Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 4-Piedras Rojas

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 4-Piedras Rojas

Hoje é domingo, dia 8 de outubro de 2023. O passeio a Piedras Rojas (Pedras Vermelhas) promete ser muito bonito. Como o local é ventoso, temos que nos agasalhar bem. Eu usei meias térmicas por debaixo das calças compridas, gorro, luvas, duas blusas de lã, além do casaco. Um frio daqueles. Pagamos 55 mil pesos por pessoa (R$309,00) e 23 mil (R$129,26) para a entrada no parque. Para maiores de 60 anos, são 17 mil pesos e para chilenos 15 mil.

O micro-ônibus da Andes Travel nos buscou às 6 h da manhã e chegaremos às 17 h aproximadamente.. O motorista é o Enson e os guias Carolina e Duncan. Detalhe: falam muito bem inglês. A Carolina, um doce. O itinerário no folder é laguna Chaxa, Piedras Rojas, lagunas Miscanti e Meñiques, povoados andinos e Trópico de Capricórnio. Na excursão oferecem café da manhã e almoço. E vamos subir até 4300 m de altitude.

Passamos por um conjunto de árvores, algo raro no deserto do Atacama, o bosque de Tambillo. A paisagem é de areia e montanhas no horizonte. Região de pastoreio, há lhamas e ovelhas. Tamarugo é o fruto dessas árvores “tamargueiras do deserto”, usado moído para fazer pão. A água que vem das montanhas abastece a quantidade de árvores, um verdadeiro oásis.

Passamos por Toconao, um povoado de cor branca com mil habitantes, onde existe uma mina de lítio. O nome indígena significa “lugar de pedras”. Segundo o Guia de São Pedro do Atacama do Serviço Nacional de Turismo do Chile, a vila colonial é inteiramente construída com pedras liparitas de origem vulcânica. O artesanato de pedra vulcânica e a agricultura são as principais fontes de emprego pra seu povo. Ele está localizado a 38 km de São Pedro, a uma altitude de 2485 m. As frutas marmelo, romã, limão e laranja são colhidas na localidade. A água que vem da montanha atravessa o vale.

Deixamos o salar (a parte branca de sal) e chegamos ao altiplano. O sol vai surgindo às 7h30. Areia, pedras, poucas árvores de vez em quando. Arbustos baixos. Estamos na Rota do Deserto e vemos Socaire, outro povoado, um assentamento sem municipalidade. O Guia de São Pedro adiciona que se trata de uma pequena aldeia em cujo interior se encontram imagens de antigos tempos coloniais, também tem artesanato de camelídeos (mamíferos da família dos camelos) e lã de ovelhas. A igreja de São Bartolomeu é uma das mais antigas do norte do Chile, logo possui um histórico significativo. Estamos a 3300 m. Há a plantação de quinoa e alfafa. Possui 120 habitantes e foi construído em 1400 pelos incas.

As águas dos lençóis freáticos vêm de debaixo da cordilheira, são mananciais naturais. Eram glaciares 50 milhões de anos atrás. A estepe alto andina é um tipo de vegetação das montanhas. A paisagem é mais verde. Vicunhas (camelídeo andino) e viscachas (coelho roedor) são vistos. Estamos subindo as montanhas. O guia Duncan nos dá uma aula sobre camelos. Há os domesticados: lhama e alpaca (não da região) e os selvagens: guanaco (de face acinzentada) e vicunha (vive nas altitudes e em harém: 1 macho para 15 fêmeas). As vicunhas não atacam as pessoas, não têm vesícula biliar, por isso bebem água salgada, são herbívoros e precisam de sal, buscam água das lagunas e salares.

Paramos para o café da manhã em uma parte que é um rio flutuante, seco no momento. Os guias e motorista montam a mesa ao lado do micro-ônibus em 10 minutos. Que fome! Conheci duas chilenas de Santiago queridas: a Leontina (Leo) e Arellys. O café foi farto: água quente, chá, chocolate e café em pó, de frutas melancia, kiwi e pepino (parente do melão), salame, queijo, pães/croissants deliciosos, geleia de morango, manteiga e guacamole (de abacate). Muito rica a experiência. E com gente de diversos países.

Vemos o vulcão Meñiques de 4200 m. O guia explicou a razão de não chover no Atacama. A região de Antofagasta, do norte do Chile, é a mais ampla e há quatro cordões montanhosos, começando na Patagônia e indo até Nazca no centro-sul do Peru. O quarto cordão montanhoso é a Cordilheira dos Andes, suas paredes naturais não deixam as 60% das nuvens chegarem, então elas regressam ao oceano. Por isso as poucas nuvens. Ou seja, as cordilheiras atrapalham as chuvas. Chove a cada 2 ou 4 anos, 80 mm por dia, nesse verão passado choveram nove dias. A região de Antofagasta ao norte e Magalhães ao sul. As nuvens não vêm do Oceano Pacífico, os ventos alísios vêm do leste para oeste, aí ocorrem as chuvas. Mais ao norte a 500 km de São Pedro se encontra Quillao, onde chove a cada mil anos, portanto é considerado deserto absoluto.

Mais informações: as lhamas são domesticadas desde 2000 a. C. Carregavam 50 k por 40 km, eram usadas para transporte. As “pascanas” eram lugares de descanso para lhamas e pessoas. O povo que vivia na região era os lican anthay, “lican” significando povo e “anthay” terra.

Chegamos ao Salar de Aguas Calientes (ou Piedras Rojas) na Rota do Deserto. Há a base para a banheiros. Depois rumamos ao sendero (passarela) com caminhada de uma hora para fotos, o mirante é lindo. Vemos montanhas, com o salar embaixo. Difícil respirar, tem que caminhar devagar. O complexo vulcânico Meñiques, com formações rochosas de pedras de erupção vulcânica, crateras, cúpulas de lavas e fluxos (até 5910 m). O vulcão Aguas Calientes ou Simba (5924 m) tem lavas e não tem pedras. Os senderos são de pedra, areia e cascalho. Seguimos parando de vez em quando, por conta da respiração até o lago de sal. Boa caminhada sem muito vento, ainda bem. Esperávamos um tempo ventoso. A laguna se alimenta de água submersa a 40º C que passa pela orelha e sai fria. A respiração é bem complicada. O nome de Piedras Rojas é por conta do ferro existente.

Caminhada desafiadora com tanta altitude, sol e roupas pesadas. Começamos a sentir calor e eu sentindo a cabeça doendo um pouco. Na Rota do Deserto, existem as lagunas Meñiques e Miscanti.

O Guia de São Pedro do Atacama nos diz que pertencem à Reserva Nacional de Flamencos. A avifauna é composta principalmente de flamingos, Caitis, tagua-cornudas e guallatas. Das duas lagoas altiplanas, sobressai Miscanti, por seu grande comprimento e largura. Estão localizadas a 117 km ao sudeste de São Pedro do Atacama, a cerca de 4300 m.

Miscanti significa “lugar de sapos”. Sua cor azul e verde é de chamar a atenção. Não se toma banho, tem 15 km². 30 m de profundidade, mescla água salgada e doce. Tem recargas de infiltração de água de chuva do tipo subterrâneo e termal. Sua descarga é subterrânea e por evaporação. Sua superfície congela no inverno com temperaturas abaixo de zero. Chega a -30º C. As lagoas Miscanti e Meñiques se conectam entre si por baixo da superfície. Flamingos, gansos andinos e vicunhas se encontram no local.

Levem folhas de coca para mascar. A altitude nos faz sofrer. Ufa! Viagem para fazer enquanto se tem joelho e pernas bons.

Os parques da região são administrados pelo SOCAIRE, os guardas parques trabalham em turnos e são indígenas. O Duncan nos informou que são os próprios indígenas que administram os parques.

As visitas são rápidas, mais para fotografias. Vale demais. Na laguna Meñiques, vimos vicunhas na água. De tamanho menor e linda igual. Um grupo de franceses estava lá. Europeus e americanos frequentam muito o Atacama. Observamos lhamas na volta, é um alívio estar descendo.

Agora seguimos para ver a placa do Trópico de Capricórnio. Latitude 23º 26´16´´. O guia Duncan esclarece sobre as linhas divisórias do Trópico de Câncer, do Equador e do Trópico de Capricórnio.

Prosseguiremos para a laguna altiplana Chaxa para ver os flamingos. Está no caminho de Peine (aldeia) e não de Calama (cidade). De acordo com o Guia de São Pedro, foi declarado Monumento Nacional em 1982, Peine é um protótipo dos povos abertos atacamenhos. É possível ver pictogramas interessantes sobre a parede de pedra da Quebrada de las Pictographs.

Os flamingos são aves migratórias. Os do tipo chileno e andino viajam pela Cordilheira dos Andes. Os do tipo James vêm da África, não se misturam, são monogâmicos e os encontrados em Chaxa não se sabe se são machos ou fêmeas. Comem microcrustáceos o tempo todo. O Duncan sempre ensinando. Conhecemos a lagoa, mas estava muito calor e lá há uma casa base com banheiros. E nós empacotados de roupas…

A lagoa Chaxa é rasa com sal em uma formação incomum e fauna magnífica de flamingos de cor rosa. Localiza-se a 62 km ao sul de São Pedro. É local protegido e faz parte da Reserva Nacional de Flamencos, conforme o Guia de São Pedro.

Em Toconao, entramos na ponte do mesmo nome. E vimos a Quebrada de Jerez com água embaixo das rochas da cordilheira, estilo Grand Canyon (EUA) em miniatura. Também conhecida como Ravina de Jere, regada pelo rio Toconao. O Guia de São Pedro adiciona que tem um clima especial para a produção de frutas como peras e marmelos. No local há piscinas e flora abundantes, sendo as espécies de plantas mais comuns o “rabo de raposa” e o cacto.

Na volta, almoçamos pela empresa de turismo com a turma legal no restaurante El Diablillo (rua Le Paige, 502) que oferece carne de lhama, guanaco e avestruz. Comemos pratos combinados e fomos tirando as roupas de frio, pois em São Pedro estava o maior calor. O ônibus foi para outro lugar e do restaurante fomos andando para o hotel. Estava com uma dor de cabeça persistente. A simpática chilena Leo me deu um remédio no percurso, porém tive que tomar outro depois, além de um chá de coca no hotel. Motivo? Privação de sono, mudança de clima radical e altitude.

Obs: o Levi da agência Sol Andino tinha razão: o café da manhã foi às 9 h e o almoço quase 16 h, era necessário levar um lanche, levamos bananas, mas não foram suficientes. Não há estrutura de cafés e lanchonetes pelo caminho, e nem banheiros pelo motivo de estarmos no deserto e em lugares protegidos.

Que aventura de uma vida! Passeio imperdível. Deserto do Atacama irresistível.

7 comentários em “Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 4-Piedras Rojas

  1. Querida Mônica: Sempre um prazer ler-te! Obrigado. Em 2001 fiz Santiago/Iquique, de La Serena a Antofagasta 11h em conversa com uma Mapuche (=gente da terra), em casa de quem Maria Luísa, minha irmã, esteve em 2002. Amigos inesquecíveis. Feliz 2024! Beijinhos, Rui

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    1. Querido amigo Rui,
      Que maravilha ler você aqui! Deve ter sido uma viagem inesquecível a sua, o Chile tem muito a oferecer em termos de paisagens exuberantes e cultura indígena. Amo! Feliz Ano Novo para você e toda a família. Saudades de Portugal e dos bons amigos portugueses. Beijinhos, Rui e Xana.

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    1. Querida Joana,
      Obrigada pelo comentário, amiga Joana. São Pedro e suas paisagens lunares e desérticas são impactantes. Sem dúvida, uma das minhas melhores jornadas. Retornaremos para fazer o passeio do Salar de Uyuni na Bolívia, saindo de lá. Projeto futuro. Grande abraço.

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