Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-visita panorâmica-dia 6

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-visita panorâmica-dia 6

Hoje é terça-feira, dia 18 de março de 2025. Hoje é dia de passeio panorâmico por pontos turísticos da cidade pela manhã. Vamos de ônibus com o motorista Richard e guia local Peter. Já havia morado em Recife-Pernambuco por 3 anos, logo tinha o português bem claro. São 3 horas de passeio, incluso no programa da excursão da Special Tours/CVC. A tarde é livre, não quisemos fazer nenhum passeio extra e o jantar com o grupo às 20 horas faz parte do pacote turístico.

Começamos pela Alexanderplatz, praça famosa. Segundo o site https://guiabrasileiroemberlim.com.br, sua história remonta ao século XIII, quando era conhecida como um mercado fora das muralhas da cidade. Durante séculos serviu como um local para reuniões públicas, festivais e atividades comerciais. A Wikipédia adiciona que originalmente era uma feira de gado, e recebeu seu nome em homenagem a uma visita feita a Berlim pelo czar Alexandre I da Rússia em 25 de outubro de 1805. Seu auge ocorreu na década de 1920, quando conjuntamente com a Potsdamer Platz era o coração da vida noturna de Berlim. Centro de trânsito e comercial desde o século XIX. Sistema de transporte fantástico na estação. Fazia parte do lado oriental de Berlim. Tudo mudou e tudo mudará. Muitas ciclovias. A cidade empobreceu e perdeu importância, já foi o centro financeiro da Alemanha/Europa, assim como Londres (Inglaterra) antes da II Guerra Mundial. Hoje, é Frankfurt. Depois da guerra, sobreviveu com subsídios, o desemprego era alto.

Em termos culturais e históricos, não se questiona. 170 museus, 400 galerias de arte, 3 casas de ópera, Berlim cultural, ainda em mudança. Entraremos no casco histórico, quase nada para ver no centro medieval, destruído nos bombardeios da II GM. Foram 500 ataques aéreos, mais de 5 mil edifícios destruídos. 645 anos da Igreja (luterana) de Santa Maria (Marienkirche). Fundada em 1380. A Wikipédia acrescenta que era um templo da Igreja Católica, mas com a Reforma Protestante, do séc. XVI, se tornou Protestante. Atualmente, a maioria da população é de ateus no país. As igrejas funcionam como centros culturais.

O Palácio da Cidade, de 1871, foi ampliado em 1951. Os comunistas dinamitaram, mas foi reconstruído. As fachadas são originais, a entrada é gratuita e tem 1500 aposentos. Busto de Nefertite, a Rainha do Nilo, está exposto em Berlim e não no Egito. É a principal atração do Neues Museum. Museu Histórico Alemão. Memorial para as Vítimas da Tirania, com a estátua da mãe segurando o filho morto.

Universidade Humboldt, de 1810. 29 ganhadores do prêmio Nobel, dentre eles, os físicos Albert Einstein e Max Planck. Em maio de 1933, estudantes nazistas queimaram 23 mil livros ali no pátio, no local, o Memorial das Estantes Vazias. Biblioteca Estadual de Berlim, de 1661, 12 milhões de livros, partituras etc. Fundador: Frederico Guilherme I de Brandemburgo. Porta (Portão) de Brandemburgo, eram 18 portas. Avenida Unter den Linden, 3,5 km. As pessoas iam a cafés para ler periódicos no passado. A filial da Galeria Lafayette (de Paris-França) fechou em agosto de 2025, que lástima!

Cidade verdejante, até em abril. Lagos, rios, grandes parques: Potsdam, Tiergarten etc. Praça mais bonita de Berlim: Gendarmemarkt. Com as igrejas gêmeas, a Francesa e Alemã. 20 huguenotes calvinistas chegaram na cidade em 1685, foram bem recebidos. Haviam sido massacrados na França pelos católicos (Noite de São Bartolomeu). Na praça ocorre a feira de Natal e concertos de verão de música clássica.

Edifícios típicos do lado oriental pré-fabricados, calefação central, linha de telefone, viviam pessoas privilegiadas, diplomatas, jornalistas. Avenida Leipziger Strasse. A praça Leipziger foi reconstruída em forma octogonal. Mais antigo Museu da Comunicação. Ministério da Aviação do Reich (de 1933 a 1945) de Hermann Göring (ministro e marechal), de concreto, resistente a bombas. Hoje, sede do Ministério das Finanças Alemão.

Houve protestos contra o comunismo em 1953 nas ruas de Berlim, com 55 vítimas fatais. O site https://simplesmenteberlim nos conta que desde junho de 2000, em frente ao Ministério das Finanças, encontra-se o “Memorial para os acontecimentos de 17 de junho de 1953”. Embutido no chão pode-se ver uma imagem de vidro que mostra os manifestantes a caminho da antiga Casa dos Ministérios e na lateral encontram-se painéis informativos sobre os acontecimentos dessa data.

O comprimento do rio Spree é de 400 km, sendo 182 km de canais navegáveis. Chancelaria do Hitler e Ministérios foram destruídos por Stalin. Potsdamer Platz, 30 linhas de trens. Equivale a 3 milhões de euros de hoje gastos em Berlim para reconstruir a cidade pós-II GM.

Coluna ou Obelisco da Vitória, do séc. XIX, era na frente do Reichtag, mas os nazistas mudaram para a Rotatória chamada Grosser Stern (Estrela Grande) no parque Tiergarten. Albert Speer (1905-1981) como arquiteto-chefe mudou o lugar, era ministro do Armamento da Alemanha Nazista. A Wikipédia destaca que a Coluna da Vitória, de 1873, foi feita para comemorar as vitórias militares do reino da Prússia sobre o império Austríaco, reino da Dinamarca e França entre 1864 e 1871. Tem 66,89 m de altura e no seu topo, a deusa da vitória militar, Vitória. 285 degraus até a parte mais alta da coluna, onde há uma plataforma de observação a 45 metros acima do nível térreo. Em seu interior, há um museu com miniaturas de vários monumentos de outros países.

3 de outubro, dia da Reunificação ou Unidade Alemã é feriado, dia festivo. O guia fala rápido em português. Das 33 universidades em Berlim, 14 são públicas. 90% escolas públicas. Não se paga nada, das 100 melhores do mundo, diz o guia.

O Bloqueio de Berlim na Guerra Fria. A Wikipédia salienta que ocorreu de 24 de junho de 1948 a 12 de maio de 1949 e tronou-se uma das maiores crises da época, desencadeada quando a União Soviética interrompeu o acesso ferroviário, rodoviário e hidroviário à cidade de Berlim Ocidental. Seu objetivo era forçar as potências ocidentais a sair, dando assim o controle soviético sobre toda a cidade. Em resposta, os aliados ocidentais organizaram a ponte aérea de Berlim para transportar suprimentos para os moradores. A Força Aérea dos Estados Unidos e os britânicos da Força Aérea Real fizeram mais de 200 mil voos em um ano, com até 4700 toneladas diárias de suprimentos, como combustível e comida para os berlinenses.

Estádio Olímpico, 2 recordes mundiais, onde Jesse Owens, afro-americano de Ohio, ganhou 4 medalhas na II GM e destruiu a premissa da superioridade ariana em 1936, à época do Nazismo.

Hoje Berlim tem 30% de imigrantes. 3,7 milhões de habitantes. Na Alemanha, Munique e Colônia são cidades grandes. Na avenida Kudamm, na via elevada, andavam a cavalo no passado, era zona campestre. Foi projetada para novos ricos. 120 milionários do lado ocidental. 1200 lojas, rua linda, tudo verde. 250 edifícios foram destruídos na guerra. Rua chique, só grife. Muitos cinemas nos anos 1920, atualmente bem menos. Teatros. Hotéis, cafés, Que lugar legal. Espaguete dançando, a estátua parece um Spretzel. O site https://simplesmenteberlim.com reporta algo interessante. A avenida Kurfürstendamm ou Kudamm foi originalmente construída, na metade do século XVI, como uma trilha para cavalos para que o príncipe Joachim II pudesse ir do do seu palácio na Unter den Linden para a casa de caça localizada na floresta Grünewald. Por iniciativa de Otto von Bismarck, a partir de 1875 a trilha de cavalos foi transformada numa avenida com 53 metros de largura com lojas, restaurantes e teatros. Com isto iniciou-se a construção dos endereços mais sofisticados da cidade, podendo muitos destes belos prédios serem vistos também nas ruas paralelas.

Cidade dos gays na Europa. Instituto de Ciência pelo direito dos gays. Os nazistas proibiram isso. O filme musical Cabaré com Liza Minelli é ambientado na Alemanha pré-nazista. O guia Peter comentou ser Berlim uma cidade aberta da Europa.

Vemos os tubos rosas para bombear água das obras, inédito, embaixo pântanos em obras de construção. A Embaixada do México com pilares inclinados que vão ficando retos, ilusão de ótica. Genial. A Wikipédia nos informa que foi desenhada pelo arquiteto Francisco Serrano, em colaboração com Teodoro González de León.

Em Berlim, ciclistas também morrem. O direito é deles. Parque Tiergarten. Vemos as Embaixadas de Bangladesh, Indonésia, Arábia Saudita, Itália etc.

Passamos pelo prédio onde trabalhou o cel. Claus von Stauffenberg (1907-1944). Muito a falar sobre ele, já que é um dos personagens que mais admiro da II Guerra Mundial. A Wikipédia nos ajuda nisso. Foi um oficial do exército alemão, mais conhecido pela sua tentativa frustrada, em 20 de julho de 1944, de assassinar Adolf Hitler na Toca do Lobo, como parte da “Operação Valquíria”, um plano que previa a prisão da liderança nazista após a morte do Fuhrer e um fim antecipado da II GM. Não vingou o planejamento, já que o explosivo colocado embaixo da mesa apenas causou ferimentos leves no Hitler. Os conspiradores foram presos e muitos deles executados, incluindo o conde Stauffenberg no dia seguinte à tentativa. Em 1980, o governo alemão estabeleceu um memorial para o movimento de resistência anti-nazista fracassada em parte do Bendlerblock, cujas instalações restantes atualmente abrigam os escitórios do Ministério da Defesa da Alemanha. Também há o Memorial à Resistência Alemã, com uma exposição permanente de mais de 5 mil fotografias e documentos mostrando as diversas organizações de resitência que atuaram durante a era de Hitler. O pátio onde Stauffenberg foi fuzilado juntamente com outros oficiais em 21 de julho de 1944 é um local de memorial com uma placa comemorativa e uma estátua de bronze de um jovem com as mãos simbolicamente atadas, que se assemelha ao conde. Vale a pena assistir ao filme Operação Valquíria no qual Tom Cruise interpreta o papel de Claus von Stauffenberg.

Nova Galeria Nacional, na rua Potsdamer. A Wikipédia cita que é um dos edifícios mais notáveis do modernismo clássico. Obra do arquiteto Ludwig Mies der Rohe, inaugurado em 1968, mas restaurado entre 2016 e 2021, sob projeto do arquiteto inglês David Chipperfield. Abriga a arte moderna do séc. XX.

Vemos o carro Trabant ou “Trabi”, de 34 anos, com 26 cavalos, usado para passeios. Há lista de espera por ser atração turística. Era carro símbolo da Alemanha Oriental. Fabricado entre 1957 e 1990 pela montadora VEB Sachsenring Automobilwerke Zwickau. A Gazeta do Povo o chama de pior carro de todos os tempos. A Wikipédia destaca que tinha carroceria de plástico, reforçado com fibras de madeira e restos de tecido e algodão (sintético da Rússia), que era similar à fibra de vidro, mas de fabricação mais barata e viável para larga escala. Detalhe: não havia frutas tropicais do lado oriental, ficaram loucos para comprar bananas com a Queda do Muro.

Chegamos ao Check-Point Charlie com museu e guarita. A construção do Muro de Berlim começou em 13 de agosto de 1961. Berlim foi dividida em quatro zonas de ocupação no pós-guerra: lado americano, francês, inglês e russo. 20% da população do lado oriental foi para o ocidental. 155 km de muro, não tinha como fugir, o controle era rigoroso. Não é possível dizer quanto demorou a construção do muro. Descemos no local para fotos.

Em outubro de 1961, tanques soviéticos T-55 e americanos M48 Patton se encararam no Checkpoint Charlie. Conforme a Wikipédia, a crise de Berlim de 1961 (4 de junho a 9 de novembro de 1961) foi o último grande incidente político-militar europeu da Guerra Fria sobre a ocupação da capital alemã, Berlim e da Alemanha pós-II Guerra Mundial. A União Soviética provocou a crise com um ultimato exigindo a retirada das forças armadas ocidentais de Berlim Ocidental, acabando com a partição de fato da cidade com a construção do Muro de Berlim.

O site https://www.dw.com nos conta sobre fugas espetaculares. Sempre houve quem tentasse fugir atravessando o Muro de Berlim. Em 29 de julho de 1965, partindo do prédio dos ministérios em Berlim Oriental, uma família de Leipzig fugiu em um funicular de fabricação amadora, passando por cima do Muro. Desceram no bairro Kreuzberg, perto da fronteira, já em Berlim Ocidental, onde ajudantes ocidentais haviam fixado o cabo. O guia complementa que o soldado soviético achou que eram espiões e não fez nada.

O guia menciona a Editora Springer (Springer Science+Business Media). É uma multinacional alemã, fundada em 1842, por Julius Springer. Especializada na publicação de livros, periódicos e artigos científicos e médicos. Pertence à Springer Nature, localizada na Heidelberger Platz.

85% das moradas de aluguéis em Berlim. Preço fixado para antigos. Contrato novo, aumentam o aluguel em 8%, aí locatários não conseguem pagar, por conta do poder aquisitivo baixo. Gentrificação: gente que não pode pagar o aluguel. Porém mais barato que em Munique e Hamburgo. No séc. XIX, os prédios antigos não possuíam banheiros, esses eram encontrados em espaços públicos.

East Side Gallery, galeria de arte ao ar livre, com 1316 metros de extensão. No lado leste do antigo Muro de Berlim, que foi preservado da demolição. Lá está o famoso “Beijo de Leonid Brejnev e Erich Honecker” na rua Mühlentrasse. Beijo que se tornou uma saudação da política soviética durante a Guerra Fria. No caso dos dois, indicava proximidade (fonte: Wikipédia). Uber Arena, hockey, shows e espetáculos de música.

Enfim, chegamos ao hotel Park Inn by Radisson na Alexanderplatz. Almoço no próprio restaurante do hotel: sopa de ervilha e água tônica Schweppes. Ainda deu tempo de passar na loja de departamentos Galeria, imperdível! Para jantar, estávamos em grupo no hotel. Buffet, muito bom. Sentamos com o casal pernambucano, tomamos vinho Riesling por €8 (euros). Saladas e pratos quentes: arroz, peru ao molho, porco etc.

Estamos nos despedindo de Berlim, cidade histórica, multicultural e multifacetada. Acolhedora, verdejante, original. Amei! Seguiremos para Dresden, cidade que queria muito conhecer.

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pela cidade à noite-dia 5

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pela cidade à noite-dia 5

Hoje é segunda-feira, dia 17 de março de 2025. Continuamos os passeios. O folder da Special Tours nos informa que à noite visitaremos os pontos turísticos com iluminação especial, como o Parlamento, conhecido como Reichtag ou Câmara Baixa, a Chancelaria e outros edifícios governamentais; o iluminado Portão de Brandemburgo, inspirado no Parthenon de Atenas; e a Praça de Potsdam, com restaurantes, bares, cinemas, cafés e edifícios projetados por arquitetos de renome internacional, incluindo José Rafael Moneo e onde o centro da Sony se destaca, com uma enorme cúpula que imita o monte Fuji. Retornaremos ao bairro judeu, cenário da trágica Noite dos Cristais Quebrados durante a época de Hitler.

Depois do bairro judeu e do almoço, rumamos à Catedral ou Berliner Dom. Pagamos €10 (euros) no cartão de crédito (não aceitam dinheiro). Para subir ao domo, são 270 degraus. Que sufoco e frio lá em cima, mas vale demais o visual de 360º. As pernas ficam tremendo. Na volta, já embaixo, há uma sala junto ao altar menor que nos conta a história do compositor barroco Johann Sebastian Bach (1685-1750) e sua família, teve 20 filhos de dois casamentos. Ouvimos as belíssimas músicas dele e dos filhos compositores nos fones de ouvido. Um pouco sobre eles. O filho mais velho de Bach foi Wilhelm Friedmann Bach (1710-1784), o segundo foi Carl Phillip Emanuel Bach (1714-1788), e o mais novo Johann Christian Bach (1735-1782), compositores. E netos, dentre eles, Johann Sebastian Bach, o mais jovem (1748-1778), pintor.

Vimos caixões, tumbas douradas lindas da rainha Sophie Charlotte (1668-1705) e do rei Frederico I (1657-1713). A Catedral é soberba! Toda cheia de detalhes em madeira, repleta de dourado e de mármore. Berlim, um banho de cultura. Antes de sair, um café e um muffin (bolinho que amo!) para dar força no Domcafé no Berliner Dom. O sorvete é da Brandy Brooks. Sempre presto atenção às diferentes marcas de sorvetes.

Detalhes sobre a Catedral. Foi erigida durante o reinado do kaiser (imperador) Guilherme II entre 1894-1905, de acordo com os planos do arquiteto Julius Rachdorff no estilo do Alto Renascimento italiano. A cripta Hohenzollern (dinastia da Casa de Hohenzollern) teve 94 enterros no fim do séc. XVI até o séc. XX, trata-se de um dos mais importantes locais de sepultamento na Europa. São 500 anos de cultura funerária dos Brandemburgo-Prussianos (fonte: folder da Berliner Dom).

Retornamos ao hotel a pé. Às 20h30 começa o passeio opcional Berlim Noturno de ônibus. €50 (euros). Antes da saída, o Carlos e eu dividimos um sanduíche e um smoothie no mercado do hotel. O guia local é o Pablo de novo, o da excursão em si, o Rupert. Parte bonita da cidade. Berlim repleta de luzes. Centro histórico pequeno, cidade enorme. Torre de TV, ponto significativo mais alto; bairro judeu, movimentado com vida noturna, teatro, lojas. 1920: anos dourados, arte, cultura, música e festas. Crise econômica, grande inflação. 1 milhão de marcos=1 dólar. Fácil para estrangeiros, álcool, prostituição, pontos de “noite”. Berlim, capital do império alemão em 1871, já em 1900, grandes fábricas como a Siemens que traziam muitos operários e dinheiro.

Estamos agora a pé, 6ºC, que frio! Era para eu estar mais preparada em termos de agasalhos. Levei e não me lembrei. Aí, tiritei de frio.

Prosseguindo com os anos 1920. Cidade multicultural, artistas, músicos. Marlene Dietrich. Bauhaus, escola de arte vanguardista na Alemanha (fonte: Wikipédia), a música. A pobreza e o desemprego grande. O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães teve seu início em 1919. Em 1920 foi reestruturado e se popularizou como Partido Nazista.

Cabaré como teatro de variedades começa na área. Estamos no bairro Mitte. Havia uns 50 cabarés com fachadas modernistas, estilo francês Art Noveau, cerâmica colorida, arquitetura. O local se chama Hackesche Höfe. Complexo de pátios em frente ao Hackescher Markt. Inaugurado em 1906. Foi construído pelo arquiteto Kurt Berndt e a fachada é obra de August Endell. Com 8 pátios interiores diferentes e interligados, cada pátio, uma função. Que lugar mais original. Berlim surpreendente. Outro pátio com fábrica de guarda-chuvas, luvas, roupas. No passado, bairro de trabalhadores com moradias de luxo para melhorar a economia do bairro (pobres com ricos), pátios espaçosos com aeração (ventilação). As moradias eram insalubres, por isso as janelas grandes. Hoje são escritórios de arquitetura, estúdios de fotografia e lojas especiais, por exemplo: Lumas, Sawade (chocolatier) etc. São desenhistas alemães. Na Rosenthaler Strasse. Parte restaurada a partir do anos 2000. Também moradias de aluguel atualmente. Rua encantadora. Os pátios com lojas atraentes e apartamentos de 150 metros quadrados (€3 mil (euros) de aluguel). Fecham as portas para ter privacidade. 4 andares sem elevador. Estava bem destruído antes, vemos fotos nas paredes (da época da II Guerra Mundial).

Não posso deixar de mencionar o cabaré Chamäleon, cujas raízes históricas remontam ao início do século XX. O site visitBerlin.de nos informa que é localizado no complexo Hackasche Höfe e foi inaugurado como um salão de festas suntuoso. De acordo com o Google.com, na década de 1920, durante os “Anos Dourados” da República de Weimar, Berlim era a capital mundial do cabaré, da liberação sexual e da vanguarda artística. Naquela época,o espaço funcionava principalmente com espetáculos de VAUDEVILLE (teatro de variedades que misturava comédia, música e acrobacias) e bailes. Não existia com o nome de Chamäleon. O prédio sobreviveu à II Guerra Mundial, porém na Berlim dividida no pós-guerra ficou do lado soviético e passou décadas negligenciado, servindo até como armazém. Após a reunificação, um grupo de artistas locais resgatou o espaço em 1991. O nome teatro Chamäleon foi consolidado a partir da sua restruturação em 2004. Hoje, presta homenagem à era de ouros dos cabarés, sendo o coração do Novo Circo em Berlim, misturando acorbacias de altíssimo nível, teatro físico, música e dança, mantendo as mesinhas bistrô originais para que o público assista aos shows bebendo e jantando, como se fazia há um século.

Pizzaria Capvin, uma joia rara no distrito Mitte na rua Rosenthaler. Pátio rosa com ferro, Art Noveau. Endereço: Weinbergsweg, 24. Patrimônio nacional, a escada mais bonita de Berlim, de bronze dos anos 1920. O guia adiciona que burgueses compraram e transformaram o bairro. Cidade da música techno. Jovens ocuparam prédios desocupados 15 anos atrás. Gente com muito dinheiro chegou para morar no local. Berlim é tranquila hoje.

Café Cinema, original dos anos 1920, um beco com jeito alternativo na mesma rua, 39. A burguesia morava na parte ocidental pós-II GM. Fábricas a leste da parte pobre da cidade. Passamos pela loja Kiko by Mila Markt ou Kiko Milano, de cosméticos, bem famosa. Depois da Queda do Muro, o boom da Alemanha Oriental. Jovens vieram para a região. Essa rua era de prostitutas. Mais adiante passamos pela Nova Sinagoga na Oranienburger Strasse.

Friedrichstadt Palast. Teatros e casas de shows, localizado na Friedrichstrasse, 107. Vamos sair da Ponte da Reunificação e ir para a Alemanha Ocidental. Um pouco sobre a ponte. Conecta os bairros Friedrichshain e Kreuzberg, era um ponto de controle durante a Guerra Fria e é afamada pelas suas torres imponentes e arquitetura. Novo bairro de governo da Alemanha. Chancelaria Federal, escritório executivo do Chanceler da Alemanha (inauguração em 1997). A Alemanha como é hoje começa em 1990. Antes era a República Federal com a capital em Bohn (Ocidental) e a República Democrática (RDA) com a capital em Berlim (Oriental).

O Reichstag, prédio que abriga o parlamento alemão (Bundestag). À noite é um desbunde com a iluminação. A fachada externa sobreviveu aos bombardeios na II GM. Norman Foster reconstruiu dentro com a cúpula de vidro. Em 1861, o império alemão foi unificado por Otto von Bismarck após a Guerra Franco-Prussiana. Eram reinos independentes sem um poder central. O Parlamento na República de Weimar tinha Constituição e ideias. Em 1932, Hitler se aproveitou da pobreza e venceu com 32% dos votos. Foi proclamado chanceler com governo minoritário. Hitler governava com Goering e a Polícia. Em 1933, inventou o ataque ao Reichtag e colocou a “culpa” em um deputado do partido comunista. No estado de emergência criado, governou por decretos. Outros partidos de esquerda da coalizão foram considerados culpados e os políticos foram levados a campos de concentração. Final da democracia, único partido legal era o Nacional-Socialista ou Nazismo. Queima do Reichtag, outro ataque. Foi tudo reconstruído: Parlamento e Senado. 84 milhões de habitantes, 630 deputados. Como o Parlamento ficou pequeno para as reuniões, escritórios modernos existem ao lado. Há um memorial com placas de metal com os nomes dos deputados que foram vítimas do nazismo. Latte Zinke é um deles. Hitler começa a ditadura.

Rumamos ao Portão de Brandemburgo. Ali perto existe um memorial espontâneo com 136 cruzes. Foram na verdade 190 mortos que tentaram atravessar o muro do lado oriental para o ocidental e foram assassinados. No portão passava o muro (na rua tem a linha de paralelepípedo mostrando o muro/parede interna e externa/faixa da morte no corredor do meio). Os habitantes da Berlim Ocidental podiam tocar no muro, chegar perto. Entre 1990 e 2000 ocorreu a reconstrução da parte histórica. O Brandemburg Tor sobreviveu aos bombardeios da II GM, é o original, faz parte da antiga muralha defensiva da cidade. Segundo o site https://oquevisitarondeviajar.com.br, é situado na Pariser Platz e foi construído no final do século XVIII como parte de uma série de monumentos que simbolizavam a vitória e a paz na Europa. A escultura que coroa o Portão de Brandemburgo é conhecida como uma Quadriga que representa a deusa (grega) da vitória Nike guiando um carro puxado por quatro cavalos.

De lá chegamos ao Memorial aos Judeus Mortos da Europa ou Memorial do Holocausto. São 19 mil metros quadrados, 2711 blocos de concreto ou estelas em forma de um cemitério labiríntico sobre um terreno levemente ondulado. Blocos de altura diferentes até 5 metros. Feito em 2005, memorial dos mais importantes. Lugar que mexe com os sentidos, dá para sentir ansioso, isolado, angustiado, os interiores são estreitos. Embaixo dos blocos há um Centro de Informação, um museu, que possui várias salas: a de Início (oferece uma visão geral da perseguição aos judeus), a de Dimensões (com cartas, diários e notas finais escritas durante o período), a de Famílias (15 famílias representadas com fotos e documentos pessoais), a de Nomes (a gente escuta os nomes e minibiografias dos perseguidos), a dos Lugares (locais dos crimes na Europa Central e Oriental) e os Terminais (temos acesso aos portais de memória, entrevistas com sobreviventes do Holocausto). Uma visita necessária para reflexão.

Potsdamer Platz. Bairro de arquitetura contemporânea, construída em cima do Muro. Ainda vemos pedaços do muro na calçada. O frio está intenso. 0ºC. 155 km de muro. Parede externa, onde era o muro interno. 1990-2000: prédios novos. Incrível. Melhores arquitetos do mundo vieram para colaborar com a reconstrução da cidade. Observamos a réplica do primeiro semáforo da Europa que pode ser visto na praça Potsdamer, próxima ao cruzamento das ruas Potsdamer Strasse e Stresemannstrasse. O primeiro foi instalado em 1924 (fonte: Globo.com). Hauptbahnhof (estação ferroviária). Trens de norte a sul passam embaixo da estação. Em frente, o Boulevard das Estrelas do cinema alemão. Duas semanas de Festival Internacional de Cinema em Berlim na praça (central) Marlene Dietrich, situada na Potsdamer Platz e batizada com o nome da atriz no final dos anos 1990. Homenageia a estrela mundial do cinema e da canção em Berlim. A Wikipédia destaca que nasceu em Berlim, mas se naturalizou norte-americana. Teve participação importante em sua colaboração humanitária durante a II GM, abrigando exilados e ajudando-os financeiramente. Foi uma opositora apaixonada do nazismo.

Sony Center. Símbolo de poder tecnológico, local renomado, bem diferente, parece a parte de cima de um circo. Cúpula impressionante, estrutura independente sustentada por cabos de cristal, tecido e vidro que mudam de cor. O monte Fuji é representado. De ficar boquiaberto com a beleza. A empresa Sony saiu de Berlim e se mudou para Londres. A pandemia atrapalhou o funcionamento de alguns restaurantes que fecharam as portas por ali. Museu do Cinema de Berlim no piso térreo do Sony Center. Apresenta uma exposição completa sobre a história do cinema alemão.

Ufa! Que cidade! Continuaremos com mais passeios em breve.

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pelo bairro judeu-dia 5

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pelo bairro judeu-dia 5

Hoje é segunda-feira, dia 17 de março de 2025. Às 9 h saída com o guia espanhol Pablo, fala com o grupo na sua língua nativa e em “portunhol”. O folder da excursão da Special Tours nos informa que começaremos a nos aprofundar em Berlim de uma forma muito especial, fazendo uma interessante visita com um guia local à Berlim Judaica. Alexanderplatz, para visitar a área anteriormente chamada de Spandauer Vorstadt e conhecida como distrito de celeiros ou bairro judeu. Visitaremos a Nova Sinagoga, a casa da Regina Jonas, o primeiro cemitério judeu e cruzaremos a Grosse Hamburger Strasse, conhecida como a rua das três religiões. O restante do dia é livre. Encontraremos com o guia novamente só à noite no hotel para o passeio opcional: Berlim à noite. Valor: € 50 (euros). O clima frio: 3 ℃.

O bairro judeu é perto do hotel. Vamos a pé. O guia nos conta a história do povo judeu. Berlim foi destruída pelos bombardeios da II Guerra Mundial em 80%, foram mais de 86 mil toneladas de bombas lançadas pelos americanos e britânicos.

As ruas originais do bairro com seus monumentos. Estamos na antiga Berlim Oriental. Alexanderplatz, praça importante e ponto de encontro; Alexa, grande centro comercial; loja de departamentos Galeria; a Fonte de Amizade dos Povos, conhecida por suas pinturas coloridas e que simboliza a paz, representada por pombas e flores; o Relógio Mundial, o famoso Weltzeituhr, um marco que mostra a hora em várias cidades do mundo. Era o centro da Berlim comunista. Estação de metrô e trem-S-Bahn.

Cidade plana, espalhada, fácil de se orientar. Torre de TV Berliner Fernsehturm. O edifício mais alto da Alemanha, 368 m, de concreto, erguida entre 1965 e 1969, a plataforma de observação a 203 m de altura, tem um mirante com vista de 360 graus da cidade e em um andar acima, um restaurante giratório que dá uma volta completa em cerca de 30 minutos, símbolo do poderio da capital socialista (fonte: https://dicasdeberlim.com.br).

Igreja de Santa Maria. Parte mais antiga, medieval. Berlim foi reconstruída. O estilo era de antigamente era barroco. A cidade começava aqui. A igreja sobreviveu, mas o bairro medieval se foi. Até querem reconstruí-lo, mas é difícil. Os judeus estão presentes desde a fundação da cidade em 1237. Nasceu em São Nicolau (Nikolaiviertel), a igreja, bairro estreito, original, dos mais antigos, situado às margens do rio Spree. O primeiro documento da presença dos judeus é de 1295. Era um condado pobre, fazia parte do império romano, a terra era pantaneira, ruim para plantações. A origem do povo era de eslavos nômades. No séc XVII, o lugar estava vazio, por conta da peste bubônica e da Guerra dos 30 Anos. O príncipe Frederico Guilherme I chega a um país pobre, destruído e abre as fronteiras. Chegam franceses huguenotes, holandeses, poloneses católicos para viver em paz. 50 famílias judias que voltassem com um contrato de vida de 20 anos. No mesmo século, eram 160 mil judeus, se sentiam alemães.

No séc. XVIII, a Prússia, cuja capital era Brandemburgo, pertencia a um reino dos mais importantes da Europa. Vemos da II Guerra Mundial, o Memorial de Wannsee, o guia fala no protesto da rua Rosentraße ou Rosentrasse. A praça (com o memorial significativo) onde houve a manifestação das mulheres que queriam a libertação de seus homens judeus, eram casamentos mistos. Considerado o milagre de Rosentrasse.

Vemos no chão a marca da primeira sinagoga, bombardeada e que comunistas não a reconstruíram. Era da mesma altura dos prédios ao redor. Não tinha símbolo, nada. Eles queriam fazer uma nova Berlim comunista. Os edifícios eram propriedades estatais, as casas eram iguais, os prédios cinzas eram do mesmo tamanho. Restaurar prédios antigos era caro, logo foram abandonados.

Saímos da cidade antiga pela muralha da Porta de Spandau. Era o bairro dos celeiros, havia muito feno, madeira, materiais inflamáveis. Os judeus ficavam fora da cidade à época. Ainda moram no local na atualidade. Nem todos conheciam como bairro judeu. Não eram guetos ou judiarias. Podiam habitar onde quisessem. Primeira sinagoga, primeiro cemitério. A cidade começa a mudar. Edifícios baixos, fachadas originais, ruas estreitas. O bairro tem vida hoje. Os alemães são tranquilos, calmos. O ponto principal é a estação de U-Bahn, do início do séc. XX, da época de Bismarck. O metrô foi inaugurado em 1902. Hoje, ferrovia. Muitas lojas, embaixo, 3 a 4 metros de pântanos.

Entramos em Haus Schwarzenberg: galeria de arte em Berlim, com pátios interiores, um pequeno labirinto. Este pátio está quebrado, não foi restaurado, os outros foram. O site www.guiabrasileiroemberlim.com.br cita ser um pequeno beco, escondido no distrito de Mitte. Ao longo dos anos, tornou-se um ponto de encontro de arte de rua e cultura alternativa. As paredes são decoradas com camadas de grafite, adesivos e murais em constante mudança. O centro Haus Schwarzenberg oferece exposições sobre a vida de Anne Frank e a relevância de seu diário nos dias de hoje.

O guia fala na época comunista e na da II Guerra Mundial, vai de uma para a outra. Na batalha de Berlim, entre 16 de abril e 2 de maio, já no final da guerra, 2 milhões de soldados russos entraram na cidade. Berlim foi aniquilada. Durante a época comunista, não se restaurou nada. Depois da Queda do Muro de Berlim, jovens, artistas e músicos com seus conjuntos musicais vieram para esta região nos anos 1990 e a transformaram em estúdios de arte. Mais tarde, os jovens saíram e as casas foram vendidas.

Continuamos o passeio a pé. E chegamos ao museu Otto Weidt´s Workshop for the Blind ou Oficina de Otto Weidt para os Cegos, pertencente à German Resistance Memorial Center Foundation ou Fundação do Centro Memorial da Resistência Alemã. Localização: Rosenthaler Strasse. Segundo o folder do museu, “durante a II GM, Otto Weidt empregava principalmente judeus cegos, deficientes visuais e auditivos na sua pequena fábrica de escovas e vassouras. Quando a ameaça de perseguição e deportação aumentou ainda mais, ele e outros ajudantes procuraram lugares para esconder alguns deles. Um desses locais é onde está o museu”. O guia nos informa que Otto pagava suborno para seus empregados não serem mandados a campos de extermínio. Eram 34 trabalhadores judeus. Apenas 4 sobreviveram. A menina salva, cria o museu. Vemos como era originalmente, a sala com um quarto secreto para 4 membros de uma família. A visita é gratuita. Vale a pena, pois é sempre uma aula de história e nos toca profundamente.

Era 1,9 milhões de habitantes antes da I Guerra Mundial, atualmente são 3,7 milhões. Sophiensœle, Sindicato dos Trabalhadores, séc. XX, partido comunista. Na I Guerra Mundial em 1918, Revolução Espartaquista, em novembro de 1918, liderada por Rosa Luxemburgo (1871-1919), símbolo do feminismo mundial, judia polonesa/alemã. 1º andar, sala de reuniões do sindicato. De acordo com a Wikipédia, essa revolução ou Revolução Alemã, de 1918-1919, chamada na Alemanha de Revolução de Novembro refere-se a uma série de eventos que marcaram o fim da Primeira Guerra Mundial e que culminaram na derrubada do Kaiser (imperador), seguida do estabelecimento de uma república parlamentarista.

Sachsenhausen, campo de concentração a 45 minutos do centro de Berlim de trem. Hoje memorial e museu. Inúmeros campos e subcampos de concentração em Berlim, no norte da Alemanha e nas terras ocupadas pelos nazistas para eslavos, judeus, comunistas, ciganos, homossexuais, Testemhunhas de Jeová. O guia corre muito, é um esforço colossal acompanhar e entender tudo. Eram 10 os campos de extermínio.

No bairro também moravam católicos e luteranos, além de judeus. Viviam juntos e na paz. Cidadãos que trabalham e pagam impostos são iguais. Era o pensamento anterior à época de Hitler. Em 1933 eram 135 mil judeus. Em 1945 apenas 6.140 sobreviveram. Tinham todos os direitos de serem alemães. Com Hitler, veio o germanismo. A Áustria/Hungria formavam um grande império: Croácia, Romênia, Sérvia, Eslováquia etc O império austrohúngaro desapareceu, aí toda a população pobre chegou a Viena depois da I Guerra Mundial com judeus e muçulmanos. Austríacos tinham que dividir comida e tudo o mais. Aí ficaram incomodados.

Na República de Weimar ou Reich Alemão (1918-1933), havia o problema econômico. O partido nazista era conhecido por ser de hooligans (vândalos). A ideia do Hitler era limpar a Alemanha de judeus. Todo dinheiro deles e tudo o mais ficaria com a Alemanha quando eles fossem embora com apenas uma mala. 2.700.000 foram assassinados em campos de extermínio. Os edifícios originais da época da guerra têm buracos de balas da batalha de Berlim. Eram crianças e civis defendendo a cidade. Enquanto Hitler e seu estafe se protegiam dentro de um bunker (Führerbunker) embaixo dos prédios e jardins que faziam parte da Chancelaria do Reich.

Na Grosse Hamburger Strasse (rua) vemos pedras de tropeço para lembrar dos mortos judeus e dos inimigos de Hitler. Vêem-se em toda a Berlim e na Europa também. São afixadas na calçada por descendentes e associações, a crianças estudam o nazismo e a história das famílias e colocam a pedra. As pedras são eternas. Na rua encontra-se o Cemitério Judaico de Berlim. A Wikipédia destaca que depois do Judenkiewer Spandau é o mais antigo local de sepultamentos da comunidade judaica. Na área da atual entrada estava desde 1844 o asilo da comunidade. Vê-se a pedra memorial no local do antigo asilo. Lá está a sepultura de Moses Mendelssohn, filósofo iluminista judeu alemão. Também nos deparamos com a escultura marcante das crianças judias, de 1956/1985: Judeus Vítimas do Fascismo ou Jüdische Opfer des Faschismus. De Will Lammert (1892-1957). Considerado o primeiro memorial ao holocausto das crianças. Desenhado para ser colocado no campo de concentração de Ravensbrück para mulheres e crianças, no norte da Alemanha.

Vimos a igreja de Santa Sofia, evangélica, no bairro de Mitte. O guia enfatiza que levavam os judeus e outros às estações de trem para a deportação. O Museu Judaico se situa no bairro turco. Dizem ser imperdível.

Entramos na exposição fotográfica gratuita do pequeno museu da Nova Sinagoga que sobreviveu à Noite dos Cristais, mas não aos bombardeios à época da II Guerra Mundial, somente restou a fachada. Na rua Oranienburger Strasse. Os ataques legalizados aos judeus começaram desde que Hitler se tornou chanceler em 21 de abril de 1933. Logo em abril houve boicote ao comércio, seguido da lei da administração pública na qual todos os judeus que eram funcionários do Estado perderam seus trabalhos. As crianças não puderam mais ir à escola, museus etc. Perderam o direito de passear por passeios públicos, ruas principais, a comprar no mercado entre algumas horas e por aí foi. Em 1938 começaram a ser deportados para os campos de concentração.

A Noite dos Cristais, em 9 e 10 de novembro de 1938, deixou 7 mil comércios destruídos, 200 sinagogas queimadas, 30 mil detidos para prisões e campos. A resposta de Hitler foi não fazer nada, não tomaria atitude nenhuma para proteger o povo judeu alemão da SS (organização paramilitar ligada ao partido nazista), SA (tropas de assalto) e Juventude Hitlerista.

Em 1º de janeiro de 1939, o judeu deixou de ser cidadão alemão e começou a usar na roupa um J e as mulheres um S (de Sara). 6 milhões de mortos judeus, além de fotos dos sequestrados pelo Hamas, em 7 de outubro de 2023.

O passeio da manhã finalizado, então eu e o Carlos nos separamos do grupo que iria retornar ao hotel a pé. Resolvemos retornar e visitar a exposição paga da Nova Sinagoga. €7 (euros). Está escrito na mesa do centro em várias línguas: “Abri as portas, para que entre nelas a nação justa que observa a verdade” (Isaías 26:2). Não pode tirar fotos. A Berlim que foi Oriental no pós-guerra teve prédios reconstruídos de pré-moldados, ao contrário da Ocidental, cujas edificações foram reconstruídas de maneira normal.

A Wikipédia nos conta que a sinagoga foi construída entre 1859 e 1866 como a principal da cidade. Tinha estilo neomourisco com influência de Alhambra (Andaluzia-Espanha), sendo um significativo monumento da arquitetura da segunda metade do séc. XIX. A inauguração ocorreu em 1866 com a presença do chanceler Conde Otto von Bismarck. O prédio atual é uma reconstrução do original, severamente danificado durante a II GM e demolido.

No museu fica-se sabendo que foi restaurada em 1991, mas bombardeada na guerra em 1943. Vemos a escultura de Theo Balden (1904-1995), “Cabeça de um Judeu Espancado” ou Head of a Beaten Jew. A obra reflete a sua experiência na prisão da Gestapo entre 1933 e 1934. Retornou à Alemanha Oriental em 1947. 90 mil judeus escaparam em 1933. 75 mil ficaram por falta de contatos ou fundos, não podiam ter telefones, só podiam fazer compras entre 16 h e 17 h. Tinham que entregar joias, rádios, máquinas de escrever. A partir de 1º de setembro de 1941 foram obrigados a usar a estrela de Davi (amarela) na roupa, foram mandados para guetos ou campos. 7247 sobreviveram, porque eram casados com alemães ou se esconderam. O centro judaico começou a funcionar no local a partir de 1988.

O policial Wilhelm Krützfeld salvou a sinagoga, quando chamou os bombeiros para extinguir o fogo na Noite dos Cristais. Grosse Hamburger Strasse, a rua das três religiões. Regina Jonas (1902-1944), a primeira mulher rabino na Alemanha. Morreu em Auschwitz, lutou por reconhecimento e dava aconselhamento no campo de extermínio. Em outubro de 1942 esta sala O Salão dos Representantes (The Representatives´Hall) foi lugar da infame Operação Comunitária (Community Operation): os empregados da comunidade foram classificados como “dispensáveis” pela Gestapo (polícia secreta do Estado), perderam o emprego e foram deportados para campos com suas famílias.

Em 1905, ao lado da sinagoga, havia o Arquivo Central dos Judeus Alemães. Em 1926 o material foi incorporado a 344 comunidades judaicas. Em 1939 o Escritório de Genealogia do Reich usou esses recordes para verificar a herança ariana. Aqui existia o Museu Judaico de Berlim em 1933, ao lado da sinagoga. O Pogrom (perseguição deliberada a um grupo étnico/Noite dos Cristais) de 1938 trouxe um fim ao museu.

Saímos do museu impactados. Ao lado, existe o Centro Judaico. E rumamos ao almoço no dean&david na Monbijouplatz, 5. Uma tigela de frango, com quinoa, arroz, alface, tomate-cereja, sementes verdes e feijão. Delícia de uma garrafa de uma fruta silvestre (berry) azeda. Mais um expresso estilo italiano. Ufa!

Continuaremos com a Berliner Dom (Catedral) e o passeio à noite pela cidade. Berlim fenomenal.

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pela cidade-dia 4

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pela cidade-dia 4

Hoje é domingo, dia 16 de março de 2025. Dia especial, porque o Carlos e eu reencontraremos a amiga Ute Hermanns. Foi professora visitante na Casa de Cultura Alemã da Universidade Federal do Ceará (UFC) por 4 anos, e daí nasceu nossa amizade. Desde que foi embora de Fortaleza-Ceará, vive em Berlim, sendo professora de alemão para refugiados. Logo, foi uma grande alegria estarmos juntos. Ela nos encontra no lobby do hotel Park Inn by Radisson. Lá vamos de S-Bahn ao zoológico. Compramos os tíquetes na máquina. Detalhe: é o sistema de transporte de trens suburbanos e metropolitanos de superfície rápidos (fonte: Wikipédia).

A nossa amiga vai nos contando sobre a cidade. Feira das pulgas no parque Tiergarten aos domingos, enorme, vemos muito de Berlim de S-Bahn. Como existem museus na cidade. Igreja Memorial Imperador Guilherme ou Gedächtniskirche, destruída na II Guerra Mundial. O Google.com cita que é localizada na praça Breitscheidplatz, tem ao lado uma nova igreja moderna com uma torre octogonal e paredes de vidro azul. Inaugurada em 1961. A igreja antiga era neorromântica do séc. XIX. A torre danificada foi mantida de pé como um memorial de guerra e símbolo de paz. Batom e Caixa de Pó de Arroz, nomeados carinhosamente pelos berlinenses. Lá vemos os nomes dos mortos no atentado de Natal no dia 19 de dezembro de 2016, além de proteção de sacos, alambrados e cones de ferro na avenida por causa do ocorrido. Sempre tocante.

Bikini Berlin, loja de departamento. O jardim zoológico, o mais antigo do país, foi fundado em 1844. A visita foi presente da Ute. Obrigada! Vemos pandas gigantes (mamãe e dois filhotes gêmeos). Chamam-se Leni e Lotti. O panda papai está separado da família. Os bebês pandas nasceram em agosto de 2024, não mamam mais, comem bambu, tinham 13 kilos à época da viagem. São a sensação do zoo. Recebem biscoito como recompensa, não saem do recinto, por segurança de saúde, já a mãe deles pode sair. Eles têm uma vértebra especial que facilita a maneira como sentam, de forma confortável. O casal é formado por Meng Meng (ela) e Jiao Qing (ele). Os pandas são ativos, curiosos e desobedientes.

A seção de macacos é dividida por salas. São chimpanzés, orangotangos, gorilas. Ficam dentro no frio e para dormir há a parte de fora, melhor para eles. Vemos um orangotango da Sumatra, um gorila namorando e outro filosofando, eis o Fatou, é velho e só. A sua companheira havia morrido em 2010, a Gigi. Mais girafas, elefantes, bambis etc. Elefantes fêmeas levam a gestação por 22 meses. Os elefantes pesam de 2 a 7 toneladas, dependendo do sexo, idade e espécie. Passam 15 a 16 horas do dia comendo.

De lá, a pé passamos no Memorial de Tiergassentraße 4 ou Memorial e Centro de Informações para as Vítimas dos Assassinatos de “Eutanásia” do Nacional-Socialismo. Aparecem os nomes de médicos, enfermeiros e setor administrativo envolvidos nas mortes por Aktion 4 (programa de eugenia) com fotos da casa destruída, onde funcionava a mansão que servia como sede administrativa e central de planejamento dos massacres. Hoje, um memorial ao lado da Casa de Concertos Philarmonie (Filarmônica). O Google.com adiciona que o local homenageia as mais de 70 mil pessoas com deficiências físicas e mentais ou doenças crônicas exterminadas pelo regime nazista entre 1939 e 1945. A exposição é ao ar livre com painéis multimídia contendo documentos originais, áudios, vídeos e depoimentos de testemunhas da época. Vale a pena conhecer, é uma visita intensa. Berlim é história in loco. Detalhe: segundo o site https://www.todamateira.com.br, eugenia é a seleção dos seres humanos com base em suas características hereditárias com o objetivo de melhorar as gerações futuras.

Filarmônica e Sala de Música de Câmara. Sony Center, biblioteca, museus. E rumamos ao Gemäldegalerie, museu com exposição de pintura europeia dos séculos XVI a XIX. Localizada na Kulturforum (Fórum Cultural) cerca da Potsdamer Platz. Exposição temporária de 60 pinturas protegidas do museu da Ucrânia: Odesa Museum of Western and Eastern Art, de arte ocidental e oriental. Com molduras mais simples. Vemos pintores como Albert Edelfelt (1845-1905), cuja obra é “Virgin and Child” (A Virgem e a Criança), Gerard David (1460-1523), com “Lamentation of Christ” (Lamentação de Cristo). Está escrito no museu: “A representação de Maria, a mãe de Jesus, é um dos temas mais antigos das pinturas europeias”. Outros pintores: Francesco Granacci, amigo de Michelangelo; Giovanni Battista Salvi, chamado de Sassoferrato com a obra Head of the Virgin (Cabeça da Virgem), de 1685. Além de Canaletto, com a obra “Venice, Canal Grande”, de 1735; pinturas sacras de 1410, 1437, 1859; e também encontramos pinturas de Lucas Cranach, o Velho. Esculturas na madeira, e muito mais. Imperdível o museu. Endereço: Johanna und Eduard Arnhold Platz, 10785. Europa é cultura.

Do museu, partimos para o almoço no apartamento da amiga Ute. Entramos no ônibus de dois andares na rua Kurfürstenstraße. Chegando ao bairro residencial dela, Schöneberg, em uma lindeza de prédio com jardim verdejante. Lugar bucólico. Lá estava a gatinha da Ute: Xica da Silva, cearense. Linda e amada. No almoço, também me reencontrei com o ex-colega da Casa de Cultura Britânica (UFC), Alcir Pereira, que habita em Berlim há muitos anos com a família. Depois da refeição agradável e calorosa, saímos a passear com os dois amigos.

Estivemos no parque Volkspark Schöneberg perto do apartamento da Ute. Parque com um bar de biergarten (com mesas grandes em um jardim para encontros alegres regados a cervejas). O parque tem locais de festas animadas para homossexuais. O povo joga bocha. Vimos o monumento do Veado Dourado. A companhia de lixo estava em greve. Lá também tem dessas coisas…

A Ute vai falando dos Places of Remembrance (Lugares de Memória). Em postes, vimos muitas, são placas com escritas das leis que foram decididas antes da II Guerra Mundial pelo partido nazista e foram alijando os judeus da vida civil. Bastante comovente. A Wikipédia nos informa que é um memorial que consiste em 80 diferentes placas afixadas em postes de luz no distrito bavariano de Schöneberg. São de alumínio, medem 50 × 70 cm e são distribuídas pela localidade. Cada placa tem uma simples imagem com uma lei antisemita de 1933 a 1945, relacionada à imagem desenhada na parte de trás. Foram instaladas no bairro em 1993. Na comunidade, residia uma população de judeus classe média alta. Antes de 1933, 16 mil viviam lá, milhares foram deportados pelo partido nazista.

Vemos muitas Pedras de Tropeço nas calçadas com um mini-histórico de judeus que foram levados a campos de concentração forçosamente e seus destinos. Sempre triste testemunhar a maldade humana. O site https://simplesmenteberlim.com destaca que são “pedras de tropeço” ou em alemão Stolpersteine. São pequenas placas de metal criadas pelo artista alemão Gunter Demnig e instaladas nas calçadas de várias cidades europeias, incluindo Berlim. Essas placas individuais lembram vítimas do regime nazista, principalmente, judeus, mas também dissidentes políticos, homossexuais, ciganos e outros perseguidos. Cada pedra é gravada com o nome, data de nascimento e destino do indivíduo que sofreu sob o regime e é afixada na calçada diante da moradia da vítima.

Também passamos por um memorial onde existiu a sinagoga de Schöneberg. Bem bonito em cimento. Está escrito: “Aqui ficava uma sinagoga entre 1909 e 1956. Ela não foi destruída durante a Noite dos Cristais em 9 de novembro de 1938, devido a sua localização em um edifício residencial. Após a expulsão e o extermínio dos cidadãos judeus pelos nacional-socialistas, a sinagoga perdeu sua função e foi demolida em 1956”. Localizada na (rua) Münchener Straße. O site Blogger.com salienta que a sinagoga foi projetada pelo arquiteto Max Fraenkel e inaugurada em 1910. Ficava próxima à Bayesricher Platz. Acrescenta que em 1938 foi saqueada, mas não queimada e que continuando a sofrer graves danos com as bombas da guerra (II GM), ficou sem condições de restauração. O memorial atual se situa exatamente onde ficava o templo, hoje funciona uma escola. Está no nível da rua e os jardins do colégio foram desenhados seguindo o contorno original das fundações da sinagoga para preservar sua memória. (Fonte: sites Kommot e Blogger.com.)

Sempre emocionante estar entre amigos em outra cidade, ainda mais em Berlim, com tanto a aprender. Na Bayerischer Platz, na estação de trem Merringdamm, pegamos o metrô U7 e descemos quase na porta do prédio do Alcir. No bairro Kreuzeberg. Descemos na estação 46 E Stadmitte na praça Gendarmenmarkt, do séc. XVII, verdadeiro tesouro cultural e arquitetônico da cidade, de acordo com o site guiabrasileiroemberlim.com.br. Vimos a Casa de Concerto Berlim, linda, a Igreja Francesa, feita pelos huguenotes, e a Igreja Alemã. A estátua do poeta Schiller, a praça Bebelplatz onde foram queimados os 10 mil livros, hoje um memorial: a “Biblioteca sem Livros”. Olhando para baixo através do vidro, percebemos as prateleiras serem brancas. Em cima, ao redor da vidraça, testemunhamos homenagens em formas de velas acesas.

Uma caminhada cultural e histórica, chegamos perto do nosso hotel, ainda tomamos um café com a Ute e Alcir. Já era noite. Estávamos todos cansados, andamos mais de 12 km. Isso que é bom na Europa, poder passear tanto assim pela cidade. O clima ajuda, as calçadas também. Dia perfeito, agradecimentos efusivos aos queridos amigos que dedicaram seu tempo precioso a mim e ao Carlos.

No dia seguinte, começa a excursão de fato. Não preciso dizer que Berlim conquista nossos corações.

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 3

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 3

Hoje é sábado, dia 15 de março de 2025. Outro dia promissor que se inicia com o café da manhã do hotel Park Inn by Radisson na Alexanderplatz. O melhor são os iogurtes cremosos, o de framboesa demais. Às 10h35 estamos na parada do ônibus turístico do hop on hop off. Linha amarela, City Circle Gray Line. Chegamos tarde, porque é inverno, então é tudo mais lento, especialmente para nós, do nordeste brasileiro. Havíamos comprado a passagem para 48 horas. Saímos do hotel, dobramos à esquerda e encontramos a parada perto da academia FIT X. Não há placa do ônibus especificamente, as paradas são marcadas pela letra H, que também engloba as paradas de ônibus regular.

Começaremos a jornada. Os aúdios em português de Portugal. Na av. Karl-Marx-Alee, os edifícios eram monumentais na Berlim Oriental (do setor soviético) à época da Guerra Fria e ainda existem. Os prédios, inspirados na URSS, avenidas, candeeiros idealizados por Moscou, construídos a mão, edificações luxuosas de 11 andares, com o chão em piso parquet e elevadores, melhorias realizadas na época para impressionar o Ocidente e mostrar o quão bom era o socialismo. Era a avenida mais famosa da República Democrática da Alemanha (RDA), construída entre 1952 e 1960. Detalhe histórico: com o Programa Nacional de Reconstrução de Berlim, pós-II Guerra Mundial, os escombros foram removidos e a rua alargada.

A Wikipédia nos conta que em 16 de junho de 1953, começou uma revolta dos trabalhadores da construção civil que se rebelaram contra o aumento da cadência de trabalho sem compensação, o movimento se espalhou pela Alemanha Oriental e foi massacrado pelas tropas soviéticas e pelo Volkspolizei (polícia nacional da RDA).

Aqui cabe uma explicação sobre a RDA. De acordo com o mesmo site acima, a RDA ou Alemanha Oriental oficialmente se definia como um “estado socialista de trabalhadores e camponeses”. Ao mesmo tempo, o país era governado por um partido de inspiração marxista-leninista e integrado ao bloco soviético, sendo amplamente chamado de país comunista. Existiu entre 1949 e 1990, período em que a parte oriental da Alemanha fazia parte do bloco oriental durante a Guerra Fria.

Na parada 3: Gedächtniskirche/Rankestraße, vemos a escultura nomeada de Corrente Quebrada. O Google.com destaca que foi inaugurada pelos 750 anos de Berlim, dois anos antes da Queda do Muro. Trata-se de uma escultura de tubos retorcidos que imitam os elos de uma corrente partida, simbolizando a trágica divisão entre Berlim Ocidental e Oriental. Por não se tocarem no centro, representavam a proximidade física, mas o isolamento político dos cidadãos da época. Projetada pelo casal de escultores alemães Brigitte Matschinsky-Denninghoff e Martin Matschinsky em 1987. Achei genial.

Bairro Friedrichain. Da época imperial, anos 1900. Edifícios dos anos 1950. Parte oriental. Rua Varsóvia, liga o norte de Berlim ao sul. Era comercial com pequenas lojas antes da reunificação. Gostei da avenida, com canteiros centrais e praça com bancos para sentar. O tram passa ao lado.

Descemos na parada East Side Gallery, do Muro de Berlim. História do muro, fotos e pinturas, totens explicativos da história ao longo do rio Spree. Andamos até o Ostbanhoff (era a principal estação de trens da antiga Berlim Oriental) e atravessamos a rua para a parada do ônibus turístico. A gente escuta os aúdios, mas não sabe onde estão os locais, porque não há nenhuma placa que os indique.

Na Berliner Dom, catedral protestante luterana, há o mausoléu dos reis da Prússia, da dinastia Hohenzollern.

As bicicletas são incentivadas na cidade. Avenida Unter den Linden, maravilhosa. A Ópera Nacional, de 1742, está em renovação. O Portão de Brandemburgo fechado para o trânsito. Descemos no portão. Fomos ao restaurante de comida alemã Hopfingerbräu ali perto. Menu: salsicha branca com pretzel e molho doce/azedo. E chope. Como não? Não usam adoçante e o açúcar não é doce. Pratos bem interessantes, também veganos, cervejas diferentes, doces também. Exemplificando: doce de cereja azeda e chips de chocolate e quark (tipo de queijo fresco, cremoso, e levemente ácido). Deve ser uma delícia. Valor do almoço: €22,50 (euros).

Caminhamos pelo Portão de Brandemburgo e avenida Unter den Linden. Muita gente, afinal é sábado. Bem policiado. Rumamos ao Memorial aos Judeus Mortos da Europa. Dedicado à memória dos 6 milhões de judeus assassinados durante o Holocausto. Vemos os vários caixões de cimento em tamanhos diferentes como se fossem um cemitério. Já começa impactante. Esperamos na fila para adentrar o museu embaixo, passamos pela segurança, fotos sem flash.

Iniciamos a visita. A história cronológica da perseguição aos judeus pelo partido nazista. Primo Levi, químico judeu italiano, sobrevivente. Autor da obra-prima: “É isto um homem?”, com suas memórias do sofrimento passado em Monowitz-Auschwitz. Fotografias de judeus assassinados. Claire Brodzki (1928-1944) em Auschwitz e muitas outras pessoas retratadas. Morte de ciganos do grupo Sinti (encontrados na Alemanha, Itália e França). Outra sala com projeções no chão de histórias encontradas em papeis ou cartas/postais. Nas paredes, números de judeus mandados para campos de concentrações nos diversos países. Sala com o histórico de famílias e seus destinos, fotos, cartas, quem eram, os que morreram e como, e os que sobreviveram. Em alemão e inglês. Fotos de famílias, como a da Família Kagam na Bielorrússia, Hirsch na Hungria e Peereboom nos Países Baixos. Maly Trostenets, perto de Mink, capital da Bielorrússia, o maior campo de extermínio nazista da URSS ocupada. Babi Yar, fuzilamento em massa. Babi Yar era uma ravina perto de Kiev, capital da Ucrânia. Em setembro de 1941, dias 29 e 30, a Einzatzgruppen, esquadrões de morte, subordinados à SS, ajudou a polícia alemã e auxiliares locais a assassinar 33.721 judeus, homens e mulheres, jovens e velhos por fuzilamento. O gás venenoso Zyklon B, usado como método de extermínio nos campos de concentração. Muito bons os vídeos de entrevistas de sobreviventes. Forte a visita, mas necessária, para que nunca esqueçamos dos horrores do nazismo. Saímos e comprei um postal do memorial, das caixas de cimento com uma árvore de flores brancas na frente. A natureza torna a foto menos árida e mais lírica.

Um protesto no Portão de Brandemburgo. Com bandeiras, a polícia presente observando. A pé pela avenida Unter den Linden, um prazer, cheio de gente, só vi duas pessoas com cachorros passeando, o frio intenso. Outro protesto mais adiante: Salve a Ucrânia! Dei meu apoio. Em um quiosque de Döner Kebap, tomei café e pedi um kebap de frango para o jantar.

Sentamos em um banco em frente ao Museu da Guerra Fria. Outro museu: Bud Spencer & Terence Hill Museum (atores). Cafés, restaurantes, edifícios. A Champs- Élysées de Berlim. Agradável a caminhada. Estátua equestre de Frederico II, o Grande, em bronze, de 1851. Escultor: Christian Daniel Ranch, com 13,5 m de altura. Foi monarca da Prússia de 1740 a 1786. A casa onde morou o físico alemão Max Planck, de 1889 a 1924. Com feira de antiguidades ao lado. A Universidade Humboldt. Sebo em frente.

Continuamos na Unter den Linden. Prédio estilo greco-romano. A Wikipédia esclarece que é o Memorial Central da República Federal da Alemanha para as Vítimas da Guerra e da Ditadura. Chama-se Neue Wache, ou seja, nova Casa da Vigília. Interessante que chove e neva dentro. O simbolismo é poderoso. O interior da Neue Wache, com a escultura de Käthe Kollwitz: “Mãe com seu filho morto”. Garanto que quem vê, fica mexido. Berlim marcante.

Mercado de arte ao lado do rio Spree. Pinturas, fotos, artesanato. Bolsas, roupas, tudo lindo. Porcelana da Floresta Negra. Sábados e domingos, das 11 h às 17 h. Berlin Art Market. Pura tentação.

Parque em frente da Catedral, Lustgarten, com músicos de rua tocando órgão e violino. Bem Europa. A Berliner Dom é um cartão postal de tão bela. Que frio! Mão gelada. Voltamos à Galeria, loja de departamentos fantástica, perto do nosso hotel. Para mais chocolates, preços imperdíveis.

Berlim não se esgota, que cidade mais interessante e rica de história e cultura. Prosseguiremos em breve com mais passeios.

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 2

Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio de ônibus turístico-dia 2

Hoje é dia 14 de março de 2025. O dia passado foi cansativo, dia de chegada. O Carlos e eu estamos no hotel Park Inn by Radisson na Alexanderplatz. Acordamos às 9 h e fomos para o salão de café da manhã que é no restaurante Spagos (restaurante, bar e lounge). Funciona das 6 h às 11 h. Na entrada do salão, um rapaz controlando os hóspedes pelo cartão do hotel. O café da manhã bem farto com muitos pães, queijos, presuntos, frutas, iogurtes bem cremosos sem açúcar. Já tem leite e garrafa prata de café na mesa. Prático. Pão com passas de uva, crisp bread (pão crocante), ovos, panquecas. Jornais e revistas para leitura. São duas ilhas de comidas com sucos e cafés. A seção de chás respeitável. Por isso hotéis me encantam. Amo estar em um ambiente com turistas do mundo todo e em várias línguas faladas, o inglês, porém, é fundamental para comunicação.

Hoje é dia de passeio de hop on hop off, nosso ônibus preferido nas cidades, o amarelo. Estamos por conta própria, a excursão começará somente no dia 17. Compramos os tíquetes em um guichê no hotel. €56 (euros) para nós dois com desconto. Há um mercado de guloseimas no saguão com espaços diferentes. Muito bom e aceitam cartão de crédito.

Lá vamos nós pela praça Alexanderplatz. Estamos meio perdidos, não é novidade. Um policial nos ajudou e chegamos à parada de ônibus do City Circle Gray Line. Parada 12: Alexanderplatz/Park Inn. Serão 2h e meia de passeio. Lembrando que dá para descer e subir nas paradas.

Comecemos a jornada. Escutando os auriculares em português de Portugal. Estamos na av. Karl-Marx-Alee. Antiga Berlim Oriental. Região de residencial popular. Parada 13: Karl-Marx-Alee. Prédio do partido único da Alemanha Oriental (RDA). Segundo o Google.com, esse prédio abrigava o Comitê Central do SED (Partido Socialista Unificado da Alemanha), hoje funciona como sede principal do Ministério Federal das Relações Exteriores da Alemanha. Localizado no centro de Berlim.

Prédio da antiga editora da RDA. O Google.com nos informa que era o principal e mais célebre edifício da editora, o Haus des Berliner Verlags, conhecido historicamente como Pressehaus (Casa da Imprensa). Atuava como o coração da mídia impressa do regime.

Antiga Central de Energia Térmica. O áudio se confunde e fala “energia atômica”. O mesmo site nos conta que foi inaugurada em 1964, fornecia eletricidade e aquecimento central para a maior parte de Berlim Oriental. Movida a combustíveis fósseis. Atualmente, abriga a conhecida casa noturna e centro de eventos Kraftwerk Berlin, onde tocam os DJs mais famosos, ninguém tem certeza que entrará, depende dos leões de chácara deixarem entrar, são 1.500 fãs, há bar panorâmico, música eletrônica, a Lady Gaga gosta, vão até segunda de madrugada nas baladas.

Parada 14: Berghain/Friedrichhaim. Parte ocidental e oriental com edifícios antigos. Rua Varsóvia (Warschauer Straße), a mais animada. Restaurantes, lojas, bares.

Parada 15: East Side Gallery. Restante do Muro de Berlim. Trecho contínuo com cerca de 1.300 m, 100 pintores fizeram obras artísticas no muro, Patrimônio Histórico e Artístico. Espaço memorial às margens do rio Spree. Antes de 1989, com a Queda do Muro, do lado da Alemanha Oriental, guardas ainda matavam quem tentava fugir. Há prédios sendo construídos por ali, mas nem todos concordam.

Parada 16: Ostbahnhof. Estação de trens com diferentes nomes reflete a complexa e agitada história do país moderno. Cidade com obras artísticas murais, casas coloridas. Gente morando debaixo de ponte. Ainda vemos prédios uniformes, cinzas da antiga Alemanha Oriental.

Parada 11/17: Neptunbrunnen/Rotes Rathaus. Câmara Municipal, de cor vermelha. Igreja de Santa Maria ou Marienkirche. Fonte de Netuno do séc. XIX. Conforme o site https://mapeandomundo.com, trata-se de uma fonte verde, construída em 1895, no estilo neobarroco que retrata o deus do mar. e é rodeado por figuras femininas que simbolizam os rios alemães Reno, Weichsel, Oder e Elba. A Torre de TV se encontra perto.

Parada 18: DomAquarée. Parada 19: Museumsinsel/Humboldt Forum. Ilha dos Museus, de acordo com a Wikipédia, construída de 1830 a 1930 por ordem dos reis prussianos, foi designada Patrimônio Mundial em 1999, por causa de seu testemunho no desenvolvimento arquitetônico e cultural dos museus dos séculos XIX e XX. Igreja monumental da Corte: Berliner Dom. Catedral protestante luterana. Lustgarten-um parque na Ilha dos Museus. Palácio de Berlim, anteriormente, conhecido como Palácio Real, alberga o museu Fórum Humboldt, dedicado à história humana, arte e cultura. Ponte Schlossbrücke, com esculturas em mármore branco que retratam a jornada de um menino até a maturidade, tornando-se um guerreiro e encontrando a morte no campo de batalha. Essas estátuas estão sob a tutela das deusas Atena, Nice e Íris (fonte: https://www.getyourguide.com). Não é uma cidade notável?

Parada 20: Unter den Linden. Avenida linda, larga, ótima para caminhadas. Antiga Biblioteca Real, hoje Faculdade da Universidade de Humboldt. Na Faculdade de Direito, no subsolo da praça Bebelplatz, ao lado, há o memorial dos livros queimados, uma biblioteca sem livros, um dos locais onde os livros foram incendiados pelos nazistas em 1933.

Under den Linden com Friedrichstraße, cafés famosos, um se chama Viktoria ali perto. A avenida celebrada antes era o caminho por onde o rei ia a cavalo até seu palácio de verão Charlottenburg passando pelo Portão de Brandemburgo. Vemos as embaixada Russa, Britânica e Americana, sempre muito policiada.

Parada 21: Brandenburger Tor/Holocaust-Mahnmal. Memorial em homenagem aos Judeus Mortos da Europa, de Peter Eisenman. Inaugurado em 2005. Portão de Brandemburgo. Monumento neoclássico do séc. XVIII. Foi bloqueado pelo Muro de Berlim e serviu por quase três décadas como um marcador da divisão da cidade. Encontrava-se dentro do setor soviético à época da Guerra Fria, mas não pertencia ao lado oriental nem ocidental. Pós-Queda do Muro, passou a ser símbolo da reunificação.

Passamos pelas placas em forma de cruz com fotos, nomes e a história dos que morreram tentando pular o Muro.

Parada 22: Reichtag. Na Praça da República. Com bandeira hasteada. Feito em estilo neorrenascentista. Também conhecido como Palácio do Reichtag. O edifício foi projetado por Paul Wallot e inaugurado em 1894, sendo um marco da história do país, associado a eventos significativos como a proclamação da República em 1918 e o seu incêndio em 1933. O site https://dicasdeberlim.com.br comenta que esse incêndio criminoso foi usado pelo regime nazista como pretexto para perseguir opositores. Após a II Guerra Mundial, foi restaurado e modernizado, sendo utilizado como sede do Bundestag (uma das câmaras do parlamento alemão) desde 1999. A icônica cúpula de vidro foi desenhada pelo afamado arquiteto inglês Norman Foster, assim como o projeto do palácio.

Futurium, museu/laboratório, com entrada gratuita. Parada 23: Hauptbahnof. Estação principal de trens. Museu de História Natural. Edifício Cube Berlin, o mais inteligente, 210 mil pés quadrados, com estacionamento, luz, temperatura, fachada de vidro dobrada por dentro, tudo pensado, 11 andares de escritório.

Moabit é uma das seis localidades do distrito Mitte. No séc. XIX, à época do rei Guilherme I, era um povoado de huguenotes, fervorosos protestantes calvinistas, de origem francesa. Plantaram amoreiras e criaram bichos de seda. Muitos trams (bondes modernos) pela cidade. No prédio de detenção de Moabit estiveram detidos presos políticos da RDA.

Parada 24: Siegessäule. Obelisco da Vitória ou Coluna da Vitória, com deusa de ouro e mirante circular. Parque urbano público Tiergarten, destruído com suas árvores na II GM. Entre 1949 e 1959, reconstruído como parque paisagístico. 210 hectares, um dos maiores da cidade. Local popular.

Palácio de Bellevue, primeiro estilo neoclássico, local de reuniões oficiais e de hóspedes do III Reich. Foi atingido na II GM. Residência oficial do presidente da Alemanha.

Parada 25: Zoo+Aquarium/Bikini Berlin. O zoológico é um dos cinco maiores do mundo, 35 hectares, tem uns 20 mil animais de 1.600 espécies diferentes. Muitos centros comerciais ao redor. O Bikini Berlin é uma proposta de shopping inovadora, com hotelaria, entretenimento, compras e gastronomia. Tem uma área verde de 7 mil m².

Parada 1: Kurfürstendamm 216. Avenida com lojas exclusivas, como Hugo Boss, Dolce Gabbana, Ralph Lauren e outras mais. Conhecido como Boulevard Ku´damm. Viagem através de diferentes épocas na avenida imperial até hoje. Vida noturna e glamour. Foi inaugurada em 15 de maio de 1886. Seus edifícios foram destruídos na II GM. Zona comercial hoje com cafés e lojas. Estamos no inverno, árvores secas.

Parada 2: Hard Rock Cafe/Meinekestraße. Parada 3: Gedächtniskirche/Rankestraße. Gedächtniskirche ou Igreja Memorial Imperador Guilherme, construída entre 1891 e 1895. Destruída durante os bombardeios da II GM em 1943, o que se vê são as ruínas, preservadas como memorial de guerra. Dica de loja: Primark, com preços ótimos. Escultura “Berlin” (Corrente Quebrada).

Parada 4: KaDeWe. Descemos e entramos na KaDeWe, a loja de departamento mais renomada desde 1907. 2.700 funcionários, a gente se perde em tantos andares e há variedades mil. Muitas opções de comidas. Fomos almoçar, enfim, no 6º andar, no Kartoffelacker. Menu: almoço de truta defumada com batatas souté. A sobremesa: uma trufa de chocolate amargo. mais coca e café, uns €28 (euros).

De volta ao ônibus. Á direita, Urania, de 1888, sociedade científica para popularizar a atividade de ciência por meio de palestras, filmes e teatro. Em 1945, no fim da II Guerra Mundial, 70% da cidade estava destruída. 75 milhões de escombros. São 891 km². 3,7 milhões de habitantes no presente.

Parada 5: Lützowplatz. Parada 6: Kulturforum Tiergarten/Philharmonie. Passamos pelas embaixadas de Malta, Mônaco, Finlândia e outras. Fundação Konrad Adenauer, instituto político. A Wikipédia destaca que é uma instituição benemerente alemã associada ao partido da União Democrata-Cristã. Fórum da Cultura ou Kulturforum na Mattaikirchplatz.

Parada 7: Potsdamer Platz/Panorama Punkt. A praça Potsdamer era vívida nos anos 1920. No final da guerra em 1945, estava 80% destruída, foi esvaziada com a URSS e com a reunificação voltou a ter sua importância restaurada. Sony Center, Um complexo de sete edifícios individuais com o modo de fachada moldando chapas de papelão ondulado, seções de tecido em forma e superfícies (fonte: WikiArquitectura). Deslumbrante.

Estamos na divisão dos setores britânico (à esquerda) e americano (à direita) do pós-II GM. Na Leipziger Platz.

Parada 8: Gropiusbau/Topographie des Terrors. Edifício da Topografia do Terror, memorial e centro de documentação que preserva a história dos horrores perpetrados pelo regime nazista, localizado onde funcionou a sede da Gestapo/SS entre 1933 e 1945. O livro Em Busca de Sentido, Edição para Jovens Leitores, de Viktor Frankl, editora Auster, 2023, esclarece no Glossário que a Gestapo era a força policial secreta da Alemanha nazista que perseguia supostos adversários dos nazistas, e a SS, a organização militar nazista que realizava a vigilância, as prisões e execuções para Adolf Hitler.

Parada 9: Checkpoint Charlie. Ponto de controle de estrangeiros no setor americano no pós-guerra. Ali tem a história do Muro e o destino das vítimas. US Army Checkpoint. Friedrichstraße, ligação norte/sul de Berlim. Popular rua comercial depois da Queda do Muro. Primeiro grande projeto da reunificação, três blocos de edifícios ligados por uma galeria subterrânea. Estação de metrô fechada na frente, linhas 6 e 8, porque passavam pela parte leste da Berlim dividida na época da RDA.

Parada 10: Gendarmenmarket. Do séc. XII, a praça fica em uma das regiões mais belas de Berlim. Edifícios monumentais, bancos que convidam a sentar e admirar a cidade. Cidade larga. As Igrejas Gêmeas, barrocas, se situam dos dois lados da praça. Elas se completam com uma torre coroada por uma cúpula. Também há a Igreja Francesa e a Alemã. Essa virou um centro artístico e depois um museu que conta a história da democracia alemã. Bairro mais antigo e charmoso: Nikolaiviertel, ou seja, St. Nikolai.

Passamos pela Fonte de Netuno de novo e descemos. Caminhamos. Loja Pylones, perto da Berliner Dom, catedral. Linda, muito colorida. Um bocado de lojas de lembrancinhas nos arredores. Encontramos uma e comprei uma camiseta (lógico) de um brasileiro, Vinícius. Chegado há pouco na cidade. Já cerca do nosso hotel, a incrível loja de departamento Galeria na Alexanderplatz. Amamos, vários andares de compras, a seção de chocolates foi inesquecível. Com muitos descontos. No 5º andar, poucos restaurantes, no esquema de buffet, você paga separado pelo que escolhe. Resolvemos retornar ao restaurante de ontem à noite: Frittenwerk na praça, cerca do hotel. O mesmo prato: avocado chicken bowl (tigela de frango com abacate). Quem gosta, torna.

Observo muitas pessoas de mais idade trabalhando, a aposentadoria na Alemanha ocorre aos 67. E não vi gatos e cachorros de rua. Achei o Asien Supermarkt fantástico, só produtos orientais.

Continuaremos em breve. Cidade fascinante.

Campos do Jordão para conhecer-Mosteiro de São João e Museu Felícia Leirner-dia 4

Campos do Jordão para conhecer-Mosteiro de São João e Museu Felícia Leirner-dia 4

Hoje é terça-feira, dia 17 de março de 2026. O dia será intenso com vários passeios, estamos com o Leandro, nosso guia, conforme combinado no dia anterior, @leandrocitytour.

Começamos o dia com o café da manhã na pousada La Toscana só pra nós. O Leandro nos pega às 9 h e vai nos contando como é a cidade de Campos do Jordão no seu dia a dia. Há bombeiros, polícia militar e civil, hospital, mas sem UTI, somente em Taubaté, cidade a 55 km de distância. Condomínios por lei só de 4 andares. Bistrô/café em estilo francês Sans Souci, cafeteria mineira: Empório Recanto de Minas. Passamos pelo centro da cidade: Abernéssia. Bem ajeitado. Os nativos moram no local. A cidade tem 48 mil habitantes.

O Carlos e eu no Mosteiro de São João-Campos do Jordão-São Paulo-foto tirada pelo guia Leandro

Chegamos ao Mosteiro de São João, de freiras beneditinas. A entrada é uma floresta, tem um lago com carpas coloridas, o lugar transmite paz. A natureza é bem cuidada, com jardins, árvores, tranquilidade. Gruta Nossa Senhora de Lourdes com a sua imagem. Igreja com acústica diferenciada. As freiras estavam rezando com os cânticos: Preces Orações. Cantos gregorianos são ouvidos de manhã e de tarde. Santa Escolástica e são Benedito na parede.

A estrutura do mosteiro é de tijolo à vista e na madeira, possui café, bazar e lojinha com produtos da terra: castanhas, pães, doces, Geleia das Monjas Beneditinas, além de santinhos, almofadas de santos e muito mais. Está lá escrito: “Ora et labora”. Vale a pena conhecer. É um lugar turístico da cidade.

De lá rumamos ao museu Felícia Leirner. No mesmo espaço também se encontra o auditório Claudio Santoro, onde ocorre a apresentação principal do famoso Festival de Inverno todo ano em julho. Concertos de música clássica e também de outros espetáculos e eventos. Outra atração que se vê do local é o Mirante do Baú.

Vamos subindo a serra e conhecendo a Vila Santo Antônio, uma comunidade. O guia nos explica que é seguro cruzar. Acrescenta que “ninguém mexe com ninguém”. Viajar no Brasil requer saber sobre segurança. Ele comenta a respeito da casa de Paulo Maluf, ex-político. Palácio Boa Vista, do governador, com heliporto. Monumento de visitação pública (parte dele é um museu). Alto da Boa Vista. Com condomínios na área. Em Campos do Jordão, tudo que é alto, é nobre: Alto Capivari, Alto da Vila Inglesa, Alto da Boa Vista.

Chegamos. De graça para professores. Um espaço aberto gigantesco com árvores e esculturas. As araucárias dão o toque de beleza. O Leandro ficou nos esperando e nos deixando à vontade. No Centro de Pesquisa e Referência, com biblioteca e obras de escultura, há totens explicativos sobre a artista Felícia Leirner, sua história e a de algumas obras. Confesso que não a conhecia, que pessoa fenomenal. Vemos a obra “Cabeça de Alfredo Landau”, de bronze. As esculturas expostas ao ar livre estão no que era o quintal da casa dela. Viajar é aprender muito.

Ali se situa o auditório Claudio Santoro e um café literário. “Claudio” sem acento mesmo. No auditório se escuta Johann Sebastian Bach, um dos meus preferidos compositores clássicos. Falando um pouco sobre quem foi Claudio Santoro. De acordo com o folder, nasceu em Manaus em 1919, tendo sido um dos mais inquietos e polivalentes músicos do nosso tempo. Recebeu inúmeras premiações e condecorações, foi regente convidado das mais importantes orquestras do Brasil e do mundo. Após sua morte, o governo de São Paulo mudou o nome do auditório Campos do Jordão para Claudio Santoro.

Um pouco sobre este auditório tão impactante. Considerado majestoso, de acordo com o mesmo informativo, foi inaugurado em 1979. Tem capacidade para receber até 820 espectadores, sendo 814 assentos e 6 espaços para cadeirantes. Sua arquitetura moderna mistura elementos rústicos com grandes paredes de vidro que valorizam a luz natural e a paisagem do entorno, sem deixar de cuidar do conforto do público. No palco há fosso para orquestra. Nos bastidores, amplos camarins, salas de ensaio e áreas técnicas. Ou seja, é um auditório moderno que também pensa em acessibilidade para necessidades específicas.

Um pouco sobre o festival de inverno. Segundo o site www.festivalcamposdojordao.org.br, o festival terá mais de 80 apresentações gratuitas. Ocorre este ano de 2026 de 4 de julho a 2 de agosto. A abertura acontece no parque Capivari com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) e montagem de “A Flauta Mágica”, de Mozart, no auditório Claudio Santoro.

Saímos do auditório e fomos ao espaço aberto. Estávamos com um mapa/folder. Há três tipos de trajeto: o verde (fácil de locomoção/438 m), o amarelo (intermediário/813 m) e o vermelho (difícil/278 m), uma vez que há subidas e descidas íngremes, e trechos com obstáculos e escadas. A gente caminha muito, tem que ter joelho bom. Por conta do tempo, queríamos ter uma boa ideia, mas não fizemos o percurso completo. Ainda muito a passear pelos afamados parques de Campos do Jordão.

Obras e obras de Felícia Leirner. Divididas por fases: Figurativa, A Caminho da Abstração, Orgânica e Recortes na paisagem. É imperdível. Esculturas de bronze, cimento branco armado com ferro, granito e gesso. Achei tudo um trabalho a ser admirado. Na fase Orgânica/“Um caminho no meio da floresta”, nos deparamos com as obras Habitáculo II, de 1966/67. Parecem casas de gesso. Habitáculo V. Lembra a Casapueblo, em Punta Ballena, Piriápolis, Uruguai. Do artista Carlos Páez Vilaró. Como explicar? A sensação de algo que vemos e nos remete no momento a um local conhecido. Tenho muito esses insights em viagens.

A última fase Recortes na Paisagem. De 1980/82, arte semiótica, tem a obra Composição, em cima do monte e O Pássaro, de 1970. Gostei de O Anjo, da fase Orgânica, de 1969, e de O Segredo, da mesma fase, de 1969. Na fase figurativa, “Mulher Reclinada” e Moça Sentada II, esculturas de bronze, de 1950/1955. Em suma, fiquei maravilhada.

Ufa! Requer esforço subir o morro no sol, nas sombras, o clima é bem mais agradável. Não posso deixar de dizer quem foi Felícia Leirner. Nasceu em Varsóvia, na Polônia em 1904, veio para o Brasil em 1927. O informe nos conta que adotou o país como sua pátria. A paixão por animais e pela natureza era uma característica marcante da personalidade e da obra da artista. Em 1962, mudou-se para Campos do Jordão para viver junto à natureza. Conquistou diversos prêmios nacionais e internacionais ao longo de sua vida. A partir de 1979, quando o museu foi inaugurado, ainda aumentou sua coleção que pode ser vista atualmente. Faleceu em 1996, aos 92 anos de idade.

A área onde estão o museu e o auditório é um importante remanescente da Mata Atlântica. Apresenta uma rica diversidade biológica. São pelo menos 110 espécies de plantas, algumas árvores medem 25 m de altura, 92 espécies de aves e 10 espécies de mamíferos.

São administrados pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari).

O folder completa que o museu Felícia Leirner tem ao todo 88 esculturas, sendo 44 produzidas em bronze, 41 em cimento branco, 2 em granito e 1 em gesso. É uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e tornou-se uma das maiores atrações culturais de Campos do Jordão.

Prosseguiremos em breve com o Mirante do Baú e mais lugares para conhecer.

Bela Itália-Nápoles e Roma-dia 8-fim de viagem

Bela Itália-Nápoles e Roma-dia 8-fim de viagem

Hoje é dia 8 de outubro de 2025. Chegamos de Pompeia e vamos a Nápoles. Distância: 213 km. Finalizando a viagem de onde partimos para Capri. Segundo o folder da Europamundo, uma das cidade mais fascinantes e antigas do país, e continuamente habitadas da Europa. A cidade velha é uma das maiores do continente e foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO.

A guia Sabrina, como sempre, nos dá informações relevantes. Ela nos sugere comer a pizza napolitana. Fala no bairro Espanhol, autêntico, surgido no séc. XVI durante o domínio espanhol. Construído para abrigar guarnições militares espanholas, mas rapidamente se torna popular, incluindo atividades de prostituição e contrabando (fonte: https://italianismo.com.br). Para compras, a loja Napolimania (Via Toledo, 312). O ex-jogador de futebol Diego Maradona é amado pela população. Tem até santuário, um mural, no bairro, na Via Emanuele de Deo.

A origem da pizza marguerita tem a ver com a rainha Margherita de Saboia. Segundo o Google.com, a pizza nasceu na cidade no ano de 1889, pelas mãos do famoso pizzaiolo Raffaele Esposito, da histórica Antica Pizzeria Brandi. Ele criou uma receita especial em homenagem à visita da rainha, com as cores da bandeira italiana: branca (muçarela de búfala), vermelho (molho de tomate), e verde (folha de manjericão), aí batizaram a pizza com o seu nome.

Nápoles é rica em lendas e tradições. A guia nos conta sobre o munaciello, ou no dialeto local, “pequeno monge”. De acordo com o Google.com, uma das figuras mais emblemáticas do folclore napolitano. Descrito como um homem de baixa estatura, vestido em um hábito monástico com capuz e sapatos com fivelas de prata. Esse espírito pode trazer tanto grande sorte quanto azar. Acredita-se que a lenda nasceu nas entranhas da cidade. Origem histórica: nos subterrâneos de Nápoles, havia trabalhadores que conheciam perfeitamente seus aquedutos e túneis. Circulavam livremente pelas adegas e porões, muitas vezes deixando presentes (ou roubando pertences) para alterar a sorte dos moradores.

Há também a tradição da bruxa Befana. A Wikipédia menciona que é uma figura lendária do folclore italiano. Descrita como a “bruxa boa” ou simpática velhinha, ela voa em uma vassoura na noite de 5 para 6 de janeiro (Dia de Reis/Epifania) para deixar doces e pequenos presentes nas meias das crianças bem-comportadas e pedaços de carvão para as malcriadas. A Sabrina fala em outra tradição: duas semanas antes do dia 2 de novembro, Dia dos Mortos, os napolitanos limpam a casa e a decoram com flores. Fazem piquenique em frente às tumbas. O luto é sentido como dor. Escutamos no ônibus as músicas de Pino Daniele, estimado pela nossa guia.

Nápoles tem muralhas e cidade subterrânea. No centro, há fila na Via de Santics Francesco. O site https://post-italy.com nos conta que é para entrar no Museo e Capella Sansevero, local que conserva uma das esculturas mais famosas de Nápoles: o Cristo Velato, ou Cristo morto, em português. A obra realizada em mármore por Giuseppe Sanmartino impressiona pelo seu realismo e qualidade técnica. O corpo da estátua de Cristo é recoberto por um sudário esculpido em um único bloco de mármore. Ao observá-la, temos a sensação de que o véu não é feito de rocha metamórfica, mas de um tecido fluido que envolve perfeitamente as formas do corpo.

Novamente no centro, perto da Galleria Umberto I, se localiza a “Rua dos Presépios”, de artesãos, no bairro de São Gregório Armênio. Tradição de pai para filho. O site www.brasilnaitalia.net chama a atenção que se trata de uma via pitoresca, um verdadeiro tesouro de arte, tradição e história. Na Via dei Tribunali. Um pouco de história: originalmente, ali existia um templo dedicado à deusa Ceres, onde os habitantes locais ofereciam estatuetas de terracota como votos. No séc. X, um mosteiro foi construído sobre o antigo templo romano, abrigando as relíquias de são Gregório da Armênia. A partir daí, a produção de presépios ganhou ainda mais relevância, impulsionada pelas encomendas de famílias nobres que desejavam a cena do nascimento de Cristo em suas residências.

“O napolitano fica seco, mas não morre”, comenta nossa guia. Sempre foram machucados por todos os lados. Porém, eis uma cidade onde deixam as pessoas viver. Quem mora na rua, não quer sair de lá. São ajudadas. A Sabrina demostra todo seu amor pela cidade natal. O estado fica com quase metade do salário, pago em impostos. Se ganha pouco, muitos são informais. O trânsito é meio caótico.

Castelo Novo logo na saída do porto. A Wikipédia nos informa que foi fundado em 1282, com estilo gótico e proprietário: Carlos I da Sicília. O Palácio Real, de 1600, um dos quatro palácios que serviram de residência aos reis de Nápoles e Sicília durante o reinado das Duas Sicílias. Localizado `a Piazza del Plebiscito, 1.

Às 12h30 na Trattoria Medina (Via Medina, 43), local marcado para o almoço. Andamos até a Via Toledo, estamos no bairro Espanhol. O Carlos e eu retornamos por conta da quantidade de gente e fomos para o restaurante, almoçar logo. O grupo estava como queria, solto e livre. Pedimos a pizza marguerita, uma tônica e depois um limoncello, nosso licor preferido. A pizza é grande, para nós brasileiros, e os garçons não gostam que dividamos. Logo, comemos toda cada um. Bem diferente comer pizza no almoço, mas não tinha muita opção, a não ser pasta. Detalhe: não tinha café no lugar, pode? Outra cultura.

Os motoqueiros na Itália são intempestivos. Não vi sinais de trânsito, mas quando os pedestres passam, eles param. Pelo menos isso.

O grupo foi chegando para o almoço. Coperto é uma taxa fixa cobrada em muitos restaurantes, em especial, em áreas turísticas, já a gorjeta é opcional, se o atendimento for bem-feito, vale. Depois da pizza deliciosa, fomos à Galleria Umberto I, belíssima, em mármore, parecida com a Vittorio Emanuele, de Milão. Situada na Via San Carlo, eis uma galeria comercial pública, construída entre 1887 e 1890, conforme a Wikipédia. O nome é em homenagem ao rei da Itália à época. De cair o queixo de tanta formosura, o piso, teto, lojas, magnífica. Encontramos com o casal de primos, professores universitários, Leonardo Danziato e Octávia, fiquei maravilhada, já que a gente nunca se encontra em Fortaleza-Ceará. Ele fazendo estudos avançados em Paris. O mundo é pequeno mesmo. Nos deram a dica de Ravello. Fica para a próxima.

Castelo San Martino em cima. Fechado aos domingos. No local de encontro do grupo (em um dos estacionamentos perto do porto), eu e o Carlos ficamos meio perdidos, mas aí o apito da Sabrina nos achou. Nós, turistas, temos momentos de confusão mental. Obrigada, nossa guia fabulosa. Arriverdeci, Napoli. Adentramos o ônibus em direção a Roma.

O monte Vesúvio à direita, lá se anda a cavalo e se faz trekking. À esquerda, o monte Somma que faz parte do Parque Nacional do Vesúvio. 3 horas para Roma com parada técnica perto do monte Cassino. Estamos na região do Lazio ou Lácio. Gostei do local amplo com banheiros decentes e vendas de muitas opções de lembrancinhas, licores, casacos, chaveiros, camisetas etc.

Vemos de longe o monte Cassino, emocionante, quando penso na II Guerra Mundial. A Wikipédia destaca que é uma colina rochosa a cerca de 130 km a sudeste de Roma, no Vale Latino. 520 m de altitude. Mais conhecido por sua abadia, a primeira casa da Ordem Beneditina, tendo sido fundada pelo próprio Bento de Núrsia, por volta de 529. Algumas vezes foi saqueada na sua história, sofreu terremoto, foi dissolvida em 1866 pelo governo italiano. O edifício tornou-se monumento nacional com os monges como guardiões de seus tesouros. Em 1944, durante a II Guerra Mundial, foi o local da Batalha de Monte Cassino e o edifício foi destruído pelo bombardeio dos Aliados. Foi reconstruído após a guerra. Em 2015, a comunidade monástica era composta por 13 monges. É o segundo mosteiro beneditino mais antigo do país (fonte: www.wikiital.com). Um pouco sobre são Bento. Nasceu por volta de 480, de família nobre. Dedicou-se à oração e meditação, e é padroeiro da Europa.

Chegamos a Roma! Passamos pelo Coliseu Quadrado ou Palácio da Civilização do Trabalho. Ícone da arquitetura fascista, projetado em 1937 para sediar a Mostra della Cività Romana durante a Feira Mundial de 1942 (que não ocorreu). Está no distrito conhecido como Espozicione Universale Roma ou “EUR”. O Palazzo dello Sport, construído para os Jogos Olímpicos de 1960. O bairro EUR, da época do fascismo de Benito Mussolini, abriga muitos ministérios, museus e importantes instituições, tornando-se um espaço residencial e comercial vibrante (fonte: http://www.bing.com).

Piazzale Pier Luigi Nervi, praça. Cúpula da Basílica de São Pedro e Paulo. Em www.romaperegrina.com, descobrimos que a basílica foi projetada pelo arquiteto Arnaldo Franchini com a ajuda de Marcello Piacentini. Elaborada no formato de cruz grega, se caracteriza pelo uso de cimento armado e por ter a segunda maior cúpula da cidade. Trata-se de uma construção moderna. O diâmetro da cúpula é de 31 m e sua altura chega até 71 metros.

Largo Mustafa Kemal Ataturk. Vemos prédios baixos, avarandados, com cara de habitáveis no caminho para o hotel. Pessoas vêm aos domingos para barezinhos, terraços etc. Lugar para relaxar, bucólico. Outra Roma, longe da confusão do centro.

Detalhes de trânsito: o romano dirige mal, briga no trânsito. Já os napolitanos dirigem feitos loucos, não seguem regras, mas são amáveis. Puxamos a quem mesmo?

Vamos nos hospedar no enorme Ergife Palace Hotel, endereço: Via Aurelia, 619, o mesmo da chegada no início da excursão. Bairro: Aurelio. Bucólico. A 10 minutos da estação de metrô Cornelia e perto do Vaticano. Algo inusitado ocorre no local: o quarto 3606, por exemplo, a gente raciocina que seria no 3º andar, não é mesmo? Pois não é, é no 6º, o segundo número indica o andar. Só confunde o turista cansado. Outra cultura.

Enfim, viagem pra ficar na história da minha vida. Ufa! Muita cultura, aprendizado, conhecimentos, culinária. E viva a Itália, terra dos meus antepassados. Voltaremos, isso é uma certeza. Fim da excursão.

Bela Itália-Palermo-Nápoles-Pompeia-dias 7 e 8

Bela Itália-Palermo-Nápoles-Pompeia-dias 7 e 8

Hoje é sábado, dia 11 de outubro de 2025. Estamos em Palermo, capital da Sicília e entramos no porto às 17h35 com o ônibus. Nosso ferry noturno para Nápoles parte às 20 h. Faremos a travessia pelo mar Mediterrâneo. O restaurante funciona das 19h30 às 21h30, e a loja do navio fecha às 23 h. O ferry se chama Grandi Navi Veloci Spa M/N Majestic.

Entramos com o grupo da Europamundo, nos hospedamos em um quarto bem funcional e descemos para jantar. É tipo buffet, você escolhe e eles colocam no prato. Pedimos dois pães, ananás, tomate e mussarela Caprese, e um prato de bacalhau. Saiu €31,90 (euros).

Domingo, 12 de outubro de 2025. Acordamos às 5h30, socorro! A noite foi meio pela metade, pois é diferente estar em um ferry, minha primeira experiência dormindo em um, e o peixe do dia anterior não caiu tão bem. O barco a discutir… abre às 6h30 o café da manhã no restaurante, como se o navio chega às 7 h? Fomos ao local, estávamos na fila, e aí achei que seria mais rápido no café ali perto. Só que a caixa registradora do café quebrou, estávamos na espera. Voltamos ao restaurante com a fila maior ainda e pouca gente para atender ao self-service. A sorte foi ter nosso companheiro de viagem Celço (de Santa Catarina) lá, ficamos mais tranquilos. Não tinha quem servisse o presunto e queijo, no fim comemos o que podemos, correndo. €9,20 (euros).

Chegamos a Nápoles, o ônibus saiu e nós entramos nele. A nossa guia Sabrina sempre dando dicas valiosas. Ela que é napolitana sabe. O povo é acolhedor, recebe os imigrantes bem. “Ninguém é excluído”. Continua nos contando sobre a cultura local. A pimentinha que traz sorte, tem que tocar três vezes para ativá-la com a mão esquerda aberta, se for de coral, melhor. Na Antiguidade, eram pagãos e tinham o órgão sexual masculino como propulsor de boa sorte, a igreja Católica acabou com isso. Mas ainda se vê estampado em camisetas, aventais, coisas da região. Achei inusitado. Vi muito isso em Amsterdam-Países Baixos.

A guia segue falando em Pompeia, destruída pelo vulcão Vesúvio. Pessoas que trabalhavam na terra foram encontrando objetos. A cada ano se descobre mais, afinal era uma cidade romana.

Enfim, chegamos ao Parking Turístico e nossa guia local será a Patrícia, brasileira, com rádios para nós. Passaremos uma hora em Pompeia. Ainda não entramos no sítio arqueológico, com escavações e ruínas. O calor e o sol prometem, tem que se proteger com chapéu. A caminhada será árdua. Eu e o Carlos estamos de tênis e bota. Ficamos no Cellini Coralli e Cammi Factory para compras de corais, cafés, banheiros etc. No Cameo Art, o senhor nos mostra como colocar fotos em camafeus e em conchas. Loja fabulosa, embaixo no mármore branco. Vemos obras de arte em conchas. Olhamos com admiração. Em grupos grandes, esperamos ali perto abrirem o portão do local, somos os primeiros, praticamente. No final, vale a pena acordar cedo. Aproveitei para conversar com um casal de alemães simpáticos, bem viajados e vividos. Estavam viajando de motorhome, facilidades da Europa. A multidão continua na espera. Duas pessoas do nosso grupo foram chamadas a mostrar os passaportes, é aleatório.

Ruínas em Pompeia-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

Vamos ao passeio. São 66 hectares, 47 escavados. A erupção do monte Vesúvio, localizado na baía de Nápoles, ocorreu em 79 d. C., a 10 km da cratera. Foi a maior erupção desde a pré-história, a 30 km de altura, uma força de várias bombas atômicas, ficou noite por três dias por causa das cinzas. Também a cidade de Herculano foi atingida. 2 mil pessoas foram soterradas e enterradas por cinzas, pedras-pomes e pedrinhas. Morreram por gases tóxicos, a lava a 400º C. Com as primeiras lavas, a cidade foi enterrada. As lavas não chegaram onde estamos no momento. Os corpos que veremos no museu são moldes feitos pelo homem. À época Tito era o imperador. Seria muito caro reconstruir, segundo ele, então deixou como estava. Passou uns 1600 anos esquecida. Foi o rei espanhol Carlos III, de Bourbon, que dá início às escavações. Lembrando que à época o sul da Itália era dominado pelos espanhóis. O site www.nationalgeographic.brasil.com diz que o local foi encontrado no séc. XVII, soterrado por pelo menos 6 m de cinzas vulcânicas.

Pompeia era importante, tinha um porto, vivia de comércio. O site Nostrali nos conta que é situada em uma planície fértil, próxima ao rio Sarno. Ocupava uma localização estratégica dentro do Império Romano. A 30 km de Nápoles, na região da Campânia.

Em https://brasilescola.uol.com.br, descobrimos mais sobre a história do lugar. Os historiadores apontam que a região começou a ser habitada por volta da idade do Bronze (entre 3.000 e 1.200 a. C.). Antes dos romanos, a cidade foi ocupada pelos oscos (um povo que habitava a Campânia), gregos, etruscos e samnitas, antes de finalmente ser conquistada pelos romanos. Aí se inicia o período de maior prosperidade da cidade. Como ficava às margens do Mediterrâneo, era utilizada para realizar o transporte de várias mercadorias. Durante o séc. I d. C., Pompeia possuía 12 mil habitantes aproximadamente nos meios urbanos e 24 mil na zona rural.

Os romanos chegam em 3 a. C. O edifício Quatripórtico dos teatros. Corredor, com colunas e tetos. Arquibancadas. Zona dos teatros. Em 2 a. C. foi erigido. O foyer dos teatros, mas mudou de função. 17 anos antes da explosão do Vesúvio, houve um terremoto que abalou toda a área do golfo de Nápoles. As pessoas achavam que era uma montanha fértil, não imaginavam que fosse um vulcão e nem o perigo iminente. Na verdade, estava acordando por meio dos tremores de terra que destruíram o quartel dos gladiadores. Eram escravos e ficavam presos nas celas. Era um teatro. Os arqueólogos encontraram armas ali, hoje estão expostas em Nápoles. A estrutura que vemos é original, mas houve reconstruções modernas. Tijolos usados na época. Anfiteatro com degraus para espetáculos exclusivos. Os romanos criaram a numeração dos assentos.

Via Stabiana, a segunda avenida mais importante de Pompeia. Dividia a cidade em norte e sul. Cruza perpendicularmente a Via da Abundância, formando o coração da zona comercial da cidade. Tinha sete portas. Rua na pedra, três pedras grandes eram as faixas de pedestres. O Google.com destaca a estrutura romana: a rua mostra claramente as calçadas elevadas, as pedras de travessia para pedestres e as guias de pedra que facilitavam o tráfego de carroças. A guia prossegue: as cidades sujas eram limpas. Chovia e os moradores passavam pela faixa de pedestres na altura das calçadas. Ela mostra as marcas das carroças em que os escravos subiam a ladeira, a colina. A pedra retinha a água. Os romanos eram engenheiros. Lojas, casas, edifícios públicos. Entrada com uma porta com tora de madeira. Restaurantes tinham um balcão para a venda de comida rápida e vinho, com braseiro. Comiam durante o dia. Iluminação ruim, o jantar era a principal refeição em casa. Os ricos tinham casas com dois pisos (domus), eram maiores e tinham escravos. Os pobres moravam apertados no primeiro andar, as construções não existem mais. Pão era para ricos e pobres, as padarias faziam farinha com seus moinhos. Totalizavam 36 padarias. O pão era muito comido.

A avenida, Via da Abundância, cortava a cidade leste/oeste. Segundo o Google.com, era a mais importante e central de Pompeia. Funcionava como principal artéria comercial e urbana, conectando o Fórum (centro político) à parte leste da cidade, passando por diversas casas aristocráticas, lojas e termas. Que lugar surpreendente, era enorme. Seriam necessário mais dias para conhecer o parque arqueológico.

Termas Stabiane-Pompeia-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

As termas eram limpas, espaços públicos e privados. As casas ricas tinham termas particulares. Termas Stabiane. O Google.com nos conta que são um dos complexos termais mais bem preservados, com decorações e afrescos originais. A guia Patrícia continua a informar: forno, calor pelos buracos nas paredes, parede dupla, piso duplo que esquentava a terma. Havia o calidário (lugar da água quente), frigidário (água fria) e o tepidário (banho morno). O sistema de estrutura dupla é ainda usado na Europa. As termas eram um espaço social para reuniões, como clubes. Havia um espaço enorme e ginásio. Vestiário com serviço de massagem.

Interessante notar que prostíbulos populares eram legalizados. Existiam em bares e casas também. O local era marcado com a figura de um órgão sexual masculino em cima da porta. Diga-se de passagem que significava prosperidade. Tríapo era o deus da fertilidade na mitologia grega e romana, e associado à agricultura e virilidade masculina. Eis o Lupanar, localizado no Regio VII do parque arqueológico. No bordel antigo, havia camas e pinturas eróticas nas paredes. Os marinheiros chegavam à cidade e seguiam as setas para o local. De acordo com o site http://www.tudosobrenapoles.com, é um dos pontos que mais chama a atenção dos visitantes. Também acrescenta que o valor do serviço oferecido no local é impactante, pois equivalia uma hora com uma “lupa” (como era conhecida a prostituta) a uma taça de vinho.

Nosso grupo está na Via da Abundância no momento. Vemos uma fonte de água com chifre e frutas. Nós caminhando e olhando para baixo, afinal as ruas são de pedras. Quanto maior o fórum, mais importante era a cidade. Fórum de circulação de pedestres com blocos obstruindo os carros. O mesmo site informa que era o coração da cidade e o centro da vida política, social e religiosa. Havia um grande mercado de peixes, um edifício de administração pública, e templos religiosos. No centro da cidade a imagem de Júpiter.

Vemos o Templo de Apolo, situado nos arredores do fórum. Dedicado ao deus Sol. O site www.tudosobrenapoles.com adiciona o Orto dei Fuggiaschi ou Jardim dos Fugitivos, onde se encontram cadáveres petrificados dos antigos habitantes da cidade que não foram capazes de escapar do Vesúvio. O Teatro Grande, construído no séc. II a. C., tinha capacidade para mais de 5 mil pessoas e era o lugar de diversão preferido dos moradores. A Casa del Fauno, conhecida como a casa com uma pequena escultura de uma de suas fontes, ainda se conserva como uma das mais luxuosas de Pompeia. O site faz um comentário digno de nota: você fará uma viagem no tempo ao passar por ruas de paralelepípedos que antigamente eram cheias de vida e que depois da tragédia foram sepultadas pelas cinzas e presas em uma imobilidade eterna que as conservaria até o final dos tempos. A cidade é Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO desde 1997.

Conforme o site https://brasilescola.uol.com.br, registros datam atividades vulcânicas do Vesúvio entre 1631 e 1944, sendo a última erupção em 1944. Atualmente, permanece adormecido, porém pode sim, voltar à atividade, por isso a cidade é monitorada pelo governo.

No Antiquarium, moldes de corpos-Pompeia-Itália-foto tirada por Mônica D. Furtado

As lavas expelidas pelo vulcão eram de cinza, pedra-pomes e pedrinhas, leve, poroso, quente, depois que esfria, cola. Fica a capa de material vulcânico. Um século depois, em 1860, o arqueólogo cria uma técnica para entender a capa. Santuário de Vênus, deusa do amor, foi destruído no terremoto antes. Deusa padroeira. No museu Antiquarium, os moldes dos corpos. Passamos por loja, mesa com objetos encontrados e a mesa de sacrifício de animais com presentes de ex-votos pelas graças recebidas. Incrível. Vemos mais escavações. As visitas vão de 1 h a 5 h. ou mais. A nossa guia local trabalha há 10 anos no lugar, nos diz que a Pompeia nova tem 700 mil habitantes.

O site https://brasilescola.uol.com.br nos ensina que a erupção com cerca de 4 km³ de cinzas e rochas enterrou a cidade e aproximadamente 2 mil pessoas sucumbiram sob várias camadas piroclásticas (conjunto de gás quente, material vulcânico, cinzas e fragmentos de rochas). A cinza se espalhou por Pompeia, petrificando-a e conservando os corpos. Os moradores que não foram desintegrados pelo calor proveniente do vulcão morreram em decorrência dos gases tóxicos, além de serem cobertos por uma nuvem de sílica e óxido de cálcio. Essas substâncias, ao interagirem com o vapor de água do ar em meio ao calor, formaram uma espécie de cimento (de caráter bem rígido), que envolveu o corpo das pessoas. Esse cimento preservou os corpos de muitos habitantes, marcando o momento em que morreram.

Pompeia impressionante. Prosseguiremos com Nápoles.

Bela Itália-Sicília-Palermo-dia 7

Bela Itália-Sicília-Palermo-dia 7

Hoje é dia 11 de outubro de 2025. Estávamos em Monreale, agora descemos a Palermo às 10h40. De acordo com o folder da Europamundo, a capital siciliana é uma cidade cheia de contrastes com histórias dos árabes, normandos e do esplendor barroco. Estamos com a guia Alessandra no momento.

Vemos a Porta Nova. Teremos momentos para compras, segundo a nossa guia Sabrina, bom lugar para fazer isso, pois os preços são mais em conta. Veremos a Catedral de Palermo, mais bonita por fora do que a de Monreale. Do séc. XII, ambas, de família real normanda. O exterior é espetacular, seu interior foi reformado no séc. XIX e seguiu o estilo neoclássico, mais sóbrio e simples. Mudou o aspecto por dentro.

A capela de santa Rosália, padroeira da cidade, tem seus restos mortais em uma urna de prata. O carro da santa ao lado, usado para a procissão e relicário. Ela vinha de família nobre, rica, aparentada da família real normanda. Estamos falando do séc. XII. Ela nasceu em Agrigento, deixou sua riqueza para se dedicar a Deus e entrou no convento de clausura. Cuidava dos enfermos, foi venerada ainda em vida. Na última parte de sua existência, viveu como eremita em uma gruta no monte Pellegrino, a 430 m. de altura. Quando morreu, foi declarada santa pela população. A Sicília já deu à Itália algumas santas: Rosália e Olívia de Palermo, Ágata de Catânia, e Lúcia de Siracusa.

Em 1647, a peste bubônica chega a Palermo pelos barcos infestados de ratos. Difundiu-se rapidamente e muita gente pereceu. Procissões eram feitas para pedir milagres. A guia nos conta que um dia um homem, caçador na montanha, teve uma visão com Rosália e ela pediu que ele pegasse seus restos mortais na cova e os levassem à cidade para uma procissão. Fizeram a primeira e em 3 dias a peste desapareceu e as pessoas se curaram. Eis a única padroeira de Palermo. A cada 15 de junho, dia do descobrimento das relíquias, a santa é celebrada, mas a procissão ocorre no dia anterior, com o carro representando um barco, já que a peste chegou pelo mar, com a santa em cima. Triunfo da santa sobre a peste. No evento há músicas e espetáculos, a noite é costeira. Por duas horas fogos de artifícios são lançados no mar.

A cova no monte virou o santuário de santa Rosália, construído em 1625. Os peregrinos sobem a pé para pedir milagres, proteção contra enfermidades e levam oferendas em prata e partes do corpo enfermo. Nas paredes e ao redor, existem oferendas pessoais. Em 4 de setembro, dia do seu falecimento, ou em qualquer outro dia do mês, há peregrinação, já que era uma santa peregrina.

Hora de continuar nosso percurso. No ônibus recolhemos uma contribuição para a guia Sabrina, o que é de praxe em excursões. Ela mereceu.

Prédios antigos com sacadas, muitas árvores. Depois da visita à catedral, teremos tempo livre. Porta Nova. Palácio do Governo. Palácio Real ou dos Normandos, sede da Assembleia Regional da Sicília. Com a sua capela Palatina. Diz a guia Alessandra que Carlos V, o Sacro Imperador Romano e Arquiduque da Áustria, derrotou os árabes em Túnis em 1535. 852.768 mil habitantes em Palermo. Depois da Porta Nova, se chega a mais antiga rua: Vittorio Emanuele. Palácio Episcopal ao lado da Catedral de Palermo. Sempre aglomerações, a guia lembra para tomar cuidado com pickpockets (batedores de carteira).

Chegamos à Catedral, o Duomo de Palermo. É incrível. O carro de santa Rosália, neste ano não tiveram dinheiro para fazer grandes modificações nele. A catedral é enorme, sem palavras para descrevê-la, parece um castelo árabe. Na verdade, era uma catedral que virou mesquita e depois voltou a ser catedral, sendo que a construção de como a vemos hoje é do séc. XII. O pórtico estilo gótico-catalão, a cúpula do início do séc. XVIII, neoclássica, a reformaram porque era antiga e queriam que fosse um estilo mais elegante e sensível diferente do exterior. Sete séculos entre o interior e exterior da catedral. Na primeira coluna do pórtico, uma parte do Corão em árabe. Dentro a capela de santa Rosália em prata. Sua imagem, tendo na cabeça uma coroa de rosas. Seu restos mortais estão lá.

Multidão, como sempre. No chão, um relógio astronômico, com os signos do zodíaco, algo considerado profano. O sol entra pelo buraco e indica o signo correto. Era moda nas catedrais italianas de antigamente, se vê na de Bolonha.

O beato Giuseppe Puglisi, morto pela máfia, tem uma capela de mármore rosa. Foi assassinado, porque salvava as crianças da máfia. Em 2013, beatificado pelo papa Francisco. Vemos também quatro tumbas de reis e rainha: Rogério II, Frederico II, Constança II e Henrique VI (imperador do Sacro Império). À época era o reinado das Duas Sicílias: Campanha e Sicília. A guia Alessandra foi embora, assim como três argentinos simpáticos.

Às 13 h entramos no ônibus para o centro. Tempo livre de umas 4 horas para passear. A pedonal é boa para caminhadas. Na livraria Paulinas, comprei um santinho de santa Rosália. No calçadão, restaurantes, bistrôs, lojas, feirinha, lavanderia. Enorme a avenida. Pedimos por ali um café americano e fizemos compras no A´ Putia Sicula, com um pátio dentro e outras lojas. Para aproveitar os banheiros. O táxi tuk tuk Piaggio laranja, uma graça. Maravilha de rua. Vemos motocarrozzetta, divertido. Aquele tipo de veículo com três rodas, uma moto acoplada em um cubículo para um passageiro.

Chegamos ao Teatro Massimo usando um mapa. Debaixo do teatro, a Via Macheda à esquerda. Bares, restaurantes, lojas baratas. Mercado do Capo, melhor frequentar esse. O outro Ballazzon tem pickpockets, de acordo com a Sabrina. Comer, passear, de olhos abertos. Com multidão não se brinca. Á esquerda, Via Ruggero com suas lojas de marcas. Na frente, o Teatro Massimo, onde foi gravada a cena do Padrinho, quando a filha morre, no filme icônico O Poderoso Chefão/The Godfather.

Outro teatro, Politeama. Andamos até os Quatro Cantos, lugar obrigatório, uma vez que são quatro prédios barrocos da época de D. Philippo III. A rua é uma festa. Na Via Maqueda, 253, cheia de gente passando no calçadão, escolhemos o Maqueda Bistrot para se deliciar com uma pasta carbonara e uma com molho de tomate e berinjela, e um chope, mais limoncello (liquor). Rua para compras com muitas opções de lembrancinhas. Cannolo/cassata siciliana, doces típicos. Muita mulheres “de idade” viajando juntas. As estampas coloridas nas roupas de limões sicilianos são demais. Provamos o granite siciliano de morango. €3 (euros). Granite: gelo e sorvete. Leve. Pouco açúcar. Gostei, refrescante, falta provar a cassata.

A gente atravessa a rua e estamos na Via Ruggero (Rogério) com lojas mais conhecidas, como Zara, Calzedonia, Sisley, H&M. A nossa guia Sabrina ganhou uma boneca a “cara dela” e a nomeou de “Sabrina” e juntamente com o boneco Mário e um apito são usados para chamar a nossa atenção. Uma figura! Saímos às 17h30 para pegar o ferry no porto e pernoitar ao som das águas do Mediterrâneo, estamos partindo para Nápoles. Zarpa às 20 h. As embarcações marítimas, como a nossa, são modernas, grandes e com todas as comodidades: bares, restaurantes, salas de festa, lojas, enfim, um espetáculo.

Prosseguiremos em breve.