos e que matavam peixes. Sala enorme. Mosaicos de plantas, jarros. Nereidas, da mitologia grega. A Wikipédia nos esclarece que eram as 50 filhas de Nereu e Dóris. Nereu compartilhava com elas as águas do mar Egeu.

Latrina octogonal. Do lado de fora. Muitas pessoas usavam pela manhã. Apartamento privado, três salas. Fazemos um esforço grande na caminhada, o sol é forte. O imperador tinha concubinas. O quarto Ulisses parece um teatro. Cozinha geométrica, corredor para entrar e sair. Sala íntima com mosaico de Cupido e Psique. Além de Homero e Odisseia.

Basílica, sala do poder, do trono. O imperador controlava a entrada das pessoas. O tetrarca Maximiniano (286-305 d. C.) era chamado de Hércules, por ser forte como o herói mitológico. Tinha trono no fundo, estátua de Hércules em mármore. Colunas de granito do Egito. Era um tribunal, o local é mais palácio do que vila.

Em 1950 encontraram a vila embaixo da terra. Buscavam água e encontraram mosaicos. Na região viveram fenícios, árabes, gregos, romanos, uma mescla de culturas. Cozinha fora. Não estão escavando mais por falta de dinheiro.

Havia um aqueduto privado. E um spa dividido em quente, morno e frio, com piscinas. Estamos dentro de um bosque cerca do porto de Gella, rio Gella, a 30 km do mar Mediterrâneo. Transportavam materiais do local. A vila é única, incrível, por estar intacta, no mundo se encontram ruínas, diz a guia.

Voltamos para o ônibus, suados, cansados, fazia muito calor. Esta viagem não é para qualquer um, requer esforço. Agora são 24º C, mas com sol intenso, no verão 48º C. Estamos no meio da ilha da Sicília. A nossa guia Sabrina volta a nos dar informações preciosas.

Vimos vacas e ovelhas soltas nesta região. Em geral, vivem presos. As músicas que escutamos no percurso são vivas e animadas.

Passamos pelo Vale dos Templos de Agrigento de 6 a. C. Que lindo! Lá morou uma população grega de Rhodes. Não estão dentro do vale e sim, nas colinas. Patrimônio da Humanidade, em grego Acragas e em romano Agrigentum até Agrigento. No local, habitava o antigo povo dos Sicanos, que viveu na região entre os anos de 1500 e 800 a. C. A região foi tomada pelos cartaginenses do norte da África, também pelos árabes (mouros) e os Bourbons (espanhóis), do Reino das Duas Sicílias. Muitos reinados passaram, centro de barões, de religiosos. No ônibus passamos a “sacola da gratidão” para o motorista Ângelo, que vive na cidade. Sempre se dá um dinheiro para a guia e motorista em excursões.

Três cidades fundamentais do passado: Agrigento, Siracusa e Imera. De acordo com a Wikipédia, um dos déspotas da época foi Faláris, de Agrigento. Conseguiu conquistar toda a ilha. Sob as ordens dele, Perilo de Atenas criou o Touro de Bronze ou o Touro de Faláris, máquina de tortura e execução. Pegava as pessoas e as colocava no touro, acendendo fogo embaixo. O barulho fazia o boi falar. Um horror, do séc. VI a. C.

Com a gente no ônibus, a Glória e o Nilson, de Sorocaba, São Paulo, viajantes agradáveis. Chegamos a Agrigento, lá se vai o Ângelo e vem o motorista Alberto. Hotel Baia di Ulisse Wellness & Spa, muito bom. Endereço: Via Lacco Ameno. Com piscina grande embaixo e muito espaço. Quartos embaixo e em cima, com oliveiras no meio. Perto da costa de San Leone. Um pessoal da excursão foi à praia e ficaram bebendo na piscina antes da ceia. Lugar para relaxar.

Jantar com o grupo. Primeiro prato: massa com berinjela; segundo prato: porco, o meu salada; e pães e pudim de Nutella, coberto de parmesão. Uau! Que dia mais completo!

Bela Itália-Sicília-Caltagirone-dia 5

Bela Itália-Sicília-Caltagirone-dia 5

Hoje é dia 9 de outubro de 2025 e estamos no caminho entre Catânia e Caltagirone. São 70 km. A nossa guia Sabrina nos brinda com informações sobre o que veremos. Caltagirone, a 608 m acima do nível do mar, tem cerca de 38 mil habitantes e é localizada na província de Catânia. Tem uma escadaria de 142 degraus famosa, chamada de Santa Maria do Monte. Cerâmicas originais, feitas à mão. As cidades da região foram levadas 8 km acima, reconstruídas por causa do terremoto. Trem turístico.

O Etna sempre com fumaça à direita. Dia quente. Escutamos no ônibus o cantor Franco Battiato. De acordo com a Wikipédia, ele era também compositor, regente, escritor e pintor italiano (1945-2021). No percurso, algumas casas abandonadas e lixo na calçada. Estamos na zona da laranja, árvores frutíferas, oliveiras, vemos um mar de laranjeiras. Na Itália e Espanha estão removendo oliveiras para colocar painéis solares.

Estrada muito boa. Clima e terra parecem com a da Andaluzia, na Espanha. Clima mais seco. No grupo da excursão, somos viajantes variados: galegos e catalães (da Espanha), argentinos e brasileiros. A gente se entende. No mapa, Gela à frente e Lentini à direita. São 10h27 e 24° C. Agora, Gela à esquerda e Caltagirone também.

A paisagem é de deserto. O castelo árabe de Caltagirone na montanha, que não existe mais na sua forma original. Desde os tempos pré-históricos existem necrópoles, a tradição da cerâmica desde os árabes e normandos que estiveram na região e melhoraram a cerâmica: pratos, azulejos, esculturas, trabalhos de pais a filhos, artesanal. Escada original, decorada com pedaços de cerâmicas diferentes em cada degrau, conecta partes da cidade, a nova com a antiga. Foi destruída por terremoto. A escada normal foi modificada com cerâmica. A título de conhecimento, a Wikipédia nos esclarece que necrópole, do grego antigo, é um grande cemitério e projetado com monumentos de túmulos elaborados.

Estamos na carretera (estrada). Estrada bloqueada. Ainda bem que somos o primeiro ônibus (são 3). Figos da Índia, a planta é toda comida frita. Os espinhos são tirados. São cactos. Caltagirone à esquerda. Estamos em uma rotatória. A conversa ontem era sobre não ter onde estacionar carro nas cidades grandes da Europa, as regras mudam e as pessoas levam multas.

Maio, mês da festa das Flores, de 6 de maio a 12 de junho, evento em homenagem à Madona. A escada de 142 degraus se enche de desenho de flores. Dias 24 e 25 de julho, festa de são Giácomo, com velas acesas nos degraus para iluminar a cidade. As cerâmicas de cabeças de mouros encontradas em Taormina e Caltagirone. O ambiente muda para verde. Em Palermo, bom para compras, tudo mais barato e em quantidade.

Caltagirone em meio às montanhas Erei, que vão do sudeste até o centro da Sicília. Tudo bege, casinhas mil, bem Itália. Que lindeza! Lembra um quadro cor de terracota. O site https://descobrindoasicilia.com nos conta que Caltagirone significa em árabe “castelo de jarras de cerâmica”. Uma das oito cidades do sudeste da ilha conhecidas como cidades barrocas do Val di Noto ou Vale de Noto, que foram totalmente destruídas e reconstruídas após o terremoto de 1693 e que fazem parte de Patrimônios da Humanidade da UNESCO. Lojas que vendem belas cerâmicas, olarias, e obras de arte em terracota dos laboratórios locais. A produção de cerâmica iniciada durante o período grego.

Na frente do trenzinho, uma cadeia antiga com exposição de quadros. Estamos na Piazza Umberto I, onde se encontra a Catedral Basílica de San Giuliano. O trem é da companhia Tour de la Città Regina dei Monti Erei. Um carrinho, na verdade, e lá vai o ônibus todo. Por €5 (euros), passeamos pela cidade, com explicações da cidade para conhecer seus principais pontos de interesse.

Cidade feita de rocha vulcânica. Jardins públicos. O centro histórico em estilo barroco siciliano. Prédios lindos. Descemos. No Bar Escalier, ao lado da afamada escada, na Piazza del Municipio, 2, tomei sorvete de limão e o Carlos, um de pistache e um cannolo de ricota. Também, confeitaria, gastronomia e sorveteria. Tem arancini (a coxinha tradicional deles). Detalhe: nas escadas só tiramos fotos, ninguém teve coragem de subir. A escada é bela, única. Estamos bem acompanhados da nova amiga Ana Maria, do Rio. Um adendo: segundo o site The Mediterranean Dish, arancini é uma comida de rua siciliana feita com risoto, enrolado em forma de bolinha, recheado com queijo, à milanesa e frita até ficar crocante. Uma delícia! Sobre a escadaria de Santa Maria do Monte, é de 1606. O site https://descobrindoasicilia.com acrescenta que cada um dos 142 degraus é decorado com azulejos pintados à mão, usando cores, formas e padrões típicos da mais tradicional produção de cerâmica e arte.

Na Piazza del Municipio se situa a Igreja de São José. O padre nos colocou para dentro, uma simpatia. Comprei santinhos de são Carlo Acutis, 2 euros cada. Palazzo Municipale, prédio da prefeitura. Pertenceu à família Interlandi, príncipes de Bellaprima.

Muitas lojas de cerâmicas, coisas lindas, caras, brincos, jarros, bancos, xícaras, copos, que maravilhas. Palazzo Spadoro Libertini, do séc. VII. O site palazzospadorolibertini.com nos dá dicas sobre o local. Trata-se de um dos mais antigos palácios, reconstruído sobre uma estrutura preexistente do séc. XVI, que pertenceu a Bonaventura Scusio, bispo de Catânia e diplomata, nascido na cidade em 1558.

Museu Regional de Cerâmica de Caltagirone, na esquina da Via Gesualdo Clementi com Via Emanuele Taranto, tem uma loja com um vidro onde pisamos e embaixo mais pratos de cerâmica. Piazza Umberto I. O trenzinho estava na outra esquina. A gente estava batendo altos papos com “hermanos” de Buenos Aires em uma esquina, mas o grupo estava na outra. Chegamos ao local correto e entramos no trem que levou a gente ao ônibus. Cidade magnífica. Encantados.

Caltagirone é Patrimônio Mundial Cultural e Natural da UNESCO e Patrimônio da Humanidade, por seu legado barroco. É o centro da cerâmica na Sicília.

A guia nos adianta que vamos em direção à Vila Romana de Casale, escondida por muitos anos pelo barro de um dilúvio, com acompanhamento de um guia local. Lugar precioso. Lá almoçaremos em uma feira. 45 minutos até o local.

À direita, deserto. Estamos na estrada. Rochas na montanha com formações interessantes. Muralhas com cerâmicas na saída. Muito comum ver proteções de morros de concreto nas estradas. Controle eletrônico de velocidade.

No sul da Itália são fogosos e ciumentos, segunda a guia napolitana. Importante contar a lenda da cabeça do mouro ou “Testa di Moro” que remonta ao período da dominação mourisca na Sicília, por volta do ano 1000. A Sabrina nos diverte com ela, assim como os sites Sicilia Bedda Shop e Descobrindo a Sicília. A filha de um pai zeloso, “linda” de Palermo, era uma moça muito bela de cabelos negros que passava o dia cuidando de plantas em uma varanda florida, então conheceu um árabe, mas ela soube que ele era casado e tinha filhos. Com ele, havia perdido a virgindade e estava em situação difícil. Logo, na noite anterior à partida dele, ela o convenceu a passar uma última noite juntos, ele dorme e ela corta a cabeça dele e a transforma em jarro, onde planta manjericão junto a outros vasos. Ela chorava à noite, porque não o queria matar. O vaso com a cabeça de homem foi copiado pelas demais pessoas.

Agricultores colhendo azeitonas pelo método antigo. Região de figo da Índia. Top! Origem protegida até 5 m de altura. Recolhem com a mão o fruto da velha maneira. O sabor é mais forte e o tamanho maior. Entre agosto e setembro, a colheita. Plantado como se fosse uva. Em https://frutopedia.com, sabemos mais. Também conhecido como tuna ou pera espinhosa. Fruta exótica originária de cactos, com casca, espinhos e polpa suculenta. Alcachofra, painéis solares e olivas pelo caminho.

Piazza Armerina, uma cidade parecida com Caltagirone. Também barroca e na montanha. Foto de dentro do ônibus. Conforme o Tripadvisor, onde está localizada a Vila Romana de Casale, uma vila romana que pertenceu a uma rica família siciliana cerca do ano 500 d. C. e que mantém uma preservação excelente de mosaicos. Patrimônio Mundial. Paramos na feira primeiro para almoçar. Arancini, focaccias, pizzas e sucos de laranja, romã, refrigerantes e cervejas. Escolhi o arancini de berinjela. As lojas de lembrancinhas, uma loucura. Comprei sabonetes maravilhosos de laranja, oliva etc,, 3 por €10 (euros), e perfume de bergamota por €20 (euros). Muito calor.

Prosseguiremos em breve. Itália espetacular.

Bela Itália-Sicília-de Letojanni a Catânia-dia 5

Bela Itália-Sicília-de Letojanni a Catânia-dia 5

Hoje é dia 9 de outubro de 2025. Estamos em Letojanni no hotel Antares Olimpo. Passeamos por Taormina no dia anterior. Cidades encantadoras na região. Dia intenso de viagem no ônibus. O café da manhã com o serviço mais lento, as pessoas têm outro ritmo. No mais, o hotel é muito bom. Eis o cronograma da excursão: 5h50-acordar; 6h30-café da manhã; 7h10-entrega das malas; e 7h30-o ônibus parte para Catânia, 51,7 km até lá.

Estamos dentro do ônibus. Tenho que comentar: como se fuma na Europa! A nossa guia não é exceção. Para nós, é um espanto. Grupo grande da excursão que se divide ou se aglutina, os destinos são diferentes.

A guia Sabrina nos conta muito da Sicília. O vulcão Etna, de 3403 metros, está sendo medido novamente. Está com neve desde a semana anterior. Segundo a Wikipédia, é a mais alta montanha da Itália ao sul dos Alpes. No site descobrindoaitalia.com, ficamos sabendo que Etna vem da palavra grega Aitna, o nome do vulcão significa “eu queimo”. Na mitologia grega, Aitna era filha de Urano (céu) e Gaia (terra), a deusa do vulcão. Para os sicilianos, o Etna é feminino. Não é só um vulcão, mas um aglomerado de vulcões. No topo, há 5 grandes crateras (principais) e outras dezenas menores.

Em Catânia, há a Basílica Catedral de Santa Águeda (Ágata). A Catedral de Catânia à direita e o mercado da cidade à esquerda. O mercado é famoso e oferece maravilhas. O local é um enclave bonito. Veremos um arco, onde está cidade antiga, e desceremos. A província de Messina acaba e começa a de Catânia. Ainda iremos a Caltagirone no centro da ilha, subiremos para a Vila Romana e desceremos até Agrigento.

Os imigrantes/refugiados africanos chegam à Europa pela ilha de Lampedusa e de lá Agrigento e Roma. Após uma triagem são distribuídos no continente. Estamos na escuta de música em dialeto siciliano: uma tarantela napolitana. Os dialetos são diferentes e difíceis de entendimento.

À direita se vai para Giarre. A guia nos explica a diferença entre as polícias da Itália. Polícia de azul: estatal; Carabinieri: militares; polícia local: da cidade; auxiliares de tráfego: os que aplicam multa; guarda de finança: a Receita Federal deles; e a polícia penitenciária. A loja que não dá a nota fiscal é considerada que faz “caixa dois e evasão fiscal”. Dependendo do valor, existe o tax free no país. O valor do IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) depende do produto e da loja.

A guia sugere compras em Palermo, capital, pois são mais baratas e tem lojas de marca também. Já Nápoles tem lojas para diferentes classes sociais, com muita competição. Ela acrescenta que os restos mortais de são Francisco de Assis serão expostos pela primeira vez em 800 anos, em Assis, em 2026, de acordo com o Papa Leão XIV. Lembra que na cidade também estão as igrejas de santa Clara e de são Carlo Acutis.

Entramos em Catânia, um importante centro cultural e comercial ao longo de sua história. Uns 350 mil habitantes. Localizada à beira mar. O Google.com nos informa que é uma antiga cidade portuária na costa oeste da Sicília. Situa-se no sopé do monte Etna, um vulcão ativo com trilhos que conduzem ao cume. A Wikipédia adiciona que foi fundada no séc. VIII por colonos calcídicos (tribo grega do norte). Santa Ágata é a padroeira, protetora dos seios, e o símbolo da cidade, o elefante. Banhada pelo mar Jônico, é a cidade natal do compositor de ópera Vincenzo Bellini (séc.XIX).

Já foi destruída por desastres naturais, erupções do Etna e terremotos, e foi reconstruída com pedra de lava. E em estilo barroco. Abaixo da catedral existem termas romanas. E o lema da região é Carpe Diem, uma vez que debaixo de um vulcão, ninguém sabe quando vai morrer. Requer um espírito resiliente de quem se reinventa depois de cada tragédia.

Escutamos o cantor famoso: Lucio Battisti, que de acordo com a Wikipédia, é ícone da música leggera, um estilo musical orquestral leve. Catânia é a segunda maior cidade da Sicília, tem prédios baixos, rumamos ao centro. Restaurante com carne de cavalo, vejo a foto de um asno. Sempre nos choca. Parte da máfia gosta.

Começamos o passeio pelo Mercado de Catânia: azeitonas, pistaches, nozes, amêndoas. 5 euros para 100 g de pistache, comprei. O mercado é original: resto de peixes expostos, pão com baço (pode?), sorvete no brioche doce, la granita, feita com leite de amêndoas, figo da Índia, de categoria protegida, exportam para o mundo todo. O Instagram nos deleita sobre o local. Diz ser uma experiência vibrante e histórica, com destaque para a conhecida La Pescheria (mercado de peixe) perto da Piazza Duomo, e o mercado na Piazza Carlo Alberto (Fiera di Catânia). A La Pescheria é um grande mercado vendendo frutas, legumes, queijos e produtos locais, considerado um retrato da vida siciliana. Um ótimo local para provar a gastronomia local, como ostras ao limão e pratos típicos (caponata), com vendedores gritando e em grande agitação. Considerado um dos pontos mais autênticos da cidade. O site descobrindoasicilia.com nos diz que peixes e frutos do mar são exibidos em bancas, tabuleiros, baldes, caixotes de plástico. Promovem sua mercadoria em dialeto siciliano. Polvo, lula, mexilhões, enguias, sardinhas, peixes-espada, anchovas, atum e outras variedades de peixes do Mediterrâneo. Além de suco de laranja e romã.

Via Pardo, com sombrinhas coloridas no teto. Uma rua movimentada e efervescente no coração da cidade. Conhecida pelo seu diversificado leque de opções de cafés e restaurantes, da culinária local à internacional. Também lojas variadas que oferecem roupas, lembrancinhas e acessórios (fonte: Wanderlog).

No centro histórico se situa a Basílica Catedral de Santa Ágataque possui o corpo embalsamado do cardeal Giuseppe Benedetto. E o túmulo e relíquias de santa Ágata. Comprei um santinho e uma medalha. O centro com calçadão e cafés ao redor. Fomos ao Caffé Duomo para banheiros. Estamos na Piazza Duomo, a ampla praça central. Chegamos cedo, porque depois aparece muita gente. Ali está a Fonte do Elefante. O Tripadvisor nos informa que foi criada pelo arquiteto italiano Giovanni Battista Vaccarini, por volta do ano 1736 e virou símbolo de Catânia. O site https://pt.italiani.it apresenta algo mais. A base da fonte é formada por um pedestal de mármore branco localizado no centro de uma bacia, também de mármore, na qual jorros de água saem da base. Na base, duas esculturas reproduzem os dois rios de Catânia: o Simeto e o Amenano. O aparato decorativo remete à mitologia, ao cristianismo, à literatura presente nas inscrições latinas. Acima está o elefante de pedra de lava, encimado por um obelisco de origem egípcia que chegou à Catânia graças às Cruzadas. O elefante tem nome próprio: Liotru, distorção dialética do nome Heliodorus, figura lendária de Catânia. Tornou-se símbolo da cidade em 1239 e é usado como relógio de sol.

A respeito de santa Ágata, sempre é curioso conhecer algo sobre a sua história. A Wikipédia nos ajuda nisso. Ela era oriunda de uma família rica e teria vivido no séc. III, quando sua cidade era controlada pelo consular (oficial) Quinciano. Ele se apaixonou por Ágata, conhecida pela sua beleza e nobreza, e a forçou a se casar com ele, mas ela não aceitou, então foi acusada de ser cristã e presa. Foi martirizada durante a perseguição do imperador Décio. Foi presa, torturada e teve seus seios mutilados, tornando-se a padroeira das mulheres com câncer de mama e das que sofrem com doenças mamárias (fonte: http://www.astrocentro.com.br).

Um pouco sobre a catedral. Conforme o site descobrindoasicilia.com, a primeira catedral de Catânia foi erigida em 1086, por ordem do rei normando Ruggero I. A construção ocorreu especificamente sobre ruínas de termas romanas, as Termas de Aquiles, onde santa Ágata teria sido martirizada. Dessas termas, hoje, só resta uma pequena área, acessível dentro da igreja. Após o terremoto de 1693, a catedral teve que ser totalmente reconstruída, por isso tem um estilo único de arquitetura.

Quanta cultura! A Itália é uma riqueza e tanto. Prosseguiremos para Caltagirone.

Bela Itália-Sicília-de Messina a Letojanni-dia 3

Bela Itália-Sicília-de Messina a Letojanni-dia 3

Hoje é dia 7 de outubro de 2025. Estivemos em Paola na Calábria, atravessamos o estreito de Messina e chegamos à cidade de Messina na Sicília. Cidade destruída por um terremoto, tsunami e incêndios, de acordo com a guia Sabrina, em 1908. Foi reconstruída posteriormente em formas quadriculares. Segundo a Wikipédia, o terremoto ocorreu na Sicília e Calábria, com magnitude 7,1. O epicentro foi no estreito de Messina. Messina e Reggio Calabria foram quase completamente destruídas e entre 75 e 82 mil pessoas morreram. Foi o terremoto mais destrutivo a atingir a Europa. A Universidade de Messina, fundada em 1548, por Santo Inácio de Loyola foi o primeiro colégio do mundo da Companhia de Jesus.

Também a Wikipédia acrescenta que a cidade foi fundada pelos gregos em 757 a. C. É conhecida pela sua rica história e arquitetura que reflete as influências gregas, romanas, árabes e normandas ao longo dos séculos. Possui uns 220 mil habitantes. A Tripadvisor nos conta que Messina é a “porta da Sicília” e é situada no nordeste da ilha. Já a https://descobrindoasicilia.com acrescenta que está situada a 3 km da península. Os gregos a chamaram de Zancle em homenagem ao lendário rei que construiu o porto: Zanclus. A época de glória de Messina veio com o governo da dinastia Aragão que fez dela a capital do reino da Sicília e reconheceu seu valor e potencial como porto.

Cidade arborizada, agradável. Vemos um transatlântico. Antes da visita à Catedral, vamos provar o famoso doce cannolo, tão falado com detalhes pela guia Sabrina. Típico do local. Detalhe: em italiano: 1 cannolo, 2 cannoli. Na área de calçadão se encontra a Pasticceria Laboratorio del Duomo e o cannolo é simplesmente magnífico. Com casca crocante, é recheado de ricota doce. Nunca provei igual, dos deuses. €3 (euros) cada. O Carlos e eu pedimos dois cada. Endereço: Via Primo Settembre, 154, no centro histórico.

Em https://descobrindoasicilia.com, o cannolo é um doce típico siciliano. Trata-se de uma massa crocante em forma de tubo, recheada tradicionalmente com ricota de ovelha doce, pedacinhos de abóbora cristalizada e gotas de chocolate. O confeiteiro pode usar outros recheios, como pistache, chocolate etc.

Na Piazza del Duomo ou praça da Catedral estão o Palazzo Zanca e o teatro Vittorio Emanuele, com seus afrescos e estilo neoclássico (fonte: Tripadvisor), e outros prédios importantes.

Vimos um prédio mais lindo do que o outro. Edificações claras, amarelas, cor de creme, com sacadas de bronze. Fios submersos. Incrível. Enfim, a Catedral. A torre sineira me lembrou a de Praga (na Chéquia). A Catedral tem seu teto trabalhado, belo, na madeira, o altar com Cristo, de influência da igreja ortodoxa.

A Catedral tem uma história e tanto. A Tripadvisor relata que se trata de um marco da cidade com seu famoso campanário e relógio astronômico. O campanário faz parte da torre sineira e é famoso por seu mecanismo de movimentação que apresenta diariamente as 12 horas e um espetáculo simbólico da história da cidade. Em https://pt.italiani.it sabemos mais. A Catedral é uma obra prima de arte normanda. A sua formação remonta a 1120. O rei normando Roger II queria que fosse construída. Em 1197 foi consagrada pelo arcebispo Benzio e dedicada a Santa Maria Assunta. Depois de terremotos e incêndios, a nova Catedral foi consagrada em 1929. Em 1943 sofreu muitos danos devido ao bombardeio dos Aliados. Sempre foi reconstruída. Ainda hoje fascina os visitantes pela beleza e elegância de suas linhas. Dentro se veem vários monumentos funerários de arcebispos, bem como o mosaico quase inteiramente original da abside (capela) esquerda. No interior, além de admirar o teto e as naves, avista-se o complexo de órgãos, o segundo maior da Itália. Possui 5 teclados, 170 registros e 16 mil tubos. A empresa Tamburini de Crema o criou em 1948.

Segundo o Google.com, o Relógio Astronômico (mecânico), construído em 1933, tem seu mecanismo ativado ao meio dia que exibe cenas religiosas e históricas, leões, galos e signos, com duração de cerca de 10 a 12 minutos ao som de “Ave Maria” de Schubert. O site https://descobrindoasicilia.com adiciona que foi feito pelos irmãos Ungerer de Estrasburgo.

Messina é grande, estamos no caminho de Catânia e saímos para Taormina, mas nos hospedaremos em Letojanni. O pessoal do grupo vai ser dividido entre hotéis: o Sporting Baia e Antares Olimpo, o nosso. No dia seguinte o dia será livre, oba.

Em Taormina conheceremos o Teatro Grego, a 200 m acima do nível do mar, em cima do estreito de Messina. No verão se alugam Ferraris, está acerca do vulcão Etna. É uma cidade medieval, cercada por muralhas com duas entradas. Eis uma cidade admirada pela sua beleza. Goethe, Churchill e outros nomes a amaram. Justo em cima do mar está o teatro impressionante, lá o Etna não dá medo.

Ainda no ônibus, a guia nos dá dicas de como pegar transporte para ir aos locais de interesse. Vamos receber mapas com os horários de ônibus. Levar trocado. O café da manhã até as 10h30. Se come muita comida frita. Doce de amêndoas, azeite de oliva, cassata siciliana, também doce típico. Na Sicília, não se deve tomar água da torneira, na ilha não há água para todos, os rios estão secos. Pinhas em todos os lados, plantadas pelos sarracenos (árabes). Trazem sorte. O Etna explodiu recentemente, foi forte e quebrou a parte de cima da montanha.

Estamos nos caminhos para os hotéis. Em Giardini Naxos, cidade litorânea com sua baía adorável, se encontra o primeiro hotel: Sporting Baia.

Vemos uma ilha que já foi privada: Isola Bella. Um pedaço de paraíso. Conforme o site https://descobrindoasicilia.com, ilhota repleta de vegetação e com uma casa no topo. Possui pouco menos de 8 mil m², é unida ao continente por uma pequena faixa de areia, que dependendo da maré pode ficar submersa. Pode ser visitada, pois é uma ilha jardim cercada por águas azul turquesa. Pertence ao Governo da Sicília, sendo uma reserva natural e possuindo o Museu Regional dos Bens Naturais e Naturalísticos da Isola Bella.

Em Letojanni, uma cidade costeira, se situa o nosso hotel. Antares Olimpo. Endereço: Via Germano Chincherini. Um caminho até lá, vamos com malas e tudo, está em cima de uma rocha. Jantar das 19 h às 21 h. Buffet com direito a refrigerante, vinho, água, cerveja. Peixe-espada, saladas, tabule, uau. Tudo muito bom. E os garçons pelo espaço da sala de jantar tocando instrumentos típicos da Sicília. Que ilha mais festiva! Eles se vestem em estilo grego/siciliano. Legal. O grupo da Europamundo fica junto dividindo as mesas, como sempre.

Ufa! Finalmente, o dia extenso acabou. Hora de dormir.

Bela Itália-de Salerno a Paola na Calábria-dia 3

Bela Itália-de Salerno a Paola na Calábria-dia 3

Hoje é dia 7 de outubro de 2025. Estamos na viagem do sul da Itália e Sicília. Dormimos no Gran Hotel Salerno. Endereço: Lungomare Clemente Tafuri, 1. O café da manhã com frutas, pães doces e muito mais, tudo bom.

O ônibus cheio com gente que havia chegado no dia anterior. As peruanas que atrapalharam nosso pôr do sol ontem entre Sorrento e Salerno vão embora hoje, então respiramos aliviados. Salerno, que beira mar mais fantástica com um calçadão muito harmonioso: Lungomare Trieste, de 1,5 km. Conhecido pelas palmeiras, foi estabelecido entre 1926 e 1933. Segundo o Google.com, Salerno é uma cidade costeira charmosa e histórica, situada às margens do mar Tirreno no golfo de Salerno. Funciona como porta de entrada para a famosa costa Amalfitana e sediou a primeira escola de medicina da Europa.

Estamos na região da Campânia e atravessaremos a Basilicata (terra dos meus antepassados), a Calábria e depois a Sicília. A balsa que pegaremos durará 20 min e a pegaremos às 15 h. Por isso sempre acordamos cedo para o dia produzir bem. Em Paola na Calábria, o almoço será às 11h30.

Nossa guia Sabrina sempre cheia de humor. Faz explanações em espanhol e português. Que capacidade! Ela diz que se banheiros de ônibus regionais funcionassem, seria uma guerra nuclear. A gente se diverte. Acrescenta que visitaremos o santuário de Francisco de Paula em Paola e de lá em 3 horas, chegaremos à vila San Giovanni. Em Messina na Sicília, provaremos o doce “canoli original”, inigualável. Ela passa a viagem falando em comida, aí ficamos com mais fome ainda.

Viagem de ônibus pelo país não é para todo mundo, uma senhora passou mal do estômago. Nos barcos, há turbulências às vezes leve, às vezes forte. A guia nos avisa que não podemos passar mal ou precisar de médicos na Sicília, pois a infraestrutura hospitalar é fraca. Temos que estar saudáveis. Reclamação grande da população, pois os serviços são difíceis. Estaremos perto da África. Resumo da Sicília: paisagem selvagem, comida inebriante, infraestrutura pobre.

Montes Apeninos Campânia. Da região da Toscana para baixo, os Apeninos. Vulcão Etna, o maior ativo da Europa, faz parte dos Apeninos. Tem 3357 metros e se localiza na Sicília. Cada italiano do sul fala dialetos, há o siciliano, o napolitano e o calabrês (da Calábria). O napolitano é feito de palavras gregas, espanholas, árabes e francesas. A Sabrina é demais.

Paestum, ruínas históricas e templos gregos bem preservados e pouco publicizados. Parecidos com os de Agrigento na Sicília. Cidade da região da Campânia. De acordo com o site www.bing.com, originalmente chamada de Poseidonia, de 600 a. C.. Battipaglia, a melhor muçarela de búfala de toda a Itália. Povoados, vilarejos nos picos das montanhas, também castelos para proteção em outras épocas. Oliveiras à esquerda na estrada. Montanhas com neve. Nesta região não é comum nevar. Recentemente nevou no Etna. A vegetação vai mudando, fica verdejante, depois muda para deserto.

Nossa guia engraçada saiu com uma raquete para matar uma vespa no ônibus, disse ser alérgica e carregar adrenalina com ela.

Dois verões muito quentes nos últimos anos. Entrando no Parque Nacional do Cilento e Vale de Diano e Alburni na região da Campânia. Parada de 20 min. Tudo verde, com túneis nas montanhas. Em frente, a cidade de Reggio Calabria, à esquerda Petina. Ouvindo a conhecida canção “Volare” no ônibus. De composição de Domenico Modugno e Franco Migliacci, de 1958. O povo é animado, são 52 pessoas.

Parque Nacional do Cilento e Vale de Diano e Alburni. É um dos principais pontos turísticos da cidade de Sapri. A Wikipédia nos conta que foi fundado em 1991, situado na província de Salerno, Campânia. Desde 1998 é Patrimônio Mundial da UNESCO. São 180 mil hectares. A guia nos conta que é Reserva da Biosfera desde 1997. Área natural protegida de 36 mil hectares. Primeiro geoparque da Itália (2010), 1800 espécies de plantas, 254 espécies de orquídeas selvagens da Europa inteira (das 319 relatadas em toda a Europa). Animais: morcego de cauda, lobo, lontra, perdiz grega etc, aves: águia-real, falcão peregrino, pica-pau preto, dentre outras (fonte: https://pt.wiki34.com). 25 habitats. Há muita umidade, diferença de 6º C entre o dia e a noite. Rios secos, mas esperam chuva. Parque acessível. Trekking pela montanha. Sul da costeira amalfitana. Costa das mais bonitas do país. Pequenos vilarejos nos picos das montanhas. A sede se situa em Vallo della Lucania.

Os italianos viajam muito dentro do país. A guia passava seus verões em Agrigento com a família. Os calabreses comem muita linguiça, logo teremos no nosso almoço em Paola. Na região de Basilicata: Rivello, um povoado medieval, de conto de fadas, e Maratea, a única cidade litorânea da região. Tem uma estátua do Cristo Redentor de Maratea, de 21 m,no monte San Biagio que dá para a praia. É considerada a pérola do mar Tirreno. Detalhe: bem diferente do nosso no Rio de Janeiro. Também na Basilicata, a comuna do Lagonegro. Comuna significa uma unidade administrativa, para nós, cidade. Costa de Maratea. Parada técnica em Sorgente, 20 min. Conhecemos os irmãos simpáticos de Florianópolis: Cândido e Rosita. Sempre bom conversar com turistas como nós.

Divisa Campânia/Calábria. Região mais pobre da Itália. Não tem como não mencionar as máfias, infelizmente, que fazem parte da Itália. A guia nos conta os nomes delas por regiões: Ndrangheta: Calábria; Cosa Nostra: Sicília; Camorra: Campânia; Corona Unita: Puglia (no salto da “Bota”, como é conhecido o país) e Anonima Sequestri: Sardenha.

Ilha Dino, a maiorda Calábria, privada, conhecida por sua beleza e é destino popular de ecoturismo. Praias muito visitadas em julho e agosto. Comum ver passagens privadas para as praias que são públicas. Direita, mar; esquerda, montes Apeninos Calabreses, com picos sobre o mar. Rochas que adentram o mar. Cordilheira Costeira, 80 km.

Passaremos por poucas cidades grandes. Os moradores vivem de turismo, antes eram agricultores. Trabalhadores de gerações dos anos 1970 foram para o norte da Itália. A mão de obra local é de estrangeiros que trabalham na terra. As casas de €1 (euro) são uma realidade. A casa desgastada precisa de reforma. Destino para jovens, com idade reprodutiva, alguém que trabalhe de casa ou na agricultura.

Os prédios e casas pelo caminho bem simpáticos. A guia nos obsequia com música calabresa cantada em dialeto a fim de aumentarmos nossa visão de mundo. Cantores novos. Vemos muitos povoados que pelo jeito só têm seus moradores em certas épocas do ano. As casas têm uma arquitetura típica, os apartamentos são avarandados. Um povoado em cima do outro.

Chegamos a Paola. Cidade antiga, agradável, movimentada. O site www.viajandoparaacalabria.com nos diz ser uma estância balneária famosa na Riviera dos Cedros. É o centro mais importante da alta costa do Tirreno na Calábria.

Visita ao santuário de São Francisco de Paula, e depois, enfim, almoço no restaurante/pizzaria Vecchia Paola. Endereço: Corso Garibaldi, 75. Menu fechado: ou salada mista por €13 (euros) ou massa com calabresa por €16, mais pão, vinho, água e fruta. Preferi a salada com atum e a fruta era melancia. Refeição boa, animada.

Em breve, contarei mais sobre o santuário.

Bela Itália-chegada a Roma e ida a Nápoles e Capri

Bela Itália-chegada a Roma e ida a Nápoles e Capri

Hoje é dia 4 de outubro de 2025. Lá vamos o Carlos e eu para uma nova aventura. Desta vez, faremos uma excursão à costa Amalfitana e Sicília na bela Itália (de 4 a 17 de outubro). Altas animações para o retorno à terra dos meus antepassados pelo lado de mãe.

O voo Fortaleza-Lisboa pela TAP. Excursão pela CVC/Europamundo e agradecimento ao nosso agente Dennis, da Blue Dreams Viagens. O jantar no voo (noturno) ótimo com escondidinho de frango e uma sobremesa de brownie recheado. Ao chegar a Lisboa, a sopinha de abóbora por €2,50 (euros), usual para nós no aeroporto. O voo para Roma atrasou 1 hora, era 12h50, aí ficamos na fila, porque a chefe de cabine não chegava. Tomara que o transfer em Roma espere pela gente… No avião disseram que o atraso foi motivado pelos ventos fortes. Quem sabe?

Pedimos salada de quinoa (da Espanha) e água tônica Royal Bliss com notas de yuzu (fruta cítrica) e cardamomo. Mais suave que o Schweppes. Uns €10 (euros) no cartão de crédito. Salada de inspiração mediterrânea com quinoa, tomate seco, cebola assada, abobrinha e pimenta vermelha com azeite de oliva extravirgem. Assinado pelo famoso chef Michellin Martin Berasategui. Deliciosa. €7,50 (euros).

O motorista Andréa, nosso transfer no aeroporto de Roma, nos deixou no Ergife Palace Hotel, no bairro Aurelio. End: Largo Lorenzo Mossa, 8, a 10 min a pé da estação de metrô Cornelia. Estamos a 2 km do Vaticano. Hotel enorme, próprio de excursões. Éramos brasileiros do Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará na van. A guia será a Sabrina. Explicações sobre a viagem no aplicativo e pouco escrito nos totens do hotel.

Como estávamos com fome e era domingo à noite, comemos no restaurante/bar/pizzaria uma pizza marguerita com coca cola. Com muito queijo e tomate esmagado, diferente da nossa. Não tinha muitas opções.

Dia 5 de outubro de 2025. Rumo a Nápoles. De manhã, um aviso no totem para o grupo. Hotel no bairro Aurelio, longe do centro. Acordamos às 5h30, o café da manhã às 6 h para sair às 7 h. Lugar para o café da manhã no hotel, espaçoso para grupos. O café com poucas frutas, só maçã e laranja. Pães croissant diversos, iogurte natural e de framboesa maravilhosos, além de pera e pêssego em calda, ovos, bacon.

A guia nos recebe. 15° C e nós prontos para conhecer um pouco mais da “Bota”, como é conhecida a Itália. O motorista Ângelo. Vende água por 1 euro e coca cola por 2 euros. Comidas e bebidas quentes proibidas no ônibus. Vamos a Nápoles direto e de lá para a ilha de Capri de barco, 1 h de viagem. De Capri para Sorrento de barco, 40 minutos, e dormiremos em Salerno. Roma para Nápoles: 2h30 de ônibus.

A fim de sairmos de Roma, pegamos uma via que não anda, trava o tempo todo. Damos voltas circulares, são muitas saídas. Vamos direto a Nápoles, o tempo livre será no centro da cidade do sul. As histórias relativas à região são ricas, houve conquistadores antigamente como os gregos, fenícios, sarracenos e romanos.

A Sabrina nos dá aulas interessantes. São 20 regiões, estados no país. Estamos na região do Lazio, onde se localiza a capital Roma. Há dois estados pequenos independentes: Vaticano e San Marino. As ilhas pertencentes são 5: Sardenha, Sicília, Capri, Elba e Ischia. A população mais de 60 milhões. Cadeias montanhosas: os Apeninos até a Sicília, onde está o vulcão Etna; e os Alpes em direção à Suíça. A Sicília a cada ano vai se separando um pouco mais do continente, por conta dos movimentos embaixo da Terra.

Não vamos à Gruta Azul em Capri. É a mais divulgada, porém cheia e mais cara. Dependendo do mar, vamos às grutas do Coral e a Branca (€25). O turismo é sério, em cada cidade há guias especializados, pessoas de referência. A nossa guia apenas acompanha. No restaurante, os cobertos (entradas) são caros, sentado paga mais caro do que se ficar no bar em pé. Compras em Palermo, mais em conta. A Sabrina dá dicas para poupar o nosso real, muito admirável.

Estamos ainda no caminho para Nápoles. Paramos, enfim, num lugar de serviços para banheiros e café, comida, compras. Esses postos de parada são verdadeiras lojas, fantásticas. Nunca esqueci a que conhecemos no caminho de Florença para Veneza anos atrás. E lá vai a guia falando mais sobre gastronomia: os doces típicos de Nápoles são sfogliatella, ou seja, massa folheada em forma de concha do mar com ricota, e babà, bolo macio embebido em rum. Detalhe: o banheiro de ônibus turístico é lacrado, não pode ser usado.

Um pouco mais sobre a história de Capri. Conforme o site www.historiaomgosto.com.br, os primeiros habitantes de Capri são um tema de estudo e fascínio com evidências que remontam à pré-história. Acredita-se que a ilha tenha sido inicialmente ocupada durante o Neolítico, por volta de 8000 a. C., por grupos de caçadores-coletores que mais tarde deram lugar às comunidades agrícolas. As primeiras evidências concretas de assentamentos em Capri datam da época dos gregos, especificamente dos séculos VIII e VII a. C.. Os gregos foram atraídos para a ilha devido à sua localização estratégica no mar Tirreno, bem como pela sua beleza natural. A eles se atribui a introdução do cultivo de videiras e oliveiras, práticas agrícolas que se tornariam importantes para a economia local. A presença grega em Capri é evidenciada por achados arqueológicos, incluindo fragmentos de cerâmica e inscrições, que sugerem uma presença e influência significativas. Estes primeiros habitantes nomearam a ilha de “kapros”, em referência aos javalis selvagens comuns na região à época. Após o período grego, Capri caiu sob domínio romano, tornando-se um retiro popular para os ricos e poderosos do Império Romano, incluindo os imperadores Augusto e Tibério. No entanto, a importância e o impacto dos primeiros habitantes gregos na formação da identidade cultural e histórica de Capri permanecem evidentes até hoje.

A guia nos conta que depois da caída de Roma, a ilha foi abandonada e saqueada por piratas na gestão de Nápoles. Barbarossa era o pirata mais notório. No séc. XIX, a história pacífica. Visitada por Pablo Neruda e a rainha Vitória da Suécia em épocas distintas. E vira destino turístico do mundo. Lugar encantador, ilha de pescadores. Sempre com muita gente. Capri representa o dolce far niente italiano, ou seja, a arte de desfrutar o ócio.

Na estrada, acompanhados de músicas italianas, vemos o monte Vesúvio e à esquerda em frente os Apeninos Campânia. Nesta região de Campânia, existe um palácio estilo Versalhes, desconhecido do estrangeiro. Trata-se de Reggia di Caserta, Palácio Real de Caserta, barroco, encomendado pelo rei Carlos VII para servir de centro administrativo e cortesão do novo reino de Nápoles, ao mesmo tempo simbolizava o poder, segundo a Wikipédia. Passamos por ele. As árvores são os pinos mediterrâneos. Todo mar Mediterrâneo tem um nome diferente em cada lugar: na Calábria (Itália): mar Tirreno, no país da Bósnia, mar Adriático e na Sicília, mar Jônico.

A Sabrina, excelente em português e espanhol. Ama os brasileiros. No nosso grupo do Brasil, a maioria do sul. Carrega um bonequinho chamado Super Mário para nos chamar a atenção enquanto grupo. Na estrada, tráfego intenso do outro lado. Saímos cedo para aproveitarmos o dia melhor. Vinhedos, oliveiras e “limões gigantes de Sorrento” nos seguem. No sul da Itália, tudo é gigante, segundo a guia. As pessoas são mais calorosas e fogosas. Parte com mais sol da Europa.

Travessia de barco para Capri: 1 hora, com banheiros, bares e venda de lembrancinhas. A guia se comunica muito por Whatsapp com o grupo, coloca informações importantes. Por mais que eu não queira, hoje está difícil ficar sem em uma viagem. E fez falta. Porém gosto de me concentrar na viagem, tirar fotos, fazer anotações e curtir o momento. Vemos o Vesúvio no caminho. E o Centro Direcional, escritórios de Nápoles. Casas em cima das montanhas valem milhões de euros com vista do mar. O napolitano vive mais ao dia e não segue regras. O símbolo de dar sorte da região é uma pimentinha vermelha de coral comprida usada em colares ou chaveiros ou de outras formas. Deve ser ativada pela mão. Desde 1979, o Vesúvio não acorda. Por isso, a filosofia da população: viver o momento, não se sabe até quando. Enfim, Nápoles, entramos pelo porto.

Em Nápoles. Ao grupo se juntaram umas argentinas, muito queridas. Vemos o Castelo Maschio Angioino ou Castelo Novo em frente ao porto. De acordo com o site www.tudosobrenapoles.com, o castelo pequeno foi construído entre 1279 e 1282. É uma fortaleza medieval renascentista de aspecto imponente. Foi construído pelo rei Carlos I, conde de Anjou (1226 ou 1227-1285) e posteriormente modernizado por Afonso V de Aragão durante o séc. XV. Carlos I, rei da Sicília e Nápoles, filho do rei Luís VIII da França e de Branca de Castela. Já no topo da colina Vomero que domina o golfo, a Wikipédia nos conta que tem o marco mais visível da cidade: o Castelo Sant´Elmo. Ao lado da Certosa di San Martino ou Cartuxa de São Martinho, um complexo mosteiro, agora um museu. Este mosteiro cartuxo foi concluído e inaugurado sob o governo da rainha Joana I em 1368.

Uns 30 min para sair do porto e ir a uma rua central perto. Não fomos, ficamos na estação mesmo, dando voltinhas nos arredores. No porto há escavações de um sítio arqueológico, tudo muito antigo. Na Piazza Município, uma das maiores da Europa, um lugar de exposições de flotilhas de barcos púnicos (da civilização cartaginesa, da Antiguidade) será aberto no futuro.

Capri em breve.

Marrocos colorido-Ouarzazate até Marrakech-dia 6

Marrocos colorido-Ouarzazate até Marrakech-dia 6

Hoje é sábado, dia 9 de novembro de 2024. Saímos do Hotel Karam Palace em Ouarzazate e vamos aos passeios. O condutor do ônibus se chama Reduan e o guia Abdul. Nosso guia tem conhecimento variado. Conta sobre o argan, comum na região. Segundo o site https://esteticacabofrio.com.br, o argan é um óleo extraído das nozes da árvore de argan, nativa do Marrocos. Amplamente reconhecido por suas propriedades nutritivas e hidratantes, muito bom para a saúde da pele e dos cabelos. O guia continua: o último terremoto destruiu muito do Kasbah Aburir que iremos conhecer por fora. Os kasbahs ou fortalezas ficavam sempre na parte alta para observar os soldados inimigos que vinham para guerrear ou as caravanas que passavam. Estamos na avenida principal, muito formosa, com palmeiras em formato de abacaxi, e tiramos fotos do majestoso kasbah. Passamos pelo Tribunal de Primeira Instância de Ouarzazate, bonito.

Ouarzazate em berbere significa “sem barulho” ou “sem confusão”, tem uns 70 mil habitantes e a maioria deles trabalha nos filmes feitos na cidade, ganham em dólares. Por isso ser chamada de Hollywood marroquina ou do deserto. É a maior cidade do Saara marroquino. Interessante dizer que não encontramos um cinema. As produções cinematográficas são grandes e alguns estúdios são abertos à visitação. Sentimos muito o orgulho do guia com o seu país.

“Cleópatra”, de 1999, foi filmada nos Estúdios Atlas. Para a película Kingdom of Heaven (Reino dos Céus), de 2005, foram usados 300 cavalos, e custou 2 milhões de dólares somente para 35 minutos de filme. Os táxis são amarelos. Na cidade, há várias fortalezas utilizadas, incrível. Uma é a mesma da construção de Jerusalém. Os turistas visitam Ouarzazate para conhecê-las, em um estúdio a entrada é uma claque de filmes. Segundo o guia, nos Cla Studios se produzem filmes, as roupas, manufaturas e armas utilizadas nas produções. Eu nunca conheci uma cidade assim, que vive inteiramente de cinema.

Venda de pratos coloridos e cerâmica pelo caminho. Estamos na direção de Marrakech. Dentro do ônibus, cada turista deu 100 DH (R$57,58) de presente para o nosso guia fantástico Abdul e motorista Reduan. O guia disse que fomos os melhores dos melhores, realmente, o grupo de 16 viajantes, sendo 3 brasileiros, era agradável mesmo. A gente senta junto no café da manhã e jantar e se diverte em “espanhol”. Diga-se de passagem: o espanhol é tão festivo quanto o brasileiro. Somos semelhantes. E na viagem ficamos próximos do guia.

Estamos na descida da montanha, embaixo de um vale e vemos outro povoado. Impressionante a quantidade de controle nas estradas. Passamos pelo famoso Kasbah Ait Ben Haddoud e suaaldeia, Patrimônio Mundial da UNESCO, desde 1987, e cenário de diversos filmes, como “Gladiador”, de Ridley Scott, de 2000, e a parte 2 do último com Denzel Washington, de 2023. Além de “Sequestro no Mar Vermelho”, de Dante Lam, de 2018, “Rainha do Deserto”, de Werner Herzog, de 2015, “As Quatro Plumas” (The Four Feathers), de Shekhar Kapur, de 2002 etc. Este último é colossal, vale a pena assistir. Na Hollywood da África, existem muitos hotéis e restaurantes.

Estamos a 30 km de Ouarzazate. Descemos do ônibus e entramos em uma loja de um senhor tuaregue que vende armas antigas, cantis (para beber água), produtos decorativos, colares, tudo bem antigo. Casas em terracota com alfafa para aplacar o frio e o calor. Por ali, há lojas e uma varanda para fotografar o Kasbah Ait Ben Haddoud. Impressionante, mesmo de longe. Um rio passa na frente, é um cenário árido e de mistério. Testemunhamos os visitantes explorando os cantinhos da fortaleza. No local, uma pequena vila de lojas e casas pequenas. Na de outro tuaregue, venda de joias estilosas em prata. Comprei um anel original por €20 euros. As pulseiras estilosas, a mulherada do grupo “endoidou”. Logo adiante uma loja de aquarelas de diversos tamanhos. Tintas feitas de açafrão, chá e índigo para as pinturas. O índigo é utilizado na coloração de turbantes. Comprei um postal pintado a 100 DH (R$57,58), belo de um kasbah, que coloquei em um porta retrato dourado.

Como o grupo da excursão era amigável, a gente dividia guloseimas no ônibus. Comemos amêndoas, tâmaras e figos secos. Estamos em uma carretera (estrada nacional em espanhol) nova com controle de velocidade. Entendo perfeitamente, pois os motoristas fazem ultrapassagens perigosas.

Cheio de povoados pelo percurso. Sábado é dia de compras para os funcionário públicos. Os ônibus esperam por eles. Gostam de carne de cabra. O guia dá muitas dicas. Há canaletas saindo das montanhas. Controle na estrada de novo. Subimos a montanha agora. Paramos no Restaurant Palais de Tichka no percurso às 12 h, mas ninguém quis almoçar, só eu… Preferiram seguir adiante. Prosseguimos na subida da montanha, estamos na cadeia montanhosa Atlas. São marrons e verdes por conta das árvores. Marrons por causa do enxofre. O enxofre é amarelo, montanhas com sal, brancas. Terra de ouro e prata, bronze no sul.

Cruzamos o Col du Tichka ou Tizi n´Tichka,conhecida pela sua neve perpétua, mas no momento, estava sem. As mudanças climáticas agindo. A Wikipédia esclarece que se situa a 2260 m de altitude e é um passo de montanha na cordilheira do Alto Atlas. Montanhas de chocolate, no local há cordeiros brancos da cabeça negra, porque tem água. A carretera antiga era pequena. A atual é muito boa. 75% do fosfato do mundo vem do Marrocos. Encontra-se cobalto também.

Enfim, almoço no Café Restaurant Tizi Ait Barka, em Al Haouz Province, Marrakech-Safi, que oferece um visual impactante de montanha e vale lá embaixo. Uma mesa para 16 pessoas. Gostei da venda de postais, cadernos e marcadores de livros, lógico que comprei. 157 DH (R$90,44) mais chocolate da Polônia, uma delícia, parece suíço. Almoço: entrada de azeitona branca temperada e preta que parece ameixa, além do pão, duro de sempre, embora bom. Nunca comi tanta brochete, no caso, de peru e batatas fritas. Na mesa, a maior farra, os espanhóis são muito simpáticos.

Mais informações vindas do guia. Vacas ficam nas casas, as mulheres as alimentam. Vemos muitos tapetes para vender. O Abdul me fala sobre o norte do Marrocos: a cidade de Tânger e Chefchaouen (a cidade azul), quero conhecer. Já nas proximidades de Marrakech, ele nos conta sobre Amelkis Resorts, localizado em Marrakech, no Boulevard Mohammed VI, no sopé das montanhas do Atlas. São casas luxuosas como hotel e morada. Privacidade e campo de golfe com 27 buracos. Usam muita água. Interessante que os marroquinos não jogam golfe, só os estrangeiros. Precisam da autorização da companhia de água e eletricidade para funcionar. Quem tem casa lá são os atores Leonardo Di Caprio, Tom Hanks, o jogador Zidane etc. Existem outros campos de golfe na cidade.

Perto de Marrakech, as antenas de telefone como palmeiras, bem original e integrados à paisagem. O guia sempre fala em funcionários públicos. Pelo visto são valorizados. Têm apartamentos de 52 m² e pagam em 25 anos. A vida é mais fácil para eles do que para o restante da população. Laranjeiras no canteiro central. Entramos em Marrakech pela avenida larga e limpa, rodeada de árvores, um jardim privado onde somente estudantes entram. O clima é melhor entre as árvores.

Ao adentrar o mesmo hotel em que já nos hospedamos no início da viagem em Marrakech, nos despedimos do grupo alegre da nossa excursão e do Abdul no saguão do Palm Plaza Hotel& Spa (Zone Hoteliere De L Agdal em francês). Ele nos deu informações sobre o dia seguinte e nosso voo para mim, Carlos e Renato, nosso bom companheiro de jornada. Quarto melhor ainda, de rei. Saímos depois de nos acomodarmos e fomos passear no (shopping center) Almazar Centre Commercial (em francês), de 3 andares, cerca do hotel. As lojas Miniso (conheci em Lima-Peru e amei), Colin´s e Virgin Megastore são algumas delas. Muitas promoções de roupas/outlets, imperdível, pena eu não ter condições de comprar e tempo.

Jantar no hotel. O melhor buffet, espantoso o número de pessoas, o salão enorme. O feijão é uma fava, comi com arroz. Feijão com arroz, nada mais brasileiro. Doces diversos, pizzas, saladas mil, comidas variadas, tudo perfeito. Depois, hora de se recolher, pois no outro dia mais passeios por Marrakech. Estamos de volta à cidade vermelha.

Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Viemos de Erfoud, estamos em Tinghir e continuaremos até Ouarzazate no percurso de ônibus, distância de 305 km aproximadamente. As Gargantas de Todra distam 15 km de Tinghir.

Segundo a Wikipédia, Tinghir é uma cidade na região de Drâa-Tafilalet, no sul do Alto Atlas e norte do Pequeno Atlas no Marrocos Central. Capital da província de Tinghir, situa-se no centro do oásis do vale do rio Todra (ou Todgha), perto das suas famosas gargantas. O oásis é povoado por amazigues (berberes) muçulmanos. Região de tamareiras, que têm sido substituídas por oliveiras. O oásis tem 30 km de comprimento e 4 km de largura. O clima é árido e subtropical: quente, seco com poucos dias chuvosos.

Em https://www.queroviajarmais.com/pontos-turisticos-do-marrocos, descobrimos mais sobre Todra. Eis o cânion formado pelo rio Todra que corta as montanhas do Atlas e cria um desfiladeiro com paredões de mais de 300 m de altura. Visitado por viajantes, tem pouca infraestrutura e alimentação.

Estamos quase nas Gargantas de Todra, um grande acidente geográfico. Estamos na província de Tinghir. O povoado ao redor é grande e peculiar, tem cor vermelha, e casas com portões de alumínio verdes. Estamos na estrada entre montanhas com o oásis circundando. O hotel Kasbah Taborihte em Tinerhir ou Tinghir é de 1960. Sexta-feira, dia da mesquita e do cuscuz marroquino em família. Vemos muito vermelho e verde, as cores da bandeira. Por isso, o Marrocos colorido. Faz frio. TodraGorges ou Gargantas de Todra. As pessoas frequentam o local para fazer piquenique, se banhar. A via para as gargantas é larga, ali andam ônibus e pessoas. Muitas vendas à esquerda, à direita o rio Todra. Lugar monumental. A água brota do chão e também sai em valas para ser utilizada nas casas. O rio serve para a agricultura. País surpreendente. Oásis verdejante, local para conhecer, o rio acompanha a gente.

Enfim, almoço! Na Maison D´Hotes Anissa/Hotel Restaurant Panoramique, na Gorge Toudra Road 10 km, escolhemos o menu 6: salada com brochete de frango e fruta (tangerina), além de batata e cenoura cozidas. Trocamos a salada por arroz, mas estava uma “papa” e sem sal. Comemos com um visual lindo da varanda. Valeu pelo lugar, vendo o oásis. O garçom fã do jogador de futebol brasileiro Paquetá, sempre me espanto com o poder de penetração do esporte.

Voltamos a Tinghir, cidade toda vermelha, grande, muito ajeitada. Não se vê gente dormindo na rua, isso chama a atenção no país. No sul, as cidades têm a cor das montanhas. O canteiro central é bem largo e repleto de árvores.

Outro acidente geográfico da região é o de Dades, a caminho de Oarzazate. De acordo com a Wikipédia, as Gargantas do Dades, também conhecidas como Vale de Dades, são uma série de desfiladeiros de uádi escarpados e esculpidos pelo rio Dadès. Uádi é um leito seco de rio no qual as águas correm apenas na estação das chuvas. O termo é usado nas regiões desérticas do norte da África e da Ásia. O site https://maisumdestino.com nos conta que os desfiladeiros são compostos de arenito e calcário. Também é conhecido como Vale dos Mil Kasbahs (fortalezas).

Seguimos pela Cidade das Rosas, como é chamada Kelaat M´Gouna, vemos a rosa como símbolo na entrada. Os táxis são rosas, ela é toda dessa cor. Que lugar mais interessante. A Wikipédia nos informa que o Vale das Rosas é o nome turístico dado a vales perto da cidade de Kelaat-M´Gouna, nas montanhas do sul do Alto Atlas. Está situada na província de Tinghir, a 80 km de Ouarzazate.

A cidade é conhecida pela venda de inúmeros produtos cosméticos feitos à base de rosas para mulheres. Tem até festival que, de acordo com o blog www.viajecomigo.com, costuma acontecer no segundo fim de semana de maio e dura três dias. Celebra a finalização da colheita de milhões de rosas. Um dos momentos altos da festa é a coroação da Rainha das Rosas, e também o desfile com carroças decoradas com rosas. Curiosidades: para fazer 1 litro de óleo, são necessárias 5 toneladas de rosas. E a colheita das rosas costuma ser feita pela manhã, por mulheres. Eu amei a cidade. Peculiar demais, como não lembrar do carro rosa dos produtos Mary Kay?

A jornada do dia é longa, são 18h24 e nós em movimento. Paramos em uma das lojas de produtos de rosas: Organic Rose Water Biologique Certifée, Shop of Rose Products. Comprei creme para as mãos e rosto, e seis sabonetes por 100 DH (R$57,99). Se não estivesse tão cansada, teria comprado muito mais. Preços ótimos e produtos únicos. Lá fora 23º C, está friozinho, para os padrões do nordeste brasileiro.

Voltamos ao ônibus. Uns doidos no trânsito. Os caminhões têm luzes coloridas à noite, a gente vê de longe. Quão diferente.

Ufa! Finalmente, chegamos a Ouarzazate. Cidade vermelha também. Avenida longa, bem-arrumada. A impressão que temos ao chegarmos às cidades é sempre de encanto. Sempre há um kasbah. Turismo e cinema são os fortes da cidade. Estamos na Hollywood marroquina. No Hotel Karam Palace, a noite é animada, o hotel é gigante e transado com uma sala de leitura no mosaico e sofás coloridos, a piscina grande no meio do pátio. Grupos de franceses ao redor do conjunto de música árabe instrumental e de uma fogueira, e um bar no meio. Como se diz, “das Arábias”. Eu me belisco nesse ambiente espetacular das mil e uma noites.

Vamos jantar, só sonhando com isso. O buffet é muito bom, estamos na mesa com três casais de espanhóis do grupo. Conversando, entendi que três são parentes e moram em cidades diferentes da Espanha. Por isso a ligação tão próxima deles.

Nos hotéis, em geral, existe uma pessoa para nos mostrar a tradição do chá. Tomamos e tiramos foto. O funcionário do hotel bem solícito. Era mais no sorriso, pois falava pouco francês e nada de espanhol ou inglês. O quarto com duas águas minerais de graça. Atitude simpática. E com chá para tomar à vontade. Só não dá tempo de aproveitar as maravilhas do hotel. No dia seguinte já saímos depois do café da manhã rumo a Marrakech, já no fim da excursão.

Marrocos colorido-Erfoud e Tinghir até Ouarzazate-dia 5

Marrocos colorido-Erfoud e Tinghir até Ouarzazate-dia 5

Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Acordei em Erfoud no Kasbah Chergui Hotel às 6 h tomando remédio para enjoo e haja Sonrisal, Luftal e leite de magnésia. Motivo? Os temperos da comida marroquina. Logo, comi pouco no café da manhã, uma pena, pois estava promissor. Falamos para o guia Abdul do meu desconforto e foi muito simples, pois ele nos levou ao refeitório e nos ofereceu água mineral misturada com cumin para o estômago. Todos nós tomamos (o Carlos e Renato também), inclusive o guia. O Abdul disse que era normal se sentir assim, ainda bem que eu havia levado remédio, mas o tempero cumin (ou cominho em bom português) provou ser muito efetivo. Rapidinho eu estava bem. O marroquino usa para salpicar na comida e sempre existe um pratinho com a especiaria em qualquer restaurante. Faz parte da tradição do país, serve para indigestão, gases, assim como para baixar a pressão e o açúcar no sangue. Achei genial.

Nós lá fora, prontos com a bagagem, esperando o grupo da excursão que havia dormido em tendas no deserto. O Fran e a Silvia, casal simpático de Santiago de Compostela-Espanha, foi um deles. Disseram que é fabuloso, nós não fomos, fica pra outra. Como temos muitas dunas no Ceará, confesso não ter pensado no assunto. E era pagamento extra. Nosso guia ficou trocando ideias sobre futebol, ele sabe tudo. Uma graça.

A passarinhada fazendo a sinfonia de madrugada no hotel, algo belo. Interessante que no quarto do hotel, o banheiro era separado. Pia de um lado, chuveiro de outro e por aí vai. Gostei, sempre prático. Só lembro do bed & breakfast que fiquei em Londres a primeira vez.

O guia nos conta que Ouarzazate é a Hollywood do Marrocos. Vários filmes foram gravados no local, como Star Wars, Gladiador 1 e 2 (também em Malta e Itália), Lawrence da Arábia etc.

O ônibus vindo do deserto atrasou quase 1 hora e meia, chegaram e nós logo partimos. Erfoud ou Arfoud, cidade do deserto, um dos Palácios Reais se localiza lá. Prédios baixos, casas ocre, poucas avenidas e ruas, cidade dos bancos, lugar de pedras naturais e fósseis. Cidade das tâmaras, muita gente com as roupas típicas marroquinas: túnicas.

Os muçulmanos, diz o guia, são solidários, dão comida a quem tem fome. No passado, homens tinham até 4 mulheres, hoje ainda existe, mas menos. A religião não aceita a homossexualidade. Nosso grupo tinha 16 pessoas, a grande maioria, de espanhóis.

Paramos no banco para o Fran tirar dinheiro. Vemos o centro de Erfoud. As bicicletas soltas, ninguém mexe. No nosso hotel, percebi que a loja (fantástica para turistas) estava aberta, e o gerente na sua sala anexa ou do lado de fora. Uma simpatia ele, fala inglês e espanhol. O turismo no país é levado a sério e línguas estrangeiras fazem parte do pacote.

Descemos do ônibus em uma loja de tâmaras, escolhida pelo Abdul. A fruta seca do Marrocos é grande e suculenta. 120 DH o quilo (R$68,84). Aceitam euro também. Logicamente, compramos a caixa onde está escrito: Dattes al Majhoul, bem condicionado para viagem, qualidade superior. Na cidade, acontece a maior feira de tâmaras do mundo.

Vamos à loja, um galpão enorme, Manar Marble (Artisanat du Maroc), Route du jorf B.P: 199. Morocco´s Premier Fossil at Stone Souree. Uma fábrica de fósseis e pedras naturais. 350 milhões de anos atrás, a localidade tinha mar, hoje é deserto. Um vendedor da loja nos recebe e mostra o mármore, dentro do bloco muitos fósseis de lulas e caracóis. Rosa do deserto de areia cristalizada. (Eu e o Carlos fugindo dos cigarros dos espanhóis). No chão, fósseis de corais e medusas (de 620 mil anos atrás). Artista esculpe à mão objetos de mármore, 2 meses para fazer isso. Um bloco leva 8 meses e custa 35 mil dólares. Muito do que é esculpido vai para museus. O lugar de exposição das esculturas vale conhecer, há fontes do tipo Jacuzzi com cascata de 600 quilos e mesa por €1400 euros, para a Andaluzia na Espanha. Blocos com fósseis de sardinhas, um calamar (lula) grande, incrível. Linda fonte de mármore com fósseis. Que original. O rapaz nos mostra máquinas de corte e lapidações. Loja única no mundo. Comprei uma tartaruga trabalhada por €10 euros. Passeio imperdível.

Estamos na direção de Marrakech. Os arredores de terra seca, árida, desértica, mas arborizada. Passamos por montanhas enormes que parecem o Centro-Oeste americano, com dunas circundando. Ali foi filmado Sahara (de 2005, com Matthew McConaughey e Penélope Cruz). Em um povoado no caminho, vemos mulheres de túnicas negras, que as protegem do sol, povo berbere. Lugar pacato e peculiar. Andam de jumento com uma proteção de ferro em ambos os lados. Usam motos também.

Pela estrada ou carretera (em espanhol), usam postes de luz com energia solar. Segundo o guia, o Marrocos foi o primeiro país a reconhecer oficialmente a independência americana em 1777. Os guias marroquinos sabem muito, fiquei maravilhada. Fezna Ouled Jellal naregião deDrâa-Tafilalet, povoado, casas com jardins perto da estrada. Muitas fechadas, porque o povo mora na Europa. Caravana de motorhome que vem de Tânger, no norte, por ferry boat. São italianos. Vemos a montanha onde está escrito “Allah, país, Rei”, símbolo da monarquia alauita. O material usado na construção das casas é terracota, argila cozida no forno, sem ser vitrificada, boa para calor e frio.

Local seco há 44 anos, os montes de terra vistos são poços. Os tuaregues usam roupas de cor azul índigo, são os homens azuis (originários de Tombuctu ou Timbuktu em Mali, país africano). Em Povos de África: Os Tuaregues, os Guerreiros do Saara – Mais Afrika, ficamos sabendo que a vestimenta tradicional, como o tempo tinge a pele de seus portadores, conferindo-lhes uma aparência marcante e misteriosa que se tornou a sua marca registrada.

Passamos por montanhas rochosas como se fossem fragmentadas. Plantação de oliveiras espanholas, palmeiras pequenas, 46 tipos de tâmaras. Outro povoado com mulheres de túnicas pretas e faixas coloridas (da cor da bandeira dos berberes). O Marrocos é interessante, as cores das túnicas mudam de acordo com a cidade. Rua difícil para passar o ônibus. Pueblo/aldeia com feira dia de sexta, casas viradas para a montanha com pedras empilhadas em frente às casas ou na rua ao lado para evitar a água intensa que vem da serra quando chove.

Na estrada, paramos em uma loja original, por pertencer a uma mulher: Souvenir Aicha. A proprietária Aicha trabalha com mulheres somente. É viúva e tem apoio dos guias de turismo. Vestimos trajes de berberes: as túnicas e tiramos fotos. Um barato. Comprei uma vermelha por 200 DH ou €20 euros.

As casas têm os proprietários que moram fora, principalmente na França, são enormes com 200 m². Passam 11 meses no exterior e um mês com a família na localidade. Alugam mais barato a parte de baixo do imóvel para lojas, assim quem aluga cuida da parte de cima. Uma troca. A vida é mais barata no local do que em Marrakech. Às sextas é dia de festa, vestem branco e vão às mesquitas. A cidade fica sem movimento na hora da oração. Os habitantes são mais tradicionais do que em outros lugares, os jovens não andam de mãos dadas quando namoram, não se veem homens e mulheres juntos, se estiverem, são irmãos. Ou seja, casais andam separados.

Para o muçulmano, o dia da oração é sexta-feira, para o judeu, o sábado e para o cristão, o domingo. Sobre os dromedários, buscam comida soltos e voltam para casa ao fim do dia. Eles têm donos. Mais ao sul do Marrocos, as famílias escolhem o casamento dos filhos, no mais, são livres, segundo Abdul.

Chegamos a Tinghir pela avenida principal larga com postes de luminárias bonitas e vários prédios ao longo dela. Cidade mais antiga do sul, no passado cidade dos judeus. Atualmente eles vivem em Casablanca. Vemos as casas em ruínas onde eles moraram. É costume local não destruir casas antigas, pois são as casas dos pais, da história da família. Tinghir é um oásis. Os berberes habitam no local. Não usam preto, usam uma túnica branca e maior. Os homens de roupa djellaba (túnica). Há albergues para turistas. Terra de prata 925 k e tapetes. Construções na montanha novas e velhas. Quanto maior o número de palmeiras, maior a riqueza da família. Os berberes ainda casam com duas a três mulheres, a segunda precisa da autorização da primeira que negocia uma casa para aceitar, por exemplo. Sempre aprendendo sobre a cultura diferente do país.

Continuaremos com Tinghir e as Gargantas de Todra, lugar impressionante.