Ceará-Piauí-somente Parnaíba

Ceará-Piauí-somente Parnaíba

Hoje é dia 10 de março de 2022. De manhã fizemos o passeio ao delta e agora à tarde vamos à praia da Pedra do Sal em Parnaíba. No caminho a usina de energia eólica Delta 1, rodeada por carnaúbas, tudo muito verde. À esquerda o Porto de Tatus, em frente a estrada da Pedra do Sal.

Bodes mil pelo caminho, é uma boa distância até lá, são 16 km do centro da cidade. O acesso é feito pela ponte Simplício Dias (de 1975).Trata-se da única praia localizada no município de Parnaíba na ilha de Santa Isabel no bairro do mesmo nome. O visual da praia Pedra do Sal, com o farol branco de 1873, rodeada de rochas à beira mar e com os barcos forma um cartão-postal. Interessante dizer que no lado leste o mar é agitado e no lado oeste as águas são mansas, de acordo com o Guia Piauí Litoral. Infelizmente, achamos o conjunto poético mal cuidado, com cavalos abandonados e barracas nada vistosas. Uma lástima! Significa que a prefeitura está se importando somente com o turismo no Delta do Parnaíba, e não com um lugar tão promissor? Aliás, é conhecida como tendo um pôr do sol entre os mais bonitos do estado. Eu conheci a Pedra do Sal em outros momentos e era bucólica, romântica, lugar de veraneio com pousadas e tudo o mais. Foi uma tristeza.

De volta à bela Parnaíba, passeio de carro pela Praça da Mulher do Pote (nome original demais!), pela igreja Nossa Senhora de Fátima, Praça da Graça e a maravilhosa Praça Santo Antônio (onde se localiza a escola de inglês Speak Up da amiga Minervina Menezes). Vamos em direção ao Parnaíba Shopping. Passamos pela igreja de São Sebastião (idealizada em 1925 e inaugurada em 1940) na avenida do mesmo nome, avenida essa larga, bonita e com praça arborizada. Eu deliro quando vejo cidades assim. Cruzamos o Monumento da Águia, uma homenagem dos operários parnaibanos ao prefeito da época, Ademar Neves, o reformulador da cidade. Quase não encontro prédios. Muitas casas, uma delícia.

Um pouco sobre a cidade. Segundo o Guia de Bolso de Parnaíba (da Prefeitura de Parnaíba), a Praça da Mulher do Pote é um logradouro que guarda um trabalho artesanal de José Felix da cidade de Nova Jerusalém-PE, esculpido em 1973, foi presente do povo pernambucano ao ilustre parnaibano ex-ministro João Paulo de Reis Velloso que, por sua vez, fez a doação à cidade. A Praça Santo Antônio, local arborizado e ponto de encontro, abriga o monumento do Centenário da Cidade, um obelisco inaugurado em 1944, alusivo aos cem anos da criação da cidade (1844-1944). Na Praça da Graça há o Monumento da Independência do Brasil. Também há outras importantes edificações históricas, como a Casa Grande, o Sobrado Dona Auta, a Igreja de Mont Serrat, a Igreja do Rosário etc.

Chegamos ao shopping, oba! Amo! Nem deu tempo para eu tirar minha roupa do passeio no delta… Então, vamos conhecer o centro de compras. Simples, mas deu para um bom lanche de jantar: um robusto sanduíche natural com suco no Dogão Lanches. Saí feliz.

Dia 11 de março de 2022. Continuamos em Parnaíba. A ideia é visitar a Lagoa do Portinho, uns 3 km de Luís Correia onde estamos hospedados. Área de interesse ecológico, o lugar já mudou bastante desde a primeira vez que conheci. O restaurante O Luís é arrendado por um cearense do mesmo nome. Também há pousada (chalés) no local sem café da manhã. Achei bem agradável o restaurante, ventilado e com um cenário de dunas ao longe com a lagoa em frente, muto lindo. A música ambiente de bom gosto: MPB. Ganhou pontos comigo. Tomamos água de coco curtindo a paisagem única. A flor de marmeleiro aromatiza o caminho da saída do Portinho. Lá é lugar usado pela população como entretenimento. Vale a pena!

No hotel Rio Poty Praia em Luís Correia almoçamos “peixe a belle menieure”(peixe: pescada), excelente. Surpreendeu-nos positivamente. Muito válido só comer lá.

Fomos à Beira Rio com chuva, situado às margens do rio Igaraçu. Depois ao Porto das Barcas comprar artesanato. Íamos ao Caranguejo Expresso, porém a chuva não parava. Situa-se à rua Quetinha Pires, 64-Beira Rio, no Calçadão Cultural da Beira Rio. A torta de caranguejo é o carro-chefe do estabelecimento, que existe há 20 anos. Já provei no passado e digo: é uma maravilha! Imperdível. Fiquei na saudade. E o Carlos nunca comeu.

O Porto das Barcas, segundo o Guia de Bolso de Parnaíba (da prefeitura), é o local de maior identidade cultural e referência histórica da cidade. É um conjunto de armazéns, construção de pedra bruta e argamassa de cal, conchas e óleo de baleia. O Guia Piauí Litoral acrescenta a ‘força dos escravos’. É um marco vivo da fase econômica áurea de Parnaíba. O Espaço Cultural Porto das Barcas, hoje todo restaurado, abriga casas comerciais, lojas de artesanato, restaurantes, auditório, teatro ao ar livre, pousada e agências de ecoturismo.

Após as compras, acabamos jantando com a amiga Minervina no Empório, uma padaria nova perto do apartamento dela no bairro Nossa Senhora de Fátima. Bem atraente, oferece sopas, café, doces, sanduíches etc.

Não posso deixar de mencionar as balinhas de café e goiaba, muito minhas conhecidas, meus presentes favoritos da cidade. Há várias distribuidoras na cidade. A Dona Gracinha Rocha tem fama, há 25 anos adoça a boca dos parnaibanos e visitantes. Local: rua Desembargador Freitas, 1013. Ela chega a fazer mais de 150 kilos por mês, segundo o Guia Piauí Litoral.

O mesmo guia nos conta um pouco da história do município. Os casarões centenários e diversos imóveis eram o reflexo de a cidade ser um importante interposto comercial para o Brasil Colônia. O povoamento da região é um dos mais antigos do Piauí e foi cenário de batalhas entre indígenas e conquistadores, histórias de amor não correspondidos, de paixões entre viajantes e moradores locais, de apogeu e queda de comerciantes e pessoas que mudaram para sempre este ambiente.

Despeço-me de Parnaíba, cidade do meu coração, com um grande abraço à Minervina Menezes e a sua família. Amizade antiga de valor. Parnaíba, foi muito bom revê-la tão bela e amada. Até logo.


Ceará-Piauí-Luís Correia com Delta do Parnaíba

Ceará-Piauí-Luís Correia com Delta do Parnaíba

Hoje é dia 10 de março de 2022. O Carlos e eu estamos em Luís Correia no estado nordestino do Piauí. O hotel Rio Poty Praia (Rua dos Magistrados, 2350) é amplo e está sendo pintado. Por ser baixa estação, estava com poucos hóspedes, felizmente para nós, afinal ainda nos preocupamos com a COVID. Os funcionários são atenciosos, o Eduardo é um deles. No café da manhã, amei o bolo de goma, típico da região. O povo do Piauí é conhecido por ser solícito e simpático, penso que Parnaíba merece ser mais divulgada.

Vamos ao programa. Saímos de carro rumo ao Porto dos Tatus, onde se pegam os barcos para o passeio no Delta do Parnaíba (corresponde à foz do rio): o delta das Américas, o único que deságua em mar aberto no continente. Interessante que antes a saída do barco era feita do Porto das Barcas em Parnaíba, mas era mais distante e dependia das marés.

De Luís Correia, vamos observando a cidade de Parnaíba. Seus moradores ainda residem em casas, há qualidade de vida. Passamos por armazéns, pelo Sobrado Luiza Brandão (ou Casarão dos Azulejos, ela a primeira poetisa piauense), e adiante subimos a ponte do rio Igaraçu, perto do Porto das Barcas. Do outro lado da ponte, nos direcionamos ao município de Ilha Grande de Santa Isabel, onde se encontra o Porto dos Tatus. Cruzamos com rendeiras e muitas carnaubeiras. Detalhe: um bocado de quebra-molas pelo caminho.

No Bar do Jaime, há estacionamento para os carros e um bar, lá conversamos com o guia/marinheiro Nelson que vai nos levar ao delta por R$320,00 (duas pessoas). Existe a possibilidade de ir com agência ou com um guia privado.

Começa o passeio. O rio Tatus deságua na baía das Canárias, divisa do Piauí com Maranhão. O rio chama atenção pela limpeza, trata-se de um percurso de 2 horas com muita beleza pela frente. O guia nos dá explicações valiosas. O Delta do Parnaíba tem 73 ilhas fluviais, a Ilha Grande fica à direita. Contorna-se a ilha até o mar, várias ilhas são habitadas, algumas são particulares.

A Ilha das Canárias é lar de pescadores, é a segunda maior do Maranhão, pertence a Araioses. Os peixes robalo e pescada amarela são fisgados em alto-mar. Os pequenos Lençóis Maranhenses são conhecidos como “Caída do Morro”. As dunas dão um toque de magia junto ao rio, há fartura de peixes de água doce: tambaqui, tucunaré, pintado etc, e a vegetação é de água doce aquática, dita “unha de gato”.

O rio Parnaíba é o braço principal, são 1485 km do mar até a nascente do rio, que se situa no limite entre os estados da Bahia, Maranhão e Tocantins, na Serra da Tabatinga e Chapada das Mangabeiras. O Parnaíba era navegável até o Alto Parnaíba e Santa Filomena, havia troca de mercadorias. Coisas do passado remoto.

Os manguezais, com raízes aéreas, são altos, passamos pelo longo Igarapé dos Periquitos. Ali vivem aves diversas, macacos, cobras, dentre elas, a sucuri de 10 metros, além de jacarés, guaxinins, dentre outros. Na lama dos mangues somente se pegam caranguejos machos para o consumo, afinal tem que preservar a espécie. O do consumo se chama toc toc, já o caranguejo guará é vermelho e alimento da ave guará que tem essa cor por causa dele. Eis a ave símbolo do Delta do Parnaíba. Que região mais rica! A garça azul e a branca, a gaivota e o martim pescador também embelezam a paisagem. Vimos a samambaia selvagem. Todo paraíso tem um problema: os pernilongos no mangue. Detalhe: ficamos sem assistir ao espetáculo das revoadas dos guarás, atração turística ao entardecer. Fica pra outra vez.

A água barrenta é causada pelas chuvas, em épocas secas, é verde. No local todos se conhecem, pescam e tem vida boa e tranquila. O rio se divide em cinco canais ao se aproximar do Oceano Atlântico: Igaraçu, Canárias, Caju, Melancieira e Tutoia. O Piauí está à direita e o Maranhão à esquerda. Em frente, o deságue para o mar, a Praia do Pontal e logo adiante a Ilha dos Poldros.

Passamos pela Ilha das Canárias, na qual o restaurante e pousada Casa do Caboclo é o mais conhecido. A ilha chamada de Paraíso das Canárias fica no Maranhão e tem 3 mil habitantes. O transporte é todo feito de barco e o contato mais perto é Parnaíba.

Chegamos a um pedaço de praia selvagem e desabitada, justamente na foz do rio Parnaíba, no encontro do Oceano Atlântico com o rio: a praia do Pontal. Tal encontro é marcado por uma espuma horizontal (do sal do mar). Que experiência essa de estar em estados distintos entre ilhas e praias e mangues, fantástico. A areia fofa deixa rastros, o local é descampado, a água e cor maravilhosas. Houve uma parada para banho, só que não tomamos, preferimos conhecer e tirar fotos. Já o povo do outro barco (excursão) se deleitou na água tentadora. Vimos bancos de areia na Ilha dos Poldros logo adiante.

Navegar na maré alta é uma paisagem, na maré baixa é outra. A Ilha das Canárias é longa, são 2 km só no barco. Na Casa do Caboclo descemos para o almoço. Restô e pousada, lugar paradisíaco, belo, tropical. Amamos!!! O almoço de filé de peixe robalo ao molho de camarão com purê de batata e arroz. Fabuloso! E a sobremesa, cortesia da casa, rapadura de castanha. Gostei que repeti. O lema do restaurante é If there´s wind, there´s no muriçoca (se existe vento, não existe muriçoca (pernilongo)). Conversamos com os turistas da excursão, todos encantados. Que ilha mais aprazível para relaxar, só se chega de barco, eis um local único. É comum habitantes de Parnaíba repousarem lá, que delícia! Minha amiga Minervina Menezes que o diga.

Retornamos maravilhados ao Porto dos Tatus. Pagamos o guia e o estacionamento (R$10,00). Enquanto eu estava em uma loja de lembrancinhas, o Carlos testemunhou uma cena inédita: um carro funerário com um corpo chegando a fim de pegar um barco para ser enterrado na Ilha das Canárias, acompanhado de familiares e amigo. Também vacas, bezerros, cavalos e cachorros foram vistos na rua. Bem peculiar.

Que manhã mais diferente e enriquecedora. Um dos passeios mais espetaculares da minha vida. Simplesmente imperdível.

Continuaremos em breve com Parnaíba.