Guaramiranga-Ceará-2022

Guaramiranga-Ceará-2022

Hoje é dia 23 de abril de 2022. Estamos em Guaramiranga na serra de Baturité no Ceará, a 108 km de Fortaleza, capital do estado. Cidade serrana amada. Fazia tempo que não voltávamos.

Estamos na Pousada Convento da Gruta, mais conhecida como Mosteiro dos Capuchinhos. O clima de 22°C é uma delícia. Estamos em plena estação invernal ou chuvosa. A natureza exuberante, o clima sempre mais ameno, os pássaros livres e as flores diversas fazem de Guaramiranga um destino procurado.

Vi novidade na pousada: obras do pintor Lucivaldo “de Pacoti” (cidade serrana ao lado de Guaramiranga) nas paredes. As pinturas dele são o retrato da serra, suas paisagens e pássaros são dignos de nota. No mosteiro, ele pintou santos católicos. O rapaz é talentoso.

Chove direto. Infelizmente, não oferecem mais a sopa da noite. Continua o café da manhã e almoço. Efeito da pandemia, dizem. O almoço com vegetais e legumes frescos é bom demais. Para jantar, aconselho descer ao centrinho, pois tem mais opções de refeições. As opções de delivery são limitadas.

Dia 24 de abril de 2022. O café da manhã é farto, bolos de milho verde e mole (típico do Ceará), canjica com pouco açúcar, frutas diversas da região, uma abundância.

Fomos passear e rever os amigos da cidade. Passamos pelo amigo Thiago da pousada Alto da Montanha. A sede é uma verdadeira galeria de arte com quadros de quem? Do Lucivaldo, certamente. Volta e meia nos hospedamos em um dos chalés, junto à mata. Sugiro no restaurante a canja e outros pratos. O café da manhã é um buffet fenomenal.

O Chalé das Montanhas veio abaixo, a pousada era composta de casinhas coloridas que faziam parte da paisagem… uma tristeza. As imobiliárias chegaram lá, fico chocada. No lugar dos chalés, virão construções outras que serão para venda e caríssimas. Não me acostumo com isso, espero de coração que não desvirtuem a beleza da natureza de Guaramiranga. Isso é modernidade?

No centro de Guará (apelido carinhoso), a pracinha com a feirinha, sempre lá. Ao lado, da amiga Ligênia, conheço a Docca Doceria. Saudações a ela e à sua querida mãe, dona Alice. No local, já teve restaurante. No momento, a Ligênia assumiu seu lado doceira. Ela também é uma artesã de qualidade. Sou sua fã.

Não vejo mais a dona Teresinha vendendo doces na pracinha do lado de trás. O seu João Caracas também não vende mais o seu café E Jóia na feirinha. Sinal dos tempos e da pandemia?

A caminhada foi boa, troquei muitos abraços. Também vimos a pousada Casarão dos Uchôa de 1904. Há história na casa. Nunca nos hospedamos lá.

O almoço nos Capuchinhos foi perfeito. Tudo cultivado na serra. Os doces de ambrosia e banana são de sonhar. Guaramiranga é produtora de banana e café sombreado.

À tardinha andamos pros lados do restaurante Macario´s e suas vitórias-régias. Uma pintura o lugar. No caminho, passamos pela escola EFM Zélia Matos Brito e pela nova quadra esportiva com piscina para as crianças. A geladeira existente ali perto para doação de livros é um achado. O Manjericão Restaurante e Pesqueiro continua lindo.

Foi feito um calçadão em frente à pracinha principal de Guará com bloquetes, carros não são mais permitidos. Há bancos de madeira distribuídos na praça e peatonal, boa atitude. Achei tudo mais bem cuidado.

O jantar foi de cuscuz e complementos em uma das lanchonetes atrás da pracinha. Depois, sorvete com calda de chocolate amargo (que ainda é muito doce, na minha opinião) na Chocoberry na rua principal. Muitas opções gostosas. Fiquei impressionada com o movimento em um domingo, Guará sempre atrai.

Ao chegar à pousada de volta, um bom papo com o frei Helder, pároco do mosteiro. Muito culto.

Dia 25 de abril de 2022. O café da manhã sempre uma delícia. Os bolos de chocolate e laranja me deixaram querendo mais. Já perceberam que adoro bolo, né?

Vamos a Pacoti, cidade vizinha. É mais cidade que Guaramiranga, a população é maior e tem mais infraestrutura de bancos e comércio. Comprei bolachas na padaria de sempre: Panificadora Bonfim, rua Padre Constantino, 413 no centro. Faz parte da tradição.

Passamos por Forquilha e Botija. Pela Linha da Serra, rota turística, também. E a Pernambuquinho para rever o sr. João Caracas, do Café E Jóia. Gente boa demais. Mora na propriedade com a esposa e planta café. Tem a loja com mel, licores, bananas, passas de banana e café, logicamente.

No mosteiro, conhecemos o Alverne, lugar de meditação onde antes era a pocilga. Hoje é um lugar de veneração a São Francisco de Assis. Sua história é contada em placas quando foi ao Monte Alverne na Toscana (1300 m) e ficou em meditação sozinho em uma caverna na montanha só com pão e água, dados diariamente pelo frei Leão, seu ajudante. Ele testemunhou as Chagas de Cristo nas mãos e pés de Francisco. A capela é feita de madeiras, mesas, bancos reciclados da natureza. Tudo rústico e original.

Da próxima vez faremos a trilha do café e da banana na área do mosteiro, uns 200 m. de altitude. O chão de terra estava perigoso para a gente cair, por conta das chuvas da época e por ser íngreme.

A região da serra de Baturité oferece muito a ver: cachoeiras, o Pico Alto (1.115 m), os sítios históricos de plantação de café, como o São Luís, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, o museu da EPCAR etc. O sítio São Luís de 1858 vale a visita em Pacoti. Pertence à família de Cláudia Goes, por sinal, prima do meu pai. A filha Laura é responsável pela administração. A casa histórica e seus arredores são belos. Fazem um trabalho muito intenso de divulgação da região. Algo louvável.

Gostaria de ressaltar a Villa Nova Holanda em Mulungu. A casa e museu são atualmente mantidos pelo proprietário Max Cid de Holanda Furtado e sua família, são abertos à visitação. Também primo do meu pai. A família é grande… Finalizada em 1920, a casa principal continua com sua arquitetura colonial, típica da serra de Baturité. A família tem origem holandesa e é muito interessante conhecer sua história.

Uma observação: meu pai nasceu em Baturité, no pé da serra, cidade-sede, terra de meus antepassados da família Furtado.

Guaramiranga é preciosa. Nunca passo muito tempo sem visitá-la, a natureza exuberante nos chama e seu charme mais ainda.

6 comentários em “Guaramiranga-Ceará-2022

  1. Parabens amigo Jair, sua filha é uma historiadora nata.Ela narra tudo que ocorre em suas visitas a essas cidades históricas do Ceará com tanta perfeição , que nós nos
    transportamos para àqueles ambientes.

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      1. Guaramiranga é sempre um refúgio para quem quer o aconchego da natureza, amo também de coração! Também gostei de não permitirem mais carros na rua da praça principal: mais segurança e lugar para os pedestres. Sempre bom viajar na leitura dos seus relatos, Mônica.

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  2. Guaramiranga, terra natal da minha família por parte de pai. Sempre um prazer revistá-la . Vamos combinar de passar um final de semana por lá. Parabéns pelas belas palavras sobre a nossa querida serra! 👏👏

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