Entre a Sombra e os Sóis, livro lançado por Carlos Reiss em 2023-diretor do Museu do Holocausto de Curitiba-Paraná em Fortaleza-Ceará-Brasil

Entre as Sombras e os Sóis, livro lançado por Carlos Reiss em 2023-diretor do Museu do Holocausto de Curitiba-Paraná em Fortaleza-Ceará-Brasil

Em 16 de outubro de 2023, estava eu com alguns participantes do grupo @peloscaminhosdaiiguerramundial no jornal O Povo (Fundação Demócrito Rocha) para um colóquio com o autor Carlos Reiss sobre seu livro Entre as Sombras e os Sóis, a história de Sala Borowiak, sua avó paterna. Editora: Folhas de Relva. Ele nos contou sobre a vida dela e de seu avô como sobreviventes do Holocausto. Estava presente George Legmann, sobrevivente, nascido em um campo de concentração. Ele está na mídia nacional, dá entrevistas e sai em reportagens sobre o Holocausto.

Carlos Reiss

Seus avós poloneses foram sobreviventes do gueto de Varsóvia, onde o avô trabalhava como trabalhador escravo/serralheiro. Perderam toda a família no Holocausto e conseguiram sobreviver e reconstruir suas vidas no Brasil.

Ao escrever o livro Entre Sombras e Sóis, passou por um processo de escritura longo, com lacunas que tiveram que ser preenchidas.

Dirige o primeiro Museu do Holocausto no Brasil, em Curitiba-Paraná. Localização: rua Cel. Agostinho Macedo, 248, fone: (41) 30937461, com visitas gratuitas, sob prévio agendamento em https://agenda.museudoholocausto.org.br.

Menciona o sr. George Legmann, conhecido como o “bebê de Dachau”, um dos 7 bebês nascidos em um campo de concentração. Durante 20 anos, o autor descobriu muitas informações. Em 1994, a avó Sala/Sara faleceu ainda jovem. Quem começou a escrever o livro foi o tio, porém em 1996 morreu. Em 2002, Carlos Reiis usou tudo já escrito como prefácio.

As sombras da avó Sara foram pesadelos e tratamentos de saúde. Teve três filhos, seus sóis, deles tirava seu alimento. A vida dela se equilibrava entre sombras e sóis, tinha 14 anos quando da invasão da Polônia pela Alemanha em 1939. Casou antes de emigrar para o Brasil.

O Brasil sempre foi um grande exemplo de acolhimento para apátridas, refugiados e imigrantes. A partir do Holocausto se criou nominações como a “lei do genocídio” e leis para entrar no país. “A memória é construída”. “Nós olhamos para Auschwitz e o ressignificamos”, depende do olhar. A questão é falar sobre o passado a partir de um trauma como o Holocausto. Cerimônias e orações para homenagear os falecidos são importantes, mas há de educar a partir daí.

Carlos Reiss diz correr contra o tempo para resgatar estas histórias. Lembrar, não esquecer, fortalecer valores e princípios: tolerância, resistência, valor à vida, resiliência. No Museu do Holocausto, há a história com nome e sobrenome de cada pessoa. Em vez de uma pilha de sapatos, o autor prefere um par de sapatos com a história da pessoa. Ele conta a história da sua avó Sara com o seu sapato. Ela costurava e guardava chocolates dos netos em caixa de costura. Doces lembranças.

As vítimas do nazismo foram além de judeus, também homossexuais, doentes mentais, negros alemães, ciganos, comunistas, Testemunhas de Jeová etc.

Empatia não é se colocar no lugar do outro, mas provocar a “empatia”. Se o visitante do Museu do Holocausto sai de lá questionando, refletindo, então a missão do museu como “educador” funcionou. No local, existe um pedaço de uma Torá (livro sagrado do judaísmo) que foi salva por um alemão na guerra (a sinagoga fora incendiada). Ele doou a Israel, que depois foi presenteada ao museu de Curitiba. Neste pedaço da Torá, a Moshe (Moisés) Deus pede o nome das pessoas que o seguiam, isso foi feito com as vítimas do Holocausto para contar a história deles.

Sua outra avó Sofia foi liberada em Dachau, em 29 de abril de 1945. Ela tinha 28 quilos, não tinha força para pegar o pão que os soldados jogavam. Quem pegou, morreu.

George Legmann

Sobrevivente do Holocausto, judeu de família romena, mas que vivia na Hungria, pois a fronteira havia mudado no começo de 1944, quando a sua mãe havia engravidado. Moravam na Transilvânia, historicamente disputada por Romênia e Hungria.

Bebê de Dachau, foi registrado no campo de concentração I Landsberg Kaufering (parte do complexo de Dachau-um campo bem menor). Em outubro de 1944, havia sete mulheres grávidas e estavam desmontando os fornos migratórios. Quem fez seu parto foi o médico judeu dr. Kovacs. Em 27 de janeiro de 1945 foi libertado Auschwitz (Polônia) pelos russos, e Dachau (Alemanha) em 28 de abril de 1945 pelos americanos. Mas antes houve a Marcha da Morte com milhares de prisioneiros de Dachau obrigados a caminhar sob condições implacáveis até Tegernsee, Alemanha.

Na Romênia, os judeus não foram deportados, mas os da Hungria, sim. Dachau foi o primeiro campo a ser construído, em 1933, e iniciou com presos políticos. Hitler esteve preso em Landsberg em 1924. Foram no mínimo 28 mil mortos em Dachau. A mídia dos EUA foi chamada para mostrar o horror lá dentro. 2 mil padres católicos morreram no local. Havia o Pavilhão dos Padres. A casa do prefeito ficava a 500 m do campo. A população foi convocada para enterrar os mortos a fim de “educá-los”, pois diziam não saber de nada. Se não fossem, haveria um Tribunal Militar para o prefeito. O tifo matou muita gente. Eram diversos campos de Dachau.

O aspecto pedagógico, lúdico é mais fácil para o entendimento das novas gerações. A democracia é como uma flor, se não rega, murcha. Há histórias ainda a ser escritas. Às novas gerações devem ser contadas o valor do ser humano. Tem que construir pontes entre as pessoas, atualmente, não se faz isso.

Sérgio Napshan

Diretor da Confederação Israelita do Brasil (CONIB). Muito importante a fala institucional, a comunidade judaica deve criar pontes com a sociedade a fim de divulgar a História. Seu avô materno veio da Ucrânia, era amargurado, triste, calado. Irmão mais velho da família, saiu um pouco antes do Holocausto e emigrou para o Brasil. Perdeu toda a família lá. Em 1984, aos 20 anos, Sérgio começou a se interessar sobre a história familiar. Ao contrário de seu avô, sua avó era falante.

Em 1986, o avô faleceu. Infelizmente, só ele sabia da sua linhagem. A partir daí, o diretor da CONIB se interessou por divulgar o judaísmo. Descobriu em terapia que a sua dedicação à causa é para honrar a sua linhagem falecida: da família Acker. Descobriu isso recentemente e sabe ser sua missão em vida.

Marcus Strozberg

Diretor da Sociedade Israelita do Ceará. Trouxe a exposição “Do Holocausto à Libertação” para o Memorial do Ministério Público do Ceará em Fortaleza, de setembro a outubro de 2023. Celebrando os 12 anos do Museu do Holocausto de Curitiba, do departamento de Educação, trabalho com as novas gerações.

Sua pergunta principal é: O que acertamos e erramos na área educacional?

Conclusão

Carlos Reiss menciona o número de células neonazistas crescentes no Brasil e a materialização do antissemitismo e racismo. Continua buscando respostas para as suas perguntas. Na sua opinião, pode ter faltado um enfoque mais firme e forte de letramento antissemita. É preciso educar a sociedade em um caminho antinazista e antifascista. O museu precisa dialogar com a sociedade, não pode ser bolha de conteúdo e é necessário cultivar valores democráticos.

Adendos:

1. O filme Cântico dos Nomes (Netflix) mostra uma cena com os judeus em uma sinagoga cantando os nomes de vítimas do Holocausto. Filme de 2019, direção de François Girard, atores: Clive Owen e Tim Roth, baseado no livro de Norman Lebrecht.

2. Na série Irmãos de Guerra (Band of Brothers, de 2001-Netflix) mostra uma cena na qual os moradores da cidade são obrigados a enterrar os mortos no campo de concentração. A dramatização e a liberação do campo são vistas. Baseada no livro do historiador Stephen E. Ambrose, tem como atores: Damian Lewis, Ron Livingston, David Schwimmer etc. E criadores: Tom Hanks, Stephen Spielberg e Stephen Ambrose. A Wikipédia adiciona:

“O campo de refugiados foi criado dentro de um campo de concentração militar existente em Landsberg durante a guerra, que em outubro de 1944 comportava mais de 5000 internos, a maioria deles vindos da União Soviética e dos Estados Bálticos.

O campo foi libertado em 28 de abril de 1945 por tropas do Exército dos EUA e por ordem do comandante, general Taylor, as tropas ocupantes permitiram que a imprensa mundial tivesse acesso ao local e mostrasse ao mundo as atrocidades ali cometidas aos prisioneiros; o comandante também obrigou os alemães da cidade, civis e militares, a refletir sobre os crimes cometidos e enterrarem os corpos encontrados com as próprias mãos nuas. Num episódio bastante divulgado na época, duas jovens alemãs que se retiraram do local rindo foram obrigadas a passar a noite no campo com os mortos e a assistir a seu enterro nos dias seguintes”.

3. Muitos pereceram de tifo em campos de concentração, inclusive Anne Frank e sua irmã Margot. Falecidas em fevereiro ou março, um pouco antes da libertação do campo de concentração de Bergen-Belsen (Alemanha), em 15 de abril de 1945, pelos britânicos.

4. O site da Enciclopédia do Holocausto acrescenta que apenas 3 dias antes da libertação do campo de Dachau, as SS levaram cerca de 7 mil prisioneiros em uma marcha da morte em direção ao sul, para Tegernsee, na Alemanha. Durou 6 dias o caminho. Quem não mantinha o ritmo, era executado ou morria de fome ou exaustão. No início de maio de 1945, tropas norte-americanas libertaram os sobreviventes dessa marcha da morte.

4 comentários em “Entre a Sombra e os Sóis, livro lançado por Carlos Reiss em 2023-diretor do Museu do Holocausto de Curitiba-Paraná em Fortaleza-Ceará-Brasil

  1. Agradecendo o envio dos dados relacionados ao capítulo negro da história mundial 

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    div>Márcia Gradvohl 

    Enviado do meu iPhone

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