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Diários da COVID

Diários da COVID

Escrever é terapêutico, cura. Enquanto me deleito com a escrita, ainda estou com sequelas pós-COVID, no meu 26° dia. Ainda tenho suores noturnos, problemas gástricos (meu tio médico Gildo disse para tomar Motilium, já que Luftal não resolve), baixa concentração e dificuldade para respirar (menos de 25 % do pulmão foi comprometido, aí o Decadron corticoide), e insônia desde o primeiro dia.

Vamos lá. A saga começa dia 3 de fevereiro de 2021, quando me sinto mole e a temperatura vai de 33.4° C a 38° C no mesmo dia, estava almoçando com meus pais. Vou para o meu apartamento com embrulho no estômago, um pouco de sinusite e tosse. Desconfiava já da COVID.

No dia seguinte, falo com meu cardiologista dr. William e ele me manda ir lá na clínica. Chego de máscara e face shield (obrigada, cunhada Cláudia), ele me consultou e mandou fazer os primeiros exames de sangue e o PCR para checar se era COVID mesmo, na clínica da UNIMED da av. Barão de Studart aqui em Fortaleza. O resultado saiu no dia 7 de fevereiro e deu positivo com taxas de sangue alteradas. Detalhe: saí do dr. William com o protocolo usado por muitos médicos daqui de Fortaleza: 2 dias de Invermectina (para vermes) e 5 dias de Azitromicina (antibiótico). Estava na Fase 1.

Os dias passam e a lista de padecimentos é enorme. O vírus é inteligente, ataca seus pontos fracos: sinusite, tosse pouca, doem os pés (fascite plantar), dores musculares, diarreia, suores noturnos, insônia, as cicatrizes das cirurgias das mamas (por conta do câncer de mama superado em 2019), e o ataque assassino de gases sempre de noite (os tais problemas gástricos) etc.

No 9° dia (10/02/2021), o dr. William ligou, disse que eu estava entrando na Fase 2, a da inflamação, e sugeriu que fosse fazer uma tomografia no hospital. Resolvi ir ao São Mateus, uma vez que o meu namorido Carlos estava internado com COVID e a filha dele Denise poderia me dar uma assistência no local. Saí de lá com uma fome danada e sem a tomografia, a máquina quebrara. Uma frustração. A Denise me salvou com a comida dela, fui comendo ao me dirigir para casa.

Às 15h decidi ir ao hospital da UNIMED sozinha, afinal é uma doença solitária. Saí de lá às 20h, exausta com o protocolo. Passei pelas enfermeiras para checagem de temperatura e saturação do oxigênio, estava bem. O hospital lotado com duas emergências separadas, eu estava logicamente na da COVID. A médica excelente dra. Alzira Falcão me encaminhou para mais exames de sangue e tomografia (finalmente!). Deu menos de 25 % infectado, um alívio! Então, ainda estava com forças, havia levado uma bolsa com coisinhas minhas, caso precisasse me internar. Fui comer ali no café, mas sem fome. A COVID tira a nossa fome e diminui o gosto da comida.

Graças a Deus, voltei para o meu lar, meu refúgio. Só. A médica passou Zinco, Pantoprazol para proteger o estômago e corticoide Decadron. A fadiga típica do corona iniciou-se no dia 9/2, no oitavo dia, bem difícil. A gente depaupera, perde a energia vital e quilos. Aí começa a respiração mais difícil.

Nesse meio tempo, o Carlos estava na minha frente uns cinco dias, também com COVID. Baixou hospital duas vezes, a primeira por problemas gástricos, na segunda vez ficou no São Mateus, aliás, muito bem assistido, felizmente. Foram nove dias de oxigênio intermitente, quase desmaios e muita fraqueza, teve 80% do pulmão comprometido, nos preocupamos muito.  Para mim, foi um estresse extra. Hoje está em casa, bem cuidado pela filha Denise, são vizinhos de andar. Como se diz, se recuperando lentamente. O quadro dele foi o mais grave dentre os nossos. Afetou o sistema nervoso central. Isso ocorre, mexe com o humor e causa irritabilidade, dentre outros sintomas.

Aí vieram meus pais, a saga continua… Pegou meu pai (87 anos) e minha mãe (84 anos), impossível isso não acontecer, já que moram sós.  Independentes e autônomos, coloquei com o aval dos meus irmãos (moram fora) técnicas de enfermagem para ficar com eles dia e noite. Um time fabuloso do hospital São Mateus. Muito obrigada, Ana Lúcia, Marta, Denise, Aparecida, Silvandira, sem vocês não teríamos sobrevivido bem. Foram hospitais, exames e muita perda de sono (que já era pouca), mas vamos vencendo. Hoje estão bem, se alimentando e se recuperando.

Grata eternamente ao tio Gildo, médico e irmão do meu pai, que sempre esteve presente diuturnamente e nos confortou com sua maneira calma de ser nos momentos de desespero. Gildo, você nos carregou no colo. À prima Flávia, também médica e filha do Gildo, que levou meu pai para fazer tomografia pela primeira vez no hospital da UNIMED; ao irmão Rogério de SP que veio dar um suporte fundamental; à Lindiane cunhada pelos aconselhamentos médicos; aos pais da Lindi que entraram na corrente do bem; ao amigo irmão Sérgio que trouxe minha mãe e a técnica de enfermagem Denise do hospital às 23h para casa, quando os dois foram fazer exames e meu pai a tomografia pela segunda vez, com o Rogério ficando lá com nosso pai; à amiga Lilian (esposa do Sérgio) que foi checar meus pais e ainda deu de presente um nebulizador novinho em folha, e levou minha mãe para ser vacinada (já deveria estar doente, mas valeu a dose no drive do Iguatemi);, ao irmão Ricardo e cunhada Cláudia pelos telefonemas diários e constantes do RS, enfim tantos a agradecer. Para quem não pegou COVID, ter contato com alguém que tem, é coragem demais.

Foram tantos os telefonemas para eles, as orações, as manifestações dos vizinhos e amigos dos meus pais. Agradecida às comidas, sopas, bolos, pudins, bananas passas que chegaram dos anjos: Rita, Araruna, tios Mauro e Heloísa, tios Celso e Leda, Ivana na sua ajuda diária, Cynthia Moreno, prima Maria Angélica, queridas Denise e Beatriz, a vocês, muito grata.

Quanto a mim, tudo isso acontecendo e eu presa em casa sem poder fazer nada. Dei conta da logística familiar pelo zap e telefone, pelo menos isso. 

Se não fossem as minhas amigas/irmãs-anjos, amigos/irmãos, não teria vivido, já que as forças se vão e não temos energia nem para descer as escadas. Sozinha em casa, me senti amparada e amada. Obrigada à Claudiana, Solange, Karuza, Rita/Araruna, Drica, Andréia, prima Leyla, Cynthia Moreno, Eveline, Simone comadre, Denise, Roberta, Adalgisa comadre, prima Vera, irmão Rogério, primos Andrezza e Bruno, que gentilmente e generosamente me trouxeram tanto: compras, farmácia, canjicas, bolos e doces (calorias, por favor), nebulizador. O chef Thiego cozinhando especialmente para mim foi de uma consideração incrível. Os vídeos da minha fisioterapeuta Ingrid me ajudam com a respiração mais curta. A vocês essenciais, o meu muito obrigada. Todos os dias faço exercícios pulmonares, tomo solzinho e nebulizações.

Tantas orações, rezas, reiki, zaps, vídeos, áudios, muito confortam. E vamos vencendo, todo dia uma vitória, lenta, mas real.

No idoso e na gente também, esse corona afeta a concentração, dá confusão mental e problemas de memória. No momento, minha mãe está em plena COVID e meu pai em processo de cura, só Deus para agradecer muito.

Importante mencionar certos fatos. O dr. Galvão, otorrino cirurgião do Carlos, fechou seu consultório particular a fim de se dedicar aos pacientes da COVID no hospital.  Eis uma missão de vida.

Este artigo, escrito no calor do momento, tem o intuito de se expressar e curar. Escrevo sobre o que vivo. E para dizer que só quem tem COVID sabe o que é a fadiga causada que tira a nossa energia vital. Mas vamos progredindo.

Em tributo aos profissionais da saúde, exaustos com a síndrome de burnout, porém nunca desistentes do seu papel de salvar vidas, o meu respeito. Aqui homenageio minha afilhada Regiane, enfermeira digna de nota, que está na linha de frente desde o início da pandemia. 

Em homenagem às pessoas amigas, doces, cativantes, charmosas e felizes que nos deixaram recentemente. Ficam registrados em nossos corações saudosos a Judite, a Celeste, o Flávio, a Ivone e o Adriano. Foram muitos outros desde o ano passado. Ficam famílias enlutadas, sofrendo. Nosso abraço solidário de carinho a vocês.

E pela vacina de forma rápida e geral. Se todos já estivessem vacinados, a história seria diferente. Sou do time de todas as vacinas. O Carlos e eu tomamos a do herpes zoster e a da meningite recentemente.

E para concluir, seguimos nestes tempos desafiadores com o nosso grande aprendizado de sofrimento familiar e coletivo. Venceremos e teremos “força na peruca” (amo esse termo!).

A escola pública dos anos 60/70

A escola pública de outrora

Este artigo foi fruto de uma entrevista realizada com Carlos Rodrigues Alencar Lima, diretor de escola pública e educador por 33 anos, também ex-aluno de escola pública nos anos 60/70, assim como eu. Nossas lembranças são valorosas, muitas das recordações dele são também minhas.

O Carlos estudava com o filho da lavadeira, do desembargador, do delegado, do funcionário público e aí por diante. Foi aluno da Escola Pública Joaquim Albano e do Colégio Estadual Liceu do Ceará, com muita honra.

Havia disciplina e ordem e a escola era organizada. Se faltasse uma lâmpada, os alunos se cotizavam para comprar. Os livros e a farda eram pagos pelas famílias. Pagava-se uma taxa para a manutenção da escola, quem não tinha condições, não pagava. O diretor geralmente bancava muita coisa do seu dinheiro.

Existia biblioteca com livros bons. O livro didático, com capa dura, não era trocado todo ano. Se comprava o livro e depois de usado, se trocava com o colega ou se vendia para o sebo ou até mesmo se trocava na rua Floriano Peixoto no centro de Fortaleza.

A disciplina era rígida e se exigia muito do aluno. O uniforme era calça cáqui, camisa branca com o emblema da escola (era comprado), sapato preto e meias da mesma cor. Os alunos se reuniam pela manhã a fim de cantar o hino nacional uma vez por semana, com o acompanhamento de uma vitrola, depois o diretor falava umas palavras para os alunos “no gogó”.

É válido ressaltar que para passar do primário ao ginásio, havia um exame a fazer: o exame de admissão, teste para todos os alunos, de todas as matérias. Requeria muito estudo.

Havia muita cooperação entre os colegas nos estudos, era comum estudarem juntos nas suas casas. Estudavam também na escola com a aquiescência do diretor. Ele ainda dizia: “Fiquem com a chave do portão e da sala de aula, mas não me decepcionem”. A chave era entregue de volta ao porteiro ou vigilante.

O diretor era um senhor austero e muito humano ao mesmo tempo. Dava dinheiro para a passagem de ônibus quando o aluno não tinha dinheiro para vir para a escola. Eis o exemplar professor Sebastião Praciano, capitão reformado do Exército, excelente docente de matemática, hábil na didática e na arte da paciência. Professor que se preocupava muito com a educação. Interessante mencionar que depois de ser diretor da Escola Joaquim Albano, foi diretor do Liceu do Ceará.

Existem momentos válidos de ressaltar. Houve uma reunião no Liceu do Ceará por motivo de dissídio coletivo em 1983, estava presente uma comissão de diretores de escolas municipais e estaduais com representantes do governo estadual e municipal. Os diretores estavam lá como mediadores entre o governo e o sindicato APEOC (Associação dos Professores do Estado do Ceará). Aí o diretor decano Sebastião Praciano disse que tinha a felicidade de estar sentado à mesa junto com um ex-aluno e diretor de escola pública: o Carlos Alencar. Acrescentou que se sentia honrado de fazer parte do grupo de negociação. Foi um momento de júbilo para o Carlos.

Só rememorando que até o final dos anos 1960, os professores de escola pública tinham salários equiparados aos dos professores universitários. Os professores do ginásio (hoje ensino fundamental) trabalhavam também em outras instituições como Banco do Nordeste, Tribunal de Justiça (um desembargador que era o presidente do Tribunal), UECE (Universidade Estadual do Ceará), Colégio Militar etc.

No início dos anos 1970, ainda havia banca examinadora para a cátedra do “professor Tal” ou para a cadeira de latim, língua portuguesa, dentre outras. Em relação ao aluno, podia ser aprovado ou reprovado. Existia a “segunda época” (prova escrita), realizada quinze dias antes de começar o ano letivo do ano seguinte, de modo a dar chance ao discente de ainda passar de ano. Se não se dedicasse aos estudos, não passaria.

No ginasial, o Carlos estudou canto orfeônico (partituras musicais, um pouco de música clássica, regional e popular). Para se ter ideia, a cátedra era de Elza Barreto, soprano e professora do Conservatório Alberto Nepomuceno. Outra disciplina era desenho (escola greco-romana e sua arquitetura, estilo barroco, gótico etc) e moral e cívica (direitos e deveres do cidadão). Digno de nota citar as visitas estudantis ocorridas à época ao Palácio da Abolição (do governo do estado), à Assembleia Legislativa, onde os alunos tinham um encontro guiado por um deputado estadual ou assistiam a um debate, dentre outros lugares oficiais. As línguas estrangeiras eram o inglês e o francês com bons professores. Na cadeira de português, os alunos faziam fichamento de livros e sínteses.

No antigo científico (hoje ensino médio), os discentes estudavam OSPB (Organização Social Política Brasileira), uma radiografia do Brasil em termos de regiões, cultura e política (sem ser partidária).

A escola pública funcionava, havia respeito entre professores, colegas e alunos. Toda classe tinha um líder e o bedel (fiscal) ficava no corredor para ajudar em alguma necessidade por parte dos alunos. Havia disciplina e hierarquia. Eu mesma fui eleita “na surpresa” líder de turma aos 12 anos de idade. Recordo dos encontros com a diretora “dona Dora” e do sentimento de importância da função.

Para tristeza profunda do Carlos, a derrocada da escola pública começou a partir dos anos 70, com a reforma do ensino como era para o ensino profissionalizante obrigatório, lei n° 5692/71, quando o número de escolas aumentou e começou a faltar professores.

A História comprova o seu pensamento. Segundo o site https://jornalempresasenegocios.com.br, essa lei mudou a organização do ensino no Brasil. Implicava abandonar o ensino verbalístico e academizante para partir para um sistema educativo de 1° e 2° graus voltado às necessidades do desenvolvimento, dito pelo ministro da Educação Jarbas Passarinho à época do governo do presidente Médici. Interessante acrescentar que em outubro de 1982, o presidente João Baptista Figueiredo sancionou a lei n° 7.044, na qual extinguiu o caráter obrigatório da profissionalização. De acordo com a profa. Emérita da UFMG, Magda Soares, foi um sonho que não se realizou. O prof. Demerval Saviani dizia que a suposição da demanda de técnicos que justificaria uma reforma dessa amplitude não tinha base na realidade e não se demonstrou efetivamente. Os próprios empresários tendiam a preferir que a escola garantisse a formação geral, explica o professor. O erro maior foi a concepção da reforma sobre o papel da escola, conforme pensava Saviani.

Registro aqui com emoção o colégio onde estudei dos 6 aos 12 anos de idade em Porto Alegre – RS: Grupo Escolar Rio Branco, localizado à av. Protásio Alves. Lembro com muito carinho do tempo passado lá, minha infância foi inesquecível. Aliás, tenho amigas queridas desde aquele tempo. Saudações às amigas Carla e Denise, especialmente, e Milene, Dotti, Eliana, dentre tantos outros e outras colegas que marcaram a minha vida.

Em conclusão, nós que estudamos na escola pública do passado, somos hoje cidadãos conscientes. Saudades de uma escola que garantia um bom aprendizado ao aluno.

Dedico este artigo à minha mãe Sirley, ex-professora alfabetizadora e diretora de escola pública, a quem me inspirou na arte da educação e cultura.

Vinho de Talha – Alentejo – Portugal

Vinho de Talha – Alentejo – Portugal

Ricardo Dourado Furtado

No Alentejo, para quem vai de Beja para Alvito passa por Vidigueira. No primeiro trecho (Beja – Vidigueira), viaje pela rodovia N18, no segundo (Vidigueira – Beja) escolha a N258, que é uma estrada do interior e terá a oportunidade de passar por diversas vilas tradicionais alentejanas.

Quando passar pela Vila dos Frades, que está a 3 (três) quilômetros do centro de Vidigueira, sugiro que desacelere o carro, estacione e busque um hotel ou pousada para se  hospedar. Terá a oportunidade de ter uma experiência enogastronômica marcante, considerada por mim como inesquecível, para não usar o superlativo – memorável.

Após estar devidamente hospedado na Vila dos Frades, sugiro ir direto para o endereço: rua General Humberto Delgado, 19. Nele está localizado o restaurante/tasca/bar/adega, bem, chame como quiser, mas o nome comercial é Adega Nacional – País das Uvas que eu apelidei de Casa das Almas Felizes, e prepare-se calmamente para um almoço longo e tranquilo.

Encontrará, além do aroma da deliciosa cozinha portuguesa, um local cheio de imensos potes de barro. Fiquei intrigado, pois pensei que seria de azeite, mas logo que me sentei, os sentidos me disseram que estavam era cheio de vinho. Algo novo para mim, um pouco intrigante, um vinho chamado: “Vinho de Talha”. Não preciso dizer que o almoço se alongou por todo a tarde e a quantidade de vinho ingerida me obrigou a dirigir somente no dia seguinte. Por isso, é importante se hospedar no local.

Mas, afinal o que Vinho de Talha? Aliás, primeiro, o que é talha? Talha é uma grande ânfora de barro, cujo nome vem do latim “tinalia”, ou seja, vaso de grandes dimensões, que em geral, deve ter um pequeno orifício na parte inferior para que o vinho seja retirado.

Foto: Talha, Ânfora especial para produção de vinho.

Sua origem remonta à colonização romana ocorrida há 2000 anos que introduziram no Alentejo a vinha e o processo de produção do vinho em grandes ânforas. Portanto, o “Vinho de Talha” é produzido em Portugal desde que o Império Romano ocupou a Península Ibérica, sendo, portanto, um produto ancestral.

Como é um vinho produzido de forma tradicional e artesanal, consequentemente, sua produtividade é baixa, e com o estabelecimento de grandes empresas vinícolas a partir de metade do séc. XX no Alentejo, sua produção foi definhando, ficando quase que restrita à produção caseira ou com pequenos produtores, que ficaram responsáveis pela deposição e manutenção desta tradição enológica.

Não existe uma receita única da produção de Vinho de Talha, é quase que receita familiar, cada casa tem a sua. Mesmo as talhas, dependendo da localidade, têm formas e volumes diferenciados, não existe uma padronização, mas em geral tem um volume de 2000 litros. Isso faz com que cada produtor tenha sua própria receita que é transmitida pela experiência e pelo trabalho árduo nos campos de vinhas, para as gerações seguintes, tecnologia única, que reflete diretamente no seu “terroir” aromas e sabores únicos, aliás bem diferentes dos nossos vinhos industrializados.

Em 1876, o agrônomo Antônio Augusto de Aguiar descreveu a maneira de fazer o “Vinho de Talha”, tradicional vinho português, típico do sul de Portugal, especialmente nas regiões do entorno do Tejo.

O processo, em geral é simples: as uvas são levemente esmagadas, ou por pisamento ou por prensagem, os engaços são retirados e o produto (bagas e suco) é colocado nas talhas. O processo de fermentação se inicia naturalmente com as próprias leveduras presentes nas uvas, leveduras autóctones, nada de leveduras exógenas.

Durante o processo de fermentação, faz-se o mínimo de intervenção, porém com a formação de gás carbônico durante o processo fermentativo, as partes sólidas vão formando uma “nata” que deve ser misturada três vezes ao dia, sempre de forma manual, para que não endureçam, e venham a evitar a liberação do gás carbônico gerado no processo fermentativo, que ao se expandir podem causar a quebra da talha.

Quando as partes sólidas se depositam no fundo da talha, considera-se que o processo fermentativo está encerrado, ou seja, os açúcares presentes nas uvas se transformaram em álcool, então é comum se colocar uma tampa na talha (tecido limpo ou madeira) e uma camada de azeite de oliva para evitar o contato do vinho com o ar, minimizando o processo de oxidação e o conservando por mais tempo de vida.

Mesmo com a finalização da fermentação, o vinho ainda não está pronto para ser consumido, ainda estará turvo e deve ser filtrado pelas próprias partes sólidas que se depositaram no fundo da talha, pela introdução de caules e folhas de capim (tipo papiro) e a colocação de uma torneira no orifício da parte inferior da talha, funcionando como filtro, retirando os sedimentos e clarificando o vinho.

Lembro que é um processo ancestral milenar sem introdução de substâncias químicas. Este é um processo tão natural e único, que deu direito ao “Vinho de Talha do Alentejo” possuir uma Denominação de Origem Específica, famosas DOC.

Em geral, o “Vinho de Talha” é guardado dentro da própria talha, mas pode ser drenado e estocado em outra talha, já filtrado e clarificado, podendo ser engarrafado. E, como é um produto com nenhum aditivo químico deverá ser consumido rapidamente, não há como “envelhecê-lo”. Por isso, não se preocupem com os processos oxidativos, deverá sempre ser consumido jovem, no próprio ano da produção

A produção do “Vinho de Talha” está cercada por tradição, até mesmo a abertura das talhas deve ser realizada em uma data certa: dia 11 de novembro, dia de São Martinho. Questiono, será que São Martinho era um grande apreciador de vinho?

Atualmente, com o aumento do número de turistas em Portugal, com o maior desejo das pessoas consumirem produtos típicos ou artesanais, com o crescimento do consumo de vinhos com ”terroir” diferenciados, a produção de “Vinho de Talha” vem renascendo em todo o Alentejo.

São vinhos deliciosos, minerais e frescos, com presença marcante de fruta. E a harmonização com a rica cozinha alentejana é fácil, dependerá do gosto de cada um.

Bebi tintos, brancos e rosés, com bochechas de porco, bacalhau, alheiras, caldo verde etc, nossa, Viva Portugal!

Não preciso dizer que voltei caminhando devagar para o hotel. Fim.

P.S. O Alentejo é a região centro-sul de Portugal.

Sobre o autor: Ricardo Dourado Furtado é auditor fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura em Porto Alegre no Rio Grande do Sul. Graduou-se como engenheiro agrônomo pela UFC (Universidade Federal do Ceará) e economista pela UNIFOR (Universidade de Fortaleza). Fez mestrado em Ecologia pelo Instituto de Biociências da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e doutorado em Recursos Hídricos e Saneamento de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS. Ama vinhos e azeites de oliva. Nasceu em Alegrete – RS e é meu irmão.

Paracuru – Ceará – segunda parte

Paracuru – Ceará- segunda parte

Hoje é sábado, dia 21 de novembro de 2020, e o Carlos e eu continuamos no município de Paracuru. O café da manhã do hotel Vento Brasil é bem farto e seguem os protocolos de tempos de coronavírus. Frutas deliciosas, bolos, tortas salgadas, crepioca (tapioca com ovo), tapioca, cuscuz, iogurtes, sucos, enfim, tudo ótimo.

Sábado de manhã, dia de banho de mar. Aliás, excelente. O mar azul e verde, a praia limpa, há arrecifes, barracas de praia e surfistas, afinal estamos na praia Ronco do Mar. Os pescadores trazem peixes, dentre eles, o camurupim ou pirapema.

O almoço foi no restaurante Fórmula 1 do francês Michel na praia da Munguba. Desde 1989 se come bem com um chef que atende os clientes e cozinha. Pedimos o peixe beijupirá com legumes, uma delícia. Estávamos com o casal Iracema e Marcos (cunhada e irmão do Carlos). Saudações! Estar em um local à beira mar com a enseada embaixo dá gosto. Também nos deleitamos com as mangueiras e bananeiras no litoral. Paracuru surpreende.

À tarde fomos passear, acompanhados do Marcos e da Iracema. As dicas deles foram fundamentais. Descendo a av. João Lopes Meireles, chega-se à praia da Boca do Poço. Na Domingos Paulino, nos encantamos com um food truck, ou seja, um caminhão de churrasco, cujo dono é paraibano. Passamos na praia do kite (surf) na barraca Quebra Mar. Pela praia na maré baixa vamos à Pedra Rachada. Existem currais de peixes na praia, algo comum em Paracuru. Os donos cuidam e tem muito trabalho. A estrada de areia da subida é estreita e depois se encontra a barraca Rasga Rede, o restaurante Pedra Rachada e o do João Sapuril, dito como oferecendo a melhor peixada de arabaiana da cidade. O próprio sr. João tem seu curral de peixes.

Um lugar imperdível em Paracuru são as dunas conhecidas como Lençóis Paracuruenses. No caminho a pé, nos deparamos com árvores das frutas silvestres guajiru e murici que brotam em zonas de praia e morros. As dunas são fabulosas, e olhem que só ficamos no início, são 5 km de dunas, lagos e parque eólico. Quem conhece diz que a beleza é estonteante. Confesso que nem tinha ideia, afinal os famosos são os do Maranhão e os de Parnaíba-Piauí. O pôr do sol magnetiza.

Segundo a geógrafa Iracema, a duna cobriu o vilarejo de Parazinho que foi a primeira cidade de Paracuru. Também acrescentou que Paracuru significa “lagarto do mar”.

À noite fomos ao centrinho a pé do hotel. A praça arborizada e a igreja Matriz me lembraram do Crato no Cariri cearense (sul do estado). Uma lindeza. Sábado à noite é o dia da feirinha de artesanato, logo o movimento é maior. Tão bom estar lá, vendo os habitantes e os turistas… Enquanto isso a missa ocorre na igreja e o fuzuê ao lado.

Após o passeio no centrinho, fomos degustar o caldo de abóbora, e o suco de abacaxi com hortelã no Mosaico Bistrô (rua Profa. Maria Luiza Saboia, 65), da Conceição e de seu marido Otto. Estivemos no dia anterior. Quem gosta, torna. O tratamento é de primeira. A decoração de mesas, cadeiras e quadros feitos de mosaico pela proprietária oferecem um espaço aconchegante e bonito.

No domingo, dia 22 de novembro de 2020, na praia da Munguba tomamos um banho inesquecível em frente ao restaurante Fórmula 1, do tipo piscina com ondas. Maravilhoso. Depois o almoço no próprio hotel Vento Brasil, no restaurante Temperos da Lala: filé de peixe robalo grelhado com arroz de alho e purê de abóbora. Apreciei o cardápio.

Saudações à amiga Joana Anália Albuquerque, e ao casal Iracema e Marcos Alencar. Tanto a Joana como a Iracema são paracuruenses apaixonadas. Os atendentes do hotel Leudo e Hudson foram muito atenciosos, obrigada.

Finalizo este artigo com o refrão do hino do município em http://www.letras.mus.br: Paracuru, oh terra querida/Tuas belezas queremos cantar/Seja Tua praia, abrigo e guarida/Para as gerações que Deus te confiar.

Amei Paracuru. Fiquei maravilhada com tanto a ver e aproveitar. Aconselho.

Paracuru – Ceará – primeira parte

Paracuru – Ceará – primeira parte

Hoje é sexta-feira, dia 20 de novembro de 2020, e o destino deste final de semana é o município de Paracuru. O Carlos e eu saímos de Fortaleza pela av. Leste Oeste rumo à CE-085 ou Sol Poente, caminho Jericoacoara, litoral oeste, às 13h30. Paracuru se situa aproximadamente a 96 km da capital do Ceará. Seguimos a Sol Poente e prestamos atenção à entrada da cidade. Na Polícia Rodoviária Estadual se vira à direita, a via está em restauração, por sinal.  

Chegamos ao hotel Vento Brasil (rua Ormezinda Sampaio, 240) e pediram logo para pagarmos a segunda diária. A primeira foi paga antes. O hotel é bem localizado, perto do centrinho e da praia Ronco do Mar. A diária de R$195,00 para um quarto standard achei cara, uma vez que é um quarto simples, meio escondido e sem poder abrir as janelas, pelo bem da privacidade. A salvação é o ar-condicionado, uma vez que estava bem quente: 31°C. Percebo tudo bem mais caro em termos de hospedagem no litoral. Gostei do hotel de qualquer modo. Na próxima vez, ficaremos em um quarto melhor. A dica foi do irmão e cunhada do Carlos, Marcos e Iracema. Obrigada!

Assim que chegamos, já saímos para passear pelos arredores. Em frente ao estacionamento do hotel existe um sítio/fazenda chamado Teto da Praia, com coqueiros, galinhas, vacas, tudo tão interiorano. O aroma é outro. Há um calçadão com cerâmica imitando o de Copacabana no Rio de Janeiro na praia Ronco do Mar. A praia é uma delícia: barracas na praia, bares no calçadão, jangadas, pescadores, pousadas etc.

Vemos muitos olhos d´água no Ronco do Mar, além de cajueiros, mangueiras, castanholas e redes para deitar. As pessoas vão lá pegar mangas para se refestelar, passamos por um pai e filho estrangeiros demonstrando uma felicidade única ao carregar as frutas. Muito peculiar. Tudo ajeitado, com casas lindas pelo caminho, estamos na av. Beira Mar. A areia da praia oferece abrigo a famílias e casais de namorados.

Ainda existe prospecção de petróleo. Vimos uma draga e o terminal. Na praia à tardinha há moradores jogando bola; uma enseada verdejante que parece a da praia da Taíba, mas em menor escala. No local existe um restaurante chamado Fórmula 1 ao lado da Colônia de Pescadores de Paracuru. O entardecer é gostoso e o mar verde e azul imenso. Ali é a praia da Munguba.

Gostei de ter mirado uma pessoa coletando lixo na praia que, aliás, é relativamente limpa. Detalhe: aonde vou estou sempre fazendo o mesmo. Não consigo imaginar um peixe comendo garrafa de plástico. Tenho alma ecológica.

O Carlos relembrou o famoso carnaval de Paracuru nos anos 1970/80. A cidade lotada de foliões, uma bagunça efusiva, um carnaval com mela-mela à tardinha e à noite a presença no clube no centrinho em frente à Praça da Matriz. Esse clube não existe mais, foi desapropriado para dar lugar a uma praça com descida para a praia. O farol branco e laranja de hoje é só enfeite. No local há um bar/restaurante Hot Grill.

Nossa caminhada está boa para os joelhos, pois como choveu a areia está compacta e plana. Escutamos reggae na barraca de locação de pranchas e aulas de surfe. A praia Ronco do Mar é o lugar dos surfistas.

Paracuru é uma novidade bastante agradável. Sinto-me tocada pelo seu charme.  

À noite “vamos” na velha e boa pizza marguerita com Coca-Cola. Cerca do hotel se encontra a pizzaria Paiol, a mais antiga do município. Depois mais passeio a pé. O centrinho me lembrou do Crato no Cariri, a Igreja Matriz, as praças e ao redor casas antigas, bistrôs, lanchonetes, restaurantes etc. Lá está a pizzaria Moral, o Burguer & Pizza, o Cactus Paracuru e a Casa Curu (restaurante transado).

No centrinho se situa a Praça Francisco Batista Azevedo onde existe a Biblioteca Pública Municipal com o busto do mesmo em homenagem ao seu centenário 1908-2008.  Na frente está a igreja N. Sra. dos Remédios (a Igreja Matriz), com a imagem da Nossa Senhora fora da igreja na Praça da Matriz.

Ali perto na rua Profa. Maria Luiza Saboia se localiza um bistrô especial de tão fofo, com mesas, cadeiras, quadros feitos de mosaicos. A proprietária é também a artista plástica: Conceição. Ela prepara as comidas e quem serve é seu marido Otto (alemão). Eis o Mosaico Bistrô. Seu cardápio vai de caldos a hambúrgueres de soja, beterraba e carne de caju, bem natureba. Gostei.

Continuaremos em breve…

A Fortaleza como queremos

A Fortaleza como queremos

Sou uma boa observadora do cotidiano. Escrevo para espalhar ideias, talvez chegue a quem muda a nossa realidade. Como cidadã, espero melhorias em Fortaleza-Ceará.

CALÇADAS

Antigamente as calçadas eram bem cuidadas na cidade. Hoje é uma de cada jeito e ninguém é cobrado a torná-las mais seguras, nem a prefeitura nem o cidadão. O pobre do idoso vive caindo e gente mais jovem também. Se colocassem na justiça, a história era outra. Exemplos positivos no Brasil: o bairro Copacabana no Rio de Janeiro e Balneário Camboriú em Santa Catarina, lugares com o maior número de idosos no Brasil. Moram e se socializam com mais facilidade, porque podem sair na rua. Infelizmente, para nós aqui a pessoa tem que caminhar com muito cuidado e olhando para baixo.

MOTOQUEIROS

Os motoqueiros… Indago se em outras cidades eles se sentem tão livres para não respeitarem a lei de trânsito e de civilidade como aqui. Na ainda existente pandemia de 2020, inventaram agora de andar na contramão em avenidas, porque nas calçadas já assim o fazem. Pobre do pedestre. Onde estão os fiscais da AMC (Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania), tão bons em multar quem estaciona na Zona Azul, mas tão ineficientes em coibir tal ato? Só os vejo dentro dos carros da autarquia.

ZONA AZUL

Já escrevi contra a Zona Azul, mas nós cidadãos não podemos fazer nada, então me rebelo. Não uso, simples assim. Fico indignada, pois colocaram as famigeradas placas em ruas onde há hospitais, farmácias, clínicas  etc e dentro de estacionamentos recuados, próprios de farmácias e padarias. Pode?

SOCIALIZAÇÃO

Triste dizer que Fortaleza não é mais convidativa aos moradores se visitarem. Antes se morava em casas, de um bom tempo para cá, Fortaleza se transformou em cidade de edifícios, logo onde estacionar? Falo em carros, porque acaba sendo o transporte mais disponível à noite. Primeiro, os moradores evitam sair a essa hora, por conta de violência e assaltos; segundo durante o dia, não tem onde deixar o carro, devido à Zona Azul e falta de espaços nas ruas. Lógico que estamos em um ano difícil, este de 2020, porém a situação é essa. Pobre dos idosos com a sua solidão.

PREFEITOS DE ANTIGAMENTE

Ressalto o prefeito Vicente Cavalcante Fialho, a quem não conheci, mas que segundo Carlos Alencar, saía para ver as obras na cidade. O Anuário do Ceará 2020-2021 nos conta que sua gestão ocorreu entre 1971 e 1975, tendo sido um “tocador de obras”. Abriu avenidas fundamentais como a Aguanambi e a Leste Oeste, por exemplo. Não era gestor de gabinete. Outro a ser mencionado é Juraci Magalhães, cuja primeira gestão foi de 1990 a 1993, tendo substituído Ciro Gomes, quando ele saiu para ser governador do estado. Era seu vice na prefeitura. Visitava os empreendimentos na cidade (viadutos, terminais, hospitais) a qualquer hora do dia na sua primeira administração, a qual Carlos Alencar considera a melhor. Ainda teve duas outras gestões, sempre checando o que ocorria na cidade. Lúcio Alcântara fez urbanizações e era muito presente em checar as obras. Sua gestão foi de 1979 a 1982. Criou o parque Adahil Barreto, defendeu o meio ambiente e a limpeza urbana da cidade. E existiu o prefeito Antônio Cambraia, a quem eu gostava muito. Gestão: 1993 a 1996. De acordo com o mesmo anuário citado acima, cuidou de obras de infraestrutura, ampliação do sistema de esgoto, fez obras de calçamento e conservação de vias públicas.

Prefeito tem que andar de ônibus, caminhar pelo centro, falar com a população. Checar se as vias estão “limpas”, se os habitantes estão satisfeitos com o “ônibus lotado em plena pandemia”, se são bem atendidos no hospital público. Deveria perguntar às pessoas o quão “felizes” estão com a conclusão das obras serem tão demoradas. Trabalhar com os catadores de lixo que colocam lixo em terrenos abandonados, e com os bares e restaurantes do Meireles que depositam garrafas e sobras de alimentos nas esquinas da rua Antônio Augusto, para exemplificar.

CAMPANHAS

Sou por campanhas contra o descarte de lixo nas praias e na cidade (faltam lixeiras em Fortaleza), pela educação no trânsito, pelo uso da máscara a fim de proteção contra a COVID. Quem for pela Praia de Iracema ou Beira Mar à tardinha, verá um bocado de gente sem elas e não estão preocupados. Até os turistas. Os hotéis e pousadas não falam que é obrigado? Essa obrigação é uma piada, cabe somente à consciência de cada um.

Em suma, algumas críticas e sugestões foram feitas. Não desisto de almejar uma Fortaleza mais agradável, arborizada, civilizada, segura, justa, decente e boa de viver para seus habitantes.

P.S. Este artigo teve como inspiração Carlos Rodrigues Alencar Lima e sua longa trajetória na cidade como educador e diretor de escola pública.

Lagoinha – Paraipaba – Ceará

Lagoinha – Paraipaba – Ceará – Brasil

Hoje é sábado, dia 19 de setembro de 2020.  O Carlos e eu resolvemos passar o final de semana na praia da Lagoinha, afinal fazia anos luz que não íamos lá. De Fortaleza para a Lagoinha são aproximadamente 110 km.

Saímos de Fortaleza pela av. Leste Oeste rumo à CE-085 ou Sol Poente, caminho Pecém-sentido Jericoacoara. A Lagoinha se situa perto de Paracuru.

Entramos no movimentado município de Paraipaba, passamos pelo rio Curu e seguimos em direção à Lagoinha. Paraipaba é bastante agradável, com pracinha, igreja, agências bancárias, restaurantes e lojas, além de limpa e aconchegante. As cidades interioranas do Ceará são pitorescas, “inspiram sossego, tranquilidade, prazer”, segundo o http://www.dicionarioinformal.com.br.

Chegamos à 11h, porém o check-out era às 13 h, logo o jeito foi esperar. A dica do hotel Vivamar foi dos amigos Sílvia e Jáder, colegas de trabalho. Localizado à beira mar, facilita muito o banho de mar a qualquer hora. O restaurante Lagero é independente do hotel e aconselho. Durante a espera pelo quarto, nada melhor do que se alimentar bem. Pedimos peixe sirigado com camarão, legumes salteados, arroz com brócolis, alcaparras e champignon. Uma delícia. Com a jarra de água de coco, saiu na base de R$105,00 para duas pessoas.

Tenho que dizer que por conta da pandemia, os preços estão bem mais caros. Sentimos isso na comida e diárias.

Falemos no local, de início já não reconheci, está tão cidade, incrível. É praia “point”, bastante concorrida. Ajeitada, arrumada, dá gosto. Não faltam hotéis, pousadas, restaurantes, cafés, pizzarias, enfim há o que se ver e passear. Parece a praia de Flecheiras.

Em frente ao hotel existe um calçadão, uma passarela de concreto, e à direita na areia da praia uma barraca de praia. Existem algumas, como a Praieira e a Dudé. Pena não curtirem músicas que combinem com o ambiente. A música estava alta e com um ritmo que poderia ser outro, mais relaxante. As pessoas em geral não amam o som do mar. Para mim, não há igual.

À tardinha caminhamos pela praia à direita, vimos fontes de água pura pelo caminho, subimos a escada colorida e chegamos à pracinha no centrinho. Exploramos casa por casa, a Lagoinha tem a parte alta e a baixa. Descobrimos a pizzaria Lagero, do mesmo dono do restaurante, logo a pizza marguerita de mais tarde está garantida. Casas agradáveis, mercadinhos, igrejinha em reforma, os moradores conversando nas calçadas, tudo bem interiorano. Uma gostosura. As praias do Sol Poente são mais habitáveis. Descemos a escada colorida e entramos na duna do pôr do sol. Muitos jovens no lugar, pena que sem as máscaras do novo cotidiano de 2020.

A famosa duna, cartão postal da Lagoinha, está com coqueiros plantados, que bom. Muitos antigos sumiram. Aviso aos navegantes: as pernas trabalham muito nesse sobe e desce, trata-se de um bom esforço para os músculos. O local é encantador, há muito verde nas dunas seguintes, lindo o visual.

Voltamos ao hotel depois do passeio. Encontramos uma tartaruga morta na praia, uma lástima.

Para jantar, a pizza mencionada anteriormente. Como cobram a rolha de vinho na pizzaria Lagero, nossa decisão foi comer a pizza na varanda do quarto, pois o vinho branco português Terra Boa Regional de Beiras 2004 Aliança nos tentava. Obrigada ao nosso amigo português Joaquim, de Juazeiro do Norte. Refeição das boas!

No domingo, o café da manhã do hotel foi substancioso e variado: frutas, sucos, cuscuz, bolos diversos, pães, ovos etc, seguindo o protocolo com hora marcada e usando luvas para se servir. Detalhe: a água do chuveiro deixou o cabelo uma beleza de sedoso. Parece a água de Guaramiranga, na serra de Baturité.

Após o banho de mar, tivemos o mesmo almoço do dia anterior no restaurante Lagero, a diferença foi o peixe: arabaiana. Excelente. Achei menos gorduroso que o sirigado.

A hora da saída do hotel é 13h. Se em uma pousada a saída seria lá pelas 16h, mas fazer o quê? Em um domingo com o sol a pique e muito calor é de arrasar. Seguimos pela cidadezinha, vimos feirinha de roupas de praia, bolsas etc na estreita av. Beira Mar onde os carros ocupam o seu espaço. Na av. Francisco Henrique de Azevedo há o mirante com o Centro de Apoio ao Turista, com cafés e quiosques de lanches ao redor. Prosseguindo na avenida se chega à pracinha principal. Fomos embora radiantes.

Enfim, um final de semana de novidades. Lagoinha, voltaremos!

A Fortaleza que eu conheci

A Fortaleza que eu conheci…

Estamos na década de 80 do século passado. Eu, adolescente em Fortaleza, aproveitava muito.

O clima era bom, com brisas do mar contínuas, o calor não era tão abrasador como hoje. 0s 27°C eram constantes.

Brincávamos na rua, andávamos sem medo, soltos e felizes.

As casas eram tantas, espaçosas, com árvores frutíferas e jardins floridos. Pegávamos pitangas nessas casas. O fortalezense era conhecido pelo seu amor à natureza, todo mundo morava em casa e cuidava do seu quintal. A cidade tinha muitas árvores, notadamente oitizeiros centenários na av. Barão de Studart no bairro Aldeota.

Eu me lembro de perambular de ônibus pela feirinha do bairro de Fátima com a amiga Maria Luiza, companheira inseparável de passeadas. Do bairro de Fátima seguíamos para alguma pizzaria com amigos, isso em um sábado à noite. Meus pais ficavam preocupados e nós satisfeitas com a nossa aventura. Programas inocentes e simples que nos deixavam muito contentes.

Com a mesma Maria Luiza, o irmão caçula dela, André, e o meu irmão Rogério nos deliciávamos com o bolo xadrez à época da inauguração do shopping center Iguatemi. Sempre de ônibus, íamos aos sábados à tarde e aquilo era uma jornada sonhada.

Ainda jovem adulta na década de 90, eu me encontrava com amigas, como a Jocely, na Praia de Iracema para comer a lasanha a bolonhesa ou verde, carros chefe do La Trattoria, e tomar sangria. As mesas quadriculadas em vermelho e branco formavam uma pintura agradável. O chef Alfio oferecia a culinária tipicamente italiana. Também curtir uma música no Cais Bar era obrigatório. E como a gente se divertia. Encontrávamos amigos e batíamos tanto papo. Quantas saudades da boemia daquela geração. A Praia de Iracema era o point da moçada, incrível o movimento. Era uma delícia!

E o Mirante do Morro Santa Teresinha? Nos restaurantes de lá, eu levava os turistas amigos que ficavam maravilhados com a comida (o peixe na telha), o local e o visual abaixo. Frequentei bastante o lugar. E o Ponto de Luz nas Dunas, aquele charme de bar, com música bacana e comidinhas.

O cine Gazeta, cinema do Center Um, contou história aos amantes da Sétima Arte. Às noites de sextas ofereciam sessões de cinema de arte, sempre disputados. As amigas Cynthia e Sandra, Lúcia, as primas gêmeas Flávia e Cinthya, a prima Leyla, companheiras de filmes bons e outras saídas.

E o Pirata Bar com seu forró dia de segunda à noite? Né, prima Rebeca? A noitada do sábado com a prima Vera na Volta da Jurema (Beira Mar). Tudo saudável e jovial, com bons amigos ao lado.

As voltas dadas às sextas-feiras pela tardinha e noite na Praça Portugal para comer alguma coisa, dar umas paqueradas e encontrar as amigas Eveline, Márcia, Maria Luiza, Rosângela. Os domingos eram reservados para o banho no mar na Praia do Futuro e à noite eu nunca faltava à Volta da Jurema. E como a gente ia para lá e para cá… Meu irmão Ricardo e os amigos Roberto e Mário ficavam contando nossas voltas e se divertindo as nossas custas. Tudo era uma grande folia.

Meus irmãos Ricardo e Rogério com seus amigos também amigos meus, tudo tão bom, quanta nostalgia. Saudações aos amigos Robson e Martinha, Ferrer, Rogério, Sérgio e Lilian e tantos outros.

Fortaleza era assim, uma cidade na qual era uma gostosura ser jovem adulto e curtir cada cantinho seu.

Dedico este artigo à Fortaleza da minha juventude, paixão total. Muitos dos locais mencionados não existem mais ou se modificaram para a modernidade. Muito do charme se perdeu, em minha opinião. Aos amigos queridos, alguns ficaram pelo caminho, outros continuam até hoje, esses são valiosos. Queria que os jovens de hoje tivessem a mesma adolescência que tive, com tranquilidade, sem temor de caminhar nas ruas e com tanta leveza.

Dedico este artigo às amigas Carmen (companheira do pilates) e Roberta (proprietária do pilates Roberta Lousada) e agradeço pelo incentivo a escrever sobre a Fortaleza que conheci.

Foz do Iguaçu – Parque das Aves

Foz do Iguaçu – Parque das Aves

Hoje é quarta-feira, dia 11 de março de 2020. Vamos partir de Foz do Iguaçu à tarde rumo a Fortaleza, mas antes há um passeio imperdível: o Parque das Aves, o segundo atrativo mais visitado da cidade. A Wikipédia nos conta que se trata de um parque temático, situado próximo às Cataratas do Iguaçu com 16 hectares de mata nativa, com 1500 animais entre aves, répteis e mamíferos de 140 espécies diferentes.

O ônibus da CVC nos paga no hotel Mirante com as malas para ir ao parque. O guia se chama Israel e o motorista Nelson. O combinado de tempo é das 8h15 até às 11h30. Dá para aproveitar bastante, embora o Parque das Aves seja convidativo para ficar muito mais. O nosso grupo é muito agradável, ressalto a Adriana Polli do interior de São Paulo: Jundiaí, nossa acompanhante. Saudações, Adriana.

O transporte foi R$ 40,00; o ingresso: R$60,00, sendo que para idosos, crianças e professores: R$30,00. Vamos iniciar a jornada: a trilha do parque tem 1100 m, considerada de baixo risco. Muitas trilhas são abertas e outras fechadas com proteção. Alguns pássaros têm contato direto com a gente, como as perdizes, os tucanos e as araras.

Fantástico ver uma floresta dentro da trilha com o som da natureza. Louvável o trabalho que fazem de salvar espécies em extinção. Recebem animais traficados em situação deplorável e os socorrem. São tantos os pássaros: o mutum-de-alagoas, o savacu, o arapapá, o tucano parece de pelúcia. Também há a cobra sucuri, o jacaré-de-papo-amarelo etc.

O restaurante Tropicana está no caminho. Gostei dos sorvetes e picolés Sabores do Iguaçú. A marca dos sorvetes é PANCS – Plantas Alimentícias Não Convencionais – O Sorvete na Trilha da Natureza. Os sabores são diferenciados: vinagreira com trufas, açafrão com geleia de hibisco; capim santo com limão rosa, detox de abacaxi com leitinho com ora-pronóbis (erva que se usa como condimento), enfim bem originais.

Conhecemos a harpia ou gavião real, a maior ave de rapina do Brasil, quase extinta. O urubu-rei, o periquito-rei, a maracanã etc. O parque é limpo, bem organizado, nota 10. Deve ser bom passar tardes no local, estresse zero, nada como o contato com a natureza. As bromélias embelezam.

No percurso vemos filmes sobre os pássaros e temos contato com o Projeto Papagaio Verdadeiro de 2007. Infelizmente, é o mais traficado do Brasil. 85% dos ninhos são roubados por traficantes em locais da Mata Atlântica. O Projeto Periquito-cara-suja precisa de apoio para sobreviver.

O papagaio-de-peito-roxo come sementes da arvore araucária (pinhão). No viveiro das araras azuis e vermelhas ou amarelas e azuis, temos um espetáculo de cores. Também vimos o papagaio-moleiro e o do mangue, a coruja suindara grande, a buraqueira pequena e o murucututu grande. O borboletário é colorido, sensorial. Começa com o ovo, depois a lagarta, a crisálida e a borboleta. São tantas plantas, flores, árvores, tudo sensacional. O beija-flor-de-banda-branca, o preto e o de-fronte-violeta são uns fofos.

Parabéns ao Parque das Aves e a quem trabalha lá! A criação foi ideia do casal: Anna-Sophie Helene (veterinária) e Dennis Croukamp. De acordo com o site do parque, a alemã Anna se mudou para a Namíbia na África onde conheceu o futuro marido. Tiveram duas filhas: Anna Luise e Carmel. Na década de 80 ganharam um filhote de papagaio-do-congo, Pamucki, que se tornou membro da família. No início da década de 90 se mudaram para a Ilha de Man não Reino Unido. Um amigo sugeriu que abrissem um parque de crocodilos em Foz do Iguaçu, mas gostavam mesmo era de aves. Assim, compraram uma propriedade em Foz do Iguaçu e construíram o parque, tendo sido inaugurado em 7 de outubro de 1994. Dennis Croukamp faleceu dois anos depois da inauguração na Ilha de Man aos 70 anos, felizmente Anna continuou com o trabalho. Existe um memorial dedicado ao fundador em seu lugar favorito do Parque das Aves: o Viveiro Aves de Rios e Mangues. Desde 2010, a filha Carmel é a diretora do parque e decidiu focar as ações na conservação de espécies da Mata Atlântica. Lugar magnífico, recomendo.

Interessante mencionar que à época da construção, o mesmo site prossegue, o casal se revezava entre a Ilha de Man e Foz do Iguaçu, cuidando das filhas e das obras do parque, planejadas para que nenhuma árvore nativa fosse derrubada. Gastaram todas as suas economias na construção e graças aos esforços de diversas pessoas que se uniram à causa, o Parque das Aves ganhou forma.

Aqui termina nossa jornada em Foz do Iguaçu. Confesso ter ficado maravilhada com a seriedade e infraestrutura dos atrativos, onde o turismo é levado a sério, profissional. Agradecimentos ao nosso agente Dennis da CVC do shopping Del Paseo de Fortaleza-Ceará. Foi uma viagem que deu muito gosto.

Foz do Iguaçu – Cataratas del Iguazú na Argentina

Foz do Iguaçu – Cataratas del Iguazú na Argentina

Hoje é dia 10 de março de 2020 e iremos conhecer o lado argentino das Cataratas do Iguaçu. São 7h40m e estamos no hotel Mirante em Foz. Somos um grupo grande (34 pessoas) e o papo é bom. Muita gente de fora mora na cidade, a dona da loja de lembrancinhas do hotel, por exemplo, é de Frederico Westfallen no RS. Aconselho a loja e a boa conversa.

O passeio será puxado e mais complexo, vai até às 16 h, com caminhadas longas, trilhas, trenzinhos, pontos de parada e muita emoção. Tem que ter boas pernas e muita disposição. Lembrar a roupa e sapatos confortáveis para um calor intenso, mais repelente e chapéu. Chegaremos bem perto da Garganta do Diabo. O guia é o Rodrigo e o motorista o sr. Walter ( o mesmo do passeio a Puerto Iguazú by night da noite anterior).

Segundo o informativo da CVC, as cataratas são admiradas de ângulos diferentes na margem argentina do rio Iguaçu, onde fica o Parque Nacional Iguazú. A arrebatadora Garganta do Diabo é observada do alto sobre o trecho mais turbulento do rio.

O ingresso é R$70,00 e como é Argentina não há descontos para brasileiros. Enfim, entramos no Parque Nacional Iguazú ( Água Grande” em guarani). Segundo os guias, no lado vizinho tudo é mais complicado. A vegetação é a mesma dos dois lados, a terra vermelha é rica, fértil, viçosa, me recordo do Cariri no sul do estado do Ceará (Brasil). No portão há um guarda florestal armado.

Começamos o passeio. O parque é muito bem estruturado. O Sendero Verde (Trilha Verde): 650 m, 15 minutos, acessível 100%. Vamos até a estação Cataratas para pegar o trem ecológico. O próximo trem virá somente às 10h55, há muita gente e lota logo. Em todo o caminho existem lixeiras e paradas estratégicas. Aviso que o passeio é demorado e há filas para o banheiro e para o trenzinho. No trem vi uma marina para um passeio ecológico no rio. A selva é encantada, bela Mata Atlântica. O rio Iguaçu nos enfeitiça, trem vai e trem vem. As borboletas e a natureza nos despertam e saciam a nossa fome de vida pura.

Descemos na Estação Garganta do Diabo, aí iniciamos a trilha de 2200m ida e volta até a inigualável Garganta do Diabo passando por uma passarela de ferro. Temos uma vista panorâmica do Salto Unión. São 120 minutos e acessível 100%. Estamos dentro da reserva. Diferente do nosso parque nacional brasileiro, o da Argentina é mais dentro, mais no coração das Cataratas. Achei fabuloso caminhar sobre o rio Iguaçu e ter pequenos nichos de descanso. O visual das Cataratas del Iguazú é ESPETACULAR e INCOMPARÁVEL. O lugar é privilegiado. O sol está a pique: 35 °C, um calor infernal!

Saindo de lá, vamos ao ponto de apoio para banheiros e lanchonetes. O grupo se divide neste momento: uns vão para a praça de alimentação e outros para a trilha com 80% na sombra, são 2800m ida e volta. Decidimos pela trilha, não dá para perder. Estamos no Circuito Inferior que vai até o Salto Cabeça de Vaca. São 1700 m, 90 minutos e acessível 70%. O percurso é fabuloso com escadas, mirantes e cascatas. A Cascata Bossetti é mais uma do local. Temos uma vista panorâmica dos saltos vistos da parte de baixo e dá acesso à ilha San Martin. Aviso aos navegantes: o percurso exige muita disposição, andar uns bons quilômetros a 35°C não é fácil. Tem que passar protetor solar e fugir dos quatis. Vale a pena demais apesar do calorão.

Também há informações no folder recebido a respeito do Circuito Superior: 1750 m, 120 minutos e 100% acessível, vista panorâmica dos saltos vistos da parte de cima. A ilha San Martin: 700 m, 120 minutos e não acessível, localizada no centro das cataratas, possui trilhas e mirantes, mas a visita fica condicionada à altura do rio.  A Trilha Macuco: 7000 m, 180 minutos e não acessível, ideal para observar as aves e conhecer a selva. É uma trilha agreste, exclusivamente pedestre, interpretativa e autoguia. Solicita-se o folheto no Centro de Interpretação (de imagens da selva e história do parque) ou Centro de Visitantes “Yvirá Reta”, que significa “o país das árvores” em guarani. A viagem guiada nesse local leva 20 minutos. Bom para conhecer as culturas que habitaram a selva ao longo do tempo, seu problema de conservação e os esforços realizados para a sua proteção. A Selva Paranaense tem um alto grau de ameaça, por isso a importância do parque.

Considero o Parque Nacional Iguazú colossal em termos de cenários e infraestrutura. Na praça de alimentação existem muitas opções de comidas e há espaços com telas para os comensais a fim de protegê-los dos danadinhos dos quatis que roubam alimentos. Preferimos as empanadas com salada, combinam com o clima. Deliciosas por 70 pesos argentinos cada, ainda bem que aceitam real, dólar e euro. Isso é ser internacional, no Brasil não se tem o hábito de aceitar moedas estrangeiras, infelizmente.

No Centro de Visitantes Velho Hotel Cataratas encontra-se um museu com um pouco da história do Parque das Cataratas e do local. Ali era o antigo Hotel Cataratas do lado argentino. Também se encontra um posto de informações e o escritório da Administração do PNI. Lá existem locais comerciais com variedades de produtos. A venda de artesanato, ou seja, dos produtos dos artesãos guaranis beneficia as comunidades aborígenes locais.

Um pouco da história dos parques de acordo com o folder entregue, realizando uma travessia entre a costa do Atlântico e Assunção do Paraguai, o espanhol Alvar Nuñez Cabeza  encontrou as cataratas no ano de 1542 e as batizou com o nome de Saltos de Santa Maria. Ao final do séc. XIX, do lado brasileiro e argentino homens ilustres começam a frequentar esta maravilha da natureza e propõem protegê-las e torná-las conhecidas. No início do séc. XX foram criados os dois parques nacionais em torno delas: o Parque Nacional Iguazú em 1934 (Argentina) e o Parque Nacional do Iguaçu em 1939 (Brasil). O primeiro foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade em 1984 e o segundo em 1986.

O folder complementa que ambos os parques protegem a riquíssima biodiversidade. Algumas espécies de sua flora e fauna estão ameaçadas de extinção, como a onça pintada, o puma, o jacaré de papo amarelo, o papagaio de peito roxo, o gavião real, o madeira rosa e o ariticum (parente da fruta do conde ou ata).

Depois do almoço, entramos no ônibus às 15h15 para a volta rumo ao hotel Mirante em Foz do Iguaçu. Dia bastante produtivo e feliz. Parabéns aos parques nacionais pelo seu trabalho de conscientização e proteção da Natureza.