Peru surpreendente-sítio arqueológico Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-dia 2

Peru surpreendente-sítio arqueológico Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-dia 2

Shopping Larcomar e o oceano Pacífico-Miraflores-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é segunda-feira, dia 6 de maio de 2024. O Carlos e eu continuamos conhecendo Miraflores, distrito de Lima. Pós almoço no shopping Larcomar, voltamos ao ônibus turístico (Miraflores Bus Turístico) a fim de ficar no sítio arqueológico Huaca Pucllana. Nós o pegamos em frente ao guichê Información Turística Tours & Ticket, com o atendente Mario, na praça Salazar ao lado do shopping.

Estamos na av. La Paz. Não canso de me encantar com a cidade, cujas praças são floridas e belas. O clima esfriou, ainda bem, estávamos com muito calor, afinal saímos do hotel preparados para o frio. Avenida Larco, a principal de Miraflores. O prefeito ou alcalde (em espanhol) de Miraflores é Carlos Canales, fantástico cada distrito ter o seu e saiba que são 43.

Passamos novamente pelo parque central do bairro: Kennedy ou dos Gatos, como é conhecido. Tem estacionamento subterrâneo. A avenida Larco é maravilhosa. Na calle ou rua San Ramón paramos por 10 minutos. Os restaurantes do calçadão são mais em conta. Na rua, vemos cambistas com dinheiro na mão e muito, que inveja! Lembrei de Salta na Argentina onde trocávamos a moeda na rua na maior tranquilidade.

Como os peruanos valorizam seus escritores e pessoas importantes, estamos na avenida Ricardo Palma. Nasceu em 1833 e morreu em 1919. Escritor, traduzido em várias línguas, jornalista, escreveu “Tradiciones Peruanas”, foi diretor da Biblioteca Nacional, nomeado em 1883. Olhando para os jardins no meio-fio, tão bem cuidados. Na avenida Petit Thouars, gostei de ver a soparia “Siete Sopas” de sopas e caldos. Amo canja, eis a razão. São várias lojas na avenida, são três quadras com lojas de artesanato e restaurantes, venda de roupas de lã de alpaca, e ouro. Os Mercados Incas se situam na avenida. Inka Plaza, Indian Market e outras lojas. Considero o artesanato andino belíssimo, por ser colorido e atraente.

Próxima parada: Huaca Pucllana. Cruzamos outra avenida fundamental: av. Arequipa. Rua Tarapacá. Enfim, chegamos, descemos e entramos em grupos separados pela língua falada: espanhol e inglês. Escolhemos espanhol. 15 soles PEN. Estamos em um sítio de mais de 1600 anos, incrível. Há o museu pequeno, fechado, na entrada e o enorme, aberto, a céu aberto. A guia Bianca tem muito a dizer.

Vamos à cronologia dos povos pré-inca e pré-colombianos. Segundo a Wikipédia, primeira fase: Cultura Lima de 200/400 a 700 d. C; segunda fase: Cultura Huari (Wari) de 800 a 900 d. C; terceira fase: Cultura Ychsma de 1000 a 1532.

Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

O sítio está em processo de recuperação. Existiu de 400 d.C. até 1542, com uma grande pirâmide de 25 m. Interessante que todo o sítio estava debaixo da terra, era um monte, a erosão e a terra caindo na década de 1980. No local, aconteciam treinos de motocross e bicicross até que foram abrir uma avenida e houve a descoberta de ossos e do sítio quando tiraram a terra. O passeio pelo sítio arqueológico dura 1 hora. Pucllana na língua quíchua (ou quéchua) significa “jogar, brincar, fazer carnaval”, de acordo com a Wikipédia.

As descobertas foram de cair o queixo: a população Lima havia construído uma cidade que era perto do mar, foram 200 anos de trabalho, com blocos de barro vertical resistentes a terremotos, tanto que há tremores e terremotos em Lima e lá não atinge, o terreno continua estável. 1000 anos antes era o espaço mais antigo de Miraflores como cidade. A pirâmide era simétrica, um grande pastel retangular com muros amarelos e 7 pisos, além de rampas para chegar ao ponto alto. A parte mais alta era o templo usado para banquetes e conexão com o mar. A parte baixa era pública, onde pescadores, agricultores e artesãos se reuniam. No lugar aconteciam sacrifícios humanos, foram encontrados 30 corpos, mulheres de 16 a 25 anos de idade, eram mães. O motivo era pra trazer fertilidade para o povo e impedir desastres naturais.

A Wikipédia nos conta que a técnica de construção predominante consiste em colocar adobes na posição vertical, alinhados com argamassa na base e parte superior, deixando pequenos espaços vazios nas laterias. Isso dá a ela um aspecto de livros em uma estante, por isso o estudioso Pedro Villar Córdova o chamou de “técnica do livreiro”.

Prosseguimos com a nossa caminhada a pé no sol, o local é muito árido. Passamos por uma balsa antiga, conhecida como “Caballito de Totora”. A Wikipédia nos informa que são embarcações usadas por pescadores no Peru nos últimos 3 mil anos e a UOL diz que são barcos pesqueiros individuais, umas pranchas rústicas.

No ponto de sombra, blocos de barro e conchas marinhas trituradas com águas de irrigação secados ao sol. A área de escavação ocorre ao lado sul atualmente, nem tudo foi explorado ainda. Huaca Pucllana foi descoberta em 1981. Subimos a rampa de areia, um esforço grande, para setores exclusivos com tumbas verticais tendo dentro alimentos e sacos. A população era pacífica. Viviam de pescados e da manufatura têxtil, o mar era essencial para eles, estavam a menos de 2 km do mar. A cordilheira dos Andes Centrais se veem daqui. Em 700 d. C., a população Lima sai do local por falta de água, a razão encontrada. Saem os Lima e entram os Wari que usam o sítio como cemitério. 82 tumbas, cada tumba para 3 ou 10 pessoas em posição fetal e com mantas. A cabeça baixa representa o poder. Os Wari sacrificavam bebês de 1 a 5 anos, tradição marcada, não se sabe se os pais também eram sacrificados. Os estudos estão sendo feitos. No norte, o líder e sua família mais animais domésticos eram todos sacrificados. Com as pesquisas, se sabe das enfermidades de quando tinham 40 a 45 anos.

Subiremos mais. Fizeram um promontório de madeira, os povos tinham sempre contato com o mar. Em 1746, houve o maior terremoto do país, cujo epicentro foi em Lima, capital. Depois um tsunami destruiu Callao, na região metropolitana de Lima. Pucllana foi protegida. Eis o ponto mais alto de Lima. Curiosidade: o nome Lima, conforme o Google.com, pode ter a sua origem relacionada com a palavra LIMAQ ou com o idioma aimará. LIMAQ significa “aquele que fala” ou “aquele que tem a capacidade de falar”, o vale do rio Rimaq onde foi fundada Lima, chamava-se Rimaq em quéchua. No idioma aimará, LIMA/LIMAQ significa “flor amarela”. Vemos mais tumbas em posição fetal nos muros. As áreas de escavação não são estáveis. Aliás, sempre quis ver arqueólogos em ação ao vivo. Realizei meu sonho.

Homens/bonecos com oferendas-Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-Peru

Na descida, vemos bonecos vestidos como na época segurando oferendas, fato baseado em escavações arqueológicas. Para os Wari (800-900), Pachacamac era o deus dos terremotos, para acalmá-lo, no centro de repositórios haviam cerâmicas com os sacrifícios humanos e oferendas de animais. O Google.com acrescenta que Pachacamac era o deus criador da mitologia inca, reverenciado como um oráculo e centro de peregrinação. O seu nome significa em quíchua “Alma da Terra”. O culto existia desde o império Wari anterior ao império Inca. Já a Wikipédia adiciona que Pacha Kamaq é uma divindade associada aos fenômenos vulcânicos sobre a crosta terrestre. Tinha a capacidade de controlar os movimentos da terra e causar abalos sísmicos. Significa “criador do universo”, onde pacha significa “universo , mundo ou terra” e Kamaq “criador”. Era esposo de Pacha Mama (Mãe Terra) e filho do deus Sol.

Fim do centro cerimonial. Mais caminhada. Embaixo, na forma real, um casal de cachorros, mais junco, e um pé de algodão. Parece um zoológico com patos crioulos, lhamas e alpacas. Do seu cruzamento saiu o misti (dito pela guia/misto) ou huarizo, menor. Além de preás pequenos, de 1 a 2 anos, para venda, e o cuy, roedor, ou porquinho-da-índia, há plantações de lúcuma, o sabor preferido do Peru, um fruto mistura de “sapoti com abacate”. Tem sabor adocicado idêntico à baunilha.

Parte final: na parte baixa se situava o sítio de trabalhadores de Pucllana, formavam blocos à mão e, posteriormente, eram colocados ao sol, já mencionei que levaram 200 anos para construir. Não há nada escrito, as famílias completas trabalhavam do centro para o mar. Sacerdotes impactavam a cerâmica. A oferenda da cerâmica vazia com figuras e elementos do mar. Templo em direção ao mar. Pucllana, lugar sagrado, usado para entretenimento e para a religião. Os arqueólogos forenses descobrem muito pelos fardos e corpos cobertos. Sabem o extrato social da pessoa, a idade e mais informações do falecido. Trata-se de um trabalho intenso de investigação. São 2500 buracos descobertos. A Wikipédia nos chama a atenção que em 2008 foi descoberta “a dama dos olhos azuis”, como foi denominada, por ter duas pedras azuis no lugar dos olhos, ou seja, eram usados para colocar oferendas. Também consumiam carne de tubarão.

Em pt.wikipédia.org, Pucllanaé um local sagrado (huaca) constituído por uma pirâmide truncada de 25 metros de altura e um conjunto de pátios, praças e muros a nordeste. Possui um salão de exposições, circuito de visitas e outras atrações. Possui seis hectares, mas na década de quarenta do século XX a área era o triplo da atual; o abandono e o desinteresse no passado fizeram com que valiosas evidências e pirâmides menores fossem destruídas para a construção de casas, avenidas e parques.

No museu pequeno e informativo se sabe mais sobre a cultura Wari ou Huari. Eram produtores têxteis. Tecidos feitos para a pós vida. A sociedade Wari foi uma sociedade de caráter imperial cuja capital é o atual departamento de Ayacucho, localizada no centro sul da Cordilheira dos Andes do Peru. Depois de um passeio tão instrutivo, demos um agrado à guia. Que país mais rico de cultura.

Voltamos de ônibus para o shopping Larcomar, compramos no mesmo guichê, na praça Salazar, o passeio para o dia seguinte com 10% de desconto. Dentro do shopping, descobrimos uma loja Columbia, boa para viajantes aventureiros. E jantamos no Lucio Caffé: suco de morango e sanduíche piadina sandwich Inglese que na verdade, é presunto, queijo americano e ovo. Piadina é pão de frigideira. De lá, sorvete no Pinkberry de morango e da fruta tão falada dos peruanos: lúcuma. Deliciosa.

Mais passeios amanhã. Bom demais.

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