Marrocos colorido-Erfoud e Tinghir até Ouarzazate-dia 5
Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Acordei em Erfoud no Kasbah Chergui Hotel às 6 h tomando remédio para enjoo e haja Sonrisal, Luftal e leite de magnésia. Motivo? Os temperos da comida marroquina. Logo, comi pouco no café da manhã, uma pena, pois estava promissor. Falamos para o guia Abdul do meu desconforto e foi muito simples, pois ele nos levou ao refeitório e nos ofereceu água mineral misturada com cumin para o estômago. Todos nós tomamos (o Carlos e Renato também), inclusive o guia. O Abdul disse que era normal se sentir assim, ainda bem que eu havia levado remédio, mas o tempero cumin (ou cominho em bom português) provou ser muito efetivo. Rapidinho eu estava bem. O marroquino usa para salpicar na comida e sempre existe um pratinho com a especiaria em qualquer restaurante. Faz parte da tradição do país, serve para indigestão, gases, assim como para baixar a pressão e o açúcar no sangue. Achei genial.
Nós lá fora, prontos com a bagagem, esperando o grupo da excursão que havia dormido em tendas no deserto. O Fran e a Silvia, casal simpático de Santiago de Compostela-Espanha, foi um deles. Disseram que é fabuloso, nós não fomos, fica pra outra. Como temos muitas dunas no Ceará, confesso não ter pensado no assunto. E era pagamento extra. Nosso guia ficou trocando ideias sobre futebol, ele sabe tudo. Uma graça.
A passarinhada fazendo a sinfonia de madrugada no hotel, algo belo. Interessante que no quarto do hotel, o banheiro era separado. Pia de um lado, chuveiro de outro e por aí vai. Gostei, sempre prático. Só lembro do bed & breakfast que fiquei em Londres a primeira vez.
O guia nos conta que Ouarzazate é a Hollywood do Marrocos. Vários filmes foram gravados no local, como Star Wars, Gladiador 1 e 2 (também em Malta e Itália), Lawrence da Arábia etc.
O ônibus vindo do deserto atrasou quase 1 hora e meia, chegaram e nós logo partimos. Erfoud ou Arfoud, cidade do deserto, um dos Palácios Reais se localiza lá. Prédios baixos, casas ocre, poucas avenidas e ruas, cidade dos bancos, lugar de pedras naturais e fósseis. Cidade das tâmaras, muita gente com as roupas típicas marroquinas: túnicas.
Os muçulmanos, diz o guia, são solidários, dão comida a quem tem fome. No passado, homens tinham até 4 mulheres, hoje ainda existe, mas menos. A religião não aceita a homossexualidade. Nosso grupo tinha 16 pessoas, a grande maioria, de espanhóis.
Paramos no banco para o Fran tirar dinheiro. Vemos o centro de Erfoud. As bicicletas soltas, ninguém mexe. No nosso hotel, percebi que a loja (fantástica para turistas) estava aberta, e o gerente na sua sala anexa ou do lado de fora. Uma simpatia ele, fala inglês e espanhol. O turismo no país é levado a sério e línguas estrangeiras fazem parte do pacote.
Descemos do ônibus em uma loja de tâmaras, escolhida pelo Abdul. A fruta seca do Marrocos é grande e suculenta. 120 DH o quilo (R$68,84). Aceitam euro também. Logicamente, compramos a caixa onde está escrito: Dattes al Majhoul, bem condicionado para viagem, qualidade superior. Na cidade, acontece a maior feira de tâmaras do mundo.

Vamos à loja, um galpão enorme, Manar Marble (Artisanat du Maroc), Route du jorf B.P: 199. Morocco´s Premier Fossil at Stone Souree. Uma fábrica de fósseis e pedras naturais. 350 milhões de anos atrás, a localidade tinha mar, hoje é deserto. Um vendedor da loja nos recebe e mostra o mármore, dentro do bloco muitos fósseis de lulas e caracóis. Rosa do deserto de areia cristalizada. (Eu e o Carlos fugindo dos cigarros dos espanhóis). No chão, fósseis de corais e medusas (de 620 mil anos atrás). Artista esculpe à mão objetos de mármore, 2 meses para fazer isso. Um bloco leva 8 meses e custa 35 mil dólares. Muito do que é esculpido vai para museus. O lugar de exposição das esculturas vale conhecer, há fontes do tipo Jacuzzi com cascata de 600 quilos e mesa por €1400 euros, para a Andaluzia na Espanha. Blocos com fósseis de sardinhas, um calamar (lula) grande, incrível. Linda fonte de mármore com fósseis. Que original. O rapaz nos mostra máquinas de corte e lapidações. Loja única no mundo. Comprei uma tartaruga trabalhada por €10 euros. Passeio imperdível.
Estamos na direção de Marrakech. Os arredores de terra seca, árida, desértica, mas arborizada. Passamos por montanhas enormes que parecem o Centro-Oeste americano, com dunas circundando. Ali foi filmado Sahara (de 2005, com Matthew McConaughey e Penélope Cruz). Em um povoado no caminho, vemos mulheres de túnicas negras, que as protegem do sol, povo berbere. Lugar pacato e peculiar. Andam de jumento com uma proteção de ferro em ambos os lados. Usam motos também.
Pela estrada ou carretera (em espanhol), usam postes de luz com energia solar. Segundo o guia, o Marrocos foi o primeiro país a reconhecer oficialmente a independência americana em 1777. Os guias marroquinos sabem muito, fiquei maravilhada. Fezna Ouled Jellal naregião deDrâa-Tafilalet, povoado, casas com jardins perto da estrada. Muitas fechadas, porque o povo mora na Europa. Caravana de motorhome que vem de Tânger, no norte, por ferry boat. São italianos. Vemos a montanha onde está escrito “Allah, país, Rei”, símbolo da monarquia alauita. O material usado na construção das casas é terracota, argila cozida no forno, sem ser vitrificada, boa para calor e frio.
Local seco há 44 anos, os montes de terra vistos são poços. Os tuaregues usam roupas de cor azul índigo, são os homens azuis (originários de Tombuctu ou Timbuktu em Mali, país africano). Em Povos de África: Os Tuaregues, os Guerreiros do Saara – Mais Afrika, ficamos sabendo que a vestimenta tradicional, como o tempo tinge a pele de seus portadores, conferindo-lhes uma aparência marcante e misteriosa que se tornou a sua marca registrada.
Passamos por montanhas rochosas como se fossem fragmentadas. Plantação de oliveiras espanholas, palmeiras pequenas, 46 tipos de tâmaras. Outro povoado com mulheres de túnicas pretas e faixas coloridas (da cor da bandeira dos berberes). O Marrocos é interessante, as cores das túnicas mudam de acordo com a cidade. Rua difícil para passar o ônibus. Pueblo/aldeia com feira dia de sexta, casas viradas para a montanha com pedras empilhadas em frente às casas ou na rua ao lado para evitar a água intensa que vem da serra quando chove.

Na estrada, paramos em uma loja original, por pertencer a uma mulher: Souvenir Aicha. A proprietária Aicha trabalha com mulheres somente. É viúva e tem apoio dos guias de turismo. Vestimos trajes de berberes: as túnicas e tiramos fotos. Um barato. Comprei uma vermelha por 200 DH ou €20 euros.
As casas têm os proprietários que moram fora, principalmente na França, são enormes com 200 m². Passam 11 meses no exterior e um mês com a família na localidade. Alugam mais barato a parte de baixo do imóvel para lojas, assim quem aluga cuida da parte de cima. Uma troca. A vida é mais barata no local do que em Marrakech. Às sextas é dia de festa, vestem branco e vão às mesquitas. A cidade fica sem movimento na hora da oração. Os habitantes são mais tradicionais do que em outros lugares, os jovens não andam de mãos dadas quando namoram, não se veem homens e mulheres juntos, se estiverem, são irmãos. Ou seja, casais andam separados.
Para o muçulmano, o dia da oração é sexta-feira, para o judeu, o sábado e para o cristão, o domingo. Sobre os dromedários, buscam comida soltos e voltam para casa ao fim do dia. Eles têm donos. Mais ao sul do Marrocos, as famílias escolhem o casamento dos filhos, no mais, são livres, segundo Abdul.
Chegamos a Tinghir pela avenida principal larga com postes de luminárias bonitas e vários prédios ao longo dela. Cidade mais antiga do sul, no passado cidade dos judeus. Atualmente eles vivem em Casablanca. Vemos as casas em ruínas onde eles moraram. É costume local não destruir casas antigas, pois são as casas dos pais, da história da família. Tinghir é um oásis. Os berberes habitam no local. Não usam preto, usam uma túnica branca e maior. Os homens de roupa djellaba (túnica). Há albergues para turistas. Terra de prata 925 k e tapetes. Construções na montanha novas e velhas. Quanto maior o número de palmeiras, maior a riqueza da família. Os berberes ainda casam com duas a três mulheres, a segunda precisa da autorização da primeira que negocia uma casa para aceitar, por exemplo. Sempre aprendendo sobre a cultura diferente do país.
Continuaremos com Tinghir e as Gargantas de Todra, lugar impressionante.
