Bariloche-Argentina 2022-um dia em San Martin de los Andes-sexto dia

Hoje é dia 18 de agosto de 2022. Estamos em Bariloche. Combinamos no dia anterior o passeio a San Martin de los Andes, outra cidade charmosa na Patagônia argentina. Há muito queria conhecer. A van passa às 8h30 no hotel Soft para nos pegar. O retorno será às 18h15. O guia se chama Alejandro e o motorista Palermo. Vamos cruzar a fronteira estadual da província de Rio Negro e chegar à província de Neuquén, então temos que preencher um formulário com nome e número de RG ou passaporte na própria van.
Passamos pelo lago Nahuel Huapi, de acordo com o guia, o quarto maior em tamanho da Argentina, o maior do Parque Nacional Nahuel Huapi, com 530,9 km² de superfície e 10,2 km de largura.
Estamos na afamada Ruta 40, a mais longa estrada do país, corre toda a Cordilheira dos Andes. Beleza não falta nos arredores.
80 km de Bariloche ou 1 h e 15 min depois está Villa Angostura, onde desceremos. Trata-se de outra cidade alpina, uma gracinha. Já conhecia de 2017. A sua arquitetura é rústica com casas de pedra e madeira. Vale a pena visitar. Em espanhol, “villa” significa cidade pequena e “angostura” passagem estreita.
Estamos na Rota dos 7 Lagos, região das mais atrativas. Os lagos são Espejo, Correntoso, Falkner, Machónico, Villarino, Escondido e Lácar. Faremos 4 paradas.
O lago Nahuel Huapi com as montanhas nevadas atrás é espetacular. O parque nacional é conhecido por nos oferecer paisagens suíças. San Martin tem uns 70 mil habitantes e parece com Bariloche e Villa Angostura. Também com a mesma arquitetura. Seu atrativo principal são os cenários idílicos da bela Patagônia.
A última cidade em Rio Negro é Dina Huapi, logo estamos em Neuquén. Há polícia na fronteira. O lago Nahuel Huapi se encontra nas duas províncias ou estados. Nahuel Huapi significa ilha de tigres na língua dos índios mapuches. Eles viviam na região no séc. XIX, eram guerreiros valentes. Homens brancos de Buenos Aires lutaram com eles, e ao vencerem, encamparam a região se tornando consequentemente Argentina. Detalhe: foi o cacique Saihueque que se rendeu aos invasores em 1874.
Vemos a estepe patagônica no caminho, são campos, muitas terras, poucos habitantes e ventos fortes.
Na van escutamos Mercedes Soza e a nossa Alcione. Interessante que quando enxergamos uma pessoa com mate e garrafa térmica, não tenha dúvida, é argentino ou uruguaio. E lá vamos nós pela Ruta 40 repleta de neve, margeando o lago Nahuel Huapi. Um delírio!
Quase 10 h da manhã e nos aproximamos de Villa Angostura, fundada em 1932. O guia diz ser uma aldeia de montanha. Um passeio que já fizemos e aconselho é o do Bosque de Arrayanes (árvores típicas). Lindo! Perto da cidade pequena de três quadras, há a montanha: Cerro Bayo, onde se praticam esportes de inverno como o esqui. No verão, o interesse de gente do mundo todo é o trekking (caminhada intensa) e a pesca. Existe uma estátua em homenagem à truta, peixe procurado por americanos, principalmente.
Ficamos uns 20 minutos somente, fomos a um café para banheiros e café, lógico. Pedi um muffin (bolinho denso) de chocolate e um café. O local é o Cucu Schulz na av. Arrayanes, 44. Como aprecio um muffin.
O frio é grande. Ver Villa Angostura no inverno, totalmente gelada e nevada, é encantadora, bem diferente de conhecê-la na primavera, asseguro. Deixamos a cidade e rumamos a San Martin de los Andes pela mesma estrada: Ruta 40.
O guia Alejandro demonstra muito conhecimento da região. O Parque Nacional Nahuel Huapi teve sua fundação em 1934, conta com 712.160 hectares e protege lagos, lagunas e uma selva fria: Los Alerces com as árvores alerces, enormes, milenares e nativas. O fruto llao llao se encontra lá, doce e saboroso. O Cerro Tronador se situa entre o PN Nahuel Huapi e o PN Vicente Pérez Rosales no Chile. Tem 2642 m de altura e a temperatura é de frio, neve e tormentas o ano todo. Muitos glaciares e águas termais na região. Do outro lado de onde estamos se encontra o Chile e o Oceano Pacífico. Por ali, existe o Paso Internacional Los Libertadores, ligação entre os dois países cuja estrada tem forma de caracóis, o transporte usado é ônibus e carro 4×4.
A primeira parada ocorre no mirador do lago Espejo, dito ponto panorâmico. As árvores coihues são sempre verdes. No outono, elas são coloridas formando um cenário formoso. A laguna congelada se chama San Ferino. Existem cervos colorados na área cujas carnes são apreciadas. O lago Espejo ou Espelho fica lá embaixo, no mirante há muita neve.
Vemos o rio Ruca Malen, depois chegamos ao lago Correntoso, fazemos a segunda parada para fotos no mirante. As montanhas nevadas ao longe e à direita floresta. Os lagos são fabulosos de tão mágicos e no inverno ficam mais chamativos. Lá pescam trutas e há cabanas e hospedagens a mil. Deve ser uma tranquilidade passar uns dias naquele paraíso.


O clima está mais aguentável no momento, ainda bem, pois não chove, venta ou neva. Passamos pelos lagos Escondido, Villarino e fazemos outra parada no Falkner, onde nos aproximamos mais do lago. Há uma placa em homenagem ao explorador/médico Thomas Falkner (1702-1784), além de missionário jesuíta inglês. Este lago Falkner parece uma praia congelada, a água fria é profunda. Pisamos na neve, o lugar é hermoso, como dizem os argentinos.
Como não alugamos roupa para o frio intenso, congelamos. Sinceramente, me arrependi. Fica a sugestão.
Vi a placa do Parque Nacional Lanín e o lago Hermoso. San Martin no noroeste da Patagônia, é a porta de entrada desse parque nacional com florestas, vida selvagem diversa e o vulcão Lanín.
Na cidade é comum comer muito alce, cordeiro e bife de chorizo, da mesma forma truta e pizza napolitana.
Mais um lago: Machónico. Que paisagem a do local. O último lago antes de San Martin se denomina Lácar, fica entre montanhas, é glaciar e continua na cidade a margeando. Possui um pontão para barcos e uma praia com areia. A distância da fronteira com o Chile é de 45 km.
O município, enfim. Segundo Alejandro, existe desde 1898 e era um forte militar. A região era país dos índios mapuches cujo líder era o cacique Saihueque, conforme foi dito anteriormente. Com a vitória do Gal. Roca, a cidade se torna San Martin de los Andes em honra ao Libertador, herói da independência da Argentina, Chile e Peru: Gal. San Martin.
Na cidade, ficamos entre 13 h e 15 h. A ideia era almoçar logo, então o guia nos levou ao restaurante La Nueva Barra (Almirante Brown, 216). O Carlos pediu cordeiro patagônico e eu supremo de frango, ambos com salada de cenoura, alface e tomate. Aprovamos.


Enfim, o sol apareceu e colaborou com nossa excursão. A praça San Martin é o ponto principal, a partir dali desbravamos as ruas adoráveis. Lojas, feirinha de rua, chocolaterias, muitas casas floridas, um encanto. San Martin de los Andes é charmosa, com roseiras nas calçadas, parques, árvores, uma mistura de Villa Angostura e Niagara on the Lake no Canadá. As casas são construídas com muita madeira. Que passeio mais gostoso. Há muita beleza no local, como mirantes, praias, o parque nacional, visita ao vulcão, ou seja, visuais arrebatadores. Deu vontade de conhecer mais, mas fica para outra.
Após as caminhadas, nos direcionamos à Villa Angostura de novo, descemos para um café no mesmo Cucu Schulz e retornamos a Bariloche na hora do rush. Carros em quantidade, como é de se imaginar.
Dia completo e feliz. Em breve Puerto Blest.

Quantos lagos bonitos!!👏👏👏
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Querido viajante Victor,
Sim, lagos belos, na verdade. Ver montanhas nevadas atrás deles e florestas ao lado formam uma pintura de obra prima da natureza. Linda Argentina. Amo, mas isso você já sabe. kkkk Grande abraço.
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