Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pela cidade-dia 4

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pela cidade-dia 4

Hoje é domingo, dia 16 de março de 2025. Dia especial, porque o Carlos e eu reencontraremos a amiga Ute Hermanns. Foi professora visitante na Casa de Cultura Alemã da Universidade Federal do Ceará (UFC) por 4 anos, e daí nasceu nossa amizade. Desde que foi embora de Fortaleza-Ceará, vive em Berlim, sendo professora de alemão para refugiados. Logo, foi uma grande alegria estarmos juntos. Ela nos encontra no lobby do hotel Park Inn by Radisson. Lá vamos de S-Bahn ao zoológico. Compramos os tíquetes na máquina. Detalhe: é o sistema de transporte de trens suburbanos e metropolitanos de superfície rápidos (fonte: Wikipédia).

A nossa amiga vai nos contando sobre a cidade. Feira das pulgas no parque Tiergarten aos domingos, enorme, vemos muito de Berlim de S-Bahn. Como existem museus na cidade. Igreja Memorial Imperador Guilherme ou Gedächtniskirche, destruída na II Guerra Mundial. O Google.com cita que é localizada na praça Breitscheidplatz, tem ao lado uma nova igreja moderna com uma torre octogonal e paredes de vidro azul. Inaugurada em 1961. A igreja antiga era neorromântica do séc. XIX. A torre danificada foi mantida de pé como um memorial de guerra e símbolo de paz. Batom e Caixa de Pó de Arroz, nomeados carinhosamente pelos berlinenses. Lá vemos os nomes dos mortos no atentado de Natal no dia 19 de dezembro de 2016, além de proteção de sacos, alambrados e cones de ferro na avenida por causa do ocorrido. Sempre tocante.

Bikini Berlin, loja de departamento. O jardim zoológico, o mais antigo do país, foi fundado em 1844. A visita foi presente da Ute. Obrigada! Vemos pandas gigantes (mamãe e dois filhotes gêmeos). Chamam-se Leni e Lotti. O panda papai está separado da família. Os bebês pandas nasceram em agosto de 2024, não mamam mais, comem bambu, tinham 13 kilos à época da viagem. São a sensação do zoo. Recebem biscoito como recompensa, não saem do recinto, por segurança de saúde, já a mãe deles pode sair. Eles têm uma vértebra especial que facilita a maneira como sentam, de forma confortável. O casal é formado por Meng Meng (ela) e Jiao Qing (ele). Os pandas são ativos, curiosos e desobedientes.

A seção de macacos é dividida por salas. São chimpanzés, orangotangos, gorilas. Ficam dentro no frio e para dormir há a parte de fora, melhor para eles. Vemos um orangotango da Sumatra, um gorila namorando e outro filosofando, eis o Fatou, é velho e só. A sua companheira havia morrido em 2010, a Gigi. Mais girafas, elefantes, bambis etc. Elefantes fêmeas levam a gestação por 22 meses. Os elefantes pesam de 2 a 7 toneladas, dependendo do sexo, idade e espécie. Passam 15 a 16 horas do dia comendo.

De lá, a pé passamos no Memorial de Tiergassentraße 4 ou Memorial e Centro de Informações para as Vítimas dos Assassinatos de “Eutanásia” do Nacional-Socialismo. Aparecem os nomes de médicos, enfermeiros e setor administrativo envolvidos nas mortes por Aktion 4 (programa de eugenia) com fotos da casa destruída, onde funcionava a mansão que servia como sede administrativa e central de planejamento dos massacres. Hoje, um memorial ao lado da Casa de Concertos Philarmonie (Filarmônica). O Google.com adiciona que o local homenageia as mais de 70 mil pessoas com deficiências físicas e mentais ou doenças crônicas exterminadas pelo regime nazista entre 1939 e 1945. A exposição é ao ar livre com painéis multimídia contendo documentos originais, áudios, vídeos e depoimentos de testemunhas da época. Vale a pena conhecer, é uma visita intensa. Berlim é história in loco. Detalhe: segundo o site https://www.todamateira.com.br, eugenia é a seleção dos seres humanos com base em suas características hereditárias com o objetivo de melhorar as gerações futuras.

Filarmônica e Sala de Música de Câmara. Sony Center, biblioteca, museus. E rumamos ao Gemäldegalerie, museu com exposição de pintura europeia dos séculos XVI a XIX. Localizada na Kulturforum (Fórum Cultural) cerca da Potsdamer Platz. Exposição temporária de 60 pinturas protegidas do museu da Ucrânia: Odesa Museum of Western and Eastern Art, de arte ocidental e oriental. Com molduras mais simples. Vemos pintores como Albert Edelfelt (1845-1905), cuja obra é “Virgin and Child” (A Virgem e a Criança), Gerard David (1460-1523), com “Lamentation of Christ” (Lamentação de Cristo). Está escrito no museu: “A representação de Maria, a mãe de Jesus, é um dos temas mais antigos das pinturas europeias”. Outros pintores: Francesco Granacci, amigo de Michelangelo; Giovanni Battista Salvi, chamado de Sassoferrato com a obra Head of the Virgin (Cabeça da Virgem), de 1685. Além de Canaletto, com a obra “Venice, Canal Grande”, de 1735; pinturas sacras de 1410, 1437, 1859; e também encontramos pinturas de Lucas Cranach, o Velho. Esculturas na madeira, e muito mais. Imperdível o museu. Endereço: Johanna und Eduard Arnhold Platz, 10785. Europa é cultura.

Do museu, partimos para o almoço no apartamento da amiga Ute. Entramos no ônibus de dois andares na rua Kurfürstenstraße. Chegando ao bairro residencial dela, Schöneberg, em uma lindeza de prédio com jardim verdejante. Lugar bucólico. Lá estava a gatinha da Ute: Xica da Silva, cearense. Linda e amada. No almoço, também me reencontrei com o ex-colega da Casa de Cultura Britânica (UFC), Alcir Pereira, que habita em Berlim há muitos anos com a família. Depois da refeição agradável e calorosa, saímos a passear com os dois amigos.

Estivemos no parque Volkspark Schöneberg perto do apartamento da Ute. Parque com um bar de biergarten (com mesas grandes em um jardim para encontros alegres regados a cervejas). O parque tem locais de festas animadas para homossexuais. O povo joga bocha. Vimos o monumento do Veado Dourado. A companhia de lixo estava em greve. Lá também tem dessas coisas…

A Ute vai falando dos Places of Remembrance (Lugares de Memória). Em postes, vimos muitas, são placas com escritas das leis que foram decididas antes da II Guerra Mundial pelo partido nazista e foram alijando os judeus da vida civil. Bastante comovente. A Wikipédia nos informa que é um memorial que consiste em 80 diferentes placas afixadas em postes de luz no distrito bavariano de Schöneberg. São de alumínio, medem 50 × 70 cm e são distribuídas pela localidade. Cada placa tem uma simples imagem com uma lei antisemita de 1933 a 1945, relacionada à imagem desenhada na parte de trás. Foram instaladas no bairro em 1993. Na comunidade, residia uma população de judeus classe média alta. Antes de 1933, 16 mil viviam lá, milhares foram deportados pelo partido nazista.

Vemos muitas Pedras de Tropeço nas calçadas com um mini-histórico de judeus que foram levados a campos de concentração forçosamente e seus destinos. Sempre triste testemunhar a maldade humana. O site https://simplesmenteberlim.com destaca que são “pedras de tropeço” ou em alemão Stolpersteine. São pequenas placas de metal criadas pelo artista alemão Gunter Demnig e instaladas nas calçadas de várias cidades europeias, incluindo Berlim. Essas placas individuais lembram vítimas do regime nazista, principalmente, judeus, mas também dissidentes políticos, homossexuais, ciganos e outros perseguidos. Cada pedra é gravada com o nome, data de nascimento e destino do indivíduo que sofreu sob o regime e é afixada na calçada diante da moradia da vítima.

Também passamos por um memorial onde existiu a sinagoga de Schöneberg. Bem bonito em cimento. Está escrito: “Aqui ficava uma sinagoga entre 1909 e 1956. Ela não foi destruída durante a Noite dos Cristais em 9 de novembro de 1938, devido a sua localização em um edifício residencial. Após a expulsão e o extermínio dos cidadãos judeus pelos nacional-socialistas, a sinagoga perdeu sua função e foi demolida em 1956”. Localizada na (rua) Münchener Straße. O site Blogger.com salienta que a sinagoga foi projetada pelo arquiteto Max Fraenkel e inaugurada em 1910. Ficava próxima à Bayesricher Platz. Acrescenta que em 1938 foi saqueada, mas não queimada e que continuando a sofrer graves danos com as bombas da guerra (II GM), ficou sem condições de restauração. O memorial atual se situa exatamente onde ficava o templo, hoje funciona uma escola. Está no nível da rua e os jardins do colégio foram desenhados seguindo o contorno original das fundações da sinagoga para preservar sua memória. (Fonte: sites Kommot e Blogger.com.)

Sempre emocionante estar entre amigos em outra cidade, ainda mais em Berlim, com tanto a aprender. Na Bayerischer Platz, na estação de trem Merringdamm, pegamos o metrô U7 e descemos quase na porta do prédio do Alcir. No bairro Kreuzeberg. Descemos na estação 46 E Stadmitte na praça Gendarmenmarkt, do séc. XVII, verdadeiro tesouro cultural e arquitetônico da cidade, de acordo com o site guiabrasileiroemberlim.com.br. Vimos a Casa de Concerto Berlim, linda, a Igreja Francesa, feita pelos huguenotes, e a Igreja Alemã. A estátua do poeta Schiller, a praça Bebelplatz onde foram queimados os 10 mil livros, hoje um memorial: a “Biblioteca sem Livros”. Olhando para baixo através do vidro, percebemos as prateleiras serem brancas. Em cima, ao redor da vidraça, testemunhamos homenagens em formas de velas acesas.

Uma caminhada cultural e histórica, chegamos perto do nosso hotel, ainda tomamos um café com a Ute e Alcir. Já era noite. Estávamos todos cansados, andamos mais de 12 km. Isso que é bom na Europa, poder passear tanto assim pela cidade. O clima ajuda, as calçadas também. Dia perfeito, agradecimentos efusivos aos queridos amigos que dedicaram seu tempo precioso a mim e ao Carlos.

No dia seguinte, começa a excursão de fato. Não preciso dizer que Berlim conquista nossos corações.

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 3

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 3

Hoje é sábado, dia 15 de março de 2025. Outro dia promissor que se inicia com o café da manhã do hotel Park Inn by Radisson na Alexanderplatz. O melhor são os iogurtes cremosos, o de framboesa demais. Às 10h35 estamos na parada do ônibus turístico do hop on hop off. Linha amarela, City Circle Gray Line. Chegamos tarde, porque é inverno, então é tudo mais lento, especialmente para nós, do nordeste brasileiro. Havíamos comprado a passagem para 48 horas. Saímos do hotel, dobramos à esquerda e encontramos a parada perto da academia FIT X. Não há placa do ônibus especificamente, as paradas são marcadas pela letra H, que também engloba as paradas de ônibus regular.

Começaremos a jornada. Os aúdios em português de Portugal. Na av. Karl-Marx-Alee, os edifícios eram monumentais na Berlim Oriental (do setor soviético) à época da Guerra Fria e ainda existem. Os prédios, inspirados na URSS, avenidas, candeeiros idealizados por Moscou, construídos a mão, edificações luxuosas de 11 andares, com o chão em piso parquet e elevadores, melhorias realizadas na época para impressionar o Ocidente e mostrar o quão bom era o socialismo. Era a avenida mais famosa da República Democrática da Alemanha (RDA), construída entre 1952 e 1960. Detalhe histórico: com o Programa Nacional de Reconstrução de Berlim, pós-II Guerra Mundial, os escombros foram removidos e a rua alargada.

A Wikipédia nos conta que em 16 de junho de 1953, começou uma revolta dos trabalhadores da construção civil que se rebelaram contra o aumento da cadência de trabalho sem compensação, o movimento se espalhou pela Alemanha Oriental e foi massacrado pelas tropas soviéticas e pelo Volkspolizei (polícia nacional da RDA).

Aqui cabe uma explicação sobre a RDA. De acordo com o mesmo site acima, a RDA ou Alemanha Oriental oficialmente se definia como um “estado socialista de trabalhadores e camponeses”. Ao mesmo tempo, o país era governado por um partido de inspiração marxista-leninista e integrado ao bloco soviético, sendo amplamente chamado de país comunista. Existiu entre 1949 e 1990, período em que a parte oriental da Alemanha fazia parte do bloco oriental durante a Guerra Fria.

Na parada 3: Gedächtniskirche/Rankestraße, vemos a escultura nomeada de Corrente Quebrada. O Google.com destaca que foi inaugurada pelos 750 anos de Berlim, dois anos antes da Queda do Muro. Trata-se de uma escultura de tubos retorcidos que imitam os elos de uma corrente partida, simbolizando a trágica divisão entre Berlim Ocidental e Oriental. Por não se tocarem no centro, representavam a proximidade física, mas o isolamento político dos cidadãos da época. Projetada pelo casal de escultores alemães Brigitte Matschinsky-Denninghoff e Martin Matschinsky em 1987. Achei genial.

Bairro Friedrichain. Da época imperial, anos 1900. Edifícios dos anos 1950. Parte oriental. Rua Varsóvia, liga o norte de Berlim ao sul. Era comercial com pequenas lojas antes da reunificação. Gostei da avenida, com canteiros centrais e praça com bancos para sentar. O tram passa ao lado.

Descemos na parada East Side Gallery, do Muro de Berlim. História do muro, fotos e pinturas, totens explicativos da história ao longo do rio Spree. Andamos até o Ostbanhoff (era a principal estação de trens da antiga Berlim Oriental) e atravessamos a rua para a parada do ônibus turístico. A gente escuta os aúdios, mas não sabe onde estão os locais, porque não há nenhuma placa que os indique.

Na Berliner Dom, catedral protestante luterana, há o mausoléu dos reis da Prússia, da dinastia Hohenzollern.

As bicicletas são incentivadas na cidade. Avenida Unter den Linden, maravilhosa. A Ópera Nacional, de 1742, está em renovação. O Portão de Brandemburgo fechado para o trânsito. Descemos no portão. Fomos ao restaurante de comida alemã Hopfingerbräu ali perto. Menu: salsicha branca com pretzel e molho doce/azedo. E chope. Como não? Não usam adoçante e o açúcar não é doce. Pratos bem interessantes, também veganos, cervejas diferentes, doces também. Exemplificando: doce de cereja azeda e chips de chocolate e quark (tipo de queijo fresco, cremoso, e levemente ácido). Deve ser uma delícia. Valor do almoço: €22,50 (euros).

Caminhamos pelo Portão de Brandemburgo e avenida Unter den Linden. Muita gente, afinal é sábado. Bem policiado. Rumamos ao Memorial aos Judeus Mortos da Europa. Dedicado à memória dos 6 milhões de judeus assassinados durante o Holocausto. Vemos os vários caixões de cimento em tamanhos diferentes como se fossem um cemitério. Já começa impactante. Esperamos na fila para adentrar o museu embaixo, passamos pela segurança, fotos sem flash.

Iniciamos a visita. A história cronológica da perseguição aos judeus pelo partido nazista. Primo Levi, químico judeu italiano, sobrevivente. Autor da obra-prima: “É isto um homem?”, com suas memórias do sofrimento passado em Monowitz-Auschwitz. Fotografias de judeus assassinados. Claire Brodzki (1928-1944) em Auschwitz e muitas outras pessoas retratadas. Morte de ciganos do grupo Sinti (encontrados na Alemanha, Itália e França). Outra sala com projeções no chão de histórias encontradas em papeis ou cartas/postais. Nas paredes, números de judeus mandados para campos de concentrações nos diversos países. Sala com o histórico de famílias e seus destinos, fotos, cartas, quem eram, os que morreram e como, e os que sobreviveram. Em alemão e inglês. Fotos de famílias, como a da Família Kagam na Bielorrússia, Hirsch na Hungria e Peereboom nos Países Baixos. Maly Trostenets, perto de Mink, capital da Bielorrússia, o maior campo de extermínio nazista da URSS ocupada. Babi Yar, fuzilamento em massa. Babi Yar era uma ravina perto de Kiev, capital da Ucrânia. Em setembro de 1941, dias 29 e 30, a Einzatzgruppen, esquadrões de morte, subordinados à SS, ajudou a polícia alemã e auxiliares locais a assassinar 33.721 judeus, homens e mulheres, jovens e velhos por fuzilamento. O gás venenoso Zyklon B, usado como método de extermínio nos campos de concentração. Muito bons os vídeos de entrevistas de sobreviventes. Forte a visita, mas necessária, para que nunca esqueçamos dos horrores do nazismo. Saímos e comprei um postal do memorial, das caixas de cimento com uma árvore de flores brancas na frente. A natureza torna a foto menos árida e mais lírica.

Um protesto no Portão de Brandemburgo. Com bandeiras, a polícia presente observando. A pé pela avenida Unter den Linden, um prazer, cheio de gente, só vi duas pessoas com cachorros passeando, o frio intenso. Outro protesto mais adiante: Salve a Ucrânia! Dei meu apoio. Em um quiosque de Döner Kebap, tomei café e pedi um kebap de frango para o jantar.

Sentamos em um banco em frente ao Museu da Guerra Fria. Outro museu: Bud Spencer & Terence Hill Museum (atores). Cafés, restaurantes, edifícios. A Champs- Élysées de Berlim. Agradável a caminhada. Estátua equestre de Frederico II, o Grande, em bronze, de 1851. Escultor: Christian Daniel Ranch, com 13,5 m de altura. Foi monarca da Prússia de 1740 a 1786. A casa onde morou o físico alemão Max Planck, de 1889 a 1924. Com feira de antiguidades ao lado. A Universidade Humboldt. Sebo em frente.

Continuamos na Unter den Linden. Prédio estilo greco-romano. A Wikipédia esclarece que é o Memorial Central da República Federal da Alemanha para as Vítimas da Guerra e da Ditadura. Chama-se Neue Wache, ou seja, nova Casa da Vigília. Interessante que chove e neva dentro. O simbolismo é poderoso. O interior da Neue Wache, com a escultura de Käthe Kollwitz: “Mãe com seu filho morto”. Garanto que quem vê, fica mexido. Berlim marcante.

Mercado de arte ao lado do rio Spree. Pinturas, fotos, artesanato. Bolsas, roupas, tudo lindo. Porcelana da Floresta Negra. Sábados e domingos, das 11 h às 17 h. Berlin Art Market. Pura tentação.

Parque em frente da Catedral, Lustgarten, com músicos de rua tocando órgão e violino. Bem Europa. A Berliner Dom é um cartão postal de tão bela. Que frio! Mão gelada. Voltamos à Galeria, loja de departamentos fantástica, perto do nosso hotel. Para mais chocolates, preços imperdíveis.

Berlim não se esgota, que cidade mais interessante e rica de história e cultura. Prosseguiremos em breve com mais passeios.

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 2

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 2

Hoje é dia 14 de março de 2025. O dia passado foi cansativo, dia de chegada. O Carlos e eu estamos no hotel Park Inn by Radisson na Alexanderplatz. Acordamos às 9 h e fomos para o salão de café da manhã que é no restaurante Spagos (restaurante, bar e lounge). Funciona das 6 h às 11 h. Na entrada do salão, um rapaz controlando os hóspedes pelo cartão do hotel. O café da manhã bem farto com muitos pães, queijos, presuntos, frutas, iogurtes bem cremosos sem açúcar. Já tem leite e garrafa prata de café na mesa. Prático. Pão com passas de uva, crisp bread (pão crocante), ovos, panquecas. Jornais e revistas para leitura. São duas ilhas de comidas com sucos e cafés. A seção de chás respeitável. Por isso hotéis me encantam. Amo estar em um ambiente com turistas do mundo todo e em várias línguas faladas, o inglês, porém, é fundamental para comunicação.

Hoje é dia de passeio de hop on hop off, nosso ônibus preferido nas cidades, o amarelo. Estamos por conta própria, a excursão começará somente no dia 17. Compramos os tíquetes em um guichê no hotel. €56 (euros) para nós dois com desconto. Há um mercado de guloseimas no saguão com espaços diferentes. Muito bom e aceitam cartão de crédito.

Lá vamos nós pela praça Alexanderplatz. Estamos meio perdidos, não é novidade. Um policial nos ajudou e chegamos à parada de ônibus do City Circle Gray Line. Parada 12: Alexanderplatz/Park Inn. Serão 2h e meia de passeio. Lembrando que dá para descer e subir nas paradas.

Comecemos a jornada. Escutando os auriculares em português de Portugal. Estamos na av. Karl-Marx-Alee. Antiga Berlim Oriental. Região de residencial popular. Parada 13: Karl-Marx-Alee. Prédio do partido único da Alemanha Oriental (RDA). Segundo o Google.com, esse prédio abrigava o Comitê Central do SED (Partido Socialista Unificado da Alemanha), hoje funciona como sede principal do Ministério Federal das Relações Exteriores da Alemanha. Localizado no centro de Berlim.

Prédio da antiga editora da RDA. O Google.com nos informa que era o principal e mais célebre edifício da editora, o Haus des Berliner Verlags, conhecido historicamente como Pressehaus (Casa da Imprensa). Atuava como o coração da mídia impressa do regime.

Antiga Central de Energia Térmica. O áudio se confunde e fala “energia atômica”. O mesmo site nos conta que foi inaugurada em 1964, fornecia eletricidade e aquecimento central para a maior parte de Berlim Oriental. Movida a combustíveis fósseis. Atualmente, abriga a conhecida casa noturna e centro de eventos Kraftwerk Berlin, onde tocam os DJs mais famosos, ninguém tem certeza que entrará, depende dos leões de chácara deixarem entrar, são 1.500 fãs, há bar panorâmico, música eletrônica, a Lady Gaga gosta, vão até segunda de madrugada nas baladas.

Parada 14: Berghain/Friedrichhaim. Parte ocidental e oriental com edifícios antigos. Rua Varsóvia (Warschauer Straße), a mais animada. Restaurantes, lojas, bares.

Parada 15: East Side Gallery. Restante do Muro de Berlim. Trecho contínuo com cerca de 1.300 m, 100 pintores fizeram obras artísticas no muro, Patrimônio Histórico e Artístico. Espaço memorial às margens do rio Spree. Antes de 1989, com a Queda do Muro, do lado da Alemanha Oriental, guardas ainda matavam quem tentava fugir. Há prédios sendo construídos por ali, mas nem todos concordam.

Parada 16: Ostbahnhof. Estação de trens com diferentes nomes reflete a complexa e agitada história do país moderno. Cidade com obras artísticas murais, casas coloridas. Gente morando debaixo de ponte. Ainda vemos prédios uniformes, cinzas da antiga Alemanha Oriental.

Parada 11/17: Neptunbrunnen/Rotes Rathaus. Câmara Municipal, de cor vermelha. Igreja de Santa Maria ou Marienkirche. Fonte de Netuno do séc. XIX. Conforme o site https://mapeandomundo.com, trata-se de uma fonte verde, construída em 1895, no estilo neobarroco que retrata o deus do mar. e é rodeado por figuras femininas que simbolizam os rios alemães Reno, Weichsel, Oder e Elba. A Torre de TV se encontra perto.

Parada 18: DomAquarée. Parada 19: Museumsinsel/Humboldt Forum. Ilha dos Museus, de acordo com a Wikipédia, construída de 1830 a 1930 por ordem dos reis prussianos, foi designada Patrimônio Mundial em 1999, por causa de seu testemunho no desenvolvimento arquitetônico e cultural dos museus dos séculos XIX e XX. Igreja monumental da Corte: Berliner Dom. Catedral protestante luterana. Lustgarten-um parque na Ilha dos Museus. Palácio de Berlim, anteriormente, conhecido como Palácio Real, alberga o museu Fórum Humboldt, dedicado à história humana, arte e cultura. Ponte Schlossbrücke, com esculturas em mármore branco que retratam a jornada de um menino até a maturidade, tornando-se um guerreiro e encontrando a morte no campo de batalha. Essas estátuas estão sob a tutela das deusas Atena, Nice e Íris (fonte: https://www.getyourguide.com). Não é uma cidade notável?

Parada 20: Unter den Linden. Avenida linda, larga, ótima para caminhadas. Antiga Biblioteca Real, hoje Faculdade da Universidade de Humboldt. Na Faculdade de Direito, no subsolo da praça Bebelplatz, ao lado, há o memorial dos livros queimados, uma biblioteca sem livros, um dos locais onde os livros foram incendiados pelos nazistas em 1933.

Under den Linden com Friedrichstraße, cafés famosos, um se chama Viktoria ali perto. A avenida celebrada antes era o caminho por onde o rei ia a cavalo até seu palácio de verão Charlottenburg passando pelo Portão de Brandemburgo. Vemos as embaixada Russa, Britânica e Americana, sempre muito policiada.

Parada 21: Brandenburger Tor/Holocaust-Mahnmal. Memorial em homenagem aos Judeus Mortos da Europa, de Peter Eisenman. Inaugurado em 2005. Portão de Brandemburgo. Monumento neoclássico do séc. XVIII. Foi bloqueado pelo Muro de Berlim e serviu por quase três décadas como um marcador da divisão da cidade. Encontrava-se dentro do setor soviético à época da Guerra Fria, mas não pertencia ao lado oriental nem ocidental. Pós-Queda do Muro, passou a ser símbolo da reunificação.

Passamos pelas placas em forma de cruz com fotos, nomes e a história dos que morreram tentando pular o Muro.

Parada 22: Reichtag. Na Praça da República. Com bandeira hasteada. Feito em estilo neorrenascentista. Também conhecido como Palácio do Reichtag. O edifício foi projetado por Paul Wallot e inaugurado em 1894, sendo um marco da história do país, associado a eventos significativos como a proclamação da República em 1918 e o seu incêndio em 1933. O site https://dicasdeberlim.com.br comenta que esse incêndio criminoso foi usado pelo regime nazista como pretexto para perseguir opositores. Após a II Guerra Mundial, foi restaurado e modernizado, sendo utilizado como sede do Bundestag (uma das câmaras do parlamento alemão) desde 1999. A icônica cúpula de vidro foi desenhada pelo afamado arquiteto inglês Norman Foster, assim como o projeto do palácio.

Futurium, museu/laboratório, com entrada gratuita. Parada 23: Hauptbahnof. Estação principal de trens. Museu de História Natural. Edifício Cube Berlin, o mais inteligente, 210 mil pés quadrados, com estacionamento, luz, temperatura, fachada de vidro dobrada por dentro, tudo pensado, 11 andares de escritório.

Moabit é uma das seis localidades do distrito Mitte. No séc. XIX, à época do rei Guilherme I, era um povoado de huguenotes, fervorosos protestantes calvinistas, de origem francesa. Plantaram amoreiras e criaram bichos de seda. Muitos trams (bondes modernos) pela cidade. No prédio de detenção de Moabit estiveram detidos presos políticos da RDA.

Parada 24: Siegessäule. Obelisco da Vitória ou Coluna da Vitória, com deusa de ouro e mirante circular. Parque urbano público Tiergarten, destruído com suas árvores na II GM. Entre 1949 e 1959, reconstruído como parque paisagístico. 210 hectares, um dos maiores da cidade. Local popular.

Palácio de Bellevue, primeiro estilo neoclássico, local de reuniões oficiais e de hóspedes do III Reich. Foi atingido na II GM. Residência oficial do presidente da Alemanha.

Parada 25: Zoo+Aquarium/Bikini Berlin. O zoológico é um dos cinco maiores do mundo, 35 hectares, tem uns 20 mil animais de 1.600 espécies diferentes. Muitos centros comerciais ao redor. O Bikini Berlin é uma proposta de shopping inovadora, com hotelaria, entretenimento, compras e gastronomia. Tem uma área verde de 7 mil m².

Parada 1: Kurfürstendamm 216. Avenida com lojas exclusivas, como Hugo Boss, Dolce Gabbana, Ralph Lauren e outras mais. Conhecido como Boulevard Ku´damm. Viagem através de diferentes épocas na avenida imperial até hoje. Vida noturna e glamour. Foi inaugurada em 15 de maio de 1886. Seus edifícios foram destruídos na II GM. Zona comercial hoje com cafés e lojas. Estamos no inverno, árvores secas.

Parada 2: Hard Rock Cafe/Meinekestraße. Parada 3: Gedächtniskirche/Rankestraße. Gedächtniskirche ou Igreja Memorial Imperador Guilherme, construída entre 1891 e 1895. Destruída durante os bombardeios da II GM em 1943, o que se vê são as ruínas, preservadas como memorial de guerra. Dica de loja: Primark, com preços ótimos. Escultura “Berlin” (Corrente Quebrada).

Parada 4: KaDeWe. Descemos e entramos na KaDeWe, a loja de departamento mais renomada desde 1907. 2.700 funcionários, a gente se perde em tantos andares e há variedades mil. Muitas opções de comidas. Fomos almoçar, enfim, no 6º andar, no Kartoffelacker. Menu: almoço de truta defumada com batatas souté. A sobremesa: uma trufa de chocolate amargo. mais coca e café, uns €28 (euros).

De volta ao ônibus. Á direita, Urania, de 1888, sociedade científica para popularizar a atividade de ciência por meio de palestras, filmes e teatro. Em 1945, no fim da II Guerra Mundial, 70% da cidade estava destruída. 75 milhões de escombros. São 891 km². 3,7 milhões de habitantes no presente.

Parada 5: Lützowplatz. Parada 6: Kulturforum Tiergarten/Philharmonie. Passamos pelas embaixadas de Malta, Mônaco, Finlândia e outras. Fundação Konrad Adenauer, instituto político. A Wikipédia destaca que é uma instituição benemerente alemã associada ao partido da União Democrata-Cristã. Fórum da Cultura ou Kulturforum na Mattaikirchplatz.

Parada 7: Potsdamer Platz/Panorama Punkt. A praça Potsdamer era vívida nos anos 1920. No final da guerra em 1945, estava 80% destruída, foi esvaziada com a URSS e com a reunificação voltou a ter sua importância restaurada. Sony Center, Um complexo de sete edifícios individuais com o modo de fachada moldando chapas de papelão ondulado, seções de tecido em forma e superfícies (fonte: WikiArquitectura). Deslumbrante.

Estamos na divisão dos setores britânico (à esquerda) e americano (à direita) do pós-II GM. Na Leipziger Platz.

Parada 8: Gropiusbau/Topographie des Terrors. Edifício da Topografia do Terror, memorial e centro de documentação que preserva a história dos horrores perpetrados pelo regime nazista, localizado onde funcionou a sede da Gestapo/SS entre 1933 e 1945. O livro Em Busca de Sentido, Edição para Jovens Leitores, de Viktor Frankl, editora Auster, 2023, esclarece no Glossário que a Gestapo era a força policial secreta da Alemanha nazista que perseguia supostos adversários dos nazistas, e a SS, a organização militar nazista que realizava a vigilância, as prisões e execuções para Adolf Hitler.

Parada 9: Checkpoint Charlie. Ponto de controle de estrangeiros no setor americano no pós-guerra. Ali tem a história do Muro e o destino das vítimas. US Army Checkpoint. Friedrichstraße, ligação norte/sul de Berlim. Popular rua comercial depois da Queda do Muro. Primeiro grande projeto da reunificação, três blocos de edifícios ligados por uma galeria subterrânea. Estação de metrô fechada na frente, linhas 6 e 8, porque passavam pela parte leste da Berlim dividida na época da RDA.

Parada 10: Gendarmenmarket. Do séc. XII, a praça fica em uma das regiões mais belas de Berlim. Edifícios monumentais, bancos que convidam a sentar e admirar a cidade. Cidade larga. As Igrejas Gêmeas, barrocas, se situam dos dois lados da praça. Elas se completam com uma torre coroada por uma cúpula. Também há a Igreja Francesa e a Alemã. Essa virou um centro artístico e depois um museu que conta a história da democracia alemã. Bairro mais antigo e charmoso: Nikolaiviertel, ou seja, St. Nikolai.

Passamos pela Fonte de Netuno de novo e descemos. Caminhamos. Loja Pylones, perto da Berliner Dom, catedral. Linda, muito colorida. Um bocado de lojas de lembrancinhas nos arredores. Encontramos uma e comprei uma camiseta (lógico) de um brasileiro, Vinícius. Chegado há pouco na cidade. Já cerca do nosso hotel, a incrível loja de departamento Galeria na Alexanderplatz. Amamos, vários andares de compras, a seção de chocolates foi inesquecível. Com muitos descontos. No 5º andar, poucos restaurantes, no esquema de buffet, você paga separado pelo que escolhe. Resolvemos retornar ao restaurante de ontem à noite: Frittenwerk na praça, cerca do hotel. O mesmo prato: avocado chicken bowl (tigela de frango com abacate). Quem gosta, torna.

Observo muitas pessoas de mais idade trabalhando, a aposentadoria na Alemanha ocorre aos 67. E não vi gatos e cachorros de rua. Achei o Asien Supermarkt fantástico, só produtos orientais.

Continuaremos em breve. Cidade fascinante.

Berlim e Leste Europeu-chegada a Berlim espetacular-dia 1

Berlim e Leste Europeu-chegada a Berlim espetacular-dia 1

Hoje é dia 13 de março de 2025. Lá vamos nós fazer um circuito pelos países do Leste Europeu e Berlim com a CVC/Special Tours (à época com a Débora no shopping Del Paseo em Fortaleza) no inverno. Fomos pela TAP Fortaleza-Lisboa. Na chegada para os voos de conexão ou ligação, como os portugueses dizem, passamos pela imigração e raio-X. Do ano anterior para então, havia mudado o protocolo. Sempre uma sopinha de abóbora no Go Natural por €2,50 (euros). Lugar de estimação. Voo para Berlim na hora também pela TAP, só água oferecem, no mais, se compra no cartão de crédito.

Chegamos à histórica Berlim. Berlin Brandemburg Airport. Enorme. As malas chegaram, que alívio. São 16h40. O motorista do transfer nos aguarda em uma Mercedes, o Harry, um senhor bem simpático. São 27 km do centro de Berlim. Passamos pelo futurístico Tempelhof, aeroporto que pertencia ao setor americano pós-II Guerra Mundial. As esteiras de malas eram as maiores do mundo. Conforme o livro Pelos Caminhos da II Guerra Mundial, volume 1, editora Chiado, 2019, de Eleazar de Castro e Goretti Gurgel, o aeroporto foi construído em 1923 pelo presidente Hindenburg após a I Guerra Mundial. Quando Hitler assumiu o poder, encomendou o projeto de um aeroporto para Albert Speer, o arquiteto do nazismo. A ideia é que fosse “a mãe de todos os aeroportos”, de fato, chegou a ser dos mais importantes. Com as linhas retas e sóbrias, típicas do partido nazista, já tinha à época uma ligação com os trens do metrô de Berlim. Durante a II GM foi base de manutenção dos aviões da Luftwaffe e no subterrâneo uma fábrica de armas. Muito tempo depois, foi transformado no maior parque público da cidade, utilizado por ciclistas, corredores e skatistas. No pátio permanece um avião Douglas C-54 Skymaster (a versão militar americana do DC-4).

E vamos batendo papo com o Harry. Os prédios têm a mesma altura por onde passamos, 4 andares, há uma razão histórica. Estamos na antiga Berlim oriental. Diz ele ser o tempo uma gigantesca máquina de lavar, devolve tudo para onde pertence (Time is a huge washing machine. It puts everything back to what it belongs).

Que distância! Enfim, chegamos ao hotel da excursão. Decidimos aproveitar a cidade com uns dias antes. Hotel muito bem localizado, na famosa praça Alexanderplatz: Park Inn by Radisson. Entramos, deixamos as malas e fomos comer. Descobrimos o Frittenwerk na praça. Salada com frango e avocado chicken bowl (tigela de frango com abacate), uma delícia, com quinoa. €10,90 (euros). Restaurante descolado, como se diz, pratos de locais diversos, como Istambul (Turquia), Montreal (Canadá), Tijuana (México) etc. Um achado.

Dormimos exaustos. Algo a contar, eis minha segunda estada na cidade. A primeira foi em 1997 por poucos dias, ainda com aquele clima lúgubre na Berlim, então oriental. Faltou muito a conhecer. Queria muito checar como estava anos depois, porque só escutava elogios. Lembrando que em 9 de novembro de 1989 ruiu o notório Muro de Berlim, marcando a queda da Cortina de Ferro e o início da queda do comunismo na Europa Oriental e Central (fonte: Wikipédia). Berlim, história sem fim.

Continuaremos com muito mais sobre essa cidade vivaz.

Campos do Jordão para conhecer-Centro de Memória Ferroviária e teleférico-dia 2

Campos do Jordão para conhecer-Centro de Memória Ferroviária e teleférico-dia 2

Hoje é dia 15 de março de 2026. Fizemos o passeio de trenzinho turístico e agora estamos no parque Capivari, onde há uma roda gigante, um lago com pedalinhos e o Centro de Memória Ferroviária. É um museu com a exposição do bonde que ia até o Portal de entrada da cidade. Vemos o relógio de ponto e o famoso trenzinho que ia até outras cidades. Está parado desde 2017 e, segundo nos disseram no museu, vai à leilão para uma futura concessão.

Vemos fotos de trens e muito da história ferroviária da cidade e arredores. A construção do sanatório em Campos do Jordão foi em 1900, sugestão do médico Clemente Ferreira que exerceu importante papel no controle da tuberculose em São Paulo e pensou em uma estrada de ferro para ligar a estação de cura a um ponto no Vale do Paraíba. Havia muito a imprensa difundia a ótima qualidade do clima e as belezas naturais da região da serra da Mantiqueira, igualando-a às das melhores estações de descanso e cura europeias.

Telefones da época expostos. Emílio Ribas, patrono da saúde do estado de São Paulo. Acompanhado de Victor Godinho, fundou a Estrada de Ferro Campos do Jordão, inaugurada em 15 de novembro de 1914.

Maquetes do trem e bonde, informes sobre a história e personagens importantes relativos à cidade e sua ferrovia, fotos. Em um painel está escrito: “Estações, paradas e estribos”. São as estações: Pindamonhangaba (sede), Expedicionária, Piracuama, Eugênio Lèfevre, Abernéssia e Emílio Ribas, com muitas paradas. Primeiro carro de passageiro de 1917, ferramentas e peças da Estrada de Ferro Campos do Jordão que funcionou de 1914 a 2014. Vale a visita.

Saímos do museu e nos dirigimos à estação ferroviária que está fechada por tempo indeterminado, na espera pelo trem que virá. Fotos de Emílio Marcondes Ribas e Victor Godinho. Dá para entrar, embora não tenha nada. Tudo é bonito nos arredores.

Estamos no parque Capivari, um lugar repleto de entretenimento. Espaço Aventura com arvorismo e escalada. Agora, teleférico rumo ao Morro dos Macacos (de 2022). Compramos os bilhetes nas máquinas, existem ajudantes. De R$49,50 em diante. Subimos e na parte alta, música com DJ e lojas de pedras, quiosques de chocolate, sidra e vinho quentes. Pastelão do Maluf, chope Baden Baden. Mais, crepes e churros, e Gold Cooper (fondue e gelato). Copo com pedaços de morango, sorvete de maracujá, chocolate brownie e creme. Tentação total. Uau! e com calda de chocolate. Haja caminhada depois… Fiquei cheia. O mirante dá para ver toda a cidade e ainda conhecemos um casal de Fortaleza: a Rosa e o marido português. Também turistas encantados como nós. O mundo é pequeno. A estação é TOP, como se diz, muito agradável de se estar. Muita gente se divertindo, batendo papo, ouvindo música. Uma delícia. Depois de tanto deslumbre, descemos de volta no parque Capivari e encontramos um trailer estilizado São Benedito. Compramos um misto quente para o nosso jantar. De pão bola e recheio de queijo e presunto, sem ser prensado. Para mim, novidade. Gostei de um quiosque original Vinho Até Você com espumantes, vinhos, bebidas, muito convidativo.

Retornamos à pousada La Toscana a pé. O bom de Capivari é ser tudo perto. Vemos prédios baixos, lindos com varandas em madeira. E casas amplas, com muros verdes ou daqueles que dá para admirar as residências das pessoas, ruas arborizadas de plátanos. Folhas nas calçadas. Recordei-me de Puerto Varas na Patagônia chilena. Campos do Jordão, uma formosura de cidade.

Passamos pelo prédio conhecido como Vila Holandesa, uma maravilha. Com moinho de vento para os viajantes maravilhados tirarem fotos. Imagine morar em um lugar desses? Paraíso. Na esquina da rua Dr. Plínio Barbosa com rua Eurico Sodré. Caminho da nossa pousada. Fizemos uma ótima escolha de localização. Chegamos à La Toscana às 16h45 direto para o chá da tarde: bolo de aipim (macaxeira) e de maçã sem açúcar, e café com leite. Bom demais.

Um pouco de história sempre nos ensina muito. A Wikipédia nos conta que Mateus da Costa Pinto adquiriu parte das terras do brigadeiro Jordão e se transfere de Pindamonhangaba (SP) para Campos do Jordão, onde em 29 de abril de 1874 deu início a inúmeras construções, fundando o primeiro povoado. Em 1891, o dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho comprou todas as terras de Mateus Pinto e instalou-se na vila de São Mateus, que em sua homenagem foi chamada de Vila Jaguaribe. Já em 29 de outubro de 1915, iniciou-se a construção da Vila Abernéssia onde estavam localizados os sanatórios dos doentes de pulmão. Em 1920 foi iniciada a construção da Vila Emílio Ribas. A emancipação da cidade ocorreu em 19 de junho de 1934. A partir da década de 1950, o avanço da medicina fez com que a tuberculose deixasse de ser uma doença tão perigosa e com isso, a cidade passou a desenvolver o turismo.

Um detalhe sobre o clima em março: à noite esfria, de dia se estiver ensolarado esquenta.

Continuaremos em breve.

Bela Itália-Palermo-Nápoles-Pompeia-dias 7 e 8

Bela Itália-Palermo-Nápoles-Pompeia-dias 7 e 8

Hoje é sábado, dia 11 de outubro de 2025. Estamos em Palermo, capital da Sicília e entramos no porto às 17h35 com o ônibus. Nosso ferry noturno para Nápoles parte às 20 h. Faremos a travessia pelo mar Mediterrâneo. O restaurante funciona das 19h30 às 21h30, e a loja do navio fecha às 23 h. O ferry se chama Grandi Navi Veloci Spa M/N Majestic.

Entramos com o grupo da Europamundo, nos hospedamos em um quarto bem funcional e descemos para jantar. É tipo buffet, você escolhe e eles colocam no prato. Pedimos dois pães, ananás, tomate e mussarela Caprese, e um prato de bacalhau. Saiu €31,90 (euros).

Domingo, 12 de outubro de 2025. Acordamos às 5h30, socorro! A noite foi meio pela metade, pois é diferente estar em um ferry, minha primeira experiência dormindo em um, e o peixe do dia anterior não caiu tão bem. O barco a discutir… abre às 6h30 o café da manhã no restaurante, como se o navio chega às 7 h? Fomos ao local, estávamos na fila, e aí achei que seria mais rápido no café ali perto. Só que a caixa registradora do café quebrou, estávamos na espera. Voltamos ao restaurante com a fila maior ainda e pouca gente para atender ao self-service. A sorte foi ter nosso companheiro de viagem Celço (de Santa Catarina) lá, ficamos mais tranquilos. Não tinha quem servisse o presunto e queijo, no fim comemos o que podemos, correndo. €9,20 (euros).

Chegamos a Nápoles, o ônibus saiu e nós entramos nele. A nossa guia Sabrina sempre dando dicas valiosas. Ela que é napolitana sabe. O povo é acolhedor, recebe os imigrantes bem. “Ninguém é excluído”. Continua nos contando sobre a cultura local. A pimentinha que traz sorte, tem que tocar três vezes para ativá-la com a mão esquerda aberta, se for de coral, melhor. Na Antiguidade, eram pagãos e tinham o órgão sexual masculino como propulsor de boa sorte, a igreja Católica acabou com isso. Mas ainda se vê estampado em camisetas, aventais, coisas da região. Achei inusitado. Vi muito isso em Amsterdam-Países Baixos.

A guia segue falando em Pompeia, destruída pelo vulcão Vesúvio. Pessoas que trabalhavam na terra foram encontrando objetos. A cada ano se descobre mais, afinal era uma cidade romana.

Enfim, chegamos ao Parking Turístico e nossa guia local será a Patrícia, brasileira, com rádios para nós. Passaremos uma hora em Pompeia. Ainda não entramos no sítio arqueológico, com escavações e ruínas. O calor e o sol prometem, tem que se proteger com chapéu. A caminhada será árdua. Eu e o Carlos estamos de tênis e bota. Ficamos no Cellini Coralli e Cammi Factory para compras de corais, cafés, banheiros etc. No Cameo Art, o senhor nos mostra como colocar fotos em camafeus e em conchas. Loja fabulosa, embaixo no mármore branco. Vemos obras de arte em conchas. Olhamos com admiração. Em grupos grandes, esperamos ali perto abrirem o portão do local, somos os primeiros, praticamente. No final, vale a pena acordar cedo. Aproveitei para conversar com um casal de alemães simpáticos, bem viajados e vividos. Estavam viajando de motorhome, facilidades da Europa. A multidão continua na espera. Duas pessoas do nosso grupo foram chamadas a mostrar os passaportes, é aleatório.

Ruínas em Pompeia-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

Vamos ao passeio. São 66 hectares, 47 escavados. A erupção do monte Vesúvio, localizado na baía de Nápoles, ocorreu em 79 d. C., a 10 km da cratera. Foi a maior erupção desde a pré-história, a 30 km de altura, uma força de várias bombas atômicas, ficou noite por três dias por causa das cinzas. Também a cidade de Herculano foi atingida. 2 mil pessoas foram soterradas e enterradas por cinzas, pedras-pomes e pedrinhas. Morreram por gases tóxicos, a lava a 400º C. Com as primeiras lavas, a cidade foi enterrada. As lavas não chegaram onde estamos no momento. Os corpos que veremos no museu são moldes feitos pelo homem. À época Tito era o imperador. Seria muito caro reconstruir, segundo ele, então deixou como estava. Passou uns 1600 anos esquecida. Foi o rei espanhol Carlos III, de Bourbon, que dá início às escavações. Lembrando que à época o sul da Itália era dominado pelos espanhóis. O site www.nationalgeographic.brasil.com diz que o local foi encontrado no séc. XVII, soterrado por pelo menos 6 m de cinzas vulcânicas.

Pompeia era importante, tinha um porto, vivia de comércio. O site Nostrali nos conta que é situada em uma planície fértil, próxima ao rio Sarno. Ocupava uma localização estratégica dentro do Império Romano. A 30 km de Nápoles, na região da Campânia.

Em https://brasilescola.uol.com.br, descobrimos mais sobre a história do lugar. Os historiadores apontam que a região começou a ser habitada por volta da idade do Bronze (entre 3.000 e 1.200 a. C.). Antes dos romanos, a cidade foi ocupada pelos oscos (um povo que habitava a Campânia), gregos, etruscos e samnitas, antes de finalmente ser conquistada pelos romanos. Aí se inicia o período de maior prosperidade da cidade. Como ficava às margens do Mediterrâneo, era utilizada para realizar o transporte de várias mercadorias. Durante o séc. I d. C., Pompeia possuía 12 mil habitantes aproximadamente nos meios urbanos e 24 mil na zona rural.

Os romanos chegam em 3 a. C. O edifício Quatripórtico dos teatros. Corredor, com colunas e tetos. Arquibancadas. Zona dos teatros. Em 2 a. C. foi erigido. O foyer dos teatros, mas mudou de função. 17 anos antes da explosão do Vesúvio, houve um terremoto que abalou toda a área do golfo de Nápoles. As pessoas achavam que era uma montanha fértil, não imaginavam que fosse um vulcão e nem o perigo iminente. Na verdade, estava acordando por meio dos tremores de terra que destruíram o quartel dos gladiadores. Eram escravos e ficavam presos nas celas. Era um teatro. Os arqueólogos encontraram armas ali, hoje estão expostas em Nápoles. A estrutura que vemos é original, mas houve reconstruções modernas. Tijolos usados na época. Anfiteatro com degraus para espetáculos exclusivos. Os romanos criaram a numeração dos assentos.

Via Stabiana, a segunda avenida mais importante de Pompeia. Dividia a cidade em norte e sul. Cruza perpendicularmente a Via da Abundância, formando o coração da zona comercial da cidade. Tinha sete portas. Rua na pedra, três pedras grandes eram as faixas de pedestres. O Google.com destaca a estrutura romana: a rua mostra claramente as calçadas elevadas, as pedras de travessia para pedestres e as guias de pedra que facilitavam o tráfego de carroças. A guia prossegue: as cidades sujas eram limpas. Chovia e os moradores passavam pela faixa de pedestres na altura das calçadas. Ela mostra as marcas das carroças em que os escravos subiam a ladeira, a colina. A pedra retinha a água. Os romanos eram engenheiros. Lojas, casas, edifícios públicos. Entrada com uma porta com tora de madeira. Restaurantes tinham um balcão para a venda de comida rápida e vinho, com braseiro. Comiam durante o dia. Iluminação ruim, o jantar era a principal refeição em casa. Os ricos tinham casas com dois pisos (domus), eram maiores e tinham escravos. Os pobres moravam apertados no primeiro andar, as construções não existem mais. Pão era para ricos e pobres, as padarias faziam farinha com seus moinhos. Totalizavam 36 padarias. O pão era muito comido.

A avenida, Via da Abundância, cortava a cidade leste/oeste. Segundo o Google.com, era a mais importante e central de Pompeia. Funcionava como principal artéria comercial e urbana, conectando o Fórum (centro político) à parte leste da cidade, passando por diversas casas aristocráticas, lojas e termas. Que lugar surpreendente, era enorme. Seriam necessário mais dias para conhecer o parque arqueológico.

Termas Stabiane-Pompeia-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

As termas eram limpas, espaços públicos e privados. As casas ricas tinham termas particulares. Termas Stabiane. O Google.com nos conta que são um dos complexos termais mais bem preservados, com decorações e afrescos originais. A guia Patrícia continua a informar: forno, calor pelos buracos nas paredes, parede dupla, piso duplo que esquentava a terma. Havia o calidário (lugar da água quente), frigidário (água fria) e o tepidário (banho morno). O sistema de estrutura dupla é ainda usado na Europa. As termas eram um espaço social para reuniões, como clubes. Havia um espaço enorme e ginásio. Vestiário com serviço de massagem.

Interessante notar que prostíbulos populares eram legalizados. Existiam em bares e casas também. O local era marcado com a figura de um órgão sexual masculino em cima da porta. Diga-se de passagem que significava prosperidade. Tríapo era o deus da fertilidade na mitologia grega e romana, e associado à agricultura e virilidade masculina. Eis o Lupanar, localizado no Regio VII do parque arqueológico. No bordel antigo, havia camas e pinturas eróticas nas paredes. Os marinheiros chegavam à cidade e seguiam as setas para o local. De acordo com o site http://www.tudosobrenapoles.com, é um dos pontos que mais chama a atenção dos visitantes. Também acrescenta que o valor do serviço oferecido no local é impactante, pois equivalia uma hora com uma “lupa” (como era conhecida a prostituta) a uma taça de vinho.

Nosso grupo está na Via da Abundância no momento. Vemos uma fonte de água com chifre e frutas. Nós caminhando e olhando para baixo, afinal as ruas são de pedras. Quanto maior o fórum, mais importante era a cidade. Fórum de circulação de pedestres com blocos obstruindo os carros. O mesmo site informa que era o coração da cidade e o centro da vida política, social e religiosa. Havia um grande mercado de peixes, um edifício de administração pública, e templos religiosos. No centro da cidade a imagem de Júpiter.

Vemos o Templo de Apolo, situado nos arredores do fórum. Dedicado ao deus Sol. O site www.tudosobrenapoles.com adiciona o Orto dei Fuggiaschi ou Jardim dos Fugitivos, onde se encontram cadáveres petrificados dos antigos habitantes da cidade que não foram capazes de escapar do Vesúvio. O Teatro Grande, construído no séc. II a. C., tinha capacidade para mais de 5 mil pessoas e era o lugar de diversão preferido dos moradores. A Casa del Fauno, conhecida como a casa com uma pequena escultura de uma de suas fontes, ainda se conserva como uma das mais luxuosas de Pompeia. O site faz um comentário digno de nota: você fará uma viagem no tempo ao passar por ruas de paralelepípedos que antigamente eram cheias de vida e que depois da tragédia foram sepultadas pelas cinzas e presas em uma imobilidade eterna que as conservaria até o final dos tempos. A cidade é Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO desde 1997.

Conforme o site https://brasilescola.uol.com.br, registros datam atividades vulcânicas do Vesúvio entre 1631 e 1944, sendo a última erupção em 1944. Atualmente, permanece adormecido, porém pode sim, voltar à atividade, por isso a cidade é monitorada pelo governo.

No Antiquarium, moldes de corpos-Pompeia-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

As lavas expelidas pelo vulcão eram de cinza, pedra-pomes e pedrinhas, leve, poroso, quente, depois que esfria, cola. Fica a capa de material vulcânico. Um século depois, em 1860, o arqueólogo cria uma técnica para entender a capa. Santuário de Vênus, deusa do amor, foi destruído no terremoto antes. Deusa padroeira. No museu Antiquarium, os moldes dos corpos. Passamos por loja, mesa com objetos encontrados e a mesa de sacrifício de animais com presentes de ex-votos pelas graças recebidas. Incrível. Vemos mais escavações. As visitas vão de 1 h a 5 h. ou mais. A nossa guia local trabalha há 10 anos no lugar, nos diz que a Pompeia nova tem 700 mil habitantes.

O site https://brasilescola.uol.com.br nos ensina que a erupção com cerca de 4 km³ de cinzas e rochas enterrou a cidade e aproximadamente 2 mil pessoas sucumbiram sob várias camadas piroclásticas (conjunto de gás quente, material vulcânico, cinzas e fragmentos de rochas). A cinza se espalhou por Pompeia, petrificando-a e conservando os corpos. Os moradores que não foram desintegrados pelo calor proveniente do vulcão morreram em decorrência dos gases tóxicos, além de serem cobertos por uma nuvem de sílica e óxido de cálcio. Essas substâncias, ao interagirem com o vapor de água do ar em meio ao calor, formaram uma espécie de cimento (de caráter bem rígido), que envolveu o corpo das pessoas. Esse cimento preservou os corpos de muitos habitantes, marcando o momento em que morreram.

Pompeia impressionante. Prosseguiremos com Nápoles.

Bela Itália-Sicília-Agrigento-dia 6

Bela Itália-Sicília-Agrigento-dia 6


Hoje é dia 10 de outubro de 2025. Estamos no hotel Baia di Ulisse em Agrigento (em siciliano Girgenti). O café da manhã com os nossos companheiros de excursão Nilson e Glória. Achei razoável a refeição, gostei do iogurte, mas os bolos secos e croissants grandes demais não foram tentadores. No mais, o hotel lindo, especial.


A guia Sabrina se preocupa com banheiros para a gente, muito delicado isso. Conhecer pessoas simpáticas em viagens é bom demais. Valeu, Ana Braghirolly. De dentro do ônibus, observo casas brancas, beges ou amarelas ao redor da praia, a maioria de dois pavimentos. Também comum ver a venda de colares de corais vermelhos, bijux lindas. A Sabrina é uma figura, nunca vi igual. Uma capacidade linguística invejável, criativa, simpática, justa e que “bota moral” no ônibus. Motorista: Alberto.


A cidade nova, grande, fica perto dos templos. Nos hospedamos na praia. O diferencial em Agrigento são os templos gregos. A terra é seca, de oliveiras e cactos. Antes, os templos eram abertos e de graça, hoje, não. O principal é o Templo da Concórdia, um dos melhores exemplos da Grécia antiga, símbolo da paz. Eram pagãos.

Descemos do ônibus. Na entrada, passamos pelo controle de metal. Banheiros e lojinhas ao lado. Começa o passeio. Estamos no Vale dos Templos. Colonos gregos moraram no local. Há dois rios secos. Região de agricultura. Vamos à história. Segundo a Wikipédia, a cidade foi fundada em 581 a. C. por alguns habitantes de Gela, com o nome de Acragas, homônimo ao rio que banha o território. A localização em um penhasco na costa sul da Sicília, cercado por dois rios (o Hypsas e o Acragas) era estratégica para facilitar a defesa da cidade nas épocas de guerra. A dominação grega durou aproximadamente 370 anos, período em que Acragas adquiriu grande poder e esplendor.


Continuamos nossa aventura com uma outra guia, local: a Rosa. O sol promete ser intenso. Subimos pela passagem de concreto. A pedra local, caliza, hoje, era areia antes. Os cartagineses escravos que construíram os templos. A pedra caliza se oxida e forma manchas vermelhas. Se a pedra não é limpa, fica toda negra. Limpeza de técnica antiga com fósseis triturados.


Conhecemos o Templo de Juno/Hera Lacínia, onde se casavam. Os noivos faziam uma prova antes do enlace, ofereciam um cordeiro branco e antes de matá-lo, o molhavam com força com água fria. Se ele tremesse, não havia casamento. A guia repleta de histórias, disse serem supersticiosos. Antes não havia registro civil. A boda era para a cidade toda. As mulheres tinham importância para os gregos, pois havia templo para as mulheres casadas sem filhos.


A luz do sol iluminava os templos. Só os sacerdotes entravam neles. Lugar estratégico para a construção, na colina. Árabes destruíram, porém foram refeitos acima para a defesa contra o inimigo que chegava pelo mar.
Templos protegidos pelos deuses, existiam muralhas. O Vale dos Templos termina no Templo da Concórdia. Caminho antigo, com rua usada por carros e ônibus antes, mas ao se tornar Patrimônio Mundial da UNESCO em 1997, não permitiram mais. Amêndoas florescem em fevereiro e parece neve. Panorama branco. Festa da Amêndoa em Flor em Agrigento. Amêndoas viram doces e leite.


O imperador Constantino I deu liberdade de culto aos cristãos, então não precisavam mais se esconder. Um pouco de história: conforme a Wikipédia, ele nasceu em 272 d. C e morreu em 337 d. C. Tornou-se imperador em 306 d. C. O site https://aventurasnahistoria.com.br nos conta que foi o primeiro imperador romano convertido ao cristianismo, sendo responsável pelo fim da proibição do culto no início do séc. IV, fato que fez seu nome entrar para a a História. Ele fundou uma nova capital Constantinopla (atual Istambul), que se tornaria um centro importante para o cristianismo e a cultura ocidental.


Vemos as tumbas arcosolium (catacumbas dos cristãos), escavadas na rocha, ou Necropoli Paleocristiana (cemitério dos primeiros cristãos), do séc. IV e VII d. C. Os mortos ficavam dentro e se fechava com uma laje horizontal que repousa em um nicho, rebocado e pintado com um teto arqueado. A guia Rosa menciona as flores para melhorar o cheiro. Quando alguém morria, a Morte entrava e levava a pessoa, por isso o uso do preto a fim de se esconder da Morte.


Muralha convertida em cemitério, um memorial. Jardins da Memória, instituído em 3 de dezembro de 2015. Ou Il Giardini dei Giusti di Tutto il Mondo, quer dizer, o Jardim dos Justos de Todo o Mundo. Emocionante. Placas de bronze com a história de pessoas corajosas que fizeram diferença no mundo. Gente morta pela máfia, nazismo, ETA, enfim, gente inocente. São alguns eternizados: Beppe Montana, Rocco Chinnici, Oscar Arnulfo Montero, dentre outros. Fiquei tocada ao ver a homenagem aos jovens Hans e Sophie Scholl e à Juventude da Rosa Branca. Eram jovens estudantes, católicos, protestantes, ortodoxos, da Universidade de Munique, que unidos pela paixão à verdade e unidos na mesma fé, se opunham ao regime nazista e decidiram espalhar flyers (folhetos pequenos voadores) denunciando os horrores e as mentiras do regime. Diziam: “Nós não iremos ficar calados, nós seremos sua má consciência e a Rosa Branca não vai lhes dar paz”. Suas atividades duraram de junho de 1942 a fevereiro de 1943. Presos e sentenciados à morte pela guilhotina, tiveram como seu último grito: “Vida longa à liberdade”. Por isso a Rosa Branca continua a assombrar a consciência de cada um.


As duas guias fazem uma dobradinha: a Rosa no português e a Sabrina no espanhol. Tudo muito rápido. Detalhe: a Rosa é brasileira, professora de crianças, e na hora livre, guia de turismo. Ao olhar para trás, vemos o Vale dos Templos parecido com o Olimpo, espetacular.


Caminha-se muito no sol. Preparam na época do Natal uma árvore no Templo da Concórdia, aliás, o mais impactante. E há uma oliveira de 600 anos no local. O templo é iluminado à noite. Ao redor dos templos, exposição de 17 esculturas com personagens da mitologia grega. Ali onde estávamos, vimos Ícaro Caído (de bronze, 2011). Autor: Igor Mitoraj (Oederan-Polônia, 1944-Paris-França, 2014). A Wikipédia nos informa que esse artista e escultor monumental era conhecido pelas suas esculturas fragmentadas do corpo humano.


A guia Rosa em ação. Antes se entrava no templo, todavia os turistas roubavam pedaços e escreviam nas paredes. Os templos foram construídos com rodas de pedras, se encaixavam como Legos. Eram escravos cartagineses que ganhavam 5 dracmas (moeda usada na Grécia antiga) ao dia. Foram 70 anos de construção (de 480 a. C a 406 a. C.), muitos escravos pereceram. Estilo dórico clássico. De qualquer lugar se vê o Templo da Concórdia. Não havia barro à época, só pintura. Uma placa em mármore foi encontrada. Como se localiza na parte argilosa da colina, foi melhor preservado. Foi uma igreja cristã com muro, então as colinas e arcos foram conservados. Como uma basílica com três naves. Ali foi a igreja de São Pedro e São Paulo, do séc. VI d. C., com comunhão, matrimônio. Em 1750, um católico quebrou os muros e logo voltou a ser um templo. Os pagãos faziam sacrifícios (hecatombe) no altar, 100 touros, por exemplo. Pequenas tumbas foram encontradas, por isso virou cemitério. Seis colinas no largo frontal. 2500 anos desta maravilha.


De acordo com descobrindoasicilia.com, a Villa Aurea era a casa de Alexander Hardcastle, um arqueólogo inglês que nos anos 20 do século passado investiu todo o seu patrimônio em escavações no Vale dos Templos. Outros templos, além do de Juno e da Concórdia, são: Héracles (Hércules), Zeus Olímpico, Castor e Pólux, Vulcano e Asclépio. O site https://mapcarta.com acrescenta que a Villa Aurea fica a 160 m do Templo de Hércules. É um edifício histórico e encontra-se perto do sítio arqueológico Necropoli Giambertoni e Grotta Fragapane.


O site https://g1.globo.com nos esclarece que só as sacerdotisas e sacerdotes da antiguidade entravam nos templos, para as cerimônias de adoração dos deuses pagãos. Trata-se de um dos maiores parques arqueológicos do mundo. Agrigento foi uma das maiores cidades do Mediterrâneo, com 200 mil habitantes. Píndaro, poeta e historiador da antiguidade escreveu que lá se fazia tanta festa e que as pessoas se divertiam de tal maneira que era como se não existisse o amanhã. Em todos os templos, o da Concórdia foi o único que ficou em pé e resistiu aos terremotos da idade Média que derrubaram os outros monumentos. Diferentemente da guia Rosa, o site diz que as oferendas de comida e animais às divindades aconteciam do lado de fora do templo.


Os gregos viviam de teatro. Vários grupos separados vendo as relíquias, caminhamos muito no sol. Chama a atenção a quantidade de americanos. Imperdível a visita. Prosseguiremos nosso percurso até Marsala, Erice e Palermo.

Bela Itália-chegada a Roma e ida a Nápoles e Capri

Bela Itália-chegada a Roma e ida a Nápoles e Capri

Hoje é dia 4 de outubro de 2025. Lá vamos o Carlos e eu para uma nova aventura. Desta vez, faremos uma excursão à costa Amalfitana e Sicília na bela Itália (de 4 a 17 de outubro). Altas animações para o retorno à terra dos meus antepassados pelo lado de mãe.

O voo Fortaleza-Lisboa pela TAP. Excursão pela CVC/Europamundo e agradecimento ao nosso agente Dennis, da Blue Dreams Viagens. O jantar no voo (noturno) ótimo com escondidinho de frango e uma sobremesa de brownie recheado. Ao chegar a Lisboa, a sopinha de abóbora por €2,50 (euros), usual para nós no aeroporto. O voo para Roma atrasou 1 hora, era 12h50, aí ficamos na fila, porque a chefe de cabine não chegava. Tomara que o transfer em Roma espere pela gente… No avião disseram que o atraso foi motivado pelos ventos fortes. Quem sabe?

Pedimos salada de quinoa (da Espanha) e água tônica Royal Bliss com notas de yuzu (fruta cítrica) e cardamomo. Mais suave que o Schweppes. Uns €10 (euros) no cartão de crédito. Salada de inspiração mediterrânea com quinoa, tomate seco, cebola assada, abobrinha e pimenta vermelha com azeite de oliva extravirgem. Assinado pelo famoso chef Michellin Martin Berasategui. Deliciosa. €7,50 (euros).

O motorista Andréa, nosso transfer no aeroporto de Roma, nos deixou no Ergife Palace Hotel, no bairro Aurelio. End: Largo Lorenzo Mossa, 8, a 10 min a pé da estação de metrô Cornelia. Estamos a 2 km do Vaticano. Hotel enorme, próprio de excursões. Éramos brasileiros do Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará na van. A guia será a Sabrina. Explicações sobre a viagem no aplicativo e pouco escrito nos totens do hotel.

Como estávamos com fome e era domingo à noite, comemos no restaurante/bar/pizzaria uma pizza marguerita com coca cola. Com muito queijo e tomate esmagado, diferente da nossa. Não tinha muitas opções.

Dia 5 de outubro de 2025. Rumo a Nápoles. De manhã, um aviso no totem para o grupo. Hotel no bairro Aurelio, longe do centro. Acordamos às 5h30, o café da manhã às 6 h para sair às 7 h. Lugar para o café da manhã no hotel, espaçoso para grupos. O café com poucas frutas, só maçã e laranja. Pães croissant diversos, iogurte natural e de framboesa maravilhosos, além de pera e pêssego em calda, ovos, bacon.

A guia nos recebe. 15° C e nós prontos para conhecer um pouco mais da “Bota”, como é conhecida a Itália. O motorista Ângelo. Vende água por 1 euro e coca cola por 2 euros. Comidas e bebidas quentes proibidas no ônibus. Vamos a Nápoles direto e de lá para a ilha de Capri de barco, 1 h de viagem. De Capri para Sorrento de barco, 40 minutos, e dormiremos em Salerno. Roma para Nápoles: 2h30 de ônibus.

A fim de sairmos de Roma, pegamos uma via que não anda, trava o tempo todo. Damos voltas circulares, são muitas saídas. Vamos direto a Nápoles, o tempo livre será no centro da cidade do sul. As histórias relativas à região são ricas, houve conquistadores antigamente como os gregos, fenícios, sarracenos e romanos.

A Sabrina nos dá aulas interessantes. São 20 regiões, estados no país. Estamos na região do Lazio, onde se localiza a capital Roma. Há dois estados pequenos independentes: Vaticano e San Marino. As ilhas pertencentes são 5: Sardenha, Sicília, Capri, Elba e Ischia. A população mais de 60 milhões. Cadeias montanhosas: os Apeninos até a Sicília, onde está o vulcão Etna; e os Alpes em direção à Suíça. A Sicília a cada ano vai se separando um pouco mais do continente, por conta dos movimentos embaixo da Terra.

Não vamos à Gruta Azul em Capri. É a mais divulgada, porém cheia e mais cara. Dependendo do mar, vamos às grutas do Coral e a Branca (€25). O turismo é sério, em cada cidade há guias especializados, pessoas de referência. A nossa guia apenas acompanha. No restaurante, os cobertos (entradas) são caros, sentado paga mais caro do que se ficar no bar em pé. Compras em Palermo, mais em conta. A Sabrina dá dicas para poupar o nosso real, muito admirável.

Estamos ainda no caminho para Nápoles. Paramos, enfim, num lugar de serviços para banheiros e café, comida, compras. Esses postos de parada são verdadeiras lojas, fantásticas. Nunca esqueci a que conhecemos no caminho de Florença para Veneza anos atrás. E lá vai a guia falando mais sobre gastronomia: os doces típicos de Nápoles são sfogliatella, ou seja, massa folheada em forma de concha do mar com ricota, e babà, bolo macio embebido em rum. Detalhe: o banheiro de ônibus turístico é lacrado, não pode ser usado.

Um pouco mais sobre a história de Capri. Conforme o site www.historiaomgosto.com.br, os primeiros habitantes de Capri são um tema de estudo e fascínio com evidências que remontam à pré-história. Acredita-se que a ilha tenha sido inicialmente ocupada durante o Neolítico, por volta de 8000 a. C., por grupos de caçadores-coletores que mais tarde deram lugar às comunidades agrícolas. As primeiras evidências concretas de assentamentos em Capri datam da época dos gregos, especificamente dos séculos VIII e VII a. C.. Os gregos foram atraídos para a ilha devido à sua localização estratégica no mar Tirreno, bem como pela sua beleza natural. A eles se atribui a introdução do cultivo de videiras e oliveiras, práticas agrícolas que se tornariam importantes para a economia local. A presença grega em Capri é evidenciada por achados arqueológicos, incluindo fragmentos de cerâmica e inscrições, que sugerem uma presença e influência significativas. Estes primeiros habitantes nomearam a ilha de “kapros”, em referência aos javalis selvagens comuns na região à época. Após o período grego, Capri caiu sob domínio romano, tornando-se um retiro popular para os ricos e poderosos do Império Romano, incluindo os imperadores Augusto e Tibério. No entanto, a importância e o impacto dos primeiros habitantes gregos na formação da identidade cultural e histórica de Capri permanecem evidentes até hoje.

A guia nos conta que depois da caída de Roma, a ilha foi abandonada e saqueada por piratas na gestão de Nápoles. Barbarossa era o pirata mais notório. No séc. XIX, a história pacífica. Visitada por Pablo Neruda e a rainha Vitória da Suécia em épocas distintas. E vira destino turístico do mundo. Lugar encantador, ilha de pescadores. Sempre com muita gente. Capri representa o dolce far niente italiano, ou seja, a arte de desfrutar o ócio.

Na estrada, acompanhados de músicas italianas, vemos o monte Vesúvio e à esquerda em frente os Apeninos Campânia. Nesta região de Campânia, existe um palácio estilo Versalhes, desconhecido do estrangeiro. Trata-se de Reggia di Caserta, Palácio Real de Caserta, barroco, encomendado pelo rei Carlos VII para servir de centro administrativo e cortesão do novo reino de Nápoles, ao mesmo tempo simbolizava o poder, segundo a Wikipédia. Passamos por ele. As árvores são os pinos mediterrâneos. Todo mar Mediterrâneo tem um nome diferente em cada lugar: na Calábria (Itália): mar Tirreno, no país da Bósnia, mar Adriático e na Sicília, mar Jônico.

A Sabrina, excelente em português e espanhol. Ama os brasileiros. No nosso grupo do Brasil, a maioria do sul. Carrega um bonequinho chamado Super Mário para nos chamar a atenção enquanto grupo. Na estrada, tráfego intenso do outro lado. Saímos cedo para aproveitarmos o dia melhor. Vinhedos, oliveiras e “limões gigantes de Sorrento” nos seguem. No sul da Itália, tudo é gigante, segundo a guia. As pessoas são mais calorosas e fogosas. Parte com mais sol da Europa.

Travessia de barco para Capri: 1 hora, com banheiros, bares e venda de lembrancinhas. A guia se comunica muito por Whatsapp com o grupo, coloca informações importantes. Por mais que eu não queira, hoje está difícil ficar sem em uma viagem. E fez falta. Porém gosto de me concentrar na viagem, tirar fotos, fazer anotações e curtir o momento. Vemos o Vesúvio no caminho. E o Centro Direcional, escritórios de Nápoles. Casas em cima das montanhas valem milhões de euros com vista do mar. O napolitano vive mais ao dia e não segue regras. O símbolo de dar sorte da região é uma pimentinha vermelha de coral comprida usada em colares ou chaveiros ou de outras formas. Deve ser ativada pela mão. Desde 1979, o Vesúvio não acorda. Por isso, a filosofia da população: viver o momento, não se sabe até quando. Enfim, Nápoles, entramos pelo porto.

Em Nápoles. Ao grupo se juntaram umas argentinas, muito queridas. Vemos o Castelo Maschio Angioino ou Castelo Novo em frente ao porto. De acordo com o site www.tudosobrenapoles.com, o castelo pequeno foi construído entre 1279 e 1282. É uma fortaleza medieval renascentista de aspecto imponente. Foi construído pelo rei Carlos I, conde de Anjou (1226 ou 1227-1285) e posteriormente modernizado por Afonso V de Aragão durante o séc. XV. Carlos I, rei da Sicília e Nápoles, filho do rei Luís VIII da França e de Branca de Castela. Já no topo da colina Vomero que domina o golfo, a Wikipédia nos conta que tem o marco mais visível da cidade: o Castelo Sant´Elmo. Ao lado da Certosa di San Martino ou Cartuxa de São Martinho, um complexo mosteiro, agora um museu. Este mosteiro cartuxo foi concluído e inaugurado sob o governo da rainha Joana I em 1368.

Uns 30 min para sair do porto e ir a uma rua central perto. Não fomos, ficamos na estação mesmo, dando voltinhas nos arredores. No porto há escavações de um sítio arqueológico, tudo muito antigo. Na Piazza Município, uma das maiores da Europa, um lugar de exposições de flotilhas de barcos púnicos (da civilização cartaginesa, da Antiguidade) será aberto no futuro.

Capri em breve.

Buenos Aires!-2024-Museu do Holocausto-dia 5

Buenos Aires sempre!-2024-Museu do Holocausto-dia 5

Hoje é dia 9 de setembro de 2024, de manhã estivemos no Centro Cultural Coreano e à tarde iremos ao Museu do Holocausto. Para entrar é necessário fazer um pré-agendamento e levar o passaporte no dia estabelecido. Temos 2 h de visita. Fiz isso com muita antecedência ainda em Fortaleza-Ceará. Programação para o dia 9 de setembro das 14h30 às 16h30. E lá fomos nós de táxi para o bairro Recoleta, Calle Montevideo, 919. Para quem tem interesse em história, é um “prato cheio”, como se diz. Considero uma visita impactante e obrigatória. Pagamos 3200 pesos (em reais R$11,75 hoje). Conhecer a história nos ajuda a ter consciência e a não repetir os mesmos erros.

Logo na entrada, vemos um painel com a porcentagem da população judaica na Europa antes do Holocausto. Em 1939, 7 em cada 1000 eram judeus, em 2019, só 2 em cada 1000. No museu estão expostos objetos de uso religioso, de uso cotidiano, máquinas fotográficas como testemunho de vida familiar etc.

Muito a ver no local. Testemunhos de famílias, triângulos nas roupas dos perseguidos: rosa para homossexuais, verde para delinquentes, vermelho para políticos, roxo para Testemunhas de Jeová, cinza para ciganos e associais. Para os judeus, a cor era amarela. Em 1934 já morria um anarquista chamado Erich Mühsam (1878-1934). Segundo a Wikipédia, era ensaísta, poeta, dramaturgo judaico alemão, antimilitarista. Assassinado como “um dos judeus subversivos” no campo de concentração de Oranienburg, Alemanha, em 9 de julho de 1934.

Hitler era um grande ator. Propagandas antissemitas. Painéis fora de ordem cronológica com as proibições a judeus: frequentar balneários em 1938; casamentos entre judeus e cidadãos do Estado de sangue alemão e sangue misto em setembro de 1935; trabalhar como funcionário público em abril de 1933;, expulsos do Exército em maio de 1935; e crianças expulsas da escola pública em novembro de 1938. Ainda: ter telefone, usar ou instalar em julho de 1940. Em maio de 1935, os jornalistas judeus são excluídos do periodismo da Alemanha.

Objetos recuperados do Pogrom, significado: perseguição deliberada de um grupo étnico, de novembro de 1938: SIDUR, livro de orações (e bênçãos diárias) de uma sinagoga em Viena, Áustria; cabides da loja de Rathenow de Markus Lieber; o chamado para as ordens de ler a TORÁ, proveniente da sinagoga de Brette Baden, Berlim. 7500 comércios/propriedades e 67 sinagogas foram destruídos. O site www.worldhistory.org ou Enciclopédia da História Mundial nos conta que a “Noite dos Cristais” ou a “Noite dos Vidros Quebrados” ou o “Pogrom de Novembro” ocorreu em 9 e 10 de novembro de 1938, tendo sido um ataque contra judeus e propriedades dos judeus na Alemanha e Áustria.

Na Argentina, em Buenos Aires, o Luna Park onde nazistas se reuniam para celebrações em 1938. Os judeus na Plaza San Martin. Em 1889 chegam judeus imigrados ao país. Associação Cultural Pestalozzi de judeus antinazistas. Segundo o escritor francês Albert Camus: “Os jornalistas são os historiadores do instante”.

O uniforme militar de Gladys Mary Helliwell, do Corpo de Inteligência Britânica assentado em Wentworth, Grã-Bretanha. Gladys casou com Santiago Arturo Knight na Inglaterra em 1943 e se radicou na Argentina em 1946.

Castelo de Hartheim, em Alkoven, perto de Linz na Áustria, onde exterminaram pessoas com deficiências com crematório. Plano sistemático de extermínio pela pureza da raça ariana. “Eutanásia”, foram 250 mil assassinatos na Alemanha. Alteravam a causa da morte (eutanásia T 4) para ocultar assassinatos. Desde o asilo de Schloss Liebenau (em Berlim, Alemanha) eram levados ao centro de extermínio Grafeneck em Gomadingen, Alemanha. Programa de “eugenia e critanisia” AKTION T4, 1939.

Churchill. Qual é o nosso objetivo? A vitória, a vitória a qualquer preço, vitória apesar do terror, vitória pelo longo e árduo que seja o caminho, porque sem vitória não há sobrevivência.

As informações nos painéis digitais são completas. Sobre o Gueto de Lodz (Polônia). O Conselho Judaico vivia dilemas, acabava obedecendo aos nazistas e iam contra o seu povo. No fim, todos morreram em campos de concentração. Como Chaim Mordechaj e Rumkows Ki, que morreu com a família em Auschwitz (no sul da Polônia) em 1944. Pereciam de fome e doenças também. Filmagens originais feitas pelos nazis do Gueto de Varsóvia (Polônia) em maio e junho de 1942.

No 1° andar. Principais sítios de matança, onde atuaram as unidades móveis de EINSANTZGRUPPEN nos territórios soviéticos ocupados por nazistas em 1941. Fotos de fuzilamentos (com fuzis) na Letônia em 1941: 2749 vítimas. Os painéis digitais que mostram os campos de concentração, de extermínio e trânsito são muito bem-feitos.

Conferência de Wannsee, em 20 de janeiro de 1942, com fotos dos participantes e cartas convites onde ocorreu a discussão sobre a Solução Final. Aparecem os números de judeus na Europa. De acordo com a Wikipédia, estavam presentes na reunião membros superiores do governo da Alemanha nazista e líderes da SS, tendo como presidente Reinhard Heydrich. Otto Hofmann, Heinrich Müller, Adolf Eichmann e outros decidiram como seria feito o genocídio da população judaica na Europa.

Resistência nos campos de concentração, nos bosques, nos guetos. Aba Kovner, líder da resistência no Gueto de Vilna (na Lituânia) em 1941. Ele foi chamado à luta armada no gueto em 31 de dezembro de 1941 e disse: “Irmãos, é preferível morrer como combatentes livres do que viver nas mãos de assassinos. Resistamos! Resistamos! Até o último alento.”

Babi Yar. Barranca ao noroeste de Kiev, Ucrânia. 33771 judeus foram assassinados em dois dias em 28 e 29 de setembro de 1941 pelos EINSATZKOMMANDO do EINSANTZGRUPPEN C, polícias alemãs e ucranianas.

Os judeus pegos e levados a campos de concentração ficavam 15 dias no trem hermeticamente fechado sem ar, luz, água, comida, uma experiência devastadora. Hanna Lévy-Hass, sobrevivente do Holocausto. Ao longo de 33 meses (1942 a 1944), os nazis usaram 2000 trens para transportar judeus pelos campos. 15 guardas bastavam para vigiar um trem com mil prisioneiros. Entre março de 1942 e fevereiro de 1943 foram assassinados 10 mil judeus por dia. Em 20 meses foram exterminados 4,5 milhões, 75% das vítimas do Holocausto. 250 mil morreram congelados, de inanição ou fuzilados.

As Marchas da Morte em 1944/45 ante o avanço soviético. Conforme a Wikipédia, a Marcha da Morte ocorreu no final da II Guerra Mundial, quando os nazistas começaram a transferir prisioneiros de campos de concentração devido à invasão da Normandia e ao avanço das tropas soviéticas. Os evacuados foram os que estavam em áreas ameaçadas como Auschwitz e Stutthof para locais mais seguros na Alemanha. O site https://holocaustoempt.ces.uc.pt adiciona que as marchas eram responsáveis por inúmeras mortes, notadamente, eram feitas a pé, percorrendo centenas de quilômetros em condições terríveis, sem alimento nem vestuário adequado, e ainda no pico do inverno.

Em 27 de março de 1945, a Argentina declarou guerra à Alemanha. Muitos criminosos nazistas foram para o país no pós-guerra. Dentre eles: Adolf Eichmann, Erich Priebke, Josef Mengele, Ante Pavelic etc. Vemos suas fichas técnicas.

Uma seção escura de cenas fortes de judeus prisioneiros no campo de Bergen-Belsen em 1945 foram filmadas pelas forças britânicas. Imagens chocantes.

Em um setor de homenagens aos que partiram, deixamos as nossas pedrinhas. Na tradição judaica, as pedras representam o permanente, o que devemos lembrar e o que não permitimos que se esqueça.

Que museu excelente, daqueles inesquecíveis. Na saída, cartazes contra as propagandas enganosas que causam intolerância e ódio, de modo a sermos mais conscientes. Teorias da conspiração, notícias falsas, como distinguir o real do falso. O Holocausto dos judeus foi provocado, teve muitas informações falsas contra eles, promovendo o ódio (Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, era expert no assunto).

Mas ainda não acabou, há uma sala com o testemunho interativo de sobreviventes do projeto Dimensões em Testemunho, da USC Shoa Foundation (Fundação). Lea Zajac de Novera, foto de 31 de dezembro de 1926, na Polônia. Emigrou para Buenos Aires com seu marido sobrevivente e tiveram dois filhos.

Continuando, uma exposição interativa no 1º andar, com guia, sobre as Testemunhas de Jeová, grupo perseguido pelos nazistas. 25 mil pessoas na Alemanha em 65 milhões de habitantes. Eles eram neutros politicamente, estudavam a Bíblia, todos eram iguais. Em 1929, as Testemunhas haviam advertido a comunidade mundial através de suas publicações contra o Nacional-Socialismo (partido nazista). O feroz ataque a eles começou em 1933. Colocavam-se abertamente por campanhas, cartas, resistência política, expuseram as atrocidades publicamente. Havia um conflito direto entre a lei e a lei de Deus. Só obedeciam a Deus.

Martin Bertram tinha uma padaria e se recusou a obedecer aos nazis, ou seja, a não receber judeus, que eram considerados companheiros pelas Testemunhas de Jeová. 4500 foram mandados para campos de concentração, 16 mil perseguidos, 1750 perderam a vida, 600 internados em reformatórios, 13 mil encarcerados, 548 executados. Eles eram inquebrantáveis perante torturas. Nem crianças escapavam do sofrimento: fotografias de Ruth Danner, 7 anos; Berthold Mewes, 13 anos.

Não faziam saudação a Hitler, nos campos de concentração as mulheres se ajudavam e se consolavam com a Bíblia. Para escapar, teriam que assinar uma declaração desistindo de sua fé, a fim de ter vantagens. Não aceitavam. Os nazis os separavam de outros grupos para eles não divulgarem sua fé. Iam para Sachsenhausen depois para outros campos. Morreram por seus princípios, eram inabaláveis.

August Dickmann, objetor de consciência, não aceitou o recrutamento militar e foi morto. Aparece a foto da família Kaselowski e de Johann Rachuba, que foi torturado. Na Marcha da Morte, 23 Testemunhas carregavam os doentes e dividiam a carga. Todos sobreviveram. 33 mil prisioneiros de Sachsenhausen andaram 250 km até o mar, onde barcos seriam destroçados.

No pós-guerra muitos foram para o Uruguai, Argentina e Brasil. Em 1955, 107 mil Testemunhas se reuniram em Nuremberg (Alemanha). Em 2017, o Supremo Tribunal Russo os declarou extremistas pelas suas publicações baseadas na Bíblia. A Rússia proibiu o site oficial e confiscou suas propriedades. Muitos têm sido presos e maltratados.

O que dizer depois de tudo isso? Que aula! O Museu do Holocausto serve também para refletirmos sobre nossas vidas em tempos de paz. O lema do meu grupo de estudo @peloscaminhosdaiiguerramundial é: Lembrar para não repetir.

Buenos Aires, muito a aprender.

O Rio de Janeiro continua lindo-Cais do Valongo-dia 2

O Rio de Janeiro continua lindo-Cais do Valongo-dia 2

Hoje é quarta-feira, dia 13 de agosto de 2025. Estávamos no AquaRio, no Porto Maravilha, e fomos a pé até o Sítio Arqueológico do Cais do Valongo. Queria muito conhecer. Endereço: rua Barão de Tefé, Saúde. Os totens educativos nos contam a história da região da Pequena África, sob a curadoria da professora Ynaê Lopes dos Santos, especialista em história da escravidão (fonte: Abril.com).

Cais do Valongo-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

Construído em 1811, foi o principal porto de entrada das pessoas escravizadas trazidas da África. Em 1843, o espaço foi configurado para receber a princesa Tereza Cristina de Bourbon, a noiva de D. Pedro II, e renomeado como Cais da Imperatriz.

Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas pela Educação (UNESCO) em 2017, como sítio de memória e reconhecimento das heranças africanas no Brasil. Os painéis explicativos no local nos dão uma aula de História do Brasil. O Mercado do Valongo fazia parte de um complexo escravagista que incluía as lojas de venda próximas ao cais, o Cemitério de Pretos Novos, o Lazareto e o Cais do Valongo.

Datas: 1774-transferência do comércio de escravizados para a região do Valongo; 1811-construção do cais; 1831-desativação do cais/lei de proibição do tráfico de africanos para o Brasil; Lazareto-para onde iam os doentes em quarentena; 1774-instalado o Cemitério dos Pretos Novos. Na atual rua Pedro Ernesto, área de 90 m², o cemitério era administrado pela igreja Católica e deveria garantir o sepultamento desses africanos escravizados. O sítio arqueológico Trapiche Pedra do Sol, um quilombo, sediava a luta de resistência do povo negro herdeiro contra a invisibilidade e o racismo estrutural. 1871-Construção do Armazém Docas D. Pedro II, projetado pelo engenheiro André Rebouças, filho da eminente família Rebouças. Uma das primeiras construções brasileiras a não utilizar mão de obra escravizada.

Pequena África-um território que abrange uma parte da área central da cidade e da região portuária que vai do Cais do Valongo até a atual Praça Onze. Recebeu um milhão de africanos: homens, mulheres e crianças entre 1774 e 1831. Foi um dos primeiros locais de desembarques de africanos escravizados do mundo. Africanos: angolas, minas, benguelas, cabindas, monjolos, congos, quiloas, rebolos, moçambiques etc. Assim eram chamados, por conta de suas procedências.

Cais do Valongo2-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

Segundo a Wikipédia, o Cais do Valongo é um antigo cais na zona portuária do Rio de Janeiro, entre as ruas Coelho e Castro e Sacadura Cabral. Foi construído pela Intendência Geral da Polícia da Corte em 1811 e desativado com a proibição do tráfico transatlântico de escravos pela Inglaterra em 1831. Durante os vinte anos de operação, se tornou o maior porto receptor da diáspora africana do mundo.

Estátuas representativas de pessoas escravizadas-Cais do Valongo-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

Em um dos totens explicativos está escrito que com as reformas urbanísticas da cidade no início do séc. XX, o local foi aterrado em 1911. Nas escavações que ocorreram durante a Operação Urbana Consorciada Porto Maravilha, em 2011, foram encontrados no atual sítio arqueológico inúmeros vestígios, dentre os quais, amuletos e objetos de uso pessoal desses homens e mulheres brutalmente retirados de suas nações, oriundo principalmente das regiões da África Central e Costa da Mina. Que aula de história mais espetacular!

Pegamos um taxista Vanderson, também guia turístico. Voltamos à Copacabana à tardinha e descobrimos perto do hotel Socialtel Copacabana o Bico Café e Bar, na av. N. Sra. de Copacabana, 1258. Pedi o sanduíche Light do Bico 32: blanquet de peru, queijo minas, ovo frito, cream cheese e alface americano, com suco/vitamina de morango, framboesa e amora, delícia. No caminho de volta ao hotel, encontramos outra lanchonete para o dia seguinte: Total Sucos, na mesma avenida, 1133. Lá vi docinhos gigantes: brigadeiros e bem-casados, fiquei tentada.

Dia muito produtivo. Mais passeios virão. Impossível não entrar na vibração de vida do carioca, ou seja, curtir a cidade nas calçadas, bares, restaurantes. Essa vibração nos contagia. Rio de Janeiro apaixonante.