Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pela cidade-dia 4

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pela cidade-dia 4

Hoje é domingo, dia 16 de março de 2025. Dia especial, porque o Carlos e eu reencontraremos a amiga Ute Hermanns. Foi professora visitante na Casa de Cultura Alemã da Universidade Federal do Ceará (UFC) por 4 anos, e daí nasceu nossa amizade. Desde que foi embora de Fortaleza-Ceará, vive em Berlim, sendo professora de alemão para refugiados. Logo, foi uma grande alegria estarmos juntos. Ela nos encontra no lobby do hotel Park Inn by Radisson. Lá vamos de S-Bahn ao zoológico. Compramos os tíquetes na máquina. Detalhe: é o sistema de transporte de trens suburbanos e metropolitanos de superfície rápidos (fonte: Wikipédia).

A nossa amiga vai nos contando sobre a cidade. Feira das pulgas no parque Tiergarten aos domingos, enorme, vemos muito de Berlim de S-Bahn. Como existem museus na cidade. Igreja Memorial Imperador Guilherme ou Gedächtniskirche, destruída na II Guerra Mundial. O Google.com cita que é localizada na praça Breitscheidplatz, tem ao lado uma nova igreja moderna com uma torre octogonal e paredes de vidro azul. Inaugurada em 1961. A igreja antiga era neorromântica do séc. XIX. A torre danificada foi mantida de pé como um memorial de guerra e símbolo de paz. Batom e Caixa de Pó de Arroz, nomeados carinhosamente pelos berlinenses. Lá vemos os nomes dos mortos no atentado de Natal no dia 19 de dezembro de 2016, além de proteção de sacos, alambrados e cones de ferro na avenida por causa do ocorrido. Sempre tocante.

Bikini Berlin, loja de departamento. O jardim zoológico, o mais antigo do país, foi fundado em 1844. A visita foi presente da Ute. Obrigada! Vemos pandas gigantes (mamãe e dois filhotes gêmeos). Chamam-se Leni e Lotti. O panda papai está separado da família. Os bebês pandas nasceram em agosto de 2024, não mamam mais, comem bambu, tinham 13 kilos à época da viagem. São a sensação do zoo. Recebem biscoito como recompensa, não saem do recinto, por segurança de saúde, já a mãe deles pode sair. Eles têm uma vértebra especial que facilita a maneira como sentam, de forma confortável. O casal é formado por Meng Meng (ela) e Jiao Qing (ele). Os pandas são ativos, curiosos e desobedientes.

A seção de macacos é dividida por salas. São chimpanzés, orangotangos, gorilas. Ficam dentro no frio e para dormir há a parte de fora, melhor para eles. Vemos um orangotango da Sumatra, um gorila namorando e outro filosofando, eis o Fatou, é velho e só. A sua companheira havia morrido em 2010, a Gigi. Mais girafas, elefantes, bambis etc. Elefantes fêmeas levam a gestação por 22 meses. Os elefantes pesam de 2 a 7 toneladas, dependendo do sexo, idade e espécie. Passam 15 a 16 horas do dia comendo.

De lá, a pé passamos no Memorial de Tiergassentraße 4 ou Memorial e Centro de Informações para as Vítimas dos Assassinatos de “Eutanásia” do Nacional-Socialismo. Aparecem os nomes de médicos, enfermeiros e setor administrativo envolvidos nas mortes por Aktion 4 (programa de eugenia) com fotos da casa destruída, onde funcionava a mansão que servia como sede administrativa e central de planejamento dos massacres. Hoje, um memorial ao lado da Casa de Concertos Philarmonie (Filarmônica). O Google.com adiciona que o local homenageia as mais de 70 mil pessoas com deficiências físicas e mentais ou doenças crônicas exterminadas pelo regime nazista entre 1939 e 1945. A exposição é ao ar livre com painéis multimídia contendo documentos originais, áudios, vídeos e depoimentos de testemunhas da época. Vale a pena conhecer, é uma visita intensa. Berlim é história in loco. Detalhe: segundo o site https://www.todamateira.com.br, eugenia é a seleção dos seres humanos com base em suas características hereditárias com o objetivo de melhorar as gerações futuras.

Filarmônica e Sala de Música de Câmara. Sony Center, biblioteca, museus. E rumamos ao Gemäldegalerie, museu com exposição de pintura europeia dos séculos XVI a XIX. Localizada na Kulturforum (Fórum Cultural) cerca da Potsdamer Platz. Exposição temporária de 60 pinturas protegidas do museu da Ucrânia: Odesa Museum of Western and Eastern Art, de arte ocidental e oriental. Com molduras mais simples. Vemos pintores como Albert Edelfelt (1845-1905), cuja obra é “Virgin and Child” (A Virgem e a Criança), Gerard David (1460-1523), com “Lamentation of Christ” (Lamentação de Cristo). Está escrito no museu: “A representação de Maria, a mãe de Jesus, é um dos temas mais antigos das pinturas europeias”. Outros pintores: Francesco Granacci, amigo de Michelangelo; Giovanni Battista Salvi, chamado de Sassoferrato com a obra Head of the Virgin (Cabeça da Virgem), de 1685. Além de Canaletto, com a obra “Venice, Canal Grande”, de 1735; pinturas sacras de 1410, 1437, 1859; e também encontramos pinturas de Lucas Cranach, o Velho. Esculturas na madeira, e muito mais. Imperdível o museu. Endereço: Johanna und Eduard Arnhold Platz, 10785. Europa é cultura.

Do museu, partimos para o almoço no apartamento da amiga Ute. Entramos no ônibus de dois andares na rua Kurfürstenstraße. Chegando ao bairro residencial dela, Schöneberg, em uma lindeza de prédio com jardim verdejante. Lugar bucólico. Lá estava a gatinha da Ute: Xica da Silva, cearense. Linda e amada. No almoço, também me reencontrei com o ex-colega da Casa de Cultura Britânica (UFC), Alcir Pereira, que habita em Berlim há muitos anos com a família. Depois da refeição agradável e calorosa, saímos a passear com os dois amigos.

Estivemos no parque Volkspark Schöneberg perto do apartamento da Ute. Parque com um bar de biergarten (com mesas grandes em um jardim para encontros alegres regados a cervejas). O parque tem locais de festas animadas para homossexuais. O povo joga bocha. Vimos o monumento do Veado Dourado. A companhia de lixo estava em greve. Lá também tem dessas coisas…

A Ute vai falando dos Places of Remembrance (Lugares de Memória). Em postes, vimos muitas, são placas com escritas das leis que foram decididas antes da II Guerra Mundial pelo partido nazista e foram alijando os judeus da vida civil. Bastante comovente. A Wikipédia nos informa que é um memorial que consiste em 80 diferentes placas afixadas em postes de luz no distrito bavariano de Schöneberg. São de alumínio, medem 50 × 70 cm e são distribuídas pela localidade. Cada placa tem uma simples imagem com uma lei antisemita de 1933 a 1945, relacionada à imagem desenhada na parte de trás. Foram instaladas no bairro em 1993. Na comunidade, residia uma população de judeus classe média alta. Antes de 1933, 16 mil viviam lá, milhares foram deportados pelo partido nazista.

Vemos muitas Pedras de Tropeço nas calçadas com um mini-histórico de judeus que foram levados a campos de concentração forçosamente e seus destinos. Sempre triste testemunhar a maldade humana. O site https://simplesmenteberlim.com destaca que são “pedras de tropeço” ou em alemão Stolpersteine. São pequenas placas de metal criadas pelo artista alemão Gunter Demnig e instaladas nas calçadas de várias cidades europeias, incluindo Berlim. Essas placas individuais lembram vítimas do regime nazista, principalmente, judeus, mas também dissidentes políticos, homossexuais, ciganos e outros perseguidos. Cada pedra é gravada com o nome, data de nascimento e destino do indivíduo que sofreu sob o regime e é afixada na calçada diante da moradia da vítima.

Também passamos por um memorial onde existiu a sinagoga de Schöneberg. Bem bonito em cimento. Está escrito: “Aqui ficava uma sinagoga entre 1909 e 1956. Ela não foi destruída durante a Noite dos Cristais em 9 de novembro de 1938, devido a sua localização em um edifício residencial. Após a expulsão e o extermínio dos cidadãos judeus pelos nacional-socialistas, a sinagoga perdeu sua função e foi demolida em 1956”. Localizada na (rua) Münchener Straße. O site Blogger.com salienta que a sinagoga foi projetada pelo arquiteto Max Fraenkel e inaugurada em 1910. Ficava próxima à Bayesricher Platz. Acrescenta que em 1938 foi saqueada, mas não queimada e que continuando a sofrer graves danos com as bombas da guerra (II GM), ficou sem condições de restauração. O memorial atual se situa exatamente onde ficava o templo, hoje funciona uma escola. Está no nível da rua e os jardins do colégio foram desenhados seguindo o contorno original das fundações da sinagoga para preservar sua memória. (Fonte: sites Kommot e Blogger.com.)

Sempre emocionante estar entre amigos em outra cidade, ainda mais em Berlim, com tanto a aprender. Na Bayerischer Platz, na estação de trem Merringdamm, pegamos o metrô U7 e descemos quase na porta do prédio do Alcir. No bairro Kreuzeberg. Descemos na estação 46 E Stadmitte na praça Gendarmenmarkt, do séc. XVII, verdadeiro tesouro cultural e arquitetônico da cidade, de acordo com o site guiabrasileiroemberlim.com.br. Vimos a Casa de Concerto Berlim, linda, a Igreja Francesa, feita pelos huguenotes, e a Igreja Alemã. A estátua do poeta Schiller, a praça Bebelplatz onde foram queimados os 10 mil livros, hoje um memorial: a “Biblioteca sem Livros”. Olhando para baixo através do vidro, percebemos as prateleiras serem brancas. Em cima, ao redor da vidraça, testemunhamos homenagens em formas de velas acesas.

Uma caminhada cultural e histórica, chegamos perto do nosso hotel, ainda tomamos um café com a Ute e Alcir. Já era noite. Estávamos todos cansados, andamos mais de 12 km. Isso que é bom na Europa, poder passear tanto assim pela cidade. O clima ajuda, as calçadas também. Dia perfeito, agradecimentos efusivos aos queridos amigos que dedicaram seu tempo precioso a mim e ao Carlos.

No dia seguinte, começa a excursão de fato. Não preciso dizer que Berlim conquista nossos corações.

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 3

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 3

Hoje é sábado, dia 15 de março de 2025. Outro dia promissor que se inicia com o café da manhã do hotel Park Inn by Radisson na Alexanderplatz. O melhor são os iogurtes cremosos, o de framboesa demais. Às 10h35 estamos na parada do ônibus turístico do hop on hop off. Linha amarela, City Circle Gray Line. Chegamos tarde, porque é inverno, então é tudo mais lento, especialmente para nós, do nordeste brasileiro. Havíamos comprado a passagem para 48 horas. Saímos do hotel, dobramos à esquerda e encontramos a parada perto da academia FIT X. Não há placa do ônibus especificamente, as paradas são marcadas pela letra H, que também engloba as paradas de ônibus regular.

Começaremos a jornada. Os aúdios em português de Portugal. Na av. Karl-Marx-Alee, os edifícios eram monumentais na Berlim Oriental (do setor soviético) à época da Guerra Fria e ainda existem. Os prédios, inspirados na URSS, avenidas, candeeiros idealizados por Moscou, construídos a mão, edificações luxuosas de 11 andares, com o chão em piso parquet e elevadores, melhorias realizadas na época para impressionar o Ocidente e mostrar o quão bom era o socialismo. Era a avenida mais famosa da República Democrática da Alemanha (RDA), construída entre 1952 e 1960. Detalhe histórico: com o Programa Nacional de Reconstrução de Berlim, pós-II Guerra Mundial, os escombros foram removidos e a rua alargada.

A Wikipédia nos conta que em 16 de junho de 1953, começou uma revolta dos trabalhadores da construção civil que se rebelaram contra o aumento da cadência de trabalho sem compensação, o movimento se espalhou pela Alemanha Oriental e foi massacrado pelas tropas soviéticas e pelo Volkspolizei (polícia nacional da RDA).

Aqui cabe uma explicação sobre a RDA. De acordo com o mesmo site acima, a RDA ou Alemanha Oriental oficialmente se definia como um “estado socialista de trabalhadores e camponeses”. Ao mesmo tempo, o país era governado por um partido de inspiração marxista-leninista e integrado ao bloco soviético, sendo amplamente chamado de país comunista. Existiu entre 1949 e 1990, período em que a parte oriental da Alemanha fazia parte do bloco oriental durante a Guerra Fria.

Na parada 3: Gedächtniskirche/Rankestraße, vemos a escultura nomeada de Corrente Quebrada. O Google.com destaca que foi inaugurada pelos 750 anos de Berlim, dois anos antes da Queda do Muro. Trata-se de uma escultura de tubos retorcidos que imitam os elos de uma corrente partida, simbolizando a trágica divisão entre Berlim Ocidental e Oriental. Por não se tocarem no centro, representavam a proximidade física, mas o isolamento político dos cidadãos da época. Projetada pelo casal de escultores alemães Brigitte Matschinsky-Denninghoff e Martin Matschinsky em 1987. Achei genial.

Bairro Friedrichain. Da época imperial, anos 1900. Edifícios dos anos 1950. Parte oriental. Rua Varsóvia, liga o norte de Berlim ao sul. Era comercial com pequenas lojas antes da reunificação. Gostei da avenida, com canteiros centrais e praça com bancos para sentar. O tram passa ao lado.

Descemos na parada East Side Gallery, do Muro de Berlim. História do muro, fotos e pinturas, totens explicativos da história ao longo do rio Spree. Andamos até o Ostbanhoff (era a principal estação de trens da antiga Berlim Oriental) e atravessamos a rua para a parada do ônibus turístico. A gente escuta os aúdios, mas não sabe onde estão os locais, porque não há nenhuma placa que os indique.

Na Berliner Dom, catedral protestante luterana, há o mausoléu dos reis da Prússia, da dinastia Hohenzollern.

As bicicletas são incentivadas na cidade. Avenida Unter den Linden, maravilhosa. A Ópera Nacional, de 1742, está em renovação. O Portão de Brandemburgo fechado para o trânsito. Descemos no portão. Fomos ao restaurante de comida alemã Hopfingerbräu ali perto. Menu: salsicha branca com pretzel e molho doce/azedo. E chope. Como não? Não usam adoçante e o açúcar não é doce. Pratos bem interessantes, também veganos, cervejas diferentes, doces também. Exemplificando: doce de cereja azeda e chips de chocolate e quark (tipo de queijo fresco, cremoso, e levemente ácido). Deve ser uma delícia. Valor do almoço: €22,50 (euros).

Caminhamos pelo Portão de Brandemburgo e avenida Unter den Linden. Muita gente, afinal é sábado. Bem policiado. Rumamos ao Memorial aos Judeus Mortos da Europa. Dedicado à memória dos 6 milhões de judeus assassinados durante o Holocausto. Vemos os vários caixões de cimento em tamanhos diferentes como se fossem um cemitério. Já começa impactante. Esperamos na fila para adentrar o museu embaixo, passamos pela segurança, fotos sem flash.

Iniciamos a visita. A história cronológica da perseguição aos judeus pelo partido nazista. Primo Levi, químico judeu italiano, sobrevivente. Autor da obra-prima: “É isto um homem?”, com suas memórias do sofrimento passado em Monowitz-Auschwitz. Fotografias de judeus assassinados. Claire Brodzki (1928-1944) em Auschwitz e muitas outras pessoas retratadas. Morte de ciganos do grupo Sinti (encontrados na Alemanha, Itália e França). Outra sala com projeções no chão de histórias encontradas em papeis ou cartas/postais. Nas paredes, números de judeus mandados para campos de concentrações nos diversos países. Sala com o histórico de famílias e seus destinos, fotos, cartas, quem eram, os que morreram e como, e os que sobreviveram. Em alemão e inglês. Fotos de famílias, como a da Família Kagam na Bielorrússia, Hirsch na Hungria e Peereboom nos Países Baixos. Maly Trostenets, perto de Mink, capital da Bielorrússia, o maior campo de extermínio nazista da URSS ocupada. Babi Yar, fuzilamento em massa. Babi Yar era uma ravina perto de Kiev, capital da Ucrânia. Em setembro de 1941, dias 29 e 30, a Einzatzgruppen, esquadrões de morte, subordinados à SS, ajudou a polícia alemã e auxiliares locais a assassinar 33.721 judeus, homens e mulheres, jovens e velhos por fuzilamento. O gás venenoso Zyklon B, usado como método de extermínio nos campos de concentração. Muito bons os vídeos de entrevistas de sobreviventes. Forte a visita, mas necessária, para que nunca esqueçamos dos horrores do nazismo. Saímos e comprei um postal do memorial, das caixas de cimento com uma árvore de flores brancas na frente. A natureza torna a foto menos árida e mais lírica.

Um protesto no Portão de Brandemburgo. Com bandeiras, a polícia presente observando. A pé pela avenida Unter den Linden, um prazer, cheio de gente, só vi duas pessoas com cachorros passeando, o frio intenso. Outro protesto mais adiante: Salve a Ucrânia! Dei meu apoio. Em um quiosque de Döner Kebap, tomei café e pedi um kebap de frango para o jantar.

Sentamos em um banco em frente ao Museu da Guerra Fria. Outro museu: Bud Spencer & Terence Hill Museum (atores). Cafés, restaurantes, edifícios. A Champs- Élysées de Berlim. Agradável a caminhada. Estátua equestre de Frederico II, o Grande, em bronze, de 1851. Escultor: Christian Daniel Ranch, com 13,5 m de altura. Foi monarca da Prússia de 1740 a 1786. A casa onde morou o físico alemão Max Planck, de 1889 a 1924. Com feira de antiguidades ao lado. A Universidade Humboldt. Sebo em frente.

Continuamos na Unter den Linden. Prédio estilo greco-romano. A Wikipédia esclarece que é o Memorial Central da República Federal da Alemanha para as Vítimas da Guerra e da Ditadura. Chama-se Neue Wache, ou seja, nova Casa da Vigília. Interessante que chove e neva dentro. O simbolismo é poderoso. O interior da Neue Wache, com a escultura de Käthe Kollwitz: “Mãe com seu filho morto”. Garanto que quem vê, fica mexido. Berlim marcante.

Mercado de arte ao lado do rio Spree. Pinturas, fotos, artesanato. Bolsas, roupas, tudo lindo. Porcelana da Floresta Negra. Sábados e domingos, das 11 h às 17 h. Berlin Art Market. Pura tentação.

Parque em frente da Catedral, Lustgarten, com músicos de rua tocando órgão e violino. Bem Europa. A Berliner Dom é um cartão postal de tão bela. Que frio! Mão gelada. Voltamos à Galeria, loja de departamentos fantástica, perto do nosso hotel. Para mais chocolates, preços imperdíveis.

Berlim não se esgota, que cidade mais interessante e rica de história e cultura. Prosseguiremos em breve com mais passeios.

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 2

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 2

Hoje é dia 14 de março de 2025. O dia passado foi cansativo, dia de chegada. O Carlos e eu estamos no hotel Park Inn by Radisson na Alexanderplatz. Acordamos às 9 h e fomos para o salão de café da manhã que é no restaurante Spagos (restaurante, bar e lounge). Funciona das 6 h às 11 h. Na entrada do salão, um rapaz controlando os hóspedes pelo cartão do hotel. O café da manhã bem farto com muitos pães, queijos, presuntos, frutas, iogurtes bem cremosos sem açúcar. Já tem leite e garrafa prata de café na mesa. Prático. Pão com passas de uva, crisp bread (pão crocante), ovos, panquecas. Jornais e revistas para leitura. São duas ilhas de comidas com sucos e cafés. A seção de chás respeitável. Por isso hotéis me encantam. Amo estar em um ambiente com turistas do mundo todo e em várias línguas faladas, o inglês, porém, é fundamental para comunicação.

Hoje é dia de passeio de hop on hop off, nosso ônibus preferido nas cidades, o amarelo. Estamos por conta própria, a excursão começará somente no dia 17. Compramos os tíquetes em um guichê no hotel. €56 (euros) para nós dois com desconto. Há um mercado de guloseimas no saguão com espaços diferentes. Muito bom e aceitam cartão de crédito.

Lá vamos nós pela praça Alexanderplatz. Estamos meio perdidos, não é novidade. Um policial nos ajudou e chegamos à parada de ônibus do City Circle Gray Line. Parada 12: Alexanderplatz/Park Inn. Serão 2h e meia de passeio. Lembrando que dá para descer e subir nas paradas.

Comecemos a jornada. Escutando os auriculares em português de Portugal. Estamos na av. Karl-Marx-Alee. Antiga Berlim Oriental. Região de residencial popular. Parada 13: Karl-Marx-Alee. Prédio do partido único da Alemanha Oriental (RDA). Segundo o Google.com, esse prédio abrigava o Comitê Central do SED (Partido Socialista Unificado da Alemanha), hoje funciona como sede principal do Ministério Federal das Relações Exteriores da Alemanha. Localizado no centro de Berlim.

Prédio da antiga editora da RDA. O Google.com nos informa que era o principal e mais célebre edifício da editora, o Haus des Berliner Verlags, conhecido historicamente como Pressehaus (Casa da Imprensa). Atuava como o coração da mídia impressa do regime.

Antiga Central de Energia Térmica. O áudio se confunde e fala “energia atômica”. O mesmo site nos conta que foi inaugurada em 1964, fornecia eletricidade e aquecimento central para a maior parte de Berlim Oriental. Movida a combustíveis fósseis. Atualmente, abriga a conhecida casa noturna e centro de eventos Kraftwerk Berlin, onde tocam os DJs mais famosos, ninguém tem certeza que entrará, depende dos leões de chácara deixarem entrar, são 1.500 fãs, há bar panorâmico, música eletrônica, a Lady Gaga gosta, vão até segunda de madrugada nas baladas.

Parada 14: Berghain/Friedrichhaim. Parte ocidental e oriental com edifícios antigos. Rua Varsóvia (Warschauer Straße), a mais animada. Restaurantes, lojas, bares.

Parada 15: East Side Gallery. Restante do Muro de Berlim. Trecho contínuo com cerca de 1.300 m, 100 pintores fizeram obras artísticas no muro, Patrimônio Histórico e Artístico. Espaço memorial às margens do rio Spree. Antes de 1989, com a Queda do Muro, do lado da Alemanha Oriental, guardas ainda matavam quem tentava fugir. Há prédios sendo construídos por ali, mas nem todos concordam.

Parada 16: Ostbahnhof. Estação de trens com diferentes nomes reflete a complexa e agitada história do país moderno. Cidade com obras artísticas murais, casas coloridas. Gente morando debaixo de ponte. Ainda vemos prédios uniformes, cinzas da antiga Alemanha Oriental.

Parada 11/17: Neptunbrunnen/Rotes Rathaus. Câmara Municipal, de cor vermelha. Igreja de Santa Maria ou Marienkirche. Fonte de Netuno do séc. XIX. Conforme o site https://mapeandomundo.com, trata-se de uma fonte verde, construída em 1895, no estilo neobarroco que retrata o deus do mar. e é rodeado por figuras femininas que simbolizam os rios alemães Reno, Weichsel, Oder e Elba. A Torre de TV se encontra perto.

Parada 18: DomAquarée. Parada 19: Museumsinsel/Humboldt Forum. Ilha dos Museus, de acordo com a Wikipédia, construída de 1830 a 1930 por ordem dos reis prussianos, foi designada Patrimônio Mundial em 1999, por causa de seu testemunho no desenvolvimento arquitetônico e cultural dos museus dos séculos XIX e XX. Igreja monumental da Corte: Berliner Dom. Catedral protestante luterana. Lustgarten-um parque na Ilha dos Museus. Palácio de Berlim, anteriormente, conhecido como Palácio Real, alberga o museu Fórum Humboldt, dedicado à história humana, arte e cultura. Ponte Schlossbrücke, com esculturas em mármore branco que retratam a jornada de um menino até a maturidade, tornando-se um guerreiro e encontrando a morte no campo de batalha. Essas estátuas estão sob a tutela das deusas Atena, Nice e Íris (fonte: https://www.getyourguide.com). Não é uma cidade notável?

Parada 20: Unter den Linden. Avenida linda, larga, ótima para caminhadas. Antiga Biblioteca Real, hoje Faculdade da Universidade de Humboldt. Na Faculdade de Direito, no subsolo da praça Bebelplatz, ao lado, há o memorial dos livros queimados, uma biblioteca sem livros, um dos locais onde os livros foram incendiados pelos nazistas em 1933.

Under den Linden com Friedrichstraße, cafés famosos, um se chama Viktoria ali perto. A avenida celebrada antes era o caminho por onde o rei ia a cavalo até seu palácio de verão Charlottenburg passando pelo Portão de Brandemburgo. Vemos as embaixada Russa, Britânica e Americana, sempre muito policiada.

Parada 21: Brandenburger Tor/Holocaust-Mahnmal. Memorial em homenagem aos Judeus Mortos da Europa, de Peter Eisenman. Inaugurado em 2005. Portão de Brandemburgo. Monumento neoclássico do séc. XVIII. Foi bloqueado pelo Muro de Berlim e serviu por quase três décadas como um marcador da divisão da cidade. Encontrava-se dentro do setor soviético à época da Guerra Fria, mas não pertencia ao lado oriental nem ocidental. Pós-Queda do Muro, passou a ser símbolo da reunificação.

Passamos pelas placas em forma de cruz com fotos, nomes e a história dos que morreram tentando pular o Muro.

Parada 22: Reichtag. Na Praça da República. Com bandeira hasteada. Feito em estilo neorrenascentista. Também conhecido como Palácio do Reichtag. O edifício foi projetado por Paul Wallot e inaugurado em 1894, sendo um marco da história do país, associado a eventos significativos como a proclamação da República em 1918 e o seu incêndio em 1933. O site https://dicasdeberlim.com.br comenta que esse incêndio criminoso foi usado pelo regime nazista como pretexto para perseguir opositores. Após a II Guerra Mundial, foi restaurado e modernizado, sendo utilizado como sede do Bundestag (uma das câmaras do parlamento alemão) desde 1999. A icônica cúpula de vidro foi desenhada pelo afamado arquiteto inglês Norman Foster, assim como o projeto do palácio.

Futurium, museu/laboratório, com entrada gratuita. Parada 23: Hauptbahnof. Estação principal de trens. Museu de História Natural. Edifício Cube Berlin, o mais inteligente, 210 mil pés quadrados, com estacionamento, luz, temperatura, fachada de vidro dobrada por dentro, tudo pensado, 11 andares de escritório.

Moabit é uma das seis localidades do distrito Mitte. No séc. XIX, à época do rei Guilherme I, era um povoado de huguenotes, fervorosos protestantes calvinistas, de origem francesa. Plantaram amoreiras e criaram bichos de seda. Muitos trams (bondes modernos) pela cidade. No prédio de detenção de Moabit estiveram detidos presos políticos da RDA.

Parada 24: Siegessäule. Obelisco da Vitória ou Coluna da Vitória, com deusa de ouro e mirante circular. Parque urbano público Tiergarten, destruído com suas árvores na II GM. Entre 1949 e 1959, reconstruído como parque paisagístico. 210 hectares, um dos maiores da cidade. Local popular.

Palácio de Bellevue, primeiro estilo neoclássico, local de reuniões oficiais e de hóspedes do III Reich. Foi atingido na II GM. Residência oficial do presidente da Alemanha.

Parada 25: Zoo+Aquarium/Bikini Berlin. O zoológico é um dos cinco maiores do mundo, 35 hectares, tem uns 20 mil animais de 1.600 espécies diferentes. Muitos centros comerciais ao redor. O Bikini Berlin é uma proposta de shopping inovadora, com hotelaria, entretenimento, compras e gastronomia. Tem uma área verde de 7 mil m².

Parada 1: Kurfürstendamm 216. Avenida com lojas exclusivas, como Hugo Boss, Dolce Gabbana, Ralph Lauren e outras mais. Conhecido como Boulevard Ku´damm. Viagem através de diferentes épocas na avenida imperial até hoje. Vida noturna e glamour. Foi inaugurada em 15 de maio de 1886. Seus edifícios foram destruídos na II GM. Zona comercial hoje com cafés e lojas. Estamos no inverno, árvores secas.

Parada 2: Hard Rock Cafe/Meinekestraße. Parada 3: Gedächtniskirche/Rankestraße. Gedächtniskirche ou Igreja Memorial Imperador Guilherme, construída entre 1891 e 1895. Destruída durante os bombardeios da II GM em 1943, o que se vê são as ruínas, preservadas como memorial de guerra. Dica de loja: Primark, com preços ótimos. Escultura “Berlin” (Corrente Quebrada).

Parada 4: KaDeWe. Descemos e entramos na KaDeWe, a loja de departamento mais renomada desde 1907. 2.700 funcionários, a gente se perde em tantos andares e há variedades mil. Muitas opções de comidas. Fomos almoçar, enfim, no 6º andar, no Kartoffelacker. Menu: almoço de truta defumada com batatas souté. A sobremesa: uma trufa de chocolate amargo. mais coca e café, uns €28 (euros).

De volta ao ônibus. Á direita, Urania, de 1888, sociedade científica para popularizar a atividade de ciência por meio de palestras, filmes e teatro. Em 1945, no fim da II Guerra Mundial, 70% da cidade estava destruída. 75 milhões de escombros. São 891 km². 3,7 milhões de habitantes no presente.

Parada 5: Lützowplatz. Parada 6: Kulturforum Tiergarten/Philharmonie. Passamos pelas embaixadas de Malta, Mônaco, Finlândia e outras. Fundação Konrad Adenauer, instituto político. A Wikipédia destaca que é uma instituição benemerente alemã associada ao partido da União Democrata-Cristã. Fórum da Cultura ou Kulturforum na Mattaikirchplatz.

Parada 7: Potsdamer Platz/Panorama Punkt. A praça Potsdamer era vívida nos anos 1920. No final da guerra em 1945, estava 80% destruída, foi esvaziada com a URSS e com a reunificação voltou a ter sua importância restaurada. Sony Center, Um complexo de sete edifícios individuais com o modo de fachada moldando chapas de papelão ondulado, seções de tecido em forma e superfícies (fonte: WikiArquitectura). Deslumbrante.

Estamos na divisão dos setores britânico (à esquerda) e americano (à direita) do pós-II GM. Na Leipziger Platz.

Parada 8: Gropiusbau/Topographie des Terrors. Edifício da Topografia do Terror, memorial e centro de documentação que preserva a história dos horrores perpetrados pelo regime nazista, localizado onde funcionou a sede da Gestapo/SS entre 1933 e 1945. O livro Em Busca de Sentido, Edição para Jovens Leitores, de Viktor Frankl, editora Auster, 2023, esclarece no Glossário que a Gestapo era a força policial secreta da Alemanha nazista que perseguia supostos adversários dos nazistas, e a SS, a organização militar nazista que realizava a vigilância, as prisões e execuções para Adolf Hitler.

Parada 9: Checkpoint Charlie. Ponto de controle de estrangeiros no setor americano no pós-guerra. Ali tem a história do Muro e o destino das vítimas. US Army Checkpoint. Friedrichstraße, ligação norte/sul de Berlim. Popular rua comercial depois da Queda do Muro. Primeiro grande projeto da reunificação, três blocos de edifícios ligados por uma galeria subterrânea. Estação de metrô fechada na frente, linhas 6 e 8, porque passavam pela parte leste da Berlim dividida na época da RDA.

Parada 10: Gendarmenmarket. Do séc. XII, a praça fica em uma das regiões mais belas de Berlim. Edifícios monumentais, bancos que convidam a sentar e admirar a cidade. Cidade larga. As Igrejas Gêmeas, barrocas, se situam dos dois lados da praça. Elas se completam com uma torre coroada por uma cúpula. Também há a Igreja Francesa e a Alemã. Essa virou um centro artístico e depois um museu que conta a história da democracia alemã. Bairro mais antigo e charmoso: Nikolaiviertel, ou seja, St. Nikolai.

Passamos pela Fonte de Netuno de novo e descemos. Caminhamos. Loja Pylones, perto da Berliner Dom, catedral. Linda, muito colorida. Um bocado de lojas de lembrancinhas nos arredores. Encontramos uma e comprei uma camiseta (lógico) de um brasileiro, Vinícius. Chegado há pouco na cidade. Já cerca do nosso hotel, a incrível loja de departamento Galeria na Alexanderplatz. Amamos, vários andares de compras, a seção de chocolates foi inesquecível. Com muitos descontos. No 5º andar, poucos restaurantes, no esquema de buffet, você paga separado pelo que escolhe. Resolvemos retornar ao restaurante de ontem à noite: Frittenwerk na praça, cerca do hotel. O mesmo prato: avocado chicken bowl (tigela de frango com abacate). Quem gosta, torna.

Observo muitas pessoas de mais idade trabalhando, a aposentadoria na Alemanha ocorre aos 67. E não vi gatos e cachorros de rua. Achei o Asien Supermarkt fantástico, só produtos orientais.

Continuaremos em breve. Cidade fascinante.

Berlim e Leste Europeu-chegada a Berlim espetacular-dia 1

Berlim e Leste Europeu-chegada a Berlim espetacular-dia 1

Hoje é dia 13 de março de 2025. Lá vamos nós fazer um circuito pelos países do Leste Europeu e Berlim com a CVC/Special Tours (à época com a Débora no shopping Del Paseo em Fortaleza) no inverno. Fomos pela TAP Fortaleza-Lisboa. Na chegada para os voos de conexão ou ligação, como os portugueses dizem, passamos pela imigração e raio-X. Do ano anterior para então, havia mudado o protocolo. Sempre uma sopinha de abóbora no Go Natural por €2,50 (euros). Lugar de estimação. Voo para Berlim na hora também pela TAP, só água oferecem, no mais, se compra no cartão de crédito.

Chegamos à histórica Berlim. Berlin Brandemburg Airport. Enorme. As malas chegaram, que alívio. São 16h40. O motorista do transfer nos aguarda em uma Mercedes, o Harry, um senhor bem simpático. São 27 km do centro de Berlim. Passamos pelo futurístico Tempelhof, aeroporto que pertencia ao setor americano pós-II Guerra Mundial. As esteiras de malas eram as maiores do mundo. Conforme o livro Pelos Caminhos da II Guerra Mundial, volume 1, editora Chiado, 2019, de Eleazar de Castro e Goretti Gurgel, o aeroporto foi construído em 1923 pelo presidente Hindenburg após a I Guerra Mundial. Quando Hitler assumiu o poder, encomendou o projeto de um aeroporto para Albert Speer, o arquiteto do nazismo. A ideia é que fosse “a mãe de todos os aeroportos”, de fato, chegou a ser dos mais importantes. Com as linhas retas e sóbrias, típicas do partido nazista, já tinha à época uma ligação com os trens do metrô de Berlim. Durante a II GM foi base de manutenção dos aviões da Luftwaffe e no subterrâneo uma fábrica de armas. Muito tempo depois, foi transformado no maior parque público da cidade, utilizado por ciclistas, corredores e skatistas. No pátio permanece um avião Douglas C-54 Skymaster (a versão militar americana do DC-4).

E vamos batendo papo com o Harry. Os prédios têm a mesma altura por onde passamos, 4 andares, há uma razão histórica. Estamos na antiga Berlim oriental. Diz ele ser o tempo uma gigantesca máquina de lavar, devolve tudo para onde pertence (Time is a huge washing machine. It puts everything back to what it belongs).

Que distância! Enfim, chegamos ao hotel da excursão. Decidimos aproveitar a cidade com uns dias antes. Hotel muito bem localizado, na famosa praça Alexanderplatz: Park Inn by Radisson. Entramos, deixamos as malas e fomos comer. Descobrimos o Frittenwerk na praça. Salada com frango e avocado chicken bowl (tigela de frango com abacate), uma delícia, com quinoa. €10,90 (euros). Restaurante descolado, como se diz, pratos de locais diversos, como Istambul (Turquia), Montreal (Canadá), Tijuana (México) etc. Um achado.

Dormimos exaustos. Algo a contar, eis minha segunda estada na cidade. A primeira foi em 1997 por poucos dias, ainda com aquele clima lúgubre na Berlim, então oriental. Faltou muito a conhecer. Queria muito checar como estava anos depois, porque só escutava elogios. Lembrando que em 9 de novembro de 1989 ruiu o notório Muro de Berlim, marcando a queda da Cortina de Ferro e o início da queda do comunismo na Europa Oriental e Central (fonte: Wikipédia). Berlim, história sem fim.

Continuaremos com muito mais sobre essa cidade vivaz.

Bela Itália-Nápoles e Roma-dia 8-fim de viagem

Bela Itália-Nápoles e Roma-dia 8-fim de viagem

Hoje é dia 8 de outubro de 2025. Chegamos de Pompeia e vamos a Nápoles. Distância: 213 km. Finalizando a viagem de onde partimos para Capri. Segundo o folder da Europamundo, uma das cidade mais fascinantes e antigas do país, e continuamente habitadas da Europa. A cidade velha é uma das maiores do continente e foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO.

A guia Sabrina, como sempre, nos dá informações relevantes. Ela nos sugere comer a pizza napolitana. Fala no bairro Espanhol, autêntico, surgido no séc. XVI durante o domínio espanhol. Construído para abrigar guarnições militares espanholas, mas rapidamente se torna popular, incluindo atividades de prostituição e contrabando (fonte: https://italianismo.com.br). Para compras, a loja Napolimania (Via Toledo, 312). O ex-jogador de futebol Diego Maradona é amado pela população. Tem até santuário, um mural, no bairro, na Via Emanuele de Deo.

A origem da pizza marguerita tem a ver com a rainha Margherita de Saboia. Segundo o Google.com, a pizza nasceu na cidade no ano de 1889, pelas mãos do famoso pizzaiolo Raffaele Esposito, da histórica Antica Pizzeria Brandi. Ele criou uma receita especial em homenagem à visita da rainha, com as cores da bandeira italiana: branca (muçarela de búfala), vermelho (molho de tomate), e verde (folha de manjericão), aí batizaram a pizza com o seu nome.

Nápoles é rica em lendas e tradições. A guia nos conta sobre o munaciello, ou no dialeto local, “pequeno monge”. De acordo com o Google.com, uma das figuras mais emblemáticas do folclore napolitano. Descrito como um homem de baixa estatura, vestido em um hábito monástico com capuz e sapatos com fivelas de prata. Esse espírito pode trazer tanto grande sorte quanto azar. Acredita-se que a lenda nasceu nas entranhas da cidade. Origem histórica: nos subterrâneos de Nápoles, havia trabalhadores que conheciam perfeitamente seus aquedutos e túneis. Circulavam livremente pelas adegas e porões, muitas vezes deixando presentes (ou roubando pertences) para alterar a sorte dos moradores.

Há também a tradição da bruxa Befana. A Wikipédia menciona que é uma figura lendária do folclore italiano. Descrita como a “bruxa boa” ou simpática velhinha, ela voa em uma vassoura na noite de 5 para 6 de janeiro (Dia de Reis/Epifania) para deixar doces e pequenos presentes nas meias das crianças bem-comportadas e pedaços de carvão para as malcriadas. A Sabrina fala em outra tradição: duas semanas antes do dia 2 de novembro, Dia dos Mortos, os napolitanos limpam a casa e a decoram com flores. Fazem piquenique em frente às tumbas. O luto é sentido como dor. Escutamos no ônibus as músicas de Pino Daniele, estimado pela nossa guia.

Nápoles tem muralhas e cidade subterrânea. No centro, há fila na Via de Santics Francesco. O site https://post-italy.com nos conta que é para entrar no Museo e Capella Sansevero, local que conserva uma das esculturas mais famosas de Nápoles: o Cristo Velato, ou Cristo morto, em português. A obra realizada em mármore por Giuseppe Sanmartino impressiona pelo seu realismo e qualidade técnica. O corpo da estátua de Cristo é recoberto por um sudário esculpido em um único bloco de mármore. Ao observá-la, temos a sensação de que o véu não é feito de rocha metamórfica, mas de um tecido fluido que envolve perfeitamente as formas do corpo.

Novamente no centro, perto da Galleria Umberto I, se localiza a Rua dos Presépios”, de artesãos, no bairro de São Gregório Armênio. Tradição de pai para filho. O site www.brasilnaitalia.net chama a atenção que se trata de uma via pitoresca, um verdadeiro tesouro de arte, tradição e história. Na Via dei Tribunali. Um pouco de história: originalmente, ali existia um templo dedicado à deusa Ceres, onde os habitantes locais ofereciam estatuetas de terracota como votos. No séc. X, um mosteiro foi construído sobre o antigo templo romano, abrigando as relíquias de são Gregório da Armênia. A partir daí, a produção de presépios ganhou ainda mais relevância, impulsionada pelas encomendas de famílias nobres que desejavam a cena do nascimento de Cristo em suas residências.

“O napolitano fica seco, mas não morre”, comenta nossa guia. Sempre foram machucados por todos os lados. Porém, eis uma cidade onde deixam as pessoas viver. Quem mora na rua, não quer sair de lá. São ajudadas. A Sabrina demostra todo seu amor pela cidade natal. O estado fica com quase metade do salário, pago em impostos. Se ganha pouco, muitos são informais. O trânsito é meio caótico.

Castelo Novo logo na saída do porto. A Wikipédia nos informa que foi fundado em 1282, com estilo gótico e proprietário: Carlos I da Sicília. O Palácio Real, de 1600, um dos quatro palácios que serviram de residência aos reis de Nápoles e Sicília durante o reinado das Duas Sicílias. Localizado `a Piazza del Plebiscito, 1.

Às 12h30 na Trattoria Medina (Via Medina, 43), local marcado para o almoço. Andamos até a Via Toledo, estamos no bairro Espanhol. O Carlos e eu retornamos por conta da quantidade de gente e fomos para o restaurante, almoçar logo. O grupo estava como queria, solto e livre. Pedimos a pizza marguerita, uma tônica e depois um limoncello, nosso licor preferido. A pizza é grande, para nós brasileiros, e os garçons não gostam que dividamos. Logo, comemos toda cada um. Bem diferente comer pizza no almoço, mas não tinha muita opção, a não ser pasta. Detalhe: não tinha café no lugar, pode? Outra cultura.

Os motoqueiros na Itália são intempestivos. Não vi sinais de trânsito, mas quando os pedestres passam, eles param. Pelo menos isso.

O grupo foi chegando para o almoço. Coperto é uma taxa fixa cobrada em muitos restaurantes, em especial, em áreas turísticas, já a gorjeta é opcional, se o atendimento for bem-feito, vale. Depois da pizza deliciosa, fomos à Galleria Umberto I, belíssima, em mármore, parecida com a Vittorio Emanuele, de Milão. Situada na Via San Carlo, eis uma galeria comercial pública, construída entre 1887 e 1890, conforme a Wikipédia. O nome é em homenagem ao rei da Itália à época. De cair o queixo de tanta formosura, o piso, teto, lojas, magnífica. Encontramos com o casal de primos, professores universitários, Leonardo Danziato e Octávia, fiquei maravilhada, já que a gente nunca se encontra em Fortaleza-Ceará. Ele fazendo estudos avançados em Paris. O mundo é pequeno mesmo. Nos deram a dica de Ravello. Fica para a próxima.

Castelo San Martino em cima. Fechado aos domingos. No local de encontro do grupo (em um dos estacionamentos perto do porto), eu e o Carlos ficamos meio perdidos, mas aí o apito da Sabrina nos achou. Nós, turistas, temos momentos de confusão mental. Obrigada, nossa guia fabulosa. Arriverdeci, Napoli. Adentramos o ônibus em direção a Roma.

O monte Vesúvio à direita, lá se anda a cavalo e se faz trekking. À esquerda, o monte Somma que faz parte do Parque Nacional do Vesúvio. 3 horas para Roma com parada técnica perto do monte Cassino. Estamos na região do Lazio ou Lácio. Gostei do local amplo com banheiros decentes e vendas de muitas opções de lembrancinhas, licores, casacos, chaveiros, camisetas etc.

Vemos de longe o monte Cassino, emocionante, quando penso na II Guerra Mundial. A Wikipédia destaca que é uma colina rochosa a cerca de 130 km a sudeste de Roma, no Vale Latino. 520 m de altitude. Mais conhecido por sua abadia, a primeira casa da Ordem Beneditina, tendo sido fundada pelo próprio Bento de Núrsia, por volta de 529. Algumas vezes foi saqueada na sua história, sofreu terremoto, foi dissolvida em 1866 pelo governo italiano. O edifício tornou-se monumento nacional com os monges como guardiões de seus tesouros. Em 1944, durante a II Guerra Mundial, foi o local da Batalha de Monte Cassino e o edifício foi destruído pelo bombardeio dos Aliados. Foi reconstruído após a guerra. Em 2015, a comunidade monástica era composta por 13 monges. É o segundo mosteiro beneditino mais antigo do país (fonte: www.wikiital.com). Um pouco sobre são Bento. Nasceu por volta de 480, de família nobre. Dedicou-se à oração e meditação, e é padroeiro da Europa.

Chegamos a Roma! Passamos pelo Coliseu Quadrado ou Palácio da Civilização do Trabalho. Ícone da arquitetura fascista, projetado em 1937 para sediar a Mostra della Cività Romana durante a Feira Mundial de 1942 (que não ocorreu). Está no distrito conhecido como Espozicione Universale Roma ou “EUR”. O Palazzo dello Sport, construído para os Jogos Olímpicos de 1960. O bairro EUR, da época do fascismo de Benito Mussolini, abriga muitos ministérios, museus e importantes instituições, tornando-se um espaço residencial e comercial vibrante (fonte: http://www.bing.com).

Piazzale Pier Luigi Nervi, praça. Cúpula da Basílica de São Pedro e Paulo. Em www.romaperegrina.com, descobrimos que a basílica foi projetada pelo arquiteto Arnaldo Franchini com a ajuda de Marcello Piacentini. Elaborada no formato de cruz grega, se caracteriza pelo uso de cimento armado e por ter a segunda maior cúpula da cidade. Trata-se de uma construção moderna. O diâmetro da cúpula é de 31 m e sua altura chega até 71 metros.

Largo Mustafa Kemal Ataturk. Vemos prédios baixos, avarandados, com cara de habitáveis no caminho para o hotel. Pessoas vêm aos domingos para barezinhos, terraços etc. Lugar para relaxar, bucólico. Outra Roma, longe da confusão do centro.

Detalhes de trânsito: o romano dirige mal, briga no trânsito. Já os napolitanos dirigem feitos loucos, não seguem regras, mas são amáveis. Puxamos a quem mesmo?

Vamos nos hospedar no enorme Ergife Palace Hotel, endereço: Via Aurelia, 619, o mesmo da chegada no início da excursão. Bairro: Aurelio. Bucólico. A 10 minutos da estação de metrô Cornelia e perto do Vaticano. Algo inusitado ocorre no local: o quarto 3606, por exemplo, a gente raciocina que seria no 3º andar, não é mesmo? Pois não é, é no 6º, o segundo número indica o andar. Só confunde o turista cansado. Outra cultura.

Enfim, viagem pra ficar na história da minha vida. Ufa! Muita cultura, aprendizado, conhecimentos, culinária. E viva a Itália, terra dos meus antepassados. Voltaremos, isso é uma certeza. Fim da excursão.

Bela Itália-Sicília-Agrigento-dia 6

Bela Itália-Sicília-Agrigento-dia 6


Hoje é dia 10 de outubro de 2025. Estamos no hotel Baia di Ulisse em Agrigento (em siciliano Girgenti). O café da manhã com os nossos companheiros de excursão Nilson e Glória. Achei razoável a refeição, gostei do iogurte, mas os bolos secos e croissants grandes demais não foram tentadores. No mais, o hotel lindo, especial.


A guia Sabrina se preocupa com banheiros para a gente, muito delicado isso. Conhecer pessoas simpáticas em viagens é bom demais. Valeu, Ana Braghirolly. De dentro do ônibus, observo casas brancas, beges ou amarelas ao redor da praia, a maioria de dois pavimentos. Também comum ver a venda de colares de corais vermelhos, bijux lindas. A Sabrina é uma figura, nunca vi igual. Uma capacidade linguística invejável, criativa, simpática, justa e que “bota moral” no ônibus. Motorista: Alberto.


A cidade nova, grande, fica perto dos templos. Nos hospedamos na praia. O diferencial em Agrigento são os templos gregos. A terra é seca, de oliveiras e cactos. Antes, os templos eram abertos e de graça, hoje, não. O principal é o Templo da Concórdia, um dos melhores exemplos da Grécia antiga, símbolo da paz. Eram pagãos.

Descemos do ônibus. Na entrada, passamos pelo controle de metal. Banheiros e lojinhas ao lado. Começa o passeio. Estamos no Vale dos Templos. Colonos gregos moraram no local. Há dois rios secos. Região de agricultura. Vamos à história. Segundo a Wikipédia, a cidade foi fundada em 581 a. C. por alguns habitantes de Gela, com o nome de Acragas, homônimo ao rio que banha o território. A localização em um penhasco na costa sul da Sicília, cercado por dois rios (o Hypsas e o Acragas) era estratégica para facilitar a defesa da cidade nas épocas de guerra. A dominação grega durou aproximadamente 370 anos, período em que Acragas adquiriu grande poder e esplendor.


Continuamos nossa aventura com uma outra guia, local: a Rosa. O sol promete ser intenso. Subimos pela passagem de concreto. A pedra local, caliza, hoje, era areia antes. Os cartagineses escravos que construíram os templos. A pedra caliza se oxida e forma manchas vermelhas. Se a pedra não é limpa, fica toda negra. Limpeza de técnica antiga com fósseis triturados.


Conhecemos o Templo de Juno/Hera Lacínia, onde se casavam. Os noivos faziam uma prova antes do enlace, ofereciam um cordeiro branco e antes de matá-lo, o molhavam com força com água fria. Se ele tremesse, não havia casamento. A guia repleta de histórias, disse serem supersticiosos. Antes não havia registro civil. A boda era para a cidade toda. As mulheres tinham importância para os gregos, pois havia templo para as mulheres casadas sem filhos.


A luz do sol iluminava os templos. Só os sacerdotes entravam neles. Lugar estratégico para a construção, na colina. Árabes destruíram, porém foram refeitos acima para a defesa contra o inimigo que chegava pelo mar.
Templos protegidos pelos deuses, existiam muralhas. O Vale dos Templos termina no Templo da Concórdia. Caminho antigo, com rua usada por carros e ônibus antes, mas ao se tornar Patrimônio Mundial da UNESCO em 1997, não permitiram mais. Amêndoas florescem em fevereiro e parece neve. Panorama branco. Festa da Amêndoa em Flor em Agrigento. Amêndoas viram doces e leite.


O imperador Constantino I deu liberdade de culto aos cristãos, então não precisavam mais se esconder. Um pouco de história: conforme a Wikipédia, ele nasceu em 272 d. C e morreu em 337 d. C. Tornou-se imperador em 306 d. C. O site https://aventurasnahistoria.com.br nos conta que foi o primeiro imperador romano convertido ao cristianismo, sendo responsável pelo fim da proibição do culto no início do séc. IV, fato que fez seu nome entrar para a a História. Ele fundou uma nova capital Constantinopla (atual Istambul), que se tornaria um centro importante para o cristianismo e a cultura ocidental.


Vemos as tumbas arcosolium (catacumbas dos cristãos), escavadas na rocha, ou Necropoli Paleocristiana (cemitério dos primeiros cristãos), do séc. IV e VII d. C. Os mortos ficavam dentro e se fechava com uma laje horizontal que repousa em um nicho, rebocado e pintado com um teto arqueado. A guia Rosa menciona as flores para melhorar o cheiro. Quando alguém morria, a Morte entrava e levava a pessoa, por isso o uso do preto a fim de se esconder da Morte.


Muralha convertida em cemitério, um memorial. Jardins da Memória, instituído em 3 de dezembro de 2015. Ou Il Giardini dei Giusti di Tutto il Mondo, quer dizer, o Jardim dos Justos de Todo o Mundo. Emocionante. Placas de bronze com a história de pessoas corajosas que fizeram diferença no mundo. Gente morta pela máfia, nazismo, ETA, enfim, gente inocente. São alguns eternizados: Beppe Montana, Rocco Chinnici, Oscar Arnulfo Montero, dentre outros. Fiquei tocada ao ver a homenagem aos jovens Hans e Sophie Scholl e à Juventude da Rosa Branca. Eram jovens estudantes, católicos, protestantes, ortodoxos, da Universidade de Munique, que unidos pela paixão à verdade e unidos na mesma fé, se opunham ao regime nazista e decidiram espalhar flyers (folhetos pequenos voadores) denunciando os horrores e as mentiras do regime. Diziam: “Nós não iremos ficar calados, nós seremos sua má consciência e a Rosa Branca não vai lhes dar paz”. Suas atividades duraram de junho de 1942 a fevereiro de 1943. Presos e sentenciados à morte pela guilhotina, tiveram como seu último grito: “Vida longa à liberdade”. Por isso a Rosa Branca continua a assombrar a consciência de cada um.


As duas guias fazem uma dobradinha: a Rosa no português e a Sabrina no espanhol. Tudo muito rápido. Detalhe: a Rosa é brasileira, professora de crianças, e na hora livre, guia de turismo. Ao olhar para trás, vemos o Vale dos Templos parecido com o Olimpo, espetacular.


Caminha-se muito no sol. Preparam na época do Natal uma árvore no Templo da Concórdia, aliás, o mais impactante. E há uma oliveira de 600 anos no local. O templo é iluminado à noite. Ao redor dos templos, exposição de 17 esculturas com personagens da mitologia grega. Ali onde estávamos, vimos Ícaro Caído (de bronze, 2011). Autor: Igor Mitoraj (Oederan-Polônia, 1944-Paris-França, 2014). A Wikipédia nos informa que esse artista e escultor monumental era conhecido pelas suas esculturas fragmentadas do corpo humano.


A guia Rosa em ação. Antes se entrava no templo, todavia os turistas roubavam pedaços e escreviam nas paredes. Os templos foram construídos com rodas de pedras, se encaixavam como Legos. Eram escravos cartagineses que ganhavam 5 dracmas (moeda usada na Grécia antiga) ao dia. Foram 70 anos de construção (de 480 a. C a 406 a. C.), muitos escravos pereceram. Estilo dórico clássico. De qualquer lugar se vê o Templo da Concórdia. Não havia barro à época, só pintura. Uma placa em mármore foi encontrada. Como se localiza na parte argilosa da colina, foi melhor preservado. Foi uma igreja cristã com muro, então as colinas e arcos foram conservados. Como uma basílica com três naves. Ali foi a igreja de São Pedro e São Paulo, do séc. VI d. C., com comunhão, matrimônio. Em 1750, um católico quebrou os muros e logo voltou a ser um templo. Os pagãos faziam sacrifícios (hecatombe) no altar, 100 touros, por exemplo. Pequenas tumbas foram encontradas, por isso virou cemitério. Seis colinas no largo frontal. 2500 anos desta maravilha.


De acordo com descobrindoasicilia.com, a Villa Aurea era a casa de Alexander Hardcastle, um arqueólogo inglês que nos anos 20 do século passado investiu todo o seu patrimônio em escavações no Vale dos Templos. Outros templos, além do de Juno e da Concórdia, são: Héracles (Hércules), Zeus Olímpico, Castor e Pólux, Vulcano e Asclépio. O site https://mapcarta.com acrescenta que a Villa Aurea fica a 160 m do Templo de Hércules. É um edifício histórico e encontra-se perto do sítio arqueológico Necropoli Giambertoni e Grotta Fragapane.


O site https://g1.globo.com nos esclarece que só as sacerdotisas e sacerdotes da antiguidade entravam nos templos, para as cerimônias de adoração dos deuses pagãos. Trata-se de um dos maiores parques arqueológicos do mundo. Agrigento foi uma das maiores cidades do Mediterrâneo, com 200 mil habitantes. Píndaro, poeta e historiador da antiguidade escreveu que lá se fazia tanta festa e que as pessoas se divertiam de tal maneira que era como se não existisse o amanhã. Em todos os templos, o da Concórdia foi o único que ficou em pé e resistiu aos terremotos da idade Média que derrubaram os outros monumentos. Diferentemente da guia Rosa, o site diz que as oferendas de comida e animais às divindades aconteciam do lado de fora do templo.


Os gregos viviam de teatro. Vários grupos separados vendo as relíquias, caminhamos muito no sol. Chama a atenção a quantidade de americanos. Imperdível a visita. Prosseguiremos nosso percurso até Marsala, Erice e Palermo.

Bela Itália-Paola na Calábria-dia 3

Bela Itália-Paola na Calábria-dia 3

Hoje é dia 7 de outubro de 2025. Chegamos a Paola. Segundo http://www.initalytoday.com/pt/calabria/paola/, foi um importante centro religioso desde a idade Helênica e é famosa por ser o local de nascimento de São Francisco de Paula, fundador da ordem dos Mínimos (ordem católica mendicante do séc. XV). O centro fica a 35 km da capital provincial, Cosenza. O site http://www.viajandoparaacalabria.com nos informa que a área comercial é construída em torno da estação ferroviária, e a cidade alterna a área histórica até o morro, onde no topo fica o santuário do santo, e à beira mar na praia.

Rumamos logo para o santuário de São Francisco de Paula. Complexo religioso erguido na rocha, um dos locais mais visitados na Calábria. Um pouco sobre o santo. De acordo com o site https://cruzterrasanta.com.br, seus pais se chamavam Viena de Fuscaldo e Giácomo Daléssio. O casal tinha muita devoção a São Francisco de Assis. Por isso os dois pediram a seu santo a devoção de terem um filho. O casal foi atendido em suas orações. Assim, no dia 27 de março de 1416, o filho nasceu e recebeu o nome de Francisco. Já a guia Sabrina contou que os pais do menino Francisco pediram uma graça a São Francisco de Assis. Tinham 3 filhos, mas Francisco, de 13 anos, tinha problema em um olho. Francisco sarou. Aí a mãe dele ofereceu ao santo a ida de Francisco ao convento para uma vida monástica. Entrou no Convento dos Franciscanos em São Marco Argentano, próximo à cidade de Paola. Decidiu ficar um ano, saiu e foi peregrinar em Assis. Em Roma se chocou com a quantidade de riquezas no Vaticano. Escolheu se retirar em pobreza e meditação como eremita. Vivia em uma gruta e pessoas se juntaram a ele. Sobreviviam com o mínimo. Santo padroeiro da Calábria e dos marinheiros.

No santuário tem a Pietra del Miracolo, ou seja, a Pedra do Milagre. Segundo o Google.com, diz a tradição que foi ali que o santo realizou o milagre de salvar operários durante a construção do complexo, ou está associada ao episódio do seu cordeiro Martinello. Muitos milagres acontecem. Também amava os animais. No local de oração há uma fonte de água milagrosa: Fonte della Cucchiarella. Diz-se que o santo tocou a rocha com o bastão e fez brotar água, hoje considerada sagrada pelos devotos. Podemos beber a água, pega-se da colher que está lá, porém não se deve beber da colher, já que é de todos. O santuário novo não fomos, o antigo é lindo com a capela e seus objetos.

Enfim, nós no santuário. A Calle de los Milagros (Rua dos Milagres), com uma bomba da II Guerra Mundial que não explodiu, considerado um milagre. Via de los Mínimos com a Via Crucis, parece com o caminho de subida à Pousada dos Capuchinhos em Guaramiranga, Ceará. Um caminho longo. Que emoção! Tomamos a água da fonte! Capela, igreja, fonte, Gruta da Penitência, local onde o santo viveu como eremita no séc. XV. Demais! Em igreja italiana não se entra de braços e pernas de fora (desnudo). Estamos no começo da Calábria e daqui se vê o vulcão Stromboli, ativo, situado na ilha de Stromboli (conhecido como o “Farol do Mediterrâneo”, faz parte do arquipélago das ilhas Eólias).

Caminho Pietra del Miracolo. Fantástico, lugar de energia espiritual, único. Meia hora para ver o santuário, regra da excursão. Vamos parar no centro depois para almoço no restaurante Vecchia Paola. Endereço: Corso Garibaldi, 75.

Saindo de Paola, passamos por povoados, como Longobardi, Belmonte Calabro e Amantea, bem espalhada, maior e muito linda. Na região da Calábria, o azeite de oliva é produzido em quantidade. Na Sicília e Puglia também. Em Vibo Valentia, 13% de extravirgem certificado. Mesmo com a seca, conseguiram manter a qualidade e os preços. “Óleo da Calábria” (Olio di Calabria IGP) refere-se a dois produtos distintos e de alta qualidade, conforme o Google.com.: o azeite de oliva extravirgem (de sabor frutado, cor verde dourada e toques picantes/amargos) e a essência/óleo de bergamota (tangerina), aromático e cítrico.

Também na região, fábrica de chocolates. Módica tem o melhor do sul da Itália. Nossa guia é conhecedora do seu país. Fico encantada. As laranjas são vermelhas, cítricas pela substância antocianina. São diferentes pelo clima úmido e quente. O Google.com acrescenta que altos teores desse pigmento natural são encontrados em alimentos cultivados, sendo a laranja moro (uma variedade de laranja sanguínea) e a cebola roxa de Tropea. A antocianina é um flavonoide poderoso responsável pelas cores vibrantes (vermelho escuro, roxo ou azul). Na Sicília: amêndoas e pistache, o mais famosos, de Bronte. Trata-se de um produto D.O.P. (Denominação de Origem Protegida). O pistache é usado em doces, salgados e bebidas. Bronte é uma cidade localizada nas encostas do Etna, a 760 m de altitude. É provável que a posição geográfica e o solo vulcânico sejam os responsáveis pela sua qualidade.

Estamos no ônibus em direção à Sicília. A Sabrina nos conta sobre mitologia grega, forte na cultura, já que a cidade de Messina foi conquistada pelos gregos. No estreito de Messina, Cila e Caríbdis chupavam os barcos. Trata-se de uma lenda cuja história é de amor dramático, traições, amor e paixão. Mitos que alimentam o estreito de Messina. Até o séc. 18 havia uma rocha que parecia um monstro, era a rocha de Cila. Os barcos eram empurrados pelas correntes em cima da rocha, então se criou o mito.

O site http://www.visitcity.info/en/myths-and-legends-in-sicily/ nos apresenta mais sobre o assunto. “A Sicília é uma terra profundamente enraizada em mitos . Das profundezas do Estreito de Messina aos picos do Monte Etna, da costa jônica às ilhas dos ventos, a ilha há muito tempo serve de palco para lendas que misturam natureza, história e imaginação . Deuses gregos, ninfas, heróis clássicos e criaturas lendárias habitam vilarejos, cidades e paisagens deslumbrantes, moldando um patrimônio cultural rico em simbolismo e fascínio. Uma viagem pelos mitos da Sicília é uma viagem à memória e à identidade mais profundas da ilha”. E acrescenta: “Entre as histórias mais emblemáticas, a lenda de Colapesce simboliza o profundo amor que os sicilianos sentem por sua terra. Em Messina, a história conta sobre um jovem pescador com habilidades extraordinárias que foi posto à prova por Frederico II e, por fim, sacrificou-se para salvar a ilha. Ainda hoje, diz-se que Colapesce sustenta uma das três colunas sobre as quais a Sicília repousa, impedindo-a de afundar no mar. Também no Estreito de Messina, ganham forma as lendas de Cila e Caríbdis — os monstros marinhos que destroem e engolfam os marinheiros — juntamente com a história da famosa Fata Morgana , uma miragem ótica que fascinou até os normandos e inspirou inúmeras histórias lendárias”.

À direita, ilhas Eólias. Túneis embaixo de montanhas. O estreito de Messina, mais perto da Sicília. A guia acrescenta que os calabreses e sicilianos querem mais hospitais e não querem fazer uma ponte entre as regiões. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini é o principal impulsionador do projeto. Será uma ponte suspensa com um vão principal de 3,3 km, projetada para ser a mais longa do mundo. O projeto enfrenta décadas de controvérsias.

Para a Sicília se vai de barcos enormes da Villa San Giovanni. Vemos muitos caminhões saindo do barco. Impressionante. Aportaremos no porto histórico de Messina. Bluferries, empresa do grupo Ferrovia do Estado Italiano, com seus ferries gigantes. Levam caminhões e trens. Perdemos o ferry das 15h20, ficamos esperando pelo próximo. Entramos com ônibus e tudo. A gente desce, vai ao banheiro, tira fotos e volta. Um ferry desses é portentoso: leva gente, carros, ônibus, caminhões, uau. É rápido, uns 20 minutos. Se não fosse a fila para o banheiro das mulheres, seria tranquilo… Continuaremos em breve.

Buenos Aires!-2024-Museu do Holocausto-dia 5

Buenos Aires sempre!-2024-Museu do Holocausto-dia 5

Hoje é dia 9 de setembro de 2024, de manhã estivemos no Centro Cultural Coreano e à tarde iremos ao Museu do Holocausto. Para entrar é necessário fazer um pré-agendamento e levar o passaporte no dia estabelecido. Temos 2 h de visita. Fiz isso com muita antecedência ainda em Fortaleza-Ceará. Programação para o dia 9 de setembro das 14h30 às 16h30. E lá fomos nós de táxi para o bairro Recoleta, Calle Montevideo, 919. Para quem tem interesse em história, é um “prato cheio”, como se diz. Considero uma visita impactante e obrigatória. Pagamos 3200 pesos (em reais R$11,75 hoje). Conhecer a história nos ajuda a ter consciência e a não repetir os mesmos erros.

Logo na entrada, vemos um painel com a porcentagem da população judaica na Europa antes do Holocausto. Em 1939, 7 em cada 1000 eram judeus, em 2019, só 2 em cada 1000. No museu estão expostos objetos de uso religioso, de uso cotidiano, máquinas fotográficas como testemunho de vida familiar etc.

Muito a ver no local. Testemunhos de famílias, triângulos nas roupas dos perseguidos: rosa para homossexuais, verde para delinquentes, vermelho para políticos, roxo para Testemunhas de Jeová, cinza para ciganos e associais. Para os judeus, a cor era amarela. Em 1934 já morria um anarquista chamado Erich Mühsam (1878-1934). Segundo a Wikipédia, era ensaísta, poeta, dramaturgo judaico alemão, antimilitarista. Assassinado como “um dos judeus subversivos” no campo de concentração de Oranienburg, Alemanha, em 9 de julho de 1934.

Hitler era um grande ator. Propagandas antissemitas. Painéis fora de ordem cronológica com as proibições a judeus: frequentar balneários em 1938; casamentos entre judeus e cidadãos do Estado de sangue alemão e sangue misto em setembro de 1935; trabalhar como funcionário público em abril de 1933;, expulsos do Exército em maio de 1935; e crianças expulsas da escola pública em novembro de 1938. Ainda: ter telefone, usar ou instalar em julho de 1940. Em maio de 1935, os jornalistas judeus são excluídos do periodismo da Alemanha.

Objetos recuperados do Pogrom, significado: perseguição deliberada de um grupo étnico, de novembro de 1938: SIDUR, livro de orações (e bênçãos diárias) de uma sinagoga em Viena, Áustria; cabides da loja de Rathenow de Markus Lieber; o chamado para as ordens de ler a TORÁ, proveniente da sinagoga de Brette Baden, Berlim. 7500 comércios/propriedades e 67 sinagogas foram destruídos. O site www.worldhistory.org ou Enciclopédia da História Mundial nos conta que a “Noite dos Cristais” ou a “Noite dos Vidros Quebrados” ou o “Pogrom de Novembro” ocorreu em 9 e 10 de novembro de 1938, tendo sido um ataque contra judeus e propriedades dos judeus na Alemanha e Áustria.

Na Argentina, em Buenos Aires, o Luna Park onde nazistas se reuniam para celebrações em 1938. Os judeus na Plaza San Martin. Em 1889 chegam judeus imigrados ao país. Associação Cultural Pestalozzi de judeus antinazistas. Segundo o escritor francês Albert Camus: “Os jornalistas são os historiadores do instante”.

O uniforme militar de Gladys Mary Helliwell, do Corpo de Inteligência Britânica assentado em Wentworth, Grã-Bretanha. Gladys casou com Santiago Arturo Knight na Inglaterra em 1943 e se radicou na Argentina em 1946.

Castelo de Hartheim, em Alkoven, perto de Linz na Áustria, onde exterminaram pessoas com deficiências com crematório. Plano sistemático de extermínio pela pureza da raça ariana. “Eutanásia”, foram 250 mil assassinatos na Alemanha. Alteravam a causa da morte (eutanásia T 4) para ocultar assassinatos. Desde o asilo de Schloss Liebenau (em Berlim, Alemanha) eram levados ao centro de extermínio Grafeneck em Gomadingen, Alemanha. Programa de “eugenia e critanisia” AKTION T4, 1939.

Churchill. Qual é o nosso objetivo? A vitória, a vitória a qualquer preço, vitória apesar do terror, vitória pelo longo e árduo que seja o caminho, porque sem vitória não há sobrevivência.

As informações nos painéis digitais são completas. Sobre o Gueto de Lodz (Polônia). O Conselho Judaico vivia dilemas, acabava obedecendo aos nazistas e iam contra o seu povo. No fim, todos morreram em campos de concentração. Como Chaim Mordechaj e Rumkows Ki, que morreu com a família em Auschwitz (no sul da Polônia) em 1944. Pereciam de fome e doenças também. Filmagens originais feitas pelos nazis do Gueto de Varsóvia (Polônia) em maio e junho de 1942.

No 1° andar. Principais sítios de matança, onde atuaram as unidades móveis de EINSANTZGRUPPEN nos territórios soviéticos ocupados por nazistas em 1941. Fotos de fuzilamentos (com fuzis) na Letônia em 1941: 2749 vítimas. Os painéis digitais que mostram os campos de concentração, de extermínio e trânsito são muito bem-feitos.

Conferência de Wannsee, em 20 de janeiro de 1942, com fotos dos participantes e cartas convites onde ocorreu a discussão sobre a Solução Final. Aparecem os números de judeus na Europa. De acordo com a Wikipédia, estavam presentes na reunião membros superiores do governo da Alemanha nazista e líderes da SS, tendo como presidente Reinhard Heydrich. Otto Hofmann, Heinrich Müller, Adolf Eichmann e outros decidiram como seria feito o genocídio da população judaica na Europa.

Resistência nos campos de concentração, nos bosques, nos guetos. Aba Kovner, líder da resistência no Gueto de Vilna (na Lituânia) em 1941. Ele foi chamado à luta armada no gueto em 31 de dezembro de 1941 e disse: “Irmãos, é preferível morrer como combatentes livres do que viver nas mãos de assassinos. Resistamos! Resistamos! Até o último alento.”

Babi Yar. Barranca ao noroeste de Kiev, Ucrânia. 33771 judeus foram assassinados em dois dias em 28 e 29 de setembro de 1941 pelos EINSATZKOMMANDO do EINSANTZGRUPPEN C, polícias alemãs e ucranianas.

Os judeus pegos e levados a campos de concentração ficavam 15 dias no trem hermeticamente fechado sem ar, luz, água, comida, uma experiência devastadora. Hanna Lévy-Hass, sobrevivente do Holocausto. Ao longo de 33 meses (1942 a 1944), os nazis usaram 2000 trens para transportar judeus pelos campos. 15 guardas bastavam para vigiar um trem com mil prisioneiros. Entre março de 1942 e fevereiro de 1943 foram assassinados 10 mil judeus por dia. Em 20 meses foram exterminados 4,5 milhões, 75% das vítimas do Holocausto. 250 mil morreram congelados, de inanição ou fuzilados.

As Marchas da Morte em 1944/45 ante o avanço soviético. Conforme a Wikipédia, a Marcha da Morte ocorreu no final da II Guerra Mundial, quando os nazistas começaram a transferir prisioneiros de campos de concentração devido à invasão da Normandia e ao avanço das tropas soviéticas. Os evacuados foram os que estavam em áreas ameaçadas como Auschwitz e Stutthof para locais mais seguros na Alemanha. O site https://holocaustoempt.ces.uc.pt adiciona que as marchas eram responsáveis por inúmeras mortes, notadamente, eram feitas a pé, percorrendo centenas de quilômetros em condições terríveis, sem alimento nem vestuário adequado, e ainda no pico do inverno.

Em 27 de março de 1945, a Argentina declarou guerra à Alemanha. Muitos criminosos nazistas foram para o país no pós-guerra. Dentre eles: Adolf Eichmann, Erich Priebke, Josef Mengele, Ante Pavelic etc. Vemos suas fichas técnicas.

Uma seção escura de cenas fortes de judeus prisioneiros no campo de Bergen-Belsen em 1945 foram filmadas pelas forças britânicas. Imagens chocantes.

Em um setor de homenagens aos que partiram, deixamos as nossas pedrinhas. Na tradição judaica, as pedras representam o permanente, o que devemos lembrar e o que não permitimos que se esqueça.

Que museu excelente, daqueles inesquecíveis. Na saída, cartazes contra as propagandas enganosas que causam intolerância e ódio, de modo a sermos mais conscientes. Teorias da conspiração, notícias falsas, como distinguir o real do falso. O Holocausto dos judeus foi provocado, teve muitas informações falsas contra eles, promovendo o ódio (Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, era expert no assunto).

Mas ainda não acabou, há uma sala com o testemunho interativo de sobreviventes do projeto Dimensões em Testemunho, da USC Shoa Foundation (Fundação). Lea Zajac de Novera, foto de 31 de dezembro de 1926, na Polônia. Emigrou para Buenos Aires com seu marido sobrevivente e tiveram dois filhos.

Continuando, uma exposição interativa no 1º andar, com guia, sobre as Testemunhas de Jeová, grupo perseguido pelos nazistas. 25 mil pessoas na Alemanha em 65 milhões de habitantes. Eles eram neutros politicamente, estudavam a Bíblia, todos eram iguais. Em 1929, as Testemunhas haviam advertido a comunidade mundial através de suas publicações contra o Nacional-Socialismo (partido nazista). O feroz ataque a eles começou em 1933. Colocavam-se abertamente por campanhas, cartas, resistência política, expuseram as atrocidades publicamente. Havia um conflito direto entre a lei e a lei de Deus. Só obedeciam a Deus.

Martin Bertram tinha uma padaria e se recusou a obedecer aos nazis, ou seja, a não receber judeus, que eram considerados companheiros pelas Testemunhas de Jeová. 4500 foram mandados para campos de concentração, 16 mil perseguidos, 1750 perderam a vida, 600 internados em reformatórios, 13 mil encarcerados, 548 executados. Eles eram inquebrantáveis perante torturas. Nem crianças escapavam do sofrimento: fotografias de Ruth Danner, 7 anos; Berthold Mewes, 13 anos.

Não faziam saudação a Hitler, nos campos de concentração as mulheres se ajudavam e se consolavam com a Bíblia. Para escapar, teriam que assinar uma declaração desistindo de sua fé, a fim de ter vantagens. Não aceitavam. Os nazis os separavam de outros grupos para eles não divulgarem sua fé. Iam para Sachsenhausen depois para outros campos. Morreram por seus princípios, eram inabaláveis.

August Dickmann, objetor de consciência, não aceitou o recrutamento militar e foi morto. Aparece a foto da família Kaselowski e de Johann Rachuba, que foi torturado. Na Marcha da Morte, 23 Testemunhas carregavam os doentes e dividiam a carga. Todos sobreviveram. 33 mil prisioneiros de Sachsenhausen andaram 250 km até o mar, onde barcos seriam destroçados.

No pós-guerra muitos foram para o Uruguai, Argentina e Brasil. Em 1955, 107 mil Testemunhas se reuniram em Nuremberg (Alemanha). Em 2017, o Supremo Tribunal Russo os declarou extremistas pelas suas publicações baseadas na Bíblia. A Rússia proibiu o site oficial e confiscou suas propriedades. Muitos têm sido presos e maltratados.

O que dizer depois de tudo isso? Que aula! O Museu do Holocausto serve também para refletirmos sobre nossas vidas em tempos de paz. O lema do meu grupo de estudo @peloscaminhosdaiiguerramundial é: Lembrar para não repetir.

Buenos Aires, muito a aprender.

O Rio de Janeiro continua lindo-Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial e AquaRio-dia 2

O Rio de Janeiro continua lindo-Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial e AquaRio-dia 2

Hoje é quarta-feira, dia 13 de agosto de 2025. O Carlos e eu nos sentimos ressacados da viagem do dia anterior. O café da manhã no rooftop (topo do telhado) do hotel Socialtel Copacabana nos desperta, com certeza. Nunca vi uma pintura tão bela de Copacabana como das janelas do restaurante. Um espetáculo de dia ensolarado. O clima ainda está ameno, mas vai esquentar. Rio de Janeiro no verão, nem pensar! Estamos no final do inverno. No local, muitos argentinos e vários outros grupos de turistas. O suco de morango é tradicional. O buffet é sortido, gostei do bolo de aipim/macaxeira com coco, uau!

O dia é para conhecer o Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial, localizado na av. Infante Dom Henrique, na Glória. Contratamos o taxista sr. Zé Carlos e ele nos esperou lá, pois ainda queríamos ir ao Museu do Amanhã, no Porto Maravilha.

Falando um pouco sobre o monumento. Vale a pena visitar. Achei um museu levado a sério, com tudo traduzido para o inglês. Segundo o folder, foi inaugurado em 5 de agosto de 1960 e abriga os restos mortais de 467 militares que tombaram no teatro de operações da Itália, e o nome dos 2.236 heróis da Marinha de Guerra, Marinha Mercante e do Exército brasileiro que morreram no nosso litoral durante a guerra. A autoria é dos arquitetos Marcos Konder Netto e Hélio Ribas Marinho, sendo um dos principais pontos turísticos da cidade.

Lápides dos pracinhas tombados na Itália-Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

O seu idealizador foi o marechal Mascarenhas de Moraes, comandante da Força Expedicionária Brasileira a fim de homenagear aqueles que perderam a vida nos campos de batalha da Itália. Nas palavras do marechal: “Eu os levei para o sacrifício; cabia-me trazê-los de volta”. No Mausoléu estão sepultados os pracinhas que tombaram na II Guerra. Lá está a lápide do sargento Hermínio, cearense, bem conhecido aqui em Fortaleza. Nome completo: Hermínio Aurélio Sampaio (nascido em 17-06-1912 e morto em 12-12-1944). O Patamar abriga painéis em cerâmica em homenagem à Marinha, um jardim interior e um lago; a Plataforma compreende o Pórtico Monumental, o Túmulo do Soldado Desconhecido e esculturas homenageando as três Forças Armadas, e a Sala de Exposições exibe peças e armamentos utilizados na guerra. Para quem se interessa pela II Guerra é de uma riqueza ímpar de informações.

Do local fomos ao centro, muito trânsito. O taxista bom de papo. Descemos na praça Mauá, perto do Museu do Amanhã. Limpa, bem policiada, com lixeiras laranjas. Sempre observo a limpeza de uma cidade. Para nossa decepção, em plena quarta, o museu estava fechado. Então, rumamos ao AquaRio, amo visitar aquários. Que calor, um sol escaldante.

Estava ocorrendo um evento impactante com uma multidão: o Innovation Week, de 12 a 15 de agosto, no Porto Maravilha. E nós caminhando entre os participantes, íamos pelo calçadão. Foi uma região que de degradada virou renovada. Parabéns, Rio. Só achei o sol de matar e faltam árvores. Hora de almoçar. No caminho, encontramos o Gastronomia Itinerante Café e Restaurante, em frente aos armazéns do Innovation Week. Pequeno e aconchegante, gostamos. Pedimos o velho frango grelhado com arroz, legumes, e farofa, e suco de abacaxi. Para os dois: R$118,00 além dos cafés expressos. Que calor! Esses pequenos restaurantes e botecos são a cara da cidade. O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) passa entre os galpões e o restaurante.

Continuamos a caminhada pelo calçadão no sol até o AquaRio. Endereço: Praça Muhammad Ali, Gambôa/Porto Maravilha. Entramos no prédio e descobrimos também ter o Museu de Cera Dreamland e o G1 Experience da GLOBO, no 4° andar, com 20 atrações imersivas com estúdios da emissora de TV (para celebrar os seus 100 anos). Nós decidimos somente pelo aquário (3° andar) com a atração: Mar de Espelhos (2° andar) por conta do tempo. A funcionária Keila nos atendeu na entrada. Mais de 60 anos tem desconto. Eu paguei R$108,00 por ambas as atrações. Não é barato, mas depois de conhecer o AquaRio, pensei ser válido e muito.

Espaço no AquaRio-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

De acordo com o site do AquaRio: www.aquariomarinhodorio.com.br, são 26 mil m² de área construída e 4,5 milhões de litros d´água. É o maior aquário marinho da América do Sul. São 10 mil moradores de 350 espécies do Brasil e do mundo, divididos em mais de 28 recintos, ou melhor, lares.

Vamos conhecer. Medusa que não queima e não nada. Mututuca (cobra), cavalo-marinho, moreia pintada, moreia leopardo. Que lindeza! Conchas e moluscos. Gastrópodes: lesmas-do-mar, búzios, caramujos. Bivalves: ostras, mexilhões, conchas de vários lugares do mundo. Raias vielas: grupo de tubarões, feitos de cartilagem. Baiacu mirim. Campanha intensa contra sacos plásticos. Piranhas: são detritívoras, se alimentam de restos de matéria orgânica. Por este motivo, são importantes para a manutenção da saúde dos rios da região onde existem.

Bichinho fofinho é o axolote (o “x” se pronuncia /ks/), não conhecia. É um anfíbio que permanece dentro da água. Criticamente em perigo. Se encontra no lago Xochimilco, na cidade do México, um lago poluído, sujo, um habitat fragmentado. Lá estão tilápias e carpas, espécies invasoras. O axolote é o símbolo nacional do México, presente em obras de arte, brinquedos, quadrinhos e até na nota de 50 pesos. Para o povo mexicano, ele representa identidade, resistência e a riqueza da fauna endêmica do país. É parente dos sapos, pererecas e rãs, é salamandra, não faz metamorfose. Mede cerca de 15 a 30 centímetros, pesa 125 a 180 g e vive de 8 a 10 anos na natureza. Característica neotênica, conserva as características da fase juvenil e larval ao longo da vida.

Aquário-AquaRio-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

O aquário de peixes e arraias, e o túnel por onde passamos é entusiasmante. A seção de corais é colorida, bela, com vários tanques. Sem corais, não viveremos. O AquaRio é uma verdadeira escola da natureza. São vários vídeos de aula. Fantástico. Aprendi muito e gostei de ver os mergulhadores alimentando os peixes no grande aquário. Algo interessante sobre a imobilidade tônica para tirar sangue dos tubarões, anestesiam tocando nas terminações nervosas.

O AquaRio merece demais uma visita. Do 3° andar nos dirigimos ao 2° andar para conhecer o Mar de Espelhos. Sinceramente, não acho que foi válido. Apreciei somente a última sala com suas projeções bonitas de paisagens e figuras. Não se pode tirar fotos, a não ser a oficial. As outras salas não me chamaram a atenção.

Na entrada está o restaurante Point da Elis, para pipocas e salgadinhos. Há lojas em cada espaço, divididas. Fiquei tentada pelas camisetas, bolsas, bichinhos de pelúcia, canetas, mas tudo caro, que pena.

Em breve, mais passeios. O Rio tem muito a oferecer.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Punta del Este

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Punta del Este

Hoje é dia 22 de abril de 2023, viemos de Piriápolis em direção a Punta del Este, balneário e praia desejado por argentinos, brasileiros e uruguaios, conhecida como a Mônaco ou St. Tropez da América do Sul. Continuamos no nosso passeio de um dia com o motorista Carlos e a guia Laura da empresa Dreamtour.

Entramos pela beira-mar. A sua economia é autônoma, o padrão é alto, uns 32 milhões de dólares se encontram neste local. Até os bairros mais simples são fenomenais, Punta é diferente do resto do país em termos de riqueza concentrada. Mais de 9 mil pessoas vivem na cidade ao longo do ano. O padrão arquitetônico é planejado, tudo deve ser perfeito, há lei municipal que assegure isso.

É uma cidade localizada no departamento de Maldonado que atrai milhares de turistas o ano todo. Quantas vezes eu for ao Uruguai, retornarei a Punta. É a nossa terceira visita, lugar apaixonante de estar.

Estamos no ônibus e a guia vai explicitando Punta. Muitos prédios, segundo a guia Laura, foram terminados durante a pandemia de COVID-19. Punta não nasceu como os outros balneários, até 1920 era uma vila de pescadores. Em 1930/35 se andava a cavalo. Até 1948 viviam de pesca e extração de óleo de baleia. Os ingleses trouxeram o ladrilho hidráulico. Em 1945/50 o humorista mexicano Cantinflas morou lá. Em 1997 o famoso hotel Conrad (5 estrelas) foi inaugurado, tendo um cassino privado e centro de espetáculos. Aliás, os cassinos no Uruguai são 50 % do governo e 50 % privados. Carlos Villaró, da Casapueblo, de Punta Ballena, criou a primeira campanha publicitária de Punta del Este e trouxe Sophia Loren, Marlon Brando, Cantinflas, Burt Bachara etc.

Punta é tranquila com praças, prédios variados, são 35 bairros, uns prédios mais chiques, outros mais simples com tijolo à vista, cada prédio diferente. Tudo é bonito. A cidade tem o Punta Shopping, distrito gourmet, o restaurante francês mais caro, design, muitos bosques e parques belos. O museu Ralli tem exposição permanente de Salvador Dalí. Ali se encontram obras de Botero, Amaya, e de outros artistas de renome (endereço: Los Arrayanes, sem número, bairro Beverly Hills). Vale uma visita, infelizmente, não tivemos tempo e a entrada é gratuita. O cantor Roberto Carlos tem casa próxima. As casas têm guarita, não têm numeração, mas nome. Parece a praia Pontal de Maceió-Fortim no Ceará, algo bem original.

Por aqui se faz passeio de casas chiques, de famosos como em Hollywood, Los Angeles nos EUA, uma casa que nos é mostrada é a da família Grendene, dona das marcas Melissa, Rider e outras. Para nós, bastava a casa dos caseiros que já é fenomenal…

Os bosques têm flores silvestres. Seguimos na avenida Las Palmas, parece Jurerê Internacional em Santa Catarina. Tudo é amplo, limpo, cuidado, dá gosto. Em 2016 foi inaugurado o Centro de Convenções com arquitetura inovadora para 4500 pessoas ao mesmo tempo. Para crianças, a dica é o parque temático El Jaguel (jaguar), endereço: av. Aparicio Saraiva Camino- A La Barra.

Interessante que a escola pensa em educação financeira para as crianças. A guia nos conta que a viagem de final de ano de conclusão do fundamental é muito planejada. Os pais não gastam nada, durante um ano, as crianças vendem artesanato e outras coisas, a ideia é ensiná-las a economizar e valorizar o dinheiro depois da escola primária ou fundamental. No último dia choram todos de emoção. O país é pequeno e organizado.

Estamos passeando de ônibus, rumamos à La Barra, ao lado de Punta, mais agreste, natural, deve ser uma delícia de morar. Em 1965 foi inaugurada a ponte sobre o rio Maldonado, única com pé hidráulico no país. Ali ocorre o encontro do rio com o mar.

Entre 2021 e 2023 centenas de radares para controlar a velocidade foram implantados. Motivo: muitos acidentes e mortes de argentinos por conta do consumo de bebidas. Punta vive da economia, construção civil e turismo. Só para se ter ideia em janeiro se aluga um apartamento por 2 mil dólares ao dia.

Passamos pela Casa Rayban onde todas as janelas foram feitas pela empresa, são fotocromáticas. Na Casa Amare viveu o ex-ditador do Chile Stroessner. No edifício Acqua, sem paredes, há uma piscina olímpica por apartamento, cada um vale 4 milhões de dólares. A casa alugada pela Embaixada dos Estados Unidos já hospedou Barack Obama e Bill Clinton, e chamam de chalé… O primeiro investimento de Trump Júnior foi o The Grand Hotel, também existe na cidade o Trump Tower, investimento do Trump.

Estamos na Rambla Lorenzo Battle Pacheco. Nos anos 70 começa a evolução da cidade. De 1980 a 1999 torres foram construídas e Punta explodiu. Já foi paraíso fiscal por muitos anos, dinheiro de corrupção ou narcotráfico, atualmente não se pode mais ter empresa em Punta, só se tiver mais de 5 anos no país. O Uruguai é sério com isso.

A escultura La Mano está sendo restaurada. De acordo com a Wikipédia, La Mano (A Mão), Los Dedos (Os Dedos) ou Hombre emergiendo a la vida (Homem emergindo da vida) é uma escultura de cinco dedos parcialmente enterrados na areia, localizada na parada 1, na Praia Brava. Concluída em fevereiro de 1982, foi feita pelo artista chileno Mario Irarrázabal.

Vimos o Iate Clube, uma beleza, muito caro se hospedar sendo associado, imagine se não for. Vemos lobos e leões marinhos no Iate Clube. O farol é do século XIX no extremo sul da península e possui uma plataforma de observação. Que passeio! O rio da Prata se encontra com o oceano Atlântico.

Em Punta Salinas, vemos a bandeira uruguaia enorme. É o ponto mais austral do país. Pisamos na plazoleta (pracinha) Grã-Bretanha. No meio do século XIX, o alemão Luís Burmester explorou uma salina na península, dando origem ao nome. Uma curiosidade sobre a história da II Guerra Mundial: segundo o blog guia.melhoresdestinos.com.br, ali fica exposta a âncora do Navio Ajax, que participou da histórica batalha do Rio da Prata naquela região em dezembro de 1939, travada entre as Marinhas inglesa e alemã, as duas potências mundiais em mar. Foi a primeira grande batalha naval da II Guerra.

O almoço foi quase 15 h no restaurante Charrúa (Calle 28 Los Meros), com muitas opções de saladas, carnes e peixes. Pedimos uma cerveja Patricia Lager para matar as saudades. A guia combinou de nos encontrar na Rua 30 depois de um passeio ao ar livre. Fomos para a tal rua e descemos rumo ao mar em direção ao Iate Clube. O calçadão é divino com dois mirantes de madeira. Palmeiras, gente curtindo o visual do mar, ufa! Uma sensação gostosa.

Ambiente acolhedor com muita gente conversando, passeando, tomando mate. Lixeiras de concreto na praia, os edifícios e restaurantes se localizam à beira mar. Um show. Na beira da praia tem grama e as árvores (palmeiras) têm um tronco menor, mas a copa é enorme, vieram da França. As sementes são amarelas, que cenário. No caminho, tomamos um sorvete de arándano (mirtilo) com creme de morango na sorveteria Pecas na Rua 30.

O Google nos reporta que Punta del Este é uma cidade turística situada numa península estreita no sudeste do Uruguai. A popular praia Brava é conhecida pelo surf intenso, bem como pela escultura La Mano. Na costa oeste, a praia Mansa tem águas calmas e de pouca profundidade. O artesanato local é vendido na praça Artigas, junto às lojas sofisticadas da avenida Gorlero.

Na volta a Montevidéu, no ônibus, somos presenteados com um pôr do sol espetacular que mais se assemelha a uma bola de fogo laranja com vermelho. Conclusão memorável para um dia incomum.