Jornada no Rio Grande do Norte – Galinhos e suas atrações

Jornada no Rio Grande do Norte – Galinhos e suas atrações

Hoje é dia 20 de outubro de 2021. Manhã. O café da manhã na pousada Oásis à beira rio foi robusto: frutas tropicais diversas como manga, goiaba, mamão e outras, banana frita com canela, sucos, tapioca, ovos, doces, sanduíches, creme de abacate, canjica, bolos, pães, panqueca, ufa! Perfeito e tudo com pouco açúcar. Embalados por um cenário do rio Aratuá, um show poético com os barcos nos presenteando com um dia iluminado. Aliás, a temperatura era 30° C, mas a sensação térmica de 34º C e só era 9 h.

A origem do nome “galinhos” surgiu espontaneamente pelos nativos devido a terem sido encontrados com facilidade os peixes-galos na região, tais peixes eram comumente menores que o normal, logo a região ficou nomeada como Galinhos. A região produz sal, algodão e sisal. 95% do sal marinho nacional é produzido no Rio Grande do Norte, boa parte dele em Galinhos (baseada no blog http://www.marazulreceptivo.com.br).

A manhã será para passeio de barco. A infraestrutura de barcos e passeios é boa. O escolhido se chama Fortaleza do comandante Zezo e do marinheiro Cleiton. Nossos companheiros de percurso aquático o casal do Rio de Janeiro Luciene e Ramón. O papo foi bom até porque a Luciene já havia morado em Fortaleza. Os locais a serem visitados: a Ilha das Cobras, as salinas, a Praia do Capim, e finalizando com um almoço em Galos.

Começamos com a Ilha das Cobras. Vimos um manguezal limpo com algarobas, garças azuis e uma trilha isolada. Camarões, caranguejos, peixes como tainhas (encontradas em Santa Catarina também), carapebas e outros. Ali é um berçário de ostras, peixes e crustáceos, que riqueza. Vale a pena conhecer e valorizar os manguezais.

São quatro rios que cruzam a região, o Aratuá é um deles. Chegamos à salina Diamante Branco. Parece uma geleira, incrível. Lembrei do Perito Moreno da Patagônia argentina, logicamente em menor grau. Várias empresas estrangeiras estão presentes na prospecção do sal marinho. O Cleiton mostrou a pepita de sal que se lava com água salgada. No final da Ilha das Cobras, se situa o Rio do Furado que dá mais peixes e é mais fundo.

Seguimos o passeio passando de barco pelas Dunas do Capim e seu parque eólico, além do seu manguezal. Interessante dizer que as dunas são móveis. Os bugres andam por cima da duna, é uma aventura, com certeza. Vimos patos pretos que só comem 800 g de camarão por dia e submergem por meia hora. Ali perto, no rio tomamos banho, bastante refrescante! De acordo com a Wikipédia, na Praia do Capim, a alta salinidade proporciona uma flutuação incomum (é comparado com o Mar Morto que banha Israel, Cisjordânia e Jordânia).

O almoço foi em Galos, outro povoado. O restaurante da Irene tinha comida boa e variada, estilo buffet, R$35,00 por pessoa. O papo com os cariocas foi estimulante. De lá de volta ao barco, passamos pelas Dunas do André. O barco deixou o casal carioca no estacionamento Pratagil, já que iam embora e nós continuamos a jornada rumo a Galinhos…

À tarde a ideia foi outro passeio com o Hiago, de charrete com seu cavalo Flashback, desta vez em direção às Dunas do André. O visual do mangue no sopé da duna é imperdível. Mais, o contraste do pôr do sol saindo do rio Aratuá torna o momento mágico. Fazer esses passeios de charrete é exótico demais. O vento intenso em cima da duna é intenso.

Digno de nota afirmar que Galinhos tem associações de charretes, bugres e barcos. O Hiago acabou os estudos fundamental e médio em Galinhos. Os professores vêm de Macau-RN.

Galinhos: vida pacata, peculiar, tranquila, todos se conhecem e se ajudam. Há muitos estrangeiros com casas de veraneio na península. A própria pousada em que ficamos é de uma. Um local do tipo “tem que visitar”. Que a cidade/vila não mude tanto como ocorreu com Canoa Quebrada e Jericoacoara no Ceará, aquelas vilas bucólicas cresceram de modo a perderem muito do charme, eis a minha opinião.

Jantar: a costumeira pizza marguerita, com o nosso espumante francês Veuve Calendrin Brut Rosé no restaurante Porto Bistrô da pousada Oásis (rua Beira-Rio, s/n). Os pratos transados com figuras de gatos, e as mesas diferentes umas das outras formaram um conjunto gracioso. Fomos atendidos pelo garçom Anderson e aqui mandamos um abraço para a Lorraine da pousada. As pessoas são atenciosas e curtem uma conversa agradável. A água do rio batendo perto da gente e nós bebendo espumante, um espetáculo.

Galinhos, lugar encantado! Partiremos no dia seguinte para o Ceará rumo a uma praia querida nossa: a Redonda em Icapuí.

Jornada no Rio Grande do Norte – Chegada a Galinhos

Jornada no Rio Grande do Norte – Chegada a Galinhos

Hoje é dia 19 de outubro de 2021. Às 8h40 da manhã o Carlos e eu partimos de São José de Touros com saudades da pousada Enseada dos Mares e de São Miguel do Gostoso, cidade alegre e vibrante. Voltaremos!

Na estrada, de carro laranja novamente. Lá vamos nós rumo a Galinhos, lugar da moda atualmente no litoral norte do estado. Em direção a João Câmara à procura da BR-406, mas antes pegamos uma estadual sem número, só lembrando que são mal sinalizadas as RNs do estado vizinho, além de não terem acostamento. Tudo verde pelo caminho, plantações de macaxeira, coqueiros, fazendas de gado, mangueiras e frutas como melancia na terra fértil.

Chegamos a Boa Cica no calçamento ondulado. Graciosa. Passamos por Cana Brava, com suas vendas de frutas e macaxeiras em frente as casas, um barato. A natureza começa a ficar mais árida logo adiante, parece a vegetação do cerrado. Quando se inicia a caatinga, o calor do “bafo de dragão” nos incomoda. Mais 52 km e chegaremos a João Câmara.

Enfim, pegamos a BR-406. Ao longo da BR vimos o parque eólico Brisa Potiguar. A águia pequena, mas valente dita carcará faz parte da paisagem. São família, cuidam dos filhotes. Outro parque eólico, Santa Helena, mais a frente. Estamos nos dirigindo à cidade de Jandaíra, porém antes existe Aroeira Direita, com suas vendas de frutas, mel, manteiga da terra, melancia e biscoitos pelo caminho.

Entramos em Jandaíra, cidade pacata, com menos árvores, mais quente, com a BR a cruzando. Ao lado da prefeitura, uma feira funcionando. Pelo caminho, árvores “algarobas”, resistentes ao calor. Cidades interioranas são uma delícia, mostram um outro Brasil, mais acolhedor e amigável.

Mais 25 km e chegaremos ao portal de entrada de Galinhos. 5 km antes já nos deparamos com cheiro de mangue e sal, há salinas na região. Contornamos um lago salgado, um braço de mar. Agora vem o barato do local. Deixamos o carro gratuitamente em um estacionamento (Pratagil), com uma pequena infraestrutura de restaurantes e lanchonetes, e ficamos esperando pela balsa que cruza o rio Aratuá de meia em meia hora.

As pessoas sempre solícitas. Entramos no primeiro barco que chegou àquela hora. Era um barco de transporte da prefeitura. Nós e os outros passageiros acompanhados de nossas “tralhas”, além de bananas e águas. Uma graça. Pagamos R$10,00 os dois. Caso não haja 8 pessoas, a cobrança é de R$30,00 por pessoa. Somente se chega no local de balsa ou de carro tracionado sobre as dunas, pois Galinhos é uma península, parece uma ilha.

No terminal ou cais, encontramos charretes esperando pelos turistas para levá-los às pousadas, exótico demais. Não entra carro, vimos bugres. Andar a pé ou fazer passeios de charretes, eis a pedida.

Escolhemos a pousada Oásis, fomos a pé. Original, bem decorada, repleta de cores, flores, plantas, pássaros artesanais, com chalés Vênus, Sol e outros planetas, cheia de gatos, com porta decorada com bonecas de pano. Amei! Depois o Carlos descobriu que fazia mais calor e tinha mais moscas por ser ao lado do rio. Já as outras pousadas para o lado do mar eram mais frescas, embora mais longe do terminal de balsas. Sem arrependimentos.

Eu nunca vi nada igual a esta pousada. O chalé é aromatizado, o banho de água fria é mineral, temos direito a um garrafão de água, lembrando que a água é salobra, fica destinado ao corpo, e a água mineral para o cabelo e para escovar os dentes. Há espelhos, ganchos, lugares para as roupas, ar-condicionado, TV, em suma, com tudo isso me senti realmente no espaço sideral. O calor estava intenso, úmido.

Aviso que Galinhos não é barato, a não ser lugares mais simples e dos nativos. Detalhe: é aconselhável ter dinheiro em mãos, pois nem todo estabelecimento aceita cartão.

A pousada tem restaurante para almoço e jantar: Porto Bistrô. Maravilha! Almoço: peixe, arroz, feijão, farofa, simples e nutritivo, com pouco sal e açúcar.

Após descansar, à tarde com menos calor, combinamos com o Hiago um passeio de “burro táxi” pela cidade e praias por R$20,00 por pessoa. O jovem Hiago (84-992281433) é gente boa, eis uma boa dica. Está sempre pelo terminal de balsas, todos o conhecem e o empreendimento de transporte com charretes passa de pai para filho, muito diferente para quem vive em cidade grande.

Importante dizer que a região é composta de Galinhos, Galos e um assentamento, contabilizando uns 3.300 habitantes, segundo o Hiago. O passeio de burro táxi (na verdade, é um cavalo chamado de Parafuso) pela areia da praia trepida e emociona, uma hora de uma aventura equestre. Conheceremos o Farol das Almas na praia do Farol. Há uma enseada gostosa para banho e haja vento àquela hora.

O farol é automático à noite, funciona das 18 h às 5 h. Existem 12 plataformas de petróleo no mar na área. O pôr do sol é especial, em um local tão cativante. Os nativos costumam caminhar ou correr pela areia até lá.

O Hiago nos mostrou a cidade: posto de saúde funcionando, delegacia, prefeitura, Câmara Municipal (dos vereadores), escola municipal e estadual, centro com praça bem cuidada, a catedral Matriz sendo construída. Também nos deu sugestões de lanchonete de gente da terra (dona Reinilda). As ruas têm canteiros centrais coloridos com árvores e bancos. Há calçamento ou areia, depende da via. Posso dizer que isso apaixona. Galinhos é um sucesso.

Jantar: foi na casa da dona Reinilda, nas mesas instaladas do lado de fora na rua de areia. Preço justo por tapioca, cuscuz e café com leite. Lanche bem nordestino.

Dia muito produtivo e com gosto de quero mais no dia seguinte.

Jornada no Rio Grande do Norte – São Miguel do Gostoso – um pouco mais sobre a cidade

Jornada no Rio Grande do Norte – São Miguel do Gostoso – um pouco mais sobre a cidade

Hoje é dia 18 de outubro de 2021. Já quase no fim da visita à região. Manhã – ter só a gente no café da manhã foi bom demais. Depois, banho nas piscinas naturais em frente à pousada Enseada dos Mares em São José.

Tarde – Almoço no restaurante afamado Trapiche, original, colorido, uma maravilha para fotos. Decorado com um caramanchão florido, e chapéus e quadros de dizeres na parede. O calor estava intenso, logo nos refrescamos com uma cervejinha. A comida é fenomenal: peixe badejo na cama de queijo de coalho, com acompanhamento de molho especial de castanha, passas e banana caramelizada. Pagamos R$49,00 por pessoa. Vale a pena conhecer lugar tão aprazível.

Ali perto há uma geladeira “biblioteca” na calçada. É interessante acrescentar que São Miguel é pacata, interiorana. Muito do comércio e restaurantes são fechados às segundas, abertos são os mercadinhos 24 horas na avenida principal (Avenida dos Arrecifes).

Noite – Realmente não tínhamos opções variadas, então ficamos no velho sanduíche. Gostamos do Pittsburg na Av. dos Arrecifes. Pedimos um pitts chicken (de frango) com um suco de mangaba, que amamos. Pena tal fruta não existir no Ceará, embora exista na Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte. O dono ter vindo saber se havíamos apreciado o sanduíche foi elogiável. Já estávamos em clima de despedida e saudosos.

Enfim, São Miguel é uma cidade habitável, com qualidade de vida, onde as pessoas se conhecem e interagem. Mil pontos. Amor total.

Agora curiosidades sobre a cidade. Segundo o folder Gostoso de Bolso (2021), o sugestivo nome do lugar remete a um antigo morador, Sr. Manoel. Bem humorado, acolhia os visitantes e contava histórias engraçadas, das quais ele mesmo morria de rir. Sua risada marcante acabou o batizando de Sr. Gostoso. A cidade foi fundada pelo missionário frei João do Amor Divino em 29 de setembro de 1884, dia de São Miguel Arcanjo. O folder adiciona que São Miguel é posicionada bem na curva do continente, tendo sido uma base estratégica de militares durante a II Guerra Mundial (1939-1945).

Sem dúvida, basta o nome da cidade para atrair visitantes. Voltaremos, São Miguel do Gostoso!

Em breve, Galinhos…

Jornada no Rio Grande do Norte – Touros – Farol do Calcanhar

Jornada no Rio Grande do Norte – Touros – Farol do Calcanhar

Hoje é domingo, dia 17 de outubro de 2021. Manhã. No café da manhã, chamo a atenção do bolo “moça”, tipo o “mole” do estado do Ceará, uma delícia, doce e mais seco que o nosso. Vamos aproveitar o banho das piscinas naturais na praia de São José em frente à pousada Enseada dos Mares.

Tarde. Decidimos ficar para o almoço em São José mesmo. Ao lado da pousada, há o restaurante Bar do Júnior à beira mar. O risoto de camarão, regado por um espumante italiano lambrusco branco Decord que levamos, foi especial. Aqui fica um alô para o menino Leandro, Gisele, Dedé, Júnior e Juli. Ali todo mundo se conhece, são simpáticos e acolhedores. Obrigada!

Mais à tardinha, fomos conhecer de carro tracionado o Farol do Calcanhar na praia do Calcanhar em Touros. No caminho, vimos coqueiros mil, casas simpáticas, observei que não se vê um pedinte na rua, as pessoas vivem com dignidade. Existem verdadeiros sítios, com muito verde, tudo bucólico. De São José, entramos à direita em direção a Natal na BR-101, e chegamos à praia do Calcanhar.

Segundo o Guia Quatro Rodas Brasil (2013), Touros é apelidada de Cotovelo do Brasil, a cidade fica no ponto em que o litoral do país começa a correr de leste a oeste. Como a vizinha Maracajaú, Touros também tem mergulho livre nos parrachos (formações de recifes). Ondas fortes quebram nas praias mais bacanas da cidade. Touros, boa para surfe e Calcanhar, com coqueiros e dunas, onde fica o farol do Calcanhar, o mais alto do país: são 298 degraus até o topo.

O farol em preto e branco, tem 62 m e é controlado pela Marinha do Brasil. Não pudemos chegar perto. Detalhe: é o segundo maior das Américas. No local encontramos uma família de Chapecó (Santa Catarina), moradores de Touros. Como existem catarinenses na área. Fiquei impressionada.

Depois de tirar nossas fotos costumeiras, pegamos a BR-101 novamente e conhecemos o monumento do Marco Zero da BR-101, obra do arquiteto renomado Oscar Niemeyer, que liga Touros à cidade de São José do Norte ao sul do Brasil. Diz na placa de outubro de 2020: “O Município de Touros, situado na costa leste brasileira, encontra-se em uma área em que o litoral faz a curva conferindo a este o apelido de “Esquina do Brasil”. Seu território, rico em belezas e histórias, comporta grandes monumentos da cultura material e imaterial do país.” Foi realizada por Francisco de Assis Pinheiro de Andrade (prefeito de Touros) e Fernando Antônio Melo Rocha (Secretário de Turismo).

Passamos pela Lagoa do Sal, distrito com fazendas de gado, e rumamos ao centro de São Miguel do Gostoso. Aproveitamos para visualizar o famoso restaurante Trapiche e ver o cardápio. O lugar é uma lindeza. Fica pra o próximo dia.

Noite. Descemos a pé até a rua da Xêpa, já estava na hora de fazer um lanche. Escolhemos o restaurante Gênesis, um dos atrativos da rua. Bem decorado com plantas, cadeiras diversas e coloridas nas mesas, alegre, com pendentes diferentes e várias samambaias no teto, uma lindeza! Só não tinham sucos naturais, pode? Eu pedi hamburguer vegetariano: pão de fermentação natural, hamburguer de grão de bico com beterraba, creme de girassol, tomate confit e folhas. O Carlos quis o do Sertão: pão de fermentação natural, hamburguer artesanal, bacon, picles de maxixe, queijo coalho e chutney de cebola. Excelentes ambos. Recomendo. Refeição acompanhada por música francesa leve e servida em uma cerâmica preta, um sonho. De lá ainda tomamos sorvete na Gostoseria. Que rua da Xêpa mais graciosa! Amei!!! Outros restaurantes dignos de nota: Borogodó, Palmira, Abelhuda, Tomaladacá (creperia) etc.

Continuaremos com São Miguel do Gostoso em breve…

Jornada no Rio Grande do Norte-São Miguel do Gostoso-Marco de Touros

Jornada no Rio Grande do Norte – São Miguel do Gostoso – Marco de Touros

Hoje é sábado, 16 de outubro de 2021. O banho de mar foi em frente à pousada de novo, nas piscinas naturais da praia de São José. Entre as rochas se formam as piscinas. Banho dos melhores. A pousada Enseada dos Mares se situa na RN-221-7 em São José, Touros. Sua posição é privilegiada.

Curiosidades do local: dizem “km”(ka/eme), ao invés de kilômetros. No centrinho de São Miguel há vendas em frente às casas: de frutas, batata doce, macaxeira (aipim), produtos da terra etc. Torna a cidade mais colorida, tropical e alegre.

Para quem vai a São Miguel do Gostoso sem um carro potente (de tração), a dica é pegar uma jardineira própria para turistas. Lembrando que os passeios nos arredores são para lugares, cujas estradas são de carrossal. No caminho se encontram muitos coqueiros e mandacarus. Algumas localidades têm bloquete e um pouco de asfalto nas suas ruas.

Manhã. Vamos conhecer o Marco do Descobrimento hoje. 15 km de São Miguel do Gostoso. Seguiremos rumo à praia de Tourinhos com estrada de carrossal ou costela de boi, como dizem. Entre Tourinhos e Marco, as dunas estão em muitos pontos engolindo a estrada. Descobrimos praias sem uma viva alma. A placa indicando a praia de Marco mostra 2 km. Detalhe: a estrada é péssima, o Carlos e eu nos sentimos aventureiros, estilo Indiana Jones. A região tem um tipo de carneiro adaptável a esse calor imenso. Antes de chegar a Marco, vimos barcos de pesca e a praia Morro dos Martins. O local tem posto de saúde, quadra de esportes, boa sinalização, maior do que imaginávamos. A aridez é acentuada, a claridade chama a atenção.

Enfim, chegamos a Marco. Existem barracas/restaurantes à beira mar. O monumento é pequeno e se trata de uma réplica, pois as pessoas raspavam e faziam chá, uma pessoa me contou. Atrás dele, existe a diminuta Capela de Nossa Senhora dos Navegantes. Estamos perto do meio dia, logo a luz e o calor são intensos!

Eis a história do Marco do Descobrimento. No ano de 1501, a expedição saída de Portugal, comandada pelo navegador Gaspar de Lemos, fez sua primeira parada na praia de Touros, onde foi fixado o Marco de Posse Colonial, o Marco de Touros, moldado em pedra de mármore… (esta explicação está escrita em uma placa no km 02 da BR 101 (sentido Natal) em Touros). De acordo com o Guia Quatro Rodas Brasil (2013), é o monumento mais antigo do país. O original se encontra no Forte dos Reis Magos em Natal (capital do RN).

A praia estava quase deserta e as casas sem movimento. Voltamos pela praia até Tourinhos, muita gente faz isso, pois diminui a jornada. Subimos em dunas de areia, vimos praias com enseadas e rochas, foram 20 minutos com a tração reduzida do Jimny (Suzuki). Emocionante.

Tarde. Voltamos à praia do Cardeiro em São Miguel. Novamente ao Bar do Tico para um almoço de peixe vermelho, com macaxeira frita e salada, e para refrescar, uma cerveja. Simples e bom, recomendo. Interessante que nessa praia, o mar fica muito longe, a caminhada para um banho de mar no sol inclemente não nos tentou.

Após o almoço, passeio pela praia. Conhecemos a bucólica praia do Santo Cristo na Ponta do Santo Cristo. Considerada a mais badalada da cidade, por causa do movimento de kite e windsurfistas, uma das melhores do mundo para a prática desses esportes, segundo o Guia Quatro Rodas Brasil (2013). Bom dizer que vi policiamento e lixeiras na praia.

Mais banho nas piscinas de São José à tardinha.

Noite. Jantar/lanche no Bodega Café (da catarinense Virna) no centrinho de São Miguel (Av. dos Arrecifes, 1333), e mais caminhada pela rua da Xêpa, a qual gamei, com seus restaurantes transados e variados. Dia completo e feliz.

Prosseguiremos em breve com novas aventuras…

Jornada no Rio Grande do Norte – São José e São Miguel do Gostoso

Jornada no Rio Grande do Norte- São José e São Miguel do Gostoso

Dia 15 de outubro de 2021. Estamos o Carlos e eu na Rota do Gostoso, na praia de São José. O café da manhã na pousada Enseada dos Mares foi substancial, porém observei não respeitarem os protocolos da COVID (a não exigência de máscaras e o café ser servido como buffet e não em separado). A refeição tem o que sempre se encontra no Nordeste, de diferente: batata doce, banana frita, suco de mangaba (que saudades!) e bolos caseiros com calda de chocolate, tentação. Aprovado! Ainda mais em um local com um visual tão arrebatador do mar.

Tomamos banho nas piscinas naturais da praia de São José em frente à pousada, praticamente só tinha a gente, uns meninos e um pescador lá adiante. Pedras na praia, coqueiros mil e a pousada. Belo o lugar. Achei parecido com o coqueiral de Icapuí no Ceará.

Para o almoço, rumamos a São Miguel do Gostoso. Na praia do Cardeiro, na região central, há dois cantinhos famosos: o Sheik´s e o Bar do Tico (o dono Dedé). O mar é bem afastado. A garçonete Nininha do Bar do Tico nos atendeu e pedimos lagosta grelhada, macaxeira frita, salada, arroz e farofa. Fazia tempo que não apreciávamos uma lagosta, tudo delicioso regado a uma cervejinha para espantar o calor. Os dois restaurantes são uma espécie de oásis na praia. O calor é imenso.

Um passeio de carro pela cidade, as casas coloridas chamam a atenção. Lembrei muito de Pontal de Maceió no Ceará.

À tarde, passeio a Tourinhos, 8 km de chão batido (de terra vermelha ou carrossal ou costela de boi), saindo de São Miguel. Para ir, se vai de jipe ou bugre. Vamos conhecer a praia e o afamado pôr do sol. Passamos pela praia do Reduto e depois Tourinhos. Vimos um assentamento popular e dois empreendimentos de casas a serem construídas.

Em Reduto, há venda de labirinto com casas, lojinhas, igreja. Em Tourinhos, existem barracas de praia com movimento intenso, são elas: a do Luiz Pescador, do Carlinhos, da Dedé etc. O pôr do sol é imperdível, vale a pena. O mar em forma de enseada é calmo. Surfistas, famílias, turistas fazem a festa nas barracas, na praia e sobre a falésia. O ambiente é de paz. Amei o “point”. Interessante dizer que os arrecifes são impregnados de crustáceos. Não se pode tocar, porque cortam.

À noite, em São Miguel do Gostoso novamente. Descemos no centro em frente ao Mango´s (creperia e sanduicheria). Pedimos De los Roques (crepe estilo Marguerita) com suco de maracujá e abacaxi com hortelã. Na avenida principal “dos Arrecifes”, o burburinho é grande. Os restaurantes, cafés, creperias são estilosos, com luzes, cores, bem decorados. O ritmo da cidade é interiorano, ou seja, mais lento. Ninguém tem pressa. Para finalizar o dia, paramos no Bodega Café e lá veio mais um salgado e uma torta de limão caseira. A proprietária Virna é instrutora de windsurfe, veio de Santa Catarina e é um bom papo.

Saímos de lá e descobrimos uma rua fantástica: a rua da Xêpa, que deságua na pracinha e na praia do mesmo nome na área do centro. São vários restaurantes, um mais magnífico do que o outro, doceria, sorveteria, lojinhas, churrascaria, pizzarias, drinkerias, enfim, um evento. Gente bonita, interessante. Enfim, o local é vibrante. Lembrei-me de ruas assim pelos cantos do mundo: a Broadway, em Canoa Quebrada no Ceará; a Rue des Bouches, em Bruxelas na Bélgica; a Rue de Saint Jacques, em Paris na França; e por aí vai. Delirei!

Para completar, encontrei uma caixa (um box) com livros para a população, onde estava escrito: “Ler é Bom”, Casa dos Livros. Já estava apaixonada por São Miguel, aí fiquei mais ainda. E a lixeira é em forma de coco com canudo, ufa, delírio total.

Prosseguiremos com mais de São Miguel ou Gostoso, como alguns nativos dizem.

Jornada ao Rio Grande do Norte – de Mossoró a Touros

Jornada ao Rio Grande do Norte – de Mossoró a Touros

Hoje é dia 14 de outubro de 2021. Saímos do Thermas Hotel em Mossoró, pegamos a rotatória direção a Natal e rumamos a Assú, são 75 km na BR-304. Muito calor e terra árida na jornada.

Entramos em Assú, passamos pela Av. Sen. João Severian da Câmara (RN-016). A cidade é graciosa, como todas as do interior. Entramos na rua Ulisses Caldas, no semáforo principal à esquerda rumo à Justiça do Trabalho. Não posso deixar de lembrar da amiga Cynthia Moreno que trabalhou aqui. Em Assú vimos mais verde, mangueiras, coqueiros etc.

Pegamos uma RN sentido Alto dos Rodrigues. Essa viagem foi uma aventura e tanto, pois as RNs são mal sinalizadas e cheias de buracos. Ainda bem que o nosso carro era um jipe “bom de luta”. Não ultrapassamos 80 km e não há acostamento. Sinceramente, um horror! Fiquei satisfeita em ver os cavalos mecânicos retirando petróleo da terra. Como se explica ter tanto ouro negro na região e as estradas estaduais estarem tão mal preservadas? Milagre ter uma indicação que a RN é a 408, ainda faltam 22 km até Alto dos Rodrigues. Depois dessa cidade, Pendências (RN-118), sentido João Câmara para pegar a BR-406. Detalhe: nos perdemos pelo caminho, tivemos que retornar, perguntamos e tiramos dúvidas. Enfim, a BR! Mais decente. Passamos por Baixa do Meio, perto de Jandaíra se encontra a entrada de Galinhos. Jandaíra a 5 km, a BR passa por dentro da cidade. João Câmara ainda a 45 km.

Os parques eólicos são monumentais no percurso. Fiquei impressionada. Aliás, o estado do Rio Grande do Norte é o primeiro lugar da Região Nordeste, o segundo: Bahia, e o terceiro: Ceará, em quantidade.

Em Aroeira Direita, um distrito, na BR-406 não encontramos um ponto de apoio, não apresenta infraestrutura nem para um almoço. Já João Câmara (também na BR) tem um tamanho razoável e boa infraestrutura. Na Antônio Proença, rua de calçamento depois asfalto, pegamos a RN-023 que corre para o mar. Quando se chega perto do litoral, a paisagem muda radicalmente, fica mais verdejante e o clima mais agradável.

Passamos por Canabrava, cujo verde parece o de uma serra. Boa Cica, da igreja azul, outra localidade verdejante. Detalhe: onde se vai há quebra-molas, não marcados. Touros, enfim. Nem precisava entrar, pois a pousada fica mais cerca de São Miguel do Gostoso, embora pertença a Touros. Saímos de Touros, pegamos a BR-101 em direção à praia de São José. As pessoas são muito queridas, diga-se de passagem, dão informações com boa vontade sempre que perguntadas, nada de GPS com a gente.

Lá vai: Praia do Cajueiro, Lagoa do Sal e finalmente, São José de Touros, nosso refúgio. Ufa, enfim. Foram 322 km de Mossoró até São José. A entrada da pousada Enseada dos Mares com buganvílias e árvores formando um túnel nos acolhe com encantamento.

Fomos almoçar em São Miguel do Gostoso, a 7 km de São José. Mortos de fome, eram 15 h e sem muitas opções a essa hora. Quem nos salvou foi a Neide do Ponto do Bolo (self-service) na Av. dos Arrecifes. A comida simples nunca foi tao saborosa. E ela uma simpatia. Decididamente, o potiguar se deleita com uma conversa.

A Avenida dos Arrecifes é longa com pousadas mil, restaurantes diversos e casas coloridas, uma sensação. De início, já achei uma gostosura, apesar do calorão. A cidade ajeitada, pacata, interiorana, repleta de cores e flores, fiquei maravilhada. São Miguel está na Rota do Gostoso e tem muito a oferecer.

De volta à pousada, fomos conhecê-la melhor. São chalés amarelos, separados por trilhas, plantas e flores; os quartos são enormes, bem confortáveis, a redinha na varanda completa o relaxamento. Pena a piscina tipo Jacuzzi não funcionar… A Enseada dos Mares se situa em um lugar especial, em frente às piscinas da praia de São José. Amo as piscinas do mar e nem sabia quando escolhi o hotel. Novamente pelo sistema de hospedagem Bancorbrás. Pensei que faríamos as refeições lá, mas me enganei, só oferecem petiscos e depende da hora. Então, o jeito foi ir a São Miguel do Gostoso para as refeições. Grande achado, na verdade. Mas nessa noite, resolvemos comer a velha pizza Marguerita com coca cola, nosso costume. Descobrimos o Misturama, restaurante e pizzaria na av. Monte Alegre, 290, Touros. O Almir, cara trabalhador, é bom de papo. E assim fomos conhecendo tantas pessoas solícitas, que nos deram boas dicas.

Prosseguiremos no paraíso…

Jornada pelo Rio Grande do Norte – Mossoró – Thermas Hotel

Jornada no Rio Grande do Norte – Mossoró -Thermas Hotel

Hoje é dia 12 de outubro de 2021, nossa primeira viagem, minha e do Carlos, um pouco mais longa ainda na época da pandemia, embora esteja melhor o momento como resultado da vacinação. Vamos pelo Bancorbrás (sistema de hospedagem).

Saímos de Fortaleza-Ceará pela Rota do Sol Nascente até a BR-304 de carro (jipe laranja Jimny-Suzuki). Estamos no litoral leste. Pegamos muito calor na estrada, a região é árida rumo a Mossoró, cidade mais quente do RN, segundo dizem. São 230 km de distância, chegamos às 12 h no hotel Thermas (av. Lauro Monte, 2001 – Santo Antônio, sob nova administração) e fomos almoçar. Nem chegamos a entrar na cidade, na verdade, a localização do hotel é ao lado da rodovia federal BR-304 (no entroncamento). A área é considerada a periferia de Mossoró.

O quarto standard é bom, o ar-condicionado obrigatório. O restaurante do hotel serve todas as refeições, temos direito ao café da manhã. Falemos no almoço: peixe tilápia à milanesa com castanha e arroz ao molho de queijo. Muito bom.

Fazemos um passeio de reconhecimento de área mais tarde. Impossível sair depois do almoço, a quentura não permite. Penso que deveríamos seguir o horário da sesta no nordeste, como fazem na Espanha. Só retornam ao trabalho às 17 h e vão até a noite. A propriedade tem 20 hectares, é um resort com academia, quadras de tênis, espaço de recreação, um lago artificial com pontes, cavalos etc.

Estou curiosa sobre as piscinas térmicas. O Parque das Águas tem várias piscinas com temperaturas que variam aproximadamente de 33º C a 40º C. Lá se pode jogar vôlei. Como era Dia das Crianças, havia muitas famílias da cidade aproveitando o dia e as piscinas, afinal tem restaurante com bar molhado e pequenos quiosques, e toboáguas para os pequenos.

Quem é hóspede do hotel, não paga para entrar no Planeta Água, nos dão uma pulseira quando fazemos o check in no hotel. O Thermas é conhecido por isso, as piscinas são curativas e receitadas por médicos em Mossoró aos pacientes.

O parque e o hotel são rodeados pela natureza: mangueiras, árvores, passarinhos. Lembrei do Balneário do Caldas no Cariri cearense, em Caldas, Barbalha. O nosso banho inaugural foi às 17 h. Um calor daqueles e nós em uma piscina a 39º C, ufa! Tudo pela saúde.

À noite, canja no restaurante. Muito movimento no hotel. Por lá passam muitas excursões.

Dia 13 de outubro de 2021. Confesso que estava com saudades de um hotel desse porte. O café da manhã modelo buffet é fabuloso: frutas diversas, bolos, tapiocas, omeletes, macaxeira (mandioca) frita, pães etc, tudo com pouco açúcar. Gostei. Admirei seguirem o protocolo da COVID: distanciamento de mesas e máscaras. Encontramos um grupo grande de descendentes de japoneses vindos de Belém, estavam viajando pelo nordeste de ônibus. Quanta disposição.

Logo de manhã cedo fomos para as piscinas novamente. Banho a 40º C. Pouca gente, um alívio. O bom das viagens é conhecer pessoas legais. Conhecemos um casal de lá, o banho era terapêutico para o marido, pois havia tomado um choque, e as águas o estavam ajudando a se recuperar. Saudações, Joaniza e Luís Carlos. Detalhe: ao longo do dia estava 36º C, mas a sensação térmica na cidade era de 38º C.

O almoço foi frango grelhado, molho vinagrete, arroz, batata frita e farofa. Simples e gostoso. A novidade foi uma cerveja Corona com uma banda de limão dentro, um costume local. Deixou mais refrescante. De sobremesa, picolé de limão siciliano, marca Italatto de Mossoró. Delícia.

Mais banho às 16h30 e mais canja à noite. E mais sorvete: leite Ninho com chocolate belga. Uau!

Dia 14 de outubro de 2021. Café da manhã com tanta fartura, excelente. Chamo a atenção do saboroso bolo de macaxeira. Um detalhe sobre o quarto: poderiam colocar ganchos nos quartos para objetos e roupas molhadas, né? Todo dono de hotel deveria se hospedar e sentir o clima. De qualquer modo, só tenho elogios.

Ficou faltando conhecer o Memorial da Resistência e o Museu do Petróleo. Segundo a Wikipédia, o primeiro destaca o tema do cangaço e a resistência da cidade ao bando de Lampião, o notório Virgulino Ferreira da Silva, que tentou invadir Mossoró em 1927. Trata-se da única cidade do nordeste a expulsar o cangaceiro e o seu bando sem a ajuda das forças militares e unicamente com a participação do povo mossoroense que se armou e abateu um dos mais importantes membros do bando, um cangaceiro chamado de Jararaca. Desde então, Mossoró ficou conhecida como a terra da resistência.

Já o Museu do Petróleo, de acordo com o Globo.com (Rota Inter TV), é o único museu sobre petróleo no Brasil. É contada a história do campo de Santo Amaro, a maior bacia desta riqueza natural em campo terrestre brasileiro. O “ouro negro” é um grande impulsionador para o desenvolvimento da cidade. Nesse espaço localizado no anexo da Estação das Artes, há também o passo a passo da linha de produção de combustível, que leva o turista a entrar nas camadas da terra onde é encontrado o petróleo, chegando até o seu refinamento.

Partimos de Mossoró, o principal ponto de extração de petróleo em terra no Brasil, rumo a Touros, RN, satisfeitos. E lá vamos nós para mais aventuras por via terrestre no simpático estado vizinho.

Sensação de Déjà vu

Sensação de déjà vu em Praga

Ana Tavares

Em viagens acontecem coincidências, fatos bizarros, inexplicáveis. Você já sentiu algo semelhante?

Praga! Sensação de déjà vu… do já visto…

Foi aqui a estranha sensação. Jovem, viajei com duas amigas de Besançon na França para Praga. Jovens com pouco dinheiro no bolso, cabeças a mil, estômagos vazios, nos deparamos com esta rua.

Procurávamos a casa em que Kafka morou. Olho esta casinha azul e digo para minha amiga Tokiko: “já estive aqui”. Ela sorri e me diz que devia ser meu estômago delirando. A outra amiga la peruana loca Cristina me desafia: “O que tem lá dentro, minha Anita?”

Eu digo: “Um grande armário preto, um chão de barro encerado”. Entramos.

Era uma vendinha de suvenires. Uma senhora vendedora me sorria insistentemente, me olhava docemente… A casa tinha o chão vermelho encerado. O grande armário preto estava lá.

A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará, e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Águas Belas – Cascavel – Ceará – Brasil

Águas Belas – Cascavel – Ceará – Brasil

Primeiro dia. Mais uma aventura de final de semana, desta vez o Carlos e eu fomos ao distrito de Cascavel visitar Águas Belas de 12 a 15 de agosto de 2021, de sexta a domingo. Vamos ao litoral leste pela CE-040 e entramos no retorno para Cascavel. A cidade é bem ajeitada, a avenida é larga: Chanceler Edson Queiroz. Na esquina da rua Cel. Horácio Bessa, continuamos rumo às praias da Caponga, Águas Belas e Balbino. Basta seguir as placas. Passamos pelo sítio Sabiá no caminho, uma lindeza.

Adentramos a praia da Caponga, outro distrito de Cascavel. Acho que poderiam plantar mais árvores, a aridez é grande. A continuação já é Águas Belas. Ficamos no hotel Águas Belas Hotel Praia, local privilegiado por estar entre o rio Malcozinhado e o mar. A beleza chegou ali e ficou. O hotel oferece chalés e apartamentos rodeados de piscinas repletas de brinquedos para crianças. Em uma próxima vez, nos hospedaremos em um chalé olhando para o rio, mais afastado das piscinas, uma vez que pessoas de fora podem usá-las, assim como o restaurante, logo o barulho é grande. Para quem não se incomoda, tudo bem, o Carlos e eu, entretanto, preferimos descansar e ouvir o som do mar. Tenho que avisar que cobram multa caso o hóspede leve bebida ou comida de fora para lá. Achei pra lá de diferente (R$100,00 a multa).

No hotel está escrito “Onde o sol beija a lua e o rio abraça o mar”, autor: Iranildo Pereira. O rio bate na beirada do hotel, por isso a contenção é feita por rochas. Visual belo.

Há bares modelo palhoças na beira rio, com redinhas para os visitantes deitarem. Parece uma lagoa, o banho é refrescante.

Vemos famílias jogando cartas à noite na maior tranquilidade no hotel. Vale mencionar que o restaurante nos propiciou as refeições. Achei melhor o almoço do segundo dia: peixe pargo com fritas, salada, batata-doce e baião de dois (prato de arroz e feijão com queijo, típico do Ceará).

Segundo dia. Dia de passear de barco pelo rio Malcozinhado. Por R$20,00 cada um, tivemos um casal de companhia Carla e Betão, ela de Manaus/Fortaleza/Itália e ele, de Santa Catarina. Pegamos o barco na saída do hotel, no rio. Trata-se de uma chalana denominada Canobella II, cujo piloto é o Boto, figura empreendedora da região (ali perto possui um bar/restaurante). No passeio ecológico, o Boto mostra os manguezais e descreve o rio que tem água salgada e doce. É um criatório de camarões, siris, ostras, peixes, uma fartura. Como ele diz, ninguém passa fome por lá. A trilha do mangue é rica. Tem um momento do passeio que ele para a fim de tomarmos banho. Uma maravilha!

Na volta, felizes e molhados, somos apresentados ao mangue sapateiro e ao mangue branco. Os peixes e caranguejos se alimentam deles. Precisam do iodo da água do rio. Segundo o Boto, bom para quem tem lupus. Voltamos pela mesma trilha do mangue, de acordo com o piloto, passamos na maré baixa e só o barco dele consegue. O passeio está no fim, uma pena, pois encanta. O casal ficou no restaurante do Boto à beira rio e nós descemos no portão do hotel. Aí resolvemos tomar mais banho. A água é verde e transparente.

À tardinha, caminhada pelo delta do rio e praia. Muita gente curtindo o momento. Descobrimos um hotel transado, bem tropical na praia: Varandas Beach.

Terceiro dia e último dia. Mais banho de rio. Fomos embora de tarde. Entramos na Caponga, mais movimentada que Águas Belas com casas, pousadas, muito graciosa. Pegamos uma estrada nova Caponga-Pindoretama, dica do pessoal do hotel. Aproveitamos e conhecemos a praia do Balbino, simpática, com casas de pescadores, mais verde com mangues e algumas barracas à beira mar. Não encontramos pousadas. Antes de chegar em Pindoretama, a terra das rapaduras, passamos por Pratius, uma cidadezinha longa. Sempre conhecendo um pouquinho mais do Ceará.

Para concluir, vale a pena, pois é perto de Fortaleza e o lugar oferece uma paisagem única.