Ceará – Piauí – Tianguá e Ubajara

Ceará – Piauí – Tianguá e Ubajara

Hoje é segunda-feira, dia 07 de março de 2022. Estamos no hotel do Sítio do Bosco Park na Vila Acarape em Tianguá. Choveu a noite toda, clima muito bom para dormir e relaxar. Geralmente há neblina pela manhã bem cedo e a partir das 18 h. Pouca gente de máscara, na verdade.

O café da manhã foi o suficiente. Gostei da omelete, estou de suéter e shorts. Do hotel para a BR-222 são 1.300 m. A campanha pela limpeza em placas na estrada é uma realidade. Na BR à esquerda vai para Fortaleza (capital do Ceará), e à direita para Teresina (capital do Piauí) e Ubajara. São 42 km para a divisa com o Piauí.

Vamos a Ubajara na Serra da Ibiapaba. Estão alargando a estrada na periferia de Tianguá, vemos muitas lojas de artesanato e restaurantes no caminho. Aliás, comprei uma rapadura de jaca, delícia. Passamos pela rodoviária, entramos no Maxi Atacadão e dobramos à direita na Av. Prefeito Jacques Nunes e seguimos reto. Entramos na cidade de Tianguá, uma beleza. Lembra o Crato (“Cratinho de açúcar”) no sul do Ceará, no Cariri.

Pelas setas, seguimos pela cidade e visualizamos praças, bancos, hospitais (São Camilo e Unimed). Limpa, agradável, com comércio forte. Vimos a igreja Matriz de Sant´Ana, amarela, linda. As ruas sem placas de nomes, pra variar.

Estamos a 15 km de Ubajara. As cidades serranas são interligadas. A gasolina muito cara lá. Fora não há indicativo do Parque Nacional de Ubajara, tem que entrar na cidade para ver as placas. Que beleza de caminho até o parque. Ubajara é outra joia.

Como o bondinho foi reinaugurado em fevereiro de 2022 e estamos na baixa estação, funciona somente de quarta a domingo momentaneamente, por isso apenas passeamos e tiramos fotos no parque. Às segundas fazem a limpeza e manutenção do espaço e aparelhos.

O Mirante Pendurado foi novidade para nós. A natureza ali é viçosa, verde, bela, os funcionários do parque acolhedores. Há também o mirante do bondinho, a infraestrutura do parque foi aumentada. Diga-se de passagem que parques nacionais são de responsabilidade do governo federal, mas o governador do Ceará Camilo Santana encampou o projeto da modernização e restauração do bondinho, afinal é uma atração turística importantíssima para o estado.

Está na placa da reinauguração do local que o Chefe do Parque Nacional de Ubajara é Gilson Luiz Souto Mota; Marcos de Castro Simanovic, o Presidente do Instituto Chico Mendes-ICMBio, e Renê de Almeida Vasconcelos, o Prefeito de Ubajara.

O bondinho leva até a gruta de Ubajara, mas pode-se ir a pé, o esforço e grande. É válido contar sobre a história da gruta. De acordo com a placa do PN, a Gruta de Ubajara se formou após a erosão e o recuo da Serra da Ibiapaba, cujos sedimentos paleozoicos se estendiam por toda a região. A caverna foi esculpida em calcário pré-cambriano há pelo menos 200 mil anos atrás. A água dissolveu o calcário por milhares de anos, formando salões e galerias, que depois foram preenchidas por estalactites e estalagmites, cortinas e outros belos espeleotemas que ornamentam o maior patrimônio espeleológico cearense: a Gruta de Ubajara. As salas são variadas: da Imagem, da Rosa, das Cortinas, dos Retratos, do Índio, dentre outras. E mais: instalado em 1975 e inaugurado em 1976, no interior do Parque Nacional de Ubajara, o equipamento teleférico é do tipo vai e vem composto por um cabo de trilho que corre em movimento alternado, possuindo a distância de aproximadamente 450 metros, com um desnível de 306 metros entre as duas estações. Por último, aparecem as regras do parque para os usuários.

Agora a respeito do Parque Nacional de Ubajara, é uma unidade de conservação federal, administrada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes para conservação da biodiversidade), criado em 30 de abril de 1959, com área de 6.288 ha., inserido no bioma caatinga com remanescentes de mata atlântica, abrange áreas dos municípios de Ubajara, Tianguá e Frecheirinhas.

Acrescentando sobre o parque: existem trilhas a pé de diversos níveis de dificuldade e percursos, e trilhas de bicicletas. Bem ricas as possibilidades de atividades. Há animais variados: macaco prego, jaguatirica, paca, mocó, quati, veado, onça-parda, sagui ou soim, tatu peba, cassaco etc. O passeio matutino valeu a pena. As casas e a região perto do parque são maravilhosas. O hotel Neblina Park ao lado do parque é promissor. Eu já fui à gruta pelo bondinho umas duas vezes anteriormente e também `a Cachoeira do Boi Morto, outra atração fora da cidade. Imperdíveis.

As praças e os canteiros com flores na cidade são uma lindeza. Dá gosto ver um lugar assim, bem cuidado e aprazível. Altamente habitável. A impressão é de que as cidades da Chapada da Ibiapaba são muito amadas e a população se identifica com elas, afinal quem ama, cuida.

Saímos de Ubajara, passamos pelo distrito Vila Tabocas, e voltamos para almoçar no bistrô do Sítio do Bosco, mesma refeição do dia anterior (filé de tilápia, risoni e molho genovese), uma vez que amamos. Antes bebemos um espumante Veuve Calendrin Brut Rosé para aquecer, o clima favorece. Que passeio convidativo.

À tarde, Viçosa do Ceará…

Ceará – Piauí – Chegada a Tianguá

Ceará – Piauí – Chegada a Tianguá

Começamos uma nova jornada de duas semanas pela Serra da Ibiapaba (Tianguá, Ubajara, Viçosa do Ceará – Ceará), Parque Nacional de Sete Cidades e Parnaíba/Luís Correia (Piauí), Camocim, Parque Nacional de Jericoacoara, Icaraizinho de Amontada e Flecheiras (Ceará). Fomos de carro com tração: o Jimny Suzuki do Carlos, afinal antevíamos muitas praias e aventuras pela frente.

Dia 06 de março de 2022. Saímos cedo pela manhã. Em Fortaleza, capital cearense, pegamos a av. Leste Oeste em direção a Caucaia (BR-222). Falta sinalização nas nossas estradas. Cruzamos Capuan, onde alcançamos a BR sentido Itapajé/Sobral. Há uma parte da rodovia feita de concreto, deve ter sido feita pelo Exército (km 25). Qualidade muito boa.

São Gonçalo do Amarante por fora, Croatá, São Luís do Curu. Seguindo para Itapajé, vemos uma pequena serra. Hoje choveu, clima mais ameno. Cadeia de montanhas verdes, bonitas. Iratinga, periferia de Itapajé, serra de Itapajé com menos elevação. Irauçuba no sertão, um dos lugares mais secos do Ceará. O arbusto ralo existente é um pasto considerado excelente para os animais. A planta xique-xique à vontade ao longo da BR. Montanhas com pedras, interessante. Muitas árvores algarobas e juremas a dar sombra. Aguentam o calor extremo. Ponte sobre o riacho Mocó seco. Mocó: tipo de preá selvagem pequeno que se alimenta de xique-xique e habita em rochedos.

Passamos por Coité. Já temos 3 h de viagem. Tudo verde, fazendas, sítios com vacas, bois e bodes. Clima nublado agradável. Forquilha, se emancipou de Sobral. Parada técnica para um café fora de Sobral, chove. Fortaleza – Sobral: 240 km. Seguimos com Aprazível, a sua feira tem 20 anos de tradição. Fecheirinhas no sopé da Chapada da Ibiapaba (Ceará – Piauí). Polo de moda íntima do Ceará. Passamos por fora da fábrica Diamante na BR. Lembrei de Nova Friburgo na serra fluminense no estado do Rio de Janeiro. Ainda tem a Excelência Lingerie.

Estamos quase em Tianguá. Natureza verdejante. Distrito de Bela Vista. Dá gosto subir a serra e vê-la tão bem preservada. Região de muito nevoeiro pelas manhãs e dias chuvosos. Estava com saudades deste clima. Recordo-me de Guaramiranga na serra de Baturité, cerca de Fortaleza. Vemos palmeiras de buriti. A Wikipédia esclarece que a Serra da Ibiapaba também é conhecida como Serra Grande, Chapada da Ibiapaba ou Cuesta da Ibiapaba. De fato, a palavra ibiapaba vem do tupi e significa “terra fundida”.

No km 306 da BR-222, entramos na Vila Acarape à direita. Tem que ficar ligado na placa. Estamos a 10 km antes da cidade de Tianguá. Às 11h30 adentramos o Sítio do Bosco Park, hotel com chalés, restaurante elegante, infraestrutura com piscinas, rampa de voo livre, cascatinha da Mata, parque com esportes radicais, trilhas, mirantes, caverna etc. Local idílico, uma delícia de clima e natureza.

Ressaca da viagem. Na entrada do parque, fazemos o pagamento da diária (uma foi de presente), fazemos o check-in e recebemos uma pulseira para entrar e sair do hotel. Quem fica hospedado, não paga a taxa de entrada. O lugar é bem frequentado pelos serranos. Aliás, a diária é R$300,00, valor justo. O piauiense é um turista muito visto por aqui. A proximidade da fronteira entre os estados Ceará e Piauí ajuda.

O chalé é dentro do complexo, perto da tirolesa e salto de voo livre. Um visual de tirar o fôlego. A árvore babaçu faz parte da paisagem. Almoço no bistrô do complexo. Filé de peixe tilápia com risoni (massa em forma de arroz, de origem italiana) e molho genovese (típico da região de Nápoles, Itália). Excelente! R$69,90 para duas pessoas.

Passeio pelo parque no nosso reconhecimento habitual. Chuviscando. Por dica do proprietário do parque, Bosco, descemos à Caverna do Morcego com escadas de pedra, um pouco íngremes às vezes. E haja joelho! A caverna é de arenito com calcário da região, vale a pena. Mostra que já foi mar a região. De acordo com o jornal Diário do Nordeste de 11/03/2017, a caverna é uma imensa rocha em forma de cogumelo, cercada por mata nativa na encosta da serra.

Depois do esforço físico, sentamos nos bancos de madeira para descansar abaixo das árvores. Ouvir os passarinhos é um luxo.

No café do parque Café e Bar, tomamos nosso lanche de jantar. Lá estava o Bosco novamente. Ele e a esposa moram em um chalé moderno e estiloso naquele paraíso. Fala baixo, é empreendedor e conhece muito da região. Ele nos indicou o Alex, guia do parque Nacional de Ubajara (88-999423051). No momento, o bondinho, recém-reinaugurado, funciona de quarta a domingo, pois estamos na baixa estação. Segundo o empresário, a população está feliz com isso e acrescentou que o governador do Ceará atendeu os pedidos pelo bondinho para a região. Só lembrando que como o parque é nacional, logo deveria ser responsabilidade do governo federal e não estadual.

Mais um pouco sobre o papo com o Bosco. Ele é autodidata em ecologia, botânica, arquitetura, são quase 20 anos em melhoria no sítio. Quando comprou o terreno, o aumentou, plantou 2.500 árvores frutíferas e nativas da região. Também disse que os índios Tapuias e Tabajaras viviam na área e que esses últimos eram guerreiros valentes os quais foram os últimos a serem “vencidos”. Os paredões da serra impediam a colonização.

Para finalizar, uma novidade no complexo. A construção de glampings, ou seja, glamour com campings. Vários chalés, estilo suíços, de arquitetura minimalista sem banheiros e com um só quarto. São casinhas pequenas fofas de se ver. Eu sou maximalista, então nem pensar. O banheiro é fora e para uso comum. Fiz isso nos meus 20 anos em albergues da juventude e achava uma diversão. Considero uma proposta atraente para quem aprecia, sem dúvida. Vai ser um sucesso.

Olhe que sou uma viajante experiente, mas confesso ter ficado impressionada com o Sítio do Bosco. Parabéns! Só tenho elogios.

Prosseguiremos com passeios pela Chapada da Ibiapaba.

Jornada no Rio Grande do Norte – Rumo a Icapuí – Ceará

Jornada no Rio Grande do Norte – Rumo a Icapuí – Ceará

Hoje é dia 21 de outubro de 2021. Estamos de saída de Galinhos no Rio Grande do Norte. O café da manhã da pousada Oásis é maravilhoso, tudo especial, os pães recheados, os bolos com pouco açúcar, os sucos e muito mais.

Do lado do mar, as pousadas são mais frescas, estão no nascente; do lado do rio Aratuá, são mais quentes, estão no poente. Galinhos, uma península com dunas, farol e uma vila de pescadores, é um lugar seguro, com pouca iluminação à noite. A vida é mansa e se tem contato com cachorros, gatos, cavalos; não tem loja de artesanato e sugiro fazerem reciclagem.

Vamos pegar o barco a R$30,00 o casal. Estavam ajeitando a plataforma de embarque e desembarque, logo descemos em um bote com as malas a fim de chegar ao barco de transporte, uma graça. O estacionamento Pratagil onde estava o carro é perto. Demos tchau ao Portal de Galinhos e rumamos à BR-406 em direção à Macau.

Logo, estávamos na estrada. No caminho, passamos por Baixa do Meio, dividida pela BR com rodoviária pequena, ajeitada com praça e canteiro central. Até Alto dos Rodrigues, ficamos impressionados com as várias estações coletoras, mais estação de vapor e centro administrativo da Petrobras. Estamos na região dos cavalos mecânicos, do oleoduto, na Estrada do Óleo.

Passamos por Ipanguaçu, capital nacional da banana. Na cidade, vendas de frutas, macaxeiras, produtos da terra nas portas das casas; limpa e organizada, a estadual RN cruza a cidade. Na entrada de Itajá pegamos a BR-304. Vimos uma olaria, fábrica de cerâmica, na rota. Passamos pela entrada de Assú. Chegamos a Mossoró e paramos em um posto para café e gasosa.

Chegamos a Tibau, que pertence a Grossos, região de salinas. O povo de Mossoró tem casa lá, muito agradável o litoral com pousadas e casas avarandadas, bem refrescantes. Tibau é árido, muito iluminado. Mais árvores, por favor! Interessante que a divisa Rio Grande do Norte/Ceará é uma rocha tipo falésia no mar, porém alguns dizem que é a partir dos bares existentes na divisa dos estados. Inusitado.

Enfim, adentramos Icapuí, já no Ceará na CE-261. O seu coqueiral é digno de fotografias. Praia de Manibu, parque eólico, Peixe Gordo (zona urbana), Melancias de Cima (mirante com o cruzeiro-zona urbana), Melancias de Baixo (zona urbana), Praia de Tremembé, Ibicuitaba (zona urbana-uma gracinha com igreja antiga), Praia de Quitérias (salinas embaixo) e Icapuí (zona urbana) aparecem no trajeto. Descobrimos uma parte da cidade mais baixa que é uma lindeza. Na av. 22 de Janeiro, entramos para a Redonda/Perobas/Ponta Grossa (CE-261).

Na linguagem indígena, Icapuí significa “canoa veloz”, por sinal. Sempre apreciei esta localidade, nos hospedamos na pousada Oh! Linda na praia da Redonda, nossa velha conhecida. Almoçamos peixe Galo Alto, com legumes e arroz. À noite, a velha canja especial deles.

Hoje é dia 22 de outubro de 2021. Último dia da nossa jornada. O café da manhã com o protocolo da COVID, gostei. Farto, no ponto. Há mais mirantes no local, é quase uma floresta de caatinga a área da pousada. Se localiza em cima de uma falésia, o visual do mar é deslumbrante. Os chalés são distantes um do outro, dão o toque de calmaria necessário. Para ir à praia, há de descer uma escadaria existente na pousada ou ir de carro. O problema é ter joelho bom para subir…

Percebi a Redonda melhor, as casas mais bem cuidadas, coloridas, muitos chalés para alugar e, finalmente, fizeram um muro de contenção à beira mar, já que o mar não cansa de avançar, estava precisando. A localidade tem altos e baixos, a caminhada é boa.

Finalizamos nossa jornada em uma das nossas praias preferidas. Dá gosto visitá-la. Que Brasil, que nordeste mais bonito!

Jornada no Rio Grande do Norte – Chegada a Galinhos

Jornada no Rio Grande do Norte – Chegada a Galinhos

Hoje é dia 19 de outubro de 2021. Às 8h40 da manhã o Carlos e eu partimos de São José de Touros com saudades da pousada Enseada dos Mares e de São Miguel do Gostoso, cidade alegre e vibrante. Voltaremos!

Na estrada, de carro laranja novamente. Lá vamos nós rumo a Galinhos, lugar da moda atualmente no litoral norte do estado. Em direção a João Câmara à procura da BR-406, mas antes pegamos uma estadual sem número, só lembrando que são mal sinalizadas as RNs do estado vizinho, além de não terem acostamento. Tudo verde pelo caminho, plantações de macaxeira, coqueiros, fazendas de gado, mangueiras e frutas como melancia na terra fértil.

Chegamos a Boa Cica no calçamento ondulado. Graciosa. Passamos por Cana Brava, com suas vendas de frutas e macaxeiras em frente as casas, um barato. A natureza começa a ficar mais árida logo adiante, parece a vegetação do cerrado. Quando se inicia a caatinga, o calor do “bafo de dragão” nos incomoda. Mais 52 km e chegaremos a João Câmara.

Enfim, pegamos a BR-406. Ao longo da BR vimos o parque eólico Brisa Potiguar. A águia pequena, mas valente dita carcará faz parte da paisagem. São família, cuidam dos filhotes. Outro parque eólico, Santa Helena, mais a frente. Estamos nos dirigindo à cidade de Jandaíra, porém antes existe Aroeira Direita, com suas vendas de frutas, mel, manteiga da terra, melancia e biscoitos pelo caminho.

Entramos em Jandaíra, cidade pacata, com menos árvores, mais quente, com a BR a cruzando. Ao lado da prefeitura, uma feira funcionando. Pelo caminho, árvores “algarobas”, resistentes ao calor. Cidades interioranas são uma delícia, mostram um outro Brasil, mais acolhedor e amigável.

Mais 25 km e chegaremos ao portal de entrada de Galinhos. 5 km antes já nos deparamos com cheiro de mangue e sal, há salinas na região. Contornamos um lago salgado, um braço de mar. Agora vem o barato do local. Deixamos o carro gratuitamente em um estacionamento (Pratagil), com uma pequena infraestrutura de restaurantes e lanchonetes, e ficamos esperando pela balsa que cruza o rio Aratuá de meia em meia hora.

As pessoas sempre solícitas. Entramos no primeiro barco que chegou àquela hora. Era um barco de transporte da prefeitura. Nós e os outros passageiros acompanhados de nossas “tralhas”, além de bananas e águas. Uma graça. Pagamos R$10,00 os dois. Caso não haja 8 pessoas, a cobrança é de R$30,00 por pessoa. Somente se chega no local de balsa ou de carro tracionado sobre as dunas, pois Galinhos é uma península, parece uma ilha.

No terminal ou cais, encontramos charretes esperando pelos turistas para levá-los às pousadas, exótico demais. Não entra carro, vimos bugres. Andar a pé ou fazer passeios de charretes, eis a pedida.

Escolhemos a pousada Oásis, fomos a pé. Original, bem decorada, repleta de cores, flores, plantas, pássaros artesanais, com chalés Vênus, Sol e outros planetas, cheia de gatos, com porta decorada com bonecas de pano. Amei! Depois o Carlos descobriu que fazia mais calor e tinha mais moscas por ser ao lado do rio. Já as outras pousadas para o lado do mar eram mais frescas, embora mais longe do terminal de balsas. Sem arrependimentos.

Eu nunca vi nada igual a esta pousada. O chalé é aromatizado, o banho de água fria é mineral, temos direito a um garrafão de água, lembrando que a água é salobra, fica destinado ao corpo, e a água mineral para o cabelo e para escovar os dentes. Há espelhos, ganchos, lugares para as roupas, ar-condicionado, TV, em suma, com tudo isso me senti realmente no espaço sideral. O calor estava intenso, úmido.

Aviso que Galinhos não é barato, a não ser lugares mais simples e dos nativos. Detalhe: é aconselhável ter dinheiro em mãos, pois nem todo estabelecimento aceita cartão.

A pousada tem restaurante para almoço e jantar: Porto Bistrô. Maravilha! Almoço: peixe, arroz, feijão, farofa, simples e nutritivo, com pouco sal e açúcar.

Após descansar, à tarde com menos calor, combinamos com o Hiago um passeio de “burro táxi” pela cidade e praias por R$20,00 por pessoa. O jovem Hiago (84-992281433) é gente boa, eis uma boa dica. Está sempre pelo terminal de balsas, todos o conhecem e o empreendimento de transporte com charretes passa de pai para filho, muito diferente para quem vive em cidade grande.

Importante dizer que a região é composta de Galinhos, Galos e um assentamento, contabilizando uns 3.300 habitantes, segundo o Hiago. O passeio de burro táxi (na verdade, é um cavalo chamado de Parafuso) pela areia da praia trepida e emociona, uma hora de uma aventura equestre. Conheceremos o Farol das Almas na praia do Farol. Há uma enseada gostosa para banho e haja vento àquela hora.

O farol é automático à noite, funciona das 18 h às 5 h. Existem 12 plataformas de petróleo no mar na área. O pôr do sol é especial, em um local tão cativante. Os nativos costumam caminhar ou correr pela areia até lá.

O Hiago nos mostrou a cidade: posto de saúde funcionando, delegacia, prefeitura, Câmara Municipal (dos vereadores), escola municipal e estadual, centro com praça bem cuidada, a catedral Matriz sendo construída. Também nos deu sugestões de lanchonete de gente da terra (dona Reinilda). As ruas têm canteiros centrais coloridos com árvores e bancos. Há calçamento ou areia, depende da via. Posso dizer que isso apaixona. Galinhos é um sucesso.

Jantar: foi na casa da dona Reinilda, nas mesas instaladas do lado de fora na rua de areia. Preço justo por tapioca, cuscuz e café com leite. Lanche bem nordestino.

Dia muito produtivo e com gosto de quero mais no dia seguinte.

Jornada no Rio Grande do Norte – Touros – Farol do Calcanhar

Jornada no Rio Grande do Norte – Touros – Farol do Calcanhar

Hoje é domingo, dia 17 de outubro de 2021. Manhã. No café da manhã, chamo a atenção do bolo “moça”, tipo o “mole” do estado do Ceará, uma delícia, doce e mais seco que o nosso. Vamos aproveitar o banho das piscinas naturais na praia de São José em frente à pousada Enseada dos Mares.

Tarde. Decidimos ficar para o almoço em São José mesmo. Ao lado da pousada, há o restaurante Bar do Júnior à beira mar. O risoto de camarão, regado por um espumante italiano lambrusco branco Decord que levamos, foi especial. Aqui fica um alô para o menino Leandro, Gisele, Dedé, Júnior e Juli. Ali todo mundo se conhece, são simpáticos e acolhedores. Obrigada!

Mais à tardinha, fomos conhecer de carro tracionado o Farol do Calcanhar na praia do Calcanhar em Touros. No caminho, vimos coqueiros mil, casas simpáticas, observei que não se vê um pedinte na rua, as pessoas vivem com dignidade. Existem verdadeiros sítios, com muito verde, tudo bucólico. De São José, entramos à direita em direção a Natal na BR-101, e chegamos à praia do Calcanhar.

Segundo o Guia Quatro Rodas Brasil (2013), Touros é apelidada de Cotovelo do Brasil, a cidade fica no ponto em que o litoral do país começa a correr de leste a oeste. Como a vizinha Maracajaú, Touros também tem mergulho livre nos parrachos (formações de recifes). Ondas fortes quebram nas praias mais bacanas da cidade. Touros, boa para surfe e Calcanhar, com coqueiros e dunas, onde fica o farol do Calcanhar, o mais alto do país: são 298 degraus até o topo.

O farol em preto e branco, tem 62 m e é controlado pela Marinha do Brasil. Não pudemos chegar perto. Detalhe: é o segundo maior das Américas. No local encontramos uma família de Chapecó (Santa Catarina), moradores de Touros. Como existem catarinenses na área. Fiquei impressionada.

Depois de tirar nossas fotos costumeiras, pegamos a BR-101 novamente e conhecemos o monumento do Marco Zero da BR-101, obra do arquiteto renomado Oscar Niemeyer, que liga Touros à cidade de São José do Norte ao sul do Brasil. Diz na placa de outubro de 2020: “O Município de Touros, situado na costa leste brasileira, encontra-se em uma área em que o litoral faz a curva conferindo a este o apelido de “Esquina do Brasil”. Seu território, rico em belezas e histórias, comporta grandes monumentos da cultura material e imaterial do país.” Foi realizada por Francisco de Assis Pinheiro de Andrade (prefeito de Touros) e Fernando Antônio Melo Rocha (Secretário de Turismo).

Passamos pela Lagoa do Sal, distrito com fazendas de gado, e rumamos ao centro de São Miguel do Gostoso. Aproveitamos para visualizar o famoso restaurante Trapiche e ver o cardápio. O lugar é uma lindeza. Fica pra o próximo dia.

Noite. Descemos a pé até a rua da Xêpa, já estava na hora de fazer um lanche. Escolhemos o restaurante Gênesis, um dos atrativos da rua. Bem decorado com plantas, cadeiras diversas e coloridas nas mesas, alegre, com pendentes diferentes e várias samambaias no teto, uma lindeza! Só não tinham sucos naturais, pode? Eu pedi hamburguer vegetariano: pão de fermentação natural, hamburguer de grão de bico com beterraba, creme de girassol, tomate confit e folhas. O Carlos quis o do Sertão: pão de fermentação natural, hamburguer artesanal, bacon, picles de maxixe, queijo coalho e chutney de cebola. Excelentes ambos. Recomendo. Refeição acompanhada por música francesa leve e servida em uma cerâmica preta, um sonho. De lá ainda tomamos sorvete na Gostoseria. Que rua da Xêpa mais graciosa! Amei!!! Outros restaurantes dignos de nota: Borogodó, Palmira, Abelhuda, Tomaladacá (creperia) etc.

Continuaremos com São Miguel do Gostoso em breve…

Jornada no Rio Grande do Norte-São Miguel do Gostoso-Marco de Touros

Jornada no Rio Grande do Norte – São Miguel do Gostoso – Marco de Touros

Hoje é sábado, 16 de outubro de 2021. O banho de mar foi em frente à pousada de novo, nas piscinas naturais da praia de São José. Entre as rochas se formam as piscinas. Banho dos melhores. A pousada Enseada dos Mares se situa na RN-221-7 em São José, Touros. Sua posição é privilegiada.

Curiosidades do local: dizem “km”(ka/eme), ao invés de kilômetros. No centrinho de São Miguel há vendas em frente às casas: de frutas, batata doce, macaxeira (aipim), produtos da terra etc. Torna a cidade mais colorida, tropical e alegre.

Para quem vai a São Miguel do Gostoso sem um carro potente (de tração), a dica é pegar uma jardineira própria para turistas. Lembrando que os passeios nos arredores são para lugares, cujas estradas são de carrossal. No caminho se encontram muitos coqueiros e mandacarus. Algumas localidades têm bloquete e um pouco de asfalto nas suas ruas.

Manhã. Vamos conhecer o Marco do Descobrimento hoje. 15 km de São Miguel do Gostoso. Seguiremos rumo à praia de Tourinhos com estrada de carrossal ou costela de boi, como dizem. Entre Tourinhos e Marco, as dunas estão em muitos pontos engolindo a estrada. Descobrimos praias sem uma viva alma. A placa indicando a praia de Marco mostra 2 km. Detalhe: a estrada é péssima, o Carlos e eu nos sentimos aventureiros, estilo Indiana Jones. A região tem um tipo de carneiro adaptável a esse calor imenso. Antes de chegar a Marco, vimos barcos de pesca e a praia Morro dos Martins. O local tem posto de saúde, quadra de esportes, boa sinalização, maior do que imaginávamos. A aridez é acentuada, a claridade chama a atenção.

Enfim, chegamos a Marco. Existem barracas/restaurantes à beira mar. O monumento é pequeno e se trata de uma réplica, pois as pessoas raspavam e faziam chá, uma pessoa me contou. Atrás dele, existe a diminuta Capela de Nossa Senhora dos Navegantes. Estamos perto do meio dia, logo a luz e o calor são intensos!

Eis a história do Marco do Descobrimento. No ano de 1501, a expedição saída de Portugal, comandada pelo navegador Gaspar de Lemos, fez sua primeira parada na praia de Touros, onde foi fixado o Marco de Posse Colonial, o Marco de Touros, moldado em pedra de mármore… (esta explicação está escrita em uma placa no km 02 da BR 101 (sentido Natal) em Touros). De acordo com o Guia Quatro Rodas Brasil (2013), é o monumento mais antigo do país. O original se encontra no Forte dos Reis Magos em Natal (capital do RN).

A praia estava quase deserta e as casas sem movimento. Voltamos pela praia até Tourinhos, muita gente faz isso, pois diminui a jornada. Subimos em dunas de areia, vimos praias com enseadas e rochas, foram 20 minutos com a tração reduzida do Jimny (Suzuki). Emocionante.

Tarde. Voltamos à praia do Cardeiro em São Miguel. Novamente ao Bar do Tico para um almoço de peixe vermelho, com macaxeira frita e salada, e para refrescar, uma cerveja. Simples e bom, recomendo. Interessante que nessa praia, o mar fica muito longe, a caminhada para um banho de mar no sol inclemente não nos tentou.

Após o almoço, passeio pela praia. Conhecemos a bucólica praia do Santo Cristo na Ponta do Santo Cristo. Considerada a mais badalada da cidade, por causa do movimento de kite e windsurfistas, uma das melhores do mundo para a prática desses esportes, segundo o Guia Quatro Rodas Brasil (2013). Bom dizer que vi policiamento e lixeiras na praia.

Mais banho nas piscinas de São José à tardinha.

Noite. Jantar/lanche no Bodega Café (da catarinense Virna) no centrinho de São Miguel (Av. dos Arrecifes, 1333), e mais caminhada pela rua da Xêpa, a qual gamei, com seus restaurantes transados e variados. Dia completo e feliz.

Prosseguiremos em breve com novas aventuras…

Jornada ao Rio Grande do Norte – de Mossoró a Touros

Jornada ao Rio Grande do Norte – de Mossoró a Touros

Hoje é dia 14 de outubro de 2021. Saímos do Thermas Hotel em Mossoró, pegamos a rotatória direção a Natal e rumamos a Assú, são 75 km na BR-304. Muito calor e terra árida na jornada.

Entramos em Assú, passamos pela Av. Sen. João Severian da Câmara (RN-016). A cidade é graciosa, como todas as do interior. Entramos na rua Ulisses Caldas, no semáforo principal à esquerda rumo à Justiça do Trabalho. Não posso deixar de lembrar da amiga Cynthia Moreno que trabalhou aqui. Em Assú vimos mais verde, mangueiras, coqueiros etc.

Pegamos uma RN sentido Alto dos Rodrigues. Essa viagem foi uma aventura e tanto, pois as RNs são mal sinalizadas e cheias de buracos. Ainda bem que o nosso carro era um jipe “bom de luta”. Não ultrapassamos 80 km e não há acostamento. Sinceramente, um horror! Fiquei satisfeita em ver os cavalos mecânicos retirando petróleo da terra. Como se explica ter tanto ouro negro na região e as estradas estaduais estarem tão mal preservadas? Milagre ter uma indicação que a RN é a 408, ainda faltam 22 km até Alto dos Rodrigues. Depois dessa cidade, Pendências (RN-118), sentido João Câmara para pegar a BR-406. Detalhe: nos perdemos pelo caminho, tivemos que retornar, perguntamos e tiramos dúvidas. Enfim, a BR! Mais decente. Passamos por Baixa do Meio, perto de Jandaíra se encontra a entrada de Galinhos. Jandaíra a 5 km, a BR passa por dentro da cidade. João Câmara ainda a 45 km.

Os parques eólicos são monumentais no percurso. Fiquei impressionada. Aliás, o estado do Rio Grande do Norte é o primeiro lugar da Região Nordeste, o segundo: Bahia, e o terceiro: Ceará, em quantidade.

Em Aroeira Direita, um distrito, na BR-406 não encontramos um ponto de apoio, não apresenta infraestrutura nem para um almoço. Já João Câmara (também na BR) tem um tamanho razoável e boa infraestrutura. Na Antônio Proença, rua de calçamento depois asfalto, pegamos a RN-023 que corre para o mar. Quando se chega perto do litoral, a paisagem muda radicalmente, fica mais verdejante e o clima mais agradável.

Passamos por Canabrava, cujo verde parece o de uma serra. Boa Cica, da igreja azul, outra localidade verdejante. Detalhe: onde se vai há quebra-molas, não marcados. Touros, enfim. Nem precisava entrar, pois a pousada fica mais cerca de São Miguel do Gostoso, embora pertença a Touros. Saímos de Touros, pegamos a BR-101 em direção à praia de São José. As pessoas são muito queridas, diga-se de passagem, dão informações com boa vontade sempre que perguntadas, nada de GPS com a gente.

Lá vai: Praia do Cajueiro, Lagoa do Sal e finalmente, São José de Touros, nosso refúgio. Ufa, enfim. Foram 322 km de Mossoró até São José. A entrada da pousada Enseada dos Mares com buganvílias e árvores formando um túnel nos acolhe com encantamento.

Fomos almoçar em São Miguel do Gostoso, a 7 km de São José. Mortos de fome, eram 15 h e sem muitas opções a essa hora. Quem nos salvou foi a Neide do Ponto do Bolo (self-service) na Av. dos Arrecifes. A comida simples nunca foi tao saborosa. E ela uma simpatia. Decididamente, o potiguar se deleita com uma conversa.

A Avenida dos Arrecifes é longa com pousadas mil, restaurantes diversos e casas coloridas, uma sensação. De início, já achei uma gostosura, apesar do calorão. A cidade ajeitada, pacata, interiorana, repleta de cores e flores, fiquei maravilhada. São Miguel está na Rota do Gostoso e tem muito a oferecer.

De volta à pousada, fomos conhecê-la melhor. São chalés amarelos, separados por trilhas, plantas e flores; os quartos são enormes, bem confortáveis, a redinha na varanda completa o relaxamento. Pena a piscina tipo Jacuzzi não funcionar… A Enseada dos Mares se situa em um lugar especial, em frente às piscinas da praia de São José. Amo as piscinas do mar e nem sabia quando escolhi o hotel. Novamente pelo sistema de hospedagem Bancorbrás. Pensei que faríamos as refeições lá, mas me enganei, só oferecem petiscos e depende da hora. Então, o jeito foi ir a São Miguel do Gostoso para as refeições. Grande achado, na verdade. Mas nessa noite, resolvemos comer a velha pizza Marguerita com coca cola, nosso costume. Descobrimos o Misturama, restaurante e pizzaria na av. Monte Alegre, 290, Touros. O Almir, cara trabalhador, é bom de papo. E assim fomos conhecendo tantas pessoas solícitas, que nos deram boas dicas.

Prosseguiremos no paraíso…