Ceará-Piauí-De Luís Correia a Camocim

Ceará-Piauí- De Luís Correia a Camocim

Hoje é 12 de março de 2022 e o dia é de viagem de carro de Luís Correia no Piauí a Camocim no Ceará.

O Carlos e eu vamos pela praia de Macapá em Luís Correia no trajeto da Rodovia Litorânea (PI-117), estrada sem sinalização. Tenho visto muito cachorro de rua. Passamos por muitos condomínios de casas sendo construídos, colônias de férias como a do SESC. Ao longo das estradas, jumentos soltos.

Seguimos por Macapá, o cheiro do marmeleiro está no ar. Tudo é verde, mangue com arbustos médios para altos. Cruzamos o povoado de Carapebas. Mais animais soltos na estrada: cães, vacas e jumentos.

Lá vem o povoado de Camurupim e depois Cajueiro da Praia, Barra Grande e Barrinha. No caminho uma placa convidando para conhecer a árvore Carnaúba da Cobra Encantada.

Entramos em Barra Grande, queríamos conhecer, por ser comentada e por quase termos ficado lá. A chuva deixou as ruas de areia encharcadas, mas deu para perceber ser uma pequena Jericoacoara. Um lugar do estilo alternativo, com muitas pousadas e barracas de praia. Parece uma vila e tem um pouco de tudo. Demos uma parada técnica na Barraca do Sarnei. A praia em forma de baía, tem sargaço, ou seja, algas. O local é tranquilo, pertence ao município de Cajueiro da Praia. Realmente é diferente, deve ser bem interessante à noite.

Na saída, o povoado de Morada Nova, ainda estamos no estado do Piauí, a divisa entre os estados fica a 20 km. Estamos na BR-402, porém nem se percebe, pois não tem acostamento. O verde ao longo da BR vale, o asfalto é ondulante.

Chegamos a Chaval, já no Ceará, e conhecemos sua Igreja Matriz. Gostei do calçamento na cidade e das rochas enormes existentes nela. Isso é peculiar, sem dúvida. Com poucas árvores, deve ser bem quente. Outras localidades na região: Chapada, Barroquinha, Araras, Venâncio e Bitupitá.

Em Bitupitá, vimos a Igreja Matriz de cor branca. A geografia do local faz parte do Delta do Parnaíba. Lá está a praia de Curimãs. Bitupitá pertence ao município de Barroquinhas. A praia renomada pela sua beleza e manguezal de Pontal das Almas se encontra lá. Tanta ruela para chegar à praia, trata-se de uma aldeia de pescadores. O mar fica longe, há tantos barcos na praia. Daqui se vê do outro lado a Barra Grande no estado vizinho.

Almoçamos à beira mar, no rústico Cabana Pueirão Restaurante, o Francy nos atendeu. Pedimos camarão ao molho com leite de coco, batata e cenoura, arroz e salada verde. Por R$70,00 para duas pessoas. Muito bom.

Bitupitá é uma praia selvagem, com urubus na areia esperando pelas vísceras dos peixes, afinal é local de pesca. O cheiro é forte de peixe. Há pracinhas pela orla com coqueiros e bancos diferentes. Muito árido o lugar. A sua entrada com pneus coloridos com plantas dentro, e árvores em crescimento no meio-fio a tornam convidativa. Digno de nota comentar que existe o macaco capelão no Delta do Parnaíba.

Nosso interesse foi só conhecer mesmo, prefiro praias com mais infraestrutura e menos quentes. Valeu ter ido, pois gosto de ter opiniões a respeito dos lugares.

Pegamos a Rodovia Sr. Pedro Veras e saímos de Bitupitá, detalhe: entramos pela mesma rodovia. Ver dunas com carnaúbas pelo trajeto é bonito demais. Estamos na CE-187. Entramos no município de Barroquinha, muito arrumada. Camocim está a 10 km, desde Luís Correia: 302 km.

Camocim, enfim! Viemos pelo litoral. Logo surge o Farol do Trapiá. Cidade plana, bem sinalizada. Fazemos um passeio de carro pela Praça Severiano Morel com a Prefeitura em frente. Vimos a antiga e afamada Estação Ferroviária, marco de tantas viagens do Carlos ao município, o prédio é muito bonito. É uma vergonha para nosso país não usarmos mais trens para locomoção de passageiros.

O rio Coreaú (nome indígena que significa “rio dos marrecos”, segundo Silveira Bueno) com calçadão para longas caminhadas, o antigo Hotel Municipal, hoje Ilha Praia Hotel. A orla do rio com mar é um espetáculo. Encontram-se lá hotéis, restaurantes, quiosques, que delícia. Dá vontade de pular do carro e já começar a desbravar as belezas de Camocim.

Ficamos no Dunas Praia Hotel (Beira Mar, 1449) em frente ao Centro de Artesanato da Prefeitura. R$300,00 por duas noites, preço justo. Estamos à beira mar.

Um pouco mais longe se situa a Praia do Farol, o “point” do kitesurf. Jogam vôlei e há placas contra jogar o lixo, achei o máximo. Barracas de praia e casas diferentes, estilosas. Muitos jovens curtindo a praia, eis uma cidade jovial e alegre. Encantada demais eu estou.

O Farol do Trapiá da Marinha do Brasil chama a atenção. Que lindeza a costa, a praia tem sargaço. Passamos pelo clube da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) e pelo atraente restaurante El Mirador.

Para jantar, escolhemos panquecas e sucos no Euclides Restaurante e Pizzaria à Beira Mar. Aconselho. Trata-se de um prato muito procurado no local. Depois, caminhada pelo calçadão, testemunhamos muito movimento nos quiosques, restaurantes, bares, pizzarias e um local com brinquedos para crianças, amei.

Continuaremos com Camocim, cidade que já pretendo retornar e aproveitar mais. Considero uma cidade habitável e com qualidade de vida.

Ceará-Piauí-Parnaíba e Luís Correia

Ceará-Piauí-Parnaíba e Luís Correia

Hoje é dia 09 de março de 2022. O Carlos e eu estamos saindo da pousada Oca Resort em Piripiri-Piauí, perto do Parque Nacional de Sete Cidades, partindo para Parnaíba-Piauí. Vamos nos hospedar, na verdade, em Luís Correia, ao lado de Parnaíba, pelo sistema de hospedagem Bancorbrás.

O caminho com mata na saída é bonito. Seguimos reto para Piracuruca (em língua tupi, “peixe roncador”). Pra variar, não há sinalização, na ponte do rio Piracuruca dobramos à direita.

Entramos em Piracuruca, cidade com a praça Irmãos Dantas em frente à antiga Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo. O conjunto arquitetônico com suas casas coloridas é uma lindeza. A vida é tranquila, os moradores sentam na praça para papear. Vimos o calçamento com a pedra Piracuruca em certas partes, em outras o asfalto foi colocado em cima de tão bela pedra. Piracuruca até Parnaíba-127 km.

Pegamos a BR-343 (descobri no mapa). Cruzamos os municípios de Cocal, Caraúbas do Piauí e Buriti dos Lopes. A divisa do Piauí com o Maranhão fica a 62 km. A estrada é um retão e toda verde ao longo dela. As placas de trânsito estão apagadas pela BR, acho isso uma vergonha. Passamos pela Embrapa Meio Norte. 13 km para Parnaíba e 25 km para Luís Correia.

Nos arredores de Parnaíba, há fazendas e restaurantes com produtos do interior. A geografia é plana. Indo adiante, Parná (como é conhecida), à direita Luís Correia. Continuamos na BR-343. A última vez que estive na cidade foi em 2013. Minha história afetiva é antiga com a cidade, por conta de amigas: Rossana Carvalho primeiro (colega de faculdade: Universidade Estadual do Ceará) e depois Minervina Menezes (aluna minha na Casa de Cultura Britânica da Universidade Federal do Ceará), ambas professoras.

Estamos na Av. Mão Santa em Parnaíba, seguindo em frente a praia do Coqueiro, à direita a Lagoa do Portinho. Passamos pela Casa da Ferrovia de 1922 na rotatória e seguimos ao município de Luís Correia no litoral do Piauí. Vemos a prefeitura, pousadas, lojas, supermercado, enfim encontramos o Rio Poty Hotel Praia situado à rua dos Magistrados, 2350.

Boa infraestrutura de hotel e atendimento, cerca da praia de Atalaia com barracas, como da Hilda, Amarelinho, o Assis etc. Passeamos de carro pela beira mar, para a esquerda vai para o porto, o rio Igaraçu estava bem caudaloso, e visualizamos casas abandonadas; para a direita as casas de veraneio são mais bem cuidadas.

Tentamos a barraca Carlitu´s para almoçar, mas estava fechada (Av. Teresina, 4447-Atalaia). Rumamos à praia do Coqueiro em busca da barraca Sunset (av. Beira Mar, 10789). Nosso almoço foi filé de pargo frito (peixe), com batata-doce frita, baião de dois (feijão com arroz, principalmente), salada, farofa e pirão. Muito farto, mas achamos caro. O forte da região é caranguejos, camarões e pescados.

Após o almoço, mais passeios: pousadas, condomínios, casas, descampados, animais soltos, chegamos até o pequeno farol da Marinha do Brasil. Decidimos conhecer a famosa praia do Macapá, antes da praia do Arrombado (parece com a praia do Balbino no Ceará, luminosidade imensa e com pouca vegetação). O carnaubal com dunas pelo caminho é muito bonito, o asfalto bom. Encontramos um cearense Jean Portela a trabalho na rodovia que nos deu dicas valiosas.

A entrada para Macapá tem casas espalhadas mais simples, muitas lombadas a fim de dificultar a velocidade dos carros e uma placa interessante: Cuidar do meio ambiente, uma questão de atitude. Existem lanchonetes, restaurantes, pousadas e muitos jumentos, uma graça. O lugar é bucólico, sem dúvida. Vimos barracas de praia de madeira, o mar distante com bancos de areia no meio, e contenções contra a maré forte, além de manguezais e barcos coloridos. Lembra a praia de Águas Belas no Ceará, porém mais ampla e deserta. Um bom local para relaxar. O bar e restaurante do Chico Isaura é conhecido. Em frente ao local se formam piscinas naturais. A estrutura é rústica.

Segundo o Guia Piauí Litoral da SETUR (Secretaria de Estado do Turismo: secretário: Flávio Rodrigues Nogueira Júnior) e CCOM (Coordenadoria de Comunicação Social), a vila de pescadores de Macapá teve que ser reconstruída algumas vezes por conta da ação do mar que destruiu as habitações, a capela e até mesmo parte da estrada que lhe dava acesso. Ali acontece o encontro do rio Camurupim com o oceano, formando uma área de mangue semelhante a um minidelta próximo à Barra Grande, onde é possível velejar de kite e se aventurar de caiaque.

À tardinha fizemos reconhecimentos de área em Parnaíba de carro: uma biblioteca em um trem, o calçadão da Beira Rio com o rio Igaraçu (último afluente do rio Parnaíba), o SESC, a Capitania dos Portos, o Parque das Ruínas, o Museu do Mar, o Porto das Barcas, os sobrados históricos, o centro antigo, tudo formoso. Também descobrimos o Hotel Charme Casa de Santo Antônio na praça Santo Antônio, onde se localiza a escola de inglês Speak Up (rua Santo Antônio, 649), da amiga Minervina Menezes.

Parabéns, Parnaíba, por ser muito bem sinalizada, por ter uma população que valoriza seus casarões, a sua história. Linda, cada dia mais. Cidade com qualidade de vida, bem arborizada, com praças mil, onde ainda se mora em casas, algo admirável. O único senão é o calor na época do verão, mas isso se aguenta. Detalhe: estávamos na época de chuva, então foi muita mesmo.

Às 19 horas buscamos a Minervina na escola e seguimos ao Porto das Barcas, “point” com restaurantes, pizzaria, lojas de artesanato, lugar muito agradável com o rio Igaraçu bem ali. Às suas margens se encontra o restaurante Rios, cartão-postal do município. Não poderia faltar uma pizza regada a coca cola da pizzaria Porto das Barcas, cuja placa diz “Pizzaria Comilão”. O imperdível Museu do Mar se situa no local: pequeno, completo e excelente, mostra como eram as vilas e cidades, a tradição do homem do mar, da marisqueira, do pescador de crustáceos, além de barcos expostos etc. Parabéns ao governo do estado. Achei fabulosa a iniciativa.

Dia produtivo. Parnaíba é uma cidade que dá gosto visitar. Estava com saudades. Continuaremos com o passeio do Delta do Parnaíba em breve.

Ceará – Piauí – Parque Nacional de Sete Cidades

Ceará – Piauí – Parque Nacional de Sete Cidades

Hoje é dia 08 de março de 2022, o Carlos e eu estamos de saída do Sítio do Bosco Park na Vila Acarape às 8h30, rumo à Sete Cidades em Piripiri-Piauí. Vamos de carro em direção a Tianguá, ainda bem que estão ajeitando a buraqueira da BR-222. Como sempre, falta sinalização nas nossas BRs. Um detalhe peculiar da região: como vendem panela de alumínio na região. São onipresentes nas lojas.

Tianguá-Sete Cidades: 106 km. É um retão até a entrada do parque. Vamos descendo a Serra da Ibiapaba de forma lenta. Chegamos à divisa dos estados Ceará e Piauí. Viva! Vemos a caatinga verde, sinal de muita chuva. Reto Piripiri; à direita Piracuruca e Parnaíba. Passamos por um lugar esplêndido: Bar Ilha Jenipapo, um bar/restaurante na estrada à beira do rio Jenipapo com as plantas vitórias-régias, que lindo. Só lembrando que são plantas aquáticas, típicas da região amazônica.

Cruzamos o município de São João da Fronteira, continuamos na BR-222. Lá vem o rio Piracuruca com ponte e o distrito de Picarra (Nova Veneza). Vi bodes pela estrada e uma porquinha mamãe. O rio Acauã com ponte, falta sinalização, temos que ficar ligados na entrada à direita para Sete Cidades. Bem antes de Piripiri, não chegamos a Alto Alegre, km 45, e entramos no parque pelo Portão Sul. A entrada é grátis.

Estávamos à procura dos hotéis do IBDF e Fazenda, porém o primeiro foi desativado e o segundo está em reformas, muita decepção para o Carlos que já havia se hospedado neles. Nunca esquece da piscina de água corrente na qual tomou banhos memoráveis. É a quinta visita dele ao parque e a minha primeira. O jeito foi se informar sobre hospedagem e nos indicaram o Oca Tocaríjius Resort, fora do Portão Norte, a 3 km. Primeiro, nos dirigimos ao Centro de Visitantes (a 4 km da bifurcação) no Portão Norte à direita. O caminho é de pedregulhos. Lá, encontramos informações sobre visitas e guias. A lojinha muito simples com camisetas e pouca coisa mais, eu esperava uma infraestrutura mais complexa. Não entregam folders. Logicamente que fiquei de olho em uma camiseta. Se tivesse canetas, eu comprava. São meus xodós de viagem.

Aqui vale um comentário: antes o Parque Nacional de Sete Cidades era de responsabilidade do IBAMA e tinha guarda-florestal. Era permitido ver os sítios de carro e a entrada era cobrada. Recebiam mapas e iam por conta própria. Hoje, o ICMBio é o responsável, porém sofreu cortes robustos do governo federal. O parque está sem manutenção, os letreiros apagados. Acho que fazem milagres com o que recebem. Os guias combinam o melhor horário de passeio com o turista e nós os pagamos. Na entrada e saída anotam a placa do carro, não se cobra, é grátis.

A respeito do parque, o site https://rotacombo.com/blog/parque-nacional-das-sete-cidades nos informa que é uma unidade de conservação brasileira, localizada em uma área de transição entre cerrado e caatinga. São 36 km de proteção integral à natureza, situados na região norte do Piauí. Sua área de 7.700 hectares ocupa 73,77% do município de Piracuruca e 26,71% do município de Brasileira. A Wikipédia complementa que foi criado em 08 de junho de 1961 pelo então presidente da República Jânio Quadros.

Em direção ao Portão Norte, já visualizamos as formações rochosas do tipo paredões. Dentro do parque é bem sinalizado, a rota é feita na piçarra. Muito bom estarmos de jipe Suzuki, pois havia chovido e passamos por córregos e um lago pequeno. Tivemos trepidações, atravessamos lombadas e laguinhos.

O hotel Oca recebe muita gente, está na rodovia PI 111. Pensem em um local original, com chalés de tijolo a vista no meio da natureza da caatinga, florido, repleto de detalhes harmoniosos, com árvores, embora o calor seja enorme. O choque térmico é gritante, já que estávamos no frescor da serra. O ar-condicionado é obrigatório. A dona Maci (gerente) nos acolhe com simpatia e ainda faz o almoço. Parece uma fazenda, com cavalos, gatos, pavão, galinhas, sapos etc, o ritmo é diferente no interior, mais calmo. A fome estava grande, mas o almoço demorou um pouco. A gentileza no trato compensa. Penso que a tranquilidade da vida longe das capitais é o melhor remédio para se viver bem. Eles estão certos. Também agradeço ao Eduardo, Paula e Vitória pelo tratamento de primeira.

O almoço, afinal, foi servido mais para dentro do espaço da Oca, onde há uma infraestrutura de resort. O lugar é surpreendente de tão grande, as pessoas da região vão ao lugar aproveitar o dia. Comida ótima, caseira, valeu a espera. E a dona Maci tão solícita, gente boa.

Após a refeição, um descanso. Nosso passeio será à tarde, não é o ideal, mas o real. Faremos de dentro do carro e nosso guia José Carlos (no Instagram, @oguiazecarlos) vai de moto por R$ 100,00 para duas pessoas motorizadas. O passeio completo seria R$200,00 com o mirante, fica para outra.

Saímos do Centro de Visitantes. A placa principal do Parque Nacional diz que a área aberta à visitação inclui o Circuito das Cidades – quando são vistas as Sete Cidades de Pedra, o Circuito das Águas – com suas piscinas naturais e a Cachoeira do Riachão – e a Trilha da Sambaíba – um caminho entre a vegetação nativa, com espécies características da composição florística do Parque. Os percursos são alternativos e podem ser feitos em jardineiras, bicicletas, tetraciclos e a pé, sempre com acompanhamento dos guias. O Guia Quatro Rodas Brasil (2013) aconselha a ir de dezembro a julho, quando a cachoeira e a piscina natural têm um bom volume de água e a vegetação é mais verde.

O mesmo livro nos conta que ventos, chuvas, calor e flora esculpiram os monumentos naturais, dando origem a símbolos, animais e figuras humanas. São sete grupos de formações rochosas apelidados de “cidades” e a vegetação é uma bela transição entre a caatinga e o cerrado.

Nós escolhemos a visita às “cidades”, pois só tínhamos a tarde para o passeio. Começamos pela 6ª cidade onde está a Pedra da Tartaruga, de arenito. E também existe a rocha em forma de Elefante. Em 1886, um jornalista vindo do Ceará nomeou o parque de “Sete Cidades de Pedras”, de acordo com o guia José Carlos. Acrescenta que a região do parque é muito antiga.

Na 5ª cidade, temos o Rei, o Samurai, o Camelo e a Passagem do Vento. Aqui já foi mar, sabe-se pela presença de sal, conchas e fósseis de peixes. Novelas foram filmadas no Parque Nacional como Milagre de Jesus e Sete Pecados. O Túmulo do Catirina, ou seja, o caixão do pajé se encontra no local. Conhecemos a Gruta do Catirina, onde ele se escondia com seu filho de 13 anos. O site www.portalentretextos.com.br/jose-no-egito-a-gruta-do-catirina esclarece que a citada gruta é assim denominada por ter sido o local onde viveu José Ferreira do Egito, o Catirina, que se retirou do contato com a sociedade para cuidar do filho que sofria de epilepsia, doença considerada demoníaca em sua época. Um buraco de cerca de 20 centímetros embaixo de um bloco rochoso foi o lugar onde ele passou a preparar ervas medicinais, numa luta cotidiana e absolutamente solitária, enquanto mantinha a fé na cura do filho Martinho. Nosso guia adiciona que pessoas vinham de Piripiri trazer milho para o Catirina e que seu filho falecera da enfermidade. Na gruta, vi um buraco usado como pilão.

Na 4ª cidade, conheço a Cidade Encantada com pinturas rupestres de 5 a 10 mil anos de existência. Os índios Tabajaras ali viveram. No Globo Repórter da TV Globo houve uma reportagem sobre o solstício de inverno que ocorre no local. Vemos o mapa do Ceará e do Brasil e Duas Cobras se Beijando. A trilha a pé é bem cansativa. Há a Passagem do Índio ou Passagem Secreta. Árvores como a pequizeira são encontradas, e animais, como o veado mateiro, o mocó, a cotia, cobras variadas, dentre outros. São 22 espécies diferentes de cobras, por exemplo: a ligeirinha e a cobra de chifre.

Na 3ª cidade, a Pedra do Castelo e o Soldado. Testemunhamos um mocó amamentando em uma rocha lá no alto. Também existem a Cabeça de Dom Pedro I, o Macaco Batendo Palmas, o Dedo de Deus, os Três Reis Magos, o Oratório e a Pedra do Galo. Nosso tempo era curto, mas rendeu. Importante citar que a caça é proibida, se caçar vai preso.

Na 2ª cidade, a caminhada é boa. O sítio é belo com uma floresta quando se entra no Arco do Triunfo ou do Desejo. Parece mágico, mais bucólico impossível. Para nós, foi o suficiente, mas ficou faltando a 1ª cidade com a Pedra dos Canhões, o Salão do Pajé, a Pedra da Jia etc.

O passeio é magnífico, vale demais. O Parque Nacional de Sete Cidades é uma preciosidade no Brasil. Merece ser bem cuidado e divulgado. Indico o nosso guia, conhecedor do assunto e simpático.

Voltamos ao hotel e à noite, a chuva com raios, trovões e o coaxar de sapos nos mostrou a natureza na sua exuberância, feliz e poderosa.

Em breve, Parnaíba.

Ceará – Piauí – Viçosa do Ceará

Ceará-Piauí-Viçosa do Ceará

Hoje é dia 07 de março de 2022. Pela manhã estivemos em Ubajara e pela tarde iremos a Viçosa do Ceará, a joia da coroa da Serra da Ibiapaba. Continuamos nossa jornada entre os estados do Ceará e Piauí de carro.

Voltamos a pegar a BR-222 por Tianguá. Muitos caminhões e uma quantidade enorme da fruta jaca pelo caminho. Há falta de sinalização por aqui, ainda mais que estão fazendo a duplicação da BR, tudo muito confuso. Passamos pelo Instituto Federal campus Tianguá, cruzamos o distrito de Bom Jesus, Viçosa está a 21 km, a BR tem problemas de buracos em certos lugares. Inharim, outro distrito. As pessoas vivem com dignidade no interior.

O percurso até Viçosa dá gosto: vemos bananeiras, babaçus, fazendas, granjas, e muito verde.

Viçosa honra seu nome: tem viço: graciosa, limpa, com canteiros centrais bem cuidados e com um povo que zela pela sua cidade. Fiquei extasiada com as praças sem sujeira nenhuma e com estátuas sem pichações. De acordo com o Guia Quaro Rodas Brasil (2013), é declarada Patrimônio Nacional, não tem grande infraestrutura turística, mas é bom passeio de um dia.

Um pouco da sua história. A Wikipédia nos conta que é o primeiro município criado na Serra da Ibiapaba, inicialmente habitada por índios Tabajaras pertencentes ao ramo Tupi, anacé, arariú e croatá do ramo Tapuia. No ano 1700, os padres jesuítas Manuel Pedroso e Ascenso Gago fundaram oficialmente “a Aldeia da Ibiapaba”, onde hoje se situa Viçosa do Ceará. Em 1759, a aldeia foi elevada à categoria de Vila, recebendo o nome de Vila Viçosa Real da América.

Na subida à Igreja do Céu, achei a cidade parecida com Pacoti na Serra de Baturité. Lá, há um complexo com restaurante, palco de eventos, a capela Nossa Senhora das Vitórias, praça de alimentação, lojas de artesanato, a Praça Governador César Cals e o Núcleo Padre Ascenso Gago de Habilitação e Capacitação. Sem esquecer da imagem de Cristo, situada no topo da torre da Igreja do Céu.

A Praça Clóvis Beviláqua, com a estátua dele, é florida, ampla, gostosa de se estar. Lembrei do Crato no Cariri, no sul do Ceará, com a Igreja Matriz em frente à praça principal.

Na frente da praça de Viçosa se localiza a Igreja Matriz Nossa Senhora de Assunção, de cor branca, a mais antiga do Ceará, de 1695. Foi construída por índios e jesuítas. Ao seu redor, existem casas coloridas e antigas de famílias conhecidas no estado. Uma casa histórica é o Casarão dos Pinhos, pertencente ao Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Diz a placa que foi construída por João Pinho Pessoa em 1850. Possui 186 portas e janelas, é de propriedade da família portuguesa Pinho e foi uma das primeiras casas construídas na Vila Viçosa Real.

Mais adiante, outra praça: do General Tibúrcio. O clima sempre agradável nos leva a aproveitar cada segundo desta cidade amada. Raramente faz calor, então é um paraíso. Lembra muito o Cariri, mistura de Barbalha e Crato.

Os seus habitantes sentem orgulho de seus conterrâneos famosos. De acordo com a Wikipédia, Clóvis Beviláqua (1859-1944), jurista, legislador, filósofo, literato e historiador, é um dos responsáveis pela elaboração do Código Civil brasileiro de 1916; O general Tibúrcio (1837-1885), militar, lutou na Guerra do Paraguai; e outro viçosense ilustre é Felizardo de Pinho Pessoa Filho (1916-), político e farmacêutico.

Não poderia deixar de ir à Casa dos Licores (rua Francisco Caldas da Silveira, 155) do sr. Alfredo Miranda, atração turística, parte da Rota Mirantes da Ibiapaba. Segundo o folder da loja, Alfredo e Terezinha Nogueira Miranda (o casal) começaram a produzir e vender de forma artesanal (e para a sobrevivência da família) licores, cachaças envelhecidas, doces e biscoitos. Por muitos anos, de forma simples e hospitaleira, recebiam os visitantes na sala da sua casa. Além de provar os licores, todos eram recebidos com uma boa dose de conversas animadas, músicas e bom humor do “Velhinho do pife” como muitos costumavam se referir ao dono da casa, que tocava suas composições em uma flauta de taboca (o pife, também fabricado por ele). Para preservar a memória de seus pais, a filha mais velha Tereza Cristina Mapurunga, deu continuidade à produção e ao comércio da antiga bodega.

Quem nos atende foi a Elvira e conta que o sr. Alfredo já falecera. Lá, endoido com tantos licores, doces em barra, doces em calda, geleias, biscoitos, petas, sequilhos e bulins (tradicionais biscoitos de goma) e cachaças. O doce de jaca em calda, recomendo. São 88 sabores de licores entre frutas, ervas e especiarias. Interessante dizer que são feitos em tachos de cobre, fornalhas a lenha, forno de barro, assim como na época colonial do Brasil. Saímos com tantas compras e ainda iríamos rodar muito com eles.

Já fui a Viçosa umas duas vezes anteriormente e digo com felicidade que está cada dia mais bonita.

Toda a cidade é arrumada, com árvores podadas, uma paixão. Para mim, uma das cidades mais bonitas do Ceará. Parabéns à prefeitura, e principalmente, aos seus habitantes. Volto a dizer que este sentimento de pertencimento a uma cidade faz toda a diferença. Pretendemos voltar.

Retornamos à Vila Acarape em Tianguá para o nosso hotel no Sítio do Bosco às 17h45. Detalhe: é perigoso dirigir à noite por conta dos nevoeiros.

A Chapada da Ibiapaba merece mais informações. É localizada em nove cidades: São Benedito, Guaraciaba do Norte, Ibiapina, Ubajara, Tianguá, Carnaubal, Viçosa do Ceará, Croatá e Ipu. As temperaturas são amenas por conta da altitude, uns 15º C. A chapada é um gigantesco paredão montanhoso com altitude média de 750 m e 200 km de extensão que fica no extremo oeste do estado do Ceará, na divisa com o estado do Piauí, servindo como marco de divisa entre os dois estados, apesar do problema da região de litígio que já dura séculos, conforme o site https://cearapraias.com.br/chapada-da-ibiapaba-turismo-ecologico-no-interior-cearense.

Dia produtivo e feliz. Em breve, Parque Nacional de Sete Cidades no Piauí.

Ceará – Piauí – Tianguá e Ubajara

Ceará – Piauí – Tianguá e Ubajara

Hoje é segunda-feira, dia 07 de março de 2022. Estamos no hotel do Sítio do Bosco Park na Vila Acarape em Tianguá. Choveu a noite toda, clima muito bom para dormir e relaxar. Geralmente há neblina pela manhã bem cedo e a partir das 18 h. Pouca gente de máscara, na verdade.

O café da manhã foi o suficiente. Gostei da omelete, estou de suéter e shorts. Do hotel para a BR-222 são 1.300 m. A campanha pela limpeza em placas na estrada é uma realidade. Na BR à esquerda vai para Fortaleza (capital do Ceará), e à direita para Teresina (capital do Piauí) e Ubajara. São 42 km para a divisa com o Piauí.

Vamos a Ubajara na Serra da Ibiapaba. Estão alargando a estrada na periferia de Tianguá, vemos muitas lojas de artesanato e restaurantes no caminho. Aliás, comprei uma rapadura de jaca, delícia. Passamos pela rodoviária, entramos no Maxi Atacadão e dobramos à direita na Av. Prefeito Jacques Nunes e seguimos reto. Entramos na cidade de Tianguá, uma beleza. Lembra o Crato (“Cratinho de açúcar”) no sul do Ceará, no Cariri.

Pelas setas, seguimos pela cidade e visualizamos praças, bancos, hospitais (São Camilo e Unimed). Limpa, agradável, com comércio forte. Vimos a igreja Matriz de Sant´Ana, amarela, linda. As ruas sem placas de nomes, pra variar.

Estamos a 15 km de Ubajara. As cidades serranas são interligadas. A gasolina muito cara lá. Fora não há indicativo do Parque Nacional de Ubajara, tem que entrar na cidade para ver as placas. Que beleza de caminho até o parque. Ubajara é outra joia.

Como o bondinho foi reinaugurado em fevereiro de 2022 e estamos na baixa estação, funciona somente de quarta a domingo momentaneamente, por isso apenas passeamos e tiramos fotos no parque. Às segundas fazem a limpeza e manutenção do espaço e aparelhos.

O Mirante Pendurado foi novidade para nós. A natureza ali é viçosa, verde, bela, os funcionários do parque acolhedores. Há também o mirante do bondinho, a infraestrutura do parque foi aumentada. Diga-se de passagem que parques nacionais são de responsabilidade do governo federal, mas o governador do Ceará Camilo Santana encampou o projeto da modernização e restauração do bondinho, afinal é uma atração turística importantíssima para o estado.

Está na placa da reinauguração do local que o Chefe do Parque Nacional de Ubajara é Gilson Luiz Souto Mota; Marcos de Castro Simanovic, o Presidente do Instituto Chico Mendes-ICMBio, e Renê de Almeida Vasconcelos, o Prefeito de Ubajara.

O bondinho leva até a gruta de Ubajara, mas pode-se ir a pé, o esforço e grande. É válido contar sobre a história da gruta. De acordo com a placa do PN, a Gruta de Ubajara se formou após a erosão e o recuo da Serra da Ibiapaba, cujos sedimentos paleozoicos se estendiam por toda a região. A caverna foi esculpida em calcário pré-cambriano há pelo menos 200 mil anos atrás. A água dissolveu o calcário por milhares de anos, formando salões e galerias, que depois foram preenchidas por estalactites e estalagmites, cortinas e outros belos espeleotemas que ornamentam o maior patrimônio espeleológico cearense: a Gruta de Ubajara. As salas são variadas: da Imagem, da Rosa, das Cortinas, dos Retratos, do Índio, dentre outras. E mais: instalado em 1975 e inaugurado em 1976, no interior do Parque Nacional de Ubajara, o equipamento teleférico é do tipo vai e vem composto por um cabo de trilho que corre em movimento alternado, possuindo a distância de aproximadamente 450 metros, com um desnível de 306 metros entre as duas estações. Por último, aparecem as regras do parque para os usuários.

Agora a respeito do Parque Nacional de Ubajara, é uma unidade de conservação federal, administrada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes para conservação da biodiversidade), criado em 30 de abril de 1959, com área de 6.288 ha., inserido no bioma caatinga com remanescentes de mata atlântica, abrange áreas dos municípios de Ubajara, Tianguá e Frecheirinhas.

Acrescentando sobre o parque: existem trilhas a pé de diversos níveis de dificuldade e percursos, e trilhas de bicicletas. Bem ricas as possibilidades de atividades. Há animais variados: macaco prego, jaguatirica, paca, mocó, quati, veado, onça-parda, sagui ou soim, tatu peba, cassaco etc. O passeio matutino valeu a pena. As casas e a região perto do parque são maravilhosas. O hotel Neblina Park ao lado do parque é promissor. Eu já fui à gruta pelo bondinho umas duas vezes anteriormente e também `a Cachoeira do Boi Morto, outra atração fora da cidade. Imperdíveis.

As praças e os canteiros com flores na cidade são uma lindeza. Dá gosto ver um lugar assim, bem cuidado e aprazível. Altamente habitável. A impressão é de que as cidades da Chapada da Ibiapaba são muito amadas e a população se identifica com elas, afinal quem ama, cuida.

Saímos de Ubajara, passamos pelo distrito Vila Tabocas, e voltamos para almoçar no bistrô do Sítio do Bosco, mesma refeição do dia anterior (filé de tilápia, risoni e molho genovese), uma vez que amamos. Antes bebemos um espumante Veuve Calendrin Brut Rosé para aquecer, o clima favorece. Que passeio convidativo.

À tarde, Viçosa do Ceará…

Ceará – Piauí – Chegada a Tianguá

Ceará – Piauí – Chegada a Tianguá

Começamos uma nova jornada de duas semanas pela Serra da Ibiapaba (Tianguá, Ubajara, Viçosa do Ceará – Ceará), Parque Nacional de Sete Cidades e Parnaíba/Luís Correia (Piauí), Camocim, Parque Nacional de Jericoacoara, Icaraizinho de Amontada e Flecheiras (Ceará). Fomos de carro com tração: o Jimny Suzuki do Carlos, afinal antevíamos muitas praias e aventuras pela frente.

Dia 06 de março de 2022. Saímos cedo pela manhã. Em Fortaleza, capital cearense, pegamos a av. Leste Oeste em direção a Caucaia (BR-222). Falta sinalização nas nossas estradas. Cruzamos Capuan, onde alcançamos a BR sentido Itapajé/Sobral. Há uma parte da rodovia feita de concreto, deve ter sido feita pelo Exército (km 25). Qualidade muito boa.

São Gonçalo do Amarante por fora, Croatá, São Luís do Curu. Seguindo para Itapajé, vemos uma pequena serra. Hoje choveu, clima mais ameno. Cadeia de montanhas verdes, bonitas. Iratinga, periferia de Itapajé, serra de Itapajé com menos elevação. Irauçuba no sertão, um dos lugares mais secos do Ceará. O arbusto ralo existente é um pasto considerado excelente para os animais. A planta xique-xique à vontade ao longo da BR. Montanhas com pedras, interessante. Muitas árvores algarobas e juremas a dar sombra. Aguentam o calor extremo. Ponte sobre o riacho Mocó seco. Mocó: tipo de preá selvagem pequeno que se alimenta de xique-xique e habita em rochedos.

Passamos por Coité. Já temos 3 h de viagem. Tudo verde, fazendas, sítios com vacas, bois e bodes. Clima nublado agradável. Forquilha, se emancipou de Sobral. Parada técnica para um café fora de Sobral, chove. Fortaleza – Sobral: 240 km. Seguimos com Aprazível, a sua feira tem 20 anos de tradição. Fecheirinhas no sopé da Chapada da Ibiapaba (Ceará – Piauí). Polo de moda íntima do Ceará. Passamos por fora da fábrica Diamante na BR. Lembrei de Nova Friburgo na serra fluminense no estado do Rio de Janeiro. Ainda tem a Excelência Lingerie.

Estamos quase em Tianguá. Natureza verdejante. Distrito de Bela Vista. Dá gosto subir a serra e vê-la tão bem preservada. Região de muito nevoeiro pelas manhãs e dias chuvosos. Estava com saudades deste clima. Recordo-me de Guaramiranga na serra de Baturité, cerca de Fortaleza. Vemos palmeiras de buriti. A Wikipédia esclarece que a Serra da Ibiapaba também é conhecida como Serra Grande, Chapada da Ibiapaba ou Cuesta da Ibiapaba. De fato, a palavra ibiapaba vem do tupi e significa “terra fundida”.

No km 306 da BR-222, entramos na Vila Acarape à direita. Tem que ficar ligado na placa. Estamos a 10 km antes da cidade de Tianguá. Às 11h30 adentramos o Sítio do Bosco Park, hotel com chalés, restaurante elegante, infraestrutura com piscinas, rampa de voo livre, cascatinha da Mata, parque com esportes radicais, trilhas, mirantes, caverna etc. Local idílico, uma delícia de clima e natureza.

Ressaca da viagem. Na entrada do parque, fazemos o pagamento da diária (uma foi de presente), fazemos o check-in e recebemos uma pulseira para entrar e sair do hotel. Quem fica hospedado, não paga a taxa de entrada. O lugar é bem frequentado pelos serranos. Aliás, a diária é R$300,00, valor justo. O piauiense é um turista muito visto por aqui. A proximidade da fronteira entre os estados Ceará e Piauí ajuda.

O chalé é dentro do complexo, perto da tirolesa e salto de voo livre. Um visual de tirar o fôlego. A árvore babaçu faz parte da paisagem. Almoço no bistrô do complexo. Filé de peixe tilápia com risoni (massa em forma de arroz, de origem italiana) e molho genovese (típico da região de Nápoles, Itália). Excelente! R$69,90 para duas pessoas.

Passeio pelo parque no nosso reconhecimento habitual. Chuviscando. Por dica do proprietário do parque, Bosco, descemos à Caverna do Morcego com escadas de pedra, um pouco íngremes às vezes. E haja joelho! A caverna é de arenito com calcário da região, vale a pena. Mostra que já foi mar a região. De acordo com o jornal Diário do Nordeste de 11/03/2017, a caverna é uma imensa rocha em forma de cogumelo, cercada por mata nativa na encosta da serra.

Depois do esforço físico, sentamos nos bancos de madeira para descansar abaixo das árvores. Ouvir os passarinhos é um luxo.

No café do parque Café e Bar, tomamos nosso lanche de jantar. Lá estava o Bosco novamente. Ele e a esposa moram em um chalé moderno e estiloso naquele paraíso. Fala baixo, é empreendedor e conhece muito da região. Ele nos indicou o Alex, guia do parque Nacional de Ubajara (88-999423051). No momento, o bondinho, recém-reinaugurado, funciona de quarta a domingo, pois estamos na baixa estação. Segundo o empresário, a população está feliz com isso e acrescentou que o governador do Ceará atendeu os pedidos pelo bondinho para a região. Só lembrando que como o parque é nacional, logo deveria ser responsabilidade do governo federal e não estadual.

Mais um pouco sobre o papo com o Bosco. Ele é autodidata em ecologia, botânica, arquitetura, são quase 20 anos em melhoria no sítio. Quando comprou o terreno, o aumentou, plantou 2.500 árvores frutíferas e nativas da região. Também disse que os índios Tapuias e Tabajaras viviam na área e que esses últimos eram guerreiros valentes os quais foram os últimos a serem “vencidos”. Os paredões da serra impediam a colonização.

Para finalizar, uma novidade no complexo. A construção de glampings, ou seja, glamour com campings. Vários chalés, estilo suíços, de arquitetura minimalista sem banheiros e com um só quarto. São casinhas pequenas fofas de se ver. Eu sou maximalista, então nem pensar. O banheiro é fora e para uso comum. Fiz isso nos meus 20 anos em albergues da juventude e achava uma diversão. Considero uma proposta atraente para quem aprecia, sem dúvida. Vai ser um sucesso.

Olhe que sou uma viajante experiente, mas confesso ter ficado impressionada com o Sítio do Bosco. Parabéns! Só tenho elogios.

Prosseguiremos com passeios pela Chapada da Ibiapaba.

Jornada no Rio Grande do Norte – Rumo a Icapuí – Ceará

Jornada no Rio Grande do Norte – Rumo a Icapuí – Ceará

Hoje é dia 21 de outubro de 2021. Estamos de saída de Galinhos no Rio Grande do Norte. O café da manhã da pousada Oásis é maravilhoso, tudo especial, os pães recheados, os bolos com pouco açúcar, os sucos e muito mais.

Do lado do mar, as pousadas são mais frescas, estão no nascente; do lado do rio Aratuá, são mais quentes, estão no poente. Galinhos, uma península com dunas, farol e uma vila de pescadores, é um lugar seguro, com pouca iluminação à noite. A vida é mansa e se tem contato com cachorros, gatos, cavalos; não tem loja de artesanato e sugiro fazerem reciclagem.

Vamos pegar o barco a R$30,00 o casal. Estavam ajeitando a plataforma de embarque e desembarque, logo descemos em um bote com as malas a fim de chegar ao barco de transporte, uma graça. O estacionamento Pratagil onde estava o carro é perto. Demos tchau ao Portal de Galinhos e rumamos à BR-406 em direção à Macau.

Logo, estávamos na estrada. No caminho, passamos por Baixa do Meio, dividida pela BR com rodoviária pequena, ajeitada com praça e canteiro central. Até Alto dos Rodrigues, ficamos impressionados com as várias estações coletoras, mais estação de vapor e centro administrativo da Petrobras. Estamos na região dos cavalos mecânicos, do oleoduto, na Estrada do Óleo.

Passamos por Ipanguaçu, capital nacional da banana. Na cidade, vendas de frutas, macaxeiras, produtos da terra nas portas das casas; limpa e organizada, a estadual RN cruza a cidade. Na entrada de Itajá pegamos a BR-304. Vimos uma olaria, fábrica de cerâmica, na rota. Passamos pela entrada de Assú. Chegamos a Mossoró e paramos em um posto para café e gasosa.

Chegamos a Tibau, que pertence a Grossos, região de salinas. O povo de Mossoró tem casa lá, muito agradável o litoral com pousadas e casas avarandadas, bem refrescantes. Tibau é árido, muito iluminado. Mais árvores, por favor! Interessante que a divisa Rio Grande do Norte/Ceará é uma rocha tipo falésia no mar, porém alguns dizem que é a partir dos bares existentes na divisa dos estados. Inusitado.

Enfim, adentramos Icapuí, já no Ceará na CE-261. O seu coqueiral é digno de fotografias. Praia de Manibu, parque eólico, Peixe Gordo (zona urbana), Melancias de Cima (mirante com o cruzeiro-zona urbana), Melancias de Baixo (zona urbana), Praia de Tremembé, Ibicuitaba (zona urbana-uma gracinha com igreja antiga), Praia de Quitérias (salinas embaixo) e Icapuí (zona urbana) aparecem no trajeto. Descobrimos uma parte da cidade mais baixa que é uma lindeza. Na av. 22 de Janeiro, entramos para a Redonda/Perobas/Ponta Grossa (CE-261).

Na linguagem indígena, Icapuí significa “canoa veloz”, por sinal. Sempre apreciei esta localidade, nos hospedamos na pousada Oh! Linda na praia da Redonda, nossa velha conhecida. Almoçamos peixe Galo Alto, com legumes e arroz. À noite, a velha canja especial deles.

Hoje é dia 22 de outubro de 2021. Último dia da nossa jornada. O café da manhã com o protocolo da COVID, gostei. Farto, no ponto. Há mais mirantes no local, é quase uma floresta de caatinga a área da pousada. Se localiza em cima de uma falésia, o visual do mar é deslumbrante. Os chalés são distantes um do outro, dão o toque de calmaria necessário. Para ir à praia, há de descer uma escadaria existente na pousada ou ir de carro. O problema é ter joelho bom para subir…

Percebi a Redonda melhor, as casas mais bem cuidadas, coloridas, muitos chalés para alugar e, finalmente, fizeram um muro de contenção à beira mar, já que o mar não cansa de avançar, estava precisando. A localidade tem altos e baixos, a caminhada é boa.

Finalizamos nossa jornada em uma das nossas praias preferidas. Dá gosto visitá-la. Que Brasil, que nordeste mais bonito!

Jornada no Rio Grande do Norte – Chegada a Galinhos

Jornada no Rio Grande do Norte – Chegada a Galinhos

Hoje é dia 19 de outubro de 2021. Às 8h40 da manhã o Carlos e eu partimos de São José de Touros com saudades da pousada Enseada dos Mares e de São Miguel do Gostoso, cidade alegre e vibrante. Voltaremos!

Na estrada, de carro laranja novamente. Lá vamos nós rumo a Galinhos, lugar da moda atualmente no litoral norte do estado. Em direção a João Câmara à procura da BR-406, mas antes pegamos uma estadual sem número, só lembrando que são mal sinalizadas as RNs do estado vizinho, além de não terem acostamento. Tudo verde pelo caminho, plantações de macaxeira, coqueiros, fazendas de gado, mangueiras e frutas como melancia na terra fértil.

Chegamos a Boa Cica no calçamento ondulado. Graciosa. Passamos por Cana Brava, com suas vendas de frutas e macaxeiras em frente as casas, um barato. A natureza começa a ficar mais árida logo adiante, parece a vegetação do cerrado. Quando se inicia a caatinga, o calor do “bafo de dragão” nos incomoda. Mais 52 km e chegaremos a João Câmara.

Enfim, pegamos a BR-406. Ao longo da BR vimos o parque eólico Brisa Potiguar. A águia pequena, mas valente dita carcará faz parte da paisagem. São família, cuidam dos filhotes. Outro parque eólico, Santa Helena, mais a frente. Estamos nos dirigindo à cidade de Jandaíra, porém antes existe Aroeira Direita, com suas vendas de frutas, mel, manteiga da terra, melancia e biscoitos pelo caminho.

Entramos em Jandaíra, cidade pacata, com menos árvores, mais quente, com a BR a cruzando. Ao lado da prefeitura, uma feira funcionando. Pelo caminho, árvores “algarobas”, resistentes ao calor. Cidades interioranas são uma delícia, mostram um outro Brasil, mais acolhedor e amigável.

Mais 25 km e chegaremos ao portal de entrada de Galinhos. 5 km antes já nos deparamos com cheiro de mangue e sal, há salinas na região. Contornamos um lago salgado, um braço de mar. Agora vem o barato do local. Deixamos o carro gratuitamente em um estacionamento (Pratagil), com uma pequena infraestrutura de restaurantes e lanchonetes, e ficamos esperando pela balsa que cruza o rio Aratuá de meia em meia hora.

As pessoas sempre solícitas. Entramos no primeiro barco que chegou àquela hora. Era um barco de transporte da prefeitura. Nós e os outros passageiros acompanhados de nossas “tralhas”, além de bananas e águas. Uma graça. Pagamos R$10,00 os dois. Caso não haja 8 pessoas, a cobrança é de R$30,00 por pessoa. Somente se chega no local de balsa ou de carro tracionado sobre as dunas, pois Galinhos é uma península, parece uma ilha.

No terminal ou cais, encontramos charretes esperando pelos turistas para levá-los às pousadas, exótico demais. Não entra carro, vimos bugres. Andar a pé ou fazer passeios de charretes, eis a pedida.

Escolhemos a pousada Oásis, fomos a pé. Original, bem decorada, repleta de cores, flores, plantas, pássaros artesanais, com chalés Vênus, Sol e outros planetas, cheia de gatos, com porta decorada com bonecas de pano. Amei! Depois o Carlos descobriu que fazia mais calor e tinha mais moscas por ser ao lado do rio. Já as outras pousadas para o lado do mar eram mais frescas, embora mais longe do terminal de balsas. Sem arrependimentos.

Eu nunca vi nada igual a esta pousada. O chalé é aromatizado, o banho de água fria é mineral, temos direito a um garrafão de água, lembrando que a água é salobra, fica destinado ao corpo, e a água mineral para o cabelo e para escovar os dentes. Há espelhos, ganchos, lugares para as roupas, ar-condicionado, TV, em suma, com tudo isso me senti realmente no espaço sideral. O calor estava intenso, úmido.

Aviso que Galinhos não é barato, a não ser lugares mais simples e dos nativos. Detalhe: é aconselhável ter dinheiro em mãos, pois nem todo estabelecimento aceita cartão.

A pousada tem restaurante para almoço e jantar: Porto Bistrô. Maravilha! Almoço: peixe, arroz, feijão, farofa, simples e nutritivo, com pouco sal e açúcar.

Após descansar, à tarde com menos calor, combinamos com o Hiago um passeio de “burro táxi” pela cidade e praias por R$20,00 por pessoa. O jovem Hiago (84-992281433) é gente boa, eis uma boa dica. Está sempre pelo terminal de balsas, todos o conhecem e o empreendimento de transporte com charretes passa de pai para filho, muito diferente para quem vive em cidade grande.

Importante dizer que a região é composta de Galinhos, Galos e um assentamento, contabilizando uns 3.300 habitantes, segundo o Hiago. O passeio de burro táxi (na verdade, é um cavalo chamado de Parafuso) pela areia da praia trepida e emociona, uma hora de uma aventura equestre. Conheceremos o Farol das Almas na praia do Farol. Há uma enseada gostosa para banho e haja vento àquela hora.

O farol é automático à noite, funciona das 18 h às 5 h. Existem 12 plataformas de petróleo no mar na área. O pôr do sol é especial, em um local tão cativante. Os nativos costumam caminhar ou correr pela areia até lá.

O Hiago nos mostrou a cidade: posto de saúde funcionando, delegacia, prefeitura, Câmara Municipal (dos vereadores), escola municipal e estadual, centro com praça bem cuidada, a catedral Matriz sendo construída. Também nos deu sugestões de lanchonete de gente da terra (dona Reinilda). As ruas têm canteiros centrais coloridos com árvores e bancos. Há calçamento ou areia, depende da via. Posso dizer que isso apaixona. Galinhos é um sucesso.

Jantar: foi na casa da dona Reinilda, nas mesas instaladas do lado de fora na rua de areia. Preço justo por tapioca, cuscuz e café com leite. Lanche bem nordestino.

Dia muito produtivo e com gosto de quero mais no dia seguinte.

Jornada no Rio Grande do Norte – Touros – Farol do Calcanhar

Jornada no Rio Grande do Norte – Touros – Farol do Calcanhar

Hoje é domingo, dia 17 de outubro de 2021. Manhã. No café da manhã, chamo a atenção do bolo “moça”, tipo o “mole” do estado do Ceará, uma delícia, doce e mais seco que o nosso. Vamos aproveitar o banho das piscinas naturais na praia de São José em frente à pousada Enseada dos Mares.

Tarde. Decidimos ficar para o almoço em São José mesmo. Ao lado da pousada, há o restaurante Bar do Júnior à beira mar. O risoto de camarão, regado por um espumante italiano lambrusco branco Decord que levamos, foi especial. Aqui fica um alô para o menino Leandro, Gisele, Dedé, Júnior e Juli. Ali todo mundo se conhece, são simpáticos e acolhedores. Obrigada!

Mais à tardinha, fomos conhecer de carro tracionado o Farol do Calcanhar na praia do Calcanhar em Touros. No caminho, vimos coqueiros mil, casas simpáticas, observei que não se vê um pedinte na rua, as pessoas vivem com dignidade. Existem verdadeiros sítios, com muito verde, tudo bucólico. De São José, entramos à direita em direção a Natal na BR-101, e chegamos à praia do Calcanhar.

Segundo o Guia Quatro Rodas Brasil (2013), Touros é apelidada de Cotovelo do Brasil, a cidade fica no ponto em que o litoral do país começa a correr de leste a oeste. Como a vizinha Maracajaú, Touros também tem mergulho livre nos parrachos (formações de recifes). Ondas fortes quebram nas praias mais bacanas da cidade. Touros, boa para surfe e Calcanhar, com coqueiros e dunas, onde fica o farol do Calcanhar, o mais alto do país: são 298 degraus até o topo.

O farol em preto e branco, tem 62 m e é controlado pela Marinha do Brasil. Não pudemos chegar perto. Detalhe: é o segundo maior das Américas. No local encontramos uma família de Chapecó (Santa Catarina), moradores de Touros. Como existem catarinenses na área. Fiquei impressionada.

Depois de tirar nossas fotos costumeiras, pegamos a BR-101 novamente e conhecemos o monumento do Marco Zero da BR-101, obra do arquiteto renomado Oscar Niemeyer, que liga Touros à cidade de São José do Norte ao sul do Brasil. Diz na placa de outubro de 2020: “O Município de Touros, situado na costa leste brasileira, encontra-se em uma área em que o litoral faz a curva conferindo a este o apelido de “Esquina do Brasil”. Seu território, rico em belezas e histórias, comporta grandes monumentos da cultura material e imaterial do país.” Foi realizada por Francisco de Assis Pinheiro de Andrade (prefeito de Touros) e Fernando Antônio Melo Rocha (Secretário de Turismo).

Passamos pela Lagoa do Sal, distrito com fazendas de gado, e rumamos ao centro de São Miguel do Gostoso. Aproveitamos para visualizar o famoso restaurante Trapiche e ver o cardápio. O lugar é uma lindeza. Fica pra o próximo dia.

Noite. Descemos a pé até a rua da Xêpa, já estava na hora de fazer um lanche. Escolhemos o restaurante Gênesis, um dos atrativos da rua. Bem decorado com plantas, cadeiras diversas e coloridas nas mesas, alegre, com pendentes diferentes e várias samambaias no teto, uma lindeza! Só não tinham sucos naturais, pode? Eu pedi hamburguer vegetariano: pão de fermentação natural, hamburguer de grão de bico com beterraba, creme de girassol, tomate confit e folhas. O Carlos quis o do Sertão: pão de fermentação natural, hamburguer artesanal, bacon, picles de maxixe, queijo coalho e chutney de cebola. Excelentes ambos. Recomendo. Refeição acompanhada por música francesa leve e servida em uma cerâmica preta, um sonho. De lá ainda tomamos sorvete na Gostoseria. Que rua da Xêpa mais graciosa! Amei!!! Outros restaurantes dignos de nota: Borogodó, Palmira, Abelhuda, Tomaladacá (creperia) etc.

Continuaremos com São Miguel do Gostoso em breve…

Jornada no Rio Grande do Norte-São Miguel do Gostoso-Marco de Touros

Jornada no Rio Grande do Norte – São Miguel do Gostoso – Marco de Touros

Hoje é sábado, 16 de outubro de 2021. O banho de mar foi em frente à pousada de novo, nas piscinas naturais da praia de São José. Entre as rochas se formam as piscinas. Banho dos melhores. A pousada Enseada dos Mares se situa na RN-221-7 em São José, Touros. Sua posição é privilegiada.

Curiosidades do local: dizem “km”(ka/eme), ao invés de kilômetros. No centrinho de São Miguel há vendas em frente às casas: de frutas, batata doce, macaxeira (aipim), produtos da terra etc. Torna a cidade mais colorida, tropical e alegre.

Para quem vai a São Miguel do Gostoso sem um carro potente (de tração), a dica é pegar uma jardineira própria para turistas. Lembrando que os passeios nos arredores são para lugares, cujas estradas são de carrossal. No caminho se encontram muitos coqueiros e mandacarus. Algumas localidades têm bloquete e um pouco de asfalto nas suas ruas.

Manhã. Vamos conhecer o Marco do Descobrimento hoje. 15 km de São Miguel do Gostoso. Seguiremos rumo à praia de Tourinhos com estrada de carrossal ou costela de boi, como dizem. Entre Tourinhos e Marco, as dunas estão em muitos pontos engolindo a estrada. Descobrimos praias sem uma viva alma. A placa indicando a praia de Marco mostra 2 km. Detalhe: a estrada é péssima, o Carlos e eu nos sentimos aventureiros, estilo Indiana Jones. A região tem um tipo de carneiro adaptável a esse calor imenso. Antes de chegar a Marco, vimos barcos de pesca e a praia Morro dos Martins. O local tem posto de saúde, quadra de esportes, boa sinalização, maior do que imaginávamos. A aridez é acentuada, a claridade chama a atenção.

Enfim, chegamos a Marco. Existem barracas/restaurantes à beira mar. O monumento é pequeno e se trata de uma réplica, pois as pessoas raspavam e faziam chá, uma pessoa me contou. Atrás dele, existe a diminuta Capela de Nossa Senhora dos Navegantes. Estamos perto do meio dia, logo a luz e o calor são intensos!

Eis a história do Marco do Descobrimento. No ano de 1501, a expedição saída de Portugal, comandada pelo navegador Gaspar de Lemos, fez sua primeira parada na praia de Touros, onde foi fixado o Marco de Posse Colonial, o Marco de Touros, moldado em pedra de mármore… (esta explicação está escrita em uma placa no km 02 da BR 101 (sentido Natal) em Touros). De acordo com o Guia Quatro Rodas Brasil (2013), é o monumento mais antigo do país. O original se encontra no Forte dos Reis Magos em Natal (capital do RN).

A praia estava quase deserta e as casas sem movimento. Voltamos pela praia até Tourinhos, muita gente faz isso, pois diminui a jornada. Subimos em dunas de areia, vimos praias com enseadas e rochas, foram 20 minutos com a tração reduzida do Jimny (Suzuki). Emocionante.

Tarde. Voltamos à praia do Cardeiro em São Miguel. Novamente ao Bar do Tico para um almoço de peixe vermelho, com macaxeira frita e salada, e para refrescar, uma cerveja. Simples e bom, recomendo. Interessante que nessa praia, o mar fica muito longe, a caminhada para um banho de mar no sol inclemente não nos tentou.

Após o almoço, passeio pela praia. Conhecemos a bucólica praia do Santo Cristo na Ponta do Santo Cristo. Considerada a mais badalada da cidade, por causa do movimento de kite e windsurfistas, uma das melhores do mundo para a prática desses esportes, segundo o Guia Quatro Rodas Brasil (2013). Bom dizer que vi policiamento e lixeiras na praia.

Mais banho nas piscinas de São José à tardinha.

Noite. Jantar/lanche no Bodega Café (da catarinense Virna) no centrinho de São Miguel (Av. dos Arrecifes, 1333), e mais caminhada pela rua da Xêpa, a qual gamei, com seus restaurantes transados e variados. Dia completo e feliz.

Prosseguiremos em breve com novas aventuras…