Ceará-Piauí-Luís Correia com Delta do Parnaíba

Ceará-Piauí-Luís Correia com Delta do Parnaíba

Hoje é dia 10 de março de 2022. O Carlos e eu estamos em Luís Correia no estado nordestino do Piauí. O hotel Rio Poty Praia (Rua dos Magistrados, 2350) é amplo e está sendo pintado. Por ser baixa estação, estava com poucos hóspedes, felizmente para nós, afinal ainda nos preocupamos com a COVID. Os funcionários são atenciosos, o Eduardo é um deles. No café da manhã, amei o bolo de goma, típico da região. O povo do Piauí é conhecido por ser solícito e simpático, penso que Parnaíba merece ser mais divulgada.

Vamos ao programa. Saímos de carro rumo ao Porto dos Tatus, onde se pegam os barcos para o passeio no Delta do Parnaíba (corresponde à foz do rio): o delta das Américas, o único que deságua em mar aberto no continente. Interessante que antes a saída do barco era feita do Porto das Barcas em Parnaíba, mas era mais distante e dependia das marés.

De Luís Correia, vamos observando a cidade de Parnaíba. Seus moradores ainda residem em casas, há qualidade de vida. Passamos por armazéns, pelo Sobrado Luiza Brandão (ou Casarão dos Azulejos, ela a primeira poetisa piauense), e adiante subimos a ponte do rio Igaraçu, perto do Porto das Barcas. Do outro lado da ponte, nos direcionamos ao município de Ilha Grande de Santa Isabel, onde se encontra o Porto dos Tatus. Cruzamos com rendeiras e muitas carnaubeiras. Detalhe: um bocado de quebra-molas pelo caminho.

No Bar do Jaime, há estacionamento para os carros e um bar, lá conversamos com o guia/marinheiro Nelson que vai nos levar ao delta por R$320,00 (duas pessoas). Existe a possibilidade de ir com agência ou com um guia privado.

Começa o passeio. O rio Tatus deságua na baía das Canárias, divisa do Piauí com Maranhão. O rio chama atenção pela limpeza, trata-se de um percurso de 2 horas com muita beleza pela frente. O guia nos dá explicações valiosas. O Delta do Parnaíba tem 73 ilhas fluviais, a Ilha Grande fica à direita. Contorna-se a ilha até o mar, várias ilhas são habitadas, algumas são particulares.

A Ilha das Canárias é lar de pescadores, é a segunda maior do Maranhão, pertence a Araioses. Os peixes robalo e pescada amarela são fisgados em alto-mar. Os pequenos Lençóis Maranhenses são conhecidos como “Caída do Morro”. As dunas dão um toque de magia junto ao rio, há fartura de peixes de água doce: tambaqui, tucunaré, pintado etc, e a vegetação é de água doce aquática, dita “unha de gato”.

O rio Parnaíba é o braço principal, são 1485 km do mar até a nascente do rio, que se situa no limite entre os estados da Bahia, Maranhão e Tocantins, na Serra da Tabatinga e Chapada das Mangabeiras. O Parnaíba era navegável até o Alto Parnaíba e Santa Filomena, havia troca de mercadorias. Coisas do passado remoto.

Os manguezais, com raízes aéreas, são altos, passamos pelo longo Igarapé dos Periquitos. Ali vivem aves diversas, macacos, cobras, dentre elas, a sucuri de 10 metros, além de jacarés, guaxinins, dentre outros. Na lama dos mangues somente se pegam caranguejos machos para o consumo, afinal tem que preservar a espécie. O do consumo se chama toc toc, já o caranguejo guará é vermelho e alimento da ave guará que tem essa cor por causa dele. Eis a ave símbolo do Delta do Parnaíba. Que região mais rica! A garça azul e a branca, a gaivota e o martim pescador também embelezam a paisagem. Vimos a samambaia selvagem. Todo paraíso tem um problema: os pernilongos no mangue. Detalhe: ficamos sem assistir ao espetáculo das revoadas dos guarás, atração turística ao entardecer. Fica pra outra vez.

A água barrenta é causada pelas chuvas, em épocas secas, é verde. No local todos se conhecem, pescam e tem vida boa e tranquila. O rio se divide em cinco canais ao se aproximar do Oceano Atlântico: Igaraçu, Canárias, Caju, Melancieira e Tutoia. O Piauí está à direita e o Maranhão à esquerda. Em frente, o deságue para o mar, a Praia do Pontal e logo adiante a Ilha dos Poldros.

Passamos pela Ilha das Canárias, na qual o restaurante e pousada Casa do Caboclo é o mais conhecido. A ilha chamada de Paraíso das Canárias fica no Maranhão e tem 3 mil habitantes. O transporte é todo feito de barco e o contato mais perto é Parnaíba.

Chegamos a um pedaço de praia selvagem e desabitada, justamente na foz do rio Parnaíba, no encontro do Oceano Atlântico com o rio: a praia do Pontal. Tal encontro é marcado por uma espuma horizontal (do sal do mar). Que experiência essa de estar em estados distintos entre ilhas e praias e mangues, fantástico. A areia fofa deixa rastros, o local é descampado, a água e cor maravilhosas. Houve uma parada para banho, só que não tomamos, preferimos conhecer e tirar fotos. Já o povo do outro barco (excursão) se deleitou na água tentadora. Vimos bancos de areia na Ilha dos Poldros logo adiante.

Navegar na maré alta é uma paisagem, na maré baixa é outra. A Ilha das Canárias é longa, são 2 km só no barco. Na Casa do Caboclo descemos para o almoço. Restô e pousada, lugar paradisíaco, belo, tropical. Amamos!!! O almoço de filé de peixe robalo ao molho de camarão com purê de batata e arroz. Fabuloso! E a sobremesa, cortesia da casa, rapadura de castanha. Gostei que repeti. O lema do restaurante é If there´s wind, there´s no muriçoca (se existe vento, não existe muriçoca (pernilongo)). Conversamos com os turistas da excursão, todos encantados. Que ilha mais aprazível para relaxar, só se chega de barco, eis um local único. É comum habitantes de Parnaíba repousarem lá, que delícia! Minha amiga Minervina Menezes que o diga.

Retornamos maravilhados ao Porto dos Tatus. Pagamos o guia e o estacionamento (R$10,00). Enquanto eu estava em uma loja de lembrancinhas, o Carlos testemunhou uma cena inédita: um carro funerário com um corpo chegando a fim de pegar um barco para ser enterrado na Ilha das Canárias, acompanhado de familiares e amigo. Também vacas, bezerros, cavalos e cachorros foram vistos na rua. Bem peculiar.

Que manhã mais diferente e enriquecedora. Um dos passeios mais espetaculares da minha vida. Simplesmente imperdível.

Continuaremos em breve com Parnaíba.

9 comentários em “Ceará-Piauí-Luís Correia com Delta do Parnaíba

  1. Excelente descrição, Mônica.
    Conhecemos o hotel no seu auge. Íamos passar o réveillon lá mas fomos convencidos a desistir: o padrão tinha caído muito. Bom saber que aí estão pintando e recuperando o status. O melhor de Luís Correia também é a venda de carne de caranguejo: espetacular! Sempre trazíamos para casa sem ossos: é tão maravilhosa que comemos sem sal. Espetacular!
    Bela viagem é lindo passeio. Parabéns!

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    1. Querida Márcia,
      Que alma de viajante vocês têm! Todos os lugares vocês já conhecem kkkkk. Obrigada pelo comentário, você sempre acrescenta novos conhecimentos para mim, muito agradecida. Amei o hotel, o pessoal é solícito e o almoço do restaurante foi inesquecível. Viva a região. Penso que merece ser mais divulgada, na verdade. Grande abraço!

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