Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 3

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 3

Hoje é sábado, dia 15 de março de 2025. Outro dia promissor que se inicia com o café da manhã do hotel Park Inn by Radisson na Alexanderplatz. O melhor são os iogurtes cremosos, o de framboesa demais. Às 10h35 estamos na parada do ônibus turístico do hop on hop off. Linha amarela, City Circle Gray Line. Chegamos tarde, porque é inverno, então é tudo mais lento, especialmente para nós, do nordeste brasileiro. Havíamos comprado a passagem para 48 horas. Saímos do hotel, dobramos à esquerda e encontramos a parada perto da academia FIT X. Não há placa do ônibus especificamente, as paradas são marcadas pela letra H, que também engloba as paradas de ônibus regular.

Começaremos a jornada. Os aúdios em português de Portugal. Na av. Karl-Marx-Alee, os edifícios eram monumentais na Berlim Oriental (do setor soviético) à época da Guerra Fria e ainda existem. Os prédios, inspirados na URSS, avenidas, candeeiros idealizados por Moscou, construídos a mão, edificações luxuosas de 11 andares, com o chão em piso parquet e elevadores, melhorias realizadas na época para impressionar o Ocidente e mostrar o quão bom era o socialismo. Era a avenida mais famosa da República Democrática da Alemanha (RDA), construída entre 1952 e 1960. Detalhe histórico: com o Programa Nacional de Reconstrução de Berlim, pós-II Guerra Mundial, os escombros foram removidos e a rua alargada.

A Wikipédia nos conta que em 16 de junho de 1953, começou uma revolta dos trabalhadores da construção civil que se rebelaram contra o aumento da cadência de trabalho sem compensação, o movimento se espalhou pela Alemanha Oriental e foi massacrado pelas tropas soviéticas e pelo Volkspolizei (polícia nacional da RDA).

Aqui cabe uma explicação sobre a RDA. De acordo com o mesmo site acima, a RDA ou Alemanha Oriental oficialmente se definia como um “estado socialista de trabalhadores e camponeses”. Ao mesmo tempo, o país era governado por um partido de inspiração marxista-leninista e integrado ao bloco soviético, sendo amplamente chamado de país comunista. Existiu entre 1949 e 1990, período em que a parte oriental da Alemanha fazia parte do bloco oriental durante a Guerra Fria.

Na parada 3: Gedächtniskirche/Rankestraße, vemos a escultura nomeada de Corrente Quebrada. O Google.com destaca que foi inaugurada pelos 750 anos de Berlim, dois anos antes da Queda do Muro. Trata-se de uma escultura de tubos retorcidos que imitam os elos de uma corrente partida, simbolizando a trágica divisão entre Berlim Ocidental e Oriental. Por não se tocarem no centro, representavam a proximidade física, mas o isolamento político dos cidadãos da época. Projetada pelo casal de escultores alemães Brigitte Matschinsky-Denninghoff e Martin Matschinsky em 1987. Achei genial.

Bairro Friedrichain. Da época imperial, anos 1900. Edifícios dos anos 1950. Parte oriental. Rua Varsóvia, liga o norte de Berlim ao sul. Era comercial com pequenas lojas antes da reunificação. Gostei da avenida, com canteiros centrais e praça com bancos para sentar. O tram passa ao lado.

Descemos na parada East Side Gallery, do Muro de Berlim. História do muro, fotos e pinturas, totens explicativos da história ao longo do rio Spree. Andamos até o Ostbanhoff (era a principal estação de trens da antiga Berlim Oriental) e atravessamos a rua para a parada do ônibus turístico. A gente escuta os aúdios, mas não sabe onde estão os locais, porque não há nenhuma placa que os indique.

Na Berliner Dom, catedral protestante luterana, há o mausoléu dos reis da Prússia, da dinastia Hohenzollern.

As bicicletas são incentivadas na cidade. Avenida Unter den Linden, maravilhosa. A Ópera Nacional, de 1742, está em renovação. O Portão de Brandemburgo fechado para o trânsito. Descemos no portão. Fomos ao restaurante de comida alemã Hopfingerbräu ali perto. Menu: salsicha branca com pretzel e molho doce/azedo. E chope. Como não? Não usam adoçante e o açúcar não é doce. Pratos bem interessantes, também veganos, cervejas diferentes, doces também. Exemplificando: doce de cereja azeda e chips de chocolate e quark (tipo de queijo fresco, cremoso, e levemente ácido). Deve ser uma delícia. Valor do almoço: €22,50 (euros).

Caminhamos pelo Portão de Brandemburgo e avenida Unter den Linden. Muita gente, afinal é sábado. Bem policiado. Rumamos ao Memorial aos Judeus Mortos da Europa. Dedicado à memória dos 6 milhões de judeus assassinados durante o Holocausto. Vemos os vários caixões de cimento em tamanhos diferentes como se fossem um cemitério. Já começa impactante. Esperamos na fila para adentrar o museu embaixo, passamos pela segurança, fotos sem flash.

Iniciamos a visita. A história cronológica da perseguição aos judeus pelo partido nazista. Primo Levi, químico judeu italiano, sobrevivente. Autor da obra-prima: “É isto um homem?”, com suas memórias do sofrimento passado em Monowitz-Auschwitz. Fotografias de judeus assassinados. Claire Brodzki (1928-1944) em Auschwitz e muitas outras pessoas retratadas. Morte de ciganos do grupo Sinti (encontrados na Alemanha, Itália e França). Outra sala com projeções no chão de histórias encontradas em papeis ou cartas/postais. Nas paredes, números de judeus mandados para campos de concentrações nos diversos países. Sala com o histórico de famílias e seus destinos, fotos, cartas, quem eram, os que morreram e como, e os que sobreviveram. Em alemão e inglês. Fotos de famílias, como a da Família Kagam na Bielorrússia, Hirsch na Hungria e Peereboom nos Países Baixos. Maly Trostenets, perto de Mink, capital da Bielorrússia, o maior campo de extermínio nazista da URSS ocupada. Babi Yar, fuzilamento em massa. Babi Yar era uma ravina perto de Kiev, capital da Ucrânia. Em setembro de 1941, dias 29 e 30, a Einzatzgruppen, esquadrões de morte, subordinados à SS, ajudou a polícia alemã e auxiliares locais a assassinar 33.721 judeus, homens e mulheres, jovens e velhos por fuzilamento. O gás venenoso Zyklon B, usado como método de extermínio nos campos de concentração. Muito bons os vídeos de entrevistas de sobreviventes. Forte a visita, mas necessária, para que nunca esqueçamos dos horrores do nazismo. Saímos e comprei um postal do memorial, das caixas de cimento com uma árvore de flores brancas na frente. A natureza torna a foto menos árida e mais lírica.

Um protesto no Portão de Brandemburgo. Com bandeiras, a polícia presente observando. A pé pela avenida Unter den Linden, um prazer, cheio de gente, só vi duas pessoas com cachorros passeando, o frio intenso. Outro protesto mais adiante: Salve a Ucrânia! Dei meu apoio. Em um quiosque de Döner Kebap, tomei café e pedi um kebap de frango para o jantar.

Sentamos em um banco em frente ao Museu da Guerra Fria. Outro museu: Bud Spencer & Terence Hill Museum (atores). Cafés, restaurantes, edifícios. A Champs- Élysées de Berlim. Agradável a caminhada. Estátua equestre de Frederico II, o Grande, em bronze, de 1851. Escultor: Christian Daniel Ranch, com 13,5 m de altura. Foi monarca da Prússia de 1740 a 1786. A casa onde morou o físico alemão Max Planck, de 1889 a 1924. Com feira de antiguidades ao lado. A Universidade Humboldt. Sebo em frente.

Continuamos na Unter den Linden. Prédio estilo greco-romano. A Wikipédia esclarece que é o Memorial Central da República Federal da Alemanha para as Vítimas da Guerra e da Ditadura. Chama-se Neue Wache, ou seja, nova Casa da Vigília. Interessante que chove e neva dentro. O simbolismo é poderoso. O interior da Neue Wache, com a escultura de Käthe Kollwitz: “Mãe com seu filho morto”. Garanto que quem vê, fica mexido. Berlim marcante.

Mercado de arte ao lado do rio Spree. Pinturas, fotos, artesanato. Bolsas, roupas, tudo lindo. Porcelana da Floresta Negra. Sábados e domingos, das 11 h às 17 h. Berlin Art Market. Pura tentação.

Parque em frente da Catedral, Lustgarten, com músicos de rua tocando órgão e violino. Bem Europa. A Berliner Dom é um cartão postal de tão bela. Que frio! Mão gelada. Voltamos à Galeria, loja de departamentos fantástica, perto do nosso hotel. Para mais chocolates, preços imperdíveis.

Berlim não se esgota, que cidade mais interessante e rica de história e cultura. Prosseguiremos em breve com mais passeios.

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 2

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 2

Hoje é dia 14 de março de 2025. O dia passado foi cansativo, dia de chegada. O Carlos e eu estamos no hotel Park Inn by Radisson na Alexanderplatz. Acordamos às 9 h e fomos para o salão de café da manhã que é no restaurante Spagos (restaurante, bar e lounge). Funciona das 6 h às 11 h. Na entrada do salão, um rapaz controlando os hóspedes pelo cartão do hotel. O café da manhã bem farto com muitos pães, queijos, presuntos, frutas, iogurtes bem cremosos sem açúcar. Já tem leite e garrafa prata de café na mesa. Prático. Pão com passas de uva, crisp bread (pão crocante), ovos, panquecas. Jornais e revistas para leitura. São duas ilhas de comidas com sucos e cafés. A seção de chás respeitável. Por isso hotéis me encantam. Amo estar em um ambiente com turistas do mundo todo e em várias línguas faladas, o inglês, porém, é fundamental para comunicação.

Hoje é dia de passeio de hop on hop off, nosso ônibus preferido nas cidades, o amarelo. Estamos por conta própria, a excursão começará somente no dia 17. Compramos os tíquetes em um guichê no hotel. €56 (euros) para nós dois com desconto. Há um mercado de guloseimas no saguão com espaços diferentes. Muito bom e aceitam cartão de crédito.

Lá vamos nós pela praça Alexanderplatz. Estamos meio perdidos, não é novidade. Um policial nos ajudou e chegamos à parada de ônibus do City Circle Gray Line. Parada 12: Alexanderplatz/Park Inn. Serão 2h e meia de passeio. Lembrando que dá para descer e subir nas paradas.

Comecemos a jornada. Escutando os auriculares em português de Portugal. Estamos na av. Karl-Marx-Alee. Antiga Berlim Oriental. Região de residencial popular. Parada 13: Karl-Marx-Alee. Prédio do partido único da Alemanha Oriental (RDA). Segundo o Google.com, esse prédio abrigava o Comitê Central do SED (Partido Socialista Unificado da Alemanha), hoje funciona como sede principal do Ministério Federal das Relações Exteriores da Alemanha. Localizado no centro de Berlim.

Prédio da antiga editora da RDA. O Google.com nos informa que era o principal e mais célebre edifício da editora, o Haus des Berliner Verlags, conhecido historicamente como Pressehaus (Casa da Imprensa). Atuava como o coração da mídia impressa do regime.

Antiga Central de Energia Térmica. O áudio se confunde e fala “energia atômica”. O mesmo site nos conta que foi inaugurada em 1964, fornecia eletricidade e aquecimento central para a maior parte de Berlim Oriental. Movida a combustíveis fósseis. Atualmente, abriga a conhecida casa noturna e centro de eventos Kraftwerk Berlin, onde tocam os DJs mais famosos, ninguém tem certeza que entrará, depende dos leões de chácara deixarem entrar, são 1.500 fãs, há bar panorâmico, música eletrônica, a Lady Gaga gosta, vão até segunda de madrugada nas baladas.

Parada 14: Berghain/Friedrichhaim. Parte ocidental e oriental com edifícios antigos. Rua Varsóvia (Warschauer Straße), a mais animada. Restaurantes, lojas, bares.

Parada 15: East Side Gallery. Restante do Muro de Berlim. Trecho contínuo com cerca de 1.300 m, 100 pintores fizeram obras artísticas no muro, Patrimônio Histórico e Artístico. Espaço memorial às margens do rio Spree. Antes de 1989, com a Queda do Muro, do lado da Alemanha Oriental, guardas ainda matavam quem tentava fugir. Há prédios sendo construídos por ali, mas nem todos concordam.

Parada 16: Ostbahnhof. Estação de trens com diferentes nomes reflete a complexa e agitada história do país moderno. Cidade com obras artísticas murais, casas coloridas. Gente morando debaixo de ponte. Ainda vemos prédios uniformes, cinzas da antiga Alemanha Oriental.

Parada 11/17: Neptunbrunnen/Rotes Rathaus. Câmara Municipal, de cor vermelha. Igreja de Santa Maria ou Marienkirche. Fonte de Netuno do séc. XIX. Conforme o site https://mapeandomundo.com, trata-se de uma fonte verde, construída em 1895, no estilo neobarroco que retrata o deus do mar. e é rodeado por figuras femininas que simbolizam os rios alemães Reno, Weichsel, Oder e Elba. A Torre de TV se encontra perto.

Parada 18: DomAquarée. Parada 19: Museumsinsel/Humboldt Forum. Ilha dos Museus, de acordo com a Wikipédia, construída de 1830 a 1930 por ordem dos reis prussianos, foi designada Patrimônio Mundial em 1999, por causa de seu testemunho no desenvolvimento arquitetônico e cultural dos museus dos séculos XIX e XX. Igreja monumental da Corte: Berliner Dom. Catedral protestante luterana. Lustgarten-um parque na Ilha dos Museus. Palácio de Berlim, anteriormente, conhecido como Palácio Real, alberga o museu Fórum Humboldt, dedicado à história humana, arte e cultura. Ponte Schlossbrücke, com esculturas em mármore branco que retratam a jornada de um menino até a maturidade, tornando-se um guerreiro e encontrando a morte no campo de batalha. Essas estátuas estão sob a tutela das deusas Atena, Nice e Íris (fonte: https://www.getyourguide.com). Não é uma cidade notável?

Parada 20: Unter den Linden. Avenida linda, larga, ótima para caminhadas. Antiga Biblioteca Real, hoje Faculdade da Universidade de Humboldt. Na Faculdade de Direito, no subsolo da praça Bebelplatz, ao lado, há o memorial dos livros queimados, uma biblioteca sem livros, um dos locais onde os livros foram incendiados pelos nazistas em 1933.

Under den Linden com Friedrichstraße, cafés famosos, um se chama Viktoria ali perto. A avenida celebrada antes era o caminho por onde o rei ia a cavalo até seu palácio de verão Charlottenburg passando pelo Portão de Brandemburgo. Vemos as embaixada Russa, Britânica e Americana, sempre muito policiada.

Parada 21: Brandenburger Tor/Holocaust-Mahnmal. Memorial em homenagem aos Judeus Mortos da Europa, de Peter Eisenman. Inaugurado em 2005. Portão de Brandemburgo. Monumento neoclássico do séc. XVIII. Foi bloqueado pelo Muro de Berlim e serviu por quase três décadas como um marcador da divisão da cidade. Encontrava-se dentro do setor soviético à época da Guerra Fria, mas não pertencia ao lado oriental nem ocidental. Pós-Queda do Muro, passou a ser símbolo da reunificação.

Passamos pelas placas em forma de cruz com fotos, nomes e a história dos que morreram tentando pular o Muro.

Parada 22: Reichtag. Na Praça da República. Com bandeira hasteada. Feito em estilo neorrenascentista. Também conhecido como Palácio do Reichtag. O edifício foi projetado por Paul Wallot e inaugurado em 1894, sendo um marco da história do país, associado a eventos significativos como a proclamação da República em 1918 e o seu incêndio em 1933. O site https://dicasdeberlim.com.br comenta que esse incêndio criminoso foi usado pelo regime nazista como pretexto para perseguir opositores. Após a II Guerra Mundial, foi restaurado e modernizado, sendo utilizado como sede do Bundestag (uma das câmaras do parlamento alemão) desde 1999. A icônica cúpula de vidro foi desenhada pelo afamado arquiteto inglês Norman Foster, assim como o projeto do palácio.

Futurium, museu/laboratório, com entrada gratuita. Parada 23: Hauptbahnof. Estação principal de trens. Museu de História Natural. Edifício Cube Berlin, o mais inteligente, 210 mil pés quadrados, com estacionamento, luz, temperatura, fachada de vidro dobrada por dentro, tudo pensado, 11 andares de escritório.

Moabit é uma das seis localidades do distrito Mitte. No séc. XIX, à época do rei Guilherme I, era um povoado de huguenotes, fervorosos protestantes calvinistas, de origem francesa. Plantaram amoreiras e criaram bichos de seda. Muitos trams (bondes modernos) pela cidade. No prédio de detenção de Moabit estiveram detidos presos políticos da RDA.

Parada 24: Siegessäule. Obelisco da Vitória ou Coluna da Vitória, com deusa de ouro e mirante circular. Parque urbano público Tiergarten, destruído com suas árvores na II GM. Entre 1949 e 1959, reconstruído como parque paisagístico. 210 hectares, um dos maiores da cidade. Local popular.

Palácio de Bellevue, primeiro estilo neoclássico, local de reuniões oficiais e de hóspedes do III Reich. Foi atingido na II GM. Residência oficial do presidente da Alemanha.

Parada 25: Zoo+Aquarium/Bikini Berlin. O zoológico é um dos cinco maiores do mundo, 35 hectares, tem uns 20 mil animais de 1.600 espécies diferentes. Muitos centros comerciais ao redor. O Bikini Berlin é uma proposta de shopping inovadora, com hotelaria, entretenimento, compras e gastronomia. Tem uma área verde de 7 mil m².

Parada 1: Kurfürstendamm 216. Avenida com lojas exclusivas, como Hugo Boss, Dolce Gabbana, Ralph Lauren e outras mais. Conhecido como Boulevard Ku´damm. Viagem através de diferentes épocas na avenida imperial até hoje. Vida noturna e glamour. Foi inaugurada em 15 de maio de 1886. Seus edifícios foram destruídos na II GM. Zona comercial hoje com cafés e lojas. Estamos no inverno, árvores secas.

Parada 2: Hard Rock Cafe/Meinekestraße. Parada 3: Gedächtniskirche/Rankestraße. Gedächtniskirche ou Igreja Memorial Imperador Guilherme, construída entre 1891 e 1895. Destruída durante os bombardeios da II GM em 1943, o que se vê são as ruínas, preservadas como memorial de guerra. Dica de loja: Primark, com preços ótimos. Escultura “Berlin” (Corrente Quebrada).

Parada 4: KaDeWe. Descemos e entramos na KaDeWe, a loja de departamento mais renomada desde 1907. 2.700 funcionários, a gente se perde em tantos andares e há variedades mil. Muitas opções de comidas. Fomos almoçar, enfim, no 6º andar, no Kartoffelacker. Menu: almoço de truta defumada com batatas souté. A sobremesa: uma trufa de chocolate amargo. mais coca e café, uns €28 (euros).

De volta ao ônibus. Á direita, Urania, de 1888, sociedade científica para popularizar a atividade de ciência por meio de palestras, filmes e teatro. Em 1945, no fim da II Guerra Mundial, 70% da cidade estava destruída. 75 milhões de escombros. São 891 km². 3,7 milhões de habitantes no presente.

Parada 5: Lützowplatz. Parada 6: Kulturforum Tiergarten/Philharmonie. Passamos pelas embaixadas de Malta, Mônaco, Finlândia e outras. Fundação Konrad Adenauer, instituto político. A Wikipédia destaca que é uma instituição benemerente alemã associada ao partido da União Democrata-Cristã. Fórum da Cultura ou Kulturforum na Mattaikirchplatz.

Parada 7: Potsdamer Platz/Panorama Punkt. A praça Potsdamer era vívida nos anos 1920. No final da guerra em 1945, estava 80% destruída, foi esvaziada com a URSS e com a reunificação voltou a ter sua importância restaurada. Sony Center, Um complexo de sete edifícios individuais com o modo de fachada moldando chapas de papelão ondulado, seções de tecido em forma e superfícies (fonte: WikiArquitectura). Deslumbrante.

Estamos na divisão dos setores britânico (à esquerda) e americano (à direita) do pós-II GM. Na Leipziger Platz.

Parada 8: Gropiusbau/Topographie des Terrors. Edifício da Topografia do Terror, memorial e centro de documentação que preserva a história dos horrores perpetrados pelo regime nazista, localizado onde funcionou a sede da Gestapo/SS entre 1933 e 1945. O livro Em Busca de Sentido, Edição para Jovens Leitores, de Viktor Frankl, editora Auster, 2023, esclarece no Glossário que a Gestapo era a força policial secreta da Alemanha nazista que perseguia supostos adversários dos nazistas, e a SS, a organização militar nazista que realizava a vigilância, as prisões e execuções para Adolf Hitler.

Parada 9: Checkpoint Charlie. Ponto de controle de estrangeiros no setor americano no pós-guerra. Ali tem a história do Muro e o destino das vítimas. US Army Checkpoint. Friedrichstraße, ligação norte/sul de Berlim. Popular rua comercial depois da Queda do Muro. Primeiro grande projeto da reunificação, três blocos de edifícios ligados por uma galeria subterrânea. Estação de metrô fechada na frente, linhas 6 e 8, porque passavam pela parte leste da Berlim dividida na época da RDA.

Parada 10: Gendarmenmarket. Do séc. XII, a praça fica em uma das regiões mais belas de Berlim. Edifícios monumentais, bancos que convidam a sentar e admirar a cidade. Cidade larga. As Igrejas Gêmeas, barrocas, se situam dos dois lados da praça. Elas se completam com uma torre coroada por uma cúpula. Também há a Igreja Francesa e a Alemã. Essa virou um centro artístico e depois um museu que conta a história da democracia alemã. Bairro mais antigo e charmoso: Nikolaiviertel, ou seja, St. Nikolai.

Passamos pela Fonte de Netuno de novo e descemos. Caminhamos. Loja Pylones, perto da Berliner Dom, catedral. Linda, muito colorida. Um bocado de lojas de lembrancinhas nos arredores. Encontramos uma e comprei uma camiseta (lógico) de um brasileiro, Vinícius. Chegado há pouco na cidade. Já cerca do nosso hotel, a incrível loja de departamento Galeria na Alexanderplatz. Amamos, vários andares de compras, a seção de chocolates foi inesquecível. Com muitos descontos. No 5º andar, poucos restaurantes, no esquema de buffet, você paga separado pelo que escolhe. Resolvemos retornar ao restaurante de ontem à noite: Frittenwerk na praça, cerca do hotel. O mesmo prato: avocado chicken bowl (tigela de frango com abacate). Quem gosta, torna.

Observo muitas pessoas de mais idade trabalhando, a aposentadoria na Alemanha ocorre aos 67. E não vi gatos e cachorros de rua. Achei o Asien Supermarkt fantástico, só produtos orientais.

Continuaremos em breve. Cidade fascinante.

Campos do Jordão para conhecer-Mosteiro de São João e Museu Felícia Leirner-dia 4

Campos do Jordão para conhecer-Mosteiro de São João e Museu Felícia Leirner-dia 4

Hoje é terça-feira, dia 17 de março de 2026. O dia será intenso com vários passeios, estamos com o Leandro, nosso guia, conforme combinado no dia anterior, @leandrocitytour.

Começamos o dia com o café da manhã na pousada La Toscana só pra nós. O Leandro nos pega às 9 h e vai nos contando como é a cidade de Campos do Jordão no seu dia a dia. Há bombeiros, polícia militar e civil, hospital, mas sem UTI, somente em Taubaté, cidade a 55 km de distância. Condomínios por lei só de 4 andares. Bistrô/café em estilo francês Sans Souci, cafeteria mineira: Empório Recanto de Minas. Passamos pelo centro da cidade: Abernéssia. Bem ajeitado. Os nativos moram no local. A cidade tem 48 mil habitantes.

O Carlos e eu no Mosteiro de São João-Campos do Jordão-São Paulo-foto tirada pelo guia Leandro

Chegamos ao Mosteiro de São João, de freiras beneditinas. A entrada é uma floresta, tem um lago com carpas coloridas, o lugar transmite paz. A natureza é bem cuidada, com jardins, árvores, tranquilidade. Gruta Nossa Senhora de Lourdes com a sua imagem. Igreja com acústica diferenciada. As freiras estavam rezando com os cânticos: Preces Orações. Cantos gregorianos são ouvidos de manhã e de tarde. Santa Escolástica e são Benedito na parede.

A estrutura do mosteiro é de tijolo à vista e na madeira, possui café, bazar e lojinha com produtos da terra: castanhas, pães, doces, Geleia das Monjas Beneditinas, além de santinhos, almofadas de santos e muito mais. Está lá escrito: “Ora et labora”. Vale a pena conhecer. É um lugar turístico da cidade.

De lá rumamos ao museu Felícia Leirner. No mesmo espaço também se encontra o auditório Claudio Santoro, onde ocorre a apresentação principal do famoso Festival de Inverno todo ano em julho. Concertos de música clássica e também de outros espetáculos e eventos. Outra atração que se vê do local é o Mirante do Baú.

Vamos subindo a serra e conhecendo a Vila Santo Antônio, uma comunidade. O guia nos explica que é seguro cruzar. Acrescenta que “ninguém mexe com ninguém”. Viajar no Brasil requer saber sobre segurança. Ele comenta a respeito da casa de Paulo Maluf, ex-político. Palácio Boa Vista, do governador, com heliporto. Monumento de visitação pública (parte dele é um museu). Alto da Boa Vista. Com condomínios na área. Em Campos do Jordão, tudo que é alto, é nobre: Alto Capivari, Alto da Vila Inglesa, Alto da Boa Vista.

Chegamos. De graça para professores. Um espaço aberto gigantesco com árvores e esculturas. As araucárias dão o toque de beleza. O Leandro ficou nos esperando e nos deixando à vontade. No Centro de Pesquisa e Referência, com biblioteca e obras de escultura, há totens explicativos sobre a artista Felícia Leirner, sua história e a de algumas obras. Confesso que não a conhecia, que pessoa fenomenal. Vemos a obra “Cabeça de Alfredo Landau”, de bronze. As esculturas expostas ao ar livre estão no que era o quintal da casa dela. Viajar é aprender muito.

Ali se situa o auditório Claudio Santoro e um café literário. “Claudio” sem acento mesmo. No auditório se escuta Johann Sebastian Bach, um dos meus preferidos compositores clássicos. Falando um pouco sobre quem foi Claudio Santoro. De acordo com o folder, nasceu em Manaus em 1919, tendo sido um dos mais inquietos e polivalentes músicos do nosso tempo. Recebeu inúmeras premiações e condecorações, foi regente convidado das mais importantes orquestras do Brasil e do mundo. Após sua morte, o governo de São Paulo mudou o nome do auditório Campos do Jordão para Claudio Santoro.

Um pouco sobre este auditório tão impactante. Considerado majestoso, de acordo com o mesmo informativo, foi inaugurado em 1979. Tem capacidade para receber até 820 espectadores, sendo 814 assentos e 6 espaços para cadeirantes. Sua arquitetura moderna mistura elementos rústicos com grandes paredes de vidro que valorizam a luz natural e a paisagem do entorno, sem deixar de cuidar do conforto do público. No palco há fosso para orquestra. Nos bastidores, amplos camarins, salas de ensaio e áreas técnicas. Ou seja, é um auditório moderno que também pensa em acessibilidade para necessidades específicas.

Um pouco sobre o festival de inverno. Segundo o site www.festivalcamposdojordao.org.br, o festival terá mais de 80 apresentações gratuitas. Ocorre este ano de 2026 de 4 de julho a 2 de agosto. A abertura acontece no parque Capivari com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) e montagem de “A Flauta Mágica”, de Mozart, no auditório Claudio Santoro.

Saímos do auditório e fomos ao espaço aberto. Estávamos com um mapa/folder. Há três tipos de trajeto: o verde (fácil de locomoção/438 m), o amarelo (intermediário/813 m) e o vermelho (difícil/278 m), uma vez que há subidas e descidas íngremes, e trechos com obstáculos e escadas. A gente caminha muito, tem que ter joelho bom. Por conta do tempo, queríamos ter uma boa ideia, mas não fizemos o percurso completo. Ainda muito a passear pelos afamados parques de Campos do Jordão.

Obras e obras de Felícia Leirner. Divididas por fases: Figurativa, A Caminho da Abstração, Orgânica e Recortes na paisagem. É imperdível. Esculturas de bronze, cimento branco armado com ferro, granito e gesso. Achei tudo um trabalho a ser admirado. Na fase Orgânica/“Um caminho no meio da floresta”, nos deparamos com as obras Habitáculo II, de 1966/67. Parecem casas de gesso. Habitáculo V. Lembra a Casapueblo, em Punta Ballena, Piriápolis, Uruguai. Do artista Carlos Páez Vilaró. Como explicar? A sensação de algo que vemos e nos remete no momento a um local conhecido. Tenho muito esses insights em viagens.

A última fase Recortes na Paisagem. De 1980/82, arte semiótica, tem a obra Composição, em cima do monte e O Pássaro, de 1970. Gostei de O Anjo, da fase Orgânica, de 1969, e de O Segredo, da mesma fase, de 1969. Na fase figurativa, “Mulher Reclinada” e Moça Sentada II, esculturas de bronze, de 1950/1955. Em suma, fiquei maravilhada.

Ufa! Requer esforço subir o morro no sol, nas sombras, o clima é bem mais agradável. Não posso deixar de dizer quem foi Felícia Leirner. Nasceu em Varsóvia, na Polônia em 1904, veio para o Brasil em 1927. O informe nos conta que adotou o país como sua pátria. A paixão por animais e pela natureza era uma característica marcante da personalidade e da obra da artista. Em 1962, mudou-se para Campos do Jordão para viver junto à natureza. Conquistou diversos prêmios nacionais e internacionais ao longo de sua vida. A partir de 1979, quando o museu foi inaugurado, ainda aumentou sua coleção que pode ser vista atualmente. Faleceu em 1996, aos 92 anos de idade.

A área onde estão o museu e o auditório é um importante remanescente da Mata Atlântica. Apresenta uma rica diversidade biológica. São pelo menos 110 espécies de plantas, algumas árvores medem 25 m de altura, 92 espécies de aves e 10 espécies de mamíferos.

São administrados pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari).

O folder completa que o museu Felícia Leirner tem ao todo 88 esculturas, sendo 44 produzidas em bronze, 41 em cimento branco, 2 em granito e 1 em gesso. É uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e tornou-se uma das maiores atrações culturais de Campos do Jordão.

Prosseguiremos em breve com o Mirante do Baú e mais lugares para conhecer.

Bela Itália-Nápoles e Roma-dia 8-fim de viagem

Bela Itália-Nápoles e Roma-dia 8-fim de viagem

Hoje é dia 8 de outubro de 2025. Chegamos de Pompeia e vamos a Nápoles. Distância: 213 km. Finalizando a viagem de onde partimos para Capri. Segundo o folder da Europamundo, uma das cidade mais fascinantes e antigas do país, e continuamente habitadas da Europa. A cidade velha é uma das maiores do continente e foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO.

A guia Sabrina, como sempre, nos dá informações relevantes. Ela nos sugere comer a pizza napolitana. Fala no bairro Espanhol, autêntico, surgido no séc. XVI durante o domínio espanhol. Construído para abrigar guarnições militares espanholas, mas rapidamente se torna popular, incluindo atividades de prostituição e contrabando (fonte: https://italianismo.com.br). Para compras, a loja Napolimania (Via Toledo, 312). O ex-jogador de futebol Diego Maradona é amado pela população. Tem até santuário, um mural, no bairro, na Via Emanuele de Deo.

A origem da pizza marguerita tem a ver com a rainha Margherita de Saboia. Segundo o Google.com, a pizza nasceu na cidade no ano de 1889, pelas mãos do famoso pizzaiolo Raffaele Esposito, da histórica Antica Pizzeria Brandi. Ele criou uma receita especial em homenagem à visita da rainha, com as cores da bandeira italiana: branca (muçarela de búfala), vermelho (molho de tomate), e verde (folha de manjericão), aí batizaram a pizza com o seu nome.

Nápoles é rica em lendas e tradições. A guia nos conta sobre o munaciello, ou no dialeto local, “pequeno monge”. De acordo com o Google.com, uma das figuras mais emblemáticas do folclore napolitano. Descrito como um homem de baixa estatura, vestido em um hábito monástico com capuz e sapatos com fivelas de prata. Esse espírito pode trazer tanto grande sorte quanto azar. Acredita-se que a lenda nasceu nas entranhas da cidade. Origem histórica: nos subterrâneos de Nápoles, havia trabalhadores que conheciam perfeitamente seus aquedutos e túneis. Circulavam livremente pelas adegas e porões, muitas vezes deixando presentes (ou roubando pertences) para alterar a sorte dos moradores.

Há também a tradição da bruxa Befana. A Wikipédia menciona que é uma figura lendária do folclore italiano. Descrita como a “bruxa boa” ou simpática velhinha, ela voa em uma vassoura na noite de 5 para 6 de janeiro (Dia de Reis/Epifania) para deixar doces e pequenos presentes nas meias das crianças bem-comportadas e pedaços de carvão para as malcriadas. A Sabrina fala em outra tradição: duas semanas antes do dia 2 de novembro, Dia dos Mortos, os napolitanos limpam a casa e a decoram com flores. Fazem piquenique em frente às tumbas. O luto é sentido como dor. Escutamos no ônibus as músicas de Pino Daniele, estimado pela nossa guia.

Nápoles tem muralhas e cidade subterrânea. No centro, há fila na Via de Santics Francesco. O site https://post-italy.com nos conta que é para entrar no Museo e Capella Sansevero, local que conserva uma das esculturas mais famosas de Nápoles: o Cristo Velato, ou Cristo morto, em português. A obra realizada em mármore por Giuseppe Sanmartino impressiona pelo seu realismo e qualidade técnica. O corpo da estátua de Cristo é recoberto por um sudário esculpido em um único bloco de mármore. Ao observá-la, temos a sensação de que o véu não é feito de rocha metamórfica, mas de um tecido fluido que envolve perfeitamente as formas do corpo.

Novamente no centro, perto da Galleria Umberto I, se localiza a Rua dos Presépios”, de artesãos, no bairro de São Gregório Armênio. Tradição de pai para filho. O site www.brasilnaitalia.net chama a atenção que se trata de uma via pitoresca, um verdadeiro tesouro de arte, tradição e história. Na Via dei Tribunali. Um pouco de história: originalmente, ali existia um templo dedicado à deusa Ceres, onde os habitantes locais ofereciam estatuetas de terracota como votos. No séc. X, um mosteiro foi construído sobre o antigo templo romano, abrigando as relíquias de são Gregório da Armênia. A partir daí, a produção de presépios ganhou ainda mais relevância, impulsionada pelas encomendas de famílias nobres que desejavam a cena do nascimento de Cristo em suas residências.

“O napolitano fica seco, mas não morre”, comenta nossa guia. Sempre foram machucados por todos os lados. Porém, eis uma cidade onde deixam as pessoas viver. Quem mora na rua, não quer sair de lá. São ajudadas. A Sabrina demostra todo seu amor pela cidade natal. O estado fica com quase metade do salário, pago em impostos. Se ganha pouco, muitos são informais. O trânsito é meio caótico.

Castelo Novo logo na saída do porto. A Wikipédia nos informa que foi fundado em 1282, com estilo gótico e proprietário: Carlos I da Sicília. O Palácio Real, de 1600, um dos quatro palácios que serviram de residência aos reis de Nápoles e Sicília durante o reinado das Duas Sicílias. Localizado `a Piazza del Plebiscito, 1.

Às 12h30 na Trattoria Medina (Via Medina, 43), local marcado para o almoço. Andamos até a Via Toledo, estamos no bairro Espanhol. O Carlos e eu retornamos por conta da quantidade de gente e fomos para o restaurante, almoçar logo. O grupo estava como queria, solto e livre. Pedimos a pizza marguerita, uma tônica e depois um limoncello, nosso licor preferido. A pizza é grande, para nós brasileiros, e os garçons não gostam que dividamos. Logo, comemos toda cada um. Bem diferente comer pizza no almoço, mas não tinha muita opção, a não ser pasta. Detalhe: não tinha café no lugar, pode? Outra cultura.

Os motoqueiros na Itália são intempestivos. Não vi sinais de trânsito, mas quando os pedestres passam, eles param. Pelo menos isso.

O grupo foi chegando para o almoço. Coperto é uma taxa fixa cobrada em muitos restaurantes, em especial, em áreas turísticas, já a gorjeta é opcional, se o atendimento for bem-feito, vale. Depois da pizza deliciosa, fomos à Galleria Umberto I, belíssima, em mármore, parecida com a Vittorio Emanuele, de Milão. Situada na Via San Carlo, eis uma galeria comercial pública, construída entre 1887 e 1890, conforme a Wikipédia. O nome é em homenagem ao rei da Itália à época. De cair o queixo de tanta formosura, o piso, teto, lojas, magnífica. Encontramos com o casal de primos, professores universitários, Leonardo Danziato e Octávia, fiquei maravilhada, já que a gente nunca se encontra em Fortaleza-Ceará. Ele fazendo estudos avançados em Paris. O mundo é pequeno mesmo. Nos deram a dica de Ravello. Fica para a próxima.

Castelo San Martino em cima. Fechado aos domingos. No local de encontro do grupo (em um dos estacionamentos perto do porto), eu e o Carlos ficamos meio perdidos, mas aí o apito da Sabrina nos achou. Nós, turistas, temos momentos de confusão mental. Obrigada, nossa guia fabulosa. Arriverdeci, Napoli. Adentramos o ônibus em direção a Roma.

O monte Vesúvio à direita, lá se anda a cavalo e se faz trekking. À esquerda, o monte Somma que faz parte do Parque Nacional do Vesúvio. 3 horas para Roma com parada técnica perto do monte Cassino. Estamos na região do Lazio ou Lácio. Gostei do local amplo com banheiros decentes e vendas de muitas opções de lembrancinhas, licores, casacos, chaveiros, camisetas etc.

Vemos de longe o monte Cassino, emocionante, quando penso na II Guerra Mundial. A Wikipédia destaca que é uma colina rochosa a cerca de 130 km a sudeste de Roma, no Vale Latino. 520 m de altitude. Mais conhecido por sua abadia, a primeira casa da Ordem Beneditina, tendo sido fundada pelo próprio Bento de Núrsia, por volta de 529. Algumas vezes foi saqueada na sua história, sofreu terremoto, foi dissolvida em 1866 pelo governo italiano. O edifício tornou-se monumento nacional com os monges como guardiões de seus tesouros. Em 1944, durante a II Guerra Mundial, foi o local da Batalha de Monte Cassino e o edifício foi destruído pelo bombardeio dos Aliados. Foi reconstruído após a guerra. Em 2015, a comunidade monástica era composta por 13 monges. É o segundo mosteiro beneditino mais antigo do país (fonte: www.wikiital.com). Um pouco sobre são Bento. Nasceu por volta de 480, de família nobre. Dedicou-se à oração e meditação, e é padroeiro da Europa.

Chegamos a Roma! Passamos pelo Coliseu Quadrado ou Palácio da Civilização do Trabalho. Ícone da arquitetura fascista, projetado em 1937 para sediar a Mostra della Cività Romana durante a Feira Mundial de 1942 (que não ocorreu). Está no distrito conhecido como Espozicione Universale Roma ou “EUR”. O Palazzo dello Sport, construído para os Jogos Olímpicos de 1960. O bairro EUR, da época do fascismo de Benito Mussolini, abriga muitos ministérios, museus e importantes instituições, tornando-se um espaço residencial e comercial vibrante (fonte: http://www.bing.com).

Piazzale Pier Luigi Nervi, praça. Cúpula da Basílica de São Pedro e Paulo. Em www.romaperegrina.com, descobrimos que a basílica foi projetada pelo arquiteto Arnaldo Franchini com a ajuda de Marcello Piacentini. Elaborada no formato de cruz grega, se caracteriza pelo uso de cimento armado e por ter a segunda maior cúpula da cidade. Trata-se de uma construção moderna. O diâmetro da cúpula é de 31 m e sua altura chega até 71 metros.

Largo Mustafa Kemal Ataturk. Vemos prédios baixos, avarandados, com cara de habitáveis no caminho para o hotel. Pessoas vêm aos domingos para barezinhos, terraços etc. Lugar para relaxar, bucólico. Outra Roma, longe da confusão do centro.

Detalhes de trânsito: o romano dirige mal, briga no trânsito. Já os napolitanos dirigem feitos loucos, não seguem regras, mas são amáveis. Puxamos a quem mesmo?

Vamos nos hospedar no enorme Ergife Palace Hotel, endereço: Via Aurelia, 619, o mesmo da chegada no início da excursão. Bairro: Aurelio. Bucólico. A 10 minutos da estação de metrô Cornelia e perto do Vaticano. Algo inusitado ocorre no local: o quarto 3606, por exemplo, a gente raciocina que seria no 3º andar, não é mesmo? Pois não é, é no 6º, o segundo número indica o andar. Só confunde o turista cansado. Outra cultura.

Enfim, viagem pra ficar na história da minha vida. Ufa! Muita cultura, aprendizado, conhecimentos, culinária. E viva a Itália, terra dos meus antepassados. Voltaremos, isso é uma certeza. Fim da excursão.

Bela Itália-Palermo-Nápoles-Pompeia-dias 7 e 8

Bela Itália-Palermo-Nápoles-Pompeia-dias 7 e 8

Hoje é sábado, dia 11 de outubro de 2025. Estamos em Palermo, capital da Sicília e entramos no porto às 17h35 com o ônibus. Nosso ferry noturno para Nápoles parte às 20 h. Faremos a travessia pelo mar Mediterrâneo. O restaurante funciona das 19h30 às 21h30, e a loja do navio fecha às 23 h. O ferry se chama Grandi Navi Veloci Spa M/N Majestic.

Entramos com o grupo da Europamundo, nos hospedamos em um quarto bem funcional e descemos para jantar. É tipo buffet, você escolhe e eles colocam no prato. Pedimos dois pães, ananás, tomate e mussarela Caprese, e um prato de bacalhau. Saiu €31,90 (euros).

Domingo, 12 de outubro de 2025. Acordamos às 5h30, socorro! A noite foi meio pela metade, pois é diferente estar em um ferry, minha primeira experiência dormindo em um, e o peixe do dia anterior não caiu tão bem. O barco a discutir… abre às 6h30 o café da manhã no restaurante, como se o navio chega às 7 h? Fomos ao local, estávamos na fila, e aí achei que seria mais rápido no café ali perto. Só que a caixa registradora do café quebrou, estávamos na espera. Voltamos ao restaurante com a fila maior ainda e pouca gente para atender ao self-service. A sorte foi ter nosso companheiro de viagem Celço (de Santa Catarina) lá, ficamos mais tranquilos. Não tinha quem servisse o presunto e queijo, no fim comemos o que podemos, correndo. €9,20 (euros).

Chegamos a Nápoles, o ônibus saiu e nós entramos nele. A nossa guia Sabrina sempre dando dicas valiosas. Ela que é napolitana sabe. O povo é acolhedor, recebe os imigrantes bem. “Ninguém é excluído”. Continua nos contando sobre a cultura local. A pimentinha que traz sorte, tem que tocar três vezes para ativá-la com a mão esquerda aberta, se for de coral, melhor. Na Antiguidade, eram pagãos e tinham o órgão sexual masculino como propulsor de boa sorte, a igreja Católica acabou com isso. Mas ainda se vê estampado em camisetas, aventais, coisas da região. Achei inusitado. Vi muito isso em Amsterdam-Países Baixos.

A guia segue falando em Pompeia, destruída pelo vulcão Vesúvio. Pessoas que trabalhavam na terra foram encontrando objetos. A cada ano se descobre mais, afinal era uma cidade romana.

Enfim, chegamos ao Parking Turístico e nossa guia local será a Patrícia, brasileira, com rádios para nós. Passaremos uma hora em Pompeia. Ainda não entramos no sítio arqueológico, com escavações e ruínas. O calor e o sol prometem, tem que se proteger com chapéu. A caminhada será árdua. Eu e o Carlos estamos de tênis e bota. Ficamos no Cellini Coralli e Cammi Factory para compras de corais, cafés, banheiros etc. No Cameo Art, o senhor nos mostra como colocar fotos em camafeus e em conchas. Loja fabulosa, embaixo no mármore branco. Vemos obras de arte em conchas. Olhamos com admiração. Em grupos grandes, esperamos ali perto abrirem o portão do local, somos os primeiros, praticamente. No final, vale a pena acordar cedo. Aproveitei para conversar com um casal de alemães simpáticos, bem viajados e vividos. Estavam viajando de motorhome, facilidades da Europa. A multidão continua na espera. Duas pessoas do nosso grupo foram chamadas a mostrar os passaportes, é aleatório.

Ruínas em Pompeia-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

Vamos ao passeio. São 66 hectares, 47 escavados. A erupção do monte Vesúvio, localizado na baía de Nápoles, ocorreu em 79 d. C., a 10 km da cratera. Foi a maior erupção desde a pré-história, a 30 km de altura, uma força de várias bombas atômicas, ficou noite por três dias por causa das cinzas. Também a cidade de Herculano foi atingida. 2 mil pessoas foram soterradas e enterradas por cinzas, pedras-pomes e pedrinhas. Morreram por gases tóxicos, a lava a 400º C. Com as primeiras lavas, a cidade foi enterrada. As lavas não chegaram onde estamos no momento. Os corpos que veremos no museu são moldes feitos pelo homem. À época Tito era o imperador. Seria muito caro reconstruir, segundo ele, então deixou como estava. Passou uns 1600 anos esquecida. Foi o rei espanhol Carlos III, de Bourbon, que dá início às escavações. Lembrando que à época o sul da Itália era dominado pelos espanhóis. O site www.nationalgeographic.brasil.com diz que o local foi encontrado no séc. XVII, soterrado por pelo menos 6 m de cinzas vulcânicas.

Pompeia era importante, tinha um porto, vivia de comércio. O site Nostrali nos conta que é situada em uma planície fértil, próxima ao rio Sarno. Ocupava uma localização estratégica dentro do Império Romano. A 30 km de Nápoles, na região da Campânia.

Em https://brasilescola.uol.com.br, descobrimos mais sobre a história do lugar. Os historiadores apontam que a região começou a ser habitada por volta da idade do Bronze (entre 3.000 e 1.200 a. C.). Antes dos romanos, a cidade foi ocupada pelos oscos (um povo que habitava a Campânia), gregos, etruscos e samnitas, antes de finalmente ser conquistada pelos romanos. Aí se inicia o período de maior prosperidade da cidade. Como ficava às margens do Mediterrâneo, era utilizada para realizar o transporte de várias mercadorias. Durante o séc. I d. C., Pompeia possuía 12 mil habitantes aproximadamente nos meios urbanos e 24 mil na zona rural.

Os romanos chegam em 3 a. C. O edifício Quatripórtico dos teatros. Corredor, com colunas e tetos. Arquibancadas. Zona dos teatros. Em 2 a. C. foi erigido. O foyer dos teatros, mas mudou de função. 17 anos antes da explosão do Vesúvio, houve um terremoto que abalou toda a área do golfo de Nápoles. As pessoas achavam que era uma montanha fértil, não imaginavam que fosse um vulcão e nem o perigo iminente. Na verdade, estava acordando por meio dos tremores de terra que destruíram o quartel dos gladiadores. Eram escravos e ficavam presos nas celas. Era um teatro. Os arqueólogos encontraram armas ali, hoje estão expostas em Nápoles. A estrutura que vemos é original, mas houve reconstruções modernas. Tijolos usados na época. Anfiteatro com degraus para espetáculos exclusivos. Os romanos criaram a numeração dos assentos.

Via Stabiana, a segunda avenida mais importante de Pompeia. Dividia a cidade em norte e sul. Cruza perpendicularmente a Via da Abundância, formando o coração da zona comercial da cidade. Tinha sete portas. Rua na pedra, três pedras grandes eram as faixas de pedestres. O Google.com destaca a estrutura romana: a rua mostra claramente as calçadas elevadas, as pedras de travessia para pedestres e as guias de pedra que facilitavam o tráfego de carroças. A guia prossegue: as cidades sujas eram limpas. Chovia e os moradores passavam pela faixa de pedestres na altura das calçadas. Ela mostra as marcas das carroças em que os escravos subiam a ladeira, a colina. A pedra retinha a água. Os romanos eram engenheiros. Lojas, casas, edifícios públicos. Entrada com uma porta com tora de madeira. Restaurantes tinham um balcão para a venda de comida rápida e vinho, com braseiro. Comiam durante o dia. Iluminação ruim, o jantar era a principal refeição em casa. Os ricos tinham casas com dois pisos (domus), eram maiores e tinham escravos. Os pobres moravam apertados no primeiro andar, as construções não existem mais. Pão era para ricos e pobres, as padarias faziam farinha com seus moinhos. Totalizavam 36 padarias. O pão era muito comido.

A avenida, Via da Abundância, cortava a cidade leste/oeste. Segundo o Google.com, era a mais importante e central de Pompeia. Funcionava como principal artéria comercial e urbana, conectando o Fórum (centro político) à parte leste da cidade, passando por diversas casas aristocráticas, lojas e termas. Que lugar surpreendente, era enorme. Seriam necessário mais dias para conhecer o parque arqueológico.

Termas Stabiane-Pompeia-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

As termas eram limpas, espaços públicos e privados. As casas ricas tinham termas particulares. Termas Stabiane. O Google.com nos conta que são um dos complexos termais mais bem preservados, com decorações e afrescos originais. A guia Patrícia continua a informar: forno, calor pelos buracos nas paredes, parede dupla, piso duplo que esquentava a terma. Havia o calidário (lugar da água quente), frigidário (água fria) e o tepidário (banho morno). O sistema de estrutura dupla é ainda usado na Europa. As termas eram um espaço social para reuniões, como clubes. Havia um espaço enorme e ginásio. Vestiário com serviço de massagem.

Interessante notar que prostíbulos populares eram legalizados. Existiam em bares e casas também. O local era marcado com a figura de um órgão sexual masculino em cima da porta. Diga-se de passagem que significava prosperidade. Tríapo era o deus da fertilidade na mitologia grega e romana, e associado à agricultura e virilidade masculina. Eis o Lupanar, localizado no Regio VII do parque arqueológico. No bordel antigo, havia camas e pinturas eróticas nas paredes. Os marinheiros chegavam à cidade e seguiam as setas para o local. De acordo com o site http://www.tudosobrenapoles.com, é um dos pontos que mais chama a atenção dos visitantes. Também acrescenta que o valor do serviço oferecido no local é impactante, pois equivalia uma hora com uma “lupa” (como era conhecida a prostituta) a uma taça de vinho.

Nosso grupo está na Via da Abundância no momento. Vemos uma fonte de água com chifre e frutas. Nós caminhando e olhando para baixo, afinal as ruas são de pedras. Quanto maior o fórum, mais importante era a cidade. Fórum de circulação de pedestres com blocos obstruindo os carros. O mesmo site informa que era o coração da cidade e o centro da vida política, social e religiosa. Havia um grande mercado de peixes, um edifício de administração pública, e templos religiosos. No centro da cidade a imagem de Júpiter.

Vemos o Templo de Apolo, situado nos arredores do fórum. Dedicado ao deus Sol. O site www.tudosobrenapoles.com adiciona o Orto dei Fuggiaschi ou Jardim dos Fugitivos, onde se encontram cadáveres petrificados dos antigos habitantes da cidade que não foram capazes de escapar do Vesúvio. O Teatro Grande, construído no séc. II a. C., tinha capacidade para mais de 5 mil pessoas e era o lugar de diversão preferido dos moradores. A Casa del Fauno, conhecida como a casa com uma pequena escultura de uma de suas fontes, ainda se conserva como uma das mais luxuosas de Pompeia. O site faz um comentário digno de nota: você fará uma viagem no tempo ao passar por ruas de paralelepípedos que antigamente eram cheias de vida e que depois da tragédia foram sepultadas pelas cinzas e presas em uma imobilidade eterna que as conservaria até o final dos tempos. A cidade é Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO desde 1997.

Conforme o site https://brasilescola.uol.com.br, registros datam atividades vulcânicas do Vesúvio entre 1631 e 1944, sendo a última erupção em 1944. Atualmente, permanece adormecido, porém pode sim, voltar à atividade, por isso a cidade é monitorada pelo governo.

No Antiquarium, moldes de corpos-Pompeia-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

As lavas expelidas pelo vulcão eram de cinza, pedra-pomes e pedrinhas, leve, poroso, quente, depois que esfria, cola. Fica a capa de material vulcânico. Um século depois, em 1860, o arqueólogo cria uma técnica para entender a capa. Santuário de Vênus, deusa do amor, foi destruído no terremoto antes. Deusa padroeira. No museu Antiquarium, os moldes dos corpos. Passamos por loja, mesa com objetos encontrados e a mesa de sacrifício de animais com presentes de ex-votos pelas graças recebidas. Incrível. Vemos mais escavações. As visitas vão de 1 h a 5 h. ou mais. A nossa guia local trabalha há 10 anos no lugar, nos diz que a Pompeia nova tem 700 mil habitantes.

O site https://brasilescola.uol.com.br nos ensina que a erupção com cerca de 4 km³ de cinzas e rochas enterrou a cidade e aproximadamente 2 mil pessoas sucumbiram sob várias camadas piroclásticas (conjunto de gás quente, material vulcânico, cinzas e fragmentos de rochas). A cinza se espalhou por Pompeia, petrificando-a e conservando os corpos. Os moradores que não foram desintegrados pelo calor proveniente do vulcão morreram em decorrência dos gases tóxicos, além de serem cobertos por uma nuvem de sílica e óxido de cálcio. Essas substâncias, ao interagirem com o vapor de água do ar em meio ao calor, formaram uma espécie de cimento (de caráter bem rígido), que envolveu o corpo das pessoas. Esse cimento preservou os corpos de muitos habitantes, marcando o momento em que morreram.

Pompeia impressionante. Prosseguiremos com Nápoles.

Bela Itália-Sicília-Palermo-dia 7

Bela Itália-Sicília-Palermo-dia 7

Hoje é dia 11 de outubro de 2025. Estávamos em Monreale, agora descemos a Palermo às 10h40. De acordo com o folder da Europamundo, a capital siciliana é uma cidade cheia de contrastes com histórias dos árabes, normandos e do esplendor barroco. Estamos com a guia Alessandra no momento.

Vemos a Porta Nova. Teremos momentos para compras, segundo a nossa guia Sabrina, bom lugar para fazer isso, pois os preços são mais em conta. Veremos a Catedral de Palermo, mais bonita por fora do que a de Monreale. Do séc. XII, ambas, de família real normanda. O exterior é espetacular, seu interior foi reformado no séc. XIX e seguiu o estilo neoclássico, mais sóbrio e simples. Mudou o aspecto por dentro.

A capela de santa Rosália, padroeira da cidade, tem seus restos mortais em uma urna de prata. O carro da santa ao lado, usado para a procissão e relicário. Ela vinha de família nobre, rica, aparentada da família real normanda. Estamos falando do séc. XII. Ela nasceu em Agrigento, deixou sua riqueza para se dedicar a Deus e entrou no convento de clausura. Cuidava dos enfermos, foi venerada ainda em vida. Na última parte de sua existência, viveu como eremita em uma gruta no monte Pellegrino, a 430 m. de altura. Quando morreu, foi declarada santa pela população. A Sicília já deu à Itália algumas santas: Rosália e Olívia de Palermo, Ágata de Catânia, e Lúcia de Siracusa.

Em 1647, a peste bubônica chega a Palermo pelos barcos infestados de ratos. Difundiu-se rapidamente e muita gente pereceu. Procissões eram feitas para pedir milagres. A guia nos conta que um dia um homem, caçador na montanha, teve uma visão com Rosália e ela pediu que ele pegasse seus restos mortais na cova e os levassem à cidade para uma procissão. Fizeram a primeira e em 3 dias a peste desapareceu e as pessoas se curaram. Eis a única padroeira de Palermo. A cada 15 de junho, dia do descobrimento das relíquias, a santa é celebrada, mas a procissão ocorre no dia anterior, com o carro representando um barco, já que a peste chegou pelo mar, com a santa em cima. Triunfo da santa sobre a peste. No evento há músicas e espetáculos, a noite é costeira. Por duas horas fogos de artifícios são lançados no mar.

A cova no monte virou o santuário de santa Rosália, construído em 1625. Os peregrinos sobem a pé para pedir milagres, proteção contra enfermidades e levam oferendas em prata e partes do corpo enfermo. Nas paredes e ao redor, existem oferendas pessoais. Em 4 de setembro, dia do seu falecimento, ou em qualquer outro dia do mês, há peregrinação, já que era uma santa peregrina.

Hora de continuar nosso percurso. No ônibus recolhemos uma contribuição para a guia Sabrina, o que é de praxe em excursões. Ela mereceu.

Prédios antigos com sacadas, muitas árvores. Depois da visita à catedral, teremos tempo livre. Porta Nova. Palácio do Governo. Palácio Real ou dos Normandos, sede da Assembleia Regional da Sicília. Com a sua capela Palatina. Diz a guia Alessandra que Carlos V, o Sacro Imperador Romano e Arquiduque da Áustria, derrotou os árabes em Túnis em 1535. 852.768 mil habitantes em Palermo. Depois da Porta Nova, se chega a mais antiga rua: Vittorio Emanuele. Palácio Episcopal ao lado da Catedral de Palermo. Sempre aglomerações, a guia lembra para tomar cuidado com pickpockets (batedores de carteira).

Chegamos à Catedral, o Duomo de Palermo. É incrível. O carro de santa Rosália, neste ano não tiveram dinheiro para fazer grandes modificações nele. A catedral é enorme, sem palavras para descrevê-la, parece um castelo árabe. Na verdade, era uma catedral que virou mesquita e depois voltou a ser catedral, sendo que a construção de como a vemos hoje é do séc. XII. O pórtico estilo gótico-catalão, a cúpula do início do séc. XVIII, neoclássica, a reformaram porque era antiga e queriam que fosse um estilo mais elegante e sensível diferente do exterior. Sete séculos entre o interior e exterior da catedral. Na primeira coluna do pórtico, uma parte do Corão em árabe. Dentro a capela de santa Rosália em prata. Sua imagem, tendo na cabeça uma coroa de rosas. Seu restos mortais estão lá.

Multidão, como sempre. No chão, um relógio astronômico, com os signos do zodíaco, algo considerado profano. O sol entra pelo buraco e indica o signo correto. Era moda nas catedrais italianas de antigamente, se vê na de Bolonha.

O beato Giuseppe Puglisi, morto pela máfia, tem uma capela de mármore rosa. Foi assassinado, porque salvava as crianças da máfia. Em 2013, beatificado pelo papa Francisco. Vemos também quatro tumbas de reis e rainha: Rogério II, Frederico II, Constança II e Henrique VI (imperador do Sacro Império). À época era o reinado das Duas Sicílias: Campanha e Sicília. A guia Alessandra foi embora, assim como três argentinos simpáticos.

Às 13 h entramos no ônibus para o centro. Tempo livre de umas 4 horas para passear. A pedonal é boa para caminhadas. Na livraria Paulinas, comprei um santinho de santa Rosália. No calçadão, restaurantes, bistrôs, lojas, feirinha, lavanderia. Enorme a avenida. Pedimos por ali um café americano e fizemos compras no A´ Putia Sicula, com um pátio dentro e outras lojas. Para aproveitar os banheiros. O táxi tuk tuk Piaggio laranja, uma graça. Maravilha de rua. Vemos motocarrozzetta, divertido. Aquele tipo de veículo com três rodas, uma moto acoplada em um cubículo para um passageiro.

Chegamos ao Teatro Massimo usando um mapa. Debaixo do teatro, a Via Macheda à esquerda. Bares, restaurantes, lojas baratas. Mercado do Capo, melhor frequentar esse. O outro Ballazzon tem pickpockets, de acordo com a Sabrina. Comer, passear, de olhos abertos. Com multidão não se brinca. Á esquerda, Via Ruggero com suas lojas de marcas. Na frente, o Teatro Massimo, onde foi gravada a cena do Padrinho, quando a filha morre, no filme icônico O Poderoso Chefão/The Godfather.

Outro teatro, Politeama. Andamos até os Quatro Cantos, lugar obrigatório, uma vez que são quatro prédios barrocos da época de D. Philippo III. A rua é uma festa. Na Via Maqueda, 253, cheia de gente passando no calçadão, escolhemos o Maqueda Bistrot para se deliciar com uma pasta carbonara e uma com molho de tomate e berinjela, e um chope, mais limoncello (liquor). Rua para compras com muitas opções de lembrancinhas. Cannolo/cassata siciliana, doces típicos. Muita mulheres “de idade” viajando juntas. As estampas coloridas nas roupas de limões sicilianos são demais. Provamos o granite siciliano de morango. €3 (euros). Granite: gelo e sorvete. Leve. Pouco açúcar. Gostei, refrescante, falta provar a cassata.

A gente atravessa a rua e estamos na Via Ruggero (Rogério) com lojas mais conhecidas, como Zara, Calzedonia, Sisley, H&M. A nossa guia Sabrina ganhou uma boneca a “cara dela” e a nomeou de “Sabrina” e juntamente com o boneco Mário e um apito são usados para chamar a nossa atenção. Uma figura! Saímos às 17h30 para pegar o ferry no porto e pernoitar ao som das águas do Mediterrâneo, estamos partindo para Nápoles. Zarpa às 20 h. As embarcações marítimas, como a nossa, são modernas, grandes e com todas as comodidades: bares, restaurantes, salas de festa, lojas, enfim, um espetáculo.

Prosseguiremos em breve.

Bela Itália-Sicília-Palermo e Monreale-dias 6 e 7

Bela Itália-Sicília-Palermo e Monreale-dias 6 e 7

Hoje é dia 10 de outubro de 2025. Saímos de Erice e vamos rumo a Palermo, capital da Sicília. Estamos no ônibus com o grupo da Europamundo, com a guia Sabrina e motorista Alberto.

Nas placas nas estradas não aparecem a distância entre as cidades, como no Brasil. Estamos passando na região de Isola delle Femmine, arredores de Palermo. A guia nos conta sobre o golpe cruel para o Estado que combatia o crime organizado em 23 de maio de 1992, quando uma explosão potente nesta mesma estrada que vai ao aeroporto de Palermo, atingiu o juiz anti-máfia Giovanni Falcone, sua esposa e 3 pessoas da sua escolta. No km 5 uma carga imensa de explosivos provocou um buraco de 1 m de profundidade. Falcone era símbolo da luta contra a Cosa Nostra. A máfia estava inserida nas altas esferas do governo. Cem mafiosos haviam sido condenados. O juiz voltava de uma viagem de final de semana a Roma pelo aeroporto Fiumicino em um avião repleto de políticos. Não sabia que estava em perigo, saiu do aeroporto de Palermo em carros.

O aeroporto de Palermo se chama Punta Raisi, ou hoje, oficialmente, Falcone-Borsellino. Um carro os segue na lateral, quando o carro de Falcone diminui a velocidade, a 8 minutos, km 5 da A-29, há um cruzamento. Na casa branca na montanha ao lado, o botão da explosão foi apertado. Ele não morreu, se golpeou no asfalto. Os da frente morreram na hora. Foi ao hospital e morreu pelas feridas no crânio. A detonação foi terrível, acionada por controle remoto. A Wikipédia acrescenta que foi uma carga de 1000 kg de TNT, previamente colocada no túnel de drenagem sob a rodovia. O italiano não quer a máfia. Aos funerais compareceram personalidades importantes e imagens das viúvas dos guarda-costas apareceram na tela. Passamos por dois obeliscos, um de cada lado da estrada, em homenagem aos mortos.

A máfia no passado se encarregava das cidades. Falcone era muito amigo de Paolo Borsellino, que estava com outras pessoas e também foi morto 52 dias depois. Borsellino sabia que estava marcado para morrer.

Eis a Palermo da Cosa Nostra, mas com pessoas de coração grande. Não se pode estacionar um ônibus sem pagar para a máfia, assim como quando os negócios são abertos, também pagam. A Polícia e o Estado não fazem nada, eis o sul da Itália, segundo nossa guia. As funerárias foram o primeiro negócio da máfia, são da mesma família de Nápoles. O caguete ou delator, eles chamam de “arrependido”. Antes não matavam crianças, mulheres e religiosos. Porém, tudo mudou quando mataram um padre (cura) de nome Giuseppe Puglisi (beatificado pela igreja Católica), aí desrespeitaram seu pacto. Perto do hotel, foto de Falcone e Borsellino.

A Wikipédia salienta que o juiz Falcone (Palermo, 1939-Isola delle Femmine, 1992) havia recebido prêmios no mundo todo pela sua imparcialidade, foi assassinado por Giovanni Brusca a mando do mafioso Salvatore Riina. A operação Mãos Limpas começou depois de sua morte. Já Paolo Borsellino era procurador e também estava engajado no combate à máfia.

Chegamos a Palermo. O hotel enorme perto da praia: San Paolo Palace. Jantar às 20 h. Café da manhã entre 7 e 9 h, sairemos às 9 h. O jantar foi de salada com queijo de búfala e tomate, o peixe muito bom. O grupo na mesa estava divertido e de bom papo com o Nilson, Glória, Juliana e outros. O visual da janela: barcos no mar. Lindo. Demos tchau pra nossa companheira de viagem Ana Maria e três argentinos legais. O hotel San Paolo Palace precisando de mais cuidados, uma vez que recebe muitos grupos de turistas. No mais, o chuveiro ótimo.

Dia 11 de outubro de 2025. Palermo. O pão do café da manhã delicioso. A farinha é diferente da do Brasil. Conversamos com a Maristela e Vilmar de Florianópolis-Santa Catarina. Pessoal legal. Os elevadores são poucos nos hotéis, o grupo vai se conhecendo aos poucos. Hotel lotado.

Vamos em direção a Monreale. Estaremos com a guia Alessandra e auriculares, como sempre. Saindo do hotel, a marina e suas palmeiras chamam a atenção. No ônibus, mais papo com a Roseli e Liliane, umas queridas. A cidade vai melhorando e se tornando muito agradável com árvores e prédios antigos. A impressão de entrada em Palermo não foi positiva.

O centro da cidade com seu “casco” antigo. Catedral de Palermo, zona comercial com lojas modernas. Vamos direto a Monreale, uma comuna (cidade), 10 km de Palermo, declarada Patrimônio da Humanidade (UNESCO) pelo seu conjunto arquitetônico. Tem prefeitura. Lá está a Catedral de Monreale, separada da de Palermo. Do séc. XII as duas. Quando os normandos, católicos, conquistaram a Sicília, erigiram as catedrais.

Dois irmãos queriam construir duas catedrais preciosas, a de Monreale, mais bonita por dentro e a de Palermo, por fora. Estamos em Monreale. Tribunal de Justiça, cidade antiga com muralha, única de proteção feita pelos fenícios. Aliás, Palermo foi fundada por eles, que eram comerciantes, então Palermo virou um dos mais importantes portos do mundo antigo em 8 a. C. Vemos onde passava a muralha, com a Porta Nova, onde estava a antiga. Praça Independência, rua mais larga que conecta Palermo a Monreale. Por aqui se pelearam Garibaldi e a dinastia real dos Bourbons.

Antes não havia nada, só a finca real dos reis normandos. Palácios foram edificados para se refrescarem dos calores sicilianos, era fora de Palermo, hoje é continuação. 764 m de altitude o monte Caputo.

A Wikipédia destaca que a lenda narra que certo dia Guilherme II (da Sicília) adormeceu sob uma árvore no campo e em sonho lhe apareceu a Virgem Maria que disse: “Neste lugar onde dormes está escondido o maior tesouro do mundo. Escava-o e com ele constrói um templo em minha homenagem”. Seguindo o mandado, ao acordar o rei ordenou que assim fosse feito e ali encontrou um tesouro de moedas de ouro, empregadas na construção do santuário. Para a decoração foram chamados mestres árabes, venezianos e bizantinos especializados na técnica do mosaico, cobrindo o abside (semicúpula hemisférica, típica bizantina cristã primitiva) e as paredes com painéis de excepcional valor artístico. A guia conta que ele gastou muito e desta forma começou a história da Virgem Maria.

Ao redor, se desenvolveu o vilarejo de Monreale. Os primeiros habitantes foram os que ergueram a catedral, eram árabes e bizantinos. Os normandos integravam os impérios em paz. Havia catedrais e igrejas, sendo que havia uma mescla de culturas na catedral. Árabes e normandos com religiões diferentes, eram muçulmanos e católicos ortodoxos e cristãos.

Estamos percorrendo a rua de ônibus. O entorno muda para verdejante. Escadas para subir ou táxis para Monreale. Vemos vendas de cebolas. Montanhas e verde. Vale Dourado, cheio de cítricos (limões) e quatro rios antigamente, hoje área verde onde muitas pessoas vivem com tranquilidade, era uma muralha natural o vale, com água e protegida. Depois da visita, sairemos às 10h40, pois haverá um casamento na catedral, decorada, às 11 h. Vemos edifícios por aqui.

Estamos a pé. Subida com esforço, na escada, várias vendas de lenços, bijuterias, lembrancinhas e muito mais. Vemos o símbolo da Sicília: de acordo com o site Descobrindo a Sicília, a Trinácria é uma cabeça de medusa com três pernas dobradas, importante para os sicilianos e usada como amuleto. No percurso, há três promontórios e três portas. Muito comum encontrar a cabeça da medusa, da mitologia grega, que transformava em pedra a quem a olhava nos olhos.

Catedral de Monreale, lotada. Segundo a Wikipédia, a catedral Santa Maria Nova, uma das mais importantes construções sacras da cultura normanda na Itália. Foi construída em 1174. É Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2015 como parte do itinerário árabe-normando de Palermo. Tem uma porta preciosa, por fora, uma gravura original do século XVIII, gravada por Philibert-Louis Debucourt (1771-1801), que representa um grupo de caça na floresta intitulado “A Caçada”, feita a partir de uma pintura de Carle Vernet (1758-1836). Localizada na praça Guilherme II. Entrada com a estátua do rei e da Virgem Maria. Em estilo bizantino com ouro. Na capela-mor, a joia da arte árabe-normando: Cristo Pantocrator (Cristo Criador de Todas as Coisas), conforme o site www.historiadasartes.com, com a Virgem e o Menino, santos e anjos abaixo.

O órgão é digno de nota. O site http://www.wineinsicily.com destaca que foi construído pela firma Rufati, de Pádua, entre 1957 e 1967. São seis teclados com 61 teclas cada, 10 mil tubos de madeira e metal, subdivididos em três corpos sonoros; o console é, entre os que se movem, o mais largo do mundo, e existem 400 comandos ou paradas. Segundo a guia Alessandra, o som se distribui em diferentes lugares e acrescenta que três organistas são chamados para tocar em ocasiões de concertos. Vem organista do mundo todo, em bodas só usam um.

No chão, mármores do Egito usados nas tumbas dos faraós. Guilherme I, o pai do fundador, El Malo (O Mau), não gostava do povo. Guilherme II, El Bueno (O Bom). Morreu aos 36 anos. Não esperava morrer, a sua tumba foi feita pós-morte de mármore de carrara. A Virgem do Povo, do final de 1400, venerada. Uma capela dentro, no séc. XVII foi finalizada com mármores. Na frente à direita, o trono do rei, com escada para a sua coroação: “Sou rei por vontade divina”. Ao lado, o trono do bispo, mais simples que a do rei. Cenas do Novo Testamento: lava-pés, beijo de Judas, ressurreição de Cristo, são Pedro (em dourado) no trono. Pedro crucificado de cabeça para baixo, não quis morrer como Cristo.

Praça Via Emanuele. A descida pelas lojas e vendas. Compramos camisetas, chocolates, panos de prato. Preços módicos. Tudo colorido, chapéus, roupas, xales pashminas. Poucos banheiros públicos na vila: €1 (euro), pias com manivelas em todos os lugares na venda de frutas, no estacionamento, €2 (euros) o suco de laranja com sumo de limão. Delícia.

Continuaremos com Palermo.

Bela Itália-Sicília-Marsala e Erice-dia 6

Bela Itália-Sicília-Marsala e Erice-dia 6

Hoje é dia 10 de outubro de 2025. De Agrigento, vamos a Marsala, cidade do vinho, e a Erice, localizada no alto de uma colina e defendida por muralhas. Em 2 horas e meia chegaremos a Marsala. Estamos no ônibus com o grupo da Europamundo, guia Sabrina e motorista Alberto.

A guia nos informa com detalhes sobre a região. Porto de Marsala. Vemos praias com praga de algas, tudo marrom a princípio. Ilha de Lampedusa, de onde chegam os imigrantes do norte da África e de conflitos, procurando uma vida melhor. Segundo a Wikipédia, é uma ilha do arquipélago das ilhas Pelágias no mar Mediterrâneo. Passou de paraíso turístico a foco de crise humanitária. Porto de Empedocle. O site Direct Ferries diz que liga a Sicília às ilhas Pelágias. Na província de Agrigento, eis uma pequena e adorável aldeia imersa no mar (fonte: ForBookinglovers.com). Já Youontour.it nos conta que Porto Empedocle e sua Via Roma, o porto e os locais fazem parte de muitos dos livros do escritor Camilleri e têm inspirado seu principal personagem, o Comissário Montalbano, um investigador sempre trabalhando em um novo caso em Vigata (Porto Empedocle) e Montelusa (Agrigento). Sou leitora dele, por sinal.

Siculiana, povoado parecido com Caltagirone, tem um presépio famoso de Natal. E sorvetes também. O site https://descobrindoasicilia.com adiciona que é uma cidade antiga fundada por árabes no séc. X a. C. No centro histórico, há museus, castelos e arte ao ar livre. Ao redor, praias, reservas naturais e a famosa Scala dei Turchi. Ou seja, a Montanha dos Turcos (ou Escada dos Turcos). Trata-se de uma formação rochosa impressionante localizada na costa sul da Sicília, entre Realmonte e Porto Empedocle. Fica a 13 km de Agrigento. Ficará fechada por um período indeterminado, devido a desmoronamentos, uma vez que são falésias formadas por uma rocha chamada marga, composta de calcário e argila, e parece feita de gesso. Em www.dicasetricas.com, descobrimos que a luz do sol reflete as rochas durante o dia, criando uma variedade de tons que vão do branco brilhante ao azul profundo do mar, proporcionando um espetáculo visual inigualável.

Praias à esquerda maravilhosas. Terra seca, a água Sabrinella vendida pelo motorista do ônibus a €1 (euro). Nós viajantes, agradecemos. 25º C, dia ensolarado.

Marsala, terra do vinho fortificado. O site DiVinho esclarece que é apreciado como um aperitivo, ou acompanhando sobremesas. Uva especial em uma franja de terra, mais alcoólica, pela região ter muito sol. Paisagem adiante muda com os pinhos, fica mais verde.

Um pouco de história, conforme a guia Sabrina. Em 1816 foi fundado o Reino das Duas Sicílias, no sul da Itália, compreendia os antigos reinos de Nápoles e Sicília debaixo da Casa Bourbon, por Fernando I. Decisão tomada depois das guerras napoleônicas. Fernando II, rei das Duas Sicílias de 1830 até sua morte em 1859. Mais extenso reino antes da unificação em 1860. Pós-unificação foi feita a abolição do feudalismo, desenvolvimento da infraestrutura, tentaram modernizar com reformas a Sicília. Foi o primeiro estado com uma constituição. Giuseppe Garibaldi chegou ao porto de Marsala com 1000 voluntários em 11 de maio de 1860, conhecidos como Camisas Vermelhas. Expedição dos Mil. Ajudou com o processo de unificação do país. A guia nos dando aula e nós vendo um mar de parreiras. Continuando. Francisco II, último rei de Nápoles, pediu ajuda de estrangeiros, mas não recebeu, logo o reino das Duas Sicílias foi anexado. A Wikipédia menciona que se trata de um célebre episódio do Risorgimento italiano. Antes, eram pequenos Estados submetidos a potências estrangeiras. Na luta sobre a futura estrutura da Itália, a monarquia constitucional, encabeçada pelo rei Vittorio Emanuele II, do Reino da Sardenha, apoiada pelos conservadores liberais, teve sucesso quando em 1859-1861 se formou o Estado-nação. Detalhe: a parte sul do país foi abandonada pós a unificação, era mais rica, porém com a unificação em 1860, empobreceu.

Porta Garibaldi-Marsala-Sicília-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

A Sabrina fala sobre a cidade. Porta Garibaldi, majestosa. Povoado de pescadores. Estilo árabe, casas pequenas. Vive da pesca e do turismo. A lagoa de Stagnone, a maior da Sicília, e a salina. Produção de sal conhecido. Pessoas extraem o sal gema (marinho). De acordo com o site https://descobrindoascilia.com, pouco antes de Marsala, há essa grande lagoa que dá continuidade à paisagem de salinas com suas quatro ilhotas: Isola Grande, La Scuola, Santa Maria e San Pantaleo. “Stagnone” significa grande pântano. A lagoa é bastante rasa e seu grau de salinidade é alto.

Teremos uma parada para comer no mercado de peixes. São camarões, atuns vermelhos, ostras, dentre muitos outros. Rua principal, Garibaldi, com restaurantes. Experiência divertida com música e vitrine de peixes. Banheiros podem ser usados em bares e restaurantes, de jeito nenhum no mercado.

Não é uma boa ideia beber muito vinho em Marsala, pois a subida montanhosa para Erice tem curvas. Distância: 30 km.

Vemos o mar de Marsala. A guia nos explica sobre a origem do vinho. Nasceu nos idos de 1773, quando um inglês John Woodhouse ao levá-lo para a Inglaterra, adicionou álcool, já que a jornada era longa. Devido às guerras napoleônicas, estava difícil conseguir os vinhos portugueses e espanhóis, então o rico comerciante de Liverpool, pensou em uma nova rota. Fez sucesso.

Vemos usinas eólicas pelo caminho. Na década de 1940, o site https://desocbrindoasicilia.com cita que Vincenzo Florio, já renomado na região pelo comércio de atum, deu origem à vinícola da família Florio, tornando-se um dos produtores mais afamados de Marsala. Com sua frota de inúmeros navios, eles exportam até a América do Sul.

Entramos em Marsala. Prédios baixos e casas, de cor bege. Calor, sol, cidade plana. Feira de frutas e verduras. Simples, interiorana. Seguimos o caminho do mar. Percebemos ser uma cidade mais pobre, muitas casas fechadas. Marsa-allah, ou seja, porto de Allah, antes se chamava Lyllibaeum (“a que olha para a Líbia”), fica em frente a esse país, no norte da África. A ilha de Mozia em frente. Era colônia fenícia, invasões de piratas depois das melhorias feitas. Fenícios, gregos, sarracenos. Vemos algas na beira da praia. Ilha Favignana. Erice em cima, se vê da costa.

Moinhos de vento eram usados para moer o sal. Hoje, decoração. Temos 1 h e meia para o almoço. A guia sugere o atum vermelho, a Cantina Florio e o sorvete com brioche de sobremesa.

A cidade muda para melhor quando a conhecemos mais. Estamos a pé. Decidimos não comer no mercado. Seguimos adiante. E encontramos o restaurante Da-Totò Risto Bar na rua Al Marsala. O centro histórico é atraente com seu calçadão e muitas opções de lugares para comer. O garçom que nos atende é sozinho para tudo, logo não foi simpático. Estávamos em mesas fora do restaurante, no calçadão, do outro lado. Pedimos água tônica e almoço de salada de alface e peixe-espada com passa de uva ao molho de soja e nozes. Uma delícia! Encontramos companheiras da nossa excursão lá.

Para a sobremesa, rumamos à sorveteria Millegusti, na Via Delle Sirene, 3, esquina com Scipione L´Africano. Nosso pedido foi um sorvete de limão e macarena, o brioche com sorvete ficou na vontade, era muito doce. Aliás, o gelato italiano é demais: €3 (euros). O grupo todo estava no local com a guia. Voltamos ao ônibus.

Monumento de Garibaldi, um mastro e uma bandeira. Outra porta de Marsala. Ilha Mozia. Em https://descobrindoasicilia.com, aprendemos que na verdade, a ilha se chama de Pantaleo que era a cidade fenícia de Mozia. Marina, salinas, salina Gella. A água do mar entra nas piscinas e o sal fica. Salina Ettore. Montes de sal. Sal de Marsala.

Erice-Sicília-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

Subimos a montanha onde se situa Erice, no topo do monte Erice. Tem um povo bonito de origem fenícia, segundo o informativo da Europamundo. Ruas com pedras. Pré-história, Idade Média. Muito vento, umas várias igrejas. Montanha habitada desde a idade do bronze. Povo Elimiano ou elímio, fundador. Santuário dedicado à beleza/amor/fecundidade (Vênus/Afrodite). As sacerdotisas se entregavam sexualmente por meio de rituais e práticas religiosas. Santuário rico. Ruas de inclinação acentuada. Porta Trapani, medieval. A torre sineira separada do campanário.

De acordo com o site, https://descobrindoasicilia.com, foi fundada pelos elímios no séc. VII a. C. A mitologia conta que Erice deriva de Éryx, filho da deusa Afrodite e do rei Butes. Elímios, fenícios, gregos, romanos adoraram deuses pagãos. No período romano, todos os anos milhares de peregrinos visitavam o santuário de Vênus para participar de rituais que incluíam a criação de pombos e a prostituição “sagrada” das hierodulas (meretrizes compradas para serem oferecidas a Vênus). Enfim, na era cristã, Erice continuou importante do ponto de vista religioso, pois ali, moraram normandos, suábios e espanhóis que construíram mais de 60 igrejas. As muralhas da cidade são muito antigas, da época elímio-púnica (séc. VIII a. C.). Erice é um dos lugares que ainda mantém o fascínio medieval.

O mesmo site acrescenta que o cartão-postal da cidade é o Castelo de Erice ou de Vênus, uma fortaleza construída pelos normandos, bem onde surgia o templo de Afrodite, entre os séculos XII e XIII. A igreja Matriz foi feita em estilo gótico, sob ordem do rei Frederico II de Aragão, em 1312, utilizando material proveniente do templo de Vênus. Já a torre remonta aos séc. IV ou III a. C., o período em que Roma combatia Cartago pelo domínio da área do mar Mediterrâneo, mas teria sido reconstruída no final do séc. XIII, também sob ordem de Frederico II, tornando-se posteriormente, o campanário da igreja.

Os pastéis genovesi são uma instituição siciliana. Cerâmicas, castelo em cima. A guia nos conta sobre os afamados pastéis. Maria Grammatico criou. De família pobre, a mãe a colocou em um convento por pobreza. Ela deixou o monastério e abriu uma pequena confeitaria que cresceu, se tornou ilustre e uma marca de Erice.

Que visual lindo! Mar lá embaixo, montanhas, cidades. A Sabrina coloca músicas que elevam o espírito. Subida íngreme. Para o ônibus passar, os carros que descem param. 800 m. de altitude. O visual de baixo parece o Rio de Janeiro, com a baía de Guanabara e o Pão de Açúcar nas devidas proporções. Diferente e parecido ao mesmo tempo. Com ilhas, uma fábula. Subiam a cavalo anos e anos atrás. Lugar precioso. Os napolitanos visitam no verão (45º C). Bosque na entrada.

Pastéis genovesi-Erice-Sicília-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

Erice, um sonho, toda pavimentada na pedra. Prefeitura no alto na praça principal, Piazza Umberto. Há restaurante, tabacaria, lojas, ruelas. Paramos em grupo depois de uma subida com muito esforço na imperdível confeitaria, da criadora do pastel genovesi: Pasticceria Maria Grammatico. Pedi um docinho de pistache e esse pastel. Que maravilhas! De babar… Na entrada da confeitaria (sempre lotada) está escrito: “Por 40 anos os mesmos ingredientes e o mesmo pastel de amêndoa do antigo monastério de Erice. Degustações: geleias, marsala, pastéis de amêndoa e torrone. Genovesi: farinha, açúcar, margarina, ovo, creme de leite, limão”.

A Igreja do Santíssimo Salvador tem ao lado um complexo beneditino em ruínas, pode visitar pagando. Na via Giuseppe Coppola, lembrancinhas mil. Um deleite. Entre as duas portas da cidade, surge a Catedral com campanário, €2,50 (euros), a Real Duomo di Erice. Eis a Igreja Mariz de Erice com a Torre do Rei Frederico. Não dá tempo de entrar na catedral, mal dá para comprar lembrancinhas. Só 1 hora para tudo. A subida é braba. Só existe um banheiro público. €1 (euro).

A Tunísia pode ser vista do local. Pelo interior da Itália não falam inglês ou espanhol. A guia ajuda quando pode. As cidades são limpas, as lixeiras com lugares separados para tipos diferentes de lixo. Cajitos ou carrinhos decorados com desenhos de tradições sicilianas. Nos anos 60, carros e motos surgiram, então os cajitos desapareceram, viraram símbolo da cidade. Eram utilizados para entregar mercadorias e transportar pessoas no passado. Hoje é decoração.

No caminho a Palermo, outro templo: o de Segesta, além de um aqueduto. Em www.viajandoparaitalia.com.br, ficamos sabendo que é uma cidade siciliana que abriga um dos templos mais bem conservados do mundo, o Templo de Segesta, a 400 m acima do nível do mar, além das próprias belezas das construções. É a antiga capital dos elimianos (um povo de cultura e tradição peninsular, que segundo dizem, vieram de Troia). A cidade fica localizada a noroeste da Sicília, era conhecida como Egesta pelos gregos. O parque é dividido, basicamente, em duas partes: o Monte Bárbaro e o Templo. No monte se encontram o antigo anfiteatro, o Castelo e as ruínas de uma igreja.

Estamos no ônibus, cansados, mas encantados. Ufa! Quanta riqueza cultural tem a bela Itália.

Bela Itália-Sicília-Agrigento-dia 6

Bela Itália-Sicília-Agrigento-dia 6


Hoje é dia 10 de outubro de 2025. Estamos no hotel Baia di Ulisse em Agrigento (em siciliano Girgenti). O café da manhã com os nossos companheiros de excursão Nilson e Glória. Achei razoável a refeição, gostei do iogurte, mas os bolos secos e croissants grandes demais não foram tentadores. No mais, o hotel lindo, especial.


A guia Sabrina se preocupa com banheiros para a gente, muito delicado isso. Conhecer pessoas simpáticas em viagens é bom demais. Valeu, Ana Braghirolly. De dentro do ônibus, observo casas brancas, beges ou amarelas ao redor da praia, a maioria de dois pavimentos. Também comum ver a venda de colares de corais vermelhos, bijux lindas. A Sabrina é uma figura, nunca vi igual. Uma capacidade linguística invejável, criativa, simpática, justa e que “bota moral” no ônibus. Motorista: Alberto.


A cidade nova, grande, fica perto dos templos. Nos hospedamos na praia. O diferencial em Agrigento são os templos gregos. A terra é seca, de oliveiras e cactos. Antes, os templos eram abertos e de graça, hoje, não. O principal é o Templo da Concórdia, um dos melhores exemplos da Grécia antiga, símbolo da paz. Eram pagãos.

Descemos do ônibus. Na entrada, passamos pelo controle de metal. Banheiros e lojinhas ao lado. Começa o passeio. Estamos no Vale dos Templos. Colonos gregos moraram no local. Há dois rios secos. Região de agricultura. Vamos à história. Segundo a Wikipédia, a cidade foi fundada em 581 a. C. por alguns habitantes de Gela, com o nome de Acragas, homônimo ao rio que banha o território. A localização em um penhasco na costa sul da Sicília, cercado por dois rios (o Hypsas e o Acragas) era estratégica para facilitar a defesa da cidade nas épocas de guerra. A dominação grega durou aproximadamente 370 anos, período em que Acragas adquiriu grande poder e esplendor.


Continuamos nossa aventura com uma outra guia, local: a Rosa. O sol promete ser intenso. Subimos pela passagem de concreto. A pedra local, caliza, hoje, era areia antes. Os cartagineses escravos que construíram os templos. A pedra caliza se oxida e forma manchas vermelhas. Se a pedra não é limpa, fica toda negra. Limpeza de técnica antiga com fósseis triturados.


Conhecemos o Templo de Juno/Hera Lacínia, onde se casavam. Os noivos faziam uma prova antes do enlace, ofereciam um cordeiro branco e antes de matá-lo, o molhavam com força com água fria. Se ele tremesse, não havia casamento. A guia repleta de histórias, disse serem supersticiosos. Antes não havia registro civil. A boda era para a cidade toda. As mulheres tinham importância para os gregos, pois havia templo para as mulheres casadas sem filhos.


A luz do sol iluminava os templos. Só os sacerdotes entravam neles. Lugar estratégico para a construção, na colina. Árabes destruíram, porém foram refeitos acima para a defesa contra o inimigo que chegava pelo mar.
Templos protegidos pelos deuses, existiam muralhas. O Vale dos Templos termina no Templo da Concórdia. Caminho antigo, com rua usada por carros e ônibus antes, mas ao se tornar Patrimônio Mundial da UNESCO em 1997, não permitiram mais. Amêndoas florescem em fevereiro e parece neve. Panorama branco. Festa da Amêndoa em Flor em Agrigento. Amêndoas viram doces e leite.


O imperador Constantino I deu liberdade de culto aos cristãos, então não precisavam mais se esconder. Um pouco de história: conforme a Wikipédia, ele nasceu em 272 d. C e morreu em 337 d. C. Tornou-se imperador em 306 d. C. O site https://aventurasnahistoria.com.br nos conta que foi o primeiro imperador romano convertido ao cristianismo, sendo responsável pelo fim da proibição do culto no início do séc. IV, fato que fez seu nome entrar para a a História. Ele fundou uma nova capital Constantinopla (atual Istambul), que se tornaria um centro importante para o cristianismo e a cultura ocidental.


Vemos as tumbas arcosolium (catacumbas dos cristãos), escavadas na rocha, ou Necropoli Paleocristiana (cemitério dos primeiros cristãos), do séc. IV e VII d. C. Os mortos ficavam dentro e se fechava com uma laje horizontal que repousa em um nicho, rebocado e pintado com um teto arqueado. A guia Rosa menciona as flores para melhorar o cheiro. Quando alguém morria, a Morte entrava e levava a pessoa, por isso o uso do preto a fim de se esconder da Morte.


Muralha convertida em cemitério, um memorial. Jardins da Memória, instituído em 3 de dezembro de 2015. Ou Il Giardini dei Giusti di Tutto il Mondo, quer dizer, o Jardim dos Justos de Todo o Mundo. Emocionante. Placas de bronze com a história de pessoas corajosas que fizeram diferença no mundo. Gente morta pela máfia, nazismo, ETA, enfim, gente inocente. São alguns eternizados: Beppe Montana, Rocco Chinnici, Oscar Arnulfo Montero, dentre outros. Fiquei tocada ao ver a homenagem aos jovens Hans e Sophie Scholl e à Juventude da Rosa Branca. Eram jovens estudantes, católicos, protestantes, ortodoxos, da Universidade de Munique, que unidos pela paixão à verdade e unidos na mesma fé, se opunham ao regime nazista e decidiram espalhar flyers (folhetos pequenos voadores) denunciando os horrores e as mentiras do regime. Diziam: “Nós não iremos ficar calados, nós seremos sua má consciência e a Rosa Branca não vai lhes dar paz”. Suas atividades duraram de junho de 1942 a fevereiro de 1943. Presos e sentenciados à morte pela guilhotina, tiveram como seu último grito: “Vida longa à liberdade”. Por isso a Rosa Branca continua a assombrar a consciência de cada um.


As duas guias fazem uma dobradinha: a Rosa no português e a Sabrina no espanhol. Tudo muito rápido. Detalhe: a Rosa é brasileira, professora de crianças, e na hora livre, guia de turismo. Ao olhar para trás, vemos o Vale dos Templos parecido com o Olimpo, espetacular.


Caminha-se muito no sol. Preparam na época do Natal uma árvore no Templo da Concórdia, aliás, o mais impactante. E há uma oliveira de 600 anos no local. O templo é iluminado à noite. Ao redor dos templos, exposição de 17 esculturas com personagens da mitologia grega. Ali onde estávamos, vimos Ícaro Caído (de bronze, 2011). Autor: Igor Mitoraj (Oederan-Polônia, 1944-Paris-França, 2014). A Wikipédia nos informa que esse artista e escultor monumental era conhecido pelas suas esculturas fragmentadas do corpo humano.


A guia Rosa em ação. Antes se entrava no templo, todavia os turistas roubavam pedaços e escreviam nas paredes. Os templos foram construídos com rodas de pedras, se encaixavam como Legos. Eram escravos cartagineses que ganhavam 5 dracmas (moeda usada na Grécia antiga) ao dia. Foram 70 anos de construção (de 480 a. C a 406 a. C.), muitos escravos pereceram. Estilo dórico clássico. De qualquer lugar se vê o Templo da Concórdia. Não havia barro à época, só pintura. Uma placa em mármore foi encontrada. Como se localiza na parte argilosa da colina, foi melhor preservado. Foi uma igreja cristã com muro, então as colinas e arcos foram conservados. Como uma basílica com três naves. Ali foi a igreja de São Pedro e São Paulo, do séc. VI d. C., com comunhão, matrimônio. Em 1750, um católico quebrou os muros e logo voltou a ser um templo. Os pagãos faziam sacrifícios (hecatombe) no altar, 100 touros, por exemplo. Pequenas tumbas foram encontradas, por isso virou cemitério. Seis colinas no largo frontal. 2500 anos desta maravilha.


De acordo com descobrindoasicilia.com, a Villa Aurea era a casa de Alexander Hardcastle, um arqueólogo inglês que nos anos 20 do século passado investiu todo o seu patrimônio em escavações no Vale dos Templos. Outros templos, além do de Juno e da Concórdia, são: Héracles (Hércules), Zeus Olímpico, Castor e Pólux, Vulcano e Asclépio. O site https://mapcarta.com acrescenta que a Villa Aurea fica a 160 m do Templo de Hércules. É um edifício histórico e encontra-se perto do sítio arqueológico Necropoli Giambertoni e Grotta Fragapane.


O site https://g1.globo.com nos esclarece que só as sacerdotisas e sacerdotes da antiguidade entravam nos templos, para as cerimônias de adoração dos deuses pagãos. Trata-se de um dos maiores parques arqueológicos do mundo. Agrigento foi uma das maiores cidades do Mediterrâneo, com 200 mil habitantes. Píndaro, poeta e historiador da antiguidade escreveu que lá se fazia tanta festa e que as pessoas se divertiam de tal maneira que era como se não existisse o amanhã. Em todos os templos, o da Concórdia foi o único que ficou em pé e resistiu aos terremotos da idade Média que derrubaram os outros monumentos. Diferentemente da guia Rosa, o site diz que as oferendas de comida e animais às divindades aconteciam do lado de fora do templo.


Os gregos viviam de teatro. Vários grupos separados vendo as relíquias, caminhamos muito no sol. Chama a atenção a quantidade de americanos. Imperdível a visita. Prosseguiremos nosso percurso até Marsala, Erice e Palermo.

Bela Itália-Sicília-Villa Romana del Casale-dia 5

Bela Itália-Sicília-Villa Romana del Casale-dia 5

Hoje é dia 9 de outubro de 2025. São 14h30 e estamos para entrar na Vila Romana de Casale. Dia longo, com muito movimento. Segundo o informativo da excursão da Europamundo, visita para conhecer esta aldeia Patrimônio da Humanidade. As vilas no Império Romano eram o símbolo da exploração agrícola. Em Casale, não só foi preservada a configuração arquitetônica do séc. IV, mas devido à sua abundância e qualidade, os mosaicos que adornam quase todos os quartos são os mais bonitos do mundo romano.

A Wikipédia nos conta que é Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO desde 1997. É uma vila tardo-romana, cujas ruínas estão situadas nos arredores de Piazza Armerina (província de Enna). A descoberta da vila deve-se a Gino Vinicio Gentili, que em 1950 empreendeu a exploração, seguindo as indicações de habitantes do lugar. Ele atribuiu a vila à era da Primeira Tetrarquia (285-305 d. C.). A Tetrarquia foi introduzida pelo imperador romano Diocleciano de 293 a 313 d. C. Curiosidade: a Wikipédia nos ensina que tetrarquia designa qualquer sistema de governo em que o poder seja dividido por quatro indivíduos.

O site descobrindoasicilia.com adiciona mais detalhes. Trata-se de um sítio arqueológico onde se encontram ruínas de um suntuoso palácio, formado por 48 dependências com mosaicos que retratavam cenas do dia a dia. Foi construída por volta do séc. IV d. C. Em uma área que já era ocupada desde o séc. II, no centro de um vilarejo rural. Provavelmente pertencia a uma figura muito importante da aristocracia romana, por causa do luxo com o qual o palácio foi erigido. Acrescenta que o percurso na parte interna do palácio é composto por passarelas. Dessa forma, não há risco de as pessoas pisarem nos mosaicos. Além disso, para proteger os mesmos da ação das chuvas, foi também construída uma cobertura de acrílico em todos o edifício.

Vamos à nossa visita. Estamos fora do palácio, acompanhados de uma guia local. A vila foi encontrada oficialmente em 1950, são 3500 m². Vemos fornos usados pelos escravos. Estamos na entrada que não é a principal. Reconstruíram da forma e material da época. Escultura do “Cavalo da Discórdia”, de Gustavo Aceves, pintor e escultor mexicano, hoje mora na Itália. Mosaicos: forma de ostentar dentro dos comedores. Usado como palácio de verão. A parte central da vila é rodeada de colunas, cujo tema central são animais e a apresentação de animais que traficavam para usar no Coliseu. Eram tigres, leões, gazelas, cervos e outros capturados na África e trazidos para a Europa. 60 salas enormes, salas geométricas com mosaicos de animais. Salas de serviços: escravos com figuras e convidados. Vemos quartos para bacanais, festas, orgias. Mosaicos de aves e filhos do dono da casa. Segundo a guia, poderia ser um imperador.

Sala geométrica para escravos. Mosaicos, todos diferentes. Capturavam animais em jaulas, depois os transportavam de barcos para Roma. Corredor da caça: os mosaicos mostram animais sendo caçados no norte da África, sala gigante. Um rinoceronte sendo caçado e cachorros ajudando a ação. Em outra sala: a Face de Orfeu.

A sala com mulheres de biquínis em práticas esportivas, jogando pelotas na praia. Cortaram esse e encontraram o mosaico geométrico da sala de serviço. Parte pública, mosaico por dentro, que representa a vida real e a mitologia. Fora: a basílica e o apartamento patronal. Curioso dizer que as pessoas à época viviam até os 40 anos. Parte privada. Salas de mosaicos com carros, crianças em barcos e que matavam peixes. Sala enorme. Mosaicos de plantas, jarros. Nereidas, da mitologia grega. A Wikipédia nos esclarece que eram as 50 filhas de Nereu e Dóris. Nereu compartilhava com elas as águas do mar Egeu.

Latrina octogonal. Do lado de fora. Muitas pessoas usavam pela manhã. Apartamento privado, três salas. Fazemos um esforço grande na caminhada, o sol é forte. O imperador tinha concubinas. O quarto Ulisses parece um teatro. Cozinha geométrica, corredor para entrar e sair. Sala íntima com mosaico de Cupido e Psique. Além de Homero e Odisseia.

Basílica, sala do poder, do trono. O imperador controlava a entrada das pessoas. O tetrarca Maximiniano (286-305 d. C.) era chamado de Hércules, por ser forte como o herói mitológico. Tinha trono no fundo, estátua de Hércules em mármore. Colunas de granito do Egito. Era um tribunal, o local é mais palácio do que vila.

Em 1950 encontraram a vila embaixo da terra. Buscavam água e encontraram mosaicos. Na região viveram fenícios, árabes, gregos, romanos, uma mescla de culturas. Cozinha fora. Não estão escavando mais por falta de dinheiro.

Havia um aqueduto privado. E um spa dividido em quente, morno e frio, com piscinas. Estamos dentro de um bosque cerca do porto de Gella, rio Gella, a 30 km do mar Mediterrâneo. Transportavam materiais do local. A vila é única, incrível, por estar intacta, no mundo se encontram ruínas, diz a guia.

Voltamos para o ônibus, suados, cansados, fazia muito calor. Esta viagem não é para qualquer um, requer esforço. Agora são 24º C, mas com sol intenso, no verão 48º C. Estamos no meio da ilha da Sicília. A nossa guia Sabrina volta a nos dar informações preciosas.

Vimos vacas e ovelhas soltas nesta região. Em geral, vivem presos. As músicas que escutamos no percurso são vivas e animadas.

Passamos pelo Vale dos Templos de Agrigento de 6 a. C. Que lindo! Lá morou uma população grega de Rhodes. Não estão dentro do vale e sim, nas colinas. Patrimônio da Humanidade, em grego Acragas e em romano Agrigentum até Agrigento. No local, habitava o antigo povo dos Sicanos, que viveu na região entre os anos de 1500 e 800 a. C. A região foi tomada pelos cartaginenses do norte da África, também pelos árabes (mouros) e os Bourbons (espanhóis), do Reino das Duas Sicílias. Muitos reinados passaram, centro de barões, de religiosos. No ônibus passamos a “sacola da gratidão” para o motorista Ângelo, que vive na cidade. Sempre se dá um dinheiro para a guia e motorista em excursões.

Três cidades fundamentais do passado: Agrigento, Siracusa e Imera. De acordo com a Wikipédia, um dos déspotas da época foi Faláris, de Agrigento. Conseguiu conquistar toda a ilha. Sob as ordens dele, Perilo de Atenas criou o Touro de Bronze ou o Touro de Faláris, máquina de tortura e execução. Pegava as pessoas e as colocava no touro, acendendo fogo embaixo. O barulho fazia o boi falar. Um horror, do séc. VI a. C.

Com a gente no ônibus, a Glória e o Nilson, de Sorocaba, São Paulo, viajantes agradáveis. Chegamos a Agrigento, lá se vai o Ângelo e vem o motorista Alberto. Hotel Baia di Ulisse Wellness & Spa, muito bom. Endereço: Via Lacco Ameno. Com piscina grande embaixo e muito espaço. Quartos embaixo e em cima, com oliveiras no meio. Perto da costa de San Leone. Um pessoal da excursão foi à praia e ficaram bebendo na piscina antes da ceia. Lugar para relaxar.

Jantar com o grupo. Primeiro prato: massa com berinjela; segundo prato: porco, o meu salada; e pães e pudim de Nutella, coberto de parmesão. Uau! Que dia mais completo!