Ceará-Piauí-Camocim rumo a Jericoacoara

Ceará-Piauí-Camocim rumo a Jericoacoara

Hoje é dia 14 de março de 2022. Em Camocim a Beira Mar está repleta de pescadores, o cheiro de peixes e algas é grande.

Um pouco sobre a cidade, segundo a Wikipédia. A antiga vila de Camocim foi fundada em 29 de fevereiro de 1879 e a cidade foi emancipada de Granja em 17 de agosto de 1889. Antes do séc. XVI, o território era ocupado por povos indígenas, tais como Tabajaras, Tremembés, Jenipaboaçus e Cambidas. Camocim vem do tupi-guarani e significa “buraco ou pote para enterrar defunto” (de acordo com Silveira Bueno e Gonçalves Dias). A construção de uma ferrovia na região foi fundamental para o desenvolvimento da então vila e região no séc. XIX. O ramal da Estrada de Ferro de Sobral até Camocim foi fechado em 1977, sob protestos, pertencia desde 1910 `a empresa The South American Railway Construction Limited.

O site http://www.camocim.ce.gov.br nos diz que um camocinense importante foi Pinto Martins, aviador. Há muito potencial turístico nos seus 60 km de praias. A Praia do Maceió e a Ilha da Testa Branca ou Ilha do Amor, do outro lado do rio Coreaú, são promulgadas Áreas de Proteção Ambiental (APA). O píer flutuante, para embarque e desembarque de passageiros que utilizam as lanchas de turismo ou de transporte para as comunidades interioranas, virou atração turística, uma vez que ver o nascer do sol e a lua cheia de lá é impactante. Outro ponto marcante é o Estuário do Rio Coreaú, reserva natural com manguezais, flora e fauna da região, habitat de garças azuis, caranguejos e aves marinhas.

Até logo, Camocim, voltaremos. Uma paixão! Saímos do hotel, sem a ajuda de atendentes. Saímos pela Rua da Independência, estamos no centrão, a pracinha do coreto é uma delícia de tranquilidade. Pegamos o caminho em direção a Granja, que passamos por fora. Parazinho a 20 km. Bem sinalizado. Pegamos a Sol Poente (CE-085). Jijoca em frente, Parazinho à direita. Eram distritos de Granja, hoje emancipados.

Ainda fora do município de Jijoca, contratamos um motoqueiro-guia para nos levar ao Parque Nacional de Jericoacoara. Isso é obrigatório, mas o valor é negociável, cobrou R$60,00. Sai na frente e nós atrás de carro. O Mangue Seco à esquerda, a Lagoa do Paraíso em frente. Estamos na APA de Jericoacoara. Mais uns 20 km chegamos a Jeri, como é carinhosamente conhecida. Vemos pousadas mil, além de restaurantes pelo caminho, estamos em asfalto, piçarra, dunas, uma aventura, bom para carro tracionado. O tempo é invernoso, então são poças e poças de água que cruzamos, altos e baixos, bem Indiana Jones. Tudo verde, passamos pela Lagoa do Paraíso, muito movimento de bugres, motos e carros. Impressionante. Eu diria que o percurso é difícil, tremeluzente, a gente pula dentro do carro, mas é inusitado. As trilhas de areia de dunas e o túnel de cajueiros não têm igual. Que jornada!

Interessante mencionar que conheci Jeri em 1987, era um deslumbre, nem luz tinha. Fui com uma conhecida que topou a viagem de ônibus comum: Fortaleza-Jijoca, 40 paradas, saímos às 8 h e só chegamos a Jeri às 17 h. De Jijoca a Jeri foi no velho pau de arara ou jardineira, uma hora passando por dunas e sacolejando muito. Que máximo! O banho era de poço, meu cabelo ficou um espanto, pois a água era salobra. Boas lembranças… e o forró? A Gente ia de lamparina feita de garrafa pet e vela dentro. Dançava, se divertia, eu nunca havia visto tantos estrangeiros em um só lugar. Jeri sempre foi fascinante. A natureza bela, única, a vila com cachorros soltos e porcos. Era pequena e toda na areia. Andamos de jangada pela manhã, a gente dava conta da vila bem rapidinho, era uma vida lenta, tranquila. Ah! A gente se hospedou na casa de uma nativa. Era outro mundo. Depois voltei nos anos 90, já tinha luz e mais pousadas. Muito divertida, ainda com o forró e muita festa.

Agora em 2022, revejo Jeri e percebo o quanto mudou. Radicalmente. Para começar, existe o aeroporto que trouxe muita gente de fora do Ceará, principalmente, de São Paulo. Em pleno março, na estação das chuvas e Jeri lotada.

Na entrada do Parque Nacional de Jericoacoara há um quiosque onde se pagam as diárias, as pessoas acima de 60, não precisam pagar. A primeira via é do hotel e a segunda, do turista: R$30,00 até 7 dias. Para quem vem de carro tracionado, o estacionamento pago, de R$40,00 a diária, é fora da vila; para quem vem sem carro com tração, o estacionamento é em Jijoca e aí se pega o transporte. No passado, caminhão jardineira; hoje, HILUX com bancos atrás. Quem tem mais de 60 anos, pode ser levado ao hotel no seu próprio carro, porém depois tem que trazer o veículo de volta ao local estipulado. A ADEJERI (Autarquia de Jeri) é responsável por tudo isso.

Enfim, cansados, adentramos o hotel Recanto do Barão, Rua do Forró, 433 (pago pelo sistema Bancorbras). Como só podemos entrar no quarto às 13 h, o Carlos foi deixar o carro no estacionamento e voltou de jardineira própria do local. O hotel repleto de hóspedes, Jeri é sempre um “point”. Na recepção, o goiano Alexandre é solícito e simpático. Nos indicou o Restaurante do Bigode, na mesma rua, ali perto. Menu: um pargo na brasa, com arroz, feijão preto, farofa e macaxeira, foi bem farto. Oferecem suco de graça ou duas caipirinhas. A fome ajuda… O preço do almoço custou R$140,80. Digno de nota dizer que feijão preto é muito apreciado em outras praias do Ceará, como Canoa Quebrada e Icaraizinho de Amontada. Sempre achei interessante.

A vila é um charme, com muitas opções de restaurantes, lojas, cantinhos, cafés, pizzarias etc. Música por todos os lados, gente alegre, a felicidade no ar. Eu fiquei deslumbrada! O calor está intenso, pega fogo. A vila ainda é na areia, dá para entender o motivo pelo qual atrai tanta gente. O lugar é vivo, ferve de tanta atividade.

À tardinha, passeio pela vila. Sorvete no Gelato & Grano, bancos em botijões de leite, original. Vi pousadas antigas, conhecidas minhas, como a Matusa, Hippopotamus, Capitão Thomaz. A pracinha principal é uma lindeza, os becos e detalhes também. Entrei para conhecer a Loja Mundo Jeri, da Associação das Crocheteiras, na rua Principal, s/n. Comprei chapéu e colares de croche, vi maravilhas.

Rumamos à praia, mar calmo, de cor escura, sempre foi assim, era mais distante, hoje se aproximou. A duna do pôr do sol diminuiu muito. Chocante presenciar tal destruição. Era muito alta, lembro que a gente subia todas as tardes e ficava com as canelas doendo, uma lástima estar desaparecendo.

No fim da tarde, há muita gente na praia. Ao sair da Rua Principal, já se está na praia. Carrinhos de bebidas, gente jogando vôlei, comendo, curtindo o visual. Alguns restaurantes chamam a atenção: o Mosquito Blue Restaurant &Wine Bar e o Bar e Restaurante Sol. Transados, bonitos entre coqueiros e árvores outras. O Carlos tomou banho de mar, eu fiquei observando o movimento ao redor e tirando fotos. Há um clima de liberdade diferente. O forró pé de serra propagandeado é ali na praia mesmo, no meio dos carrinhos de bebidas. O antigo forró, infelizmente, não existe mais, é um restaurante atualmente.

Bom dizer que se recicla o lixo no Parque Nacional. Subimos na duna e nos deliciamos com as belezas de Jeri.

Retornamos ao hotel. Comentário: sempre me pergunto em um local praiano como não existe lugar no quarto para as roupas molhadas? Para o jantar, algo simples na Padaria Central Jeri: misto quente (sanduíche de queijo e presunto na chapa) e suco de laranja. Local cheio, em uma segunda-feira, incrível!

Eis Jericoacoara, com tantas opções de comida e lazer que fica difícil decidir. É um caso de amor. A loja Americanas Express, na Rua do Forró, se situa em uma casa linda, de placas de madeira. Jeri é autêntica, única, limpa. Não se usa saco plástico, a sacola dada é de papel. A Natureza agradece.

Continuaremos com Jericoacoara em breve.

6 comentários em “Ceará-Piauí-Camocim rumo a Jericoacoara

  1. Estive em Jeri há muitos anos. Na época, não havia ar condicionado nas pousadas, só ventilador e quando não faltava energia. Infelizmente, o progresso tem seu preço, Jeri ainda é linda, mas não é mais a mesma.

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