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Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Veneza – parte 3

Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Veneza – parte 3

Dia 27 de dezembro de 2010: o Max, Elisandra, o Carlos e eu vamos a Veneza com o carro do pai do Max. São 3 h de viagem Firenze-Veneza. Colocamos gasolina (16,10 EUR- euros) e pagamos pedágio (16,20 EUR) no caminho.

Passamos pelos Alpeninos (mais de 700 m de altura) com cidades de bonecas, cobertas de neve. Os pinheiros também se revestem de branco. No meio da viagem, paramos em um desses locais enormes que existem nos EUA e Europa com banheiros, vendas de lembrancinhas, lanches, cafés e do lado de fora, posto de gasolina. Acho fantástico.

Antes de chegar a Veneza, em Tessera, deixamos o carro em um estacionamento chamado Pesco Parking e pegamos um ônibus (5D) em direção a Veneza. Lembrando que lá não anda carro. Chegamos, nos perdemos nas ruelas, mas alcançamos o hotel: Orion (San Marco, Spadaria 700/A). Muito bem localizado, gostei. Pequeno, com escadas, no 4° andar. Detalhe: o Max pensou em tudo antes e fez reservas no hotel e restaurantes.

Almoçamos no restaurante Ostaria a la Campana na Calle del Fabri, 4720, San Marco, na rua paralela à rua do Relógio. Bom, barato e familiar.

Estava muito frio, demos umas voltinhas e à noite fomos a uma ópera e concerto em Campo San Salvador, Rialto por 25 EUR: As Quatro Estações de Vivaldi. Chama-se Scuola Grande di San Teodoro e o endereço é San Marco, 4810. A sala de espetáculos tem cadeiras azuis no mesmo nível por preços diferentes. O local é lindo, bem cuidado, delicado, com pinturas no teto, um sonho. O lugar se chama I Musici Veneziani. Os cantores e orquestra usam roupas do séc. XVIII. Ficava me beliscando de tanto encantamento.

De lá fomos jantar sopa no mesmo restaurante do almoço. Que cidade deslumbrante!

Dia 28 de dezembro: um momento muito esperado, o passeio de gôndola. Pena que o dia estava nublado. 55 minutos de pura emoção, tendo o Nicolo a guiar-nos pelos canais de Veneza. Pagamos 70 euros, é bom pechinchar, pois o preço mesmo é 80 euros.

Lembram do casal de ingleses legais que nos deram tíquetes para o vaporetto em Florença? Pois usamos o táxi aquático a fim de passear pela lagoa do Mar Adriático, mas não conhecemos as ilhas de Murano e Burano, não daria tempo, infelizmente. São mais de cem pequenas ilhas. Os ingleses nos pouparam 13 EUR, aliás, pegamos o vaporetto na Praça de São Marcos e lá descemos de volta, foi um passeio completo. Amamos a sensação de estar entre gente da terra, afinal é o transporte deles.

O Max descobria restaurantes incríveis. Para o almoço era um pequeno e escondido, nem peguei o nome, uma pena. Os pratos de bacalhau e massas com peixes e moluscos a lá Veneza eram demais. A massa era escura, bem diferente. Pagamos 28 EUR (o casal).

Após o almoço, visitamos a Basílica de San Marco na Piazza San Marco, um fenômeno bizantino com chão e teto espetaculares por 2 EUR. Segundo a Wikipédia, é a mais famosa das igrejas de Veneza. Trata-se da arquidiocese católica romana desde 1807. Fica ao lado do Palácio Ducal. O site www.infoescola.com e a Wikipédia acrescentam que originalmente deveria ser uma extensão do Palácio Ducal com parte do espaço privativo ao Doge, o Duque de Veneza. Sua construção começou em 828 e foi concluída em 832, tendo a função de abrigar os restos mortais atribuídos ao evangelista Marcos. Porém sofreu um incêndio durante uma rebelião em 976. A basílica atual teve sua construção iniciada em 1063, no que viria a ser a base do atual edifício. Sempre foi o centro da vida pública e religiosa da cidade, somado ao Palácio Ducal. Em termos de estilos arquitetônicos, é uma combinação de artes bizantina, gótica, renascentista, maneirista e barroca.

Já o Palazzo Ducale é outra relíquia da cidade com o museu e pátio fenomenais por 12 EUR. A Wikipédia informa que o Palácio Ducal também é conhecido como Palácio do Doge, símbolo de Veneza e obra-prima do gótico veneziano. Foi construído entre 1309 e 1424, sendo a antiga sede do Doge de Veneza e da magistratura veneziana. Por sinal, doge significa chefe ou primeiro magistrado eleito das antigas repúblicas marítimas italianas, nomeadamente, Gênova e Veneza. A entrada monumental do palácio é chamada de Porta della Carta e foi erigida em estilo gótico florido por Giovanni Bon e Batolomeo Bon. Entramos no pátio por essa porta.

À noite concerto no mesmo lugar da noite anterior: I Musici Veneziani, desta vez uma Ópera Concerto, Barroco e Ópera. Os músicos, sopranos e tenores vestidos a caráter, a gente se sentiu no século XVIII. Escutamos empolgados, em dois atos, partes das óperas, como La Traviata de Verdi, Dom Pasquale de Donizetti, Don Giovanni de Mozart, Tosca de Puccini etc. Um show de sensações. Amei! Foram uns 25 EUR muito bem aproveitados.

Dia 29 de dezembro: saída de Veneza. Fomos a pé com as malas naquele frio até a estação ferroviária onde pegamos o ônibus até Tessera, local onde estava o carro no Pesco Parking. O carro estava congelado. Vamos rumo a Verona. Veneza ficou com o gosto de quero muito mais…

Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Florença – parte 2

Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Florença – parte 2

Dia 24 de dezembro de 2010: O Carlos e eu partimos do hotel e pegamos o trem Frecciarrossa (nº 9516) da Trenitalia em direção a Florença na Estação Termini. Muito bom o percurso de 232 km, distância conforme o site http://www.eurail.com. Estamos na véspera de Natal de 2010. Vale dizer que os horários e o número do trem só saem no binário (um grande telão na estação) um tempinho antes da saída do trem. Tem que ficar ligado.

Chegamos a Firenze: linda, encantadora, estilosa. Estava muito frio e chovia torrencialmente, ainda bem que o casal Max e Elis estavam à nossa espera na estação ferroviária de Santa Maria Novella (de 1848, reconstrução em 1934). Ele se arrependeu de ter deixado o carro um pouco longe, uma vez que havia nevado e o chão estava escorregadio. Carregar malas pelas ruas na chuva e tentar não cair foi um feito.

O tratamento na cidade foi de primeira. A nossa hospedagem foi no apartamento do Max na parte histórica na Via Dei Velluti, ruela que desembocava no Palácio Pitti. Tal ruela era apertada e só dava para passar um carro. O prédio antigo e histórico, construído com pedras, continha as habitações dos serviçais da família Médici nos séculos XV e XVI, imaginem. É de se beliscar.

Descreverei o local tão original. Um apartamento pequeno, tipo loft, com um quarto que também era escritório do Max. A cama em cima e embaixo uma mesa para trabalhar. Tinha aquecimento a gás. O Max acrescentou um banheiro para banho e sanitário, com uma porta que dava acesso a um jardim interior. Dava para sentar na varanda. O outro apartamento ao lado: sala de estar, cozinha e uma janela que dava para a ruela. Também com aquecedor. Sem elevador, subíamos a escadaria até o 2º andar. Super diferente, amei! No meio, o corredor sem aquecimento, lógico. Então a gente perambulava de um apartamento ao outro o tempo todo e haja frio pelo caminho. Somos muito agradecidos à gentileza da família hospedeira. Detalhe: conto com a memória do Carlos para muito do que escrito aqui.

Segundo a Wikipédia, o reinado da poderosa família Médici foi em Florença na região da Toscana. Da Casa dos Médici provieram 4 papas e a partir de 1531, eles se tornaram os líderes hereditários do Ducado de Florença. A linhagem direta se extinguiu em 1737.

O jantar de Natal foi no apartamento dos pais do Max (o casal amigo se hospedou lá) em uma região mais moderna de Florença. Os pais dele: Gianni e Grazia Fattoli, ou seja, o “babbo” e a “mamma” (“pai e mãe” em italiano) nos receberam de braços abertos com muito carinho. Nossa eterna gratidão! Sentamos à mesa pelas 18 h e só saímos umas 5 horas depois. Detalhe: o francês leva a fama, mas tudo começou com os italianos, na verdade. Eles apreciam a alta gastronomia, um bom papo e excelentes vinhos e espumantes. Estavam lá também o tio do Max, Luigi, e a esposa Monica. A mamma de avental cozinhando e servindo, uma tradição. E nós passando muito bem. Foram vários pratos, cada prato com um vinho ou espumante e, pra finalizar, um panetone feito em casa, com um creme divino, daquele que amacia o paladar, ufa! Inesquecível. Acho que engordei muito! Quando chegamos ao apartamento histórico, levados pela Elis e Max, antes de dormir tive que tomar um sonrisal, estava estufada, mas feliz!

Dia 25 de dezembro, Natal. Voltamos ao lar dos pais do Max para almoçar. Os tios Luigi e Monica estavam lá. Houve troca de presentes e tivemos um almoço farto com vinho e frisante (espumante), e sobremesa de panetone (tradição). Um manjar dos deuses. Estava tão frio lá fora que nem quisemos sair. Dessa vez, não precisei de digestivo… As refeições ficaram na nossa memória gustativa. Ainda sinto a cremosidade e a leveza do panetone da mamma.

Dia 26 de dezembro. Feriado em Firenze, dia para passear. O museu famoso Galleria degli Uffizi estava aberto e somente entravam 58 pessoas de cada vez, logo a fila de espera ia de 1 a 2 horas. Pode reservar com antecedência, pagando um pouco mais, pelo menos a hora está marcada e não tem que ficar na fila cansativa. Na realidade, as atrações turísticas são sempre cheias. O bom foi conversar com uns ingleses simpáticos. Foram tão gente boa que nos deram um tíquete do vaporetto (barco táxi) de Veneza, já que iam embora e havia sobrado crédito. Somos afortunados.

Falemos na Galeria Uffizi, do séc. XVI, uma das mais antigas e afamadas coleções de arte do mundo. Ma-ra-vi-lho-sa. Fiquei encantada com os quadros “O Nascimento de Vênus” e “A Primavera” de Botticelli, e com as obras de Alessandro Filipepi, Tiziano Vecellio, Michelangelo e Tintoretto, por exemplo. Grandes mestres renascentistas. Como aprendemos! De acordo com o site www.educamaisbrasil.com.br, as características do Renascimento na Itália do séc. XV foram o humanismo, o antropocentrismo, o individualismo, o universalismo, o racionalismo, o cientificismo e a valorização da Antiguidade Clássica.

De lá, passeamos pelo centro antigo. O jantar foi caseiro feito pelo Max: sopa desidratada pronta, pão de alho a lá italiana e queijo com mel de acácia (delicioso). Interessante mencionar que não passa carro sem ser de moradores do centro histórico, só é liberado aos domingos. Se não respeitar as regras, leva multa.

Florença é tão organizada que fiquei impressionada. À noite há limpeza das ruas naquele frio por um tipo de tratorzinho. Até os gatos abandonados em terrenos baldios são cuidados. O sr. Gianni era responsável oficialmente por alguns gatos no terreno atrás do seu prédio. Eles eram identificados e controlados por um órgão da prefeitura. Considerei sensacional e eficiente!

Em breve, Veneza.

Valores Agregados

Valores Agregados

Ana Tavares

Para quê tanta coisa? Assustei-me pela quantidade de coisas acumuladas. Roupas. Sapatos. Livros. Louças. Objetos de decoração, quadros e quadrinhos…

Quantos valores agregados à minha vida? Em que momentos comprei tudo isso, por quê? Em cada objeto uma lembrança, em cada roupa a evocação de um momento, alguns bons, outros nem tanto.

Na pandemia, revisei um por um, coisa por coisa, cada momento, perguntei-me: preciso disso, posso me desfazer?

E assim comecei uma longa viagem dentro de mim mesma. Quantas viagens incalculáveis fazemos dentro de nós, né? Quantas fazemos fora de nós, quantas fazemos para desvendar o mundo, ver o diferente, nos divertimos e nos construímos? Em cada uma delas, trazemos um pedacinho do país que conhecemos, gostamos e queremos trazer conosco… Mas por qual motivo os 8 casacos de frio, as 22 echarpes, botas e as roupas de inverno pesado se moro em Fortaleza sob sol forte de 30 graus?

Colocando estas questões, iniciei meu desapego das coisas que me aprisionavam, para no lugar delas colocar sentimentos edificantes, projetos promessas… Confesso a grande dificuldade que tive para escolher a quem doar roupas de frio numa cidade onde o sol intenso, céu azul limpíssimo prometem não ceder lugar à chuva, ao frio, nos proporcionando no máximo 26° C de temperatura amena…

O resultado foi prazeroso. Primeiro o ato de doar, depois o de desocupar, criar espaços para projetos novos, espaços livres, sensação de não ter agregado valor sentimental a esses objetos.

Continuei o segundo descarte. Fiz o mesmo com bolsas, sapatos, sandálias, vestidos, blusas, saias, calças… Coisas que quase nunca usava. Aí o prazer foi intenso ao ver que em minha cidade tinha tanta gente à espera de uma doação.

O interessante é que acompanhado a este gesto de doação veio o compromisso de não mais preencher os espaços vazios dos armários e também não ceder ao apelo de fazer compras desnecessárias.

Como uma onda que me pegou e revirou, a necessidade do descarte se estendeu para tudo: dos livros às louças, das panelas às formas de tortas, talheres, copos, para quê tanta coisa, meu Deus??? Se for receber mais de vinte pessoas em casa, alugo todos os utensílios! Impagável foi ver que nada se abarrota aqui em casa!!!

Espaços vazios e vida minimalista abrirão espaços para novas ressignificações, para coisas importantes, como por exemplo: dedicação moderada para jardinagem, fazer um novo curso e aprender a escrever, visitar e ajudar amigos a ingressar na vida minimalista e abrir os olhos para o mundo.

P.S. A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Roma – parte 1

Memórias de um Natal e Ano Novo na Itália – Roma

O Carlos e eu viajamos de Fortaleza a Lisboa via TAP dia 18 de dezembro de 2010 e essa viagem ficou no nosso coração. O voo atrasou umas 3h em Fortaleza, e era madrugada. Dia 19 de dezembro fizemos Lisboa-Roma às 18h55, com mais um atraso de 1 hora. O planejamento foi Roma, Florença, Veneza, de volta a Florença e depois Roma. Nosso retorno foi 4 de janeiro de 2011. E o convite foi da colega e amiga de trabalho Elisandra e de seu marido italiano (de Florença) Massimiliano Barbieri. Até hoje nos beliscamos sem acreditar que tivemos essa oportunidade única na vida de passar as festas natalinas com uma família italiana. Foi fan-tás-ti-co, para dizer o mínimo. Eternamente agradecidos aos companheiros de aventuras Elis e Max.

O engraçado foi recordar a nossa chegada no aeroporto Fiumicino ou Leonardo da Vinci em Roma depois das 23h. Saímos do avião seguindo um senhor português, pois achávamos que ele sabia o caminho dentro do aeroporto enorme. Não é que nos perdemos do restante dos passageiros e ficamos dando voltas lá dentro? Ainda bem que nós três encontramos um guarda legal que nos indicou o caminho correto, retornamos por onde viemos e alcançamos a nossa esteira da bagagem. Ufa! Chegamos ao hotel pela 1h da madrugada exaustos, fomos de van com umas 6 pessoas e uns 40 minutos até o hotel por 15 euros à época.

A gente se hospedou no hotel Luciani, 2 estrelas (Via Milazzo, 8 – Marsala, com café da manhã) em Roma, via Booking.com. Infelizmente, por não ter elevador, subir as escadas com as malas não foi fácil. Gostamos muito, simples, pessoal simpático, com o dono presente, e perto da estação ferroviária Termini, ou seja, bem localizado com muitas opções de restaurantes nos arredores. Só não é aconselhável sair à noite, no máximo ir passear na estação de trem. Nós amamos fazer isso, há muito movimento e shopping center dentro. As lojas são um delírio.

De dia passeamos pela cidade. À época eu ainda tirava foto do carro Smart, porque não existia aqui no Brasil e sempre considerei um fofo.

Iniciemos Roma. Dia 20 de dezembro, começamos os passeios obrigatórios. Era inverno, logo escurecia cedo. Passeamos à tarde, a manhã foi para repor as energias. O Foro Romano e o Coliseu por fora. O almoço muito bom: pasta com salmão e vinho. Como se come bem, não há massa como a da Itália. Tivemos dificuldade com o nome das ruas e encontramos pelo caminho pessoas sem paciência e simpatia para nos dar informações. Sentimos a falta de uma maior sinalização para os turistas. Pena não falar italiano, o inglês nem sempre foi o suficiente no país. Percebi que os vendedores de lembrancinhas pra turistas do lado de fora das atrações realmente não gostam de dar informações, reclamam.

Dia 21 de dezembro: o Coliseu por dentro, a Bocca della Verità (a Boca da Verdade, aquela na qual colocamos a mão dentro, “sem medo porque estamos dizendo a verdade” e tiramos foto) na Basílica Santa Maria In Cosmedin, o parque da Vila Borghese, a Piazza del Papolo, a Piazza di Spagna, a Via del Corso (fabulosa para compras), a praça Vittorio Emanuele e as Termas de Caracalla (Via delle Termi di Caracalla, 52). As termas valem a pena, trata-se de um lugar com um bom astral e poucos turistas. Segundo a Wikipédia, também chamadas Termas Antoninas, era o segundo maior complexo de banhos públicos de Roma, provavelmente construídas entre 211/212 d. C. e 216/217 d. C., durante o reinado dos imperadores Sétimo Severo e Caracala. O local permaneceu em uso até 530 d. C., quando foi abandonado e se arruinou. O Coliseu ou Anfiteatro Flaviano é oval e situado no centro de Roma. A maior atração turística da cidade é localizada na Piazza del Colosseo, 1.

Dia 22 de dezembro: O Vaticano, a Basílica de São Pedro, o Museu do Vaticano com a sua magnífica Capela Sistina. Lá estão os afrescos do Juízo Final de Michelângelo. Eis um lugar que nunca esqueceremos. Só o Vaticano é um passeio de um dia todo. O jantar foi de sopa de verduras no Al Nuovo Fagionetto com vinho da casa especial (rua Via Filippo Turati, 21) para os lados da estação Termini.

Dia 23 de dezembro: passeio pela Fontana di Trevi, Templo de Adriano, Pantheon (Basílica Santa Maria Ad Martyres), e Piazza Navona, com uma feira de Natal encantadora. Ali almoçamos spaguetti a pomodoro e basil com vinho em um restaurante, nos deleitando com um cenário tão mundialmente conhecido. A esplendorosa Embaixada do Brasil fica nessa praça. A Wikipédia informa que o Panteão é tipo um templo romano e tem planta circular com um pórtico de grandes colunas coríntias de granito. Foi construído em 125 d. C. Tem sido utilizado como uma igreja, oficialmente Santa Maria dei Martiri, desde o séc. VII. Localiza-se à Piazza della Rotonda.

À tarde inventamos de conhecer o lugar onde os papas têm a sua residência de férias: o Castelo Gandolfo, escolhido pelo papa Urbano VIII, chefe da Igreja Católica de 1623 a 1644. Foi uma jornada diferente de meio dia. Pegamos o metrô até a estação final da linha A (laranja), depois descemos e fomos ao terminal do Cotral (ônibus) para o Castelo Gandolfo. Chegamos, conhecemos um pouco do local, não entramos no Palácio Pontifício, ou na Igreja de São Tomás de Villanova, ou no Antiquarium da Villa Barbieri. Planejamos mal, decididamente, era pouco tempo para conhecer uma das aldeias mais bonitas do país. A região do lago Albano é muito agradável.

Os italianos que trabalhavam perto da parada de ônibus nos ajudaram com informações, pois estávamos na parada errada. Ficamos lá “mofando” até que percebemos que estávamos no lugar equivocado, e já estava começando a escurecer. Consertamos o prumo e voltamos bem. O congestionamento foi intenso no retorno. Gostei de ter visto a região do vinho Frascati, a comuna de Frascati, a 25 km de Roma, na região do Lazio. Amo esse vinho branco, refrescante e de aroma floral.

Dia 24 de dezembro: partimos do hotel e pegamos o trem Freccia Rosa em direção a Florença na Estação Termini.

Continuaremos nossa jornada em breve…

Viaje Slow

VIAJE SLOW

Ana Carolina Tavares

Você já parou para pensar que cada lugar visitado é como uma página escrita no seu diário da vida?

Já parou para refletir que o seu ritmo influencia diretamente nas suas vivências e lembranças?

Se você optar por quantidade, ou seja, o maior número de cidades/países possíveis por viagem, pode ser que veja muita coisa sim, é uma forma de viajar que preza pela economia de tempo. A questão é que quando fazemos isso, corremos o risco de não SENTIR. As memórias afetivas dificilmente poderão ser descritas nas páginas do seu diário da vida. Mas, tenho uma boa notícia. Existe uma outra forma de viajar.

Essa maneira de flanar pelo mundo nos permite utilizar nossa presença por inteiro. Nos permite usar os nossos 5 sentidos. Nos faz, mesmo depois de muitos anos da viagem, recordar intensamente tudo aquilo que vivemos ali. Uma música que faz arrepiar, um cheiro que invade nossa memória, uma foto que nos deixa emocionados..

Viajar é estar presente no aqui-e-agora, é a porçãozinha mágica. Viajar fazendo coisas que têm a ver com a sua singularidade. Levar seus hobbies e sua subjetividade na mala. Sim, é permitido e você não pagará multa por excesso, eu garanto. Permitir-se não ser cópia de ninguém, indo para determinadas atrações que não te interessam, só porque todo mundo vai. Livre-se disso, você vai tirar um peso enorme das suas costas. Vou explicar: Se você ama salsa ou tango e não se interessa por ver todas as estátuas da cidade, sinta-se livre para fazer uma aula de dança na beira do Rio Sena (por exemplo). Será uma experiência única ser VOCÊ. É um verdadeiro ato revolucionário não fazer o que todos fazem se você não tem vontade.

Viaje slow, viva esse momento com a sua singularidade e ele será divertido, desestressante e inesquecível. 💓

P.S. A autora Ana Carolina Tavares é psicóloga, viajante e escritora. Colabora no meu blog com sua escrita leve e refrescante. A você, Carol, o meu agradecimento.

Psicóloga CRP11/ 08796

Instagram: autoamor_feminino

A Fortaleza da minha juventude

A Fortaleza da minha juventude

Estou cá relembrando os anos 1980/1990 em Fortaleza, Ceará novamente. Sou nostálgica mesmo, tudo mudou tanto. Algumas mudanças foram positivas e sobre essas escreverei em um futuro breve.

Vamos às recordações. Nossas manhãs no Círculo Militar (no bairro Meireles) para banho de piscina, e no caminho a pé de volta para casa, um grupo de vizinhos e eu parávamos em uma das casas imensas e aconchegantes da av. Dom Luís, e “roubávamos” pitangas da árvore. Que delícia. Ainda havia muitas casas e todas elas com árvores frutíferas, Fortaleza era verde, bucólica e tinha um clima mais agradável. Hoje é uma cidade vertical, a maioria das casas deu lugar a prédios e edifícios, infelizmente.

A turminha de amigos e irmão reunida na Volta da Jurema à noite, nome pela qual a avenida Beira Mar era conhecida. Eram domingos à noite bastante aguardados por nós. A gente (mulherada) conversava e caminhava tanto que me lembro dos amigos “gozando” da cara da gente, e contando quantas voltas a gente dava. Era uma festa.

Dia de sexta à noite era o encontro na Praça Portugal na Aldeota. Eu comprava comida das barraquinhas, revia os amigos, paquerava, conversava, era tudo tão saudável. A vida era para sempre e os amigos também. Tinha também a feirinha da pracinha do bairro de Fátima aos sábados à tardinha. Tudo tão legal. Aonde íamos tinha um amigo ou amiga para papear.

Quando inauguraram o shopping center Iguatemi, uma amiga, nossos irmãos caçulas e eu pegávamos o ônibus e íamos bem felizes comer bolo xadrez nos sábados à tarde. Saudades da Fortaleza da minha juventude, era tão segura. A gente andava muito pela cidade sem medo. Quando eu penso que entrávamos em um ônibus à noite, íamos para outro bairro, voltávamos e nunca nos sentíamos temerosas.

Eu só queria ser bronzeada, achava um charme ver a marca do biquíni. Muita praia e muito óleo Johnson com urucum, a vida era o mar aos domingos na Praia do Futuro pela manhã.

As amigas… tomar café com pão na casa de uma, sair para um cinema com outras, ou com irmãos; ir para a antiga Praia de Iracema como era, um point: o Cais Bar e a sua música MPB, alegria, o mural pintado dos artistas famosos na parede de fora; o restaurante italiano La Trattoria com aquela sangria e lasanha verde; as circuladas pelo calçadão; o mar ali ao lado. Que nostalgia. Viva as companheiras de noitadas maravilhosas.

Recordei-me agora: o Mirante! Como se chama mesmo? Ah, o morro Santa Terezinha no bairro Vicente Pinzón. O visual lá de cima esplendoroso, um mirador com um cenário do mar arrasador. Eu e todo mundo costumávamos levar os turistas para conhecer e jantar em um dos restaurantes localizados em lugar tão idílico. O do peixe na telha era conhecido. As amigas portuguesas do Porto ficaram encantadas. Quem não ia lá aproveitar o esplendor do mirante? Os momentos eram poéticos. E o bar Ponto de Luz, um charme na parte alta da cidade, perto da Praia do Futuro no bairro Dunas? Uau, quanta emoção. E a Ponte Metálica ou Ponte dos Ingleses? Um pôr-do-sol inesquecível visto do píer, com gente tocando música, passeando e se deliciando com o mar. As amigas de Porto Alegre-RS lembram muito bem.

Minha geração, com certeza, não esquece os bons momentos que vivemos. A cada geração, uma cidade diferente. Mas digo para vocês: fui muito feliz como jovem. Aqui deixo o meu abraço carinhoso a cada amiga e amigo daquela época. Tivemos uma juventude livre, leve e solta.

Para concluir, muitos locais mencionados já não existem mais ou ficaram abandonados, uma tristeza. Agora um pouco sobre a Fortaleza atual. Há lugares que gosto imensamente: o Mercado das Flores na praça Joaquim Távora na av. Pontes Vieira, alguns shopping centers, a nova Beira Mar, ótima para as caminhadas e para um banho de mar, dentre outros. Enfim, a cada época uma cidade singular.

Turismo do mundo do vinho e do azeite

Turismo do mundo do vinho e do azeite

Ricardo Dourado Furtado

Em um planeta cada vez mais urbanizado, hoje mais de 90% da população europeia e norte-americana habita em cidades, e o Brasil caminha a passos largos no mesmo processo, criando assim uma busca pelas pessoas acostumadas ao ecossistema formado por prédios, cimento, vidros, ar contaminado, carros, asfalto, monóxido de carbono etc. por paisagens e ambientes que vão do rural ao selvagem.

No caso do turismo rural, alguns “produtos” já estão consolidados há muitos anos, como no caso da região de Champanhe, na França ou do Vale do Napa, nos EUA, que são destinos rurais procurados e muito concorridos.

No Brasil, o Vale dos Vinhedos cujos vinhos ganharam o reconhecimento de Indicação Geográfica tipo Indicação de Procedência, já está com uma estrutura hoteleira, gastronômica e de atrativos de passeios impressionantes.

Mas algumas regiões especializadas vêm atraindo apaixonados por alimentos cuja região produtora tem naturalmente um atrativo na paisagem e na cultura. O cultivo de oliveiras teve sua origem na Ásia Menor. Os fenícios, gregos e, finalmente, os romanos trataram de expandir seu cultivo por todo o Mediterrâneo, sendo a atual Andaluzia (antiga Bética) a maior região produtora.

Viajar pelo coração interior da Andaluzia, por cidades até então desconhecidas pelos brasileiros, como Jaén, Úbeda, Balén, Mancha Real etc., são um deleite paisagístico. Um mar de oliveiras se confunde com o céu extremamente azul e límpido, e o cheiro do ar é levemente aromatizado pelas indústrias extratoras (Almazaras) de azeite.

Vou reconhecer que minha alma está na Andaluzia, mas meu coração está nos olivais de Trás-os-Montes em Portugal. Para quem quiser ir de carro, saia da cidade do Porto, acesse a rodovia A4, garanto que terá uma viagem, a mais inesquecível de sua vida. Essa rodovia foi construída exatamente para tirar do isolamento geográfico as populações habitantes: os transmontanos. Antes da construção da rodovia, levava-se até 8 horas para chegar a Bragança, hoje leva-se 1 hora e 30 minutos por uma série de túneis e pontes sobre os afluentes do rio Douro, encurtaram a distância e o tempo de viagem.

Tenha cuidado ao sair dos túneis, pois eles furaram as altas montanhas e o vento é tão forte que existem birutas (aqueles instrumentos que estão nos aeroportos para indicar a velocidade e a direção do vento) na saída dos túneis, para indicar aos motoristas que transitem com cuidado. Somado a isso, as pontes sobre os afluentes do Douro formam um dos patrimônios paisagísticos mais deslumbrantes do planeta.

Ao chegar à Trás-os-Montes, obviamente o destino é Bragança, a maior cidade da região e grande centro cultural e educacional. O Instituto Politécnico de Bragança é um dos mais respeitados centros de ciência e educação de toda a Europa, mas não deixe de aportar em cidades como Mirandela, Macedo dos Cavalheiros, Valpaços, Vila Flor, enfim locais espetaculares e até o momento, pouco visitados pelos brasileiros.

Em Mirandela, em especial, na localidade de Sucções, estão os produtores de um dos melhores azeites de oliva do mundo, traz todo o “terroir” transmontano ímpar de oliveiras centenárias e variedades como verdeal, madural, cobrançosa, redondal, enfim um azeite realmente divino. Os irmãos Pavão, Francisco e Antônio são magos em um mundo onde a tecnologia moderna é fundamental para produzir azeite, eles ainda moem suas azeitonas em um moinho de pedra de granito, é um mistério como fazem este azeite.

Eles fazem do azeite Casa Santo Amaro um produto raro feito com esmero e cuidado que leva dentro de cada garrafa de azeite conhecimentos ancestrais dominados somente por eles.  Ao participar da colheita e do processo de produção do Casa Santo Amaro em Sucções, há uma atmosfera celta onde Francisco, Antônio e sua família são modernos druidas em um mundo poluído por tecnologias digitais.

Ricardo Dourado Furtado é auditor fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura em Porto Alegre-RS. É engenheiro agrônomo pela UFC (Universidade Federal do Ceará) e economista pela UNIFOR (Universidade de Fortaleza). Tem mestrado em Ecologia pelo Instituto de Biociências da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e doutorado em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS. Nasceu em Alegrete-RS e é meu irmão.

Rumo ao Pontal de Maceió 3

Rumo ao Pontal de Maceió 3

Hoje é dia 18 de janeiro de 2021 e continuamos aproveitando a permanência no Pontal de Maceió, distrito de Fortim no Ceará.

MANHÃ

Vamos passear de buggy hoje, são duas horas de diversão e belezas naturais. O bugueiro se chama Rogério e nos cobrou R$180,00. Aconselho, vale a pena. Dica da Luzinete da nossa pousada Jangadas do Pontal.

Iniciamos a jornada. Passamos pelo viveiro de camarões, pelo mangue que está sendo morto pelas dunas (nunca imaginei isso!) e pela floresta de mandacaru. Vimos o rio Pirangi e sua foz, onde se encontra com o mar. Ali senti a poesia e a paz do belo cenário. Cruzamos a praia do Farol na qual se localiza o farol vermelho, existente desde a época de Dom Pedro II e cuidado pela Marinha do Brasil.

O rio Jaguaribe (significado do nome Jaguaribe: “rio das onças”) já foi muito importante no passado para o transporte de charque, sal e cera de carnaúba, além de pessoas. Estávamos na Barra, na foz do rio. Como era segunda-feira, as barracas de praia não funcionavam.

Fomos novamente ao Mirante do Pontal de Maceió, aliás, Maceió é o riacho que passa ao lado do hotel Vila Selvagem. Lá bem perto do mirante, descemos por rochas (tem que possuir bons joelhos!) e chegamos a uma gruta para um banho “jacuzzi privê”, muito chique. O detalhe é que é natural, de água do mar. Fantástico! Amamos! Queria ficar lá. De lá voltamos à pousada, pensem que o passeio foi excitante demais.

ALMOÇO

Por merecimento, decidimos passar bem e se dirigir à Vila Selvagem. O hotel é fabuloso, ecológico, tropical e bonito. O visual que temos do restaurante é de extasiar. Nada como o nosso oceano Atlântico. O restaurante é aberto ao público, todo na madeira com almofadas verdes. De frente para o mar, nos dá vontade de se hospedar no local. Como era segunda, não houve problema de encontrar lugar, pois final de semana só com reserva.

Eu escolhi frango ao molho roquefort com ervas e legumes salteados, e o Carlos preferiu peixe com castanhas e tomates cerejas, ervas finas e legumes salteados. Delícia dos deuses.

Após a boa descansada da sesta, fomos embora com saudades.

Em suma, o Pontal de Maceió requer muitos retornos de tão bom e surpreendente que é.

Rumo ao Pontal de Maceió 2

Rumo ao Pontal de Maceió 2

Hoje é domingo, dia 17 de janeiro de 2021. Estamos na pousada Jangadas do Pontal, bem instalados.

MANHÃ

O café da manhã foi substancioso: frutas, bolo caseiro de limão, tapioca, queijo, presunto, ovos mexidos, pães, sucos, café etc. Os proprietários da pousada Luzinete e Talvane resolvem tudo. O tratamento é de primeira.

A praia das Agulhas é longe do centrinho de Pontal, precisa-se de carro para chegar lá. Como a nossa pousada se localiza na praia, vamos a pé. O banho é uma delícia, o mar forma piscininhas naturais na maré baixa, amo! Maravilha. Voltamos para a pousada por cima da duna e à esquerda as rochas em formato de agulhas formadas pela maré chamam a atenção. O visual é deslumbrante. Vemos várias pessoas pescando. Diz o Talvane que ganhou um peixe robalo considerável um dia desses de um amigo que o fisgou ali.

Pelo caminho para a praia encontramos a árvore da frutinha murici, também presente na região de dunas de Paracuru.

A tranquilidade e a sinfonia do mar tomam conta da manhã. Na areia da praia existem barracas de madeira para proteger os banhistas do sol. As pessoas podem levar suas redinhas, comidas, e passar o dia se refestelando lá. Nunca vi isso em nenhuma outra praia. Só um detalhe: sr. Prefeito, limpe as dunas do local, por favor.

TARDE

A aridez do lugar lembra muito a da praia Icaraizinho de Amontada. Nosso litoral é seco. Estamos a aproximadamente 36 km de Canoa Quebrada.

Decidimos almoçar em uma barraca diferente do dia anterior: Barraca Maresia com mesas dentro e fora na areia. Pedimos moqueca de camarão para duas pessoas, com arroz branco, salada e farofa por R$43,90. A barraca é espaçosa, o que gostei. Nossa garçonete Lilia foi um doce. Levamos um espumante e o degustamos com gosto. Gostam dos picolés Quick de Floriano no Piauí.

Ali perto está a pousada, dica dos compadres Simone e Maurinício: Brisas do Pontal. Passeamos novamente pelo local após o almoço.

As lixeiras do Pontal de Maceió têm casinhas de madeira nas casas e hotéis. Considero algo bem pensado e ecológico, sendo que a padronização prova uma organização dos moradores. 

Depois do descanso pós-almoço, combinamos de conhecer o Mirante de carro para ver o pôr do sol. O prefeito atual Nacelmo Ferreira construiu o mirante com o portal. O lugar é impressionante com as rochas esculpidas pelo mar e há fendas nas falésias onde estávamos. Nunca vi nada igual no Ceará. O Pontal de Maceió é mesmo único. Vimos avisos do uso obrigatório de máscaras de proteção contra a COVID e não à aglomeração. Lá estavam grupos grandes de gente com bebidas nas mãos e som alto. Sinceramente, não combina. Sábado teria mais gente, logo viemos no domingo. Não vi ninguém da prefeitura fiscalizando. Triste dizer que as pessoas não seguem os avisos, infelizmente. Passamos pouco tempo, tiramos fotos e fugimos do povo. Muito belo o Mirante do Pontal de Maceió. Ali se localiza a praia do Moaci. A praia dos Correntes se situa ao lado.

As casas continuam com seus nomes: Casa do Cacto, Vila Alesia, Vila Loira, Casa João. Muito original.

Passeamos até o centrinho e adentramos o distrito de Pontal. Maior do que eu imaginava é local onde moram os nativos, sendo a predominância de pescadores. Vivem direitinho, com qualidade de vida. Há ginásio coberto, pracinha com objetos para exercícios, a Escola Municipal Emília Queiroz, tudo bem apresentado.

Rumamos ao distrito Barra e entramos por um portal. Lugar também mimoso. Estamos na avenida principal com mercadinhos, lanchonetes, pizzarias, casas coloridas, colégio, tudo arrumado. O ginásio de cor verde e coberto merece os parabéns. A jangada é o símbolo de Pontal de Maceió e da Barra. As ruas são longas, o mar está à direita com casas fenomenais e pousadas. Lá está o Fortim Náutica Marina Club com barcos enormes, é um ancoradouro de barcos.

Na Barra encontramos o rio Jaguaribe. O mar aberto é mais adiante. Tem um píer, ruas de areia. Aqui é o encontro do oceano com o rio. De um lado está a cidade de Aracati e do outro lado, Fortim. À beira rio as casas são charmosas, é um lugar atraente.

Fomos tirar fotos da beira rio com areia do mar, há barracas de praia com muita gente. Vimos o barco do passeio que sai de lá da marina, esse passeio fica para outra ocasião, desta vez não deu tempo. No horizonte, compondo a paisagem existem as hélices brancas de energia eólica. Partindo da Barra, voltamos ao Pontal.

NOITE

Na pracinha se situa o restaurante Mandacaru do chef Gabriel e da Luciana. Havíamos reservado no dia anterior, logo foi tranquilo, fomos os primeiros a chegar. O peixe Pontal de Maceió, levemente grelhado, ao molho agridoce de limão com ervas finas é um achado por R$ 66,00. Tivemos uma noite prazerosa, com comida boa e papo amigável com o Gabriel.

Este Pontal é digno de nota, até os recicladores de material reciclável tem uma carroça decente e ajeitada. Outro mundo mesmo.

Do restaurante nos dirigimos à sorveteria a quilo dentro da pizzaria Vila Caiçara. O mousse de maracujá com creme de leite Ninho valeu.

Antes de voltar à pousada, mais uma voltinha a pé no centro gracioso. É muito bom ressaltar a existência de uma geladeira toda repleta de cores a oferecer livros de graça. Também descobrimos a pousada promissora Pontal das Estrelas, uma lindeza por dentro e por fora. O atendente Paulo Sérgio se portou atenciosamente e nos mostrou o museu de objetos antigos e da história de Fortim. Indico.

Continuaremos em breve…

Rumo ao Pontal de Maceió 1

Rumo ao Pontal de Maceió 1

Hoje é sábado de manhã, dia 16 de janeiro de 2021. A dica deste final de semana foi dos compadres Simone e Maurinício. Pegamos a CE-040, em direção ao litoral leste, estamos na Rodovia Sol Nascente. 140 km depois (2h e 20 min de viagem) no município de Fortim, entramos em um portal e adentramos a cidade. Estamos na avenida Joaquim Crisóstomo, com bloquete de cimento colorido, tão mimoso. Vimos o Boulevard Shopping, Banco do Brasil, casas residenciais, cemitério etc.

A avenida é longa. Chega-se a uma pracinha com rotatória com a igreja ao fundo. Todas as cidades do interior do Ceará são bem cuidadas e limpas. No caminho para o Pontal de Maceió,  sítios e muito verde. À direita encontra-se o distrito Pontal da Barra e seguindo reto vamos para o distrito de Pontal de Maceió. Há pousadas promissores pelo caminho.

O portal de madeira está na entrada e nos encantamos com a pracinha e a igrejinha verde, tão fofa. Tudo colorido e leve no centrinho, o distrito tão limpo. Que paraíso, original. Fazemos reconhecimento de área. As casas têm nomes, não números: Casa do Cacto, Paralelo, Quatro, Casa Génepi, dentre outros. Nas esquinas há placas indicativas das casas e pousadas. Muitos estrangeiros constroem casas lá, sobretudo, os franceses. As placas de Pare/Stop estão nas esquinas. As pousadas são espalhadas, são várias as estradas de terra. A vegetação nativa é o mandacaru, símbolo de terra clara e seca. Encontramos nossa pousada Jangadas do Pontal na marra. Pagamos duas diárias (R$460,00) pelo Booking.com. A Luzinete e o Talvane Pereira nos recebem bem. O local é mais afastado e se localiza perto da praia da Agulha.

Segundo a Luzinete, o prefeito Naselmo de Sousa Ferreira, de Fortim, agrada o povo da praia, faz maravilhas. Foi reeleito sem gastar um tostão e a população se posicionou em frente da casa dele pedindo que continuasse. Ele é muito popular, senta na pracinha. Fez as melhorias na cidade e construiu postos de saúde.

Era hora do almoço e fomos à Barraca Canto Verde do Dedé, indicado pela Luzinete. Lugar tranquilo, sem barulho. Parece a Canoa Quebrada dos anos 90. Pedimos peixe grelhado (cioba), com baião e farofa e água de coco por R$ 51,00 para dois. O ambiente bem movimentado e aberto à beira-mar. Comida boa e simples. 

Tarde

Depois do cochilo da tarde, saímos a pé pela praia seguindo pela pousada da francesa ali perto. Estamos na região de pescadores, eles à vontade escutando a sua música de forró em galpões tipo palhoça. Nas pedras na praia, subimos em uma pequena duna e seguimos por cima dela. O passeio é arrebatador ao vermos as rochas “agulhas”, por isso o nome da praia. São agulhas esculpidas pelo mar em diferentes formatos.

Depois descemos na praia e seguimos por casas, pousadas e jangadas. O lugar é espetacular, pura natureza. Entramos no hotel contemporâneo Vila Selvagem para conhecer e “babar”. Faz parte da classificação Roteiros de Charme.  São hotéis originais acoplados ao entorno praiano.

Noite

Fomos por indicação dos compadres, a sugestão é a pizzaria Vila Caiçara no centrinho. Boa música MPB, bem movimentado com o cuidado da pandemia, pedimos a velha marguerita com coca. A pizza fina prometeu. É um point ao sábado à noite. Após nos deliciarmos, voltamos à pracinha. Conhecemos o quiosque da esfirra ali perto que oferece pizza também.   O centro é muito charmoso, colorido, alegre. Os cantinhos são transados. A proposta da Arte e Madeira/Nova Onda com sua tábua de comida árabe e drinques é original. Senta-se em sofás. Existe o Boteco do Joabe (hamburgueria e restaurante); o Casarão da Praça (lanches e petiscos), uma casa antiga e linda; o restaurante Mandacaru (decorado de forma rústica com mandacarus), sempre lotado; as Delícias da Bel (hambúrgueres, petiscos, feijão verde, cachorro quente) etc.

Tenho que reportar que o restaurante Mandacaru pertence ao casal Gabriel (PE) e Luciana (SP). Conhecemos o chef Gabriel em Icaraí de Amontada quando almoçávamos o peixe ao limão enrolado em uma folha de alumínio, inesquecível, no seu restaurante Hibisco. Continua lá.

Mais Pontal em breve.