Cases da FEB (Força Expedicionária Brasileira) promovido pelo Instituto Montese em Fortaleza-Ceará-Brasil

Evento ocorrido no Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) em 3 de janeiro de 2024 com a participação de filhos/filhas e parentes de pracinhas, militares, estudiosos e interessados.
Primeiro painel com Júlia Carvalho, Deodato Ramalho e Eleazar de Castro
Júlia Carvalho: filha do cel. Evaristo Fernandes de Oliveira, nascido em Timon-Maranhão. Hoje falecido, completou 73 anos de casado, aos 18 anos partiu para a Itália trabalhando no serviço médico. Era médico veterinário. Foi membro da Associação dos Ex-Combatentes Febianos. Foi docente da Escola de Agronomia da UFC (Universidade Federal do Ceará). Foi sua obra a primeira escola de alfabetização de adultos, era profundamente preocupado com a inclusão social. Deixou como legado a defesa da pátria e da família. Preferia ouvir a falar.
Deodato Ramalho: o sogro “pracinha” Manoel Clodomir de Almeida nasceu em Jaguaretama-CE e faleceu em 1972. Partiu do Rio de Janeiro para a Itália sem nem conhecer a capital cearense Fortaleza. Deodato diz que o povo não tem memória, não é passado na escola a história heroica da FEB. Se os “pracinhas” foram esquecidos, os “soldados da borracha” mais ainda. Vale assistir ao filme “Soldados da Borracha” do cineasta cearense Wolney Oliveira. Foi secretário da Regional 4 da prefeitura de Fortaleza, atualmente é superintendente do Ibama. Comenta sobre o Dr. Ximenes, grande memória, que quando ia para a guerra, ela acabou. Foi o timoneiro da história da FEB em Fortaleza. Em 25 de abril há sempre uma grande festa na Itália, em 2025 serão os 80 anos da Vitória, do fim da guerra. Há desfiles todos os anos em Montese com as crianças cantando o hino da FEB em português. Deodato reforça sua tristeza ao constatar a falta de memória do brasileiro e louva o trabalho incansável de Kátia Sousa e Adriano Andrade, do Instituto Montese, em Fortaleza e de Mário Pereira que foi responsável pelo memorial brasileiro em Pistoia-Itália. O maior fruto da FEB foi ter-nos salvo do nazismo e ter sido tão empático com os italianos.
Eleazar de Castro: autor do livro Pelos Caminhos da II Guerra Mundial (vol. 1-editora Chiado Books) em parceria com sua esposa Goretti Gurgel, ambos responsáveis pelo grupo de estudos @peloscaminhosdaiiguerramundial no Instagram. Estão no Whatsapp, You Tube, fazem palestras, encontros em cafés e participam de viagens temáticas. Eleazar se surpreende com o exército de pessoas nas sombras que estudam a História do Brasil e sua participação na II Guerra Mundial. A cidadania brasileira pode ser resgatada, a Itália é um país-irmão. Contou um fato ocorrido com ele e sua esposa Goretti Gurgel em Montese, quando estavam em uma lanchonete e uma garçonete disse a eles que os brasileiros eram seus libertadores, o casal ficou bastante emocionado. Eleazar fala sobre o sentimento de inferioridade nosso, o complexo de “vira-lata”. Esse sentimento não condiz com a nossa História.
Segundo painel com Carolina Oliveira, ten.-c.el. Macedo e cel. Sales
Carolina Bertrand Rodrigues Oliveira: filha do “pracinha” Geraldo Rodrigues de Oliveira, vivo e lúcido, jogador de dama e dominó. Seu pai que foi soldado da borracha despejou perfume nele antes de partir para a guerra e disse para o filho ir e voltar com o V de vitória. Tem muitas memórias da guerra. Carolina menciona a dra. Elza, de Alagoas, que foi enfermeira na II GM. Legado: a capacidade de adaptação dos brasileiros ao frio e a condições difíceis na Itália.
Ten.-c.el. Macedo: a Kátia Sousa do Instituto Montese o contatou por conta de uma exposição de selos da II GM no Hospital Militar de Fortaleza. É militar do Exército da área de saúde, filho de militar e estudou no Colégio Militar de Fortaleza. É pesquisador da área e se interessou pelo assunto quando pouco se falava na participação dos brasileiros. Somos a única nação sul-americana a enviar uma divisão inteira e a capturar uma divisão inteira de alemães. Fazíamos parte do V Exército americano. Está na hora de resgatarmos a nossa história, uma vez que nossos “pracinhas” participaram de uma das batalhas mais sangrentas contra os alemães, que foi a batalha de Montese. A empatia brasileira sempre chamou a atenção, pois dividiam a sua comida, o seu mingau, com a população que estava passando fome.
Cel. Sales: é o contato da FEB em Fortaleza, responsável pelo Museu da FEB no 10° GAC (Grupo de Artilharia de Campanha). Precisa de ajuda para fazê-lo funcionar. Não recebe visitas regularmente, porque falta estrutura física. Ainda existem quatro Febianos vivos no estado do Ceará. Eleazar de Carvalho propõe um evento aqui em Fortaleza para os 80 anos do fim da II GM na Itália em 2025.
Palestra de Mário Pereira
Pede uma salva de palmas para o Instituto Montese. Filho de Miguel Pereira, “pracinha”, que foi lutar na Itália, casou com uma italiana e lá se instalou. Temos que lutar para que a história da FEB e de todos os outros que lutaram, e dos Soldados da Borracha não seja esquecida.
Mora na Itália e reforça que o Brasil o chama. O seu pai lhe dizia ser o Brasil enorme, mas o menino Mário não acreditava. A FEB criou amores como o dos pais e agora com a namorada também. Tem viajado de carro pelo país: São Bernardo do Campo (SP), Brasília e Santa Maria (RS), e em outros lugares de avião, como Fortaleza (CE).
A grandeza do Brasil tem que se repetir no país, o que os brasileiros fizeram de bem para os italianos é de grandeza. Por exemplo: os americanos davam comida, mas os brasileiros dividiam. Já os ingleses não foram bem-vistos pelos italianos. (E não havia divisão por cores de pele na FEB, todos lutavam juntos. No exército americano havia batalhões só de negros, mas com comandantes brancos). Devemos ter muito orgulho dos nossos pais, pracinhas. Tantas populações e tantas etnias estavam na guerra, os alemães queriam lutar até o último homem. O cel. Nélson de Melo foi o comandante do 6° RI (Regimento de Infantaria). (Sua unidade teve papel destacado na Batalha de Fornovo di Faro). O comandante da Força Expedicionária Brasileira foi o gal. Mascarenhas de Morais. O fator climático era um problema. (Um frio congelante o qual o brasileiro não estava habituado, quem cedeu roupas adequadas aos brasileiros foi os americanos, pois os “pracinhas” não viajaram bem abastecidos de roupas apropriadas pelo governo Vargas).
Foi curador do Monumento Votivo MilitarBrasileiro (MVMB, na Via delle Sei Arcole)) em Pistoia, na Toscana italiana, substituindo o pai. Recebeu muitos veteranos, os conheceu e sentiu a emoção deles em viver aquele momento. Os brasileiros vão lá “aos pingos” e são em maior quantidade que os americanos, que vão em grupos de 300 pessoas. São em geral descendentes dos que lutaram na Itália.
Nos Apeninos (cordilheira), há 2 monumentos americanos, 56 brasileiros. Por que a escola não mostra isso? Em 2012 apresentou um documentário sobre a FEB: O Caminho dos Heróis-A Verdadeira História da FEB, de João Barone, no Colégio Militar de Brasília. Os alunos não conheciam nossa história. O que se estuda nas escolas do Brasil? Continua apresentando o documentário nas escolas com a linguagem dos jovens. O que os pais/pracinhas fizeram deve ser perpetuado.
Algo incrível: três pracinhas foram enterrados por alemães, isso não era comum. A percepção é que eles devem ter lutado bravamente para terem conseguido o respeito deles. Isso diz muito da sua coragem. O esforço e reconhecimento da nova geração de brasileiros para com quem lutou na Itália e venceu militarmente é fundamental para que não sejam esquecidos.
Outras participações importantes: da comitiva do bairro Monte Castelo e de Mário Sérgio do Vale-líder dos veteranos da FAB (Força Aérea Brasileira).
Informações:
(…) O uso de parêntesis explica o significado das siglas ou acrescenta dados relevantes.
1. O Instituto do Ceará é a instituição cultural mais antiga do estado do Ceará, criado em 4 de março de 1887. Localização: rua Barão do Rio Branco, 1599, Fortaleza-CE.
2. O Instituto Montese é uma instituição de cunho histórico, cultural e empreendedorismo no bairro Montese em Fortaleza-CE. Localização: av. Gomes de Matos, 1615. @institutomonteseoficial
3. Em Pistoia-Itália todos os anos no mês de novembro ocorre uma cerimônia cívico-militar em homenagem aos heróis da FEB que lutaram durante a II GM.
4. A Cordilheira dos Apeninos é a coluna dorsal da Itália. Na Campanha da Itália, os alemães usaram os Apeninos como uma barreira defensiva natural contra o avanço dos aliados na Itália continental (fonte: Wikipédia).
5.1. A FEB contou com um efetivo superior de mais de 25 mil militares, divididos em cinco escalões marítimos. As missões iniciais de combate em solo italiano foram efetivadas pelo 1° escalão da FEB, cujo contingente tinha por base o 6° Regimento de Infantaria (RI). As primeiras tropas haviam desembarcado em julho de 1944.
5.2. A 10ª Divisão de Montanhas dos EUA lutou ao lado dos brasileiros sob a égide do IV Corpo de Exército do V Exército de Campanha dos EUA entre os meses de janeiro e abril de 1945, tendo contribuído com as ações vitoriosas da FEB em Monte Castello, La Serra, Castelnuovo e Montese, por exemplo.
5.3. A generosidade e solidariedade dos militares brasileiros foram reconhecidas pela população. Um dos ajudados foi o sr. Paoli, quando tinha 13 anos. Em 1968, ele, habitante de Camaiore, prestou uma homenagem significativa com a construção de uma Cruz metálica de 12 m de altura, fixada sobre o cume do Monte Prano, a 1230 m de altitude. Fonte: www.defesanet.com.br
5.4. A Força Aérea Brasileira (FAB) também deve ser lembrada. Foi responsável por 15% dos veículos inimigos destruídos, 28% das pontes atingidas, além de 36% dos depósitos de combustível e 85% dos depósitos de munição danificados. Fonte: https://www.forte.jor.br
6. Os três pracinhas heróicos que lutaram contra uma companhia alemã foram: Arlindo Lúcio da Silva, 25 anos de idade, de São João del Rei-Minas Gerais, Geraldo Baêta da Cruz, 28 anos, de João Ribeiro-MG e Geraldo Rodrigues de Souza, 26 anos, de Rio Preto-MG. Serviram no 11° Regimento de Infantaria Expedicionário. Mesmo com ordens para se render, continuaram em combate até o último cartucho. Fonte: https://fatosmilitares.com
7. Os prisioneiros alemães preferiam se entregar aos militares brasileiros, já que lhe davam um tratamento mais humano.

👏👏👏👏
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Querido Victor,
Obrigada e grande abraço.
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