Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-passeio de trem pela serra do Mar-parte 4

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de trem pela serra do Mar-parte 4

Hoje é dia 24 de novembro de 2023. Em viagens sempre devemos ter os planos A, B, C e D, porque imprevistos acontecem. Que perrengue! O Carlos e eu que somos tão cuidadosos, achávamos que o passeio de trem seria no sábado (25) e não na sexta, logo quando o Leandro, motorista do transfer, nos ligou às 7h10 da manhã, eu assegurei que ele havia se enganado. Fomos checar e ufa! Foi um sufoco, um corre-corre para se vestir, tomar café e pegar um táxi. Nenhum disponível, entramos em uma fila de espera e o terceiro nos atendeu. O Fernando taxista valeu a pena, nos deixou na porta da Serra Verde Express na Rodoferroviária, uns R$20,00. Por sorte, o hotel Bourbon era perto.

A atendente da Serra Verde Express nos recebeu na saída do táxi, e nos levou ao guichê para o recebimento das passagens com QR CODE e mais a etiqueta para colocar na roupa com o nome da guia Josiane. Estava lotado o saguão de gente esperando para entrar no terminal do trem. Havíamos comprado pela internet em Fortaleza o vagão Barão do Serro Azul, um mimo. É caro e válido, já que a varanda panorâmica permite ver a beleza da serra do Mar. Tem que chegar meia hora antes para pegar o ticket. O trem sai às 8h30, porém no nosso dia atrasou, o que achei ótimo, nos deu mais tempo para respirar.

Estava ansiosa por conhecer trajeto tão afamado e fazer este passeio. Falemos um pouco mais no trem: são 3 classes: Turística (mais em conta), Boutique, e Litorina Luxo. São 70 km de trilhos, 13 túneis, 10 estações e 30 pontes e viadutos. 4 h de ida a Morretes onde se desce a serra e 4 h de subida na volta. No trem cabem 1200 pessoas. Compramos o pacote Curitiba-Morretes completo: transfer do hotel, serviço de bordo, almoço típico com barreado e frutos do mar empanados em Morretes, e visita a Antonina, guia, visita ao parque temático Hisgeopar e volta de ônibus, van ou micro-ônibus pela estrada da Graciosa, conhecida por ser da época da colônia e bela. Na nossa classe Boutique, bebidas: café, cerveja, refrigerante a vontade e um lanche. Digo a vocês: vale cada real, pagamos R$902,00 (para maiores de 60 anos com desconto).

O dia promete. Entramos no último vagão lotado, com cadeiras e mesas de 2 e 4 lugares. O nosso de 2. Na nossa mesa está um mapa de viagem com os pontos importantes a observar. Recebemos logo água, tudo muito organizado. Saímos as 8h45. O guia Victor e o atendente Pedro responsáveis pelo vagão. Duração de viagem de 4 h e meia, pois também dividem com os trens de carga hoje. Avisos são dados para a nossa segurança. E lá vem o Pedro com o serviço de bordo: café, bebidas frias, chá-mate gelado, chá, água mineral e cerveja.

Viagem tranquila, o trem vai de 25 a 30 km/h, eis um passeio contemplativo: Curitiba-serra do Mar-Morretes. O Pedro entrega o lanche: uma caixa com propagandas de pousada e aventuras. Dentro um sanduíche croissant com presunto, um croissant doce pequeno recheado de doce de maçã e um saquinho de amendoim. Achei tudo bem profissional. Lembrei muito do trem que pegamos em Salta-norte da Argentina para conhecer San Antonio de los Cobres pela Cordilheira dos Andes: Tren a las Nubes, embora a paisagem e a altitude sejam totalmente diferentes. Aliás, amo trens!

No perímetro urbano não saímos dos 18 km/h. Vemos o Jardim Botânico novamente (estação n° 2). Alcançaremos 954 m de altitude. Até a parada 13 há sinal de celular. O passeio vai até a parada 29-Morretes (miniatura da pérola Paraty, nossa cidade colonial no estado do Rio). Admiro a campanha educacional contra o uso de plástico e a favor da natureza feita no trem. Há vendas de produtos da Serra Verde Express: bonés, chaveiros, ecobag etc. Eu mesma não resisto, estou com o meu quepe de Maquinista.

O visual pelo trajeto é de muito verde, vacas, casas interioranas, tudo tão bucólico. Passamos pela cidade de Piraquara (parada 3), nome de origem indígena significando “toca do peixe ou buraco”. Bem interior, local gracioso, verdejante. O caminho do trem é entre bosques. A represa Caiguava abastece Curitiba de água em 50 %. Estamos entre a serra do Mar e a mata Atlântica. Em 2020 houve seca e restou somente lama. Estação Banhado, rio Ipiranga (nome indígena significa: água vermelha”), vislumbramos o rio duas vezes. Existem as flores hortênsias pelo caminho. O trem dá umas paradas.

A serra do Mar é o único lugar do Brasil com 7 % de área contínua da mata Atlântica, 5 % no restante do país. 1500 tipos de orquídeas, vimos açucenas, lírios do brejo e outras flores. Não posso me abster de expressar minha tristeza com a falta de trens como transporte no Brasil. Exemplificando com o que funcionava entre Fortaleza e Baturité no Ceará. Faz falta.

Passamos pelo reservatório do Marumbi e lá está o rio Ipiranga de novo. Vemos o cânion do Ipiranga, com a cascata Véu de Noiva e a Garganta do Diabo. Túneis. O guia nos conta que o barão do Serro Azul era figura importante e foi assassinado na revolução Federalista. Por isso existe a Cruz do Barão (estação 18).

Ildefonso Pereira Correia, o barão do Serro Azul[1] (Paranaguá6 de agosto de 1849 — Morretes20 de maio de 1894), foi um empresário e político brasileiro, maior exportador de erva-mate do Paraná e maior produtor de erva-mate do mundo. Durante a revolução Federalista, ele e outras cinco pessoas proeminentes da cidade de Curitiba foram executadas sumariamente, por suposta ordem do general Ewerton de Quadros (homem de confiança do marechal Floriano Peixoto), sem qualquer processo legal ou acusação formal, segundo a Wikipédia.

Santuário de Nossa Senhora do Cadeado (estação 19), a princesa Isabel (filha de Dom Pedro II) almoçou lá. Ponte São João, serra do Marumbi, rio São João com cascatas mil. Que região mais fértil, verde, linda. Baía de Antonina no horizonte. Rio Taquaral, casas abandonadas no percurso, estação Marumbi, parece abandonada, casas diversas, no mesmo estilo e cor da estação, para guardas parques e outros.

Indico esse passeio demais, é de encher os olhos e nos dá uma sensação de lirismo. Os atendentes são solícitos, animados e os viajantes ainda mais, gente do Brasil todo. Quem quiser silêncio, não tem. Todo mundo no modo “turista”. Por conta da varanda panorâmica no trem, andamos de lá pra cá e tiramos muitas fotos junto à natureza. Fantástico!

O guia nos assegurou que não se deve deixar de viajar devido ao clima incerto atualmente. E estamos perto da charmosa cidade de Morretes. Parada 29. A estação Paranaguá (31), porto de Paranaguá (32) e a estação Antonina, a última parada: 33.

Seguiremos em breve com Morretes.

2 comentários em “Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-passeio de trem pela serra do Mar-parte 4

  1. Belo passeio! Viajei com vocês! Quanto às campanhas contra o uso de plástico, eu nelas vejo uma hipocrisia. Pelo menos no que diz respeito àquelas às quais eu estou sujeita, morando em um país europeu, porque no cômputo final a gente acaba sendo obrigada a pagar pelas sacolas de plástico nos supermercados e a levar para casa carne e verduras embaladas com plástico, pacotes de biscoito igualmente vendidos empacotados com esse material. Mesmo o plástico chamado “biodegradável” não se decompõe facilmente de maneira natural. Tudo não passa de propaganda com a finalidade de encher os bolsos daqueles envolvidos no processo de “luta contra o plástico”, sem que a natureza e o homem se beneficiem realmente como resultado dessas ações.

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    1. Querida Helga,
      Obrigada pelo seu comentário. Na Argentina, há muito tempo já se usam sacolas para levar as compras. Pode levar até em mochilas, vivi isso na Patagônia. Penso que campanhas de educação servem para muitos objetivos, um deles é a pessoa ter consciência do lixo que produz. Eu aqui em Fortaleza sempre reciclo meu lixo, algo natural para mim, mas não há campanhas efetivas, infelizmente. Aprendi com meu pai. Curitiba faz campanhas diversas sistemáticas pelo meio ambiente e eu considero louvável. Acredito muito na educação. Continue viajando com a gente. Grande abraço.

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