Em viagens acontecem coincidências, fatos bizarros, inexplicáveis. Você já sentiu algo semelhante?
Praga! Sensação de déjà vu… do já visto…
Foi aqui a estranha sensação. Jovem, viajei com duas amigas de Besançon na França para Praga. Jovens com pouco dinheiro no bolso, cabeças a mil, estômagos vazios, nos deparamos com esta rua.
Praga-República Tcheca-foto tirada por Ana Tavares
Procurávamos a casa em que Kafka morou. Olho esta casinha azul e digo para minha amiga Tokiko: “já estive aqui”. Ela sorri e me diz que devia ser meu estômago delirando. A outra amiga la peruana loca Cristina me desafia: “O que tem lá dentro, minha Anita?”
Eu digo: “Um grande armário preto, um chão de barro encerado”. Entramos.
Era uma vendinha de suvenires. Uma senhora vendedora me sorria insistentemente, me olhava docemente… A casa tinha o chão vermelho encerado. O grande armário preto estava lá.
A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará, e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.
Fortaleza e seus idosos – será amigável a relação?
Eu também sou pedestre, logo observo as calçadas, ruas, cobertura vegetal e por aí vai.
Vamos lá. Árvores? Fortaleza já foi tão arborizada até os anos 70/80 do século passado… Não tem jeito, não consigo deixar de ser nostálgica. Andar pela cidade se torna difícil por conta do sol intenso e falta da proteção das árvores. Isso de dia, logicamente.
Conclusão: se queremos um lugar agradável para viver e caminhar, o mundo verde é fundamental. Por que não exigir dos edifícios sendo construídos, via lei municipal, que as árvores abatidas sejam replantadas no condomínio? Digo isso, porque testemunhei em Santiago do Chile verdadeiras florestas dentro dos limites dos prédios no bairro Providencia. E em Recife-PE, pelo menos, no passado era obrigado a ter esculturas de artistas locais nos condomínios de Boa Viagem. Então, nada é impossível, é uma decisão política.
Continuemos com calçadas… Socorro! Polícia! Novamente, retornemos às décadas de 70/80, quando eram homogêneas e o proprietário cuidava da sua. Sei de muita gente (idosos ou jovens) que já caiu e se machucou no centro, no calçadão da Beira Mar, no bairro Meireles. A prefeitura não cobra do morador e não faz a sua parte como deveria. Apareceu o buraco, conserte, simples assim. Se cada morador que caísse, colocasse na justiça e essa fosse célere, dando ganho de causa ao “machucado”, a situação seria outra. Exemplificando, no Canadá ou nos EUA, ninguém ousa não retirar a neve da sua calçada, porque sabe que virá uma multa daquelas ou terá que pagar o hospital de alguém que escorregou. Sonho com a responsabilização, isto é cidadania.
Agora ruas… O idoso e qualquer pessoa, na verdade, sempre corre o risco de ser atropelado por motoqueiros, preferencialmente. Sei que não é a maioria responsável, mas tem uma minoria, para quem não existe leis de trânsito. Prefeitura? Não vejo agirem. AMC (Autarquia Municipal de Trânsito)? Dentro de carros, multando quem não paga a Zona Azul. Vejo outdoors da prefeitura para o motociclista usar capacete por exemplo, mas isso muda a realidade? Multas, aulas compulsórias e apreensão das motos, sim! Um amigo querido alemão certa vez me disse que seus conterrâneos eram educados no trânsito, muito por conta de multas. Escutei o mesmo em Portugal.
Por último, a nova Beira Mar. Caminho lá e gosto, mas percebo não haver bancos para os idosos sentarem. Será que os realizadores não sabem que também vão envelhecer? Como ser uma cidade amigável sem um detalhe importante desse? E há mais: plantaram carnaúbas ao longo da calçada onde fica a feirinha de artesanato provisoriamente. E dão sombra? Não mesmo. E os coqueiros, cajueiros, juazeiros? Sinceramente… com tanta riqueza de árvores frutíferas, preferiram as de lugares áridos.
Desejo aos idosos autonomia no caminhar, no resolver suas atividades, em respirar sua cidade. Contarei uma historinha. Minha mãe se achava “velha” aos 50anos aproximadamente, ainda bem que nossa cultura se transformou para melhor. Aí a levei para assistir a uma palestra do padre Lauro Trevisan no ginásio Paulo Sarasate e logo depois viajei com ela a Miami-EUA (e com a amiga Sandra Ximenes). Foi o santo remédio, retornou outra. O idoso americano é independente e mesmo com dificuldade de locomoção, se vira. Foi impactante nossa jornada americana no ano de 1994.
Enfim, como cidadã me sinto na obrigação de escrever sobre os mesmos assuntos que incomodam. Desistir jamais, embora os ouvidos sejam “moucos”. Não canso de almejar uma Fortaleza mais estilo passado, com mais qualidade de vida, clima mais arejado por ter mais árvores e menos asfalto. Afinal, estamos também envelhecendo e o nosso idoso merece RESPEITO.
E aí? Na sua opinião, nossa cidade é amigável ao idoso?
P.S. A pedido dos meus pais, escrevo para relatar que as árvores e plantas da praça das Flores, antes praça do Hospital Militar, na Aldeota está com a cobertura vegetal passando sede e morrendo. Quem cuida da praça? A prefeitura ou o grupo Beto Studart que a reformou e mudou o nome da praça? Gostaria de saber.
O encontro do rio com o mar em Águas Belas-foto tirada por Mônica D. Furtado
Primeiro dia. Mais uma aventura de final de semana, desta vez o Carlos e eu fomos ao distrito de Cascavel visitar Águas Belas de 12 a 15 de agosto de 2021, de sexta a domingo. Vamos ao litoral leste pela CE-040 e entramos no retorno para Cascavel. A cidade é bem ajeitada, a avenida é larga: Chanceler Edson Queiroz. Na esquina da rua Cel. Horácio Bessa, continuamos rumo às praias da Caponga, Águas Belas e Balbino. Basta seguir as placas. Passamos pelo sítio Sabiá no caminho, uma lindeza.
Adentramos a praia da Caponga, outro distrito de Cascavel. Acho que poderiam plantar mais árvores, a aridez é grande. A continuação já é Águas Belas. Ficamos no hotel Águas Belas Hotel Praia, local privilegiado por estar entre o rio Malcozinhado e o mar. A beleza chegou ali e ficou. O hotel oferece chalés e apartamentos rodeados de piscinas repletas de brinquedos para crianças. Em uma próxima vez, nos hospedaremos em um chalé olhando para o rio, mais afastado das piscinas, uma vez que pessoas de fora podem usá-las, assim como o restaurante, logo o barulho é grande. Para quem não se incomoda, tudo bem, o Carlos e eu, entretanto, preferimos descansar e ouvir o som do mar. Tenho que avisar que cobram multa caso o hóspede leve bebida ou comida de fora para lá. Achei pra lá de diferente (R$100,00 a multa).
No hotel está escrito “Onde o sol beija a lua e o rio abraça o mar”, autor: Iranildo Pereira. O rio bate na beirada do hotel, por isso a contenção é feita por rochas. Visual belo.
Há bares modelo palhoças na beira rio, com redinhas para os visitantes deitarem. Parece uma lagoa, o banho é refrescante.
Barraca à beira rio-Águas Belas-foto tirada por Mônica D. Furtado
Praia de Águas Belas-foto tirada por Mônica D. Furtado
Vemos famílias jogando cartas à noite na maior tranquilidade no hotel. Vale mencionar que o restaurante nos propiciou as refeições. Achei melhor o almoço do segundo dia: peixe pargo com fritas, salada, batata-doce e baião de dois (prato de arroz e feijão com queijo, típico do Ceará).
Passeio de barco em Águas Belas-foto tirada por Mônica D. Furtado
Mangues no rio Malcozinhado-Águas Belas-foto trada por Mônica D. Furtado
Segundo dia. Dia de passear de barco pelo rio Malcozinhado. Por R$20,00 cada um, tivemos um casal de companhia Carla e Betão, ela de Manaus/Fortaleza/Itália e ele, de Santa Catarina. Pegamos o barco na saída do hotel, no rio. Trata-se de uma chalana denominada Canobella II, cujo piloto é o Boto, figura empreendedora da região (ali perto possui um bar/restaurante). No passeio ecológico, o Boto mostra os manguezais e descreve o rio que tem água salgada e doce. É um criatório de camarões, siris, ostras, peixes, uma fartura. Como ele diz, ninguém passa fome por lá. A trilha do mangue é rica. Tem um momento do passeio que ele para a fim de tomarmos banho. Uma maravilha!
Nós os turistas no passeio de barco no rio-Águas Belas-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
O Boto com o Carlos-foto tirada por Mônica D. Furtado
Na volta, felizes e molhados, somos apresentados ao mangue sapateiro e ao mangue branco. Os peixes e caranguejos se alimentam deles. Precisam do iodo da água do rio. Segundo o Boto, bom para quem tem lupus. Voltamos pela mesma trilha do mangue, de acordo com o piloto, passamos na maré baixa e só o barco dele consegue. O passeio está no fim, uma pena, pois encanta. O casal ficou no restaurante do Boto à beira rio e nós descemos no portão do hotel. Aí resolvemos tomar mais banho. A água é verde e transparente.
À tardinha, caminhada pelo delta do rio e praia. Muita gente curtindo o momento. Descobrimos um hotel transado, bem tropical na praia: Varandas Beach.
Terceiro dia e último dia. Mais banho de rio. Fomos embora de tarde. Entramos na Caponga, mais movimentada que Águas Belas com casas, pousadas, muito graciosa. Pegamos uma estrada nova Caponga-Pindoretama, dica do pessoal do hotel. Aproveitamos e conhecemos a praia do Balbino, simpática, com casas de pescadores, mais verde com mangues e algumas barracas à beira mar. Não encontramos pousadas. Antes de chegar em Pindoretama, a terra das rapaduras, passamos por Pratius, uma cidadezinha longa. Sempre conhecendo um pouquinho mais do Ceará.
Para concluir, vale a pena, pois é perto de Fortaleza e o lugar oferece uma paisagem única.
Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Roma – última parte
Dia 02 de janeiro de 2011: Partida para Roma de Florença. O trem é rapidíssimo. Esperamos pela informação da plataforma no binário (painel) da estação.
O Carlos e eu chegamos a Roma e fomos nos hospedar no mesmo hotel da nossa chegada: Luciani (Via Milazzo, 8), duas estrelas, perto da estação ferroviária Termini. Decidimos fazer um city tour no ônibus Vermelho Linea Rossa, daqueles para turistas. Por 10 EUR, foram duas horas de percurso sem descer. O almoço foi salada e minestrone, e o jantar, sanduíche de atum.
Dia 03 de janeiro de 2011: Dia para ser bem aproveitado, pois era o último. Fomos a pé até o Coliseu ou Anfiteatro Flaviano, cuja construção ocorreu de 68 a 79 a. C. Entramos desta vez. Dizer que é imperdível se torna redundante. Conforme o site www.todamateria.com., é um dos símbolos da cidade italiana. Com três andares, depois foi adicionado outro, possui 45 m de altura e foi erigido com concreto e areia. A Wikipédia acrescenta que poderia abrigar 50 a 80 mil espectadores. O edifício era usado para combates de gladiadores e espetáculos públicos, como simulação de batalhas marítimas e caças de animais selvagens. Aconselho ver o filme Gladiador com o ator Russell Crowe, do ano 2000.
Visitamos a Basílica de Santa Francisca (Francesca em italiano) Romana que guarda as relíquias da santa na cripta, lá também está sepultado o papa Gregório IX. Segundo a Wikipédia, foi fundada no séc. IX e é uma das poucas basílicas românicas de Roma.
Andamos até o Circo Máximo, criado pelos antigos reis etruscos de Roma. Interessante contar que um italiano quis nos passar a perna antes de chegarmos no local. Parou o carro e queria nos vender jaquetas de couro a todo o custo, insistiu muito, mas nos livramos dele. Cheirava à enganação. Pensamos o óbvio: até em Roma!!! Voltemos ao Circus Maximus (latim). O filme Ben Hur, de 1959 com Charlton Heston, mostra como era uma corrida de biga do século II a. C. De acordo com o site www.infoescola.com,, era o lugar utilizado para entretenimento na Roma Antiga, isto é, a arena era palco para jogos, festivais e corridas de bigas (carros de combate).
Detalhe: percebi que os vendedores ao redor das atrações turísticas não gostam de ajudar os turistas, ainda mais em outra língua. Não eram simpáticos, muito pelo contrário. Melhor ficar ligado nas placas e avisos.
Continuamos o passeio, agora pelo Fórum Romano e o Museu Palatino: 4 h de caminhada por 12 EUR. Interessante dizer que o ingresso do Fórum Romano está incluído no ingresso do Coliseu. O Museu Palatino é dedicado à preservação da rica história desta região da cidade.
Fórum Romano-Roma-foto tirada por Mônica D. Furtado
Primeiro, a localização do Fórum Romano. A Wikipédia informa que se encontra no Monte Palatino, a mais central das sete colinas de Roma e uma das mais antigas da cidade. Tem uma elevação de 40 m acima do Fórum, para o qual tem vista em um dos seus lados. De outro, domina o vale ocupado pelo Circo Máximo. Na antiguidade era o melhor lugar para se viver, muitas pessoas importantes como o poeta Cátulo, o orador Cícero e imperadores romanos como Calígula, Tibério e Nero viveram nele.
O que significa “palatino”? O site www.dicio.com.br comenta que “dizia-se de um nobre encarregado de qualquer serviço no palácio de um soberano” (adjetivo).
Eu no Fórum Romano-Roma-foto tirada por Carlos Alencar
O Fórum Romano, conforme a Wikipédia, foi durante séculos o centro da vida pública romana, o local de cerimônias triunfais e de eleições. Discursos públicos, processos criminais, confrontos com gladiadores e assuntos comerciais ocorriam no lugar. A mais conhecida estrada era a chamada Via Sacra que seguia desde o Capitólio até o Arco de Tito.
Guerreiros de terracota-Fórum Romano-Roma-foto tirada por Mônica D. Furtado
Fascinante a exposição dos Guerreiros de terracota ou Exército de terracota ou Guerreiros de Xian, que estava exposta nesse sítio histórico. Trata-se de uma coleção de esculturas de terracota representando os exércitos de Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China. São 800 estátuas de soldados e generais de barro que foram encontrados em 1974 acidentalmente. Estavam a menos de 1 km da tumba do imperador mencionado anteriormente, conforme a Wikipédia. Essa mesma exposição eu visitei no parque Ibirapuera em São Paulo em 2003.
O almoço às 17h foi de pizza perto do hotel. Já o jantar foi uma lasanha vegetariana com abobrinha e um macarrão a carbonara para se despedir da bela Itália, país de antepassados nossos. Comida que ficou na memória e o lugar também, agradável e bonito. O restaurante? Sugiro o Mangrovia (Via Milazzo, 6a-6b). O garçom Giuseppe ficou encantado quando soube que éramos de Fortaleza-Ceará. E não é que ele visitava Fortaleza todos os anos? Por conta disso, o Carlos ganhou uma grappa (aguardente) após o jantar e eu um lemoncello (licor de limão) de brinde. Aliás, amo tomar essa bebida, é a cara da Itália. O garçom foi muito simpático. Temos sorte para essas coisas, o motivo deve ser porque gostamos de conversar com o povo. Para fazer a digestão, rumamos à Estação Termini para caminhar, lugar especial.
Dia 04 de janeiro de 2011: A taxa cobrada ao turista de 2 EUR por diária havia começado a partir de 01 de janeiro. A saída do ônibus até o aeroporto Fiumicino foi uma dica preciosa do hotel. Pega-se em frente à Estação Termini com horários certos. Eram 8 EUR por pessoa, uma maravilha.
Fim de viagem. Gratidão às pessoas maravilhosas que nos receberam de braços abertos a fim de termos um Natal e Ano Novo únicos nas nossas vidas.
Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Verona e Florença – parte 4
Dia 29 de dezembro de 2010: Chegamos a Verona de carro, vindos de Veneza. Somos o Max, a Elis, o Carlos e eu. Cidade encantadora, parece uma cidade portuguesa com peatonal (área de pedestres). O carro foi estacionado e saímos passeando a pé. Conhecemos um pouco do centro histórico, havia uma feira por lá. Pagamos 2,50 EUR para entrar no Duomo ou catedral de Verona, e visitamos a casa (e também museu) mais famosa: a da Julieta (Via Cappello, 23), em estilo gótico do século XIV. Personagem do renomado Romeu e Julieta (Romeu Montecchio e Julieta Capuleto) de William Shakespeare (1564-1616): poeta, dramaturgo, tido como o maior escritor do idioma inglês e mais influente dramaturgo do mundo, segundo a Wikipédia.
As paredes da entrada da casa estão repletas de bilhetes de amor com os pedidos dos turistas que lá estiveram, havia lojas e uma árvore de Natal com mais desejos de amor. Interessante a existência da estátua da Julieta no pátio e diz a lenda que ao tocar no seio da estátua, se tem sorte no casamento. Na casa mesmo não entramos por falta de tempo, mas testemunhamos a presença da famosa sacada de pedra na casa onde Julieta em uma das cenas mais conhecidas do livro, declamava seu amor por Romeu. A Wikipédia nos esclarece que a dita tragédia foi escrita entre 1591 e 1595 sobre dois adolescentes cuja morte acaba unindo suas famílias, outrora em pé de guerra.
Partimos em clima leve, rumo a Florença.
Duomo-Firenze-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dia 30 de dezembro de 2010: Visita ao Palazzo ou Palácio Pitti. A Wikipédia esclarece que é um grande palácio renascentista, no passado residência urbana de Luca Pitti, um banqueiro florentino. Foi comprado em 1539 pela Família Médici para servir de residência oficial dos Grandes Duques da Toscânia. Trata-se de um museu público, uma das maiores galerias de arte de Florença.
Vimos a amostra de Caravaggio (Michelangelo Merisi, 1571-1610), pintor italiano, o mais revolucionário artista do barroco. Também a exposição de Caravageschi ou Caravagismo, ou seja, uma corrente seguidora do barroco que ocorreu principalmente no séc. XVI, artistas que se inspiraram em Caravaggio, de acordo com a mesma fonte anterior. No palácio, da mesma forma, vimos salas de apartamentos repletos de obras, com tetos pintados da mitologia romana.
O Carlos e eu com o rio Arno-Florença-foto tirada por Massimiliano Barbieri
Também visitamos a Basilica Santa Croce ou Santa Cruz, onde estão enterrados Galileo Galilei, Maquiavel, Michelangelo, Rossini e outros. Fenomenal a principal igreja franciscana em Florença. Localiza-se na Piazza di Santa Croce. Andança pelo centro histórico, incluindo a Ponte Vecchio ou Ponte Velha, com suas joalherias espetaculares. Me arrependi de não ter comprado um anel, as joias são delicadas, únicas. No site www.tudosobreflorenca.com, aprendemos que se trata da ponte mais antiga da Europa, de 1345. É o símbolo do romantismo que inunda toda a cidade. Nos séculos XV e XVI, suas casas foram ocupadas por açougueiros, mas quando a corte se mudou para o Palácio Pitti, Fernando I mandou fechar os comércios pelo cheiro desagradável. Desde então, as lojas foram ocupadas por joalheiros e ourives. Ali perto, descobrimos um mercado de couros e artesanatos finos, bolsas incríveis, tudo requintado.
Estátua de Davi de Michelangelo (cópia)-Palazzo Vecchio-Firenze-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dia 31 de dezembro de 2010: Palazzo Vecchio ou Palácio Velho, situado na Praça Senhoria (Piazza della Signoria). Atualmente é a sede da prefeitura e no seu interior existe um museu que expõe obras de Michelangelo Buonarroti, Giorgio Vasari e outros.
Almoço de minestrone, uma delicia. A Wikipédia afirma que a sopa italiana é composta por uma variedade de legumes cortados, quase sempre, arroz ou macarrão. Os ingredientes mais usados são tomate, feijão, cebola, cenoura, aipo e batata. Não existe uma receita específica, pode ser feita com quaisquer legumes que estejam em época. O site www.panelinha.com.br diz que a receita leva “os legumes que você tem na geladeira.”
Compras pelas ruas. Sorvetes maravilhosos de chocolate Ferrero Rocher. À noite banquete no apartamento dos pais do Max, juntamente com a Elis, Max e tios Luigi e Monica. Tomamos um vinho Brunello di Montalcino, safra especial (nos beliscamos, pois é caríssimo no Brasil). Mais uma noite inesquecível, nem quisemos sair na noite de Ano Novo, afinal estava muito frio e o ambiente caseiro era tudo de bom. Viva o sr. Gianni Fattoli e a sra. Grazia, pais do Max, que nos acolheram tão bem, assim como os tios e Max e Elis.
Exposição de carros-Florença-foto tirada por Carlos Alencar
Exposição de carros no centro histórico em Florença-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dia 01 de janeiro de 2011: Passeio pelo centro histórico, o Duomo estava fechado. Na Piazza della Repubblica havia uma exposição de carros antigos, pequenos e até uma Ferrari. A praça tem formato retangular e um arco imponente. O carrossel mais famoso da cidade se encontra lá e ao seu redor existem vários cafés e restaurantes, conforme o site Guia de Destinos.
O almoço foi novamente no Babbo (pai) e na Mamma (mãe). Sempre passamos bem. Conhecemos depois a Basilica della Santissima Anunziata ou Basílica da Santíssima Anunciada com missa, bela. Localizada no centro histórico, foi fundada em 1250. O site travel.sygic.com coloca que esta igreja do séc. XIII possui um interior deslumbrante e um teto dourado que remonta ao séc. XVII. Também exibe afrescos do sec. XVI e uma pintura de N. Sra. conhecida como “Anunciação da Virgem Maria”, situado perto da entrada. Repare no altar-mor decorado com uma tela de Giorgio Vasari.
Conhecemos o mirante da Piazzale Michelangelo, com uma vista panorâmica esplêndida da cidade e do rio Arno. Estamos no bairro Oltrarno, a parte mais alta de Florença, nas suas colinas. Não poderia faltar a árvore de Natal tradicional. O cenário dá um toque mágico ao novo ano. Lá na praça grande (piazzale) havia uma venda de artesanatos e bolsas. O site florence-museum.com acrescenta que no centro da praça está uma das três cópias de Davi de Michelangelo existentes na cidade, cópia tal feita em bronze em 1873. A respeito da praça, foi construída por Giuseppe Poggi, arquiteto florentino nos fins do séc. XIX. É dedicada ao grande artista renascentista Michelangelo e ao lado da cópia de Davi estão quatro alegorias das Capelas dos Médici de San Lorenzo.
Impossível não sair encantada com a elegância de Florença. Continuaremos com Roma nos nossos últimos dias na Itália.
Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Veneza – parte 3
Dia 27 de dezembro de 2010: o Max, Elisandra, o Carlos e eu vamos a Veneza com o carro do pai do Max. São 3 h de viagem Firenze-Veneza. Colocamos gasolina (16,10 EUR- euros) e pagamos pedágio (16,20 EUR) no caminho.
Passamos pelos Alpeninos (mais de 700 m de altura) com cidades de bonecas, cobertas de neve. Os pinheiros também se revestem de branco. No meio da viagem, paramos em um desses locais enormes que existem nos EUA e Europa com banheiros, vendas de lembrancinhas, lanches, cafés e do lado de fora, posto de gasolina. Acho fantástico.
Antes de chegar a Veneza, em Tessera, deixamos o carro em um estacionamento chamado Pesco Parking e pegamos um ônibus (5D) em direção a Veneza. Lembrando que lá não anda carro. Chegamos, nos perdemos nas ruelas, mas alcançamos o hotel: Orion (San Marco, Spadaria 700/A). Muito bem localizado, gostei. Pequeno, com escadas, no 4° andar. Detalhe: o Max pensou em tudo antes e fez reservas no hotel e restaurantes.
Almoçamos no restaurante Ostaria a la Campana na Calle del Fabri, 4720, San Marco, na rua paralela à rua do Relógio. Bom, barato e familiar.
Ruela em Veneza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Estava muito frio, demos umas voltinhas e à noite fomos a uma ópera e concerto em Campo San Salvador, Rialto por 25 EUR: As Quatro Estações de Vivaldi. Chama-se Scuola Grande di San Teodoro e o endereço é San Marco, 4810. A sala de espetáculos tem cadeiras azuis no mesmo nível por preços diferentes. O local é lindo, bem cuidado, delicado, com pinturas no teto, um sonho. O lugar se chama I Musici Veneziani. Os cantores e orquestra usam roupas do séc. XVIII. Ficava me beliscando de tanto encantamento.
De lá fomos jantar sopa no mesmo restaurante do almoço. Que cidade deslumbrante!
Veneza com as gôndolas-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dia 28 de dezembro: um momento muito esperado, o passeio de gôndola. Pena que o dia estava nublado. 55 minutos de pura emoção, tendo o Nicolo a guiar-nos pelos canais de Veneza. Pagamos 70 euros, é bom pechinchar, pois o preço mesmo é 80 euros.
Lembram do casal de ingleses legais que nos deram tíquetes para o vaporetto em Florença? Pois usamos o táxi aquático a fim de passear pela lagoa do Mar Adriático, mas não conhecemos as ilhas de Murano e Burano, não daria tempo, infelizmente. São mais de cem pequenas ilhas. Os ingleses nos pouparam 13 EUR, aliás, pegamos o vaporetto na Praça de São Marcos e lá descemos de volta, foi um passeio completo. Amamos a sensação de estar entre gente da terra, afinal é o transporte deles.
O vaporetto em Veneza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Veneza bela-foto tirada por Mônica D. Furtado
O Max descobria restaurantes incríveis. Para o almoço era um pequeno e escondido, nem peguei o nome, uma pena. Os pratos de bacalhau e massas com peixes e moluscos a lá Veneza eram demais. A massa era escura, bem diferente. Pagamos 28 EUR (o casal).
Após o almoço, visitamos a Basílica de San Marco na Piazza San Marco, um fenômeno bizantino com chão e teto espetaculares por 2 EUR. Segundo a Wikipédia, é a mais famosa das igrejas de Veneza. Trata-se da arquidiocese católica romana desde 1807. Fica ao lado do Palácio Ducal. O site www.infoescola.com e a Wikipédia acrescentam que originalmente deveria ser uma extensão do Palácio Ducal com parte do espaço privativo ao Doge, o Duque de Veneza. Sua construção começou em 828 e foi concluída em 832, tendo a função de abrigar os restos mortais atribuídos ao evangelista Marcos. Porém sofreu um incêndio durante uma rebelião em 976. A basílica atual teve sua construção iniciada em 1063, no que viria a ser a base do atual edifício. Sempre foi o centro da vida pública e religiosa da cidade, somado ao Palácio Ducal. Em termos de estilos arquitetônicos, é uma combinação de artes bizantina, gótica, renascentista, maneirista e barroca.
Palazzo Ducale em Veneza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Já o Palazzo Ducale é outra relíquia da cidade com o museu e pátio fenomenais por 12 EUR. A Wikipédia informa que o Palácio Ducal também é conhecido como Palácio do Doge, símbolo de Veneza e obra-prima do gótico veneziano. Foi construído entre 1309 e 1424, sendo a antiga sede do Doge de Veneza e da magistratura veneziana. Por sinal, doge significa chefe ou primeiro magistrado eleito das antigas repúblicas marítimas italianas, nomeadamente, Gênova e Veneza. A entrada monumental do palácio é chamada de Porta della Carta e foi erigida em estilo gótico florido por Giovanni Bon e Batolomeo Bon. Entramos no pátio por essa porta.
À noite concerto no mesmo lugar da noite anterior: I Musici Veneziani, desta vez uma ÓperaConcerto, Barroco e Ópera. Os músicos, sopranos e tenores vestidos a caráter, a gente se sentiu no século XVIII. Escutamos empolgados, em dois atos, partes das óperas, como La Traviata de Verdi, Dom Pasquale de Donizetti, Don Giovanni de Mozart, Tosca de Puccini etc. Um show de sensações. Amei! Foram uns 25 EUR muito bem aproveitados.
Dia 29 de dezembro: saída de Veneza. Fomos a pé com as malas naquele frio até a estação ferroviária onde pegamos o ônibus até Tessera, local onde estava o carro no Pesco Parking. O carro estava congelado. Vamos rumo a Verona. Veneza ficou com o gosto de quero muito mais…
Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Florença – parte 2
Elisandra e eu na bela Firenze-Itália-foto tirada por Carlos Alencar
Dia 24 de dezembro de 2010: O Carlos e eu partimos do hotel e pegamos o trem Frecciarrossa (nº 9516) da Trenitalia em direção a Florença na Estação Termini. Muito bom o percurso de 232 km, distância conforme o site http://www.eurail.com. Estamos na véspera de Natal de 2010. Vale dizer que os horários e o número do trem só saem no binário (um grande telão na estação) um tempinho antes da saída do trem. Tem que ficar ligado.
Chegamos a Firenze: linda, encantadora, estilosa. Estava muito frio e chovia torrencialmente, ainda bem que o casal Max e Elis estavam à nossa espera na estação ferroviária de Santa Maria Novella (de 1848, reconstrução em 1934). Ele se arrependeu de ter deixado o carro um pouco longe, uma vez que havia nevado e o chão estava escorregadio. Carregar malas pelas ruas na chuva e tentar não cair foi um feito.
O tratamento na cidade foi de primeira. A nossa hospedagem foi no apartamento do Max na parte histórica na Via Dei Velluti, ruela que desembocava no Palácio Pitti. Tal ruela era apertada e só dava para passar um carro. O prédio antigo e histórico, construído com pedras, continha as habitações dos serviçais da família Médici nos séculos XV e XVI, imaginem. É de se beliscar.
Ruela do apartamento do Max em Florença-foto tirada por Mônica D. Furtado
Descreverei o local tão original. Um apartamento pequeno, tipo loft, com um quarto que também era escritório do Max. A cama em cima e embaixo uma mesa para trabalhar. Tinha aquecimento a gás. O Max acrescentou um banheiro para banho e sanitário, com uma porta que dava acesso a um jardim interior. Dava para sentar na varanda. O outro apartamento ao lado: sala de estar, cozinha e uma janela que dava para a ruela. Também com aquecedor. Sem elevador, subíamos a escadaria até o 2º andar. Super diferente, amei! No meio, o corredor sem aquecimento, lógico. Então a gente perambulava de um apartamento ao outro o tempo todo e haja frio pelo caminho. Somos muito agradecidos à gentileza da família hospedeira. Detalhe: conto com a memória do Carlos para muito do que escrito aqui.
Segundo a Wikipédia, o reinado da poderosa família Médici foi em Florença na região da Toscana. Da Casa dos Médici provieram 4 papas e a partir de 1531, eles se tornaram os líderes hereditários do Ducado de Florença. A linhagem direta se extinguiu em 1737.
O jantar de Natal foi no apartamento dos pais do Max (o casal amigo se hospedou lá) em uma região mais moderna de Florença. Os pais dele: Gianni e Grazia Fattoli, ou seja, o “babbo” e a “mamma” (“pai e mãe” em italiano) nos receberam de braços abertos com muito carinho. Nossa eterna gratidão! Sentamos à mesa pelas 18 h e só saímos umas 5 horas depois. Detalhe: o francês leva a fama, mas tudo começou com os italianos, na verdade. Eles apreciam a alta gastronomia, um bom papo e excelentes vinhos e espumantes. Estavam lá também o tio do Max, Luigi, e a esposa Monica. A mamma de avental cozinhando e servindo, uma tradição. E nós passando muito bem. Foram vários pratos, cada prato com um vinho ou espumante e, pra finalizar, um panetone feito em casa, com um creme divino, daquele que amacia o paladar, ufa! Inesquecível. Acho que engordei muito! Quando chegamos ao apartamento histórico, levados pela Elis e Max, antes de dormir tive que tomar um sonrisal, estava estufada, mas feliz!
Dia 25 de dezembro, Natal. Voltamos ao lar dos pais do Max para almoçar. Os tios Luigi e Monica estavam lá. Houve troca de presentes e tivemos um almoço farto com vinho e frisante (espumante), e sobremesa de panetone (tradição). Um manjar dos deuses. Estava tão frio lá fora que nem quisemos sair. Dessa vez, não precisei de digestivo… As refeições ficaram na nossa memória gustativa. Ainda sinto a cremosidade e a leveza do panetone da mamma.
Dia 26 de dezembro. Feriado em Firenze, dia para passear. O museu famoso Galleria degli Uffizi estava aberto e somente entravam 58 pessoas de cada vez, logo a fila de espera ia de 1 a 2 horas. Pode reservar com antecedência, pagando um pouco mais, pelo menos a hora está marcada e não tem que ficar na fila cansativa. Na realidade, as atrações turísticas são sempre cheias. O bom foi conversar com uns ingleses simpáticos. Foram tão gente boa que nos deram um tíquete do vaporetto (barco táxi) de Veneza, já que iam embora e havia sobrado crédito. Somos afortunados.
Falemos na Galeria Uffizi, do séc. XVI, uma das mais antigas e afamadas coleções de arte do mundo. Ma-ra-vi-lho-sa. Fiquei encantada com os quadros “O Nascimento de Vênus” e “A Primavera” de Botticelli, e com as obras de Alessandro Filipepi, Tiziano Vecellio, Michelangelo e Tintoretto, por exemplo. Grandes mestres renascentistas. Como aprendemos! De acordo com o site www.educamaisbrasil.com.br, as características do Renascimento na Itália do séc. XV foram o humanismo, o antropocentrismo, o individualismo, o universalismo, o racionalismo, o cientificismo e a valorização da Antiguidade Clássica.
Eu no centro histórico de Florença-foto tirada por Carlos Alencar
De lá, passeamos pelo centro antigo. O jantar foi caseiro feito pelo Max: sopa desidratada pronta, pão de alho a lá italiana e queijo com mel de acácia (delicioso). Interessante mencionar que não passa carro sem ser de moradores do centro histórico, só é liberado aos domingos. Se não respeitar as regras, leva multa.
Florença é tão organizada que fiquei impressionada. À noite há limpeza das ruas naquele frio por um tipo de tratorzinho. Até os gatos abandonados em terrenos baldios são cuidados. O sr. Gianni era responsável oficialmente por alguns gatos no terreno atrás do seu prédio. Eles eram identificados e controlados por um órgão da prefeitura. Considerei sensacional e eficiente!
Para quê tanta coisa? Assustei-me pela quantidade de coisas acumuladas. Roupas. Sapatos. Livros. Louças. Objetos de decoração, quadros e quadrinhos…
Quantos valores agregados à minha vida? Em que momentos comprei tudo isso, por quê? Em cada objeto uma lembrança, em cada roupa a evocação de um momento, alguns bons, outros nem tanto.
Na pandemia, revisei um por um, coisa por coisa, cada momento, perguntei-me: preciso disso, posso me desfazer?
E assim comecei uma longa viagem dentro de mim mesma. Quantas viagens incalculáveis fazemos dentro de nós, né? Quantas fazemos fora de nós, quantas fazemos para desvendar o mundo, ver o diferente, nos divertimos e nos construímos? Em cada uma delas, trazemos um pedacinho do país que conhecemos, gostamos e queremos trazer conosco… Mas por qual motivo os 8 casacos de frio, as 22 echarpes, botas e as roupas de inverno pesado se moro em Fortaleza sob sol forte de 30 graus?
Colocando estas questões, iniciei meu desapego das coisas que me aprisionavam, para no lugar delas colocar sentimentos edificantes, projetos promessas… Confesso a grande dificuldade que tive para escolher a quem doar roupas de frio numa cidade onde o sol intenso, céu azul limpíssimo prometem não ceder lugar à chuva, ao frio, nos proporcionando no máximo 26° C de temperatura amena…
O resultado foi prazeroso. Primeiro o ato de doar, depois o de desocupar, criar espaços para projetos novos, espaços livres, sensação de não ter agregado valor sentimental a esses objetos.
Continuei o segundo descarte. Fiz o mesmo com bolsas, sapatos, sandálias, vestidos, blusas, saias, calças… Coisas que quase nunca usava. Aí o prazer foi intenso ao ver que em minha cidade tinha tanta gente à espera de uma doação.
O interessante é que acompanhado a este gesto de doação veio o compromisso de não mais preencher os espaços vazios dos armários e também não ceder ao apelo de fazer compras desnecessárias.
Como uma onda que me pegou e revirou, a necessidade do descarte se estendeu para tudo: dos livros às louças, das panelas às formas de tortas, talheres, copos, para quê tanta coisa, meu Deus??? Se for receber mais de vinte pessoas em casa, alugo todos os utensílios! Impagável foi ver que nada se abarrota aqui em casa!!!
Espaços vazios e vida minimalista abrirão espaços para novas ressignificações, para coisas importantes, como por exemplo: dedicação moderada para jardinagem, fazer um novo curso e aprender a escrever, visitar e ajudar amigos a ingressar na vida minimalista e abrir os olhos para o mundo.
P.S. A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.
O Carlos e eu viajamos de Fortaleza a Lisboa via TAP dia 18 de dezembro de 2010 e essa viagem ficou no nosso coração. O voo atrasou umas 3h em Fortaleza, e era madrugada. Dia 19 de dezembro fizemos Lisboa-Roma às 18h55, com mais um atraso de 1 hora. O planejamento foi Roma, Florença, Veneza, de volta a Florença e depois Roma. Nosso retorno foi 4 de janeiro de 2011. E o convite foi da colega e amiga de trabalho Elisandra e de seu marido italiano (de Florença) Massimiliano Barbieri. Até hoje nos beliscamos sem acreditar que tivemos essa oportunidade única na vida de passar as festas natalinas com uma família italiana. Foi fan-tás-ti-co, para dizer o mínimo. Eternamente agradecidos aos companheiros de aventuras Elis e Max.
O engraçado foi recordar a nossa chegada no aeroporto Fiumicino ou Leonardo da Vinci em Roma depois das 23h. Saímos do avião seguindo um senhor português, pois achávamos que ele sabia o caminho dentro do aeroporto enorme. Não é que nos perdemos do restante dos passageiros e ficamos dando voltas lá dentro? Ainda bem que nós três encontramos um guarda legal que nos indicou o caminho correto, retornamos por onde viemos e alcançamos a nossa esteira da bagagem. Ufa! Chegamos ao hotel pela 1h da madrugada exaustos, fomos de van com umas 6 pessoas e uns 40 minutos até o hotel por 15 euros à época.
A gente se hospedou no hotel Luciani, 2 estrelas (Via Milazzo, 8 – Marsala, com café da manhã) em Roma, via Booking.com. Infelizmente, por não ter elevador, subir as escadas com as malas não foi fácil. Gostamos muito, simples, pessoal simpático, com o dono presente, e perto da estação ferroviária Termini, ou seja, bem localizado com muitas opções de restaurantes nos arredores. Só não é aconselhável sair à noite, no máximo ir passear na estação de trem. Nós amamos fazer isso, há muito movimento e shopping center dentro. As lojas são um delírio.
De dia passeamos pela cidade. À época eu ainda tirava foto do carro Smart, porque não existia aqui no Brasil e sempre considerei um fofo.
Iniciemos Roma. Dia 20 de dezembro, começamos os passeios obrigatórios. Era inverno, logo escurecia cedo. Passeamos à tarde, a manhã foi para repor as energias. O Foro Romano e o Coliseu por fora. O almoço muito bom: pasta com salmão e vinho. Como se come bem, não há massa como a da Itália. Tivemos dificuldade com o nome das ruas e encontramos pelo caminho pessoas sem paciência e simpatia para nos dar informações. Sentimos a falta de uma maior sinalização para os turistas. Pena não falar italiano, o inglês nem sempre foi o suficiente no país. Percebi que os vendedores de lembrancinhas pra turistas do lado de fora das atrações realmente não gostam de dar informações, reclamam.
O Coliseu em Roma-foto tirada por Mônica D Furtado
A Boca da Verdade e eu- Roma-foto tirada por Carlos Alencar
Dia 21 de dezembro: o Coliseu por dentro, a Bocca della Verità (a Boca da Verdade, aquela na qual colocamos a mão dentro, “sem medo porque estamos dizendo a verdade” e tiramos foto) na Basílica Santa Maria In Cosmedin, o parque da Vila Borghese, a Piazza del Papolo, a Piazza di Spagna, a Via del Corso (fabulosa para compras), a praça Vittorio Emanuele e as Termas de Caracalla (Via delle Termi di Caracalla, 52). As termas valem a pena, trata-se de um lugar com um bom astral e poucos turistas. Segundo a Wikipédia, também chamadas Termas Antoninas, era o segundo maior complexo de banhos públicos de Roma, provavelmente construídas entre 211/212 d. C. e 216/217 d. C., durante o reinado dos imperadores Sétimo Severo e Caracala. O local permaneceu em uso até 530 d. C., quando foi abandonado e se arruinou. O Coliseu ou Anfiteatro Flaviano é oval e situado no centro de Roma. A maior atração turística da cidade é localizada na Piazza del Colosseo, 1.
Termas de Caracala-Roma-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dia 22 de dezembro: O Vaticano, a Basílica de São Pedro, o Museu do Vaticano com a sua magnífica Capela Sistina. Lá estão os afrescos do Juízo Final de Michelângelo. Eis um lugar que nunca esqueceremos. Só o Vaticano é um passeio de um dia todo. O jantar foi de sopa de verduras no Al Nuovo Fagionetto com vinho da casa especial (rua Via Filippo Turati, 21) para os lados da estação Termini.
Fontana di Trevi-Roma-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dia 23 de dezembro: passeio pela Fontana di Trevi, Templo de Adriano, Pantheon (Basílica Santa Maria Ad Martyres), e Piazza Navona, com uma feira de Natal encantadora. Ali almoçamos spaguetti a pomodoro e basil com vinho em um restaurante, nos deleitando com um cenário tão mundialmente conhecido. A esplendorosa Embaixada do Brasil fica nessa praça. A Wikipédia informa que o Panteão é tipo um templo romano e tem planta circular com um pórtico de grandes colunas coríntias de granito. Foi construído em 125 d. C. Tem sido utilizado como uma igreja, oficialmente Santa Maria dei Martiri, desde o séc. VII. Localiza-se à Piazza della Rotonda.
À tarde inventamos de conhecer o lugar onde os papas têm a sua residência de férias: o Castelo Gandolfo, escolhido pelo papa Urbano VIII, chefe da Igreja Católica de 1623 a 1644. Foi uma jornada diferente de meio dia. Pegamos o metrô até a estação final da linha A (laranja), depois descemos e fomos ao terminal do Cotral (ônibus) para o Castelo Gandolfo. Chegamos, conhecemos um pouco do local, não entramos no Palácio Pontifício, ou na Igreja de São Tomás de Villanova, ou no Antiquarium da Villa Barbieri. Planejamos mal, decididamente, era pouco tempo para conhecer uma das aldeias mais bonitas do país. A região do lago Albano é muito agradável.
Os italianos que trabalhavam perto da parada de ônibus nos ajudaram com informações, pois estávamos na parada errada. Ficamos lá “mofando” até que percebemos que estávamos no lugar equivocado, e já estava começando a escurecer. Consertamos o prumo e voltamos bem. O congestionamento foi intenso no retorno. Gostei de ter visto a região do vinho Frascati, a comuna de Frascati, a 25 km de Roma, na região do Lazio. Amo esse vinho branco, refrescante e de aroma floral.
Dia 24 de dezembro: partimos do hotel e pegamos o trem Freccia Rosa em direção a Florença na Estação Termini.
Você já parou para pensar que cada lugar visitado é como uma página escrita no seu diário da vida?
Já parou para refletir que o seu ritmo influencia diretamente nas suas vivências e lembranças?
Se você optar por quantidade, ou seja, o maior número de cidades/países possíveis por viagem, pode ser que veja muita coisa sim, é uma forma de viajar que preza pela economia de tempo. A questão é que quando fazemos isso, corremos o risco de não SENTIR. As memórias afetivas dificilmente poderão ser descritas nas páginas do seu diário da vida. Mas, tenho uma boa notícia. Existe uma outra forma de viajar.
Essa maneira de flanar pelo mundo nos permite utilizar nossa presença por inteiro. Nos permite usar os nossos 5 sentidos. Nos faz, mesmo depois de muitos anos da viagem, recordar intensamente tudo aquilo que vivemos ali. Uma música que faz arrepiar, um cheiro que invade nossa memória, uma foto que nos deixa emocionados..
Viajar é estar presente no aqui-e-agora, é a porçãozinha mágica. Viajar fazendo coisas que têm a ver com a sua singularidade. Levar seus hobbies e sua subjetividade na mala. Sim, é permitido e você não pagará multa por excesso, eu garanto. Permitir-se não ser cópia de ninguém, indo para determinadas atrações que não te interessam, só porque todo mundo vai. Livre-se disso, você vai tirar um peso enorme das suas costas. Vou explicar: Se você ama salsa ou tango e não se interessa por ver todas as estátuas da cidade, sinta-se livre para fazer uma aula de dança na beira do Rio Sena (por exemplo). Será uma experiência única ser VOCÊ. É um verdadeiro ato revolucionário não fazer o que todos fazem se você não tem vontade.
Viaje slow, viva esse momento com a sua singularidade e ele será divertido, desestressante e inesquecível. 💓
P.S. A autora Ana Carolina Tavares é psicóloga, viajante e escritora. Colabora no meu blog com sua escrita leve e refrescante. A você, Carol, o meu agradecimento.